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Eu, observador, me confesso – João André Costa

 

Não dou aulas. Se desse aulas, não teria de me preocupar em chegar à escola às 5:40 da manhã para começar às 6 e acabar o dia 12 horas depois, com sorte.
Não dou aulas, mas como professor não tenho nem emprego nem funções sem a ajuda dos meus colegas e amigos e, naturalmente, sem os alunos cuja existência justifica a razão do meu ser, estas palavras e o porquê de me levantar, não, saltar da cama todos os dias.
Sou coordenador de necessidades educativas, traduzido do inglês Special Educational Needs Coordinator, ou SENCo, e trabalho numa escola nos subúrbios de Londres, uma escola para alunos excluídos cuja violência é tantas vezes a única mensagem possível quando faltam as palavras para explicar o que de facto aconteceu e acontece.
O meu papel é fundamentalmente social, procurando perceber o porquê entre a intransigência da escola e as carências por demais evidentes nas famílias que todas as semanas nos batem à porta.
E ao perceber o porquê, partilhar esta informação, esta compreensão, com os meus colegas, individualmente ou em grupo, no sentido de individualizar e diferenciar o ensino.
Basicamente, perceber porque carga de água um aluno insiste em sair da sala de aula de 3 em 3 minutos e de que modo podemos em conjunto encontrar meios e estratégias para promover a aprendizagem desse mesmo aluno.
E porque o aluno tem uma história de vida e o professor a preocupação de ensinar, cabe-me o dever de observar as aulas e, do ponto de vista do observador, procurar estabelecer pontes.
Sem avaliar o professor. Sem ajuizar ou julgar. Antes apoiar. Antes ensinar.
A minha escola não é caso único. Em Inglaterra há muito que a observação de aulas não tem uma componente de avaliação do professor. Ao invés, pretende-se avaliar o nível de aprendizagem dos alunos de modo a partilhar o sucesso, mas também a responsabilidade, por todos.
Para tal, é fundamental reunir com o professor antecipadamente, falar sobre cada aluno, a dois estabelecer um plano, quais os objectivos, que actividades para cada aluno, que recursos usar entre modelos, jogos didácticos, o quadro interactivo, os portáteis, réguas de leitura, o Teaching Assistant para os alunos mais capazes enquanto o professor ajuda quem mais precisa individualmente, a remoção de cadeiras porque é mais fácil para determinado aluno estar em pé, o aumento do tamanho da letra e/ou a redução dos textos devidamente acompanhados de imagens entre tantas outras estratégias sem fim assim como sem fim é a imaginação e a vontade quando a educação e o futuro das crianças estão em causa.
Nunca como agora foram a cooperação, a entreajuda e a empatia tão importantes.
E nunca como agora foi tão irrelevante ajuizar as competências de um professor através de aulas observadas.
Num mundo minado de guerra e sofrimento que tipo de exemplo pretendemos exercer quando se fomentam as hierarquias?
Até prova em contrário, somos todos iguais. As crianças são todas as iguais. E os adultos são as mesmas crianças.

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O Anticristo de Nostrudamus

 

Coisas com que raramente me entretenho, mas que me dão um certo gozo pelas mil e uma interpretações que podem ter, dependendo do dia e do que estiver a acontecer por esse mundo.

Nostradamus define 1999 como o surgimento da terceira besta.

Putin exerceu como primeiro-ministro entre 1999 e 2000. Mas, também, Xi Jinping começou como Governador de Fuquiém de 1999 a 2002.

“Um gémeo será encontrado num monastério, originário do sangue nobre de um monge muito velho. 
Seu ruído será grande por seu partido, sua língua e o poder de sua voz, por isso, pedirão que seja levado ao poder o gémeo sobrevivente.” Esta descrição enquadra em qualquer um dos acima mencionados 
“Os chefes vermelhos terão à sua frente um anticristo tão pervertido que levará todos à guerra.” A menção a “vermelhos” volta a enquadrar os dois lideres acima.
A palavra gémeo poderá ter aqui um significado duplo. Primeiro, igual ou muito parecido, o que pode levar a pensar que em vez de um anticristo poderão existir dois numa primeira fase e apenas sobreviverá o verdadeiro. Ou que um país se unirá a outro na sua demanda trabalhando para um mesmo objetivo.
Há, também, registro sobre uma vidente búlgara, de seu nome Baba Vanga, que previu, pouco antes de sua morte, e referindo-se à III Guerra Mundial, “Rússia não só vai sobreviver, ela vai dominar o mundo.” “Uma sociedade comunista sem classes vai prosperar de mãos dadas com a natureza”.
Os acontecimentos, neste mundo, no próximo mês podem levar a interpretações totalmente diferentes apontando em direções completamente opostas. Isso é que dá gozo e vai mantendo a mente alerta.

 

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Slava Ukraini

 

 

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I Ciclo de Conferências Internacional: Educação nas Prisões – rumos e desafios (Ação de Formação Acreditada)

 

É com enorme prazer que a Direção da Associação Portuguesa de Educação nas Prisões (APEnP) e o Departamento de Educação e Psicologia (DEP)/Escola de Ciências Humanas e Sociais (ECHS) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro anunciam a realização do I Ciclo de Conferências Internacional: Educação nas Prisões – rumos e desafios, durante o próximo mês de abril (2022).
O Ciclo de Conferências Internacional contará com mais de duas dezenas de oradores nacionais e estrangeiros (ver programa em anexo) e visará proporcionar um espaço de formação para profissionais que exercem a sua atividade com a população prisional, sendo acreditado para professores.
Certos de que com a realização do presente evento estaremos a contribuir para um desenvolvimento profissional, não somente de docentes, mas dos diversos atores que compõem o universo prisional, agradecemos, desde já, a divulgação deste evento em vosso blog.
 
Inscrição professores
 
Inscrição público em geral
Gratos pela atenção dispensada, com os melhores cumprimentos,
 
A Direção da APEnP

 

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Conhecida esta semana, decisão sobre a manutenção da suspensão das P. de Aferição e Exames no E. Básico

 

Os órgãos consultivos do Ministério da Educação já deram o seu parecer e todos vão  na mesma linha, a manutenção da suspensão de todas as provas e exames no Ensino Básico. Quanto ao Ensino Secundário, os mesmos órgãos são da opinião que se devem manter as mesmas regras aplicadas nos dois anos transatos, ou seja, que apenas sejam realizadas por alunos que pretendam ingressar no ensino superior, não contando para efeitos de conclusão do ensino secundário.

Para a próxima quinta-feira está marcada uma reunião da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior que vai discutir o assunto. O parecer vai chegar ao Governo e a decisão final será concertada entre os Ministérios da Educação e do Ensino Superior.

Aguardamos que esta decisão seja tornada pública ainda esta semana para que a estabilidade nas escolas seja a melhor possível e a comunidade educativa possa trabalhar com o conhecimento, atempado, das regras por que se rege.

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Índice de envelhecimento dos docentes em exercício

 

Conheça o índice de envelhecimento dos docentes em exercício nos ensinos pré-escolar, básico e secundário por município do país, em 2020. Estes dados surpreenderam-no(a)?

 

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Estranho ano este de 2022…

 

Quando um famoso  e reconhecido comediante se torna um líder e aqueles que se julgavam líderes tomam o seu lugar como comediantes.

 

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Conselho das Escolas recomenda cancelamento das P. de Aferição e P. Finais do 9.º ano

 

 

RECOMENDAÇÃO
Pelo exposto, e considerando que é de primordial importância a necessidade de concretizar, na sua plenitude, a implementação do Plano de Recuperação das Aprendizagens Escola+ 21|23, bem como salvaguardar melhores condições de justiça, igualdade e equidade, o Conselho das Escolas, reunido, extraordinariamente, em 25 de fevereiro de 2022, recomenda o alargamento das condições, mecanismos e
procedimentos determinados pelo Decreto-Lei n.º 10-B/2021, de 4 de fevereiro, com as alterações e redação introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 22-D/2021, de 22 de março, ao corrente ano letivo, nomeadamente o que se refere:

1. no art.º 3.º-A;
“Avaliação externa
(…), é cancelada a realização:
a) Das provas de aferição do 2.º, 5.º e 8.º anos de escolaridade do ensino básico;
b) Das provas finais do ensino básico do 9.º ano de escolaridade;
c) Dos exames finais nacionais, quando realizados por alunos internos, para efeitos de aprovação de disciplinas e conclusão do ensino secundário.”
2. no art.º 3.º-B
“Avaliação e conclusão do ensino básico

1— Para efeitos de avaliação e conclusão do ensino básico geral, dos cursos artísticos especializados e de outras ofertas formativas e educativas, apenas é considerada a avaliação interna.
2 — As classificações a atribuir em cada disciplina têm por referência o conjunto das aprendizagens realizadas até ao final do ano letivo, independentemente do regime em que foram desenvolvidas, garantindo -se o juízo globalizante sobre as aprendizagens desenvolvidas pelos alunos.
3 — Os alunos ficam dispensados da realização de provas finais de ciclo, nos casos em que a respetiva realização se encontre prevista apenas para efeitos de prosseguimento de estudos.
4 — A conclusão de qualquer ciclo do ensino básico pelos alunos autopropostos, incluindo os alunos que se encontram na modalidade de ensino individual ou de ensino doméstico, é efetuada mediante a realização de provas de equivalência à frequência.”
3. no art.º 3.º-C
“Avaliação, aprovação de disciplinas e conclusão do ensino secundário
1 — Para efeitos de avaliação, aprovação de disciplinas e conclusão do ensino secundário, incluindo disciplinas em que haja lugar à realização de exames finais nacionais, é apenas considerada a avaliação interna.
2 — As classificações a atribuir em cada disciplina têm por referência o conjunto das aprendizagens realizadas até ao final do ano letivo, independentemente do regime em que foram desenvolvidas, garantindo-se o juízo globalizante sobre as aprendizagens desenvolvidas pelos alunos.
3 — Os alunos realizam exames finais nacionais apenas nas disciplinas que elejam como provas de ingresso para efeitos de acesso ao ensino superior, sendo ainda permitida a realização desses exames para melhoria de nota, relevando o seu resultado apenas como classificação de prova de ingresso.
4 — Sem prejuízo do disposto no número anterior, nos casos em que se encontre prevista a realização de exames finais nacionais apenas para apuramento da classificação final do curso para efeitos de prosseguimento de estudos no ensino superior, os alunos ficam dispensados da sua realização.
5 — Sem prejuízo do disposto nos n.ºs 3 e 4, os alunos autopropostos, incluindo os que se encontram na modalidade de ensino individual ou de ensino doméstico, realizam provas de equivalência à frequência, as quais são substituídas por exames finais nacionais quando exista essa oferta.”

 

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Lista Colorida – RR23

Lista Colorida atualizada com retirados e colocados da RR23, numa altura em que um candidato está no seu 5º contrato.

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“Aberto todos os dias”…

Grande parte dos profissionais de Educação parece funcionar de acordo com este lema de alguns estabelecimentos comerciais: “Aberto todos os dias”

Apesar disso, o direito ao descanso está há muito tempo consagrado na Lei Portuguesa e, nesse sentido, não poderá afirmar-se que o problema seja de natureza legal…

“Viver para a escola”, expressão tantas vezes utilizada, por tantos… O que significa “viver para a escola”?

 Significa que alguém absolutamente dedicado, e de forma abnegada, prescinde de ter vida própria em função da escola?

 Significa que alguém faz sempre o que lhe mandam, sem nunca questionar ou hesitar, estando disposto a passar horas infinitas dentro e fora da escola, muitas vezes sem um propósito claro ou em tarefas de duvidosa pertinência e eficácia?

 Significa que alguém manifesta um comportamento dependente e compulsivo em relação ao trabalho? Significa que essa prática é o reflexo de se ser viciado em trabalho?

 “Viver para a escola” nunca será uma coisa boa…

 Nos tempos que correm, a Escola é uma entidade muito pouco humanista. E quem procura o reconhecimento institucional do esforço e do investimento pessoal realizados, dificilmente o obterá… Não ter consciência disso, é procurar desilusões e criar expectativas irrealistas, que resultarão numa implacável frustração…

 Em qualquer caso, “viver para a escola” parece ser, quase sempre, uma opção voluntária porque ninguém, à partida, é obrigado a fazer tal escolha…

 Decorrem daí duas alternativas: ou se assume explicitamente que se vive para a escola e que se está disposto a aceitar todas as vicissitudes daí decorrentes e, sendo assim, não há lugar para vitimizações, lamentos ou queixas; ou se rejeita liminarmente a possibilidade de tal acontecer, assumindo que há vida para além da escola e que não se abdica dessa prerrogativa…

 E também há quem goste de fazer alarde de que “vive para a escola”, anunciando, regularmente, o seu imenso sacrifício pessoal em prol da mesma… Quantas vezes se ouve: “estive todo o fim-de-semana a trabalhar para a escola”, “ontem estive a trabalhar até às duas da manhã” ou “no sábado, telefonou-me uma mãe, a conversa prolongou-se por mais de uma hora”…

 Cumprir escrupulosamente o horário de trabalho e desempenhar as funções intrínsecas de forma responsável e diligente, estabelecendo um compromisso com o serviço atribuído, não é o mesmo que “viver para a escola”…

 Em relação à primeira estarão todos obrigados, mas em relação à segunda só estará quem manifeste essa vontade… Só “vive para a escola” quem, deliberadamente, prescinde de ter vida própria…

 Porque se cede o número pessoal de telefone, quando todos os contactos telefónicos relativos a trabalho podem (e devem) ser realizados por via oficial e de acordo com o horário de permanência na escola?

Ser incomodado durante o fim-de-semana por contactos telefónicos relacionados com trabalho só acontece porque alguém o consentiu e, de certa forma, incentivou…

 Porque não se resiste à tentação de abrir e de responder a emails institucionais recebidos durante os períodos legais de descanso? Se ninguém os abrisse e se não tivessem resposta imediata, talvez deixassem de ser enviados durante esses períodos…

 É escusado acalentar ilusões: não há profissionais de Educação insubstituíveis, afirmem ou não “viver para a escola”…

 Apesar de alguns parecerem ter dificuldade em aceitar e reconhecer essa inevitabilidade, todos, num determinado momento, podem ser descartáveis e transitórios…

É preciso conseguir “desligar” e procurar o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal… A bem da sanidade mental, também é preciso conseguir dizer “Não!”… 

 Mas quando a Lei é desrespeitada, em primeiro lugar, pelos próprios, contra si próprios, algo de errado se passa… E é assim que muitos profissionais de Educação, acabam por ser “carrascos” de si próprios…

 Alegadamente, até Deus terá tido necessidade de descansar, ao cabo de sete dias, depois de ter criado o Mundo… Os profissionais de Educação não criaram o Mundo, mas têm que arcar com uma parte assinalável do mesmo e realizar um trabalho que os obriga a enfrentar múltiplas personas e inúmeras “máscaras”…

 Aconselha-se, por isso, o merecido descanso e a recusa de estar “aberto todos os dias”…

(Off topic: não encontro palavras decentes e aceitáveis para descrever Vladimir Putin, mas ocorre-me uma infinidade de obscenidades e de impropérios…).

 

 (Matilde)

 

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