Fevereiro 2023 archive

Um ataque feroz

Estamos a viver um dos momentos mais negros da história recente do país. Um ataque aos mais elementares pilares da democracia através da limitação de uma das únicas ferramentas reivindicativas que os trabalhadores ainda podem usar – o direito à greve. Primeiro, com serviços mínimos que implicavam o impedimento do direito à greve a assistentes operacionais em pontos-chave das escolas e aos professores de apoio a alunos de NEE. Depois, decretando mais serviços mínimos, que implicavam para cada turma um mínimo de 3 horas de aulas diárias, significam, praticamente, serviços máximos e a quase total proibição de os professores poderem fazer greve. Um precedente que, alastrando a outras classes profissionais, poderá representar o fim de um direito pelo qual, durante décadas, muita gente derramou sangue para conseguir alcançar.

As iniciativas do governo de pedido da limitação do direito de os professores fazerem greve, evidenciam claramente que o ministério da Educação nunca teve a intenção de negociar nada. Desmascara uma postura negocial farsante que pretendia ir prolongando o período negocial com o único propósito de esperar que os professores fossem vencidos pelo cansaço e desistissem da luta. Como isso não aconteceu – antes pelo contrário, a luta intensificou-se –, o governo não teve qualquer problema em travar a greve. Uma atitude que nada tem de democrática e atenta contra os mais básicos direitos dos trabalhadores, trazendo à lembrança atitude idêntica que acabou com a greve às avaliações em 2018, rematada com um primeiro-ministro que ameaçara demitir-se se fosse obrigado a devolver o tempo de serviço congelado aos professores.

Revelando até onde poderá ir o executivo através da intervenção da máquina política na comunicação social, basta repararmos como nos últimos dias proliferam comentadores que apelidam os professores de «radicais». Nos média notam-se claramente as manobras de bastidores para silenciarem os professores, desde uma semana em que os canais de notícias quase não fizeram diretos nas greves distritais, até ao silêncio absoluto de Marques Mendes no dia seguinte à maior manifestação de sempre dos professores, a qual contara com a presença simbólica da ASPP/PSP e da Associação de Oficiais das Forças Armadas.

Está montado o gabinete de guerra aos professores com o intuito de levar a luta até às últimas consequências, bem ao estilo do “Quem se mete com o PS, leva”, que, infelizmente, se poderia também aplicar a outros partidos com assento parlamentar.
Se houve alguma dúvida sobre a forma como os professores são tratados neste país e os motivos da sua revolta, agora ficou bem claro.

Carlos Santos

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/um-ataque-feroz/

A GRANDE MANIFESTAÇÃO DOS PROFESSORES: DAS PALAVRAS O SENTIMENTO

A GRANDE MANIFESTAÇÃO DOS PROFESSORES:

DAS PALAVRAS O SENTIMENTO

 

Um sábado frio e solarengo de inverno. Dia 11 de fevereiro de 2023. Hora marcada, 15 horas. Um dia histórico para os educadores e professores portugueses, para o movimento sindical e para o exercício da cidadania. Portugal e o mundo assistiram à maior Manifestação nacional de Professores de sempre, com apoio solidário popular massivo e maciço, e com a presença de forte solidariedade sindical internacional. Mas, as estrelas, foram mesmo todos os trabalhadores da Educação e Ensino. A docência está de parabéns.

A CNN Portugal falou em 200 mil manifestantes. A comunicação social e os sindicatos, por baixo, falaram em mais de 150 mil manifestantes. Seguramente, algures entre 150 mil e 200 mil manifestantes. Um oceano de gente, de pessoas humanas unidas no mesmo querer, na mesma vontade, na mesma Esperança renovada, com um brilhozinho nos olhos.

 

Carlos Calixto

 

Ninguém me contou. Tal como em 2008, eu estive lá. Tive o privilégio e a honra de ver com os meus olhos in loco, sentir com o meu coração o ambiente fantástico de todos e tantos corações palpitantes, vivenciei axiologicamente o momento, feito de muitos momentos, emocionei-me, senti arrepios e escorreu uma lágrima que os óculos de sol ajudaram a disfarçar. Emoções, muitas e fortes emoções. Revi e abracei Amigos.

A nação dos professores e educadores portugueses, o povo docente disse presente, em uníssono. Resposta ainda mais esmagadora que em 2008. E eu olhei e observei as pessoas. Vi políticos deambulando pelo Marquês. Vi as  selfies para memória e recordação futura. Também vi aqueles que vivem vazios por dentro, sufocados pela máscara do fingimento e da mentira, preocupados com fotografias e vídeos, aparecer nas filmagens, disfarces à paisana, enfeudados ao partido, vi drones filmando (…); vi aqueles que em negação, não aceitam o que são e quem são, sem alma, as lapas do poder. Apenas ficar no retrato.

E continuei olhando, e observando observei o mar de gente a transformar-se num oceano de gente. Gente gira, linda, bonita. E também vi um grande aparato policial, carros, motas, polícias de/em serviço, acompanhados de grandes metralhadoras. Sorri! E mais vi, pessoas, cidadãos anónimos com pequenos cravos de Abril ao peito, a dar e a distribuir lindos cravos de Abril, com um perfume inebriante a verdade, justiça, pureza de sentimentos e a inocência de gente boa, pessoas bem formadas de carácter a Lutar por Dignidade e Respeito. Vi uma luta entre David e Golias e sei, sim, eu sei que no final, o pequeno David vai vencer o grande Golias porque a realidade impõe-se, realiza-se e acontece no tempo determinado. E Este É o Tempo!

E lá começou a marcha. E, meu Deus, eu vi as pessoas a berrar e a gritar palavras de ordem a plenos pulmões. Gritando mais alto que megafones já com as pilhas gastas, gritando com a voz rouca e doendo, afónicas, fazendo a catarse em família, a nossa, a família professoral.

As pessoas eram tantas, tantas, mas tantas que, em bicos de pés e empoleirado, não vi o fim à vista da Manifestação. Jornalistas, rádios, televisões, entrevistas, bombos, trabalho sindical organizado e espontâneo, de improviso. Vi a Avenida da Liberdade cheia (ladeada por milhares e milhares de populares, dançando, batendo palmas, cantando, com mensagens motivadoras de encorajamento, alguns numa espécie de transe telepático de simpatia e apoio à nossa causa, por tudo aquilo que todos sabem e pela salvação da Escola Pública), vi o Rossio cheio, vi o Terreiro do Paço cheio; e vinham aos magotes e iam entrando, com a arma da bandeira em punho, bem levantada lá no alto, cachecóis, slogans, caretos e gigantones, apitos e gaitas, faixas e cartazes com reivindicações. Até vi imaginação e criatividade nos protestos, das mais efusivas e variadas formas, e até por lá andaram as orelhas do Mickey (enormes, em modo Dumbo), em cabeças mensageiras. No Rossio, chamou-me a atenção, o cartaz de uma senhora que em papel de cartão grosso, emendado com fita cola, dizia tudo em poucas palavras: “Senhores professores, por favor NÃO desistam. Lutem pelos vossos direitos”. A “coisa” bateu forte.

O professorado muito agradece e diz muito obrigado a esta cidadã anónima, do povo, que ao contrário do Governo, do Ministério da Educação (ME), e de alguns políticos (que representam o partido e não o povo e muitos professores que os elegeram), percebe o que está a acontecer/acontecendo. Senti um estremecimento e a responsabilidade redobrada. Desistir não é opção. Falhar está fora de questão. A luta É para continuar até à vitória final, com o Acordo de todos os acordos negociado entre a tutela e o professorado. Necessário é plasmar tudo num novo Estatuto da Carreira Docente (ECD). Dar resposta a todas as linhas vermelhas. Dinheiro não é problema quando há vontade política. Falemos, dialoguemos, admitamos um calendário faseado, mas sem mandar para as calendas gregas. Até porque, se alegadamente, só para a Efacec, o Estado injecta todos os meses 10 milhões de euros (Camilo Lourenço, comentário hoje, 13 de fevereiro de 2023, na CMTV), os docentes há duas décadas que vêm empobrecendo e perdendo salário real e poder de compra.

Não se trata de nenhum braço de ferro entre o ME e o Professorado, mas apenas e tão só/somente de Justiça, honrar compromissos, resolver problemas laborais da classe e valorizar/tornar atractiva a profissão docente. É nobreza de carácter reconhecer os erros e emendar a mão. Nós, os professores, estamos aqui, esperando há demasiado tempo. A paz social tem um preço. Os custos do colapso da Escola Pública são irreparáveis para gerações de jovens estudantes.

Os professores e educadores viajaram de todo o país, aos milhares, em centenas de autocarros (foram noticiados mais de 600), de automóvel, de barco, a pé e à boleia, e até de bicicleta, caso do colega Carlos Azedo, com 62 anos e que pedalou mais de 200 kms, do Alentejo até Lisboa, com a mensagem de que estava a repetir 2008: “Manifestação Geral de Professores (…) 15 anos depois tudo na mesma”!

Terreiro do Paço cheio. Discursos no palco. Convidados estrangeiros. A Internacional da Educação. Mais discursos e vivas ao humano rio transbordante, mar e oceano que não parava de encher a Grande Praça, na sua imponência virada para o Tejo. E as bandeiras ai, tantas bandeiras, de todas as cores, grandes e menos grandes, agitadas ao vento, num frenesim sem fim, sem ninguém querer arredar pé. E alguém gritou, “e a seguir Pink Floyd”. Derrubar a parede que oprime e deprime. E foi, foi lindo, único, humano e humanista, quase transcendental. Professores mais jovens, os novos e de meia idade, os mais jurássicos (o meu caso), em princípio e fim de carreira, no 10º escalão (senadores, vão sendo uma raridade), aposentados, estudantes futuros professores, todos homenageando e todos sendo homenageados.

Cai a sombra escura da noite e não paravam de chegar mais e mais colegas. Parecia o milagre da multiplicação. Eram/foram tantos, tantos, impossível contá-los; como é impossível contar cada gota de todas as gotas do oceano. E vi drones a “intimidar” alguns, filmando na noite, piscando luzes verdes e vermelhas. Mas vi outra coisa. Vi o brilho do pensamento no olhar de luz de todos os manifestantes a iluminar a noite escura. E a celebração continuou.

Já noite, recolher o material da luta, o regresso e uma chuva miudinha que começou a cair. Caminhar vários kms, chuva pingando, engrossando, passar Santa Apolónia, continuar caminhando, atravessar o Viaduto do comboio, continuar caminhando e abrandar por causa de alguns colegas que iam ficando para trás, encontrar a camioneta que transportou o nosso grupo. Um grupo de 9 colegas perdeu-se. Fomos dois à procura. Localização GPS. “Quase que chegavam à Expo”, tal a firmeza da/na caminhada. Sinceramente, nunca vi tamanha firmeza e determinação na classe docente. Os professores mais parecem/são uma tropa de élite muito bem treinada e disciplinada, que sabem o que querem e apontam o caminho, “soldados que dão lições aos oficiais do ME”, de cidadania e civismo. Os colegas perdidos, entretanto   achados, encontrados e regressados, afirmaram sorrindo, não estar cansados. Impressionante! Depois de um dia árduo e tão cansativo. Sem palavras!

ME, ausculta os professores, ouve e escuta, entende o âmago e essência íntima da questão, da lancinante tormenta dos problemas docentes, e resolvamos, por favor. Urge pacificar as escolas. Obrigado.

Partida, comer a última sandocha, saída pela ponte Vasco da Gama, paragem na estação de serviço Galp Alcochete, para o inevitável chichi, com filas enormes e vários minutos de espera, suportado durante horas (mesmo evitando beber água e líquidos), o sentido do dever cumprido e alguns colegas a dormir. (A entrada foi pela ponte 25 de abril, paragem em Alcácer do Sal).

Terminamos (singular plural majestático), com a referência ao facto de no nosso autocarro, irem duas menores; a filha de uma colega e uma amiguinha. Interpelada a colega por mim, a resposta pronta foi: “Lição de cidadania”.

O retirar da identificação do autocarro dos vidros da frente/pára brisas e do vidro de trás.

A todo o professorado, educadoras(es) e professoras(es) portugueses, do continente e das ilhas, Açores e Madeira, aos colegas vindos do estrangeiro, organizações, e ao povo português, que vieram dar apoio solidário e altruísta, o nosso Obrigado por tudo e o nosso Amor por tudo.

Muitos Parabéns a todos! Bem hajam!

O brilho nos olhares é agora mais intenso, estamos mais unidos, e vão acontecer as cores do arco-íris e o deslumbramento da aurora boreal. Vamos viver um dia de cada vez, com a Esperança que É Certeza. Somos docentes, cidadãos livres, conscientes, com massa crítica, a Educar e a Ensinar as futuras gerações, com esta grande lição de democracia e cidadania participada.

Acontece(u) Ser Professor!!!

CCX.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/a-grande-manifestacao-dos-professores-das-palavras-o-sentimento/

As novidades do Novo Estatuto da Carreira dos Docentes nos Açores

Reposição do tempo inter-carreiras

Recuperação do Tempo de Serviço

Redução da componente letiva aos docentes do Pré Escolar e 1.º Ciclo em igualdade com os dos outros ciclos.

Proposta de Decreto Legislativo Regional

Estatuto da Carreia Docente da Região Autónoma dos Açores

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/as-novidades-do-novo-estatuto-da-carreira-dos-docentes-nos-acores/

Mais três rejeições para memória futura…

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/mais-tres-rejeicoes-para-memoria-futura/

Tolerância de ponto dia 21 de fevereiro mas tenham calma…

 

O Colégio Arbitral decretou serviços mínimos para os dias 20 e 22 de fevereiro. Estes dias são de pausa letiva, de acordo com o Calendário Escolar aprovado para este ano letivo.

O Colégio Arbitral desconhece o calendário escolar ou a marcação de serviços mínimos nestes dois dias traz água no bico?

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/tolerancia-de-ponto-dia-21-de-fevereiro-mas-tenham-calma/

Carta ao Senhor Presidente da Republica

Carta enviada ao Senhor Presidente da Republica que me foi enviada para publicação.

 

Clicar na imagem para ler a carta de 9 páginas.

 

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/carta-ao-senhor-presidente-da-republica/

Número de estabelecimentos Públicos e Privados

Os quadros seguintes são retirados do novo documento da DGEEC que foi disponibilizado hoje.

O primeiro quadro apresenta o número de estabelecimentos públicos por concelho, o segundo o número de estabelecimentos privados também por concelho.

Lisboa e Porto têm mais estabelecimentos de ensino privados do que públicos (ano de 2020/2021 em análise).

De acordo com os dados, Lisboa tem 159 estabelecimentos públicos e 231 privados. O Porto tem 76 estabelecimentos de ensino públicos e 118 privados.

 


Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/numero-de-estabelecimentos-publicos-e-privados/

Dashboard Educação em Números

Dashboard Educação em Números

 

A DGEEC disponibiliza um dashboard em Power BI que contém informação acerca de Alunos, Recursos Humanos (Docentes e Não Docentes) e Estabelecimentos, relativos à Educação Pré-escolar e aos Ensinos Básico e Secundário.

Os dados têm o nível de desagregação geográfica máxima por município e referem-se a Portugal. As séries temporais apresentadas remontam a 2009/2010 no caso dos Alunos, 2014/2015 no caso dos Recursos Humanos e 2013/2014 no caso dos Estabelecimentos.

 

Através deste dashboard, o utilizador pode selecionar as categorias das diversas variáveis e assim efetuar os cruzamentos que lhe permitem obter a informação personalizada do seu interesse. A informação é suscetível de ser visualizada por:

  • Alunos:natureza e localização geográfica do estabelecimento onde se encontram matriculados (NUTS I, II, III e município), ano letivo, nível, ciclo, oferta de educação e formação, orientação, ano de escolaridade, sexo e idade;
  • Recursos Humanos: natureza e localização geográfica do estabelecimento onde exercem funções (NUTS I, II, III e município), ano letivo, nível/ciclo de docência (Docentes), grupo de recrutamento (Docentes), funções (Docentes), habilitações académicas, vínculo contratual (estabelecimentos públicos do Ministério da Educação), sexo e grupo etário;
  • Estabelecimentos:natureza, localização geográfica (NUTS I, II, III e município) e tipologia.

Outros indicadores tais como conclusões, taxas de transição/conclusão, taxas de retenção e desistência e taxas de escolarização, são também suscetíveis de desagregação por geografia e nível de ensino/ciclo de estudos, bem como por natureza e ano de escolaridade (três primeiros indicadores).

 

Este dashboard, contempla assim a maior parte do indicadores presentes nas Estatísticas da Educação, Regiões em Números, Perfil do Aluno e Perfil do Docente, em matéria da educação pré-escolar, ensinos básico e secundário, e permite todas as combinações possíveis de variáveis, constituindo-se por isso uma mais valia e uma inovação na forma de apresentação de informação estatística.

 

O dashboard pode ser visualizado abaixo, ou em formato maximizado aqui.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/dashboard-educacao-em-numeros/

Plenário Sindical, Após Reunião Final de Negociações

Este artigo foi publicado inicialmente no dia 9 de fevereiro, dois dias antes da manifestação de dia 11. Porque esta sátira se tornou um pouco premonitória e porque os receio de quem escreveu esta sátira se fizeram já sentir no dia 11, retomo novamente o artigo para dar conta que existe este receio para as mesas negociais.

E não retomaria este artigo se na manifestações sábado não tivessem enviado alguns professores  para a despensa.

 

 

PLENÁRIO SINDICAL, APÓS REUNIÃO FINAL DE NEGOCIAÇÕES

 

(Após a última ronda de negociações, os diferentes sindicatos de professores reúnem-se numa sala à parte, no Ministério da Educação, para consílio entre pares. Entretanto, um assessor corre, freneticamente, corredor adiante, guinchando baixinho)

ASSESSOR – Sr. Ministro, Sr. Ministro!!! Conseguimos! Conseguimos!! Vai dar para ouvir tudo!!!

(entra no gabinete, esbaforido, fecha a porta atrás de si e entrega um auscultador wifi ao Ministro. Baixa a voz)

ASSESSOR – Os nossos serviços secretos conseguiram ter acesso à sala das reuniões. Oiça!!

(Ministro coloca o auricular e, depois de um silvo eletrónico, percebe um rol de vozes em coro)

(Noutra sala):

PrFEN (Professores Filiados da Educação Nacional) – Vejam bem, vejam bem, que isto começou com um rumorzinho…

FNEI (Fação Nacional de Educadores Importantes) – Depois cresceu, que foi que lha deu!

(risos)

PrE (Pró-Escolas) – Colegas, ordem na mesa! Ordem na mesa!! Estais aqui para avaliarmos as últimas propostas. Este plenário conjunto…

PrFEN – …foi marcado por nós para conciliação de ideias! Organizemo-nos, portanto!!

FNEI, SPSMM, PrE, FPFP e SIFD à esquerda, SFFNS, SNAP, SNAPNPSNA e STJMA do lado direito!

SNAPNPSNA (Sindicato Nacional de Alguns Professores que não pertencem ao SNA) – Nós não ficamos juntos com o SNAP!!)

SNAP (Sindicato Nacional de Alguns Professores) – Sim, esses vendidos! Esses vendidos! Passem para o outro lado da mesa!!!

SNAPNPSNA – Atenção que não fomos nós que assinámos o acordo de devolução de 1/5 do tempo congelado!! Vendidos são os SNAP!!!

PrFEN – Colegas e camaradas!! Ordem na mesa, cada um do seu lado, senão não vamos a nenhum lado !!

SECDT (Sindicato Estou Cansado Disto Tudo) – Então e nós?

PrFEN – Vocês? Vocês são muito pequeninos, têm de ir para a sala aqui ao lado!!

SECDT – Mas, aqui ao lado é a despensa…

PrFEN/PrE/FNEI/SPSMM, PrE, FPFP/SIFD/SFFNS/SNAP/SNAPNPSNA/STJMA (em coro) – EXATO!!!

PrFEN – Ide, ide, que a gente já vos chama!

PrE – Olhai os pequeninos a ver se nos passam a perna!!

(risos na sala)

PrFEN – Sim, porque a gente já cá anda há 30 anos, bem sabemos como liderar…

SNAP – esconjurar…

STJMA – abafar…

SECDT – assinar…

PrE – … reclamar disto tudo!!

SNAPNPSNA – E os nossos colegas estão na rua, estamos todos na rua, a nós ninguém nos cala, ninguém nos cala!!

PrFEN – Cala-te agora um bocadinho que temos aqui que contar as migalhinhas que vieram do Ministério. A ver se alguma se aproveita!! Então, vamos lá ver…

  • Contratados aproximados, fixados, vinculados, estabilizados e mais remunerados!

PrFEN/PrE/FNEI/SPSMM, PrE, FPFP/SIFD/SFFNS/SNAP/SNAPNPSNA/STJMA (em coro) – A favor!!!

PrE – Sim, sim, excelente medida, que eu até vi vários cartazes lá em baixo, na 24 de julho, a pedir isso!!

(ouve-se uma voz pequenina ao fundo)

SECDT – Mas só estão a fazer o que a União Europeia manda há anos!!

PrFEN/PrE/FNEI/SPSMM, PrE, FPFP/SIFD/SFFNS/SNAP/SNAPNPSNA/STJMA (em coro) – Silêncio, aí na despensa!!!

PrFEN – Segunda proposta: Milagre da multiplicação dos QZP – de 10 passam a 63!!

PrFEN/PrE/FNEI/SPSMM, PrE, FPFP/SIFD/SFFNS/SNAP/SNAPNPSNA/STJMA (em coro) – Aprovado!!

SECDT – Mas, depois, temos de concorrer mais longe ainda!!!

PrFEN/PrE/FNEI/SPSMM, PrE, FPFP/SIFD/SFFNS/SNAP/SNAPNPSNA/STJMA (em coro) – Xiu!!!

PrFEN – Alguém trouxe inseticida? O raio do inseto não se cala… Prossigamos…

3) Conselho de Diretores para selecionar docentes…

PrE – Acho que essa o Ministro riscou…

PrFEN/PrE/FNEI/SPSMM, PrE, FPFP/SIFD/SFFNS/SNAP/SNAPNPSNA/STJMA  – Muito bem! Muito bem!!

PrFEN – Vêem, camaradas, a força que temos na rua a segurar cartazes pintados à mão?

PrFEN/PrE/FNEI/SPSMM, PrE, FPFP/SIFD/SFFNS/SNAP/SNAPNPSNA/STJMA  –

Que maravilha!! Aprovado!!! Aprovado!!

SECDT – (um grunhido impercetível)

PrFEN/PrE/FNEI/SPSMM, PrE, FPFP/SIFD/SFFNS/SNAP/SNAPNPSNA/STJMA (em coro) – Xiu!!!

PrFEN – Ainda há mais uma alínea de ofertas. Estupendo, estupendo!, o que a gente consegue quando se junta!! 4) Acelera e desacelera e tudo como d’antes no Quartel d’Abrantes.

PrFEN/PrE/FNEI/SPSMM, PrE, FPFP/SIFD/SFFNS/SNAP/SNAPNPSNA/STJMA (em coro) – Aprovado!! Não queremos ninguém ultrapassado!!

SECDT – (voz quase sumida) Então e os 6 anos e não sei quê??? E o estrangulamento nas quotas?

PrFEN/PrE/FNEI/SPSMM, PrE, FPFP/SIFD/SFFNS/SNAP/SNAPNPSNA/STJMA (em coro) – Xiu! Está quase a acabar!!!

STJMA – Olha, tem aqui mais uma nota de rodapé, qualquer coisa, qualquer coisa, qualquer coisa. Parece-vos bem?

PrFEN/PrE/FNEI/SPSMM, PrE, FPFP/SIFD/SFFNS/SNAP/SNAPNPSNA/STJMA (em coro) – Excelente! Aprovado!!

PrFEN – Na verdade, estas negociações foram duras, muitos dias de frio, muitos distritos a percorrer, confesso que estou satisfeito. Admitimos que ia ser difícil, o Tetina alertou que não havia verba, ainda levamos uma mão cheia, os colegas já podem trabalhar mais descansados. Bom trabalho, camaradas!!

SECDT – (voz mais audível) Então e os 6 anos e não sei quê??? E as quotas estranguladas??? E o pessoal não docente?

PrFEN – (Mas o inseto não se cala, o que é que ele sabe da luta sindical, ainda de cueiros?) Ó colega, tenha calma, tenha calma, vamos retomar a luta em Junho, para estarmos mais descansados, sabe que não se ganha tudo à primeira, nem à segunda, nem à terceira. Eu bem sei, que já cá ando há 30 anos.

(Ao fundo do corredor):

MINISTRO – (Sorrindo, em voz baixinha) – Está no papo! Ó Meireles, traz aí umas garrafas de champanhe que vamos regressar à sala de reuniões para assinatura conjunta!

ASSESSOR (desligando os auriculares) – Mas, olhe que os pequeninos não querem assinar…

MINISTRO – Isso não me preocupa, o que interessa é que os seniores estão alinhados. Eles bem a sabem:  quem parte e reparte e não fica com a melhor parte…

 

Mário Coutinho Lamas

 

 

NOTA – Qualquer relação com a realidade é mera ficção.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/plenario-sindical-apos-reuniao-final-de-negociacoes/

Petição – Unidos em Defesa da ESCOLA PÚBLICA

Unidos em Defesa da ESCOLA PÚBLICA

1) A luta dos professores e técnicos superiores da Escola é uma luta genuína, com foco em valores como a justiça, o respeito, a valorização e a dignidade, e sem qualquer interesse sindical ou político;

2) A educação é a base de uma sociedade desenvolvida e a maior promotora de mobilidade social; uma sociedade que não investe significativamente na educação e no conhecimento compromete o seu futuro;

3) os “professores são os pedreiros do mundo“, pois estão na base da conceção da sociedade e de algo fundamental numa sociedade desenvolvida, o “Elevador Social“;

4) É urgente o combate à precariedade e instabilidade de alguns professores e técnicos superiores, sistematicamente contratados e deslocados, votados a um baixo rendimento devido aos encargos financeiros acrescidos e não vislumbrando uma merecida estabilidade nas suas vidas;

5) É urgente reduzir o trabalho burocrático, a sobrecarga de trabalho que pouco ou nenhum benefício traz para o processo educativo e que limita o tempo disponível para apostar na qualidade, inovação e humanização da Escola, assim como o tempo pessoal/relacional dos seus profissionais;

6) É urgente um novo modelo de avaliação de desempenho que não defina quotas, que não estrangule e lentifique a progressão na carreira;

7) É urgente a recuperação do tempo de serviço retirado aos professores (6 anos + 6 meses + 23 dias);

8) É urgente a atribuição de remunerações dignas aos profissionais da educação, alinhadas com o seu investimento formativo e as responsabilidades envolvidas;

9) É urgente combater o facilitismo que tem sido introduzido pelos sucessivos governos no sistema educativo, tal como a perda de autoridade dos profissionais de educação;

10) É urgente tornar a profissão de professor uma PROFISSÃO NOBRE, prestigiada e mais atrativa, tanto para os que já a exercem como para os jovens, caso contrário, muitos docentes continuarão a optar por sair do ensino e poucos jovens estarão interessados na carreira de professor, pelo que, tendo em perspetiva o número de aposentações num futuro próximo, não haverá professores suficientes para as necessidades do país;

11) A persistente desvalorização dos profissionais da educação na sociedade portuguesa e a contínua degradação do quotidiano da escola pública têm conduzido a uma crescente insatisfação profissional, tornando-se estes profissionais uma das classes que acusa um maior desgaste e exaustão e apresentando, muitos deles, problemas de saúde mental que importa mitigar e, sobretudo, prevenir.

Por uma ESCOLA PÚBLICA de QUALIDADE

 

ASSINAR

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/peticao-unidos-em-defesa-da-escola-publica/

PROFESSORES: Francisco Moita Flores

 

Ei-los, novamente, a descer a avenida da Liberdade. Um mar de gente magoada. Uma multidão que exige respeito e mal anda um País que não respeita quem o ensina a ser pessoa.
Bem podem gemer desculpas, os culpados desta afronta a tantos homens e mulheres que se entregam aos nossos filhos, aos nossos netos, ensinando-lhes a magia das palavras, os segredos do saber. Não exigem muito, embora exijam tudo: Respeito!
Gemem desculpas os culpados. E escondem-se atrás de silêncios cobardes. E dou por mim a pensar se estes decisores indecisos, perguntarão aos seus botões por onde andam os professores que lhes ensinaram a descobrir o a vida. Talvez os descubram na imensa mole humana que desce a avenida. Talvez ainda se recordem que se chegaram onde chegaram, devem-no àqueles que, agora, numa marcha indignada, pedem respeito.
Fui professor. Infelizmente a saúde não me permite descer a avenida com os meus antigos colegas. Por isso escrevo para eles. Para lhes agradecer o sacrifício, para lhes agradecer a paixão que entregam ao seu trabalho, pela dedicação aos seus alunos.
Escrevo-lhes por respeito e para exigir que os tratem com respeito! Devemos-lhe ter ganho um sentido para a vida e esse poderoso milagre que é transformar seres humanos em pessoas.
Bem hajam!

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/professores-francisco-moita-flores/

Não “esmorecer”, nem “cair no mar”…

 

Não se interprete este texto como se ele fosse um apelo à desunião dos Profissionais de Educação… Este texto poderá ser tudo, menos isso…

 

Este texto é uma forma de assumir que existe um problema grave, tornando-se imprescindível enfrentá-lo… Não há outra forma de o resolver e de o  ultrapassar…

 

No Sábado, estive 5 horas na Manifestação, sempre integrada no Sector destinado ao S.T.O.P….

 

Durante esse tempo, houve sempre alegria e boa-disposição, houve animação e houve espírito de camaradagem, por oposição ao vento gelado que amiúde soprava e contra a espera de 3 horas para sair do Marquês de Pombal…

 

Ao longo da Rua do Ouro, muitos outros manifestantes que já regressavam do Terreiro do Paço, iam parando no passeio para aplaudir o nosso entusiasmo…

Sobretudo nesses momentos, houve interacções (ainda mais) ruidosas, como se se tratasse de um cumprimento entre conhecidos de longa data… Foi bonito e fez-me arrepiar algumas vezes…

 

Outros desses manifestantes, deixaram transparecer no rosto uma espécie de desconforto, como se pedissem, subliminarmente, desculpa por alguma coisa…

 

Em alguns momentos, aquele percurso da Rua do Ouro até ao Terreiro do Paço tornou-se, por isso, em algo sui generis e estranho…

 

Confesso que, naquele momento, não compreendi bem aquela expressão em alguns rostos e que isso me causou uma certa perplexidade…

 

Compreendi, passado pouco tempo, o plausível porquê daquele comportamento:

 

Chegados, finalmente, ao Terreiro do Paço, não encontrámos aqueles que seria de esperar: muitos milhares de manifestantes, pretensamente nossos pares em tudo, menos em solidariedade…

 

Não nos deram outra alternativa que não fosse a de fazermos o fim de festa sozinhos, mas com o mesmo entusiasmo que nos caracterizou ao longo de todo o percurso da Manifestação…

 

As coisas más não desaparecem só porque se evita falar delas e este não pode ser um tema interdito ou um tabu, que não deva ser falado ou discutido, por poder causar algum tipo de melindre:

 

A entrada no Terreiro do Paço foi, metaforicamente, como levar com um balde de água fria…

 

Havia por ali algumas pessoas, poucas, e a FENPROF já lá não estava, tinha-se “evaporado” e demitido do seu papel de “anfitriã”…

 

Não houve o menor esforço por parte da organização da Manifestação em demonstrar solidariedade para com os milhares de “últimos”, que acabaram, de certa forma, por ser “atraiçoados” e completamente desrespeitados…

 

Porque não esperaram pela entrada de todos os profissionais de Educação no Terreiro do Paço? Acaso alguns profissionais valerão menos do que outros?

 

Foi muito feio e, com tristeza, fez-me sentir vergonha alheia pela FENPROF…

 

No Sábado, pelo que vi e senti, esgotou-se o que restava de alguma ilusão relativa à possibilidade de uma desejável, e imprescindível, união sindical…

 

Por isso, união dos profissionais de Educação? Sim, com certeza, mas não será certamente com o contributo de uma união sindical, que nunca chegará…

 

Fatalmente, há coisas que nunca mudam e o Velho Sindicalismo provou no Sábado que é uma delas…

 

E nem o facto de “todos os olhares” estarem postos nesta Manifestação, inibiu o comportamento anti-democrático, por parte da FENPROF…

 

Resta saber o que mais virá a seguir, em termos de eventuais entendimentos com o Ministério da Educação, acordos esses, potencialmente danosos para a maioria dos profissionais de Educação…

 

Acredito que os profissionais de Educação estarão, agora mais do que nunca, particularmente atentos ao que se passa entre as várias estruturas sindicais e a Tutela e que não perdoarão facilmente a repetição dos erros do passado ou serem “atraiçoados”, de forma indecorosa e com má-fé…

 

Lisboa, sempre Lisboa, essa cidade inigualável…

 

Na Sábado à noite, já em casa, ainda atordoada por algo que não queria ter vivido, vieram-me ao pensamento estes versos de Alexandre O´Neill (Poema A Gaivota), que ilustram bem a minha desilusão e o pessimismo, decorrentes do que se passou em Lisboa, num final de tarde pardacento:

 

“Nesse céu onde o olhar

É uma asa que não voa

Esmorece e cai no mar”.

 

Apesar do que se viu e sentiu não ter sido sempre agradável, não podemos “esmorecer”, nem “cair no mar”, ainda que se torne cada vez mais difícil resistir a tantas contrariedades…

 

(Paula Dias)   

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/nao-esmorecer-nem-cair-no-mar/

Nós e os outros – Carlos Santos

A forma particularmente infeliz (para não dizer outra coisa politicamente incorreta), como o governo e a população em geral têm gerido esta crise na Educação, espelham a falta de valores, de cultura e de espírito de cidadania que atrofiam a nossa sociedade.
Se os problemas na Educação estão longe de ser um exclusivo português, a forma como são solucionados diz muito sobre o povo que somos. Senão, vejamos:
-Este ano, Espanha optou por uma grande reforma orgânica na Educação com a valorização dos seus profissionais;
-A falta de professores em França mereceu uma intervenção direta do presidente Macron, que começou por garantir que nenhum professor poderia ganhar menos de 2.000€ e, para atrair jovens para a profissão, melhorou consideravelmente as condições de trabalho da classe docente;
-Nos EUA, confrontados com a falta de 100 mil professores, a presidência atribuiu extraordinariamente 9 mil milhões de dólares, apenas para a contratação de mais professores.
-A Finlândia reservou 10 mil milhões de euros para a Educação e 2 mil milhões para atrair mais jovens para a profissão;

Em Portugal, com um investimento na Educação que, em comparação com outras nações, só envergonha o país, para combater a falta de atratividade da profissão, mantemos um vencimento de início de carreira pouco superior ao salário mínimo e o Estado diz a um jovem – Se queres ser professor, pega nas tuas malas e arranja um carro, mete-te à estrada, paga as contas de combustível e alojamento e desenrasca-te.
Depois de uma sucessiva perda de poder de compra desde 2010, para compensar isso e uma inflação exorbitante que atingiu os 7,9% no ano passado, o Estado deu aos professores um aumento miserável pouco além dos 2%, degradando ainda mais a sua condição salarial.
Os professores estão há intermináveis anos a queixarem-se que o estado da Educação está insuportável e que já não aguentam mais e, da parte dos governos, não têm visto interesse em resolver coisa alguma. Governo que, diante do estado de esgotamento de uma classe, se limita a atirar mais burocracia para cima daquela que já existe nas escolas e, de uma maneira ofensiva para com as reivindicações dos docentes, apenas tem palavras de intimidação e de privação no seu direito à greve.
Já em 2006, quando Maria de Lurdes Rodrigues, orgulhosamente, afirmou ter perdido os professores, mas ganho a população e os pais, na mesma altura, o presidente francês fazia um comunicado à nação, agradecendo publicamente aos professores o seu contributo pelo progresso que o país tinha alcançado.

Perante esta realidade, será preciso ser muito inteligente para perceber os motivos de indignação dos professores?
Constituirá algum mistério o facto de o país estar constantemente a ser ultrapassado por outros nos rankings internacionais de desenvolvimento?
Por conseguinte, em rigor, quando o pensamento político para a Educação não vai além de uma legislatura, incapaz de pensar a Educação a médio e longo prazo e de contar com a colaboração dos professores – vistos sempre como uma despesa e como adversários a reprimir – o sistema de ensino no nosso país só pode piorar.
A todo este desprezo, soma-se a passividade de uma sociedade que, após dois meses de um visível sentimento de revolta dos professores, que se têm esforçado por denunciar o estado calamitoso em que se encontra a Escola pública, ainda não foi capaz de exigir que se faça um debate público alargado acerca dos graves problemas da Educação em Portugal, onde se inclui a preocupante falta de professores. Interessa-lhe, apenas, ter uma escola de portas abertas (vulgus, armazém) – nem que seja sem condições, vocacionada somente para tomar conta dos mais desfavorecidos –, acabando por dizer muito sobre a mentalidade limitada que tomou conta de toda uma sociedade que não luta pelos seus diretos a serviços públicos de qualidade.

Carlos Santos

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/nos-e-os-outros-carlos-santos/

A Manifestação de Ontem Resumida em 15 Minutos

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/a-manifestacao-de-ontem-resumida-em-15-minutos/

CEO de todo o mundo, uni-vos

difícil não concordar com o ministro das Infra-estruturas, João Galamba, quando, a propósito do bónus de três milhões de euros previsto para a CEO da TAP, diz que não lhe cabe pronunciar-se sobre se a quantia é exagerada ou não: “Foi o acordado. O Estado é pessoa de bem, o Estado cumpre o que foi acordado.” A ideia de que os acordos devem ser cumpridos parece incontestável. Mas, para dar apenas dois ou três exemplos, tenho visto por aí uns professores, uns enfermeiros e até uns trabalhadores da TAP a insistir nisso mesmo, só que sem grande êxito. Há tempos de serviço que, ao contrário do acordado, não contam; progressões na carreira que, ao contrário do acordado, não se concretizam; contratações de trabalhadores precários que, ao contrário do acordado, não ocorrem. É possível que seja uma regra válida apenas para CEO. Ou, então, é um problema da língua portuguesa, e deve ser corrigido. A partir de agora, o que se combina com um CEO é o acordado; o que se promete a um trabalhador é o adormecido. É provavelmente por isso que os trabalhadores vão para a rua fazer barulho em manifestações: o ruído costuma ser um poderoso despertador. Neste caso, todavia, parece funcionar mal.

“A ideia de que os acordos devem ser cumpridos parece incontestável. Mas, para dar apenas dois ou três exemplos, tenho visto por aí uns professores, uns enfermeiros e até uns trabalhadores da TAP a insistir nisso mesmo, só que sem grande êxito“, relembra Ricardo Araújo Pereira, cronista do Expresso.

Leia todo o artigo: https://swki.me/fvWuG3bc

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/ceo-de-todo-o-mundo-uni-vos/

A manifestação na imprensa internacional

 

LISBOA (Reuters) – Dezenas de milhares de professores foram às ruas de Lisboa neste sábado em um dos maiores protestos em Portugal nos últimos anos, no momento em que o governo socialista enfrenta uma onda de descontentamento pelo elevado custo de vida…. – Veja mais em 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/a-manifestacao-na-imprensa-internacional/

Manifestação dos Professores e a Emergência de Uma Solução Política

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/manifestacao-dos-professores-e-a-emergencia-de-uma-solucao-politica/

Paulo Prudêncio explicando as reivindicações dos professores

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/paulo-prudencio-explicando-as-reivindicacoes-dos-professores/

Professores mostram cartão vermelho ao Governo

 

Vieram do Norte, do Centro e do Sul do País. Do Minho ao Algarve, milhares de professores rumaram este sábado a Lisboa. Chegaram de autocarro, comboio, carro, barco, a pé e de bicicleta e transformaram o Marquês de Pombal, a Avenida da Liberdade e o Terreiro do Paço numa gigantesca sala de aula, onde manifestaram o seu protesto, exigindo dignidade e respeito pela profissão de professor.

Professores mostram cartão vermelho ao Governo

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/professores-mostram-cartao-vermelho-ao-governo/

Vestido da luta pelas nossas vidas – Carlos Santos

Perdi de vista a família, dormi ao relento, percorri caminhos de espinhos, enfrentei a força do vento e abracei a solidão em cada terra onde a sede do saber era maior do que a vontade dos homens.
Espalhei sorrisos pelos rostos dos filhos dos outros, enquanto os meus eu não os via.
Tantos bocados de mim deixei por aí espalhados por toda a parte.
Percorri tantas estradas, tantas gentes, tanto país até aqui chegar.

Parti de madrugada com uma mão vazia e outra cheia de nada, mas o coração cheio de razão e de verdade. Vindos da mesma madrugada, despidos de tudo e vestidos de nada, viemos contar tanto que nos vai na alma que de tanto não há palavras para explicar.
Desço a rua nu do corpo, mas vestido da vontade férrea de sentir que nunca é tarde.
Sindicatos dão-me camisolas e bandeiras, políticos, calças com bolsos esvaziados, repórteres, sapatos sem sola, mas vou despido de tudo e, de tudo isso, não quero nada.
De um colega calço os sapatos que só nós conhecemos, visto-me da roupa da pele que só nós sentimos, e a camisola do luto que visto, sem cor nem partido, é a dos meus colegas de luta nas amarguras, na esperança e na união. É a maior de todas elas – a camisola de Professor.

Depois do “Adeus” regressámos todos aqui partilhando a mesma dor da traição e o mesmo amor pela Educação.
Hoje a aula é gratuita, é na rua que vamos dar uma lição de cidadania cantando que a lutar, também estamos a ensinar. Que quem ensina a voar, não pode rastejar. Que os professores unidos, jamais serão vencidos. É minha e vossa esta rua cujas pedras da calçada conhecem melhor do que ninguém este nosso sentimento, a nossa angústia, a nossa causa, a nossa revolta, a nossa razão.
Pregado o último prego, de mão em mão, desliza um caixão sobre a multidão. Alguém pergunta – Quem morreu? – e toda a rua geme o mesmo grito de dor, anunciando – Mataram a Educação! Desfaz-se a urna em mil mãos de onde nasce a pomba de esperança para ressuscitar aquilo que jamais conseguirão matar – a liberdade de pensar, a arte de ensinar, a vontade de lutar.

Um professor cai por terra. É reerguido por mil mãos que se recusam deixar alguém para trás. Para cada pedra uma mão, em cada mão um amigo anunciando aos quatro ventos que, quem derrubar um só professor, ofenderá todos os outros, difamará a casa da Educação. Jamais um colega que tropece nas mil pedras que atiram ao nosso caminho, voltará a ficar esquecido caído no chão. Com as pedras colhidas, faremos um monte para onde subiremos para hasteamos a bandeira da Liberdade e da Educação para todos.

Nesta rua de angústia e esperança cabe todo um país. Ecoam vozes do Minho ao Algarve, das Beiras ao Alentejo dançam ondulantes as mesmas vontades, do Tejo ao Douro corre o mesmo rio infinito de determinação.
Dei abraços a todos e abracei todo o país que se juntou mesmo aqui à minha beira; tanta emoção, tanta alegria, tantas lágrimas, tantos amigos do peito desconhecidos que cantam comigo a mesma canção; a canção que só sabe a letra de cor quem é professor.

Já não cantamos sozinhos, cantam as pedras da calçada, cantam as paredes que ladeiam esta estrada transbordando este sentimento pelas ruas da cidade até parar todo o país.
Olhei para lá do horizonte deste mar de gente e soube que, hoje, esta estrada é a nossa morada. Desta luta fizemos o nosso hino, o nosso ar, o nosso pão, a nossa guerra, o nosso destino.

Junto com o rio de gente desaguo naquela praça de emoção que tão bem nos conhece.
Todas as palavras que trazia comigo na algibeira sobre o tempo de serviço e o dinheiro roubado, a reforma afastada, a estabilidade nunca alcançada, a burocracia que nos consome, as quotas atravessadas e tantas outras injustiças que nos impuseram, perdi-as pelo caminho e agora não sei o que dizer.
Subo ao alto de uma estátua e, sem cábula, canto o meu grito de emoção para todo o país ouvir; vestido da força das minhas gentes, solto ao vento o que me vai na alma, a alegria da profissão que me roubaram, a juventude que me gastaram, os sonhos que me tiraram e a vida que me levaram.
Neste momento inesquecível, esquecemos o mundo que se esqueceu de nós e, de peito aberto, gritamos a uma só voz a vida que desejámos e nunca tivemos, a justiça que merecemos e nos negaram, a dignidade que tivéramos e nos roubaram.
Um grito invencível pela Educação, pelo futuro de todo um povo e pela Liberdade.
Gritamos ao mundo inteiro, até a voz acabar, pela devolução do Respeito, por tudo o que amamos e por tanto sentimento sem palavras que ainda haveria por dizer…
Viva quem ensina a voar
Viva quem não desiste de lutar
Viva o orgulho de ser professor
Viva para sempre a Educação

Carlos Santos (vestido da luta pelas nossas vidas)

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/vestido-da-luta-pelas-nossas-vidas-carlos-santos/

“ Foi bonita a festa, pá” Luís Sottomaior Braga

A manifestação vista com melancolia…

“Foi bonita a festa, pá”

A manifestação vista com melancolia…

“Foi bonita a festa, pá”

Percorri a manifestação do Rossio ao Marquês e do Marquês ao Terreiro do Paço 2 vezes.

Muita conversa, muitos reencontros. Já trabalhei em 12 escolas e há muitos colegas que estão dispersos pelo país.

O meu olhar captou muita imaginação e genuidade nos cartazes.

Depois das manifestações, fico sempre melancólico. Hoje pensei várias vezes nos desencontros com quem gosto, que vou tendo por conta da energia nesta luta.

Já foram 4 fins de semana tomados e o foco, à semana, que me desviou de amigos e de quem gosto, desde Setembro. E fica a mágoa e a tristeza disso.

Muita gente diz que estou um chato e monotemático.

E não sou sindicalista, nem quero. Mas não prescindo da minha participação nisto, soldado raso falador e escrevinhador, mesmo com custos.

Quem sabe, irreparáveis nos danos. E não é fácil pedir desculpa de um prejuízo na vida pessoal, que se faz em nome de uma vitória que tarda e se vê longe e frágil.

Gastamos dinheiro, afastamo-nos de outras pessoas, cansaço, até risco (a chegada hoje aos autocarros… ).

Há um clima de festa e de ânimo unitário e de comunhão e, depois, o clima de calma pôs-tempestade. A reacção nula do governo agrava a raiva.

Que é coletiva e não depende de líderes.

Agradeço a algumas pessoas, que não conheço, que me abordaram e me deram cumprimentos simpáticos. Peço desculpa por parecer indiferente e talvez distante nesses momentos (em que até já me comovi).

Eu sou mesmo timido e desajeitado nessas situações. E fui educado para ser contido. O que ajuda ao foco racional.

Escrevo e dou palpites por aqui, por mim, e não deixo de ficar feliz por haver quem lhes dê algum préstimo e me diga coisas simpáticas.

Mas, correndo o risco de ser mal entendido, essa simpatia e felicidade não me afetam num dado fundamental.

Se, evidentemente, gosto do agrado que manifestam, suspeito que vai haver situações futuras, breves, em que vou causar grande desagrado. E serei contido perante a reação, como sou hoje perante a simpatia.

Sou conforme só à minha cabeça e, se isso parece que está a ter aceitação no que escrevo, calculo que algumas coisas futuras que terei para dizer talvez não o sejam.

Esse meu individualismo racional de análise já foi fonte de grande infelicidade e não falha.

Hoje a minha opinião tem simpatia mas “Sic transit gloria mundi”.

Mas, hoje, mesmo com a minha melancolia pessoal e política, colocada em prospectiva, foi festa.

Festejemos então um momento de unidade como não havia desde 2008.

 

Há um clima de festa e de ânimo unitário e de comunhão e, depois, o clima de calma pôs-tempestade. A reacção nula do governo agrava a raiva.

Que é coletiva e não depende de líderes.

Agradeço a algumas pessoas, que não conheço, que me abordaram e me deram cumprimentos simpáticos. Peço desculpa por parecer indiferente e talvez distante nesses momentos (em que até já me comovi).

Eu sou mesmo timido e desajeitado nessas situações. E fui educado para ser contido. O que ajuda ao foco racional.

Escrevo e dou palpites por aqui, por mim, e não deixo de ficar feliz por haver quem lhes dê algum préstimo e me diga coisas simpáticas.

Mas, correndo o risco de ser mal entendido, essa simpatia e felicidade não me afetam num dado fundamental.

Se, evidentemente, gosto do agrado que manifestam, suspeito que vai haver situações futuras, breves, em que vou causar grande desagrado. E serei contido perante a reação, como sou hoje perante a simpatia.

Sou conforme só à minha cabeça e, se isso parece que está a ter aceitação no que escrevo, calculo que algumas coisas futuras que terei para dizer talvez não o sejam.

Esse meu individualismo racional de análise já foi fonte de grande infelicidade e não falha.

Hoje a minha opinião tem simpatia mas “Sic transit gloria mundi”.

Mas, hoje, mesmo com a minha melancolia pessoal e política, colocada em prospectiva, foi festa.

Festejemos então um momento de unidade como não havia desde 2008.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/foi-bonita-a-festa-pa-luis-sottomaior-braga/

Dia 2 de março no Porto e dia 3 em Lisboa

Novas manifestações marcadas pelos sindicatos.

No dia 2 os professores de Coimbra para norte e no dia 3 os professores do sul .

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/dia-2-de-marco-no-porto-e-dia-3-em-lisboa/

Fenprof anuncia nova greve dos professores para os dias 2 e 3 de março

Mário Nogueira acredita que o protesto deste sábado foi “provavelmente” a “maior manifestação de sempre de professores e educadores em Portugal” ao contar com mais de 150 mil a descer a Avenida

Fenprof anuncia nova greve dos professores para os dias 2 e 3 de março

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/fenprof-anuncia-nova-greve-dos-professores-para-os-dias-2-e-3-de-marco/

FENPROF Anuncia Novas Formas de Luta

Foi agendado para a próxima semana uma semana de luto nas escolas e foi feito um apelo para que nos dias 15 e 17 os docentes (dias de reuniões com o ME) se manifestassem à porta das suas escolas.

Prevendo-se uma negociação suplementar para o dia 3 de março, vai haver uma greve e manifestação no Porto no dia 2 de março para as regiões acima de Leiria e dia 3  de março a manifestação será em Lisboa com greve de Leiria para Sul.

Na altura do carnaval irá haver 4 dias de debate nas escolas para aprovar ou não, os documentos do ME, ou os não documentos.

Em atualização

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/fenprof-anuncia-novas-formas-de-luta/

Um Mar de Gente na manifestação de Professores

Bem acima dos 100 mil manifestantes, os professores marcharam avenida abaixo acompanhados pelas famílias, alunos, pais e outros adiantes da causa.

Mais de 150.000…

IMG_7512

IMG_7511

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/um-mar-de-gente-na-manifestacao-de-professores/

Para Memória Futura

André Pestana na manifestação de dia 11-02-2023 diz como começou esta grande luta de professores.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/para-memoria-futura-3/

Correio da Manhã / Vídeo – “Exigimos respeito, estamos a ser desconsiderados”: Professores partem da Covilhã para manifestação em Lisboa

 

(…)

Continua:

“Exigimos respeito, estamos a ser desconsiderados”: Professores partem da Covilhã para manifestação em Lisboa – Vídeos – Correio da Manhã

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/correio-da-manha-video-exigimos-respeito-estamos-a-ser-desconsiderados-professores-partem-da-covilha-para-manifestacao-em-lisboa/

Jornal da Uma/ TVI/Vídeo-Professores acreditam em manifestação histórica

(…)

Continua aqui:

Professores acreditam em manifestação histórica

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/jornal-da-uma-tvi-video-professores-acreditam-em-manifestacao-historica/

A Faixa da Escola

Foi testada durante a semana na sala de professores.

 

Aqueles que conseguirem uma foto da mesma na manifestação de hoje deixem aqui a foto da “NOSSA” Escola.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/a-faixa-da-escola/

O Habitual Sketch

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/o-habitual-sketch/

Os Serviços Mínimos Mudam a Partir do dia 16 de fevereiro

E o que não era considerado essencial até há uns dias atrás ficou a ser.

Assim é ler o novo Acórdão dos Serviços Mínimos a partir do dia 16 de fevereiro.

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/os-servicos-minimos-mudaram-a-partir-do-dia-16-de-fevereiro/

Novo acórdão de serviços mínimos

Decisão:
Nos termos e pelos fundamentos expostos, o Tribunal Arbitral delibera por maioria fixar os seguintes serviços mínimos:
Pessoal docente e técnicos superiores:
A – Educação Pré-escolar e 1 ciclo do Ensino Básico:
o Prestação de 3 horas educativas (Pré-escolar) ou letivas (1.e Ciclo) diárias, com termo no período de refeição (abertura do refeitório);
¡ Garantia dos apoios às crianças e alunos que beneficiam de medidas seletivas e adicionais prev¡stas no Decreto-Lei n.s 54/201,
regime jurídico da Educação lnclusiva;
Garantia dos apoios terapêuticos prestados nas escolas e pelos Centros de Recursos para a lnclusão, bem como o acolhimento nas unidades integradas nos Centros de Apoio à Aprendizagem, para as crianças e os alunos para quem foram mobilizadas medidas adicionais;

B -2.e e 3.e ciclo do Ensino Básico e Ensino Secundário:
Garantia dos apoios às crianças e alunos em risco ou perigo sinalizados pelas Comissões de Proteção de Crianças e Jovens e aos alunos em situaçöes mais vulneráveis, em especial perigo de abandono escolar;
Garantia da continuidade das medidas em curso que visam apoiar o bem-estar social e emocional das crianças e alunos, no âmbito do Plano 2t123 Escola+ – Plano lntegrado para a Recuperação das Aprendizagens.

C- Meios:

Prestação de 3 tempos letivos (aulas) diários, por turma, garantindo semanalmente a cobertura das diferentes áreas disciplinares/disciplinas/componentes de formação do currículo;
Garantia dos apoios aos alunos que beneficiem de medidas seletivas e adicionais previstas no Decreto-Lei n.e 54/2018, de 6 de julho, que estabelece o regime jurídico da Educação lnclusiva;
Garantia dos apoios terapêuticos prestados nas escolas e pelos Centros de Recursos para a lnclusão, bem como o acolhimento nas unidades integradas nos Centros de
Apoio à Aprendizagem, para os alunos para quem foram mobilizadas medidas adicionais;
Garantia dos apoios aos alunos em risco ou perigo sinalizados pelas Comissões de Proteção de Crianças e Jovens e aos alunos em situações mais vulneráveis, em especial perigo de abandono escolar;
Garantia da continuidade das medidas em curso que visam apoiar o bem-estar social e emocional dos alunos, no âmbito do Plano 21,123 Escola+ – Plano lntegrado para a Recuperação das Aprendizagens.
Aqueles que forem estritamente necessários ao cumprimento dos serviços mínimos descritos, escola a escola adequados à dimensão e ao número de alunos que a frequenta:
o Docentes:
1 por cada grupo/turma na educação pré-escolar e no L.e Ciclo.
1 por cada aula/disciplina nos restantes ciclos de acordo com os serviços mínimos acima identificados.
1 docente ou técnico por apoio, de acordo com a especialidade, aos alunos que carecem das medidas acima identificadas nos diferentes ciclos de ensino.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/novo-acordao-de-servicos-minimos/

SIC Notícias/Video – Professores rumam a Lisboa de vários pontos do país

(…)

Continua aqui:

Professores rumam a Lisboa de vários pontos do país – SIC Notícias

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/sic-noticias-video-professores-rumam-a-lisboa-de-varios-pontos-do-pais/

Vídeo – “Sou professora há 23 anos e sou sustentada pelos meus pais”. O Expresso nos bastidores da megamanifestação dos professores este sábado

(…)

Continua aqui:

“Sou professora há 23 anos e sou sustentada pelos meus pais”. O Expresso nos bastidores da megamanifestação dos professores este sábado – Expresso

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/video-sou-professora-ha-23-anos-e-sou-sustentada-pelos-meus-pais-o-expresso-nos-bastidores-da-megamanifestacao-dos-professores-este-sabado/

“Sou professora há 23 anos e sou sustentada pelos meus pais”

Carla Calado, 45 anos, nomeia todas as coisas que acumula por ser diretora de turma. São muitas. Aos sábados vai às competições do desporto escolar sem receber mais por isso. Nunca conseguiu sair da “roleta” dos contratos. Trabalha seis dias por semana e leva para casa 1100€. Divorciada e mãe de um filho, já foi colocada um pouco por todo o país, incluindo ilhas, e confessa ainda depender dos pais: “Se eu entro todos os dias às 8h00 da manhã, devo-lhes isso a eles”. Diz ser “um dos rostos da precariedade dos professores”. O Expresso ouviu vários outros testemunhos, antes da grande manifestação marcada para o Terreiro do Paço, em Lisboa. Qual é afinal a realidade por trás das palavras de ordem?

Sou professora há 23 anos e sou sustentada pelos meus pais”

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/sou-professora-ha-23-anos-e-sou-sustentada-pelos-meus-pais/

Até Já

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/ate-ja/

“Anarquistas” sindicais também são pessoas de Bem…

Augusto Santos Silva, que desempenha o cargo de Presidente da Assembleia da República, concedeu uma entrevista à TSF, publicada em 7 de Fevereiro de 2023, da qual se transcrevem os seguintes excertos (negrito meu; os erros ortográficos presentes nos excertos constam na própria publicação):

 

Questionado sobre a greve dos professores, que tem marcado as últimas semanas, Augusto Santos Silva até começa por saudar “a luta pelos direitos dos professores”, que é “algo normal em democracia”, mas acaba por criticar “os sindicatos recentes que reveem num modelo anarcossindical“.

– “Santos Silva definiu ainda como “greve self-service” os que “fazem grave quando querem, a um tempo ou a um dia inteiro”, sem que anunciarem o protesto em causa.”Não me parece admissível. Não sei se é legal ou não. A Procuradoria-Geral da República dirá”, acrescentou.”

Pelas anteriores afirmações, depreende-se que Augusto Santos Silva considera as acções reivindicativas dos “Sindicatos recentes” (expectavelmente, Sindicato S.T.O.P.) como potencialmente anarquistas, certamente por oposição ao Velho e tradicional Sindicalismo (expectavelmente,  FENPROF e FNE), talvez tido por si como muito respeitador do statu quo

Augusto Santos Silva também deixa no ar a possibilidade de essas acções “anarquistas” poderem ser ilegais, o que não pode deixar de ser interpretado como uma espécie de “ameaça”, ainda que cinicamente velada, com o objectivo plausível de atemorizar e intimidar os profissionais de Educação, tentando, de forma indirecta, condicionar as suas acções de luta…

Curiosamente, em 2009, Augusto Santos Silva, que na altura desempenhava o cargo de Ministro dos Assuntos Parlamentares no Governo chefiado por José Sócrates, proferiu esta afirmação (negrito meu):

– “Eu cá gosto é de malhar na direita e gosto de malhar com especial prazer nesses sujeitos e sujeitas que se situam de facto à direita do PS e são das forças mais conservadoras e reaccionárias que eu conheço e que gostam de se dizer de esquerda plebeia ou chique, estou-me a referir ao PCP e ao Bloco de Esquerda“, afirmou o ministro dos Assuntos Parlamentares.” (Rádio Renascença, em 26 de Dezembro de 2016, notícia sobre algumas afirmações polémicas de Augusto Santos Silva)…

No momento presente, o menos que se pode considerar acerca do posicionamento de Augusto Santos Silva será isto:

– Do Presidente da Assembleia da República, que ocupa o segundo lugar nas Precedências do Protocolo do Estado Português e a quem cabe, entre outros, substituir interinamente o Presidente da República em caso de impedimento temporário ou vacatura do cargo até à tomada de posse do novo Presidente eleito (Página Oficial da Assembleia da República), não se pode esperar, nem aceitar, uma tão clamorosa falta de isenção, de imparcialidade e de equidistância…

– Nesse sentido, Augusto Santos Silva mais parece um membro do Governo do que um Presidente da Assembleia da República, talvez esquecendo que, em Democracia, é inadmissível que se faça uma “confusão” tão gritante entre as competências desses dois cargos…

– Augusto Santos Silva que, segundo o próprio, tanto gostará de “malhar” nas “forças mais conservadoras e reaccionárias”, talvez não tenha dado conta que as suas presentes declarações, relativas aos “Sindicatos recentes”, espelham exactamente aquilo que tanto criticou em 2009…

Mais conservador e reaccionário, visando tais Sindicatos, há-de ser difícil de afirmar…

– Compreende-se que para Augusto Santos Silva, enquanto membro ilustre do apparatchik do Partido Socialista, o Velho Sindicalismo seja o que mais convém ao Governo, sobretudo pela previsibilidade das suas acções e da sua inércia, mas também pelo seu histórico de cedências face à Tutela…

No fundo, nas mentes de alguns, o Velho Sindicalismo fará parte do “sistema” e isso tornará a sublevação menos provável; enquanto que os “Sindicatos recentes” serão vistos como potenciais “intrusos indesejados”, “agitadores” ou “perigosos radicais”…

O actual movimento sindical, encabeçado pelo S.T.O.P., não se radicalizou, como alguns parecem advogar…

O actual movimento sindical, de acordo com a defesa dos interesses dos seus representados, apenas tem feito o que lhe compete, algo que o Velho Sindicalismo não foi capaz de fazer ao longo dos últimos anos, habituando a Tutela a uma incompreensível tibieza…

O presente Governo, de modo absolutamente irresponsável, tem vindo a “recriar” o conceito de Democracia de forma perigosa, por vezes muito próxima do autoritarismo, da prepotência e da arbitrariedade, abrindo o caminho ao estabelecimento de um certo “populismo” radical…

No momento presente, e pela parte que me toca, continuo a acreditar na capacidade mobilizadora do Sindicalismo “recente”, leia-se S.T.O.P., e não me identifico como “anarquista”, “radical” ou “desordeira”, características que Augusto Santos Silva parece querer imputar aos que apoiem tal movimento…

O que jamais apoiarei será, todo e qualquer, verdadeiro Radicalismo, sempre anti-democrático, de Extrema-Direita ou de Extrema-Esquerda…

Amanhã, Lisboa irá, por certo, povoar-se de pessoas de Bem, que não abdicam de lutar pelos seus Direitos, nem pelo Respeito que lhes é devido…

 (Paula Dias)

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/anarquistas-sindicais-tambem-sao-pessoas-de-bem/

A Caminho de Lisboa… Mais uma Vez

Hoje será mais um dia grandioso nas ruas de Lisboa com a terceira  Manifestação de Professores deste ano civil.

Fica este artigo para na rede social Facebook colocarem imagem da viagem de norte a sul do País até à capital.

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/a-caminho-de-lisboa-mais-uma-vez/

Lista Colorida – RR20

Lista Colorida atualizada com retirados e colocados da RR20.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/lista-colorida-rr20-7/

Ministério da Educação vs. professores – Joaquim Jorge

O ministro da Educação, João Costa, ainda não percebeu o que se está a passar na educação. O seu antecessor, Tiago Brandão Rodrigues, deixou acumular os vários problemas com que se debatem os professores.

Ministério da Educação vs. professores

Quando João Costa foi escolhido pelo primeiro-ministro, confesso que fiquei agradado e pensei que, por ter sido anteriormente secretário de Estado, estava por dentro dos dossiês e podia desenvencilhar este nó górdio em que está a educação.

Enganei-me redondamente! A abordagem não foi a melhor e a forma como tentou apoiar-se nos diretores gerou um grito de revolta que é surpreendente.

Os diretores de uma escola devem representar os legítimos anseios dos professores, em vez de passarem, por um passe de mágica, a defender outro tipo de interesses. Não nos podemos esquecer que um diretor, antes disso, é professor e deixando o cargo volta ao lugar de professor.

O que se tem visto é protestos e mais protestos, manifestações e mais manifestações, greves e mais greves. E, mesmo assim, o Governo não cede. Convém salientar que protestar cansa, mas surpreendentemente os professores não desistem. Uma greve tem implicações no salário do professor, já de si baixo. Isso deveria pôr os nossos governantes a pensar duas vezes. O Governo está à espera que esta onda de contestação passe e tudo acalme – como diz António Barreto, “o Governo espera que passe”, mas, desta vez, tem que dar uma resposta. O Governo aparenta um desnorte inaudito, mas o Governo existe para governar e não para se justificar.

Neste diferendo com os professores, o Executivo tem a chave para dar a volta a toda esta situação, procurando um acordo honroso. Todavia, a seguir à tomada de posse, encadeou um escândalo atrás de outro, por nomeações inadequadas. E parece cansado. António Costa teve uma surpreendente maioria absoluta, mas está a ter um desgaste rápido nunca antes visto. Paira no ar uma certa volatilidade; a forma de recuperar a iniciativa é resolver o dossiê “professores”.

O PS e Costa, cuja maioria absoluta levou a uma certa arrogância e excesso de confiança, ainda têm a última palavra para resolver o problema dos docentes – se o fizerem poderão cumprir a legislatura.

António Costa é conhecido por resolver problemas intrincados e sabe que Luís Montenegro não descola nas sondagens, e muitos militantes do PSD começam a ficar nervosos.

*Fundador do Clube dos Pensadores

JN

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/02/ministerio-da-educacao-vs-professores-joaquim-jorge/

Load more