A geração que conversa com máquinas: quando os pais desaparecem do diálogo

Há um dado que devia inquietar muitas famílias portuguesas, embora provavelmente passe despercebido entre notificações e ecrãs ligados à mesa de jantar. Um estudo recente indica que quase nove em cada dez crianças e jovens entre os 9 e os 17 anos em Portugal já utilizaram ferramentas de inteligência artificial, e que 85% recorreram a estas tecnologias apenas no último mês.

À primeira vista, a notícia pode parecer motivo de orgulho tecnológico. Jovens curiosos, ferramentas avançadas, criatividade digital. O discurso otimista é conhecido: a inteligência artificial pode apoiar o estudo, ajudar a organizar ideias, estimular a aprendizagem. Tudo verdade. O problema começa quando se olha um pouco mais fundo e um pouco mais para dentro das casas.

A empresa de cibersegurança ESET chama a atenção para algo menos confortável: muitos jovens não usam apenas estes sistemas para estudar ou pesquisar. Em vários casos, começam a tratá-los como interlocutores pessoais. Pedem conselhos, desabafam, partilham preocupações. Em suma, conversam com eles como se fossem alguém.

O fenómeno é fascinante do ponto de vista psicológico, e profundamente revelador do ponto de vista social.

Porque uma criança não procura um “companheiro digital” apenas porque a tecnologia existe. Procura-o porque há um vazio que precisa de ser preenchido.

Durante a infância e a adolescência, o cérebro humano constrói as suas competências emocionais através da relação com outras pessoas: ouvir, discutir, discordar, negociar, sentir empatia. Esse processo exige tempo, atenção e disponibilidade adulta. Não algoritmos.

No entanto, em muitas famílias contemporâneas, o tempo de conversa tornou-se um recurso escasso. Pais cansados, agendas cheias, telemóveis sempre presentes. O resultado é um paradoxo curioso: nunca houve tantos meios de comunicação e nunca tantas crianças se habituaram a falar sozinhas diante de um ecrã.

Quando um jovem recorre a um chatbot para pedir conselhos sobre amizades, ansiedade ou problemas escolares, o fenómeno não é apenas tecnológico. É relacional.

A inteligência artificial, nesse momento, está apenas a ocupar um lugar vazio à mesa.

Naturalmente, há riscos evidentes. Sistemas automatizados não compreendem emoções humanas no sentido real do termo; simulam respostas com base em padrões linguísticos. Para um adolescente vulnerável, essa simulação pode criar uma ilusão de compreensão que não corresponde a uma relação verdadeira. Ao longo do tempo, a preferência por interações previsíveis, educadas, disponíveis, sem conflito, pode tornar o contacto humano mais difícil e menos tolerável.

É precisamente isso que preocupa especialistas em comportamento: a possibilidade de alguns jovens começarem a privilegiar conversas com máquinas em detrimento das relações humanas, favorecendo formas subtis de isolamento social.

Mas talvez a questão mais incómoda seja outra.

A inteligência artificial não invadiu a infância portuguesa. Foi convidada a entrar.

Entrou nas mochilas digitais, nos quartos, nos telemóveis oferecidos cada vez mais cedo. Entrou muitas vezes sem regras, sem orientação e, sobretudo, sem adultos por perto para contextualizar aquilo que estas ferramentas são ou não são.

É fácil culpar a tecnologia. Mais difícil é admitir que, para muitas crianças, um chatbot tem uma vantagem competitiva clara em relação aos adultos da casa: está sempre disponível para ouvir.

A ironia é quase perfeita. Pais preocupam-se com o tempo que os filhos passam a falar com máquinas, quando a pergunta talvez devesse ser outra: quanto tempo passam os filhos a falar com eles?

Enquanto essa resposta continuar a ser desconfortável, a inteligência artificial continuará a prosperar no território mais silencioso da vida familiar, aquele onde deveria existir conversa.

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Reforma do MECI: simplificação administrativa ou concentração de poder?

A reorganização do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, conduzida pelo governo liderado por Luís Montenegro e tutelada pelo ministro Fernando Alexandre, tem sido apresentada como um “virar de página” na administração educativa. O discurso oficial fala em simplificação, eficiência e redução da burocracia. Mas, olhando para a arquitetura da reforma, a questão que se impõe é outra: estamos perante uma modernização do Estado ou uma centralização silenciosa do poder administrativo?

A reforma parte de um diagnóstico recorrente na administração pública portuguesa: a proliferação de organismos, direções-gerais e institutos que fragmentam responsabilidades e tornam os processos lentos e opacos. Para resolver o problema, o executivo decidiu reduzir drasticamente o número de entidades do sistema educativo, concentrando funções que antes estavam dispersas. No papel, a medida parece lógica. Menos estruturas significariam decisões mais rápidas e maior coordenação.

Contudo, o modo como essa simplificação foi desenhada levanta dúvidas. A reforma extingue ou absorve organismos históricos da administração educativa, como a Direção-Geral da Administração Escolar, a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares e o Instituto de Gestão Financeira da Educação,  concentrando grande parte das suas funções numa nova entidade: a Agência para a Gestão do Sistema Educativo. A lógica é clara: centralizar a gestão administrativa do sistema numa estrutura única.

Ao mesmo tempo, outra entidade recém-criada, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, reúne funções de avaliação, currículo e programas estratégicos que estavam espalhadas por diferentes organismos. O ministério passa assim a funcionar em torno de dois grandes polos: um dedicado à gestão administrativa e outro à definição e monitorização das políticas educativas.

A questão não está tanto no princípio da reorganização,  que dificilmente alguém contestará, mas na escala da concentração. Ao fundir estruturas com culturas administrativas distintas, o Governo aposta numa espécie de “super-agência” educativa. O risco é que a simplificação se transforme numa máquina pesada, distante das escolas e dependente de cadeias hierárquicas ainda mais rígidas.

Os sindicatos de professores já apontaram esse perigo. Temem que a reforma reduza a capacidade de mediação institucional que antes existia entre escolas e administração central. A extinção de organismos intermédios pode significar, na prática, menos canais de diálogo e mais decisões tomadas à distância.

Há também uma dimensão política que merece atenção. A reorganização administrativa coincide com um processo mais amplo de descentralização de competências educativas para os municípios. Em teoria, o Estado simplifica-se e as autarquias ganham protagonismo. Na prática, corre-se o risco de criar um sistema híbrido: um centro administrativo mais concentrado e um território com responsabilidades crescentes, mas nem sempre acompanhado dos meios necessários.

Em reformas do Estado, a promessa de eficiência costuma ser sedutora. Mas a história administrativa portuguesa mostra que muitas reorganizações acabam por trocar um tipo de complexidade por outro. O teste da reforma do MECI não será o desenho institucional — sempre elegante nos diplomas legais,  mas a forma como funcionará no quotidiano das escolas.

Se a nova estrutura conseguir reduzir a burocracia e responder mais rapidamente aos problemas do sistema educativo, o Governo poderá reclamar vitória. Se, pelo contrário, as “super-estruturas” gerarem novos bloqueios administrativos, a reforma arrisca juntar-se à longa lista de reorganizações do Estado que prometiam simplificar, e acabaram por complicar.

Por agora, a mudança está em marcha. O veredicto, como tantas vezes na educação portuguesa, será dado não pelos organigramas, mas pelas escolas.

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É preciso ter paciência para uma reforma desta dimensão

Problemas na reforma dos serviços leva Fernando Alexandre a pedir paciência em reunião online com os diretores do país.

Pediu paciência e disse que temos de entender que é uma transição muito grande e que os serviços estão a esforçar-se para dar resposta”, disse ao CM Rui Cardoso, diretor do Agrupamento de Viso, em Viseu.

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𝗚𝗼𝘃𝗲𝗿𝗻𝗼 𝗱𝗼𝘀 𝗔𝗰̧𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗮𝘂𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮 𝗶𝗻𝗰𝗲𝗻𝘁𝗶𝘃𝗼𝘀 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗽𝗿𝗼𝗳𝗲𝘀𝘀𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗲𝗺 𝗶𝗹𝗵𝗮𝘀 𝗲 𝗲𝘀𝗰𝗼𝗹𝗮𝘀 𝗰𝗮𝗿𝗲𝗻𝗰𝗶𝗮𝗱𝗮𝘀

 

Açores reforçam incentivos para fixar professores com medidas para atrair e fixar docentes nas ilhas mais carenciadas

500 € mensais de apoio à habitação

Até 6.000 € por ano letivo por docente

1 viagem aérea anual de ida e volta em território nacional

Compromisso mínimo de 3 anos na escola colocada

 

 

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Versão final da proposta sobre o 2º Tema da revisão do ECD

 

Nova proposta sobre o 2º Tema da revisão do ECD

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O problema do saldo demográfico dos Professores com uma projeção 2025–2035

Portugal vive uma transição demográfica silenciosa mas acelerada no seu corpo docente. Em 2025, reformaram-se 3.620 professores, o segundo valor mais alto da última década , e só entre Janeiro e Agosto desse ano saíram 2.054 docentes do sistema. Dois terços dos que hoje ensinam têm 50 ou mais anos , numa pirâmide etária invertida que torna inevitável uma vaga de aposentações sem precedente na próxima década.
O modelo aqui apresentado projecta entre 40.000 e 53.000 saídas até 2035, com pico entre 2028 e 2029. Do universo de 122.000 docentes activos em 2024/25, apenas 76.000 deverão permanecer em funções em 2034/35, uma perda de mais de um terço do corpo docente em dez anos. O problema agrava-se pelo lado da reposição: a escassez de professores acentuar-se-á entre 2026 e 2030, período em que as reservas de recrutamento ficarão em risco de se esgotar, e em 2031 praticamente todos os grupos de recrutamento estarão em défice estrutural. Este painel analisa a série histórica, os três cenários de projecção, o saldo demográfico e o efeito moderador, mas não resolutivo,  do suplemento de 750€ sobre o ritmo das saídas.​​​​​​​​​​​​​​​​

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Um stand do Chega na feira da educação – João André Costa

 

A Futurália, feira da educação a decorrer na FIL, é uma mistura entre o plástico das canetas promocionais e a ansiedade adolescente, como se cada stand fosse uma pequena promessa de futuro.

E basta olhar em redor para ter a engenharia aqui, a enfermagem ali, um curso de videojogos mais adiante, e os rapazes e raparigas a passearem entre as bancas com sacos cheios de prospectos como quem recolhe mapas de países para sempre por visitar.

E de repente, entre universidades, escolas profissionais e cursos de línguas, um stand do Chega.

Um partido político numa feira de educação é como um vendedor de tempestades numa feira agrícola.

Não é totalmente estranho, dirão alguns, a política também educa, também ensina, também promete e promove futuros.

Não obstante, no balcão, entre bandeiras e panfletos, aqui estão os cartazes contra a imigração mais a “grande substituição”, essa teoria conspirativa segundo a qual as elites pretendem substituir a população europeia por imigrantes vindos de outros países.

Mas eles são a elite…

A ideia, popularizada por Camus, é um dos pilares retóricos da extrema-direita europeia.

Imagino um rapaz de dezassete anos a parar ali, não porque acredita em teorias conspirativas, mas porque a frase é simples, directa, individual: alguém está a roubar-te o lugar. É uma explicação rápida para quem cresce num mundo onde as casas são caras, os salários são baixos, o custo de vida vai para além do impossível e o futuro não é senão um espelho embaciado.

Os jovens gostam de frases curtas.

Os adultos gostam cada vez mais de frases curtas.

A política tradicional oferece relatórios, estatísticas, planos estratégicos para 2040. A nova política oferece slogans capazes de caber num TikTok. Entre um gráfico e a indignação, o cérebro, extenuado, escolhe a indignação.

Assim, este stand numa feira de educação não é apenas uma curiosidade, é um sintoma.

E a feira da educação já não é um mercado de futuros, mas um mercado de medos.

E se a escola ensinou aqueles miúdos a resolver equações, a distinguir um advérbio de um predicado, ao mesmo tempo olvidou algo igualmente essencial: como lidar com o medo de quem se vê num repente dispensável.

E quando aparece alguém a dizer “a culpa não é tua, a culpa é deles”, a frase entra na cabeça como uma chave mestra numa fechadura.

Porque no populismo a pertença, e digam lá vocês qual o jovem a querer priorizar o conhecimento quando pertencer é tão ou mais importante.

É mais importante.

E um stand de um partido político não é uma licenciatura, é uma tribo.

As universidades prometem carreiras, a política promete identidade. Entre a incerteza e a certeza emocional, votamos nas emoções e pelas emoções.

Porque um discurso feito de simplificações numa feira de educação, é como um megafone numa biblioteca.

Faz barulho.

E os jovens, ainda a aprender a distinguir entre ruído e argumento, ficam ali a ouvir.

Talvez passem e riam, talvez ignorem, talvez um ou dois levem um folheto para casa.

Não há problema: a política habituou-se a trabalhar com pequenas probabilidades, bastando um punhado de conversões por dia para moldar uma geração inteira.

E assim nascem as sociedades. Esta sociedade.

Não com grandes revoluções, súbitas e sangrentas, mas com pequenas infiltrações, uma banca aqui, um discurso ali mais esta ideia a crescer como uma erva daninha entre as pedras da calçada.

E quando estes jovens chegarem aos trintas com as duas mãos cheias de nada, lembrar-se-ão daqueles cartazes e de quem, supostamente, roubou-lhes o futuro.

Resta uma pergunta: quem autorizou um stand do Chega numa feira da educação?

E neste texto a armadilha de sempre quando um partido político é mestre em propaganda: não interessa falar bem ou mal do Chega, conquanto se fale.

Mas quando o silêncio rima com consentimento, as palavras não são apenas canções, são armas, e é urgente lutar.

https://www.publico.pt/2026/03/12/sociedade/noticia/feira-educacao-acolhe-stand-chega-cartazes-antiimigracao-associados-teoria-substituicao-2167609

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Reserva de Recrutamento 43 / Reserva de Recrutamento Concurso Externo Extraordinário 5 – 2025/2026

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira, dia 16 de março, até às 23:59 horas de terça-feira, dia 17 de março de 2026 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Listas – Reserva de Recrutamento n.º 43

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Mais competências, o mesmo ordenado…

 

Acrescentarão às competências dos diretores:

Autorização de matrícula no mesmo ano de escolaridade e curso;
Autorização de antecipação ou adiamento da matrícula no 1.º ciclo do ensino básico em situações excecionais devidamente fundamentadas;
Autorização de acumulação de funções por parte de pessoal docente e não docente;
Autorização da realização de visitas de estudo, intercâmbios e outras atividades pedagógicas externas;
Autorização de permutas entre docentes, nos termos legalmente previstos;
Concessão de equiparação a bolseiro;
Autorização da revalidação de matrículas anuladas por falta de pagamento de propina ou de prémio de seguro escolar;
Autorização de transferências e matrículas após o termo dos prazos legalmente estabelecidos;
Qualificação de acidentes em serviço, nos termos legalmente previstos;
Autorização para a celebração de protocolos e parcerias com entidades externas que contribuam para os fins educativos, nos termos legalmente aplicáveis.

E ainda poderão surgir mais…

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Das Promessas

… que sistemáticamente ficam adiadas.

 

Promessas para requalificar escolas existem desde 2023. Próximo ano arrancará sem obras

 

 

Escolas de várias zonas do país esperam obras de requalificação desde 2023. A este atraso soma-se a demora do investimento anunciado pelo atual Governo. Resultado: o próximo ano letivo será mais um sem as escolas estarem requalificadas . Diretores e corpo docente argumentam que é necessário preparar os estabelecimentos para as alterações climáticas, além das obras já consideradas urgentes.

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PARECER N.º 01/2026 – DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIAS NOS DIRETORES

 

PARECER N.º 01/2026
DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIAS NOS DIRETORES

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O Concurso de 2027 Terá Início Logo em Janeiro

Em reunião do MECI com os diretores o Ministro da Educação anunciou que o concurso de 2027 terá início logo em Janeiro desse ano de acordo com novo modelo.

Também refereiu que muito em breve serão atribuídas por despacho novas competências aos Diretores, que passavam por pedidos de autorização à DGEstE  ou à DGAE, nomedamente em dar autorizações das visitas de estudo, qualificações de acidentes em serviço, contratos sem implicações financeiras, equiparações a Bolseiro…

Mas se o compromisso do concurso em Janeiro de 2027 seguir o mesmo procedimento da reunião de hoje então ficamos já a saber que só lá para Abril é que vai abrir o concuro. Pois ter começado a reunião com uma hora de atraso por problemas técnicos…

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Grupo de Trabalho «Proibição do desenvolvimento de atividades contrárias aos fins visados pelas instituições educativas»

Cria o Grupo de Trabalho «Proibição do desenvolvimento de atividades contrárias aos fins visados pelas instituições educativas» para elaborar orientações aos diretores e aos restantes órgãos de direção, administração e gestão das escolas sobre a inadmissibilidade de atividades que colidam com a ética e os valores de uma cidadania democrática.

Despacho n.º 3317/2026, de 13 de março

 

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IA nos concursos de docentes…

O ministro da Educação defendeu hoje que o recurso à inteligência artificial na administração escolar vai permitir otimizar processos e “eliminar as desvantagens de um sistema altamente centralizado”, uma reforma que pretende concluir até final de 2027.

Ministro da Educação: IA ajudará a otimizar gestão do sistema educativo

Fazendo uma espécie de diagnóstico do sistema de administração escolar, que considerou “‘super’ ineficiente”, o governante entende que existe margem para ultrapassar as várias desvantagens que identifica num sistema centralizado, em particular no que respeita aos concursos de colocação de professores.

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O SIGRHE Apareceu Hoje de Cara Lavada

Hoje a plataforma SIGRHE apareceu com um novo layout, mais limpo e menos verde.

Quanto às funcionalidades elas parecem ser iguais e nada mais parece ter mudado do que a aparência visual.

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Estudante abusa de colega de 12 anos junto da escola

Não se ponham a rever o Estatuto do aluno, não…

 

Um jovem, de 18 anos, foi detido por suspeitas de abusar sexualmente e ameaçar uma colega, de 12 anos, nas imediações da escola que ambos frequentavam, em Portimão. O suspeito e a vítima conheceram-se no estabelecimento de ensino e começaram a trocar mensagens através das redes sociais.

Estudante abusa de colega de 12 anos junto da escola

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Os Serviços Mínimos nas Escolas Caíram na Negociação com a UGT

Governo deixou cair alargamento de serviços mínimos obrigatórios às escolas nas negociações do pacote laboral

 

Quando apresentou o pacote laboral, Governo não esclareceu a que estabelecimentos se aplicariam serviços mínimos obrigatórios propostos para o “cuidado de crianças”. Cedeu neste ponto nas negociações.

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A verdadeira história sobre o estado da educação

Esta é uma história sobre quatro pessoas: Toda a gente, Alguém, Qualquer um e Ninguém.

Havia um trabalho importante a ser feito e toda a gente foi convidada a fazê-lo. Toda a gente tinha a certeza de que alguém o faria. E qualquer um poderia tê-lo feito, mas ninguém o fez.

Alguém ficou zangado com isso porque era trabalho de toda a gente. Toda a gente pensou que qualquer um o podia fazer, e ninguém percebeu que toda a gente não o iria fazer.

No fim, toda a gente culpou alguém, quando na verdade ninguém pediu a qualquer um para o fazer.

A parte mais importante desta história não é toda a gente, alguém, qualquer um ou ninguém. É o trabalho que era suposto ter sido feito.

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Hoje Saíram Dois Ofícios Sob o Tema dos Influencers nas Escolas

Este primeiro da IGEC , feito com base neste parecer e este segundo do Conselho das Escolas.

Parece-me que se anda a perder demasiado tempo com este tema e que o enfoque dos problemas nas escolas deviam ser outros e não estes.

Um dos problemas nesta altura do ano letivo é a entrada no nosso sistema de ensino de muitos alunos provenientes do estrangeiro, que segundo as leis de quem as fazem, têm direito a estar matriculados numa escola e muitas vezes são colocados administrativamente em salas onde nem lugares para se sentarem têm. E as novas regras da portaria 29/2025/1 que alteram a Portaria n.º 223-A/2018 colocam os alunos numa posição mais vantajosa para transitarem de ano com um ou dois meses de aulas e coloca todo o trabalho nos professores e nas escolas para criar este sucesso artificial.

Vejamos:

A Portaria 223-A/2018 dizia:

Artigo 34.º

Situações especiais de classificação

11 – Sempre que, por ingresso tardio no sistema de ensino português, apenas existirem em qualquer disciplina não sujeita a prova final do ensino básico elementos de avaliação respeitantes ao terceiro período letivo, o professor titular, ouvido o conselho de docentes, no 2.º, 3.º e 4.º anos do 1.º ciclo, e o conselho de turma, nos 2.º e 3.º ciclos, decide pela:

a) Retenção do aluno;

b) Atribuição de classificação e realização da PEA.

 

Agora a Portaria 29/2025/1 diz:

 

Artigo 34.º

Situações especiais de classificação

12 – Sempre que, por ingresso tardio no sistema de ensino português, apenas existirem em qualquer disciplina não sujeita a prova final do ensino básico elementos de avaliação respeitantes ao terceiro período letivo, o professor titular, ouvido o conselho de docentes, no 2.º, no 3.º e no 4.º anos do 1.º ciclo, e o conselho de turma, no 2.º e no 3.º ciclos, decide pela:

a) Atribuição de classificação e realização da PEA;

b) Transição do aluno, nos anos intermédios de ciclo, desde que este revele competências e capacidades que lhe permitam a continuidade do seu percurso educativo, devendo a escola diligenciar no sentido de implementar respostas adequadas para que os alunos possam desenvolver as aprendizagens não realizadas.

 

Se até aqui o conselho de turma retia o aluno que tivesse um ou dois meses de aulas agora para o reter quase é preciso justificar o injustificável e se calhar fazer uma PEA a todas as disciplinas que comprove que o aluno não tem condições para transitar.

 

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Os focos de incendio que por aí andam…

Nas últimas semanas tem-se assistido, em algumas escolas e espaços informais de debate, a uma circulação de informações que geram mais ansiedade do que esclarecimento entre docentes. Fala-se de “carreira única”, de avaliação pelo SIADAP e até de um modelo em que o recrutamento passaria para diretores e municípios.

O problema não é discutir cenários, isso faz parte de qualquer processo de reforma. O problema é quando essas hipóteses são apresentadas como factos consumados, alimentando uma narrativa quase distópica que pouco tem a ver com o que, de facto, consta nos documentos já negociados e assinados.

Num contexto profissional já marcado por desgaste, burocracia e instabilidade, espalhar interpretações alarmistas sem verificação só contribui para dividir a classe e aumentar a desconfiança. Os professores precisam de debate sério, baseado em documentos, enquadramento legal e análise informada, não de rumores amplificados em reuniões apressadas ou nas redes.

A profissão docente merece mais rigor no discurso público. Antes de “incendiar” colegas com cenários extremos, convém ler os acordos, analisar as propostas e distinguir entre o que está em discussão e o que já foi efetivamente decidido.

Num momento em que a escola pública enfrenta desafios estruturais, a clareza e a responsabilidade na informação são tão importantes como a mobilização. Porque uma classe bem informada é sempre mais forte do que uma classe mobilizada pelo medo.

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Quem é que trouxe estes ídolos para o centro da vida dos adolescentes? – Alfredo Leite

Parece-me que há aqui uma pergunta central que muita gente evita porque dá mais jeito ter um alvo humano do que pensar com seriedade: uma diretora que fala de forma informal, com boa-fé, a sorrir como parte do seu modo de ser, deve ser crucificada em praça pública? Não. Isso não é justiça.

O caso dos influenciadores nas escolas é muito grave. A investigação tornada pública no início de março mostrou que, nos últimos dois anos letivos, dezenas de escolas receberam influenciadores associados a conteúdos sexualizados ou misóginos, no contexto de campanhas de associações de estudantes.

Depois disso, a Inspeção-Geral da Educação e Ciência abriu inquérito a diretores citados, e o Ministério anunciou um grupo de trabalho para definir orientações mais claras para a entrada de entidades externas nas escolas.

O problema existe e que não é pequeno.

Mas uma coisa é reconhecer a gravidade do problema. Outra, muito diferente, é transformar alguém no bode expiatório perfeito para alguns que  adoram lavar as mãos depois de deixar a porta aberta durante anos.

Pergunto:
Quem é que trouxe estes ídolos para o centro da vida dos adolescentes?

Foi a diretora?

Foi ela que lhes ofereceu o primeiro smartphone sem preparação, sem filtro, sem literacia digital, sem supervisão?

Foi ela que construiu plataformas que recompensam choque, sexualização, provocação e estupidez rentável?

Foi ela que meteu a internet inteira no bolso de crianças e jovens e depois fingiu espanto quando esse mundo entrou pela escola dentro?

Não nos enganemos. Os jovens não começaram a consumir estes conteúdos no portão da escola. Chegam já impregnados deles, moldados por algoritmos, por cultura digital agressiva e por um mercado que lucra com atenção capturada cedo demais.

A escola, muitas vezes, não tem ferramentas suficientes para acompanhar a velocidade com que surgem novos “ídolos” digitais…

E isso não absolve erros de verificação!!

Mas ajuda a pensar como adultos em vez de reagir como uma multidão excitada.

Outra pergunta:

Uma conversa informal, fora do registo solene, deve ser tratada como confissão pública de culpa?

Uma pessoa que sorri enquanto fala deve ser lida como cúmplice entusiasmada?

Desde quando um sorriso habitual passou a ser prova de perversidade?

E há ainda uma questão ética que merece ser enfrentada: se alguém entrou numa escola, ganhou confiança numa conversa informal e depois usou gravações ou excertos fora desse contexto para fabricar escândalo público, isso é jornalismo de elevação? Ou, no mínimo, um método que levanta sérias dúvidas de ética profissional?

Usar boa-fé relacional como armadilha não dignifica quem informa. Rebaixa-o. E rebaixa ainda mais quando se escolhe uma pessoa concreta para concentrar uma culpa que é estrutural.

Porque o sistema inteiro falhou.

Falharam famílias que entregaram acesso total ao mundo digital demasiado cedo.

Falharam plataformas que monetizam degradação.

Falhou uma cultura que trocou autoridade adulta por medo de desagradar.

Falhou o Estado ao não antecipar, com orientações claras, um fenómeno que já andava à vista de todos.

Falharam também escolas, algumas delas, por não escrutinarem suficientemente quem entra.

Mas quando todos falham, é intelectualmente preguiçoso esmagar apenas a cara mais visível do momento.

Defender a Diretora  não é dizer que nas escolas deve entrar qualquer pessoa. Não é relativizar a proteção das crianças e dos jovens. Não é desculpar ingenuidades institucionais. É recusar a selvajaria mental de confundir erro, contexto, informalidade ou até eventual excesso de confiança com malícia ou indignidade pessoal.

Uma diretora é hoje uma figura quase masoquista, como foi bem dito: responde por tudo, carrega a pressão toda, faz triagem, resolve conflitos, apaga fogos, tenta proteger a escola, e muitas vezes só descobre a total dimensão do problema depois de ele rebentar cá fora. Exigir rigor faz sentido. Exigir omnisciência é delírio.

Queremos mesmo proteger os alunos?

Então paremos de fingir que isto começou numa conversa de corredor.

Começou muito antes. Começou no momento em que uma geração recebeu um ecrã antes de receber critério. Começou quando a sexualização passou a circular disfarçada de humor, sucesso e influência. Começou quando demasiados adultos desistiram de estudar a cultura digital dos filhos e dos alunos,

Se alguns entregam a formação afetiva e sexual dos jovens aos algoritmos, depois têm o direito de fingir surpresa quando o caos aparece na escola?

Alfredo Leite

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Interpretações

De acordo com esta notícia a Fenprof receia que o recrutamento passe a ser feito por entrevistas. ao que parece a Fenprof tem esta interpretação, mesmo não tendo estado presente na segunda reunião com o MECI onde poderia ter colocado esta questão se tivesse estado presente.

 

Fenprof receia que recrutamento passe a ser feito por entrevistas

 

Mas é fácil perceber de onde vem este sentido interpretativo numa notícia mais ao lado. “a Fenprof vai endurecer a contestação no 3.º período, avisa José Feliciano Costa. “Com todas as formas de luta que a lei permita, nada fica excluído”, assegura.”

Será que temos os professores disponíveis para endurecer esta luta?

Pois eu tenho dúvidas que se volte massivamente à rua.

 

 

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Datas dos Concursos Desde 2015

Este quadro apresenta as datas principais dos concursos de professores desde o ano 2015.

Em relação aos quadros anteriores coloquei na primeira linha (a amarelo) as datas em que abriu a fase de apuramento de vagas.

Com exceção dos anos 2017 e 2019 em mais nenhum ano o período entre o apuramento das vagas e a candidatura demorou menos de 30 dias.

Mantendo-se a norma o concurso deve abrir apenas na segunda quinzena de abril.

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Reserva de Recrutamento 42 / Reserva de Recrutamento Concurso Externo Extraordinário 4 – 2025/2026

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de quarta-feira, dia 11 de março, até às 23:59 horas de quinta-feira, dia 12 de março de 2026 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Listas – Reserva de Recrutamento n.º 42

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Procedimentos concursais para Vogal do conselho diretivo da Agência para a Gestão do Sistema Educativo, I. P. (AGSE, I. P.).

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Isto tem de ser dito sem medo: educar não é agradar – Alfredo Leite

Sou pai de 3, licenciado em Psicologia, formador de professores e de pais.

E digo isto com clareza: há uma minoria que continua a cometer um erro grave. Confunde exigência com agressão. Confunde desconforto com injustiça. Confunde um adulto que pede mais com um adulto que está errado.

Não sou, nem quero ser, “adorado por todos os alunos”. Não sou o “gajo fixe”. Nem quero ser. Não vou à escola competir com o recreio, com o telemóvel ou com a lógica do entretenimento. Vou para trabalhar a sério com jovens. E trabalhar a sério implica, por vezes, pedir silêncio, postura, escuta, atenção e responsabilidade.

Isto tem de ser dito sem medo: educar não é agradar. Nunca foi. Um adulto que só procura ser aceite pelos alunos pode até sair aplaudido, mas não está necessariamente a formar ninguém. Há momentos em que crescer dói no ego. Há momentos em que pensar custa. Há momentos em que ouvir uma verdade, ou ser chamado à responsabilidade, incomoda. Isso não é violência. Isso é educação.

A psicologia do desenvolvimento explica isto muito bem. Crianças e adolescentes nem sempre relatam os acontecimentos com objetividade. Muitas vezes relatam-nos através do filtro emocional com que os viveram. Não contam apenas o que aconteceu. Contam o que sentiram sobre o que aconteceu. Isso não faz deles mentirosos. Faz deles jovens. E é precisamente por isso que o papel dos pais continua a ser tão importante.

Felizmente, a maioria dos pais percebe isso. Escuta os filhos, acolhe o que sentem, mas não transforma automaticamente a primeira versão numa sentença. Essa maioria merece respeito, porque sabe que educar também é filtrar, pensar, perguntar e distinguir entre “não gostei” e “foi realmente errado”.

Mas também é preciso ter coragem para pôr o dedo na ferida.

Há professores, coordenadores e equipas que organizam atividades, convidam profissionais, preparam sessões, tratam autorizações, horários, logística, articulação interna e riscos reputacionais. Fazem esse trabalho com esforço genuíno e quase nunca são protegidos como deviam quando surge a primeira queixa. E isso é profundamente injusto.

Quem organiza sabe o que isto custa. Sabe o trabalho invisível que está por trás de cada iniciativa. Sabe que basta uma frase retirada do contexto, um aluno contrariado ou um pai mais reativo para se instalar uma tempestade desproporcional. E, mesmo assim, continuam a tentar trazer qualidade às escolas. Continuam a tentar abrir horizontes aos alunos. Continuam a arriscar. Esses professores e organizadores merecem mais do que prudência institucional. Merecem respaldo moral.

Porque a verdade é esta: é muito fácil defender uma atividade quando ela é leve, simpática e consensual. Difícil é defender uma intervenção que exige, confronta e obriga a pensar. Mas é precisamente aí que se vê a fibra de uma escola.

E depois há o contraste embaraçoso com certos influencers. Muitos conseguem adesão imediata porque fazem exatamente o contrário do que um adulto formativo deve fazer. Baixam a fasquia. Dizem o que alguns alunos querem ouvir. Trocam exigência por aplauso rápido. Dão validação sem profundidade. E depois admiram-se que os jovens achem “brutal”. Claro que acham. Ser validado sem ser desafiado é sempre agradável. O problema é que isso pode entreter muito e formar muito pouco.

Nem tudo o que encanta educa. Nem tudo o que diverte estrutura. Nem tudo o que parece próximo faz crescer.

Por isso, quando se discute quem entra nas escolas, a conversa não pode ficar pela superfície. A responsabilidade não é só do profissional convidado. É também de quem convida, de quem autoriza, de quem avalia, de quem se cala e de quem só aparece para reagir quando há ruído. Direções, associações de pais, conselhos pedagógicos e famílias têm de assumir a sua parte. Uma comunidade educativa séria não pode funcionar apenas como central de gestão de queixas. Tem de ter critério. Tem de ter coluna vertebral.

A escola não pode tornar-se refém da popularidade. Se o critério para validar um adulto for o número de alunos que saem a dizer “foi brutal”, então desistimos da educação e ficamos só com performance.

A pergunta central é simples e ninguém devia fugir dela: queremos adultos que entretenham os jovens ou adultos que os ajudem a amadurecer?

Porque uma escola que só acolhe o que agrada pode acabar a rejeitar precisamente aquilo de que mais precisa: adultos consistentes, exigentes e suficientemente íntegros para não confundir ser aceite com ser útil.

No fim, o problema não é haver adultos que exigem. O problema é haver cada vez mais gente incapaz de tolerar que educar, às vezes, passa por pedir aos jovens mais do que eles tinham vontade de dar.

Alfredo Leite

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209 Milhões

…a dividir por todos aqueles que comentarem aqui no blog ou no FB do Blog.

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Formulário Sobre as VAGAS do Concurso Interno 2026

Amanhã termina o apuramento de vagas ao concurso interno de 2026 e para poder antecipar as vagas que serão abertas para este concurso criei este formulário para que sejam indicadas pelas escolas as vagas solicitadas na plataforma SIGRHE.

Bem sei que não terei a totalidade de vagas de todas as escolas, mas se a amostra for suficiente já sou capaz de perceber por aproximação o número de vagas em concurso.

Agradeço a vossa ajuda na divulgação deste formulário.

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De educação o presidente não falou

 

No seu discurso de tomada de posse como Presidente da República, António José Seguro falou de quase tudo o que costuma caber na liturgia presidencial: coesão social, desigualdades, necessidade de diálogo político, estabilidade institucional e até a promessa solene de representar “todos os portugueses”. Foi um discurso correto, equilibrado e cuidadosamente calibrado para não criar inimigos no primeiro dia de mandato. O problema é que, no meio de tanta prudência, houve uma ausência particularmente ruidosa: a educação.

Não é que o tema tenha sido frontalmente rejeitado ou criticado. Pior do que isso. Foi tratado como se costuma tratar aquilo que toda a gente diz ser importante mas que raramente entra na lista das prioridades reais. A educação apareceu diluída na habitual enumeração de valores genéricos sobre oportunidades, futuro e desenvolvimento do país. Palavras que cabem bem em qualquer discurso institucional, mas que também servem perfeitamente para não dizer nada de concreto.

É curioso porque a escola pública portuguesa atravessa um dos momentos mais delicados das últimas décadas. Falta de professores em várias regiões, envelhecimento acelerado da classe docente, precariedade persistente no ensino superior e desigualdades educativas que continuam a marcar profundamente o território. Não são problemas novos, mas são problemas cada vez mais visíveis. Ainda assim, no momento simbólico em que um novo Presidente define o tom do mandato, a educação acabou remetida para aquele espaço confortável onde vivem as ideias consensuais e politicamente inofensivas.

A tradição presidencial portuguesa ajuda a explicar esta prudência. Desde Mário Soares até Marcelo Rebelo de Sousa, passando por Aníbal Cavaco Silva, os discursos de posse raramente entram em terreno programático. O Presidente fala do país em termos amplos e deixa as políticas concretas para o Governo. É uma interpretação legítima do cargo, mas que tem um efeito curioso: a educação surge sempre como um valor moral absoluto e quase nunca como um problema político real.

O resultado é uma espécie de consenso vazio. Toda a gente concorda que a educação é fundamental. Toda a gente elogia os professores e o papel das escolas. Toda a gente afirma que o conhecimento é o futuro do país. Mas quando chega o momento de falar seriamente sobre o sistema educativo, a conversa evapora-se em abstrações.

No discurso de António José Seguro essa dinâmica repetiu-se com precisão quase académica. O Presidente apresentou um retrato geral de um país que precisa de combater desigualdades e reforçar oportunidades, mas evitou qualquer referência direta às tensões concretas do sistema educativo. Não houve uma palavra sobre a crise no recrutamento de professores, sobre o estado do ensino superior ou sobre o papel da ciência e da investigação no desenvolvimento nacional. Para um país que tantas vezes proclama que o seu maior recurso é o capital humano, a ausência é, no mínimo, curiosa.

Talvez seja apenas estratégia. Os discursos de posse são exercícios de equilíbrio e raramente momentos de confronto. Ainda assim, fica a sensação de que, numa época em que a educação deveria ocupar o centro do debate público, ela continua a ser tratada como cenário e não como protagonista.

No primeiro dia de mandato presidencial falou-se do país, da democracia, da esperança e da responsabilidade coletiva. Tudo temas importantes e respeitáveis. Mas, no meio de tantas palavras sobre o futuro, ficou a impressão de que uma das ferramentas mais decisivas para construí-lo ficou estranhamente fora da conversa.

De educação, afinal, o Presidente não falou

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PSP encontra faca de cozinha na mochila de aluno em Marvila. Jovem diz que era para se defender de bullying

 

A situação terá sido comunicada à CPCJ e ao Tribunal de Família e Menores de Lisboa.

PSP encontra faca de cozinha na mochila de aluno em Marvila. Jovem diz que era para se defender de bullying

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Sou um orgulhoso pai de três filhos… de 23, 19 e 11 anos – Alfredo Leite

Sou um orgulhoso pai de três filhos… de 23, 19 e 11 anos.

E há coisas na vida que não cabem bem em palavras…

O orgulho que sinto neles é uma delas.

Orgulho pela forma como cresceram… pela forma como pensam… pela maneira como, com falhas normais de quem está a crescer e a viver, foram aprendendo a estar no mundo com dignidade.

Mas há uma coisa, em concreto, que gosto mesmo de partilhar… porque hoje percebo cada vez mais o valor que isso tem.

Em todos estes anos de escola… nunca ouvi os meus filhos, diretamente a mim, entrarem naquela conversa fácil de dizer mal de um professor… de se queixarem por sistema… de alimentarem a crítica pequena, repetida, quase recreativa.

Nunca lhes dei essa abertura. Nunca achei saudável transformar a figura do professor numa espécie de alvo fácil para descarregar frustrações do dia.

É verdade que, aqui e ali, fui ouvindo pequenos desabafos… coisas soltas… comentários indiretos… um incómodo aqui, outro ali… como é normal. Mas nunca dei a isso uma importância exagerada. Nunca alimentei. Nunca peguei numa frase solta para fazer dela um drama. E isso, acredito, conta muito.

Claro que também reconheço uma coisa, talvez isto tenha a ver, em parte, com a sorte que tive.

A sorte nos professores que os meus filhos encontraram. E também, sem dúvida, com a sorte enorme que tenho na minha parceira de vida, no meu amor, na minha mulher… que me ajuda a educá-los assim: com responsabilidade, com critério, sem cultivar a queixinha, sem transformar qualquer desconforto num caso.

Isto não significa, evidentemente, calar problemas sérios! Não significa ensinar os filhos a engolir injustiças. Não significa submissão cega. Nada disso.

Os meus filhos sabem defender-se. E eu tenho a certeza de que, se houver um problema grave, real, importante… eles falam.

Falam porque sabem que serão escutados. Falam porque sabem que há uma diferença entre uma situação séria e a conversa banal de dizer mal por dizer mal.

E talvez seja precisamente aqui que está um ponto decisivo da educação… Um dos mais decisivos.

Quando uma criança ou um adolescente vive em carência afetiva… quando os pais trabalham demais… quando os avós estão longe… quando a casa vive em correria… quando as prioridades dos adultos estão trocadas… às vezes basta ela perceber uma coisa: que falar mal da escola ou de um professor acende imediatamente a atenção dos pais.

Os olhos levantam-se logo.

O tom muda. Há foco. Há escuta. Há energia. E a criança, muitas vezes sem maldade consciente, percebe que encontrou ali um filão, uma mina emocional… uma forma de captar presença, interesse, ligação.

E é aí que começam, por vezes, a crescer histórias… versões… ampliações… narrativas que não nascem necessariamente da gravidade do problema, mas da recompensa invisível que o problema dá. Atenção. Intensidade. Centralidade.

Eu sempre tentei fugir disso. Não por desvalorizar os meus filhos. Precisamente pelo contrário. Porque os levo a sério. Porque quero que cresçam com sentido de proporção. Porque quero que saibam distinguir o que é injustiça do que é incómodo… o que é gravidade do que é frustração… o que é um problema verdadeiro do que é apenas a vida a ensinar que nem tudo corre como queremos.

Talvez por isso… ou também por isso… nunca deixei que a escola fosse apresentada cá em casa como inimiga. E nunca permiti que um professor fosse reduzido, sem mais, à caricatura de um vilão só porque corrigiu, exigiu, contrariou ou não agradou.

Os meus filhos não são perfeitos, eu também não,…a nossa família também não. Mas há uma coisa em que acredito: uma casa que ensina respeito pelos professores está a proteger qualquer coisa de muito valioso na alma da criança… a noção de limite… de realidade… de autoridade séria… e até de gratidão.

Porque educar também é isto… não dar palco a tudo. Não transformar cada desconforto num espetáculo. E não deixar que a necessidade de atenção dos filhos se alimente à custa da erosão do respeito pelos adultos que os ajudam a crescer.

No fundo… muitas histórias sobre “maus professores” começam menos na escola do que na fome emocional com que certas crianças chegam a casa. E isso custa ouvir, mas custa ainda mais viver as consequências.

Alfredo Leite

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Influencers nas escolas? O problema maior está nos quartos dos vossos filhos

 

Nos últimos dias instalou-se uma pequena tempestade mediática porque algumas escolas receberam influenciadores digitais. A notícia levou o Ministério da Educação a criar um grupo de trabalho para produzir orientações que permitam aos diretores travar atividades “contrárias aos fins educativos”.

Confesso que olho para tudo isto com alguma perplexidade.

Não porque o tema não seja importante. É. Mas porque parece que estamos a olhar para o sítio errado.

A discussão pública tem girado em torno do que acontece dentro da escola: quem entra, quem fala, quem faz uma palestra ou aparece num auditório durante uma hora.

Mas a verdade é bem mais incómoda.

Pior do que ter influencers nas escolas é tê-los em casa. Nos quartos dos vossos filhos.

E esses não entram por convite do diretor.

Entram pela porta que muitos pais deixaram escancarada: o telemóvel.

Sempre que surge um problema com jovens, há um reflexo automático: culpar a escola.

Se os alunos dizem disparates, a escola falhou.

Se repetem ideias misóginas, a escola falhou.

Se seguem personagens duvidosas nas redes sociais, a escola falhou.

Entretanto, em casa, um adolescente pode passar quatro, cinco ou seis horas por dia mergulhado em plataformas como TikTok, Instagram ou YouTube — sem qualquer supervisão adulta.

Mas aparentemente o grande risco educativo é um convidado que entra numa escola durante 50 minutos.

Um influencer convidado para uma escola fala uma vez.

Um influencer nas redes sociais fala todos os dias.

Fala às duas da manhã.

Fala durante o jantar.

Fala quando os pais pensam que os filhos estão “a estudar no quarto”.

E fala de tudo: sexo, dinheiro fácil, humilhação pública, misoginia, exibicionismo, desafios absurdos e uma cultura permanente de espetáculo.

Não há projeto educativo.

Não há conselho pedagógico.

Não há regulamento interno.

Há apenas algoritmo.

Há um facto pouco elegante que raramente entra nestas discussões: para muitos adultos, o telemóvel tornou-se o novo babysitter digital.

É cómodo.

O filho está quieto.

Está no quarto.

Não faz perguntas.

Não interrompe.

E portanto está tudo bem.

Ou pelo menos parece.

Porque enquanto os pais descansam com a ilusão de tranquilidade doméstica, os filhos estão a receber uma torrente diária de conteúdos que nenhuma escola autorizaria.

Nenhuma.

Há aqui uma certa hipocrisia social.

Alguns pais ficam indignados se um influenciador aparecer numa escola.

Mas não fazem ideia de quem os filhos seguem, de que vídeos veem, de que discursos repetem ou de que ideias absorvem.

E quando finalmente descobrem, a culpa volta a ser… da escola.

A escola tem responsabilidades, evidentemente. Mas a educação dos jovens não se resume ao horário escolar.

Os pais continuam a ser os principais reguladores do ambiente cultural em que os filhos crescem.

Isso implica coisas pouco populares: saber que aplicações os filhos usam, conhecer os conteúdos que seguem, definir limites de tempo, conversar sobre o que veem e, imagine-se, dizer “não” de vez em quando.

Sim, dá trabalho.

Mas educar sempre deu.

Podemos criar todos os grupos de trabalho que quisermos. Podemos escrever orientações, circulares e recomendações.

Mas enquanto milhares de adolescentes tiverem influencers a viver permanentemente nos seus telemóveis, a discussão sobre quem fala numa escola durante uma hora é quase pitoresca.

O verdadeiro debate não é “que influencers entram na escola”.

É outro.

Que influencers vivem dentro da casa de cada família — e ninguém parece estar muito preocupado com isso.

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Procedimentos concursais para Presidente, Vice-presidente e Vogal do conselho diretivo da AGSE, I. P.

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As nossas crianças não podem ir no cavalinho – Carmen Garcia

“Sexualizar crianças tem riscos. Vejo constantemente vídeos gravados por pais e mães que acham engraçado ver as suas filhas a fazer coreografias eróticas copiadas de vídeos no YouTube.”

As nossas crianças não podem ir no cavalinho

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O ofício do cansaço: heróis do queixume e mártires silenciosos – José Manuel Alho

O cansaço verdadeiro é silencioso.
O falso cansaço é barulhento, teatral, dramático. O autovitimismo, chamemos-lhe assim, é uma forma muito conveniente de esconder a preguiça e a lei do menor esforço com um verniz de “sou tão dedicado que até fico exausto”.
Não são exaustos. São é pouco dados ao trabalho e muito dados à narrativa.

O ofício do cansaço: heróis do queixume e mártires silenciosos

A epidemia do cansaço performativo: quando o lamento suplanta o esforço

Há por aí uma nova epidemia, daquelas que não passa nos telejornais: a pandemia do cansaço performativo. Gente fresca, rosadinha, com ar de quem dorme oito horas, faz sestas ao fim de semana, vai ao brunch e ainda tem tempo para séries e ginásio, mas que abre a boca sempre com o mesmo refrão: “Estou tão cansado… Nem imagina…”

Cansadas de quê, exatamente? De mandar dois emails, ir a uma reunião e carregar no “enviar” do Teams? De terem um dia “cheio” porque tiveram de abrir três fichas em PDF e carregar num link? É um cansaço muito curioso: não lhes pesa no corpo, só no discurso. O cansaço virou credencial, crachá, cartão de visita. Não trabalham muito, mas cansam-se imenso… de falar sobre o quanto trabalham.

Depois há o outro lado. Os tipos que andam a funcionar à base de comprimidos para dormir, comprimidos para não desmaiar, cafés em série e uma agenda que não cabe em lado nenhum. Gente que trabalha até cair, que chega a casa arrastada, que passa noites a preparar coisas, a pensar em problemas, a resolver o que ninguém vê. Gente que, no dia seguinte, aparece: faz o que tem de ser feito, aguenta, segura o barco. Esses, regra geral, dizem só: “Vamos andando”.

É fascinante ver como o mundo aplaude os mártires de cartão. Os que dramatizam cada tarefa: “Foi um dia puxado…”, “Nem tive tempo para respirar…”, “Isto está impossível…”. Depois vamos a ver, e o “dia puxado” cabia num horário de part-time. A produtividade é baixa, o ruído é altíssimo. Trabalham pouco, mas cansam muito o ambiente à volta. Mas, curiosamente, são vistos como dedicados, empenhados, quase heróis do esforço.

O silêncio dos que seguram o mundo: os verdadeiramente exaustos não têm tempo para dramatizar

Já os que se levantam cedo, voltam tarde, vivem carregados de responsabilidades, carregam a casa às costas, a escola às costas, os miúdos às costas, o trabalho às costas, esses não têm tempo para espetáculo. Não se vendem como mártires, não se autofotografam em modo sofrimento, não fazem conferências de imprensa sobre o seu esgotamento. Engolem, em seco, tomam a medicação, respiram fundo e seguem. Sem medalha. Sem palmas. Sem post motivacional.

No fim, o que se vê é isto: o cansaço verdadeiro é silencioso.
O falso cansaço é barulhento, teatral, dramático. O autovitimismo, chamemos-lhe assim, é uma forma muito conveniente de esconder a preguiça e a lei do menor esforço com um verniz de “sou tão dedicado que até fico exausto”.
Não são exaustos. São é pouco dados ao trabalho e muito dados à narrativa.

Talvez um dia se aprenda a diferença entre estar cansado de fazer e estar cansado de existir.
Até lá, os que realmente se sacrificam vão continuar invisíveis, sem condecorações, sem discursos, sem palco.
Os outros continuarão a desfilar o seu cansaço cor de rosa, muito bem penteado, muito bem ensaiado.
E o mais irónico é isto: quando, um dia, os verdadeiramente cansados caírem, o mundo vai perguntar, muito surpreendido: “Mas estava assim tão mal?”

Estava. Só não andava aí a fazer disso profissão.

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A Hidra de Lerna entrou na escola – Carmen Garcia

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Feliz dia Internacional da Mulher

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A prisão de Verão – Alberto Veronesi

Há temas que regressam ciclicamente, como as marés teimosas. Um deles é o da escola que, em vez da casa de saber, se converte numa prisão de verão. Digo-o a propósito do prolongamento do calendário escolar para o pré-escolar e o 1.º ciclo até 30 de junho, essa ideia luminosa que talvez brilhe apenas à distância, lá onde o termómetro do real nunca toca o vidro da janela.
Escrevo, como sempre, a partir de quem esteve onde o quadro e a caneta se misturam com o bafo do calor. Foram mais de vinte e cinco anos ligados ao ensino, vinte deles em frente a uma turma. Há quem acredite que é fácil mitigar temperaturas quando as janelas, quando as há, não abrem, as cortinas, quando existem, não fecham e o sol de junho decide fazer da sala uma pequena estufa pedagógica. Para esses, deixo o convite. Venham experimentar uma tarde de 23 °C lá fora e 28 °C cá dentro, respirando o mesmo ar de vinte e quatro alunos. Talvez então compreendam o que é “ensinar com convicção”.
Mas admito! Compreende-se a leveza da opinião de quem fala sem o corpo presente, sem a pele no jogo. Quem nunca pisou uma sala de aula ou já dela se esqueceu tende a achar que o desconforto é detalhe. Mesmo quem mora em paragens mais frescas julga que o calor se vence com boa vontade, talvez com uma ventoinha e uma garrafa de água. O problema é que a realidade raramente se dobra à imaginação dos gabinetes.
Não falo por achismo, mesmo que queiram isso fazer entender. Há dados, estudos, evidências. Basta lê-los. O Parecer sobre organização do tempo escolar do Conselho Nacional de Educação (2017). O trabalho de Oliveira e colegas (2017) sobre condições térmicas em ambientes de ensino. Os relatórios da OCDE (Education at a Glance 2025) e o artigo de Cuartas et al. (2025) sobre o impacto do calor no desenvolvimento infantil. Até Gomes et al. (2012), no LNEC, mediram o óbvio e concluiram que o calor afeta o desempenho, a concentração, o bem-estar. Estes argumentos, para uns iluminados, é uma miséria intelectual. Para os que sofrem junho a dentro, miseráveis são os que comentam sem conhecimento de causa!
Por isso, se alguém se sente atingido por estas palavras, nada tema: é apenas porque a carapuça assentou.

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Sobre “influencers” e escolas – João André Costa

 

Há dias nos quais a escola mais parece o recreio de outros tempos, do meu tempo, quando o barulho das crianças subia pelas paredes como hera.

O barulho das crianças sobe pelas paredes como hera.

Isto porque agora é moda em Portugal termos as associações de estudantes a convidarem “influencers” digitais para animarem as eleições para as ditas associações.

E quando digo “influencers”, digo homens de corpo feito e, literalmente, tronco nu, cheios de música e abdominais diante de centenas de telemóveis mais milhares de seguidores, e uma biografia digital onde, entre muita dança e agitação, aparecem ligações para plataformas onde o corpo é para vender em parcelas, e quem diz parcelas, diz fatias, e fatias enormes devidamente iluminadas debaixo de néons duvidosos.

Imagino o pátio cheio, os adolescentes comprimidos junto ao palco improvisado, o eco das colunas a reverberar nas janelas da sala de História, e aquela figura ali em cima ainda ontem a filmar outro tipo de espectáculo para outro público, talvez num quarto alugado ou numa cozinha.

A escola, esta escola, em Portugal, mais parece uma casa com a porta escancarada por um sem número de tempestades, e com as tempestades, infelizmente, igual rasto de destruição.

A porta, meus caros, é para fechar a sete chaves e com uma palavra ao melhor estilo de um policial: DBS.

Disclosure and Barring Service, mais conhecido por DBS check, um organismo criado para verificar quem pode ou não trabalhar com crianças, um arquivo interminável de corredores e pastas cinzentas onde cada nome é sujeito às devidas perícias, desde o registo criminal à pegada digital.

Independentemente se quem entra é um putativo, literalmente, professor de matemática, um técnico de informática, um auxiliar de ação educativa, vulgo contínuo, ou um convidado da associação de estudantes.

A todos é requerido a apresentação do papel. Qual papel? O papel, o certificado, o requisito, a chave-mestra e invisível capaz de abrir esta porta, este emprego, esta sala, diante destas crianças.

Até porque sem o papel, a escola permanece fechada na serenidade obstinada de uma grande muralha, a da China de preferência.

Pode esta pessoa trabalhar com crianças?

Se o nome aparecer na lista de indivíduos impedidos de entrar em contacto com menores, a resposta é definitiva e óbvia. O mesmo quando a actividade digital é imprópria para menores.

Esta pessoa não pode ensinar, não pode organizar actividades nem fazer apresentações. Esta pessoa nem sequer pode estar à porta da escola.

Porque em primeiro lugar, e acima de tudo, está o bem estar físico e emocional das crianças com as quais trabalhamos todos os dias.

E para quem pode, e deve, trabalhar com os petizes, cabe a cada escola manter um registo destas averiguações, nomes de gente grande e séria com data, certificado e a autorização devidamente carimbada pela chefia.

Sejamos claros: o salário de um professor em Portugal é equivalente ao salário de um Teaching Assistant em Inglaterra. E em Inglaterra, não é preciso um curso universitário para se ser Teaching Assistant.

O custo de vida? É igual.

Nestes termos, exigir a um professor mil e uma tarefas administrativas e burocráticas não é apenas uma brincadeira de mau gosto. É um insulto. É uma bofetada todos os dias.

E até aqui, estamos todos de acordo.

A discordância surge quando o adulto diante destas crianças vem com o único propósito de angariar mais seguidores à custa de plataformas para maiores de 18 anos de idade.

E num repente os nossos alunos, jovens, influenciáveis, sequiosos de atenção, amigos, aceitação e seguidores, a emularem as mesmas actividades.

Só não vê quem não quer.

Ou quem não sabe.

Ou quem não quis saber.

E quem não quis saber tem a minha idade.

Peço desculpa pelo legado da minha geração.

Porque a fama não abre portas, o número de seguidores não é um certificado e a histeria juvenil não é um pretexto. É apenas histérica.

Ao mesmo tempo, a escola não se pode arrogar a abrir as janelas para deixar entrar o mundo inteiro quando o mundo inteiro são os algoritmos a dançar nos ecrãs.

É elementar.

E sim, em Inglaterra o mundo também entra, mas primeiro tem de mostrar a mala, confirmar a identidade, carimbar um papel.

Só depois se abre a porta.

E mesmo assim devagar, já sabemos bem a força do vento.

 

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Agora são 80.

Influenciador que lucra com sexualização de crianças volta a uma escola após denúncia
Um influenciador digital que faz negócio com a sexualização das crianças voltou a entrar numa escola portuguesa nesta segunda-feira. No dia anterior, uma investigação do PÚBLICO tinha denunciado que, nos dois últimos anos lectivos, 79 escolas receberam influenciadores misóginos e pornógrafos. Agora são 80.

 

Influenciador que lucra com sexualização de crianças volta a uma escola após denúncia

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