A arma mais eficaz de luta contra a ADD – Luís S. Braga

 

A arma mais eficaz de luta contra a ADD é começar a atacá-la juridicamente por violar o princípio constitucional da transparência.
Já me cansei de o dizer e ainda agora corre uma petição para levantar o tema no parlamento.

Vamos lá ver se nos entendemos de uma vez: a avaliação de desempenho docente e o Siadap não são confidenciais em absoluto. Nem podem ser.
Uns ilustres dirigentes do ministério dizem até que são porque “assim lá está escrito e, sublinham, TAXATIVAMENTE”.
Ora, essa observação desfaz-se, como ideia falsa que é, de forma relativamente simples.
Começa logo por se constatar que há tribunais (vide decisão abaixo em relação ao Siadap que, para o efeito, tem regime semelhante à ADD) que decidem contra essa confidencialidade assim restrita (ao “nada se pode ver” dos papéis dos outros avaliados respondem “claro que pode”).

“Taxativamente” é a forma tosca de certos responsáveis administrativos, que não sabem mais que isso, dizerem que perfilham uma interpretação literal e restritiva da norma que define um regime de confidencialidade. E que existe, mas daí a ser assim tão “taxativa”… (leiam o link e a ideia fica mais clara).
Mas essa norma tem de ser interpretada atendendo à realidade sistemática, que é vigorar no país um regime regra de transparência e de direito de acesso a dados e documentos por quem tenha interesse legítimo.

A defesa da carreira, salário e direitos laborais é obviamente um interesse legítimo (e muito prolongado no tempo, com efeitos até ao fim da vida da pessoa prejudicada).

Se, por via das quotas de avaliação, for prejudicado e, outros, beneficiados, em contraponto, tenho o direito de saber como eles conseguiram e tenho o direito de aceder a todos os documentos desse processo administrativo, que lhes deu essa vantagem, para o poder contestar na via administrativa e judicial.
O interesse deles joga contra o meu. E o deles não é mais que o meu.

E a confidencialidade não pode servir para impedir o exercício de direitos fundamentais e apenas para proteger a administração do incómodo de responder nos tribunais pelos seus atos que prejudicam direitos (que é para isso que esta “confidencialidade” está a servir: impedir a contestação).

A lista das vagas é a arrumacao em quotas são como um concurso e nos concursos não há esta confidencialidade.

A arbitrariedade é proibida no âmbito administrativo e “a confidencialidade taxativa” é isso que é: uma arbitrariedade.

A confidencialidade só seria admissível, nestes termos, se não houvesse quotas ou vagas de progressão. Se a minha avaliação não produzisse prejuízos à vida dos outros e fosse só da minha conta podia até ser enterrada no fundo do mar ou queimada numa pira porque mais ninguém tinha interesse legítimo nos seus efeitos. Mas não é assim, porque o ministério não quer passar sem vagas e quotas.
E nós temos deixado e não reagimos pela via legal.

Por isso, é que agir neste tema é interessante.
O ministério fica entre 2 problemas: com transparência, o sistema que montou não funciona, com confidencialidade, é ilegal.

Se, por via de alguém entrar numa quota de avaliação mais alta numa escola, essa pessoa me passar à frente na lista das vagas nacional passei a ser interessado na avaliação dele e tenho o direito e interesse legitimo de a escrutinar.

Do que resulta que, nesta visão do problema, todos os professores que estão na lista, à espera de vaga, podem pedir para ver todos os documentos dos processos que colocaram os seus opositores à sua frente.

A lista é como um concurso público para lugares (o concurso para “titulares” afinal existe agora em 2 momentos, fora o concurso das quotas em cada escola).

É uma visão muito divertida imaginar o ministério a responder a milhares de requerimentos desses, todos diferentes para não poderem usar chapa, e irem-se colocando, depois, pedidos de intimação para entrega de documentos, faseados, para doer mais….

Era o caos e um escândalo nacional que faria ver ao povo a bagunçada e injustiça que isto é.
Se todos os professores começassem a pedir acesso a todos os documentos dos “seus concorrentes” nas quotas de escola e na lista de vagas, sem falsos pudores de “estar a prejudicar colegas”, o sistema entupia. Implodia.

Creio que, com umas centenas de requerimentos e processos em tribunal, só para ver os papéis, a confusão ia ser tanta (em especial, por causa do que se ía ver escrito nos ditos papéis) que ia gerar mudanças na vontade de negociar.

E a ironia é que os processos em tribunal para ver papéis nem são caros e são rápidos.

A minha perspetiva nunca foi testada em escala, na prática dos tribunais.
Mas há várias decisões curiosas dum tribunal administrativo superior sobre o Siadap e ADD que fazem boa luz sobre o tema (uma está no link mas esta também é interessante.
http://www.dgsi.pt/jtcn.nsf/89d1c0288c2dd49c802575c8003279c7/fd25a0fdc6de21e9802583e60034dff0?Open Document)

Quem começa a fazer requerimentos? E quem usa este caminho, que pode ser o pauzinho que parte a engrenagem? Uma forma de vencer uma guerra pode ser moer mesmo sem matar.

Eu só sou avaliado para o ano e só quero ter bom, mas estão a ver o que vou fazer……

Mas quem está agora metido na alhada… Vale a pena ir informar-se.

 

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Os casos que revelam a violência escondida nas escolas em Portugal

Caso de João foi apenas um dos muitos que permanecem ocultos porque vítimas temem em denunciar agressores.

Bullying: Os casos que revelam a violência escondida nas escolas em Portugal

 

 

 

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Agir é a questão – Santana Castilho

 

A história do pensamento humano e dos acontecimentos que provoca está cheia de exemplos de multidões vítimas de políticas desumanas e de políticos sem alma. Quase sempre, os algozes odeiam as vítimas. Quase sempre, as vítimas não agem com vigor suficiente para fazer retroceder a injustiça. E soçobram por medo e por acomodação.
A avaliação do desempenho dos professores, tal como hoje é promovida, é um cancro pernicioso na vida das escolas. É uma saga segregacionista, que beneficia uns e esmaga outros. Tudo sob o olhar colaboracionista de chefes, cuja consciência não passa de um balde de despejo do pior que a sociedade tem. São eles que decidem os que progridem e os que apodrecem, vazios, esgotados, no corredor da morte em que se transformou a carreira docente. Tudo sob o anonimato e a opacidade que os normativos administrativos promovem.
Não há a mínima evidência de que este modelo de avaliação tenha contribuído para a melhoria da qualidade do ensino. Depois de vários anos de aplicação, afirmou-se como gerador de arbitrariedades e repressão, ao gosto da gestão educacional prevalecente. Não é por acaso que é individual, quando poderia fazer mais sentido avaliar equipas. O seu propósito é que cada professor acabe por ficar sozinho no seio de uma classe donde a solidariedade foi varrida.
Cerca de 4400 professores estão há anos (alguns há mais de uma década) impedidos de progredir para os 5º e 7º escalões da carreira, apesar de para tal reunirem todos os requisitos legais (tempo de serviço, formação complementar exigida, classificação de desempenho de Bom, Muito Bom ou Excelente e, no caso dos que se encontram no 4º escalão, sujeição a uma avaliação externa, por via de observação de aulas). A vilania e a arbitrariedade de um sistema de quotas, idealizado por insanos, determina que um docente classificado com a menção de Excelente possa ver essa classificação administrativamente diminuída, ficando retido no escalão em que está, porque a quota disponível no seu agrupamento assim o determina, enquanto outro, de outro agrupamento, ainda que com classificação inferior, lhe passa à frente e muda de escalão, no ambiente de roleta russa em que a coisa se transformou. Não fora esta discriminação suficiente, acresce que, na Madeira e nos Açores, e bem, todos os que reúnem as condições mínimas exigidas mudam automaticamente de escalão, como se de outro país se tratasse.
Quando torna públicas as listas ordenadas dos candidatos à mudança de escalões, o Ministério da Educação subtrai, convenientemente, parte da informação que permitiria detectar injustiças e favorecimentos. Naturalmente que o faz a coberto da cínica invocação da protecção de dados individuais.
Recorde-se que a ordenação dos candidatos deve submeter-se ao tempo de serviço no escalão, contabilizado em dias; havendo empate, prevalece a classificação do desempenho imediatamente anterior; persistindo ainda o empate, é preferido o candidato mais velho. Ora sendo ocultados os dados que permitem escrutinar o respeito destes indicadores, subsiste a dúvida, legitimada, em cúmulo, pela circunstância da Comissão de Acesso a Documentos Administrativos e a Provedoria de Justiça terem expressado parecer fundamentado no sentido de que tais elementos devem ser públicos.
Os parâmetros e os descritores vigentes, sistema fora, quando existem, são uma manta de retalhos, recorrentemente sem coerência, com que as respectivas SADD coexistem, sem sobressalto ético ou deontológico.
Se este modelo de avaliação do desempenho é perverso, aberto ao favoritismo casuístico, se contribui para piorar o sistema de ensino, que não para o fortalecer, se desmotiva e revolta, porque não agem os professores, de modo vigoroso e eficaz? Porque estão cada vez mais apáticos e politicamente passivos. Porque, cada vez mais, ganham subserviência e perdem dignidade.
Infelizmente, esta situação soma-se a um ambiente geral de desrespeito pela Constituição e pelos direitos fundamentais, no quadro das liberdades e garantias dos cidadãos, promovido por aqueles que institucionalmente maior dever têm de os proteger. Nunca como agora, em 47 anos de democracia, vi tamanha ligeireza governativa para favorecer formas de discriminação, confundindo coacção com protecção, ao arrepio do que consigna o art.º 26º da Constituição da República Portuguesa.

In “Público” de 4.8.21

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Regulamento para Ingresso nos Cursos Ministrados em Estabelecimentos de Ensino Superior Público ePrivado

 

  • Portaria n.º 168-C/2021169035157

    CIÊNCIA, TECNOLOGIA E ENSINO SUPERIOR

    Regulamento Geral dos Concursos Institucionais para Ingresso nos Cursos Ministrados em Estabelecimentos de Ensino Superior Privado para a Matrícula e Inscrição no Ano Letivo de 2021-2022

  • Portaria n.º 168-D/2021169035158

    CIÊNCIA, TECNOLOGIA E ENSINO SUPERIOR

    Regulamento do Concurso Nacional de Acesso e Ingresso no Ensino Superior Público para a Matrícula e Inscrição no Ano Letivo de 2021-2022

 

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Os Encarregados de Educação já podem aceder/registar na plataforma MEGA

Para beneficiar de manuais escolares gratuitos, os encarregados de educação têm de registar-se ou aceder em www.manuaisescolares.pt ou através da aplicação móvel Edu Rede Escolar (app “Edu Rede Escolar”). 
 
No primeiro acesso será necessário confirmar o número de contribuinte (NIF), devendo os encarregados de educação ter consigo os dados de acesso ao Portal das Finanças para que seja efetuada a validação. Caso não tenham os dados, devem solicitá-los através do Portal das Finanças.
 
A partir da plataforma dos manuais escolares gratuitos, os encarregados de educação terão acesso aos dados escolares do(s) educando(s), bem como aos vales correspondentes aos respetivos manuais escolares e à lista das livrarias aderentes onde poderá ser feito o levantamento dos mesmos. Caso não consiga visualizar o(s) seu(s) educando(s), certifique-se, junto da escola, que as listas das turmas já se encontram publicadas e que está registado na escola como encarregado de educação e o seu NIF está corretamente inserido.
 
Se não conseguir visualizar os vales, é porque ainda não estão disponíveis. Receberá uma notificação por email, assim que os mesmos estejam disponíveis.
 
Para proceder ao levantamento dos manuais escolares será necessário imprimir os vales ou apresentá-los em formato digital. Na impossibilidade de aceder à internet, o encarregado de educação deve dirigir-se à escola onde o seu educando está matriculado e solicitar os vales em papel.
 
Para mais informações, consulte as FAQ.
 
 
Lembre-se que as datas de acesso aos vales dos manuais são:
  • A partir do dia 16 de agosto para os alunos dos seguintes anos de escolaridade: 2º, 3º e 4º anos; 6º ano; 8º e 9º anos; 11º e 12º anos.
  • A partir do dia 23 de agosto, para os alunos dos anos de escolaridade de início de ciclo: 1º ano; 5º ano; 7º ano; 10º ano.
Caso tenha alguma duvida deve contactar o suporte do MEGA:
Suporte disponível via suporte.encarregadosedu@igefe.mec.pt ou 213 926 020
Disponível segunda-feira a sexta-feira, das 09:00 às 13:00 e das 14:00 às 18:00.
 
Sou Encarregado de Educação
 
Para beneficiar dos manuais escolares gratuitos, o encarregado de educação deve aceder à plataforma online e/ou app móvel (Edu Rede Escolar) e consultar os seus vouchers.
 

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A Ler…e Cada Vez Fica Pior

3ª Feira | O Meu Quintal

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Regime jurídico do ensino individual e do ensino doméstico

Decreto-Lei n.º 70/2021, de 3 agosto

Aprova o regime jurídico do ensino individual e do ensino doméstico

 

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A disforia dos números -José Batista

O preço das favas disparou em 2020. Resultado: venderam-se menos 600 toneladas que em 2019. Muitas pessoas morrem de fome, mas as favas foram para o lixo.
No início da pandemia, Portugal foi campeão das estatísticas: menos casos, menos mortes, fomos os melhores. Morreram muitos milhares de pessoas com outras doenças, mas não importa, não contaram para as estatísticas. Milhões de pessoas deixaram de ter consultas, ou cirurgias, ou transplantes, e acabaram por morrer, mas não aumentaram os números Covid. O drama surgiu apenas quando batemos o record nas estatísticas da pandemia, ficamos muito mal no retrato, fomos impedidos de viajar para outros países, destruímos as estruturas do turismo porque não controlámos os números. São os números que contam, as pessoas não interessam.
As médias dos exames do 12º ano baixaram muito neste ano de 2021 em relação ao ano passado. Os jornais, que comandam estas oscilações e determinam se os exames devem subir ou descer o nível de exigência, que os responsáveis respeitam docilmente, entenderam que 2020 foi uma “balda” justificada pela pandemia, este ano era preciso levantar o nível. Os examinadores apertaram o critério e aí está, todas as disciplinas baixaram, exceto o Português.
Mas afinal o que é que determina estas oscilações? Os alunos de 2021 são mais estúpidos, perdão, menos inteligentes, que os do ano anterior? Estudaram menos? Os professores não ensinaram bem? Os examinadores foram mais cruéis? Ou foi o ME que se armou em durão e quis dar aos números a autoridade que deveria estar ancorada noutros fatores?
Os números são falsos. Os números Covid escondem o lado trágico de um SNS que não tem nem estruturas nem profissionais em número suficiente para evitar o descontrolo no combate à calamidade. A oscilação artificial das médias nos exames, para além de assentar em critérios falsos, traduz a incapacidade do governo e do ME para ancorarem a responsabilidade de aprender nos locais e atores certos: os alunos, os professores e as escolas.
As favas são uma invenção sem fundamento, logo, falsa. Mas não é mais falsa que os números da saúde ou da educação.

 

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Professores clamam por “justiça” e pedem aumento das vagas no superior

 

Professores clamam por “justiça” e pedem aumento das vagas no superior

Ministério de Manuel Heitor fecha para já a porta, mas reitera que “não deixarão de se tomar as decisões apropriadas” caso as circunstâncias o exijam. Professores de Matemática insistem que já é este o caso porque muitos alunos vão ficar em situação de desigualdade face aos que fizeram exame em 2020.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) fecha para já a porta a um reforço de vagas motivado pelos resultados dos exames nacionais. “Até ao presente momento, não existem elementos que indiciem a necessidade de assumir idêntica medida”, afirma fonte do gabinete de Manuel Heitor.

Entre os cenários que poderiam justificar um aumento de vagas figura a variação de resultados no exame de Matemática A entre 2020 e 2021 que levanta “um problema de justiça”, insiste o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), João Araújo. “Já antes contactámos o ministério e apelamos agora aos reitores para que, em conjunto, façam o possível e impossível para aumentar o número de vagas nos cursos de médias mais elevadas. É um problema de justiça. Os alunos deste ano não podem ficar fora do curso em que entrariam em condições normais apenas pelo facto de Matemática ter um exame muito mais difícil este ano”, exortou.

O que está em causa exactamente? “Os melhores alunos deste ano estão em franca desvantagem relativamente aos que se vão recandidatar com as notas do ano passado”, frisa João Araújo.

A tutela continua, porém, a dizer que “não deixarão de se tomar as decisões apropriadas, caso circunstâncias excepcionais, idênticas às do ano passado, o voltem a exigir”, como afirmou no sábado quando divulgou as vagas disponíveis no concurso nacional de acesso deste ano. Mas essa solução depende do número de candidaturas que venham a ser apresentadas a partir de sexta-feira. Foi o número recorde de candidatos do ano lectivo passado que levou a um aumento excepcional do número de lugares disponíveis (mais 4737).

Do gabinete de Manuel Heitor vem ainda uma referência às declarações do presidente da SPM, com quem o MCTES continua a manter “um debate” após o exame nacional da disciplina – em que este pedia para se “utilizar as vagas reservadas para os contingentes especiais para aumentar os lugares disponíveis para o contingente geral do concurso nacional de acesso” –, para esclarecer que isso já ocorre anualmente. “Todas as vagas não ocupadas nos contingentes especiais revertem para o contingente geral.”

Contactado pelo PÚBLICO, o presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior, Fontainhas Fernandes, diz que um aumento de vagas como o que é sugerido pela SPM “não está em cima da mesa”. De resto, a sugestão da SPM nunca foi formalmente colocada àquele órgão até ao momento.

Apesar de o Instituto de Avaliação Educativa (Iave, responsável pela elaboração das provas) ter garantido que os exames deste ano não seriam mais difíceis, tanto a SPM como a Associação de Professores de Matemática (APM) alertaram logo que não foi o que aconteceu com a prova da disciplina, realizada por 34.124 alunos. “Era para mim expectável a descida acentuada das médias. No entanto, é assustadora a descida da moda [a nota mais repetida] – de 190 para 100 pontos [19 para 10 valores]”, exclama a professora de Matemática do secundário, Teresa Moreira, que em Julho comentou o teor do exame em nome da APM.

Frisando que esta é a sua opinião pessoal, a docente da Escola Secundária Camões, em Lisboa, não tem dúvidas de que “estas descidas acentuadas terão consequências imediatas quando comparamos as condições de acesso ao ensino superior dos alunos destes dois anos”. “Os não colocados do ano passado entrarão à frente dos alunos que realizaram pela primeira vez exame este ano”, alerta. “Estas descidas acentuadas nas classificações podem ainda significar que há este ano um número bastante maior de alunos que, quando comparado com o ano passado, nem sequer se poderá candidatar ao ensino superior nos cursos em que a Matemática A seja específica, por não ter obtido classificação mínima de 100 pontos (10 valores)”.

Em Matemática, o número de alunos com nota inferior a 9,5 valores aumentou 71% – de 8839 para 13.475. “Quando ministerialmente se fala tanto em equidade e se propagandeou tantas vezes o lema ‘não vamos perder nenhum aluno porque todos têm direito a aprender’, parece-me claro que se esqueceram da avaliação externa e do acesso ao ensino superior”, desabafa ainda Teresa Moreira.

Embora os exames de Julho tenham seguido o mesmo modelo de 2020, com um grupo de questões opcionais em que só foram contabilizadas as melhores respostas, o Iave aumentou o número de perguntas obrigatórias. Esta foi a forma de impedir os alunos de “fugirem” às matérias que não dominavam e evitar assim as notas “demasiado elevadas” registadas no ano passado.

Em resposta ao PÚBLICO, o presidente do Iave, Luís Pereira dos Santos, considera que os resultados dos exames dão “boas indicações sobre a adequação das decisões técnicas implementadas nas provas, tendo em consideração a situação lectiva vivida no presente ano escolar, a qual se pode considerar algo diferente do contexto de aprendizagem vivido pelos alunos durante o primeiro confinamento, em 2020”. “As provas de exame são construídas tendo por objectivo a melhor representação possível do currículo de cada disciplina, bem como dos vários graus de complexidade cognitiva envolvidos nos processos de aprendizagem dos alunos. Neste sentido, a média dos resultados obtidos pelos alunos e a distribuição das classificações reflectem essa representatividade”, adianta este responsável.

“Enorme deficit na componente experimental”

“A Física é por demais bonita e essencial para não ter o seu lugar nas médias positivas”, comenta a presidente da Sociedade Portuguesa de Física (SPF), Conceição Abreu. Devido à existência de muitas perguntas trabalhosas de carácter obrigatório, a SPF já tinha antecipado a descida da média no parecer divulgado no dia em que se realizou este exame do 11.º ano, a que compareceram 32.802 alunos, e que é utilizado como prova de ingresso em muitos cursos da área das engenharias e da saúde.

“Temos de trabalhar para que, nos próximos anos, os alunos que escolhem Física e Química tenham mais sucesso. E esse trabalho tem de ser imediato, porque para o ano os alunos que vão chegar ao 11.º apanharam a pandemia ainda no 9.º e há um enorme deficit na componente experimental”, alerta Conceição Abreu, que realça assim a importância da parte prática: “Fazer para melhor compreender.”

A descida da média de 14 para 12 valores no exame de Biologia e Geologia, do 11.º ano, também não surpreendeu o presidente da associação de professores da disciplina. “A média de dois valores abaixo da de 2020 está em linha com aquilo que foi a posição pública assumida pelo Instituto de Avaliação Educativa, tendo em conta aquele valor de 2020”, aponta Adão Mendes.

Na altura do exame, a Associação Portuguesa de Professores de Biologia e Geologia (APPBG) deu a conhecer que ia propor uma “melhoria” dos critérios de correcção da prova de modo a que estes contemplassem “algumas possibilidades não previstas” no documento inicial e não prejudicassem, assim, “os alunos que se esforçaram por desenvolver os chamados itens de construção [desenvolvimento] face aos que privilegiaram as perguntas de escolha múltipla”.

Adão Mendes adianta agora que estas sugestões foram “bem acolhidas” pelo Iave. Pelo segundo ano consecutivo, o exame de Biologia e Geologia, que serve de ingresso para os cursos de saúde, foi a prova mais concorrida, tendo sido realizada por 36.517 alunos. Apesar das “melhorias” introduzidas nos critérios de correcção, os chumbos sofreram um aumento de 82%.

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Manual-Escolas da Plataforma das Reapreciações do Ensino Secundário

 

Já se encontra disponível no sitio do JNE – na área reservada às escolas – Área de Escolas – Manual-Escolas da Plataforma das Reapreciações do Ensino Secundário.

https://www.dge.mec.pt/area-escolas

 

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Português mantém-se média, mas a média da maioria das disciplinas desce

 

Com mais de 34 mil provas realizadas, a média do exame de Português foi de 12 valores, mantendo a mesma média que no ano passado.

Com mais ou menos o mesmo número de alunos a realizarem prova, a Matemática A teve uma média inferior: 10,6. Isto representa uma descida acentuada em relação ao ano passado, quando a média foi de 13,3.

A única disciplina com média negativa é Física e Química: 9,8. Também aqui a descida é significativa: no ano passado esta disciplina tinha tido uma média de 13,2 valores.

As médias de Biologia e Geologia desceram de 14 para 12 valores.

Recorde-se que, no ano passado, as médias do ano passado foram inflacionadas pelas regras especiais dos exames devido à pandemia de covid-19. Este ano mantivera-se algumas das normas excecionais os exames do ensino secundário mantiveram grupos de perguntas opcionais, mas as provas tiveram até o triplo das perguntas obrigatórias, fazendo com que as notas não fossem tão elevadas.

A disciplina com a média mais elevada é Mandarim, com 16,7 – mas é preciso ter em conta que apenas sete alunos realizaram a prova. Também o Português como Língua Não Materna, com nove alunos em prova, conseguiu uma média de 15,7.

Alemão (15,8), Inglês (14,9) e Francês (14,9) foram outras disciplinas com notas boas.

No entanto, tendo em consideração as disciplinas com um número de alunos superior a 2.500, aquelas que apresentaram uma classificação média mais elevada foram: o Inglês com 14,9, o Desenho A, com 13,8; e a História A, com 12,9.

Por outro lado, as disciplinas de Matemática B (10,1), Literatura Portuguesa (10,5), Matemática Aplicada às Ciências Sociais (10.7), Geografia A (10,7) tiveram médias positivas mas bastantes baixas.

 

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Pais e escolas querem crianças vacinadas contra Covid-19

‘Task force’ diz que menores dos 12 aos 15 anos serão vacinados nos últimos dois fins de semana de agosto

Pais e escolas querem crianças vacinadas contra Covid-19

Os pais e os diretores de escolas pedem que o plano de vacinação contra a Covid-19 seja alargado aos adolescentes na faixa etária dos 12 aos 15 anos. Uma posição também partilhada pelos médicos. “As crianças têm o direito de estarem tranquilas nas escolas sem o problema de terem de confinar quando um dos alunos da classe testa positivo”, disse ao CM o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães.

“Quanto mais jovens vacinados melhor para o funcionamento das escolas. A vacinação a partir dos 12 aumenta a segurança”, refere David Sousa, vice-presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas.

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Eram ambos professores agregados, o que significa que só recebiam o ordenado durante o tempo de aulas, nas férias não recebiam

 

Naquele tempo eram professores agregados sem ordenado nas férias

Sempre sonhou ser professora primária e orgulha-se do “dever cumprido” quando ensinava os fonemas cantando e brincando

 

Terminou a escola e nas Furnas não havia forma de se prosseguir os estudos, mas a professora disse à mãe de Conceição “que gostava que eu continuasse os estudos” mas as posses eram poucas. “A minha mãe casou de segundas núpcias com o meu pai, que tinha perdido a primeira mulher muito novo e tinha três filhos pequenos”, conta ao desfiar a história daquele amor “à primeira vista”. É que a mãe de Conceição “tinha o seu namorado, mas o meu pai apareceu e foi amor à primeira vista” e fruto desse amor nasceu Conceição que passou a ser a irmã mais nova de dois rapazes e uma rapariga.
Terminada a instrução primária e com a indicação da professora que Conceição teria possibilidade de ir mais além nos estudos, a família tomou a decisão de enviar a mais nova da família para a Ribeira das Tainhas, para casa dos padrinhos e dos avós, para que estudasse. “Fiz o curso dos liceus no Externato de Vila Franca do Campo” e logo após chegar à Ribeira das Tainhas “encontrei o Gabriel que se apaixonou por mim e andámos sempre juntos” e até a ia levar a casa à Ribeira das Tainhas depois da escola.
Conheceram-se no Externato? “Não, o meu padrinho era colega de trabalho do pai dele, nas matanças de porco antigamente era uma festa, havia danças, música” e o pequeno Gabriel tinha o dom de tocar acordeão e viola juntamente com o pai. “Ele tocava acordeão e o meu sogro viola e vice-versa. E eu muito espantada a olhar para ele a vê-lo tocar aquele instrumento”, conta.
Lá encetaram namoro e decidiram ambos fazer o Magistério Primário, primeiro Gabriel e depois Conceição, e aos 18 anos ela já era professora. Como morava nas Furnas, os primeiros anos onde deu aulas foi na Ribeira Quente e depois foi para a escola das Furnas. Mas o namoro continuava sempre e os planos eram feitos a longo prazo entre os namorados.
Os “nossos dinheirinhos” eram guardados já a pensar nesse futuro e foram comprando o dote. “Seis lençóis de baixo, seis lençóis de cima, e pouco mais”, ao que Gabriel complementa “e o bacio. Cada um tinha o seu”, diz divertido. Se bem que o pai de Conceição era pedreiro e a família tinha casa de banho, apesar de ser no quintal, “toda completa com bidé e banheira em betão armado”.
Conceição chegou a fazer algumas rendas para o dote e a bordar alguns lençóis, mas conta que teve a ajuda da mãe que também ajudou a bordar alguns lençóis e outros “pus numa senhora de fora. Mas muito pouco porque o dinheiro era pouco”.
Naquele tempo eram ambos professores agregados, o que significa que só recebiam o ordenado durante o tempo de aulas, nas férias não recebiam. Essa regalia era só quando ficassem efectivos. Essa era portanto uma pretensão e Conceição concorreu para ficar efectiva e foi colocada na Povoação. Por isso tomaram uma decisão: “com o dote mais ou menos alinhavado”, compraram “a mobília de dormir” e decidiram casar pelo civil.
Conceição explica que na altura havia a chamada Lei dos Cônjuges que, basicamente, definia que havendo dois professores casados não poderiam ficar efectivos muito longe um do outro. Já casados, Conceição e Gabriel usaram essa legislação para ela pedir efectivação em Vila Franca do Campo. Foi colocada em Água D’Alto e o casal foi viver para casa dos pais dele. “Foi um amor e uma cabana, mas como viemos para casa dos pais dele não precisávamos de muito mais”, conta.

Conceição tinha 22 anos quando casaram e recorda que sempre gostou dos seus alunos quase como sendo seus filhos. Aliás quando começou com 18 anos a exercer a profissão “eles gostavam muito de mim e eu deles, eram os meus meninos. Mas não foi só na Ribeira Quente. Eu só estive em quatro escolas mas pergunto sempre às mães pelos nossos meninos”, conta. Em Vila Franca esteve na escola de Água D’Alto cerca de 15 anos e depois foi para a escola de São Pedro. Na primeira escola era onde leccionava também Gabriel Cravinho e o casal desdobrava-se nas tarefas escolares. Ela ficava com os meninos mais novos e mais infantis que chegavam para a 1ª classe e ficava com eles até á 2ª. Depois era Gabriel que ficava com eles na 3ª e 4ª classes. “hoje em dia isso era impossível”, nota.
Mas o que é certo, e faz ponto de honra nisso, é que os seus alunos ainda a conhecem na rua. “Eles conhecem-me na rua e de que maneira. A professora primária marca muito”, refere.
Conceição também foi catequista durante muitos anos e foi também, juntamente com o marido, responsáveis por leccionar os cursos de preparação para o matrimónio. E consequentemente os seus dois filhos – “sou mãe de três mas o primeiro filho faleceu no parto” – também estiveram sentados na sua sala de aula e na catequese. “Não havia favorecimentos, até exigia mais deles”, recorda.
Agora reconhece que não seria possível que isso acontecesse. E até mesmo as crianças são diferentes daquele tempo. O tempo em que ainda se recorda de sempre ter sonhado em ser professora “desde a instrução primária nas redacções eu dizia que queria ser professora”. Porque o professor era “o nosso ídolo quando somos pequenos. Agora querem ser cantores e youtubers”.

“Fui uma professora
que ensinava brincando”

 

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Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior Público de 2021 de 6 a 20 de agosto

 

Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior Público de 2021

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior através da Direção-Geral do Ensino Superior, disponibiliza os dados relativos ao Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior Público de 2021/2022.
No âmbito do regime geral de acesso 2021 serão disponibilizadas um número total de 52 242 vagas, e 721 vagas destinadas aos concursos locais, num número total de 52963 vagas, o que representa um aumento de 2% face ao número de vagas disponibilizadas no ano anterior.
O prazo de candidatura à 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior público decorre entre 6 a 20 de agosto.
Tal como nos anos anteriores, a candidatura é apresentada através do sistema online, no sítio da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) na Internet (http://www.dges.gov.pt).
Para acesso ao sistema de candidatura, os candidatos podem utilizar a autenticação com o cartão de cidadão ou chave móvel digital.
Toda a informação sobre o concurso nacional de acesso, incluindo os cursos, respetivas vagas e condições de acesso, estará disponível no sítio na Internet da DGES.

Documentos para consulta:

 

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