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Set 17 2026
Há paradoxos na educação portuguesa que merecem ser discutidos. E este é, seguramente, um deles.
Há anos que ouvimos falar da desertificação do interior, do envelhecimento da população, da saída dos jovens e da necessidade de criar condições para fixar famílias fora dos grandes centros urbanos.
Assistimos em simultâneo ao progressivo encerramento ou concentração de serviços públicos nessas regiões.
Fecham-se escolas, centros de saúde, bancos… e reduzem-se transportes e outros serviços essenciais.
E depois perguntamos por que razão as pessoas não querem viver no interior!
Quem escolherá viver numa terra onde, pouco a pouco, vão desaparecendo as condições básicas para criar os filhos?
A escola tem aqui um papel fundamental. Não é apenas o local onde se lecionam conteúdos e se cumprem programas. É um serviço público essencial, um elemento de coesão territorial e, muitas vezes, uma das principais razões que levam uma família a permanecer numa determinada comunidade.
Quando uma escola fecha, não encerra apenas um edifício. Desaparece um serviço, uma referência e uma parte importante da vida daquela comunidade.
É por isso que se torna difícil não questionar alguns dos paradoxos existentes na organização da nossa rede escolar. Enquanto no interior há alunos obrigados a percorrer dezenas e, em alguns casos, centenas de quilómetros para frequentar uma escola, faça chuva ou sol, porque a escola da sua localidade deixou de funcionar ou deixou de ter oferta suficiente, nos grandes centros urbanos encontramos situações completamente diferentes.
Vejamos o caso, a título exemplificativo, da Escola Básica Nicolau Nasoni, na cidade invicta.
A escola funciona atualmente com apenas duas turmas do 2.º ciclo e três turmas do 3.º ciclo, com reduzidíssimo números de alunos por turma. Trata-se de uma escola com capacidade instalada para mais do que triplicar o número de turmas atualmente existentes.
Não se pretende, naturalmente, questionar o direito daqueles alunos frequentarem a escola, nem transformar os alunos ou a comunidade escolar em responsáveis por uma situação que não criaram.
É legítimo perguntar se estamos a utilizar os recursos públicos de forma coerente e equitativa quando, no mesmo país, encerramos ou concentramos escolas no interior por falta de alunos e, simultaneamente, mantemos nos grandes centros estruturas escolares com uma capacidade muito superior à sua utilização efetiva.
Esta questão ganha ainda maior relevância quando o próprio sistema educativo enfrenta uma realidade que já ninguém consegue ignorar, a falta de professores.
Perante essa escassez, uma das medidas anunciadas passa pelo aumento do número de alunos por turma, chegando aos 30 alunos em determinadas situações.
Temos, portanto, um paradoxo difícil de ignorar.
De um lado, faltam professores e equacionam-se turmas maiores. Do outro, existem escolas com turmas muito reduzidas e uma capacidade instalada muito superior à sua atual utilização.
Será esta a melhor forma de organizar a escola pública?
Não se trata de defender simplesmente o encerramento de escolas nos centros urbanos. Nem de defender que todas as escolas do interior devam permanecer abertas independentemente do número de alunos. Trata-se de exigir planeamento, coerência e equidade.
Se os recursos são escassos, devem ser distribuídos de acordo com as necessidades reais das populações e com uma visão estratégica do país.
Uma escola não pode ser analisada apenas através de um número inscrito numa folha de cálculo. É preciso olhar para o território, para as distâncias e transportes, para as famílias, para as condições sociais. Para o futuro demográfico e, claro para os recursos humanos disponíveis.
Podemos aumentar o número de alunos por turma, reorganizar horários, concentrar alunos e encontrar soluções temporárias para garantir que ninguém fica sem aulas, mas isso não resolve o problema estrutural.
São, muitas vezes, pensos rápidos aplicados sobre uma ferida que continua aberta.
A verdadeira questão é como vamos garantir professores para os próximos anos?
Todos sabemos que uma parte significativa do atual corpo docente está a aproximar-se da aposentação. E sabemos também que, sem uma carreira suficientemente Respeitada e Valorizada, será cada vez mais difícil substituir quem sai e atrair jovens.
Este ano encontram-se soluções, mas como será para o próximo e daqui a cinco ou dez anos?
Não podemos continuar a gerir a educação apenas em função da emergência do momento.
A educação exige planeamento a médio e longo prazo.
A questão da falta de professores não se resolve apenas aumentando o número de alunos por turma. Resolve-se tornando a profissão docente mais Valorizada e Respeitada, pois só assim se tornará atrativa e capaz de fixar os profissionais que o sistema educativo necessita.
Da mesma forma, a desertificação do interior não se combate apenas com discursos, incentivos ou programas. Combate-se mantendo serviços públicos, como escolas… Garantindo condições para que uma família possa dizer: É aqui que quero viver e criar os meus filhos.
É difícil convencer alguém a mudar-se para o interior quando, ao mesmo tempo, lhe estamos a dizer que os serviços essenciais estão cada vez mais longe.
Talvez seja precisamente aqui que devamos começar a discutir seriamente a nossa rede escolar. Não apenas quantos alunos tem uma escola, mas que capacidade tem?
Que recursos consome?
Que alternativas existem?
Que distância terão os alunos de percorrer se fechar?
Quanto custa transportar diariamente esses alunos?
E qual é o impacto dessa decisão na comunidade e no território?
E, nos grandes centros, devemos fazer exatamente as mesmas perguntas.
Não podemos exigir racionalização no interior e deixar de questionar a utilização de estruturas subocupadas nas cidades.
O debate não deve ser entre o rural e urbano, menos ainda entre alunos de uma escola e alunos de outra escola. Deve ser sobre equidade, racionalidade, coesão territorial e futuro da escola pública.
Os governantes não podem continuar a dizer que querem combater a desertificação do interior enquanto vão retirando, pouco a pouco, as condições que tornam possível viver lá.
Não podemos enfrentar uma crescente falta de professores sem nos questionarmos se toda a rede escolar está organizada da forma mais racional possível.
Uma política educativa séria não pode responder apenas ao problema de hoje, tem obrigatoriamente de responder também ao problema de amanhã. Caso contrário, continuaremos a colocar pensos rápidos numa ferida cada vez maior…
José Pereira da Silva
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Set 17 2026
O Secretariado Nacional da FNE, reunido em 17 de setembro de 2026, reafirma que a valorização da carreira docente constitui uma condição essencial para reconhecer o trabalho dos professores e educadores e para responder a um dos maiores desafios que hoje enfrenta a Escola Pública: atrair, formar, fixar e reter professores.
A revisão do Estatuto da Carreira Docente atualmente em negociação constitui, por isso, uma oportunidade que não pode ser desperdiçada para construir uma carreira mais justa, valorizada e atrativa.
A FNE tem participado neste processo de forma responsável, exigente e empenhada, apresentando propostas e procurando soluções que permitam corrigir injustiças acumuladas e melhorar efetivamente as condições de exercício e de desenvolvimento da carreira docente.
Entre essas matérias encontra-se a eliminação das vagas para progressão aos 5.º e 7.º escalões, uma reivindicação que a FNE há muito defende.
Neste ponto existe hoje um dado político particularmente relevante: o próprio Programa do XXV Governo Constitucional assume o compromisso de acabar com as quotas no acesso aos 5.º e 7.º escalões, no âmbito da revisão do Estatuto da Carreira Docente.
Existe, portanto, uma convergência quanto ao objetivo: as vagas devem acabar.
A questão que agora se coloca é saber quando.
A revisão global do ECD envolve numerosas matérias, algumas de elevada complexidade, e o processo negocial tem vindo a prolongar-se. A FNE considera que esta circunstância não deve obrigar os professores a esperar pela conclusão de toda a revisão para ver concretizada uma medida que o próprio Governo já assumiu como necessária.
As vagas de acesso aos 5.º e 7.º escalões constituem um mecanismo que condiciona a progressão de docentes que cumprem os restantes requisitos legalmente exigidos, introduzindo bloqueios e desigualdades no desenvolvimento da carreira.
Para a FNE, não se trata de pedir ao Governo que assuma um novo compromisso. Trata-se de criar condições para concretizar mais cedo um compromisso que o próprio Governo já assumiu.
Por isso, a FNE considera que esta matéria deve ser autonomizada da revisão global do ECD e objeto de uma negociação específica e célere, permitindo antecipar a eliminação das vagas sem prejudicar ou condicionar a continuação da negociação das restantes matérias do Estatuto.
Assim, o Secretariado Nacional da FNE delibera:
A FNE continuará empenhada na negociação de um Estatuto da Carreira Docente que reconheça, valorize e dignifique os professores e educadores.
Mas uma negociação longa não deve impedir decisões que podem ser tomadas mais cedo.
Se o Governo já assumiu que as vagas devem acabar, não há razão para os professores terem de esperar pela conclusão da revisão de todo o ECD.
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Set 17 2026
Sem docentes suficientes para abrir novas turmas, aumentar o número de alunos por sala é a solução que resta, defende dirigente escolar.
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Set 17 2026
…para os Diretores…
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Set 16 2026
Há momentos em que a sociedade, perante um problema complexo, procura uma explicação simples. É, quase sempre, mais fácil encontrar um culpado do que compreender as causas e encontrar soluções.
É exatamente o que parece estar a acontecer com os professores.
Perante a falta de docentes, o envelhecimento da classe, as dificuldades de recrutamento e a crescente incapacidade de preencher horários, vai ganhando espaço uma narrativa perigosa, a de que o problema estará nos próprios professores.
Professores que faltam, estão cansados, adoecem e que já não têm a mesma disponibilidade de outros tempos.
Mas será assim tão simples?
Será que estamos perante uma profissão que deixou de querer trabalhar ou perante uma profissão que foi, durante anos, perdendo as condições para trabalhar?
Há uma diferença enorme entre estas duas coisas.
Um professor não deixa de ser profissional porque está cansado. Não deixa de ter sentido de responsabilidade porque está doente. Não deixa de gostar dos seus alunos porque, em determinado momento, já não consegue suportar física ou emocionalmente aquilo que lhe é exigido.
Talvez seja importante dizer aquilo que nem sempre se quer ouvir,
as pessoas não adoecem apenas porque querem.
Há professores que enfrentam efetivamente graves problemas de saúde, como tantos outros cidadãos. Há professores desgastados por décadas de profissão. Há professores submetidos a uma enorme pressão. Há quem viva diariamente com cargas de trabalho difíceis de conciliar com a vida pessoal e familiar. Há quem enfrente ambientes profissionais tóxicos, conflitos, falta de reconhecimento ou lideranças que, em vez de unir, dividem.
Há uma realidade particularmente importante, a escola pode ser um lugar extraordinário quando existe uma liderança que sabe liderar.
Um diretor que respeita e ouve, que não confunde autoridade com autoritarismo. Que não favorece uns nem penaliza outros.
Que aceita a divergência e responsabiliza sem humilhar. Aquele
que reconhece o trabalho de quem todos os dias dá o seu melhor. Numa escola assim, é muito mais fácil um professor sentir-se valorizado, motivado e comprometido.
Infelizmente, nem todas as escolas conseguem proporcionar esse ambiente.
E quando juntamos a isso horários difíceis, burocracia crescente, falta de recursos, turmas complexas, responsabilidades acrescidas e uma carreira que durante anos perdeu atratividade, talvez a pergunta devesse ser outra:
O que estamos a fazer aos professores?
Porque é demasiado fácil olhar para o resultado e ignorar o processo.
É fácil dizer que faltam professores.
Muito mais difícil é perguntar porque é que os jovens não escolhem esta profissão como escolhiam no passado.
É fácil lamentar que os professores abandonem a carreira.
Muito mais difícil é perguntar o que fizemos para que aqueles que nela permanecem queiram continuar.
É fácil falar de absentismo.
Muito mais difícil é olhar para uma classe profissional envelhecida, desgastada e desvalorizada, bem como perceber que, quando as pessoas chegam ao limite, alguma coisa falhou muito antes de aparecer uma baixa médica.
E mesmo que, por absurdo, nenhum professor adoecesse, o problema estrutural continuaria lá.
Continuariam a faltar professores em determinadas áreas. Continuaria a existir dificuldade em atrair novos profissionais. Continuaria a existir uma carreira que precisa de ser valorizada e uma profissão que precisa de recuperar o reconhecimento social que já teve.
Não se resolve uma crise estrutural culpabilizando quem nela trabalha.
Resolve-se tornando a profissão novamente atrativa, com melhores condições de trabalho, respeito, estabilidade, liderança democrática, reconhecimento profissional, valorização da carreira e salários compatíveis com a responsabilidade e exigência da profissão…
Um professor valorizado não é apenas um professor mais satisfeito, é um professor que permanece, se entrega e recomenda a profissão. A valorização sobretudo é a condição fundamental para que os nossos jovens queiram ser professores amanhã.
Talvez esteja na altura de deixarmos de perguntar, o que há de errado com os professores e começarmos a perguntar:
O que é que estamos a fazer de errado com a profissão docente?
A resposta a esta pergunta talvez explique muito melhor a crise que hoje atravessa a Educação…
Pode-se adiar o investimento na Educação, mas nenhum país pode escapar às consequências de não o fazer. Porque antes de haver médicos, engenheiros, cientistas ou governantes, houve sempre um professor.
José Pereira da Silva
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Set 16 2026
Nota prévia: Este texto foi publicado pelo Blog DeAr Lindo em 14 de Setembro de 2025. Relendo-o hoje, parece-me que continua válido, face ao que presentemente se vai observando em muitas escolas do país. Lamentavelmente para todos nós, se calhar, ainda mais válido hoje do que há um ano atrás.
Os cavalos também se abatem…
No nosso país é preciso morrer para serem reconhecidas todas as virtudes de alguém… Após a morte, abrem-se quase sempre “processos de beatificação”, ainda que em vida não se tivesse, efectivamente, valorizado nenhuma das qualidades daquele que acabou de falecer…
Ou seja, as pessoas só se tornam boas depois de morrerem,curiosamente quando já não precisam de qualquer reconhecimento ou empatia… E até o maior dos sacanas em vida terá forte probabilidade de lhe verem reconhecidas certas virtudes que, na realidade, não tinha…
Mas, depois de morto, ninguém precisará de “lágrimas de crocodilo”, nem de carpideiras ocasionais, sobretudo se em vida não tiver sido, como devia, respeitado e valorizado… Por onde terá andado o respeito pela dignidade em vida?
E a propósito da falta de empatia e de solidariedade que vão sendo referidas em alguns contextos escolares, entre os vivos que por lá pontuam, lembrei-me da história do livro “Os cavalos também se abatem” (Horace McCoy), vá lá saber-se porquê… Na verdade, parece-me que sei porquê, mas um pouco de sarcasmo nunca fez mal a ninguém…
A referida história poderá resumir-se, mais ou menos, assim:
“A narrativa gira em torno de Robert Syverten e Gloria Beatty, dois jovens desesperados que se inscrevem numa maratona de dança em Los Angeles, na esperança de ganhar um prémio monetário que poderia mudar as suas vidas ou, pelo menos, despertar a atenção de qualquer personalidade do mundo do cinema que lhe dê uma chance de entrar nesse mundo de sonho. O concurso, porém, revela-se uma metáfora viva do desespero coletivo: centenas de participantes, exaustos fisicamente e destruídos psicologicamente, dançam até ao esgotamento total, sob o olhar impiedoso de um público ávido de entretenimento e completamente alheado do sofrimento daquelas pessoas.” (in “Os Meus Nobel”)…
Metaforicamente, em contexto escolar, quantas vezes se observam também “centenas de participantes, exaustos fisicamente e destruídos psicologicamente, dançam até ao esgotamento total”?
Ao que tudo indica, a resposta à pergunta anterior não poderá deixar de ser esta: Muitas vezes…
Novamente recorrendo à metáfora, quanto a isto: “sob o olhar impiedoso de um público ávido de entretenimento e completamente alheado do sofrimento daquelas pessoas.”, talvez se possam colocar algumas dúvidas:
– O “público”, caracterizado da forma descrita, também existirá dentro do próprio contexto escolar ou apenas no exterior do mesmo?
– A perspectiva “voyeurista”, típica dos que frequentemente ficam a “olhar de fora”, dominados pela atitude “pode arder, desde que não seja comigo”, prevalece ou não em contexto escolar?
– O silêncio típico dos que se abstêm, subjugando-se à cobardia da inacção e do conformismo, manifestando, muitas vezes, uma gritante ausência de solidariedade e de empatia, prevalece ou não em contexto escolar?
As escolas transformaram-se em “máquinas trituradoras de pessoas”, onde ninguém se poderá considerar como insubstituível e onde muitas vezes se observa um certo alheamento face ao sofrimento do outro…
Quando alguém morre, ou adoece física e/ou mentalmente, o “período de luto” em relação a essa perda, quer seja permanente ou transitória, costuma ser curto; rapidamente outro tomará o seu lugar, seguindo-se sempre na perspectiva do “the show must go on”…
Infalíveis e imortais “Super-Mulheres” ou “Super-Homens” só existem na ficção…
A maioria dos profissionais de Educação encontra-se em “modo de sobrevivência”, sentindo-se irremediavelmente estafada, asfixiada e agoniada com tanta escola fictícia, postiça e travestida…
Não se adivinhando alterações significativas nesse estado de coisas, o que restará?
Continuar a aceitar exigências, e mais exigências, em cima de exigências?
Seremos todos “cavalos a abater”, putativos descartáveis, facilmente substituíveis?
Este tema não será propriamente o mais agradável, de resto, já o aflorei noutras ocasiões, mas no início de um novo Ano Lectivo, talvez não faça mal a ninguém reflectir um pouco sobre a desumanidade e o desrespeito pela dignidade em vida,que vão grassando um pouco por aí…
Até porque de nada adianta fazer de conta que o Mundo é fantástico, maravilhoso e cheio de esperança, sobretudo quando a realidade observada nega cabalmente essa ilusão…
E, sim, sabemos bem que negar as evidências provindas da realidade também é uma forma de apelar ao conformismo e à aceitação de muitas desumanas ignomínias…
Paula Dias
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Set 15 2026
Listas publicitadas a 15 de setembro de 2026.
A aceitação da colocação deverá ser efetuada através da aplicação SIGRHE nos dois primeiros dias úteis seguintes à publicitação da lista de colocação.
A apresentação na escola deve ocorrer até ao terceiro dia útil seguinte à data da publicitação da colocação.
SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato
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Set 14 2026
Depois do processo de matrículas concluído verificou-se de imediato que havia alunos dentro da escolaridade obrigatória dados como sem colocação.
Antes da restruturação do MECI existiam equipas nas direções regionais que a bem ou a mal conseguiam colocações administrativas dos alunos sem colocação, ainda durante o mês de julho. Agora por incapacidade de quem gere a AGSE nada disto foi feito e foi tudo empurrado para o arranque do ano letivo.
Mas este é um problema estrutural que não se consegue mudar se não houver intrelocutores com as escolas.
Mas também existem Incapacidades Técnicas nesta processo.
Se no ano passado havia quem nas direções regionais pudesse mudar as opções de matrícula dos alunos, agora nada disso existe, São 5 escolas e ponto final. Se no ano passado havia que pudesse abrir a matrícula dos alunos para colocar novas opções de matrícula agora não existe quem faça isso.
E mais, se um aluno está sem colocação no Portal das Matrículas e esse aluno não colocou a escola onde estudou no ano passado, essa vaga deve manter-se do aluno até conseguir vaga numa das suas 5 opções. Mas não havendo lugar para este aluno nas suas 5 opções a Plataforma das Matrículas vai continuar a dizer que o aluno está sem colocação, quando não está.
Da AGSE colocaram-me administrativamente alunos nestas condições e pedem-me para dar vaga ao aluno no Portal das Matrículas, contudo não vou fazer isso, porque não tenho como opção colocar o aluno na escola onde ele está porque não escolheu essa escola nas suas opções e nas que escolheu não tenho qualquer vaga.
E quantos alunos estão colocados, mas por INCAPACIDADE da AGSE que não consegue fazer o raio de uma plataforma em condições, estão dados como não colocados? Não gastaram milhões em plataformas?
Até eu era capaz de fazer uma coisinha (plataforma) melhor sem tanta despesa.
O Melhor é o MECI falar com quem sabe resolver estes problemas em vez de andar a enterrar-se a cada dia que passa com gente INCAPAZ.
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Set 14 2026
“Mais de dois mil professores meteram baixa médica apenas na última semana. A informação foi confirmada pelo ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, coincidindo com o arranque do ano letivo 2026/2027”,
Dois mil são menos de 2%. É assim todos os anos, por isso já devia estar acautelado.
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Set 14 2026
Até ao ano letivo passado, quem fazia colocação administrativa de alunos eram as Dgeste regionais. Não tendo sido delegadas funções nos diretores, será a AGSE?
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Set 13 2026
… e a plataforam SIGHRE para se pedir um horário está sempre a encravar. Então para associar as turmas a um horário pedido é preciso ter dois separadores abertos e fazer refresh ao segundo separador porque o primeiro separador fica sempre a moer e não sai do sítio.


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Set 12 2026
Os últimos Ministros da Educação, incluindo o actual, muito propensos a certas “inovações”, acabaram por induzir a ocorrência de vários desastres na Escola Pública, entre eles, os seguintes:
– A “inovação” da “escola a tempo inteiro” correu mal, veja-se como as escolas públicas se transformaram em depósitos de crianças, permitindo que muitas delas possam ficar confinadas, enclausuradas, num espaço escolar durante sete, oito, nove ou, até mesmo, dez horas por dia; massacradas diariamente com o cumprimento de insanos e abomináveis horários, que muitos adultos provavelmente não suportariam… Ao mesmo tempo, também contribuiu, sobremaneira, para a desresponsabilização das famílias, levando-as a desonerar-se de muitas das suas atribuições parentais, específicas e intransmissíveis;
– A “inovação” do sucesso escolar por decreto, traduzida muitas vezes por “passagens administrativas” e pelo abaixamento das exigências ao nível dos conhecimentos dos alunos, mascarada de “inclusão”, correu mal, vejam-se os resultados calamitosos do Estudo PISA 2025 relativos a Portugal;
– A “inovação” da classificação digital dos Exames Nacionais correu mal, veja-se o indesmentível caos gerado por esse processo e todos os prejuízos causados a muitos alunos, mas também a alguns professores, que inclusive obrigaram à realização de uma 3ª Fase de Exames Nacionais no mês de Setembro…
Como se não bastassem as “inovações” anteriores, cujos resultados se revelaram como desastrosos, o Ministro Fernando Alexandre, fazendo concorrência aos seus antecessores, pretenderá, agora, implementar mais uma “inovação”:
– Avançar, no Ano Lectivo 2027/28, com um projecto-piloto para fundir o 1.º e o 2.º Ciclos do Ensino Básico…
Além das muitas dúvidas e reservas que se poderão erigir quanto à operacionalização prática dessa pretensa fusão, outras, impossíveis de ignorar, se colocarão, desde logo a seguinte e, porventura, a mais importante:
– Que benefícios concretos se esperam obter para os alunos, com essa medida?
Se um dos principais objectivos dessa pretensa fusão for a redução da carga lectiva dos Professores do 1.º Ciclo, como foi alegado pelo Ministro, dir-se-á que para isso não seria necessário operar qualquer fusão entre o 1.º e o 2.º Ciclos do Ensino Básico… Para que tal se concretizasse, bastaria que o titular da Pasta da Educação decretasse tal medida, uma vez que é detentor dessa prerrogativa…
Mas não… Em vez de, simplesmente, decretar a redução da carga lectiva dos Professores do 1.º Ciclo, o Ministro optou por colocar essa medida na dependência da fusão entre o 1.º e o 2.º Ciclos do Ensino Básico, parecendo pretender a ocultação de outros objectivos, talvez estes:
– Ao mesmo tempo que tenta seduzir os professores do 1.º Ciclo, acenando-lhes com a redução da respectiva carga lectiva, pretenderá disfarçar, por essa via, os resultados calamitosos obtidos no Estudo PISA 2025, mudando o foco da discussão no momento actual… Por outras palavras, atira-se com uma novidade aparentemente (friso, aparentemente) boa para parte significativa da Classe Docente e, com isso, espera-se que não se fale mais na notícia má, proveniente dos resultados do Estudo PISA 2025;
– Conseguir, por via da fusão entre os dois Ciclos referidos, mascarar as actuais, e acentuadas, dificuldades de recrutamento de Professores do 1º Ciclo, talvez distribuindo e diluindo as respectivas competências e atribuições pelos Professores do 2.º Ciclo…
Como se desconhecem os contornos práticos desta pretensão do Ministro, teremos que aguardar pelos resultados do anunciado projecto-piloto, ainda que, e como sabemos, as conclusões de experiências/testes desse género possam ser enviesadas e adulteradas, no sentido de tenderem a confirmar “à força” aquilo que a Tutela pretenda implementar a partir das mesmas…
Não sabemos como virá a ser, mas sabemos que, em Janeiro deste ano, o Ministro Fernando Alexandre já havia confirmado o desígnio de proceder à “integração do 1.º e 2.º Ciclos do Ensino Básico num único ciclo de estudos de seis anos”, alegando, entre outros, nessa altura, que “esta é a organização mais comum nos sistemas educativos da Europa…” (Jornal Expresso, em 20 de Janeiro de 2026)…
Aparentemente, o Ministro esqueceu-se de especificar que a pretendida fusão desses dois Ciclos do Ensino Básico implicará o envio ao Parlamento das devidas alterações à Lei de Bases do Sistema Educativo e que as mesmas serão naturalmente sujeitas a votação…
Esqueceu-se, também, o Ministro, que na maior parte dos “sistemas educativos da Europa”, tidos por si como exemplos a seguir, regra geral, as escolas públicas não funcionam em modo de “pobreza franciscana”, com condições físicas deploráveis, como por cá acontece… E este será apenas um exemplo das diferenças gritantes existentes entre as escolas públicas portuguesas e as de outros “sistemas educativos da Europa”…
Teremos, portanto, mais uma “inovação” à vista, expectavelmente com muitas variáveis que poderão correr mal e culminar em novas e monumentais trapalhadas, sem que os problemas mais básicos e elementares das escolas públicas portuguesas estejam resolvidos, mesmo sabendo que tais constrangimentos costumam influenciar negativamente o desempenho de alunos e de professores:
– O que importa se as salas de aula têm tectos e paredes corroídos por bolor, consequência de recorrentes e “seculares” infiltrações pluviais?
– O que importa se os estores e as janelas das salas de aula não funcionam?
– O que importa se dentro das salas de aula se registam 40ºC nos meses estivais e -2ºC nos de Inverno?
– O que importa se nas escolas não existem computadores em número suficiente para alunos e professores e a funcionar plenamente ou se a rede de internet não se encontra devidamente capacitada para fazer face às necessidades de utilização de todos os utentes, sem “solavancos” ou “apagões” frequentes?
– O que importa se as escolas estão apetrechadas com quadros eléctricos que colapsam à mais pequena “sobrecarga” ou se foram instalados à medida de edifícios decrépitos e disfuncionais?
– O que importa se as casas de banho e os refeitórios (quando os há) apresentam condições adequadas e dignas de higiene?
Nada disso importa… Por cá, o essencial e o mais básico continuam por fazer há anos, parecendo que o esforço é sempre no sentido de omitir a existência desse tipo de problemas, à medida que se vão elegendo outros assuntos como primordiais, com o objectivo de dispersar e iludir as atenções…
Claro está que muitas das ilustres figuras que integram o Ministério da Educação não farão a menor ideia das carências materiais existentes em grande parte das escolas públicas portuguesas, nem de como isso afecta quem aí trabalha ou estuda…
Antes de se inventarem “inovações”, resolvam-se os problemas mais óbvios e prementes, altamente perniciosos… Fazer isso é que seria uma grande inovação, com um valor, certamente, reconhecido por todos…
À semelhança dos seus antecessores, o actual Ministério da Educação parece ignorar a importância da satisfação das necessidades mais básicas e elementares, defendida por Abraham Maslow…
Muito dificilmente se conseguirá aprender com a “barriga vazia” ou, se se preferir, sem a satisfação das necessidades mais básicas… Face a isso, tudo o resto é folclore e demagogia…
O estabelecimento de certas prioridades diz tudo sobre os Governantes:
– Quando se privilegiam os artifícios e os malabarismos, em detrimento de se providenciar o mais básico, mas imprescindível, para um bom funcionamento das escolas públicas, escolhem-se e valorizam-se os “holofotes”, as encenações e as “fotografias bem enquadradas”, em vez das pessoas…
O bem-estar das pessoas pode esperar, mas não as exigências que lhes são sistematicamente remetidas, ignorando se existem as condições necessárias e adequadas para as poder cumprir…
Deixo aqui um tópico que algumas vezes utilizo quando se justifica chamar à razão certos grupos de jovens e que, metaforicamente, talvez também possa resumir o principal lema do presente texto:
– Quem limpa e arruma o próprio quarto? Antes de pretenderem salvar a Humanidade, experimentem primeiro limpar e arrumar o vosso quarto!
Paula Dias
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Set 12 2026
Durante anos ouvimos falar deles.
Dos ingleses.
Dos alunos ingleses, quero dizer.
Como se fossem uma espécie particular de adolescente produzido pela geografia para testar a paciência dos professores: indisciplinados, mal-educados, agressivos, incapazes de permanecer sentados cinco minutos sem transformar uma sala de aula numa pequena guerra civil, criaturas indomáveis a chegar à escola (isto quando vão à escola) de telemóvel na mão, auscultadores nos ouvidos e nenhuma intenção de aprender.
Selvagens, ou quase, filhos de um sistema permissivo, de professores sem autoridade e de escolas onde ninguém consegue mandar verdadeiramente em ninguém.
E, no entanto, há qualquer coisa de profundamente desconcertante quando se olha para os recentes resultados do PISA.
Porque aqueles selvagens, aqueles adolescentes supostamente impossíveis, aqueles alunos na boca de tantos como exemplo de tudo quanto a escola não deve ser, estão entre os dez melhores do mundo.
Sim, entre os dez melhores do mundo e não, não é uma realidade paralela.
Sou português, ensino em Inglaterra e esta posição tem qualquer coisa de esquizoide ao obrigar a olhar para dois lugares ao mesmo tempo.
Trago comigo a escola portuguesa: os corredores, o ruído das salas, os professores extenuados, as reuniões, os programas em mudança constante, para não dizer rotativa, mais as reformas anunciadas como se trouxessem dentro delas a salvação para desaparecerem logo de seguida com a discrição de quem nunca chegou a ser.
E sim, encontro aqui muitos dos mesmos problemas.
Alunos constantemente atrasados à escola, atrasados às aulas, atrasados para esta vida nem por isso sua, para de imediato e ainda à porta da sala perguntarem se podem ir à casa de banho enquanto olham para o relógio como se o relógio estivesse em dívida para consigo.
E de outro modo não poderia ser quando se passa a noite de volta da PlayStation, do TikTok e do Snap em telemóveis topo de gama mais o ChatGPT para lhes dizer tudo quanto deveriam aprender.
Não são génios, são adolescentes em tudo distantes de Shakespeare ou de uma epifania sobre a fotossíntese depois de resolverem uma equação quadrática.
São miúdos. Alguns maravilhosos, outros difíceis, muitos indiferentes, outros tantos perdidos.
Alguns são capazes de nos surpreender numa Terça-feira às dez e vinte da manhã só para fazer perder a cabeça de quem vos escreve às dez e vinte e cinco.
Juntemos a isto professores sobrecarregados, falta de recursos, desigualdade social, pobreza, absentismo e não temos apenas crianças a entrar numa sala, mas vidas incapazes de caber numa ficha de matemática, vidas sem saber como fugir quando se pede mais pensamento crítico, e crítico é o fim do dia de quem não quer voltar a casa.
E talvez esta seja precisamente a questão.
Como consegue uma escola obter resultados tão bons com alunos nem por isso diferentes dos alunos portugueses?
Comecemos pela insistência institucional de como uma escola deve ensinar entre literacia, numeracia, história, factos, regras e conceitos.
Sem medo.
Foi essa uma das mudanças associadas aos governos de David Cameron e, particularmente, a Michael Gove e Nick Gibb: maior peso curricular, maior exigência académica, reforço das disciplinas fundamentais, maior importância dos exames do final do Ensino Secundário (GCSEs), numa cultura de avaliação e responsabilização.
Não foi uma revolução, foi uma mudança de direcção.
E as direcções, quando mantidas durante tempo suficiente, chegam sempre ao sítio aonde as esperam.
A Inglaterra deu maior importância ao inglês, à matemática, às ciências, à história, à geografia, às línguas.
Reduziu em muitos GCSEs a importância do trabalho ao longo do ano e devolveu aos exames uma parte do seu peso.
E sim, é possível criticar isto tudo.
Eu próprio não posso estar plenamente de acordo se a escola olha para os alunos como percentagens e tabelas.
Uma criança não é um dezassete, muito menos um quatorze e nunca um oito.
Não obstante, olhemos para a cultura e deixemos os rankings de lado.
Isto porque em Inglaterra ouço muitas vezes uma pergunta:
“What does the evidence say?“
O que dizem os factos?
Não o que penso.
Não aquilo que sempre fizemos.
O que dizem os resultados?
O que é que funcionou?
Com quem?
Em que circunstâncias?
Durante quanto tempo?
É uma pergunta irritante.
Ainda bem.
Porque a didáctica educativa precisa, de vez em quando, de um confronto com a realidade.
Portugal tem professores extraordinários. Conheci professores portugueses capazes de ensinar uma turma inteira com quase nada, capazes de inventar materiais, ficar depois da aula, depois do dia, depois da noite, sempre disponíveis para os pais enquanto corrigem trabalhos e exames ao fim-de-semana, durante as férias, e tudo isto para poderem chegar à escola na Segunda-feira na certeza de não faltar absolutamente nada.
Mas um sistema educativo não pode depender eternamente do heroísmo.
Não podemos construir uma escola como quem constrói um barco e depois esperar ser o professor simultaneamente o motor, o leme e o salva-vidas.
E os números portugueses estão aí: em 2025, os resultados em matemática, leitura e ciências regressaram aos níveis de 2006.
Isto não é uma estatística, são salas de aulas com crianças incapazes de compreender um problema ou perceber quanto está escrito enquanto chegam ao Secundário sem conhecimentos de base.
E por isso talvez a pergunta esteja mal formulada.
Em vez de perguntarmos a razão para a queda de Portugal, talvez devêssemos perguntar qual a razão para Inglaterra não cair da mesma maneira?
A diferença é pequena na frase, mas enorme na consequência.
Porque por terras de Sua Majestade uma reforma pode ser discutida, combatida, aplicada, avaliada.
Depois o governo muda, algumas coisas mudam, é inevitável, mas nem tudo começa outra vez.
Os ideais permanecem: avaliação, exigência, responsabilização, expectativa.
Sim, expectativa.
Porque a questão nunca é “Será que ele consegue?”, mas antes “Como é que o vamos levar até lá?”.
E a expectativa muda o professor.
Muda a aula.
Muda o aluno.
E, ao fim de dez anos, talvez mude um sistema inteiro.
Temos também cada vez menos certezas sobre a tecnologia. Se um computador pode ser uma ferramenta extraordinária, também pode ser uma maneira extraordinariamente eficiente de não aprender nada. A inteligência artificial pode explicar uma matéria a um aluno, mas também pode substituir o pensamento e fazer o trabalho inteiro por ele.
E aqui regressamos ao professor. Aquele professor a quem durante anos disseram não mais ser necessário neste advento tecnológico.
Talvez estejamos finalmente a descobrir o contrário e quanto mais ferramentas temos, mais precisamos de alguém para dizer: fecha o computador, fecha os olhos, imagina, sonha, descreve, realiza.
Um bom professor é, entre outras coisas, um porteiro: sabe quem entra e quem não entra, sabe quando facilitar e quando desafiar. Sabe reconhecer a diferença entre o aprender e o papaguear.
Portugal tem bons professores. A questão é saber se o sistema deixa ensinar.
E depois existe o tempo, o envelhecimento, a falta de professores, a dificuldade na formação e recrutamento.
O cansaço, invisível nas estatísticas lusas.
E é talvez aqui onde a comparação é mais desconfortável.
Porque a escola inglesa, durante tantos anos descrita como permissiva, caótica, povoada por adolescentes impossíveis e professores sem autoridade, conseguiu resultados em tudo contrários à sua história e reputação.
Ou seja, os selvagens aprenderam, e tudo porque alguém insistiu em ensiná-los. Porque alguém decidiu ser a criança capaz apesar de difícil num sistema onde desistir não é opção.
Portugal não precisa, nem deve, ser Inglaterra. E se por um lado não é preciso importar uma escola, por outro para quando o dia onde sejamos capazes de olhar para os outros sem este complexo de inferioridade?
Porque uma criança não se preocupa com o resultado das eleições ou com a mudança de ministro.
Uma criança não deixa de dormir porque o currículo foi reformulado. A criança, a nossa criança, chega à aula, senta-se (se tivermos sorte), e espera (cinco, quatro, três…) para alguém lhe ensinar qualquer coisa no mesmo espaço de tempo deste TikTok.
Agora a sério, não existem crianças inglesas naturalmente melhores, assim como não existem crianças portuguesas condenadas ao fracasso. Existem sistemas, decisões e, sobretudo, tempo. A capacidade de uma escola repetir durante anos, sem se envergonhar da repetição.
Porque quando fechamos a porta da sala de aula, já não temos nem Inglaterra nem Portugal. Temos uma criança diante de nós, e ela não trouxe consigo a culpa de nenhum ministro.
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Set 11 2026
Chegou setembro. E, com o início das aulas, há uma tradição nacional que se cumpre com uma pontualidade quase pedagógica: os monstros saem do armário.
Não são propriamente monstros novos. Alguns conhecemo-los há décadas. Têm discursos antigos, soluções recicladas e uma extraordinária capacidade para reaparecer, ano após ano, sempre que se ouve a palavra “educação”.
Estavam aparentemente adormecidos. Mas bastou tocar o primeiro toque de entrada para voltarem à televisão, aos jornais, às redes sociais e às páginas de opinião.
De repente, todos têm uma receita para a escola.
Uns descobrem que os professores precisam de recuperar a autoridade. Outros explicam que os alunos já não respeitam ninguém. Há quem conclua que o problema está nos telemóveis, quem responsabilize as famílias, quem suspire pelos tempos em que “na nossa época era diferente” e quem proponha, com ar solene, soluções que já foram experimentadas, discutidas, reformuladas e, muitas vezes, abandonadas há vinte ou trinta anos.
E há ainda os especialistas instantâneos em educação: aqueles que, durante onze meses do ano, pouco ou nada dizem sobre escolas, professores ou alunos e que, precisamente quando começa o ano letivo, reaparecem com certezas absolutas.
É curioso.
A educação parece ser uma das poucas áreas da sociedade em que a experiência profissional de milhares de pessoas pode ser facilmente substituída pela opinião de quem observa a escola de fora.
Não faltam discursos sobre “a escola que devia existir”. Faltam, muitas vezes, discursos sobre a escola que existe.
Uma escola com alunos diferentes, famílias diferentes, desafios sociais diferentes, professores cansados mas persistentes, diretores esmagados por burocracias, assistentes que asseguram diariamente aquilo que raramente aparece nas estatísticas e comunidades educativas que, apesar de tudo, continuam a fazer a escola acontecer.
Por isso, talvez setembro devesse ser menos o mês do regresso dos monstros e mais o mês de ouvir quem está dentro do armário.
Ouvir professores.
Ouvir alunos.
Ouvir assistentes.
Ouvir famílias.
Ouvir quem todos os dias abre a porta da escola, recebe os alunos, resolve problemas, ensina, aprende, improvisa e tenta construir respostas para desafios que não cabem em frases feitas.
Porque a educação não precisa de fantasmas do passado disfarçados de visionários.
Precisa de memória, conhecimento, coragem para mudar e humildade para reconhecer que a escola de hoje não é a escola de ontem.
Os monstros podem sair do armário.
Podem até continuar a falar.
Mas talvez esteja na hora de deixarmos de lhes entregar o microfone.
Bom ano letivo. E que, este ano, a escola seja finalmente ouvida por quem verdadeiramente a conhece.
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Set 11 2026

Encontra-se disponível a aplicação informática que permite às escolas procederem à submissão de contratos e aditamentos.
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Set 10 2026
A AGSE informa que foram publicadas as listas da 3.ª Reserva de Recrutamento, estando disponíveis as listas aqui.
A próxima Reserva de Recrutamento será publicada na terça-feira, dia 15 de setembro.
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Set 10 2026
Recebemos hoje uma carta do senhor ministro da Educação dirigida aos professores. Li-a. com atenção.
Fala-nos de valorização, de uma carreira mais justa, de simplificação administrativa e da necessidade de melhorar a qualidade dos serviços prestados às escolas, aos professores e a toda a comunidade educativa.
São boas intenções e, naturalmente, todos desejamos que se concretizem.
Mas não consegui deixar de pensar numa pergunta muito simples,
quando é que essa qualidade começa?
É que, para muitos professores, o problema não está apenas naquilo que é anunciado. Está naquilo que acontece quando, perante um problema concreto, tentamos obter uma resposta da Administração Educativa.
Hoje, praticamente tudo passa por um email.
O atendimento presencial desapareceu e somos encaminhados para caixas de correio eletrónico onde colocamos as nossas dúvidas, pedidos de esclarecimento, exposições ou reclamações.
E depois esperamos, semanas, meses e, por vezes, quase um ano. Em alguns casos, a resposta nunca chega.
Mas existe ainda uma situação talvez mais frustrante. Quando finalmente chega uma resposta, percebemos que não responde verdadeiramente à questão colocada.
Perguntamos A e respondem B.
Voltamos a explicar, voltamos a escrever e continuamos sem saber o que fazer.
Isto torna-se particularmente preocupante quando estamos perante organismos que deveriam precisamente ajudar a esclarecer e a garantir o cumprimento das regras do sistema educativo.
A IGEC é, para muitos professores, o recurso a que recorrem quando sentem que uma situação não foi devidamente resolvida na escola ou pela Administração.
Mas o que acontece quando também aí a resposta tarda meses, ou simplesmente não chega?
Ficamos à espera.
Só que os problemas não ficam à espera, os processos continuam, as decisões são tomadas, os prazos correm,as carreiras avançam e o professor continua sem saber qual é a posição da entidade a quem pediu esclarecimento.
É uma situação que gera uma enorme sensação de impotência.
Começo a ter a sensação de que este problema não se limita aos serviços centrais do Ministério.
Está a alastrar,
chega às estruturas intermédias e às escolas.
Há professores que fazem requerimentos, apresentam exposições, solicitam documentos ou colocam questões e ficam simplesmente à espera de uma resposta. Uma resposta que, por vezes, nunca chega.
Não quero generalizar. Há, certamente, muitos profissionais que fazem o seu trabalho com enorme competência, dedicação e sentido de serviço público.
Mas não podemos ignorar que existe um problema quando a ausência de resposta começa a tornar-se uma prática demasiado frequente.
E há aqui uma contradição que me parece particularmente difícil de aceitar. Aos professores exige-se rigor e cumprimento de prazos. Exigem-se procedimentos, justificações e, ainda,
que conheçam a legislação e cumpram escrupulosamente aquilo que lhes é determinado.
O Estado deve funcionar com regras, mas elas
devem funcionar para todos.
Quando um professor escreve a uma entidade pública, não está a pedir um favor, está a exercer um direito.
Não está necessariamente à espera de uma resposta que lhe seja favorável. Uma resposta negativa, desde que fundamentada, é uma resposta. Dizer que determinado assunto não é da competência daquele serviço é uma resposta. Indicar qual é a entidade competente é uma resposta. Explicar o procedimento adequado é uma resposta.
O silêncio não é uma resposta e uma resposta que não responde ao que foi perguntado também não o é, definitivamente.
Hoje, na carta enviada aos professores, fala-se em modernizar o Ministério, simplificar processos e reduzir a burocracia. Espero sinceramente que assim seja. Mas talvez devêssemos começar por uma reforma muito simples, que não exige nenhuma plataforma digital sofisticada, tal como:
responder aos professores;
responder em tempo útil;
responder com clareza;
responder ao que foi perguntado…
Porque por detrás de cada email existe uma pessoa, um problema concreto.
Quando essa pessoa escreve e ninguém responde, não está apenas a falhar um procedimento administrativo. Está a criar-se uma sensação de abandono.
E muitos professores já se sentem assim: entregues à sua sorte perante um sistema que parece demasiado grande para ouvir e demasiado lento para responder.
A carta de hoje termina com uma mensagem de proximidade e com a vontade de fazer este caminho “consigo”, dirigindo-se ao professor.
Eu também gostava, mas para isso acontecer é indispensável que, quando um professor pergunta, alguém esteja do outro lado para responder.
Porque a verdadeira valorização dos professores não passa, apenas, pelas lindas palavras que lhes são dirigidas…
José Pereira da Silva
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Set 10 2026
Ver uma oferta de escola, pelo menos no grupo 410, com informação coerente é quase uma miragem. A escola quer contratar um docente, e com a urgência associada à contratação de escola, mas depois não disponibiliza a informação necessária para os docentes decidirem se se candidatam? Como pode o processo ser expedito e eficaz se a informação da oferta não está correcta ou completa?
O problema mais comum que encontro está relacionado ou com a indicação incompleta, ou mesmo incorrecta, do tipo de componente lectiva. Por exemplo, indica-se apenas 20 horas em “Componente letiva grupo/turma da Educação Pré-Escolar e dos Ensinos Básico e Secundário Geral”, mas dessas 20 horas algumas são de tipo diferente, como, digamos, em ensino profissional, apoios, cargos, etc.
Outro exemplo comum, que se sobrepõe parcialmente com o anterior, é a oferta não conter a informação completa da disciplina/projecto em questão. Sendo docente do grupo 410, além de filosofia, posso leccionar, por um acto de magia administrativa, psicologia, sociologia e outras coisas mais para as quais não tenho competência científica. Ora, como eu não quero fingir que sei ensinar psicologia, sociologia, etc., apenas me interessam as ofertas de escola para ensinar filosofia. Acontece que, por vezes, a oferta menciona apenas “Filosofia”, mas, depois de confirmar com a escola, afinal o horário também inclui psicologia, sociologia, etc. (confirmação essa que já algumas vezes aconteceu posteriormente à minha selecção).
Também é comum reparar que a oferta de escola tem turmas associadas mas o número de turmas não corresponde ao número de horas lectivas. Quando isto acontece, é razoável que um docente tenha dúvidas se é o número de horas lectivas que está incorrecto ou se, em vez disso, falta indicar algumas turmas e/ou outras responsabilidades, como o cargo de direcção de turma, por exemplo.
Um problema menos comum, e que me parece incrivelmente fácil de evitar através da programação do próprio SIGRHE, é aparecer uma oferta com disciplina que não corresponde ao grupo de recrutamento. Este ano já vi a disciplina “Francês” numa oferta do grupo 410. Afinal, de que docente precisa esta escola? Será de filosofia, de francês ou de outra coisa qualquer? Não seria melhor se o campo de preenchimento das disciplinas tivesse um menu apenas com as opções que correspondem ao grupo de recrutamento? Seria difícil que a plataforma funcionasse assim?
Por fim, a mancha horária. Se a plataforma não obriga a preencher horas específicas, por que raio por vezes consta lá um horário que não corresponde à realidade? Se o horário não está decidido, não compreendo por que razão não se coloca apenas “em elaboração”, evitando-se assim
as chatices com candidaturas desnecessárias.
Talvez se pense que estou a ser demasiado exigente e que estas questões têm uma solução simples. “Ligas para a escola e esclarecem-te as dúvidas” – dirão alguns. Seria, de facto, uma solução, se fosse fácil conseguir falar com alguém da direcção, especialmente no início do ano lectivo. “O director está em reunião. Ligue a partir das 14h.” “A directora saiu. Ligue mais tarde.” É isto multiplicado por umas quantas vezes por dia e ainda com algumas tentativas de esclarecimento presencial.
Contudo, não posso negar que, por vezes, consigo o dito esclarecimento. Este ano já vi uma oferta com um horário de 22h, mas no qual estavam associadas 8 turmas. Ora, 8 vezes 3h semanais são 24h. Alguma coisa tinha de estar mal ou em falta. Lá consegui falar com a direcção, que me confirmou que são mesmo as 8 turmas e que só não colocou 24h porque o sistema não permite. Porém, o sistema tem um campo livre para colocar observações. Bastariam cinco segundos para lá inserir algo como “horário completo mais 2h extraordinárias”. O SIGRHE tem lá os campos todos para preencher. O que está a falhar? Além disso, as páginas das escolas também podem (e por por lei devem!) publicitar as ofertas com a informação correcta e completa. Por conseguinte, não deveria ser necessário qualquer contacto directo com as escolas para os docentes decidirem se se candidatam ou não.
Estas falhas, que parecem fáceis de evitar, dão origem a tempo e recursos perdidos, assim como a atrasos na colocação de docentes. Se um docente não tem a informação correcta ou completa da oferta, é provável que depois a colocação não o satisfaça. Nesses casos, com a informação devida, nem sequer se candidataria. Ademais, é injusto que um docente seja penalizado por não aceitar uma oferta que estava incorrectamente anunciada ou que, para evitar penalização, tenha de a aceitar para depois denunciar o contrato. Enquanto esperamos para ver se as ofertas de escola serão ou não extintas, entretanto seria apenas razoável e responsável que os(as) directores(as) se certificassem da correcção e completude da informação das ofertas de escola colocadas no SIGRHE.
Ricardo Miguel
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Set 10 2026
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Set 10 2026
A reestruturação e fusão do 1.º e 2.º ciclos do ensino básico é um tema que está no programa do Governo e que é debatido há muito. Quando é que avança?
Gostávamos muito de ter projectos-piloto no próximo ano lectivo, em 2027/28. Temos um calendário, é o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação que está com esse trabalho. Temos de fechar [a revisão] das aprendizagens essenciais, temos de olhar para a matriz curricular. E, idealmente, ter projectos piloto com a junção do 1.º e 2.º ciclos, que me parece que é o que faz mais sentido.
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Set 09 2026
Porque dizem que uma boa imagem vale mais que umas centenas de palavras.

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Set 09 2026
Há uma frase que devia estar escrita à entrada de todas as escolas, de todas as salas de professores e, sobretudo, à porta de todos os gabinetes onde se desenham políticas educativas: quem não lê, tem que se acreditar em tudo o que lhe dizem.
E talvez seja esta a grande questão que os resultados do PISA nos deviam obrigar a discutir. Portugal obteve, no PISA 2022, 477 pontos em literacia de leitura, exatamente a média da OCDE, mas perdeu cerca de 15 pontos relativamente a 2018. Em matemática a queda foi ainda mais expressiva e, em ciências, também houve retrocesso. A pandemia explica uma parte da história, mas seria demasiado cómodo atribuir-lhe o livro inteiro.
O problema é que, quando aparecem resultados menos simpáticos, há sempre uma explicação disponível. Se os resultados descem, é a pandemia. Se os alunos não leem, é a falta de hábitos familiares. Se escrevem mal, é o telemóvel. Se não sabem matemática, é a ansiedade. Se não há professores, é a falta de candidatos. Se há indisciplina, são as famílias. E se nada disto explicar completamente o problema, haverá certamente mais um estudo, mais um grupo de trabalho ou mais uma comissão para descobrir aquilo que já todos sabemos.
Talvez seja então altura de olhar para a escola que fomos construindo durante os últimos dez anos e fazer uma pergunta simples: afinal, o que andámos a fazer?
Mudámos currículos, programas, aprendizagens, modelos de avaliação, conceitos, nomenclaturas e formas de organização. Criámos o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, as Aprendizagens Essenciais, a flexibilidade curricular, os Domínios de Autonomia Curricular, a Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania e uma coleção cada vez mais impressionante de documentos, referenciais, planos, estratégias, instrumentos e orientações. Tudo isto acompanhado pela inevitável proliferação de siglas, porque uma reforma educativa parece sempre mais moderna quando vem acompanhada de três ou quatro letras maiúsculas.
O Decreto-Lei n.º 55/2018 veio consagrar uma nova organização curricular, assente na flexibilidade e na autonomia. O Decreto-Lei n.º 54/2018 alterou profundamente o paradigma da educação inclusiva. Foram medidas com intenções que ninguém de bom senso pode simplesmente rejeitar. O problema não está necessariamente nas intenções. Está na forma como muitas vezes se transformaram boas intenções em dogmas e instrumentos em objetivos.
A flexibilidade curricular passou, em muitos casos, de ferramenta a finalidade. A interdisciplinaridade tornou-se quase uma religião. O projeto passou a valer mais do que aquilo que o projeto deveria ensinar. A competência começou a aparecer por todo o lado, como se fosse possível desenvolver competências sem uma sólida base de conhecimentos. E, no meio desta revolução terminológica, alguém se esqueceu de uma pequena banalidade: para pensar é preciso saber alguma coisa.
É que ninguém consegue ser crítico sobre aquilo que não conhece. Ninguém consegue resolver um problema que não compreende. Ninguém consegue interpretar um texto que não entende. E ninguém consegue distinguir uma informação verdadeira de uma mentira bem embrulhada se não tiver conhecimentos suficientes para desconfiar dela.
É por isso que a leitura é provavelmente o problema mais sério que temos pela frente. Não apenas porque os alunos leem menos, mas porque uma sociedade de cidadãos que não compreendem aquilo que leem é uma sociedade particularmente vulnerável à manipulação.
Um aluno que não domina a leitura não tem apenas dificuldades a Português. Tem dificuldades em História, em Geografia, em Ciências, em Matemática, em Filosofia e em todas as disciplinas onde seja necessário compreender uma pergunta, interpretar informação, estabelecer relações ou construir uma resposta. E tem, sobretudo, dificuldades em compreender o mundo.
Podemos ensinar-lhe a fazer uma apresentação digital. Podemos colocá-lo a trabalhar em grupo. Podemos pedir-lhe que desenvolva um projeto interdisciplinar. Podemos avaliar competências, atitudes, participação e colaboração. Podemos enchê-lo de atividades motivadoras. Mas se lhe dermos um texto de duas páginas, com alguma complexidade, e lhe perguntarmos o que o autor realmente quis dizer, aí descobrimos rapidamente onde está o problema.
Porque ler não é passar os olhos pelas palavras. Ler é compreender, relacionar, inferir, questionar, desconfiar e interpretar. E isso não se aprende por osmose nem porque aparece escrito numa Aprendizagem Essencial. Aprende-se lendo.
Lendo muito. Lendo todos os dias. Lendo textos longos. Lendo textos difíceis. Lendo livros inteiros. Lendo literatura. Lendo jornais. Lendo ciência. Lendo história. Lendo opiniões com que não concordamos. Lendo aquilo que nos obriga a parar e pensar.
Mas nós conseguimos transformar até a leitura numa atividade burocrática. Lê-se um excerto, responde-se a umas perguntas, assinala-se uma competência e passa-se à atividade seguinte. Depois produz-se um cartaz sobre a importância da leitura. E todos ficam muito satisfeitos porque se falou da leitura sem que ninguém tenha tido de ler grande coisa.
Talvez estejamos a pagar a fatura de uma década em que confundimos demasiadas vezes aprendizagem com atividade. Um aluno ocupado não é necessariamente um aluno que aprende. Uma aula dinâmica não é necessariamente uma boa aula. Um projeto interessante não é necessariamente conhecimento. Uma competência escrita numa grelha não significa que ela exista na cabeça do aluno.
E há outra questão que merece ser dita sem medo: aprender também pode ser difícil.
Ler um livro difícil é difícil. Escrever bem é difícil. Memorizar é difícil. Resolver problemas é difícil. Estar concentrado durante quarenta minutos é difícil. Compreender um texto complexo é difícil. E a escola não pode ter como missão tornar tudo fácil, divertido e imediatamente apelativo. A sua missão é preparar os alunos para um mundo que, infelizmente, não vem com um botão de “simplificar”.
Talvez tenhamos medo de exigir demasiado. Talvez tenhamos confundido inclusão com facilitação. Talvez tenhamos confundido diferenciação com redução da exigência. Talvez tenhamos confundido motivação com entretenimento. Talvez tenhamos confundido autonomia com ausência de orientação. E talvez, no meio de tanta preocupação em tornar a escola mais agradável, tenhamos esquecido que a escola tem também de tornar os alunos mais capazes.
E aqui chegamos aos responsáveis. Seria demasiado fácil apontar o dedo aos professores. Seria também profundamente injusto. Os professores trabalham dentro do sistema que lhes foi entregue. São eles que todos os dias tentam ensinar enquanto cumprem currículos, normas, procedimentos, plataformas, reuniões, relatórios, planos, medidas e uma quantidade crescente de tarefas que pouco ou nada têm que ver com o ato de ensinar.
A responsabilidade é essencialmente política. É de sucessivos governos, de sucessivos ministros, de estruturas do Ministério da Educação e de todos aqueles que, ao longo de anos, foram acrescentando reformas às reformas sem nunca terem tido a coragem de parar para perguntar se a reforma anterior tinha funcionado.
Na Educação portuguesa existe uma curiosa tradição: muda-se antes de avaliar. Introduz-se antes de experimentar devidamente. Publica-se antes de medir resultados. E, quando os resultados aparecem, muda-se novamente para que ninguém tenha de assumir responsabilidades pela mudança anterior.
Produzimos uma quantidade extraordinária de legislação educativa para uma escola que continua a ter dificuldades em ensinar aquilo que é essencial. Talvez fosse interessante experimentar o contrário: menos decretos, menos modas pedagógicas, menos burocracia e mais tempo para ensinar.
Porque não há despacho que consiga fazer um aluno gostar de ler. Não há portaria que lhe coloque vocabulário na cabeça. Não há perfil que lhe ensine compreensão. Não há aprendizagem essencial que substitua um professor a ensinar. E não há projeto interdisciplinar que substitua o conhecimento que permite compreender o mundo.
Os resultados do PISA deveriam servir precisamente para isso: não para produzir mais uma conferência onde todos concordam que é preciso melhorar, nem para anunciar mais uma estratégia nacional com um nome pomposo, mas para olhar para as opções tomadas e perguntar, sem medo, se algumas delas contribuíram para o estado a que chegámos.
É preciso voltar a falar de conhecimento. É preciso voltar a falar de leitura. É preciso voltar a falar de exigência. É preciso voltar a falar de escrita. É preciso voltar a falar de memória, concentração e estudo. E é preciso voltar a aceitar que ensinar não é apenas proporcionar experiências de aprendizagem. É transmitir conhecimento, exigir esforço, corrigir erros e levar os alunos mais longe do que eles conseguiriam chegar sozinhos.
Não se trata de regressar a uma escola do passado. Trata-se de perceber que algumas coisas não envelhecem. Um aluno precisa de saber ler. Precisa de saber escrever. Precisa de saber interpretar. Precisa de saber calcular. Precisa de conhecer História. Precisa de conhecer Ciência. Precisa de dominar vocabulário suficiente para compreender o que lhe dizem e para conseguir dizer aquilo que pensa.
Porque, no fim, há uma diferença enorme entre um cidadão que recebeu informação e um cidadão que consegue interpretá-la.
O primeiro pode repetir.
O segundo pode pensar.
E talvez seja precisamente isso que devíamos querer da escola.
Uma escola que não produza alunos que sabem responder corretamente quando alguém lhes diz o que devem pensar, mas alunos capazes de perguntar se aquilo que lhes estão a dizer faz sentido.
Porque quem lê pode desconfiar. Quem compreende pode questionar. Quem conhece pode comparar. Quem pensa pode discordar.
E quem não lê, como dizia a velha máxima que talvez devêssemos recuperar, tem que se acreditar em tudo o que lhe dizem.
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Set 09 2026
O ministro da Educação veio tranquilizar o país: há mais de dois mil horários de professores por ocupar, mas, aparentemente, não há motivo para preocupação. Professores existem, garante Fernando Alexandre. Só falta mesmo colocá-los nas escolas. Uma pequena questão de pormenor, portanto.
As atividades letivas começam já na sexta-feira. Ou seja, daqui a dias, milhares de alunos entrarão nas escolas, sentar-se-ão nas suas salas e ficarão à espera daquele pequeno detalhe que costuma fazer parte do processo educativo: o professor.
Mas o Governo descobriu a solução. A partir de 18 de setembro, a colocação de docentes passará a ser feita todos os dias. Todos os dias! Uma inovação extraordinária. É quase como descobrir que, quando faltam professores, talvez seja conveniente procurar professores todos os dias.
O problema é que 18 de setembro é depois de 11 de setembro. E 11 de setembro é depois do início das aulas. Portanto, a grande solução diária chega quando os alunos já começaram a frequentar escolas onde continuam a faltar professores.
É uma espécie de gestão educativa em modo “logo se vê”.
Entretanto, as escolas fazem aquilo que sempre fazem: elaboram horários, reorganizam turmas, distribuem serviço, tapam buracos, inventam soluções e tentam explicar aos alunos e às famílias porque é que, no início do ano letivo, há disciplinas sem professor.
E depois aparece o Ministério a dizer que existem professores disponíveis.
Excelente. Se existem, então a pergunta é bastante simples: porque é que ainda não estão nas escolas?
Porque o problema não é descobrir, em abstrato, que existem professores. O problema é colocá-los a tempo. Antes de começarem as aulas. Antes de os alunos ficarem sem aulas. Antes de as escolas terem de andar a remendar horários como quem remenda uma estrada depois de aberta ao trânsito.
E há ainda a promessa de um “balanço mais preciso” no final da semana.
Ou seja, primeiro começam as aulas, depois conta-se quantos professores faltam.
É uma metodologia interessante. Imagine-se o Ministério da Saúde a descobrir quantos médicos faltam num hospital depois de abrir as urgências. Ou os transportes públicos a fazerem a contagem dos autocarros necessários depois de os passageiros já estarem na paragem.
Na Educação, pelos vistos, pode ser diferente.
Depois vêm os apoios à deslocação, as horas extraordinárias e os incentivos para atrair professores. Tudo medidas que podem ser importantes, mas que têm uma particularidade: não resolvem o problema de quem tem de dar aula na sexta-feira.
Lisboa, Setúbal e Algarve são apontados como os territórios mais afetados. Mas seria bom não esquecer que a falta de professores não é uma exclusividade dessas geografias. Há escolas por todo o país a fazer contas, a ajustar horários e a tentar começar o ano letivo com aquilo que deveriam ter garantido à partida: professores suficientes.
O discurso político continua, porém, a ser de tranquilidade. Há professores disponíveis. Está tudo encaminhado. A colocação será diária. Haverá incentivos.
Só falta combinar isso com a realidade das escolas.
Porque para um aluno que chega à escola na sexta-feira e não tem professor, a promessa de que talvez tenha um professor colocado no dia 18 de setembro é pouco mais do que isso mesmo: uma promessa.
E talvez fosse altura de perceber que começar um ano letivo com milhares de horários por preencher não é um detalhe administrativo. É começar o ano com uma falha.
E quando a solução chega depois do problema ter começado, pode até chamar-se reforma, inovação ou nova estratégia de colocação.
Nas escolas chama-se simplesmente atraso.
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Set 08 2026
Diz que não tem decisões fechadas sobre o assunto, e que pode até nem ser necessário, mas admite estudar a hipótese de os alunos do ensino básico voltarem a fazer exames a contar para a nota.
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Set 08 2026
O ministro da Educação garante que, apesar dos mais de dois mil horários ainda por preencher, “a disponibilidade que existe ainda de professores permitirá cobrir estas necessidades”.
Excelente. É tranquilizador saber que os professores estão disponíveis.
O problema é que, pelos vistos, estão disponíveis em algum sítio que as escolas ainda não descobriram.
Porque há uma pergunta muito simples que continua sem resposta: se há professores disponíveis, porque é que os horários colocados pelas escolas continuam por validar na plataforma SIGRHE desde o dia 2 de setembro?
Estamos a 8 de setembro.
E a coisa melhora ainda mais: a RR3, que permitirá colocar professores nesses horários, só será publicada no dia 11.
Portanto, façamos as contas. As escolas identificaram necessidades. Colocaram horários. Os horários aguardam validação. A bolsa de recrutamento só sai dia 11. E, entretanto, o ministro garante que há professores disponíveis.
É uma espécie de milagre administrativo: os professores existem, os horários existem, as necessidades existem, mas ninguém consegue juntá-los.
Talvez a solução seja mais simples do que parece. Em vez de dizer que “a disponibilidade que existe permitirá cobrir estas necessidades”, alguém no Ministério podia experimentar validar os horários.
É que nas escolas não se ensina com disponibilidade ministerial. Ensina-se com professores dentro das salas de aula.
Mas há sempre uma vantagem: quando a RR3 sair a 11 de setembro, já ninguém poderá dizer que o Ministério se atrasou. Afinal, o ano letivo é que começou antes.
E depois ainda há quem se admire quando se diz que o problema da falta de professores não é apenas saber quantos professores existem. É também saber se o Ministério consegue, a tempo, pô-los onde são precisos.
Mas isso, aparentemente, é pedir demasiado.
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Set 07 2026
A lista mensal de aposentados de Outubro de 2026 tem mais 544 docentes. Neste momento já vamos com 2823 docentes aposentados pela CGA em 2026, faltando ainda dois meses de listas de aposentados neste ano. È muito provável que no fim do ano os dados se aproximem da minha previsão em haver 4000 docentes aposentados.

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Set 07 2026
Saiu hoje mais um daqueles estudos que dão imediatamente origem à explicação pronta a usar: se os resultados escolares são piores em Lisboa, Setúbal e Algarve, a culpa é da falta de professores.
Pronto. Está explicado. Pode fechar-se o relatório, dispensar-se a análise e voltar-se ao debate habitual sobre a carreira docente.
O problema é que a realidade é um bocadinho mais teimosa do que as explicações de bolso.
Os números da Pordata são claros: no ensino secundário, apenas 67% dos alunos que entraram num curso científico-humanístico numa escola pública da Grande Lisboa em 2020/21 o concluíram nos três anos previstos, contra 81% no Norte. Nos cursos profissionais, a conclusão no período previsto também é baixa. E no 3.º ciclo, Grande Lisboa e Algarve apresentam igualmente resultados inferiores aos do Norte e Centro.
A falta de professores pode, evidentemente, contribuir para estes resultados. Um aluno que passa meses sem professor, que muda sucessivamente de docente ou que tem uma disciplina assegurada à base de soluções de recurso não está certamente nas mesmas condições de aprendizagem de outro que beneficia de estabilidade pedagógica.
Mas há aqui um pequeno detalhe que parece incomodar a explicação fácil: as diferenças de resultados não começam no momento em que falta um professor.
Se assim fosse, bastaria garantir professores para resolver o problema. E sabemos que não é assim.
Aliás, o próprio relatório apresenta um retrato muito mais complexo. Fala de alterações profundas na composição da população escolar, de diferenças territoriais, de mudanças demográficas, de transições entre níveis de ensino e até de fenómenos de abandono no ensino superior. Regista, por exemplo, que a população escolar estrangeira tem aumentado significativamente e que, em 2024/25, o ensino superior ultrapassou os 456 mil estudantes.
Ou seja, há muito mais dentro destes números do que simplesmente “há professores” ou “não há professores”.
E há uma pergunta que convinha fazer.
Porque é que duas regiões com problemas de falta de professores podem apresentar resultados tão diferentes?
É que a escassez de docentes não é um fenómeno exclusivamente lisboeta, algarvio ou setubalense. É uma questão nacional, embora com intensidade diferente. O próprio Governo reconhece que Grande Lisboa, Península de Setúbal e Algarve são zonas particularmente carenciadas e, para 2026/27, colocou mais de 5.800 professores nestas regiões através da mobilidade interna e contratação inicial.
Portanto, sim, a falta de professores pesa.
Mas não explica tudo.
Há que olhar para a composição social das escolas. Para a pobreza. Para a desigualdade. Para as expectativas das famílias. Para o acompanhamento parental. Para a relação dos jovens com a escola. Para a indisciplina. Para o absentismo. Para a pressão sobre as escolas em determinados territórios. Para a concentração de alunos recém-chegados ao país. Para as dificuldades linguísticas. Para a mobilidade das populações. Para a segregação residencial e escolar.
E, já agora, para aquilo que fazemos dentro da própria escola.
Porque também há decisões pedagógicas, organizacionais e políticas que contam.
Há modelos de apoio que funcionam melhor do que outros. Há escolas que conseguem mobilizar recursos e construir respostas eficazes e outras que vivem permanentemente em modo de emergência. Há lideranças diferentes. Há culturas escolares diferentes. Há expectativas diferentes. Há territórios onde a escola é ainda percebida como uma oportunidade de mobilidade social e outros onde essa promessa perdeu força.
E há uma questão que raramente se coloca porque é muito mais fácil culpar a falta de professores: o que acontece aos alunos antes de chegarem ao ensino secundário?
Se no 3.º ciclo já existem diferenças muito significativas entre territórios, então talvez seja necessário olhar para o percurso anterior e não apenas para o professor que entra ou não entra na sala de aula no 10.º ano.
A escola secundária não recebe alunos todos iguais, nem recebe alunos com os mesmos percursos. Recebe o resultado de nove anos de escolaridade, de nove anos de experiências familiares, sociais e escolares.
Não se pode pedir ao 10.º ano que faça milagres.
E há ainda outro dado que deveria fazer soar algumas campainhas.
O estudo refere que a taxa de abandono no ensino superior, um ano depois da entrada, chegou a atingir 30% em determinadas entradas de 2022/23 e 2023/24, sobretudo em formações com notas médias de entrada mais baixas.
Ora, também aqui seria curioso descobrir se a explicação é simplesmente “faltaram professores”.
Provavelmente não.
A questão é que temos desenvolvido uma extraordinária capacidade nacional para transformar problemas complexos em problemas de uma única variável.
Se os resultados descem, faltam professores.
Se há indisciplina, faltam professores.
Se há abandono, faltam professores.
Se os alunos não estudam, faltam professores.
Se há desigualdades regionais, faltam professores.
Se há insucesso, faltam professores.
E assim chegamos ao maravilhoso momento em que, aparentemente, o sistema educativo só precisa de uma coisa: professores.
Mais professores e, de preferência, professores altamente motivados, eternamente disponíveis, capazes de compensar desigualdades sociais, familiares, económicas, culturais e territoriais e, se possível, sem fazer demasiadas perguntas.
É uma narrativa muito conveniente.
Até porque permite que todos os outros intervenientes no processo educativo lavem as mãos.
As famílias não têm responsabilidade.
Os alunos não têm responsabilidade.
As políticas sociais não têm responsabilidade.
As políticas de habitação não têm responsabilidade.
A organização da rede escolar não tem responsabilidade.
As políticas de imigração e integração não têm responsabilidade.
As próprias políticas educativas não têm responsabilidade.
Só o professor.
Ou, na sua ausência, a falta dele.
Convém, portanto, não transformar uma variável importante numa explicação universal.
Precisamos de professores. Precisamos de professores estáveis, valorizados e qualificados. Precisamos de acabar com alunos sem aulas e com soluções de remedeio. Isso é absolutamente indiscutível.
Mas depois precisamos de ter coragem para olhar para o resto.
Porque se queremos realmente perceber por que razão um aluno termina o secundário no Norte com maior probabilidade de concluir no tempo previsto do que um aluno da Grande Lisboa, não basta perguntar quantos professores estavam dentro da sala.
É preciso perguntar quem é esse aluno, de onde vem, que percurso fez, que escola frequenta, que apoio tem, que expectativas existem à sua volta e que condições tem para aprender.
Caso contrário, continuaremos a fazer estudos para descobrir o que já decidimos antecipadamente que eles vão dizer.
E isso não é investigar a educação.
É apenas procurar números que confirmem a narrativa.
A falta de professores é um problema.
Mas não é a educação portuguesa inteira.
E quanto mais insistirmos em tratá-la como tal, mais tempo demoraremos a perceber os outros problemas que estão mesmo à nossa frente.
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Set 06 2026
Ainda não se aplica a tal colocação diária…
A AGSE informa que foram publicadas as listas da 2.ª Reserva de Recrutamento, estando disponíveis as listas aqui.
A próxima Reserva de Recrutamento será publicada na sexta-feira, dia 11 de setembro.
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Set 05 2026
Quando um professor aprende tarde, aprende mesmo tarde e não há volta a dar se já devia saber, e afinal não sabe, como os alunos têm nomes.
Não os nomes, entenda-se, enquanto estão diante de mim, sentados nas carteiras, levantando a mão, pedindo para ir à casa de banho, entregando trabalhos com aquela caligrafia tão galinácea quanto nervosa, não, até porque nesses meses eu sei-lhes os nomes, sei-lhes as caras, sei quem se esquece sempre do caderno, quem chega cinco minutos atrasado, quem olha pela janela quando devia olhar para mim e quem olha para mim precisamente porque está a olhar para a janela.
Esses nomes ao longo do ano sei eu de ginjeira.
Depois chegam as férias e aqui começa o problema.
As férias não descansam apenas o corpo, as férias fazem uma limpeza geral à memória, uma espécie de empregada doméstica interior cabeça adentro durante o querido mês de Agosto a abrir gavetas, a olhar para os nomes e a dizer como isto já não serve, isto também não, este rapaz já não vem, esta menina mudou de turma, este ano há outros, e toca de despejar tudo no lixo e a minha opinião não é para aqui chamada.
O início de cada ano lectivo é, deste modo, de uma eficácia extraordinária ao conseguir olvidar os nomes de turmas inteiras.
Não é desinteresse. Não é incompetência. É sobrevivência.
Pura e dura.
E de outro modo não podia ser se a memória, ou pelo menos a minha memória, é um animal exigente e não há espaço para tudo dentro dela. E apesar da boa vontade, queira eu conservar os nomes de todos os alunos ano após ano e em breve precisarei não de uma ou duas cabeças, mas um armazém inteiro, e mesmo assim não sei se chega.
Isto porque todos os anos chegam outros petizes, outras caras, outras vozes, outros problemas, outras mães, outros pais para ocupar tempo, trabalho e espaço nesta memória única e só, e cada Setembro sublinha a necessidade de estar inteiro para quem agora chega.
Os alunos anteriores já partiram. Foram para outras salas, outras escolas, outras vidas. Não obstante, no primeiro dia de aulas, encontro uma das minhas antigas alunas no corredor, sorridente, crescida, o rosto mais de mulher e menos a criança ainda ontem diante de mim, e ela diz:
“Professor!”
Paro.
Ela espera.
Eu sorrio.
E o nome varre-se-me da cabeça como uma folha de papel a voar por uma janela aberta.
Conheço-a bem. Ou talvez não. Sim. Não. Fui professor dela e uma vez até chorou diante da turma por causa de uma nota.
Mas o nome não vem.
Nada.
Um deserto.
E ela, incrédula, desfere a inevitável, e anual, estocada:
“Então, stôr, não se lembra de mim?”
Lembro-me de ti, penso. Lembro-me perfeitamente de ti. Só não me lembro de como te chamas.
Mas isto não se diz.
Por conseguinte, ao longo dos anos desenvolvi várias estratégias, começando desde logo pelo contexto. Assim, se encontro um antigo aluno, digo de imediato:
“Então, como vão as coisas?”
É uma frase extraordinária porque não contém nenhum nome e revela interesse. Se o aluno responde “Muito bem”, continuo:
“E agora, estás onde?”
A partir daí posso descobrir a faculdade, o emprego, namoros, casamentos, os filhos, o país onde vive e, com sorte, até o nome.
Continuando, temos a família:
“E os teus pais?”
Perguntar pela família é particularmente eficaz porque os pais costumam ter nomes (nem sempre) e os nomes levam-me aos filhos. Às vezes não. Uma vez estive dez minutos a conversar com um rapaz no supermercado, perguntei pela mãe, pelo pai, pelo irmão, pela escola, pelo cão e pela avó, e saí dali sabendo absolutamente tudo excepto o nome dele.
Quando nos despedimos, ele disse efusivamente:
“Então até para a semana!”
E eu respondi:
“Até para a semana, João.”
Mas não era o João, era o Miguel.
Descobri porque a mãe, dois corredores atrás, gritou:
“Miguel, não te esqueças do leite!”
Continuei a empurrar o carrinho como quem recebera uma sentença.
A terceira estratégia é o plural e funciona lindamente.
Encontramo-nos num café e digo:
“Então, como está essa malta toda?”
O antigo aluno ri, começa a contar histórias dos outros alunos e, enquanto fala, eu pesco à vez os nomes nas águas turvas desta memória.
Por fim, há o silêncio.
Às vezes basta sorrir.
Há encontros fortuitos e, se eu não disser nada, a pessoa interpreta o meu silêncio como emoção, surpresa, talvez até afecto.
E o afecto existe.
Esse é precisamente o meu problema.
Porque eu não me esqueço das pessoas. Esqueço-me dos nomes.
São coisas diferentes.
Lembro-me das mãos levantadas, dos nervos antes dos testes, das gargalhadas, das discussões, dos casacos esquecidos nas cadeiras, das paixões às escondidas derramadas em lágrimas à vista de toda a gente. Lembro-me de um aluno porque nunca falava e de outro porque falava por todos.
Mas e os nomes?
Os nomes desaparecem, e quando o nosso nome desaparece no rosto de quem tanto nos ensinou, é como se nós desaparecêssemos também. E ao desaparecer, morremos um pouco.
E haverá maior injustiça quando se esquece o nome de alguém a quem ensinámos, ou tentámos ensinar, durante um ano inteiro?
Talvez haja.
Talvez a verdadeira injustiça seja exigir à memória tratar como eternamente presente tudo quanto a vida já empurrou para trás.
E eu tenho novos alunos, razão pela qual a cabeça limpa as prateleiras e se eu me esqueço tal só acontece porque preciso de continuar a lembrar.
É cruel.
É ridículo.
Penso neles.
Penso em mim.
Penso na memória, essa criatura mal-educada a decidir sozinha e inconscientemente sobre o espaço a vagar.
E concluo não ser egoísta.
Sou apenas humano, digo para mim mesmo enquanto dou de caras com um antigo aluno depois de vinte anos. E então sorrio com toda a sinceridade do mundo e pergunto:
“Então, meu rapaz, como é que tu te chamas mesmo?”
João André Costa
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Set 04 2026
Listas publicitadas a 4 de setembro de 2026.
A aceitação da colocação deverá ser efetuada através da aplicação SIGRHE nos dois primeiros dias úteis seguintes à publicitação da lista de colocação.
A apresentação na escola deve ocorrer até ao terceiro dia útil seguinte à data da publicitação da colocação.
SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato
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Set 03 2026
Foram publicadas esta quinta-feira em Diário da República as novas regras que facilitam a contratação de professores. O objetivo é evitar que os alunos fiquem sem aulas por períodos prolongados.
Os professores que adiem a aposentação para continuar a ensinar terão uma remuneração extra de 750 euros mensais, mas apenas se não houver docentes que possam garantir essas aulas, segundo o diploma publicado esta quinta-feira.
Esta é uma das novidades do decreto-lei 175/2026, aprovado no final de julho em Conselho de Ministros para prevenir que os alunos fiquem sem aulas por períodos prolongados.
O diploma, que entrou em vigor no início deste mês, permite às escolas contratar professores aposentados mas também licenciados pós-Bolonha.
A pensar nas regiões com maior dificuldade na atração e retenção de professores, o ministério decidiu atribuir 750 euros mensais extra aos docentes que aceitem adiar a aposentação, mas esse benefício só é atribuído se não houver nas escolas quem possa assegurar esse trabalho.
Além do período de aulas, estes professores continuam a receber os 750 euros extra “durante o período destinado à realização de avaliações”, acrescenta o diploma.
Este acréscimo remuneratório aplica-se aos professores colocados numa das 235 escolas ou agrupamentos dos oito Quadros de Zona Pedagógica (QZO) carenciados situados na Grande Lisboa, Península de Setúbal e Algarve. No ano passado, estavam abrangidas mais escolas: Eram 258 unidades orgânicas de 10 QZP.
Relativamente à contratação de doutorados, é clarificada a contagem do tempo de serviço, passando a ser consideradas as atividades de investigação e desenvolvimento, com efeitos no posicionamento remuneratório.
O diploma também altera os requisitos de formação científica para a contratação de docentes pós-Bolonha, passando a permitir a contratação de licenciados, após esgotados os candidatos titulares de qualificação profissional.
As novas regras permitem contratar licenciados cuja área de formação científica corresponda à disciplina a lecionar, como é o caso de Economia, Sociologia e Psicologia.
As escolas podem contratar candidatos com grau de licenciado, desde que a licenciatura seja em área científica correspondente à disciplina a lecionar e tenham, pelo menos, 120 créditos na área científica correspondente à disciplina a lecionar.
No Diário da República desta quinta-feira é ainda publicado o diploma que alarga ao 3.º ciclo a proibição de utilização de smartphones nas escolas.
Tendo em conta a existência de estabelecimentos de ensino em que coexistem alunos do ensino secundário e do 3.º ciclo, as escolas têm até janeiro de 2027 para atualizarem os seus regulamentos internos e definirem os procedimentos operacionais mais adequados à implementação da proibição.
Texto: Lusa
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Set 03 2026
Altera os regimes de medidas excecionais e temporárias na área da educação e de regulação dos requisitos científicos para contratação de docentes pós-Bolonha.
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Set 03 2026
Altera o Decreto-Lei n.º 95/2025, de 14 de agosto, alargando aos alunos do 3.º ciclo do ensino básico o regime de restrição da utilização de telemóveis e de outros equipamentos ou aparelhos eletrónicos de comunicação móvel com acesso à Internet em contexto escolar.
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Set 03 2026
Docentes terão cinco dias após final do mês para fazer registo informático dos sumários, que servirão também para contabilizar o número de alunos sem aulas.
A Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE) enviou esta semana instruções às escolas a avisar que os professores terão já a partir deste mês “um prazo máximo de cinco dias após o final do mês” para inserirem os sumários das aulas. Estes dados serão decisivos para o pagamento dos salários aos docentes e para contabilizar o número de alunos sem aulas.
“A parte financeira vai ligar à parte pedagógica. O professor tem de registar os sumários e há uma ligação à plataforma da secretaria, que faz upload para a cloud para o ministério fazer processamento dos salários. As horas extraordinárias também são logo contadas”, afirmou ao CM Rui Cardoso, diretor do Agrupamento de Viso, em Viseu. “Isto vai facilitar o trabalho administrativo, mas responsabiliza os professores no preenchimento dos sumários até cinco dias após o fim do mês”, disse o diretor, perspetivando que “vai dar confusão no início e vamos ter problemas para resolver”
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Set 02 2026
… pois os horários da RR2 já estão em processamento e a RR1 foi há 3 dias, portanto…
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Set 01 2026
Quem lá está a cumprir esta função nos agrupamentos de exames só deve bater com a porta e deixar o lugar para uma outsorcing qualquer a ser constituída pelo MECI.
Queixa apresentada em julho denuncia folhas desaparecidas em exames e ordens para classificar provas incompletas. Fenprof considera que as ordens externas para classificar provas sem conteúdo completo podem configurar ilícito.
O Ministério Público abriu um inquérito na sequência de uma queixa apresentada pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof) relacionada com o processo de classificação eletrónica dos exames nacionais do ensino secundário.
Em resposta enviada esta terça-feira à Lusa, a Procuradoria-Geral da República (PGR) indicou que a queixa da Fenprof “deu origem a inquérito”, o qual corre termos no Departamento de Investigação e Ação Penal Regional de Lisboa.
A queixa em questão foi entregue em julho, tendo um dos secretários-gerais da Fenprof, Francisco Gonçalves, explicado à Lusa que os relatos de folhas desaparecidas em vários exames, que resultaram em “ordens escritas no sentido de os professores classificarem itens cujas respostas não estavam completas”, são a base daquilo que poderá ser o principal ilícito.
“Perante a incapacidade de fazer chegar aos classificadores o conteúdo completo da prova, deram ordens para que os classificadores as classificassem com aquilo que lhes estava disponibilizado. Ora, isso pode configurar, porque é uma ordem externa, um ilícito“, explicou.
A Fenprof disse “não querer ver, novamente, os professores que classificaram as provas a serem responsabilizados por algo que não é da sua responsabilidade” e admitiu que é fundamental se a plataforma funcionou corretamente e se “as ordens dadas por quem coordenava este processo cumpriram os preceitos legais que são necessários num processo desta natureza”.
Pela primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário foram corrigidos em formato digital, mas o processo registou falhas técnicas desde o início, obrigando o Ministério a adiar os prazos inicialmente previstos.
Ao longo de várias semanas, os professores relataram atrasos na disponibilização das provas, erros na digitalização das respostas e dificuldades na plataforma de classificação.
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Set 01 2026
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Set 01 2026
Contínua a aparecer este aviso no pedido de horários para 2026/2027.
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Set 01 2026
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