Em 2017, António Costa era 1º Ministro do Governo apoiado pela “Geringonça”.
– Em 2017, Américo Pereira, marido da ex-Secretária de Estado da Agricultura, Carla Alves, era Presidente da Câmara de Vinhais.
Em 11 de Fevereiro de 2017, o 1º Ministro António Costa visitou a Feira do Fumeiro de Vinhais, tendo sido recebido por Américo Pereira, na qualidade de Presidente da Câmara de Vinhais.
Durante essa visita, Américo Pereira ofereceu a António Costa uma samarra, conforme noticiou o Jornal Público nessa altura:
“Antes da intervenção do primeiro-ministro, o autarca local Américo Pereira já tinha vincado que “esta terra não é deprimida” para depois oferecer a António Costa uma samarra, o agasalho usado no campo para combater o rigoroso frio transmontano.” (Jornal Público, em 11 de Fevereiro de 2017).
De resto, existem imagens, captadas por diversos canais televisivos, do momento em que António Costa foi presenteado por Américo Pereira e outras posteriores do 1º Ministro trajando com essa indumentária e, até, aludindo a tal oferta…
No passado dia 5 de Janeiro, a SIC Notícias recuperou essas imagens e passou-as no programa Edição da Noite (cerca das 21h e 8m), a propósito da polémica instalada em torno de Américo Pereira e que culminou com a demissão de Carla Alves, sua esposa, do cargo de Secretária de Estado da Agricultura, apenas 26 horas depois de ter sido empossada…
Decorrente do anterior, há perguntas que se impõem:
– A samarra oferecida por Américo Pereira a António Costa foi comprada com dinheiro público ou com dinheiro privado?
Se foi adquirida com dinheiro privado, a título pessoal, porque motivo se publicitou essa oferta com grande alarido, tornando-a do domínio público?
Se foi adquirida com dinheiro público, que justificação poderá existir para se esbanjar o erário público, de forma tão fútil e leviana?
E, já agora, a questão da samarra faz recordar a dos Cabazes de Natal, oferecidos a funcionários autárquicos, em nome de alguns Presidentes de Câmara, mas presumivelmente adquiridos com verbas do orçamento camarário, provenientes do erário público ou talvez com recurso a algum tipo de contabilidade paralela, vulgarmente designada por “saco azul”…
Ou seja, o mais provável é que a promoção de uma imagem de benemérito seja realizada, afinal, à custa de todos os contribuintes…
Algumas perguntas como as anteriores, até poderão parecer “mesquinhas” e “estapafúrdias”, mas talvez não seja bem assim porque:
– Todos os cidadãos têm o direito de saber como é gasto o dinheiro do erário público angariado à custa da cobrança dos seus impostos e de outras contribuições, independentemente dos montantes que possam estar em causa;
– Os titulares de cargos públicos, onde se incluem os membros dos órgãos executivos do Poder Local e o 1º Ministro, estão sujeitos ao escrutínio do exercício das suas funções, a obrigações declarativas e a códigos de conduta, legalmente estabelecidos…
Por outras palavras, o desempenho de todos os cargos públicos obedece ao dever de transparência e à observação da ética na gestão da “coisa pública”…
A eventual aquisição, com dinheiros públicos, de bens para usufruto privado não cabe na lógica anterior…
E o que aqui está verdadeiramente em causa é a atitude displicente, muitas vezes observada, com um certo cariz provinciano, de desculpabilização e de condescendência perante actos potencialmente oportunistas e sem preocupações éticas, tão típica de mentalidades terceiro-mundistas…
Porque muitos dos injustificáveis milhões de euros malgastos, que dilapidam o erário público, começam quase sempre por ser dezenas, centenas e milhares…
Porque para se chegar às “grandes corrupções e peculatos”, quase sempre, se começa por “favorzinhos”, “cunhazinhas”, “atençõezinhas” e “lembrancinhas”…
Metaforicamente, por este país fora, quantas samarras terão sido oferecidas em prol do servilismo?
O 1º Ministro ter-se-á preocupado com a origem do dinheiro que pagou tal presente? Ter-se-á perguntado quem o comprou e com que dinheiro?
O actual Governo, chefiado por António Costa, parece, cada vez mais decadente e inquinado pelo provincianismo, pelos “clubes de amigos”, pela futilidade e pela falta de ética e moral…
Muita arrogância e excesso de confiança numa maioria absoluta parlamentar podem dar nisso e, no caso presente, parece que deram mesmo nisso…
Na Educação, a obstinação e a cegueira prosseguem, em linha com a actuação geral do 1º Ministro…
Para que não haja qualquer dúvida, não tenho qualquer embirração com samarras, enquanto traje tradicional de algumas regiões do país…
A minha embirração é com políticos que parecem confundir o exercício dos seus cargos públicos com amizades de café…
(Paula Dias)