Vai ser a luta pelos do costume ou vai olhar para outros problemas? (e que venham os comentários, que adivinho simpáticos e fofinhos para mim


….)
Na retórica de Mário Nogueira estranha-se a má percepção da realidade dos professores, que é desfocada pela realidade que o motiva: a dos sócios, dos dirigentes e a própria (de professor de 10º escalão, os únicos professores que estão no escalão certo, criado na altura em que surgiram as vagas do 5º e 7º….).
Quando MN diz, como argumento retórico central, “há muita vontade de sair para a aposentação e isso é muito mau” está a mostrar a sua visão parcial, de quem, há muito, deixou de pensar e de falar de todos e não adapta o discurso às realidades diversas (imbuído do espírito de “unidade”, que só vê certas faces da realidade múltipla dos professores).
Onde estava a “unidade”, de tantos que agora se lamuriam pela reforma, quando foi do exame de acesso à carreira ou da greve às avaliações? Do ut des….
E, lamento para os que acham o contrário, mas reforma não é questão prioritária.
Só quem tenha certa idade tem a possibilidade de pensar na reforma ou ter essa vontade. Os contratados e os 50% estagnados até ao 6º escalão não têm idade ou salário para isso. E quem estiver abaixo do 8º, mesmo com idade, reformado, fica com uma reforma fraca (na linha dos salários de 4º e 5º escalões).
A reforma antecipada, se não for mudança da idade legal, mas benesse provisória para alguns, só interessa a quem estiver no 9º e 10º escalões.
E se a mudança da idade legal for para todos os trabalhadores ainda se entende….
Gente com 45 a 55 anos quer é discutir a estrutura, o salário e condições de trabalho, e não idade de reforma.
E como somos a maioria da classe docente (uns 65%, com uns 30% no 4º e 5º escalão, ) os sindicatos deviam começar a alinhar o discurso pelo real e não pela fantasia de que o grupo que começou a carreira com o ECD atual ainda é a maioria. Para mim e para os da minha idade, a reforma é só daqui a 15-20 anos. Na altura se verá.
Até lá, a discussão que nos interessa é salário e carreira. Se MN quer discutir ajustes grupais na reforma desejo-lhe boa sorte mas que perceba que os problema de menos de 1/3 não podem condicionar a recuperação dos direitos perdidos, face ao percurso desse terço, dos restantes.
No ponto sobre Tiago Brandão acho que toda a gente que tenha relação com escolas concorda. Reconduzir uma nulidade daquelas era, além de tudo, um atentado ao futuro do país.
Este alto minhoto, que não o elegeu, passa bem sem o conterrâneo no governo.