Rui Cardoso

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A regionalização “em marcha” a coberto da pandemia…

Na conferência de imprensa dada pelo PM, não foi proferida uma palavra sobre este tema ou a aprovação do decreto-lei que altera a orgânica das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional. Mas no comunicado do Conselhoe de Ministros está bem escrito… A regionalização avança em silêncio…

 

O diploma consagra a eleição indireta dos respetivos presidentes por um colégio eleitoral composto pelos presidentes e vereadores das câmaras municipais e pelos presidentes e membros das assembleias municipais (incluindo os presidentes de junta de freguesia) da respetiva área territorial, no sentido de garantir uma maior representatividade de todos os eleitos locais e uma melhor administração ao nível regional, reforçando a legitimidade democrática e a transparência ao nível da governação regional. A eleição será fixada para o mês de setembro.

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Orientações técnicas da INEE para apoiar a educação durante a pandemia da COVID-19

 

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As muitas escolas da pandemia…

“Um crime contra as crianças”

Um colega meu que tem os filhos numa escola de Braga que cumpre o horário completo de aulas à distância descobriu que a sobrinha, com sete anos, apenas tinha duas horas de aulas por semana numa escola em São João da Madeira. Mandou um e-mail à Direção-Geral da Educação a pedir esclarecimentos, perguntando se isto era legal. Não me parece que vá gostar da resposta.

O filho de um antigo aluno meu, que vive em Esposende, tem cinco horas por semana. Mas ele tem sorte. Noutro agrupamento de Esposende estiveram sem aulas online até há cerca de 15 dias. Por pressão dos pais, algumas turmas têm agora uma hora por semana. Uma conhecida que vive em Ponta Delgada contou-me que, no caso da filha, simplesmente não há aulas à distância. Como havia alunos sem acesso às tecnologias, a escola decidiu que não havia aulas para ninguém. A professora manda um plano semanal de trabalho e depois envia as correções para os pais verificarem o trabalho dos alunos. Num município que não identifico para não denunciar a professora, há um agrupamento que não permite aos professores estarem mais do que uma hora por semana. Há uma professora que está mais tempo, mas pediu aos pais para não dizerem nada, porque podia ter problemas com isso. Em Oeiras, há uma escola que tem 30 minutos à terça e à sexta-feira. Já um amigo que vive em Lisboa (Agrupamento de Escolas Professor Lindley Cintra) tem a miú­da com apenas 30 minutos de aulas por semana. Na mesma escola, há outra turma com zero minutos.

A minha filha, de oito anos, tem duas horas de aulas por dia, com um intervalo, pelo meio, de uma hora, para trabalho autónomo. Tem ainda duas aulas de Inglês por semana. O trabalho que está a ser feito na escola dela, o Colégio Leonardo da Vinci, é notável. Mas não se fique com a ideia de que os bons exemplos são apenas de escolas privadas. Um amigo de Esposende e outro do Porto, ambos com os filhos no ensino público, relatam-me ótimas experiências — em tudo semelhantes à da minha filha.

Tudo o que descrevi acima, com uma ou outra imprecisão, são casos reais. Mas não fique com a ideia de que são casos isolados. O Centro de Economia da Educação da Universidade Nova de Lisboa tem recolhido informação sistemática sobre este assunto. A variabilidade é enorme. Para se ter uma ideia, 15% dos alunos não têm acesso em casa a computador com internet.

Compreendo o desejo de muitos que pedem para que as escolas reabram já. Até porque as escolas do primeiro ciclo já reabriram na maioria dos países. Mas essa exigência é errada. Tal como a telescola que foi anunciada a 9 de abril serviu de desculpa para não se enfrentar a sério o problema das desigualdades que se iam criar, abrir agora as escolas por mais duas ou três semanas não servirá para nada.

O que se está a fazer com muitas crianças é um crime. Falamos de crianças do primeiro ciclo do ensino básico, que estão a aprender a ler, a escrever e a contar. Crianças de seis e sete anos que têm o cérebro em formação. Um atraso na aquisição destas competências pode afetá-las para a vida toda. Muitas já partem em desvantagem, dado o ambiente familiar de onde vêm. Não atuar agora de forma decisiva é condená-las.

Em Inglaterra e noutros países, há cada vez mais pressões para que as escolas abram no verão, para apoiarem os alunos que ficaram para trás. Em Portugal, a UNICEF pede o mesmo. Há escolas privadas que o vão fazer. O Colégio Mundos de Vida, escola bilingue em Famalicão, propõe uma escola de verão, integralmente em inglês, durante todo o mês de julho, aos seus alunos. Setembro funcionará como um quarto período letivo, onde apenas se consolidarão os conhecimentos do terceiro período. Apesar de as aulas funcionarem “normalmente” à distância, consideram necessário o esforço extra.

A 30 de março, assustado com a solução que se desenhava, escrevi que a forma como se ia lidar com as desigualdades criadas com o fim das aulas presenciais seria “o grande teste à governação socialista”. Para já, estão a falhar miseravelmente. E fazem-no com a conivência da FENPROF, sindicato de que me vou desvincular. Quando um Governo socialista e um sindicato comunista se marimbam para os danos causados nas crianças mais pobres, faz algum sentido dizer-se que a esquerda é pela igualdade? Não culpo só o Governo e o sindicato, afinal, se aceitam esta solução, é também porque não querem enfrentar nem a opinião pública nem os professores, que continuam a apoiar as escolas fechadas e não querem ouvir falar de planos extraordinários de recuperação.

Como me dizia um amigo, João Pires da Cruz, às vezes parecemos uma anedota: “Pega-se em qualquer questão, por exemplo a reação à epidemia, e percebe-se que a única coisa bem-sucedida foi aquilo em que era preciso não trabalhar. Em tudo aquilo em que seria preciso trabalhar falhou-se.

In Expresso, Luís Aguiar Conraria, Professor de Economia da Univ. do Minho

 

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12 crianças e quatro auxiliares estão em isolamento profilático em creche

O medo de muitos pais e pessoal das creches e do EPE…

Creche em Torres Vedras em quarentena depois de caso positivo

Uma dúzia de crianças e quatro funcionários da creche do Centro Paroquial de Torres Vedras, no distrito de Lisboa, estão em isolamento profilático, depois de uma criança ter testado positivo à covid-19, disse hoje a sua diretora.

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Reserva de recrutamento n.º 33

 

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 33.ª Reserva de Recrutamento 2019/2020.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira, dia 08 de junho, até às 23:59 horas de terça-feira, dia 09 de junho de 2020 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

 

SIGRHE – aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa

Listas

 

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Por uma escola humanizada – Raquel Varela

 

Por uma escola humanizada

Costa anunciou ontem um pacote de transição digital nas escolas. Este era o momento para anunciar redução alunos por turma, melhoria dos salários de professores e funcionários. Retorno a aulas de grande curiosidade e valor cientifico, num turno, presenciais, e deixar muitas horas livres para brincadeira e socialização, noutro turno. Em vez disso vai-se colar as crianças a um ecran. Este foi o momento excepcional em que aprendemos neste experimento mundial obrigados pelas medidas da pandemia que o “ensino” online não funciona – em vez disso prego a fundo rumo ao desastre.
Os professores, até agora, empenhados e descontentes, ou reagem impedindo isto ou vão descobrir que com o ensino em casa não se livram da escola de que não gostavam. Pelo contrário, essa mesma escola de que já não gostavam vai passar agora a ser a sua casa, que vão odiar tanto ou mais do que a escola. Em breve vão ter saudades até das filas de trânsito quando se descobrirem totalmente alienados dos seus alunos, o seu sentido da vida, e a casa transformada em tudo o que de mau há hoje nas escolas, sem nada do que há de bom. Para o país, se esta “transição” avançar, imposta sem qualquer discussão democrática, vai ser um retrocesso civilizacional. Esperamos a lista de empresas que vão vender estes pacotes ao Estado e respectivos mediadores de interesses. Já que vendem o último pedaço de Estado social – a educação – ao mercado, acabando com um serviço que estava fora da alçada do mercado – que nos digam de forma transparente quem vai ficar com o dinheiro dos nossos impostos, enquanto transformam os nossos filhos em autómatos, obsesos, e (ainda mais) desfuncionais do ponto de vista relacional.

Quem acha que isto é um problema de pais, alunos e professores, que pensam na qualidade do trabalho e na felicidades das pessoas (e esse deve ser o objectivo), desengane-se. Não seremos 4 milhões os afectados, mas 10 milhões. Esta força de trabalho sairá da escola sem qualquer capacidade de pensar a totalidade, autonomia ou complexidades de raciocínio, saberão carregar o polegar num ecran. Portanto não conseguirão dar conta do trabalho real, seja no público seja no privado.

Assumi há muito com confiança o meu papel de “velho do Restelo” neste campo. Tenho anos, já décadas, de trabalho cientifico nesta matéria. Sou contra qualquer aparelho na escola, acho que os telemóveis deviam ser proibidos, até no recreio, que quadros interactivos, e mesmo o famoso power Point, só servem para dispersar. Acho que uma escola seria apaixonante para os alunos e professores se tivesse aulas magistrais clássicas, de manhã, dadas por professores de excelência cientifica muitíssimo bem pagos, e um amplo espaço verde e de convívio livre onde o desporto, os trabalhos manuais diversos (construir coisas com as mãos) e o lazer fossem pelo menos metade do dia. Isto que assistimos é tudo o contrário do que defendo – a “transição digital” é, como já tantos no campo da filosofia alertaram, a barbárie tecnológica.

In Raquel Varela

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PEES – Medidas do governo para a Escola Digital e retirada de amianto

 

 

 

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400 milhões? Pago para ver…

Escolas “pagam para ver” investimento de 400 milhões anunciados por Costa

“Eu pago para ver”, responde o presidente da Associação Nacional de Directores Escolares (ANDE), Manuel Pereira, pedindo “menos intenções e mais acções” ao Governo. Filinto Lima, que dirige a outra organização do sector, a Associações dos Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, alinha pelo mesmo discurso, dizendo esperar que o programa anunciado “possa estar no terreno quando os alunos chegarem às escolas” para o próximo ano lectivo

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