Fevereiro 2022 archive

E há tantos “Joões” por aí…

 

 De modo particular, os jovens estão a sofrer os efeitos prejudiciais, dificilmente reparáveis, decorrentes do isolamento social e do medo e incerteza quanto ao futuro, impostos pela pandemia, não existirá qualquer dúvida sobre isso…

 Mas o problema do isolamento social nos jovens não pode ser visto como uma novidade ou como algo inédito, imputável em exclusivo e em absoluto à pandemia…

 Por todos os constrangimentos conhecidos, a pandemia agravou o problema do isolamento social dos jovens, deu-lhe maior visibilidade e tornou a sua existência mais consciente, mas não o criou… Esse problema já existia anteriormente e também já assumia proporções notórias e inquietantes…

 Nos jovens, o “gatilho” da pandemia trouxe à ribalta, sobretudo, muitos quadros depressivos e muitas crises de ansiedade, sintomáticos de estados emocionais negativos, frequentemente pautados pela tristeza, pela sensação de abandono e de solidão e pelo descontrole…

 Na verdade, muitos jovens parecem estar tristes, sós e abandonados há muito tempo, deixados numa solidão que cada vez mais os aprisiona e os empurra para um mundo irreal, não poucas vezes também surreal…

 E um mundo assim, onde facilmente se confunde a realidade com a ficção e a fantasia, pode tornar-se num mundo que condiciona e restringe as capacidades de auto-controle e de gerir a frustração, a ansiedade e a angústia…

 É, aliás, no contexto anterior que surge, quase sempre, o fenómeno da violência em contexto escolar que, nos últimos tempos, tem vindo a dar mostras de agravamento…

 À luz dos dados até agora conhecidos, também é nesse contexto que se inscreverá o episódio recente do jovem que, alegadamente, teria um plano para atacar indiscriminadamente colegas de Faculdade…

E há tantos “Joões” por aí: jovens vulneráveis, que fogem da realidade, muitas vezes sentida por si como insuportável; jovens que se refugiam em vidas paralelas, imaginárias e fantasiosas; jovens que tendem a viver num mundo muito próprio e obscuro; jovens alheados e desligados das vivências quotidianas e das convenções sociais; jovens “invisíveis” e “silenciosos” em termos sociais, em que poucos reparam…

 Lamentavelmente, e no geral, só se costuma reparar neles quando atentam contra si próprios ou quando maltratam terceiros, apesar de existirem jovens com um perfil semelhante ao descrito na maioria das escolas…

 É comum, sobretudo nas escolas onde se lecciona o Ensino Secundário, observar-se durante as pausas entre aulas, muitos jovens literalmente agarrados aos telemóveis, ausentes daquilo que deveriam ser as suas vivências diárias, como que desligados do mundo real… E, muitas vezes, o mundo real está ali mesmo ao seu lado ou à sua frente, bastaria que conseguissem desviar o olhar do ecrã para o percepcionarem…

 A alienação proporcionada pelos meios tecnológicos é gritante para muitos desses jovens que, diariamente, repetem a mesma prática: não falam com ninguém, não procuram interagir com o grupo de pares, nem se mostram disponíveis para encetar qualquer relação de proximidade social ou afectiva…

 O seu mundo está circunscrito a um aparelho tecnológico, começa e acaba num telemóvel, e as interacções, se as houver, serão meramente virtuais… A (falsa) sensação de segurança, proporcionada por tal “zona de conforto”, fá-los remeter-se ao silêncio e torna-os prisioneiros da solidão…

 E escusamos de desvalorizar e de escamotear tais comportamentos. A distância que separa o (aparente) inócuo do (efectivo) grave é, por vezes, muito curta…

 Muitas vezes, os “amigos” não são reais, nem concretos, nem palpáveis… Cria-se a ilusão de que se está acompanhado, mas não se estabelecem relações interpessoais naturais e genuínas, assentes na interação presencial…

 Colecionam-se “amigos” como se fossem troféus, quanto maior o número, maior a aceitação, a influência e a popularidade… Efémeras companhias, ilusórios companheiros: fantasiar ou idealizar relações não é o mesmo que vivê-las e experienciá-las na vida real…

 Há quem não consiga passar sem “consumir diariamente uma certa dose” de redes de comunicação virtual como o Facebook, o Instagram, o WhatsApp, o Twitter, o TikTok ou o Youtube, se referirmos apenas as mais “benignas”… 

 Esse consumo, por vezes compulsivo, pode mesmo transformar-se numa dependência, sobretudo psicológica, e quando, por qualquer motivo, a respectiva privação é forçada ou imposta, podem desencadear-se reacções físicas e psicológicas semelhantes às de um quadro de adição de determinadas substâncias químicas, típicas de uma síndrome de abstinência…

Efectivamente, pode “ficar-se agarrado” ao consumo de determinados produtos tecnológicos, de que são exemplo mais flagrante os jogos online/videojogos…

 Cada vez mais, o comportamento dos jovens é o reflexo do que se passa no seio de muitas famílias e a forma como as famílias funcionam vê-se, comummente, nessa conduta… A percentagem significativa de alunos (crianças e jovens) que passa a maior parte do tempo entregue a si próprio, desprovida de apoio e de acompanhamento familiar ilustra, muitas vezes, esse funcionamento…

 A ausência de comunicação, de partilha, de negociação e, sobretudo, de vinculação afectiva com as respectivas figuras parentais impele, frequentemente, os jovens a “refugiarem-se” nas ditas redes de comunicação virtual, procurando nas mesmas as recompensas afectivas e a sensação de pertença a um determinado grupo que, de outra forma, não obteriam…

 Mas o resultado mais comum disso costuma ser o surgimento de uma certa alienação e da prisão dos jovens a um mundo meramente virtual… As tais redes de comunicação virtual promovem, efectivamente, o isolamento social e o distanciamento físico, apesar de criarem uma expectativa em sentido contrário…

 Perturbador, também, é ouvir de parte significativa dos jovens, a afirmação de que, se lhes fosse permitido, dispensariam as aulas presenciais e o inerente contacto diário e directo com os pares e com os adultos…

 Em Portugal só se discute e escalpeliza um problema quando se está na iminência de uma tragédia ou quando se está perante uma tragédia consumada… Nesse sentido, parece que nos últimos tempos se descobriu que, afinal, os jovens também têm saúde mental…

 A saúde mental costuma ser aquela vertente da saúde que tende a ser olhada com um certo preconceito e um certo desdém, sendo, amiúde, alvo de atitudes estigmatizantes e de discriminação negativa…

 Mas a saúde mental diz respeito a todos e a cada um de nós… Urge olhá-la e tratá-la com toda a seriedade e não apenas como um tema que fica sempre muito bem em qualquer discurso político ou de circunstância…

 Inevitavelmente, todos os dias nos cruzamos com vários “Joões” e alguns deles poderão estar mesmo à nossa frente… Não pode continuar a ignorar-se a existência de alguns comportamentos atípicos manifestados por um número significativo de jovens em contexto escolar, possíveis preditores de eventuais acções disruptivas…

 Sem dramatismos, não ignorar e não desvalorizar, talvez seja a forma mais eficaz de se poderem evitar futuras desgraças ou tragédias…

 

(Matilde)

 

 

 

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Lista Colorida – RR22

Lista Colorida atualizada com colocados e retirados da RR22.

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Motivação e stresse entre docentes

Na edição de hoje do Expresso são apresentados um conjunto de gráficos que comparar a motivação e stress dos docentes portugueses em comparação com outros países.

Portugal tem menos de metade da média da OCDE e UE22 de alunos inscritos em cursos da área da Educação e são  os mais desmotivados e os que sentem mais stress na profissão, estando mesmo em primeiro lugar no último quadro.

Se estes dados não são analisados pelos políticos é sinal que a Educação nunca será prioridade para este governo. Para isso é necessário valorizar os professores que estão no sistema de ensino, de valorizar quem já é formado no ramo ensino e ainda está por colocar e essencialmente atrair novos jovens para o ramo educacional.

 

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331 Contratados na RR22

Foram colocados 331 contratados na Reserva de Recrutamento 22, distribuídos de acordo com a seguinte tabela:

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Reserva de Recrutamento n.º 22

 

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 22.ª Reserva de Recrutamento 2021/2022.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 21, até às 23:59 horas de terça-feira dia 22 de fevereiro de 2022 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 22

Listas – Reserva de recrutamento n.º 22 

 

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Regulamentação do Programa Trajetos

 

Portaria n.º 98/2022

 

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Professores precisam-se

Valorizar a carreira docente e atrair jovens para a profissão obrigar-nos-á a pensar num outro modelo de avaliação de professores.E, porque não, de avaliação de escola. E, já agora, das lideranças.

Professores precisam-se

Há muito que sabíamos da problemática em torno do envelhecimento da população docente em Portugal e o estudo do Perfil dos Docentes, realizado pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência entre 2009 e 2020, só veio confirmar algo que era evidente até mesmo para os mais distraídos. A título de exemplo, em 2019/2020, apenas 33 professores com menos de 30 anos lecionavam nas escolas públicas do 1º ciclo. Ora, tendo em conta que, neste mesmo nível de ensino, acima dos 40 anos estão mais de 21 000 professores, não é fácil antecipar a dimensão do problema que iremos enfrentar em breve.

Interessa portanto perguntar: o que tornou a profissão de professor tão pouco apelativa para os jovens e como podemos inverter esta situação? Esta não é uma questão à qual se responda de uma forma simples e linear, logo é importante olharmos para as diferentes dimensões do problema.

Ler aqui

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Isto é Gozar Com Quem (Pouco) Trabalha

Parece estranho, mas não é.

Existem horários de trabalho em concurso com uma e duas horas semanais.

Depois não é de estranhar que poucos queiram ser professor.

 

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IMPORTANTE | AOS PROFESSORES de ARTES VISUAIS e de EDUCAÇÃO ARTÍSTICA 

 

IMPORTANTE | AOS PROFESSORES de ARTES VISUAIS e de EDUCAÇÃO ARTÍSTICA
(1.o ciclo/2.o ciclo/3.o ciclo/secundário/profissional/artístico especializado/superior)
PREENCHE e PARTILHA este importante INQUÉRITO da APECV (www.apecv.pt).
Impactos atuais da Pandemia COVID19 no ensino e na aprendizagem nas Artes Visuais e na Educação Artística  [fev.2022]
Pedimos que dispense apenas 15 minutos do seu tempo a responder a este curto, mas muito importante, questionário.
Pretendemos recolher informações e opiniões em relação aos principais impactos educativos e profissionais que a Pandemia COVID19 teve (e tem) no desenvolvimento de funções dos docentes afetos aos grupos da Educação Artística, assim como no ensino e aprendizagens das crianças, jovens e adultos; entendendo, paralelamente, de que modo cada comunidade educativa se encontra a desenvolver um plano de ação para ultrapassar as dificuldades diagnosticadas.
A informação recolhida permitirá que a APECV possa desenvolver um apoio mais efetivo aos seus associados e às comunidades educativas que acompanha (nos diversos projetos que tem em curso), nas áreas que forem consideradas, pelos respondentes, mais relevantes.
A participação neste questionário é livre, pelo que poderá dele desistir a qualquer momento. Durante a sua realização não solicitamos dados pessoais que permitam identificar os respondentes.
Agradecemos antecipadamente a sua colaboração, assim como, se possível, a partilha deste inquérito junto dos docentes de áreas/disciplinas das Artes Visuais e da Educação Artística (do 1.º ciclo do Ensino Básico até ao Ensino Superior). Essa partilha é essencial para que possamos recolher o maior número de contributos.
Muito obrigado!
APECV | fevereiro 2022

 

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Se o PS teimar em não recentrar a escola – Paulo Prudêncio

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Há cerca de uma década que se percebe no Ocidente que a falta de professores será estrutural. As políticas educativas aplicadas vinte anos antes foram fatais. Traduziram-se na redução paulatina dos orçamentos da Educação através das “Novas Políticas de Gestão Pública” (iniciadas por Thatcher e Reagan e continuadas por Clinton, Blair, e Schröder) renovadas nas recentes projecções da ⊄OCDE e do Fórum Económico Mundial para a redução de professores na transição digital em paralelo com a sua “uberização”. Aliás, Portugal já entrou nesse universo: mão de obra ainda mais precária é a resposta para a crescente falta de professores.

Se o PS teimar em não recentrar a escola

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Apresentação da Plataforma “EstudoEmCasa

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Stress na profissão docente

 

Ao longo da história das nações o ensino tem assumido um papel preponderante na sociedade. Como tal, aos professores têm sido colocadas diversas exigências profissionais consoante as épocas e os regimes vigentes. Em Portugal, nos últimos 20 anos a profissão docente tem sido desvalorizada de modo acentuado: as reformas fazem-se e desfazem-se sem avaliar resultados, importando e tentando implementar modelos estrangeiros já obsoletos, sendo a burocracia uma constante há mais de 40 anos.
Neste contexto, um estudo de 2018 realizado pela equipa de Raquel Varela, com trabalhos no âmbito da formação de professores, que evidencia o elevado número de professores com exaustão emocional devido à burocracia e à indisciplina nas escolas. Estes números não parecem surpreender no mundo docente, contudo discordo da interpretação do psicólogo Eduardo Sá, porque os professores portugueses ainda desmotivados conseguem mesmo motivar os seus alunos, muitas vezes às custas do seu próprio bem estar e saúde, pois o seu nivel de stress é comprovadamente dos mais elevados da europa (2021).
Na minha opinião, o stress desregula o nosso sistema natural de alerta para a presença de perigo à  nossa volta. Assim, o sistema de descontração natural não é suficientemente utilizado, surgindo no nosso organismo efeitos cumulativos da adaptação a circunstâncias desconfortáveis e preocupações excessivas.
Enquanto professora numa sociedade em mudança crescente, parece-me que “corremos com uma armadura vestida” (McKenna) e o tempo é escasso para tudo nos é exigido: documentos mais ou menos extensos, ficheiros com mais ou menos grelhas, formulários com mais ou menos cruzes, atas com mais ou menos linhas, recursos e plataformas digitais mais ou menos inovadores, disponibilidade plena, talento inequívoco, infalibilidade… Somos professores, seres humanos, não somos ainda robôs desprovidos de sentimentos e estamos a sentir que controlam não apenas cada movimento, mas também a nossa própria respiração! Como tal, nós, professores, no nosso quotidiano, conscientemente ou não, ficamos angustiados, sem vínculo laboral durante décadas, tratados por muitos como mão de obra barata, a trabalhar em diferentes ambientes e locais, deslocalizados e contactando com problemáticas distintas e mesmo surpreendentes. Não é por acaso que professores cada vez mais novos já sentem o desgaste profissional de anos de prática educativa. Contudo, apelamos à muito invocada resiliência, que tudo soluciona por estes dias, cientes de que continuamos a ter um papel preponderante para concretizar o sonho inicial de um mundo melhor construído pelas crianças e adolescentes que ensinamos! Como dizia Sebastião da Gama, “pelo sonho é que vamos” e com José Régio reafirmo “Não sei por onde vou, não sei para onde vou, sei que não vou por aí!”
Com os melhores cumprimentos, a professora de biologia.

 

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Novo Despacho do PNLNM não prevê crédito horário… mais do mesmo

 

Foi publicado em Diário da República o despacho que regulamenta as condições de ensino do Português Língua Não Materna. O problema deste despacho é despachar mais trabalho em cima dos mesmos. Para o operacionalizar são necessários recursos humanos, mas o despacho não o prevê. Será que teremos um Despacho sobre o Despacho ou estamos despachados?

O despacho agora publicado confere às escolas novas possibilidades, designadamente:
– A previsão de frequência parcial do currículo garantindo mais tempo para um período inicial de aprendizagem do português;
– A frequência de atividades a desenvolver durante o período horário de dispensa das disciplinas previstas na matriz curricular do respetivo ano de escolaridade. Estas devem promover, designadamente:
– A familiarização com o espaço escolar, com as suas valências e respetivas ofertas educativas, fomentando, se possível, a utilização de espaços comuns;
– O contacto com falantes nativos de português, do mesmo grupo etário;
– O conhecimento da realidade e história da região, assim como ao contacto com instituições da comunidade local;
– O estabelecimento de ligações entre aspetos culturais de Portugal e do país de origem;
– A mobilização e valorização da língua materna do aluno;
– O sentido de pertença à comunidade;
– O desenvolvimento do conhecimento da língua e cultura portuguesas, bem como o reconhecimento e a valorização da diversidade como oportunidade e como fonte de aprendizagem para todos, no respeito pela multiculturalidade da comunidade escolar;
– O envolvimento dos pais ou encarregados de educação.

 

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Recrutamento: Professores de Língua Portuguesa para Timor-Leste | Projeto Pro-Português

 

Professores de Língua Portuguesa para Timor-Leste | Projeto Pro-Português

Prazo limite de candidatura: 1 de março de 2022

 

 

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Comunicado de Imprensa | Direito à Compensação pela Caducidade de Contrato

 

COMUNICADO DE IMPRENSA

Governo Regional dos Açores em dívida com os docentes 

A justiça já decidiu. 
O Governo da República paga. 
O Governo dos Açores não quer pagar. 

Continua o Governo Regional dos Açores (GRA) a não respeitar o princípio da igualdade entre a classe dos professores a lecionar nos Açores, na medida em que não está a cumprir com o disposto na Lei ao não pagar a compensação por caducidade dos contratos de trabalho. 

Dita o artigo 344º do Código do Trabalho aplicável pelo artigo 293º do Anexo da Lei n.º 35/2014, de 20/06 (Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas) que têm direito à compensação os trabalhadores em que a entidade empregadora não comunicou a renovação do contrato. 

“O que revela, para efeitos de determinar se há ou não lugar à compensação, é saber se até 30 dias antes do prazo do contrato em vigor, a entidade [empregadora] comunicou ou não vontade de o renovar.” – Cita o Douto Acórdão n.º 503/2021, do Tribunal Constitucional. 

Não havendo comunicação para renovar o contrato de trabalho, o mesmo caduca e, nessa decorrência, o docente tem direito a compensação. 

Houve tolerância por parte do Sindicato Democrático dos Professores dos Açores – na exata medida em que o atual elenco governativo parecia mostrar vontade e seriedade em repor a justiça quanto ao não pagamento da compensação por caducidade do contrato de trabalho dos docentes – conhecendo-se os fundamentos aduzidos e provados pelo Tribunal Constitucional que deu razão a este Sindicato e, ainda, à decisão do Governo da República em processar a compensação da caducidade aos seus professores. 

Certo é que os professores dos Açores que não receberam o pagamento que lhes é devido, tendo remetido inúmeros requerimentos a pedir os créditos laborais pela caducidade, não têm obtido respostas, escusando-se a administração educativa ao cumprimento dos prazos legais estabelecidos no Código do Procedimento Administrativo, no que respeita ao direito à informação. 

Nesta circunstância é de todo inqualificável a atitude do GRA que tarda em pagar o que deve. Está a privar os professores de um direito laboral. 

Notificado o SDPA da sentença proferida pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Ponta Delgada que sustenta a pretensão de um associado e cujo teor é oficialmente comunicado à Senhora Secretaria Regional da Educação, admite este Sindicato que para além da denúncia pública que a situação merece, irá recorrer judicialmente, em representação dos seus associados, e intentar ações administrativas contra a Região Autónoma dos Açores.    

A Direção, em 16-02-2022 

 

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PISA tem “problemas metodológicos”

“Se um Governo afunilar a sua afinação de políticas pelo PISA está a cometer um erro crasso e a limitar bastante a capacidade de ler as políticas”

“Não há manipulação”, precisa o coordenador, mas há “várias incoerências”. Um dos exemplos de “limitações” do estudo é a amostra portuguesa de 2018, uma vez que a taxa de resposta (76%) ficou abaixo do limite técnico inferior de 80% imposto pela OCDE.

“Se um Governo afunilar a sua afinação de políticas pelo PISA está a cometer um erro crasso e a limitar bastante a capacidade de ler as políticas”, alerta António Teodoro. As conclusões do estudo serão discutidas esta quarta-feira, numa conferência em Lisboa, onde participam especialistas internacionais e nacionais, entre os quais João Costa, secretário de Estado da Educação nos últimos seis anos.

Estas “limitações” colocam em causa as conclusões retiradas do PISA, alerta um estudo, coordenado por António Teodoro, da Universidade Lusófona a que o jornal “Público” teve acesso.

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Opinião – A meritocracia na ADD – Luís Sottomaior Braga

 

 

Professor, 50 anos, 25 anos de serviço, 4º escalão, menção na ADD (quando terminar a avaliação em Julho) nunca mais de Bom. Destino: vagas para esperar o 5º…..

Conjunturalmente estou subdiretor do agrupamento em que sou professor de quadro de agrupamento e penso passar os 17 anos de carreira que me faltam (não nessa função, entenda-se, porque a limitação de tempo em funções é boa, até para mim).
Quem fale de carreira e avaliação de docentes devia fazer sempre a sua declaração de interesses.
O que fiz acima.
“És dos de cima ou dos de baixo?”
Queres melhorar a carreira para futuro, porque és do grupo que nunca vai estar no escalão certo, não passaste ainda do sexto ou és contratado e não tens escalão?
Ou estás no 8º, 9º ou 10º e com os 2 aninhos já a coisa ficou composta (ou até estás no escalão certo, que até foi criado de propósito) queres raspar-te para a reforma, com 60, e quem vier atrás que se lixe a penar, 2 ou 3 escalões abaixo daquele em te vais reformar, e esses com horizonte até aos 67 ou mais?
Saber isto ajuda a entender o texto porque é o “autor e a sua circunstância”.
Eu sou “dos de baixo”.
3 semanas a ouvir falar de avaliação, mérito, excelência, com poucas referências a justiça ou até misericórdia ou superação fizeram-me ir ao refúgio da filosofia.
Confesso que estou farto de ver gente que julgo, pelo convívio, que até evito, intelectual e profissionalmente medíocre, a esgadanhar-se para o “celente” ou “muita bom” porque quer mais uns mesinhos e uns troquinhos.
O sistema é mau e até imoral, mas é piorado pelo comportamento de quem age nele, que não busca mais nada que não o interesse próprio, até contra a lógica comum.
Tenho-me lembrado muito da frase de Marco Aurélio: o que é mau para a colmeia, não pode ser bom para a abelha. Aumentar a injustiça, mesmo num sistema de partida injusto, beneficiando alguém artificialmente, não dá justiça a ninguém e prejudica abelhas sem culpa nenhuma.
É uma forma muito portuguesa de meritocracia seletiva: batem com a mão no peito a proclamar que a excelência não existe, a diferenciação é inútil, mas se houver o excelente é sempre para quem enuncia e ele/a é quem deve ser diferenciado/a para mais.
E quem tem unhas toca guitarra e até há vagas de quota adicionais para criar.
Ver gente que diz que a ADD é uma encarnação demoníaca, mas que escreve páginas e páginas a enredar-se na discussão do seu suposto mérito pessoal e a reclamar que não lho emolduram, é divertido. E bom para filosofar.
Até porque ajudei alguns, de outros agrupamentos, a escrever. Contradições de quem acha que a solidariedade tem mais valor moral que o julgamento.
Mas sempre me ouviram, antes da ajuda, que se tivessem posto tanta energia nas lutas coletivas, que podiam ter feito a diferença na recuperação de carreira, não tinham a lutinha pequenina dos criteriozinhos e das reclamaçõeszitas para a vaguinha de quotinha adicional para não ir para a listinha do escalão. .
A ironia é até ver gente que não teve uns trocos para ajudar na greve às avaliações gastar, bem mais, no advogado para reclamar do bom (que, quem os conhece, acha que foi bem bom).
E sempre com reclamações que nunca descem ao sistema, mas ficam sempre no quintal do reclamante. Nunca vi nenhuma que, por exemplo, viesse discutir a invalidade jurídica das normas aplicadas ou por que são as normas da ADD regulamentos “inovadores”? Ou que discutisse as quotas com comparação das notas dos outros concorrentes nelas.
Isso era discutir o sistema não a nota.
E quando tal se sugere acaba tudo muito ordeiro e sem incomodar os colegas. Tudo muito pequenino e quase a pedir desculpa por incomodar. Venha a vaguinha adicional e fica o sancho pança bem servido.
Para quê encarar as velas cortantes do que nos mói?
Ajudando a agir, no tempo certo, tinham tido anos e tinham justiça.
Derrotado e traido pelos sindicatos da plataforma nessa greve e na ILC, tenho a boa memória pessoal dos atos, que tiveram muitos autores, e, no fim, vamos ser só bons na mesma e assentar arraiais na lista das vagas.
Se me passarem à frente, azar.
Já não são os primeiros.
A diferença é que eu escolhi.
E isso para mim vale muito. E não me estou a gabar. Só a informar, que quando falo de avaliação, me pus pessoalmente de fora. E até admito que haja quem não compreenda ou queira distorcer a decisão No regime em que estou, e podia não estar, não passo de Bom.
E digamos que, se tanta gente quer ser excelente e muito bom, também não era ilógico que me habilitasse à taluda.
Mas nem tudo o que é lógico é ético. E para mim, no meu juízo individual, porque a ética é pessoal.
Ficar de fora a ver o circo das vaidades e da energia de luta pelo puro interesse próprio é, além de tudo, educativo.
A meritocracia é uma ideologia e não deve ser “naturalizada”. É uma forma de darwinismo social e na natureza os ecossistemas não se baseiam só na predação.
A animação vale muito a pena e as víboras são um belo elemento gráfico.

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Na Madeira a carreira também é pouco atrativa e a vinculação só ao fim de 5 contratos consecutivos

 

 

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Quatro pontos nos ii – Santana Castilho

 

1. Quem conheça minimamente o que se passa no nosso sistema de ensino, e tenha lido o que a Direcção-Geral da Educação publicou (Relatório de Acompanhamento, Monitorização e Avaliação da Autonomia e Flexibilidade Curricular), só pode sentir repulsa pelo descaramento do discurso oficial. A avaliação séria é feita por instâncias independentes, que se pronunciam com base na análise de processos, documentos e resultados. Uma narrativa bajulatória, em que os juízes são os promotores do que é avaliado, é uma fraude.
Aquele relatório é uma infeliz exaltação das pessoas e das políticas que estão a destruir o sistema de ensino. Enquanto nas escolas, 2º período já adiantado, cerca de 30 mil alunos estão sem professor, pelo menos a uma disciplina, a propaganda oficial tortura os números e manipula os factos, para enganar os portugueses. Entendamo-nos: a inovação que o relatório incensa é tão-só a retomada de pedagogias datadas, que falharam quando há décadas foram usadas; a flexibilidade curricular que o relatório elogia é a metáfora oficial para promover a degradação do currículo coerente, com a intencionalidade de conseguir resultados falsos; a autonomia que o relatório glorifica é um disfarce sem vergonha para a pulsão controladora dos dois últimos governos do PS. Daquele relatório não se retira qualquer contributo para resolver os desafios que se colocam ao futuro da Educação.

2. Primeiro foi um juiz de Sintra, que mandou libertar uma família coercivamente posta em prisão domiciliária durante 13 dias, devido a um caso de infecção por SARS-CoV-2. Diligentemente, o magistrado foi mais longe e avisou mesmo as autoridades locais de saúde e as forças policiais de que incorreriam em responsabilidade criminal se tentassem obrigar as vítimas a continuar encerradas na residência.
Depois, em situação similar, outra jovem foi libertada noutro tribunal, por outro juiz, que escreveu na sentença: “A compressão do direito constitucionalmente consagrado da liberdade tem de obedecer à lei e à Constituição, sob pena de, não acontecendo, estarmos a seguir por caminhos perigosos”.
Há dias, foi o Tribunal Constitucional que se pronunciou e disse que o isolamento de turmas durante a situação de calamidade violou a Constituição. E que aconteceu? Do alto do seu pedestal sanitário, o Ministério da Saúde desprezou os acórdãos, ungiu-nos com álcool-gel e garantiu que a norma em causa continuaria em vigor.
Este caminho, que desvaloriza a autoridade do Estado e a sua lei fundamental é, de facto, perigoso. Particularmente porque quem, em Abril de 2020, disse que o confinamento era para manter, “diga a Constituição o que diga”, tem hoje maioria absoluta.

3. De proveniências diversas, foram muitas as loas tecidas a propósito de mais uma vitória nacional: a nossa taxa de abandono escolar precoce fixou-se em 5,9%, quando na União Europeia está estabilizada em torno de 10%. Acontece que esta taxa não mede o que quem rapidamente a elogiou terá pensado. Esta taxa é calculada a partir do Inquérito ao Emprego, que não a partir das bases de dados do Ministério da Educação e dos percursos dos alunos. Dito de outro modo: só ficam sob o radar dos cálculos os jovens entre os 18 e os 24 anos que procuram oficialmente trabalho, sem terem concluído o ensino obrigatório. Não contam para os cálculos os que não se alistem oficialmente ou os que, não tendo concluído os estudos, estejam a frequentar uma qualquer formação, das muitíssimas que existem e mascaram a realidade. Isso mesmo reconheceu uma auditoria do Tribunal de Contas (Junho de 2020), particularmente crítica em relação às metodologias utilizadas para medir o abandono escolar, onde se lê que “não existem, no sistema educativo nacional, indicadores para medir este fenómeno”. No mesmo sentido se pronunciou o Conselho Nacional de Educação (CNE), quando afirmou que os “número reais” do abandono “devem ser superiores aos valores oficiais”.

4. Por leviandade de procedimentos e irresponsabilidade de decisões, 80,32% dos votos dos emigrantes da Europa foram para o lixo. Os 671.322 votos em partidos que não elegeram deputados nos respectivos círculos, aproximadamente 13% dos que entraram nas urnas, foram inúteis. Por cada 19 mil votos, o PS elegeu um deputado. Mas o Livre precisou de 69.000 e o PAN de 82.000. As leis eleitorais servem a democracia?

In “Público” de 16.2.22

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Falta de investimento na Educação e nos Professores – Carlos Santos

 

“No caso de um professor com deslocações ou desterrado para longe, o rendimento sobejante é miserável (demonstrando o motivo pelo qual dentro de um par de anos quase não haverá professores). É este o incentivo que se quer dar à formação dos jovens? É esta a aposta na qualificação de um povo quando nos dias de hoje a verba do PIB destinada à Educação é quase metade do que a verba de há 15 anos atrás? Nunca seremos um país produtivo enquanto continuarmos a ser incapazes de começar um edifício pelos alicerces.”

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Educação- O principal pilar na construção do futuro

 

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Nos Açores as reformas antecipadas são recusadas aos professores

 

Governo recusa reformas antecipadas para professores porque continuaria a pagar o ordenado e a ter de contratar novos docentes para ocupar as vagas

 

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AFCD – “A Europa na escola – Formação para professores”

 

A DGE informa que vai realizar-se uma AFCD de 6 horas, intitulada A Europa na escola – Formação para professores, promovida pela Representação da Comissão Europeia em Portugal, em parceria com a Direção-Geral da Educação, tendo por objetivo promover o conhecimento sobre a União Europeia e capacitar os professores dos diferentes níveis de escolaridade (1.º CEB, 2.º CEB, 3.º CEB, ensino secundário e ensino profissional), para o desenvolvimento de atividades de Educação sobre a União Europeia, envolvendo os alunos nos diversos domínios de Cidadania e Desenvolvimento.

Para mais informações, aceda a https://www.aeuropanaescola.eu/formacao/

As inscrições decorrerão entre 01 e 21 de fevereiro de 2022.

Local: A distância

Critérios de seleção: Ordem de inscrição, desde que sejam docentes da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário em exercício efetivo de funções em agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas da rede pública; das escolas públicas portuguesas no estrangeiro e nas escolas europeias; do ensino particular e cooperativo em exercício de funções em escolas associadas de um CFAE.

Para se inscrever, clique aqui.

 

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Atentado à escola

 

O presente ano escolar tornou-se impraticável. As crianças começaram a ir para casa constantemente cumprir isolamento por causa da professora, do auxiliar ou do colega que tinha testado positivo…

Atentado à escola

Os últimos três anos letivos têm sido um verdadeiro atentado à escola, tal como a conhecíamos. Apesar do incessante esforço das instituições e do corpo docente – que se tem adaptado, acumulado tarefas e superado –, a escola como a conhecíamos, que se levava a sério, certa e exigente, tem vindo a desmoronar-se.

Se há um ano, já com a experiência de 2020 de ensino à distância, foi tão polémico o período em que as escolas voltaram a encerrar – porque veio mais uma vez evidenciar as diferenças entre as instituições, as famílias e lembrar que os meios prometidos não tinham sido disponibilizados – este ano, pelo terceiro ano letivo consecutivo, as diferenças e injustiças já não suscitam qualquer preocupação ou indignação.

O presente ano escolar, a partir de uma certa altura, tornou-se impraticável. As crianças começaram a ir para casa constantemente cumprir isolamento por causa da professora, do auxiliar ou do colega que tinha testado positivo. Algumas instalações já tinham câmaras de filmar de modo a permitir que quem fosse para casa pudesse acompanhar as aulas. Mas outras não. Depois de três semanas de férias e outras tantas de isolamentos, os casos positivos proliferaram e houve escolas com turmas quase vazias. Houve famílias que ficaram mais de um mês em isolamento e muitas crianças e jovens ficaram simplesmente sem aulas, enquanto, na sala, os professores iam tentando lidar com a entrada e saída constante de alunos.

Estranhamente não tinha sido preparado qualquer plano que protegesse os alunos que estavam em casa. Algumas escolas tinham meios físicos e humanos para dar apoio à distância. Outras não. Num dia o aluno está na escola, no outro vai para casa, falta às aulas, aos testes, e depois regressa, como se nada se tivesse passado.

A indiferença e leviandade com que as crianças foram enviadas para casa sem se ter assegurado o acesso geral às aulas ou algum tipo de acompanhamento não só vem acentuar mais uma vez as diferenças entre as escolas, famílias e alunos, como contribuir para descredibilizar o papel da escola. A mensagem que se passa é que faltar não é grave e que em casa se aprende o mesmo. Houve crianças que falharam várias semanas de aulas sem sequer terem estado infetadas. Muitas ficaram em casa vários dias entre conseguirem marcar teste e receberem o seu resultado. Outras por precaução. E imensas em isolamento devido a um caso positivo no agregado.

Se o ensino já suscitava algumas dúvidas, quer pelos meios pouco eficazes quer pelos programas extensos e pouco adequados, o que dizer agora após três anos de escola intermitente e imprevisível, aulas dadas tanto por professores, pais ou em regime autodidata, dúvidas que ficam por tirar, matérias que ficam por aprender e bases que nunca vão existir? Como seguir em frente como se nada fosse? Como ignorar as lacunas e injustiças que se têm imposto? A escola afinal não é importante? Já não é para ser levada a sério? É necessário parar e refletir sobre estes anos e encontrar uma solução que devolva à escola o seu estatuto e pare de prejudicar os alunos.

 

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CE quer professores contratados “aumentados”

Pergunto para que servirá entrar na carreira… ou terá “ela” de ser reformulada?

 

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Professores vão ter formação para lidar com emoções

 

Projeto-piloto arranca este ano com 200 voluntários. Objetivo é que posteriormente a formação seja ministrada nos centros.

Um projeto-piloto pioneiro de formação socioemocional para professores vai arrancar ainda este ano letivo. A garantia foi dada ao JN por Pedro Cunha, diretor do programa Gulbenkian Conhecimento, que organizou o curso com o apoio do Ministério da Educação e espera, no próximo ano, ter os centros de formação para professores aptos a alargarem as competências a todos os profissionais da educação.

Os dois módulos que compõem o curso estão prontos e só aguardam que seja ultimado o processo de certificação por parte da Universidade do Minho. Logo que esta etapa esteja concluída, arrancará o projeto-piloto que terá a duração de três meses e envolverá 200 voluntários, repartidos por 10 turmas de norte a sul do país.

Professores vão ter formação para lidar com emoções

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Logo, a escola privada é boa e a escola pública não presta ou, pelo menos, está em decadência

 

Mais uma vez assistimos a um jornalismo sensacionalista no que a assuntos da Educação diz respeito. Já estamos habituados, mas longe vai o tempo em que, de imediato, o poder da Educação punha cobro a intenções destrutivas.

Da manipulação noticiosa – verdades, não verdades e subentendidos

O Conselho Nacional de Educação (CNE) publicou, a 3 de fevereiro, o relatório “Estado da Educação 2020”, que, além de dados estatísticos sobre a situação educativa portuguesa (e.g. demografia, número de alunos, literacia, recursos humanos, investimentos, etc.), inclui um capítulo sobre a gestão da pandemia, dois com depoimentos de especialistas em educação e um glossário.

A publicação fez notícia nos meios de comunicação, que destacaram aspetos diferentes do relatório (denotando a quantidade e diversidade de informação deste), em títulos como: “Escolas perderam 322 mil alunos numa década, revela Conselho Nacional da Educação” (Lusa e RTP), “Escolas perderam 322 mil alunos numa década” (Público), “Portugal em risco de ter poucos professores habilitados ‘num futuro próximo'” (DN), “Educação: pela primeira vez, mais de metade dos homens completou o ensino secundário em Portugal” (Expresso), “Menos procura de formação de adultos, divulga um relatório do CNE” (Observador).

A notícia publicada na página da Rádio Renascença (RR): reporta a preocupação do CNE pelo facto de se prever que a escola pública perca “quase 20 mil professores nos próximos sete anos”, devido ao decréscimo demográfico e ao envelhecimento da população, pois estes atingem os alunos (menos 300 mil na última década) e os professores; destaca a falta de atratividade da profissão docente, com palavras da Presidente do CNE, que é citada no título; dá conta de algumas propostas do CNE para obviar ao problema; refere uma entrevista com o secretário geral da Federação Nacional de Educação.

O título da peça noticiosa é “Escola pública perdeu mais de 300 mil alunos. “As pessoas não querem ir para professores””.

Este título constitui uma descarada manipulação da informação que, putativamente, pretende veicular.

O relatório do CNE não estabelece distinção entre a escola pública e a privada nem no que respeita à perda de alunos nem à falta de atratividade da profissão docente. O relatório destaca o setor privado relativamente ao ensino pré-escolar (para dar conta de que a maioria das crianças do pré-escolar frequentam escolas privadas), estabelece comparações entre os dois setores quanto ao ensino universitário e vai estabelecendo comparações pontuais (e.g. computadores disponíveis, acesso à internet, investimentos). Nenhuma relação é, pois, estabelecida entre perda de alunos e falta de atratividades da profissão, por um lado, e setor público ou privado, por outro; e, no entanto, a notícia da RR estabelece descarada e falaciosamente a relação entre estes aspetos negativos e a escola pública, o que leva o leitor (que geralmente mais não lê do que o título das notícias) a subentender que:

– na escola privada estes fatores negativos não se verificam (não há quebra do número de alunos e os professores estão satisfeitos),

– logo, a escola privada é boa e a escola pública não presta ou, pelo menos, está em decadência.

Os propósitos visados são óbvios: convencer o leitor de que a privatização do ensino (e.g. incremento dos apoios ao setor privado, com ou sem prejuízo do ensino público, atribuição de cheques-ensino para subsidiar as famílias que escolhem escolas privadas) é o caminho a seguir, como rezam as cartilhas de alguns partidos políticos.

É legítimo defender estas ideias, com clareza, transparência; vivemos em democracia. Inaceitável e pouco honesto é venderem-nos doutrina disfarçada de informação, qualquer que seja o vendedor.

Temos mesmo que ler melhor e mais criticamente.

 

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2ª Feira – Os velhos e novos professores, os biscateiros, o (des))mérito e as vistas curtas

 

2ª Feira

Os velhos deviam reformar-se e dar lugar aos novos. Os velhos não podem reformar-se porque não há novos. Os velhos deveriam ter redução para permitir a entrada no quadro de sangue novo. Os velhos não deveriam ter reduções porque há alunos sem aulas. Há demasiados candidatos a professores, é necessário fechar ou reduzir os cursos de formação inicial. Há falta de professores, é necessário abrir ou aumentar os cursos de formação de professores. Os professores têm demasiados privilégios e ganham muito bem, é necessário dificultar-lhes a carreira e reduzir os salários. Os professores enfrentam demasiadas dificuldades e ganham pouco, é necessário facilitar-lhes o acesso a uma carreira com melhores condições.

O problema de quem não pensa além do prazo curto e da conveniência particular é que diz uma coisa e o seu contrário com muito pouco tempo de intervalo e escasso decoro. As circunstâncias não mudaram. Era tudo previsível. Não se desculpem com troikas. E, antes disso, não se justifiquem, alegando teorias da treta sobre “mérito” e coisas assim. Como se pode ver, o que conseguiram ao limitar o horizonte de carreira foi afastar candidatos à docência e ter de recorrer de novo a quem acaba por andar a fazer “biscates” à moda dos tempos em que alguns jornalistas deram um par de anos de aulas. Afinal, quase tudo se baseou apenas em preconceitos e numa enorme desresponsabilização sucessiva de decisores de vistas curtas e escassa “integridade”.

 

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A organização do ano letivo em dois semestres tem cada vez mais “adeptos”.

 

​​​​​ São já cerca de 330 mil alunos (quase um terço do total) que estudam de acordo com este modelo que reestrutura o funcionamento das escolas, da avaliação ao serviço docente, mas não só. O impacto vai além dos portões dos estabelecimentos: os pais, por exemplo, têm de se adaptar a novos períodos de pausas letivas, tal como centros de atividades de tempos livres (ATL) ou atividades de enriquecimento curricular (AEC). É uma revolução em curso sem imposição legal.

 

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A Ler

Verdade se diga às vezes confundo determinados jornalistas com avençados…com agendas escondidas.

Domingo | O Meu Quintal

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Absentismo escolar vai manter-se elevado nas próximas semanas

 

O absentismo escolar e laboral vai manter-se elevado nas próximas semanas. Segundo o relatório das linhas vermelhas, a atividade epidémica é ainda acentuada e a linhagem BA.1 da variante Ómicron é dominante em Portugal.

A situação pandémica no país e o consequente isolamento são responsáveis por muitas faltas nas escolas e no trabalho. Nas próximas semanas, deve manter-se o absentismo porque, apesar de uma tendência decrescente em todas as regiões do país, o vírus mantém uma elevada atividade, com pressão nos serviços de saúde e na mortalidade.

Segundo o relatório das linhas vermelhas relativo aos últimos 14 dias, registaram-se 63 mortos por milhão de habitantes e, nos cuidados intensivos, a ocupação foi de 66%.

A linhagem BA.1 da variante Ómicron é ainda dominante, mas tem vindo a dar espaço à mais recente linhagem, a BA.2, que tem aumentado progressivamente a circulação.

Absentismo escolar e laboral vai manter-se elevado nas próximas semanas

 

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Como o ensino híbrido invadiu as nossas escolas

  No final da leitura, todos concordaram que o herói de Ali Babá e Os 40 Ladrões é a escrava Morjana. Na aula de Português do 6º ano, a professora Andreia Oliveira mantém a preocupação de a matéria poder ser dada tanto na sala de aula, como online. Enquanto os 16 alunos vão ocupando os seus lugares, em casa, dois colegas usufruem do ensino à distância. É preciso ligar os computadores e mostrarem-se pela câmara – podem levar falta se não respondem até à terceira chamada. Na sala 2.06 da Escola Secundária Gil Vicente, em Lisboa, liga-se o projetor para aceder às páginas de leitura do conto arabesco.

COMO AS ESCOLAS ESTÃO A DAR A VOLTA À ÓMICRON

E não são apenas os alunos que assistem a aulas a partir de casa, os professores, também, estão a lecionar de casa para a sala de aula quando se encontram em isolamento profilático. A solução do ensino híbrido invadiu as escolas portuguesas, resta saber se veio para ficar…  

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A falta de professores nas escolas continua…

Cerca de 30 mil alunos estarão sem professores pelo menos a uma disciplina. Escolas apostam no reforço de horas extraordinárias, mas esta solução poderá conduzir a um aumento das baixas médicas, alerta dirigente da Fenprof.

Há outra vez mais professores em falta nas escolas. “Assim torna-se complicado”

Os professores de Educação Especial e do 1.º ciclo estão entre os mais procurados pelas escolas para substituírem docentes que, entretanto, entraram de baixa médica. Em conjunto somavam esta semana 1507 das 6207 horas de aulas que estavam a concurso: em Educação Especial estavam por garantir 810 horas e no 1.º ciclo (1.º ao 4.º ano de escolaridade) outras 697.

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Da novela, “Falta de vergonha”

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Ser professor hoje é mais do que ser professor – STRESS DOS PROFESSORES

 

STRESS DOS PROFESSORES

Ser professor hoje é mais do que ser professor. Falemos do ensino não superior, onde às atividades letivas se soma uma imensidão de tarefas administrativas. O relatório Eurydice “Os Professores na Europa – Carreira, Desenvolvimento e Bem-Estar”, da Comissão Europeia, aponta este como um dos principais fatores que provocam stress junto dos professores.O relatório recorda os dados TALIS 2018 (OCDE) – Inquérito aos docentes e diretores de escola sobre ensino, ambientes de aprendizagem existentes nas escolas e condições de trabalho. “Na Europa, quase 50% dos docentes do ensino secundário inferior sofrem de stress no trabalho. Em Portugal, quase 90% dos professores declaram sentir stress no seu trabalho, tal como 70% dos professores na Hungria e no Reino Unido (Inglaterra). Ainda mais preocupante é o facto de, nestes três países, a percentagem de professores que sofrem muito stress é o dobro da média na União Europeia”, diz o estudo.É esse mesmo inquérito que refere: “os professores do ensino secundário inferior apontam o trabalho administrativo como a sua principal fonte de stress. Além disso, os dados revelam que três das quatro principais fontes de stress não estão diretamente ligadas às tarefas nucleares da docência: trabalho administrativo, responsabilidade pelos resultados dos alunos e exigências das autoridades educativas”.Em Portugal dois terços dos professores consideraram o trabalho administrativo como causador de stress. A este fator juntam-se outros como o “corresponder às exigências das autoridades educativas”, o “ter demasiados trabalhos dos alunos para avaliar”, ou ainda os que estão diretamente ligados ao seu trabalho, como a preparação de aulas, manter a disciplina dentro da sala de aula, ou registar as preocupações dos pais/encarregados de educação”.Acredito que a pandemia e as exigências com que a escola no seu dia-a-dia é confrontada veio trazer mais dificuldade à tarefa dos professores, mas também ao pessoal não docente, aos pais e às famílias. O regresso ao segundo período das atividades letivas está a ser difícil de gerir, com alunos e professores em confinamento, com a necessidade de garantir àqueles que estão em casa as matérias que são lecionadas na sala de aula; ou a obrigatoriedade (no caso dos diretores de turma) de informar os encarregados de educação sempre que um aluno fica em isolamento devido à Covid-19 (acrescentando assim mais um ato administrativo ao da docência). São tarefas que tornam o trabalho do professor mais díficil e desgastante.Vivemos tempos que não são normais e este foi o caminho encontrado para, de forma célere, dar respostas às situações diárias que estão a surgir. Em tempo de guerra todos devemos ser chamados e todos devemos estar no lado da solução. Na escola é isso que se procura fazer. Mas importa também começar a olhar para o futuro e para as implicações que esta nova realidade, em conjunto com os fatores anteriormente descritos da pré-pandemia, poderá trazer para o corpo docente das escolas, o qual como sabemos está envelhecido; mas também aos alunos que desta vez não são vítimas de opções e programas políticos, mas de uma pandemia que há dois anos nos assola e que certamente deixará marcas…

 

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118 Docentes Aposentados em Março de 2022

No mês de março de 2022 ficam aposentados 118 docentes da rede pública do continente.

A partir deste mês coloco neste quadro a soma do número de docentes vinculados em cada um dos anos para ser feita a comparação com o número de aposentações desse ano.

Desde 2012 aposentaram-se pouco mais de 17 mil docentes enquanto entraram no quadro 14.281 docentes.

No entanto já fizemos o apuramento de quantos docentes entraram no quadro desde 2012 e já ultrapassaram a idade legal de trabalho em funções públicas ou já têm a idade legal para a aposentação.

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Lista Colorida – RR21

Lista Colorida atualizada com colocados e retirados da RR21.

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346 Contratados na RR21

Foram contratados 346 professores na Reserva de Recrutamento 21, distribuídos do seguinte modo:

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2 anos decorridos e o GOVERNO não paga aos Chefes dos Serviços Administrativos em substituição!

Para quem acha que tudo está bem, fica aqui este pedido de divulgação para comprovar que nem tudo está bem.

Neste caso faltam os despachos, desde 2020, do membro do governo das finanças autorizando os processos de mobilidade intercarreiras e intercategorias que passou desde 2020 a ser da sua competência.
Desde 2020, a aguardamos autorização do ministério das finanças… vergonha!
O provedor de justiça escreve várias vezes para o Governo, nem a eles lhes respondem…

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Reserva de Recrutamento n.º 21

 

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 21.ª Reserva de Recrutamento 2021/2022.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 14, até às 23:59 horas de terça-feira dia 15 de fevereiro de 2022 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 21

Listas – Reserva de recrutamento n.º 21

 

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