Abril 2022 archive

“Não gosto da minha cara.” Os adolescentes que não querem deixar cair a máscara

Primeiro veio o medo do vírus invisível, mas também a rejeição das máscaras estranhas e desconfortáveis. Agora que a normalidade está progressivamente de regresso, os sentimentos são ambíguos entre os mais novos: se por um lado o adeus definitivo às máscaras nas escolas traz uma sensação de liberdade, por outro, há receio em voltar a mostrar os rostos na íntegra depois de dois anos de pandemia — em Espanha fala-se até do “síndrome da cara vazia”.

“Eles estão felizes por as coisas estarem finalmente a abrir, mas a relação com a máscara é um pouco estranha”, assinala Ana Ribeiro. A professora de inglês na Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Cego do Maio, na Póvoa de Varzim, é também coordenadora do Projeto Eramus daquele agrupamento. “Verifiquei isso no encontro que tivemos há pouco tempo na República Checa onde já não era obrigatório o uso de máscaras e eles tiveram alguma dificuldade em aceitar isso. Alguns puxavam a gola da camisola para cima e tapavam um pouco a cara com os dedos na hora de tirar fotografias“, conta ao Observador. Ribeiro refere-se a alunos que acompanha há três anos e fala de uma passagem da infância para a adolescência em plena pandemia, quando a norma era cobrir o rosto.

Já não é só por medo de apanhar Covid-19 que alguns dos alunos teimam em esconder a cara, até porque a maior parte deles, diz a professora, já antes estiveram infetados. “Não noto que seja tanto o receio da doença, mas sim problemas de autoestima próprios da idade.” Diogo, de 14 anos, encaixa-se nessa descrição quando ao Observador comenta que prefere “andar sempre de máscara” porque se sente “inseguro” ao mostrar o rosto.“Acho que me sinto mais confortável sem a máscara, mas eu não gosto da minha cara”. Rodeado de pessoas desconhecidas opta por ter o rosto coberto, admite, “por causa das inseguranças”. Já na companhia de colegas a realidade é outra, ainda assim, preferia que cobrir ou não a cara na escola fosse uma questão de escolha — Diogo tem o cabelo bastante longo, quase sempre a tapar os olhos, e manteve a máscara durante a entrevista feita ao ar livre, junto ao mar, e ao telefone.

Testemunho semelhante é o da amiga Letícia, de 15 anos, que se sente mais segura a usar a máscara dependendo do local em que está. “Pessoalmente não gostaria de continuar a usá-la, mas às vezes gosto de a ter por saber que as pessoas não conseguem ver as minhas reações, sinto-me protegida.” Acontece sobretudo quando fica “com raiva” e os outros não conseguem ler as suas expressões, mas também quando o acne nas bochechas piora e quando na sala de aula tem de falar perante a turma — nesses dias prefere ter apenas a linha dos olhos a descoberto.

“Verifiquei isso no encontro que tivemos há pouco tempo na República Checa onde já não era obrigatório o uso de máscaras e eles tiveram alguma dificuldade em aceitar isso. Alguns puxavam a gola da camisola para cima e tapavam um pouco a cara com os dedos na hora de tirar fotografias.”
Ana Ribeiro, professora de inglês

A falsa sensação de “proteção e segurança” nas interações sociais e o esconder das imperfeições

No Agrupamento de Escolas do Alto do Lumiar, que reúne alunos dos 3 aos 18 anos, desde o início da pandemia que o desafio foi convencer os mais novos a não pôr de lado a máscara como sinal de rebeldia. Talvez o contrário acontecesse, diz a docente Maria Caldeira, se usá-la fosse considerado “um ato menos lícito”. A recente alteração da lei não será, por isso, um problema.

Prognóstico diferente é o de Rui Cardoso, diretor da Escola EB 2/3 do Viso, em Viseu, que especula que deixar cair a máscara não será, para alguns dos alunos, uma decisão fácil. Quando já era permitido deixar o rosto a descoberto no exterior, “nenhum aluno o fez, continuaram a usá-la como se a regra se mantivesse”. “Eles sentem-se seguros com a máscara”, diz, pelo que não estranha a possibilidade de alguns adolescentes continuarem a andar de rosto tapado sem que o motivo seja o medo do contágio. “É bem capaz de isso acontecer num número residual”, até porque há quem ainda mantenha a distância social por uma questão de conforto.

Alguns adolescentes encontraram na máscara uma sensação de “proteção e segurança” tendo em conta a “exposição” decorrente das interações sociais.

Olhando pelo espelho retrovisor, os jovens tiveram alguma facilidade na adaptação à utilização da máscara logo no início da pandemia. Na generalidade, tendo em conta os dados recolhidos, esta faixa etária exibiu um comportamento “saudável” e serviu “de referência para os outros grupos populacionais”, garante Sofia Ramalho, vice-presidente da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP). Mas apesar do arranque otimista, o prolongamento da crise sanitária gerou “consequências a todos os níveis”: não é por isso de estranhar que os adolescentes também tenham encontrado na máscara uma sensação de “proteção e segurança” tendo em conta a “exposição” decorrente das interações sociais.

“As máscaras passaram a ser uma espécie de ansiolítico para questões da relação social. Elas permitem que uma pessoa não se revele na totalidade.”
Sofia Ramalho, vice-presidente da Ordem dos Psicólogos Portugueses

“As máscaras passaram a ser uma espécie de ansiolítico para as questões da relação social”, diz a psicóloga. “Elas permitem que uma pessoa não se revele na totalidade”, além de“cobrirem imperfeições” como acne ou aparelhos dentários, por exemplo, e de ocultarem determinadas reações emocionais. Mas não é só uma questão de esconder expressões, é também não conseguir verdadeiramente compreender e interpretar o outro dado que não se tem acesso “a todo o código de linguagem”, o que pode gerar problemas de comunicação, conflitos e discussões, e criar situações de menor empatia.

Neste contexto, Sofia Ramalho destaca dois possíveis perfis de adolescentes mais propensos a encontrar esta falsa segurança através da máscara: um mais inibido, contido, inseguro, ansioso e introspetivo, “que não gosta de se expor”; e aquele que tende a ser “mais agressivo”, que usa a máscara como “uma possibilidade de mascarar expressões de agressividade”. As máscaras podem até funcionar como uma espécie de avatar digital: “A lógica é mais ou menos a mesma. Quanto mais cobrimos o nosso rosto e quanto mais nos afastamos das presenças físicas para aquelas virtuais, mais probabilidade temos de estar a esconder aquilo que é verdadeiro”.

O fenómeno, lembra, não é exclusivo da adolescência, embora ganhe outra importância nesta fase da vida marcada pela “construção da identidade”, o que acontece também através da “dimensão social”. “Isto pode interferir com processos de desenvolvimento e ter um impacto na vida adulta”, uma vez que o adolescente precisa do confronto com o outro nas situações de interação presencial e na negociação de conflitos. “O uso da máscara inibe essa necessidade de nos termos de confrontar socialmente com o outro, o que num primeiro momento pode parecer positivo para o adolescente mas, na verdade, ele não está a fazer a etapa de desenvolvimento natural no sentido de se construir enquanto adulto capaz de resolver problemas e negociar.”

“O uso da máscara inibe essa necessidade de nos termos de confrontar socialmente com o outro, o que num primeiro momento pode parecer positivo para o adolescente mas, na verdade, ele não está a fazer a etapa de desenvolvimento natural no sentido de se construir enquanto adulto capaz de resolver problemas e negociar.”
Sofia Ramalho, vice-presidente da Ordem dos Psicólogos Portugueses

Num artigo dedicado ao mesma tema, o norte-americano The New York Times salienta com a falta de máscara pode, em alguns casos, traduzir-se em maior ansiedade, com adolescentes a temerem serem percecionados como menos atraentes e com receio de serem julgados ao fim de dois anos a mostrar metade da cara — afinal, a adolescência sempre foi definida por inseguranças em relação à imagem corporal, mas também por pressões sociais e questões de identidade. Tirar a máscara pode, por isso, ser visto como uma transição social num período em que os jovens são hiperseníveis ao que os outros pensam deles, com a psicóloga clínica Sophia Choukas-Bradley — diretora do Teen and Young Adult Lab, na Universidade de Delaware — a falar numa “audiência imaginária” que faz com que os adolescentes sintam que há um constante holofote sobre eles e as suas falhas.

Assim como tivemos de nos habituar de forma progressiva ao uso de máscara, teremos de nos habituar à falta dela, e os adolescentes “precisam de ter esse espaço” de manobra, acrescenta Sofia Ramalho. Se por um lado é preciso respeitar que não haja vontade em aderir à norma de um dia para o outro, por outro, não se deve fomentar a manutenção da máscara durante muito tempo, aconselha. Perante uma maior dificuldade de adaptação, há sinais a ter em conta: o apoio psicológico pode ser necessário quando em causa estão marcas de maior isolamento e/ou de conflito com os colegas, sintomas de ansiedade, problemas em dormir ou comer, ou ainda perda de interesse no contexto escolar.

Margarida Gaspar de Matos, professora Catedrática da Universidade de Lisboa na Faculdade de Motricidade Humana, fala do “desconforto das relações” dado o distanciamento social e o uso da máscara

Por um lado terei sempre aquele receio, por outro, vou sentir mais liberdade”

Ana Rita, Inês e Avina têm 18 anos e são colegas de turma no 12.º ano. Nenhuma delas usa a máscara na tentativa de esconder imperfeições ou como forma de escudo na interações com os outros, mas, de uma maneira geral, conseguem perceber quem o faça. A primeira diz que se sente segura de máscara e que ainda é “um pouco cedo” para deixá-la cair— na conversa, que aconteceu no dia anterior a ser conhecida a nova medida, previu “ficar com medo” quando a altura chegasse, não só por causa da Covid-19, mas também pelas “outras doenças, como a gripe”. Já Inês imagina-se “livre e verdadeiramente feliz” sem a máscara, mesmo que admita que já deu jeito para esconder uma borbulha “ao pé do nariz ou da boca” ou das vezes em que foi mais expressiva — já aconteceu pensar “Ufa, ainda bem que estou de máscara”. Avina fala em “mixed feelings”: “Por um lado terei sempre aquele receio dos casos de Covid-19 aumentarem, por outro, vou sentir mais liberdade sem ela”.

As repercussões a médio e longo prazo da pandemia na saúde mental dos jovens, tendo em conta as restrições impostas, ainda estão a ser desenhadas e vão depender em grande parte dos ambientes (família, escola e comunidade) “favoráveis e apoiantes”, salienta a psicóloga clínica e da saúde Margarida Gaspar de Matos. A também autora do recente livro “Adolescentes”, da editora Oficina do Livro e com prefácio de Daniel Sampaio, salienta como os adolescentes vítimas de bullying e com sintomas de ansiedade social poderão ter tido “tréguas” durante a época da máscara — são os mesmos que poderão “agora ter de ser acompanhados por um profissional de saúde mental neste regresso”.

“Houve também casos pontuais de adolescentes a referir que a máscara os/as ajudava a expressar a ira, quando se zangavam, explicando que às vezes se irritavam com colegas, pais ou professores e podiam ‘fazer caretas ou deitar a língua de fora’, sem dar nas vistas e sem ter consequências.”
Margarida Gaspar de Matos, professora Catedrática da Universidade de Lisboa na Faculdade de Motricidade Humana

Margarida Gaspar de Matos, professora Catedrática da Universidade de Lisboa na Faculdade de Motricidade Humana, dá conta de “casos pontuais” de adolescentes a referir que a máscara os “ajudava a expressar a ira quando se zangavam, explicando que às vezes se irritavam com colegas, pais ou professores e podiam ‘fazer caretas ou deitar a língua de fora’ sem dar nas vistas e sem ter consequências”. Fala ainda no “desconforto das relações” dado o distanciamento social e as máscaras que dificultam “a comunicação verbal e não verbal” — as exceções serão adolescentes “pouco satisfeitos com a sua anatomia dental, labial ou facial, que em geral encontraram na máscara um ‘escudo’” e outros que sofram de ansiedade social e cuja máscara ofereceu uma sensação de proteção. “Mas são casos atípicos, eventualmente a precisar de apoio psicológico.”

O The New York Times dá conta do fenómeno “mask fishing”, a ideia de que alguém possa estar a esconder falhas faciais debaixo da máscara. Surgiu pela primeira vez nas aplicações de namoro e tornou-se uma tendência do TikTok no final de 2021. Nesta rede social, a hashtag com o mesmo nome acumula cerca de 352 milhões de visualizações, onde se incluem vídeos feitos em contexto escolar em que diferentes alunos são confrontados com a seguinte pergunta: “São mais ou menos atraentes com a máscara?”, o que pode suscitar constrangimento ou humilhação entre os mais novos. O termo surge de “catfishing”, que remete para uma identidade falsa num registo online. Já o Los Angeles Times destaca estudos científicos que mostram que as pessoas são entendidas como sendo mais atraentes quando usam máscaras ao invés de deixar o rosto completamente a descoberto.

As mudanças corporais na adolescência são muitas e muito rápidas, lembra ainda vice-presidente da OPP, pelo que ver o rosto por inteiro de um colega ao fim de dois anos de pandemia pode ser um choque grande e “aumentar a ansiedade da exposição face ao outro”. Afinal, na presença da máscara imaginamos o que está por detrás — a forma como completamos a cara do outro tem que ver com o significado que essa pessoa tem para nós e com o que guardamos dela na nossa memória.

Se Ana Rita comenta que praticamente não conhece os seus professores sem máscara, Inês, que mudou de escola a meio da pandemia, diz que conheceu colegas já com máscara: “Às vezes ainda é difícil imaginar como é a cara deles”. Já Avina fala num sentimento agridoce ao voltar ao ensino presencial por não poder ver o rosto dos amigos e fala de como só semanas depois viu a cara de um colega novo — “Quando finalmente vi o rosto dele apercebi-me que tinha uma ideia completamente diferente de como ele era. Até comentei com ele e rimo-nos.”

Observador

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O primado das Grelhas: uma “praga” difícil de extinguir…

 

A Grelha, essa “luminosa” e prodigiosa invenção, recriada nos últimos tempos, de forma muito imaginativa e inusitadamente obsessiva, atingiu o estatuto de “praga”, incontrolável e difícil de extinguir…

Em cada escola, instalou-se o primado das Grelhas: existem as mais variadas, para tudo e para nada, e em muitos casos o respectivo preenchimento costuma significar flagelo, tortura ou suplício, quer pelo tempo que é necessário despender, quer pela inutilidade prática dessa tarefa…

Comummente, passam-se muitas horas a proceder ao preenchimento de Grelhas em série e até à exaustão, cujas virtudes ou efeitos concretos se desconhecem, apesar dessa actividade assumir quase sempre um carácter obrigatório…

À partida, uma Grelha deverá ser um instrumento de registo de informação, cujo principal objectivo consistirá em sintetizar e, sobretudo, simplificar determinado conjunto de dados…

Ora acontece, muitas vezes, que algumas Grelhas se apresentam com formas e conteúdos tão intricados que dificilmente alguém compreenderá o seu significado ou a finalidade da informação aí constante… Como exemplo paradigmático disso, bastará analisar algumas Grelhas de Avaliação de Alunos, elaboradas à luz do Projecto MAIA, existentes em algumas escolas…

Segundo “estudos” realizados por alguns “especialistas”, que preferem manter o anonimato, a exposição prolongada e excessiva a Grelhas poderá provocar danos ao nível da saúde mental e física, temporários ou irreversíveis, desde logo os seguintes:

– Diplopia ou visão dupla (vulgo “ver a dobrar”), decorrente de passar horas consecutivas a fitar um ecrã. Esta perturbação poderá assumir consequências especialmente dramáticas se, depois de ter estado a preencher Grelhas durante um período significativo de tempo, alguém se deparar com o Director da escola onde trabalha, em particular se esse líder for considerado por si como um ditador ou como um tirano. Nessa circunstância, já bastaria ver um, quanto mais dois;

– Alterações ao nível do humor, com predomínio da irritabilidade, intolerância e raiva. Quando predomine esse humor negativo, será conveniente evitar todas as interacções sociais não imprescindíveis, de forma a precaver a ocorrência de possíveis conflitos injustificáveis e desnecessários, a não ser que esse estado de alma se dirija ao Director referido no ponto anterior;

– Alterações do sono, com prevalência de insónia, pesadelos nocturnos e narcolepsia (sonolência diurna excessiva). As Grelhas poderão, assim, provocar dificuldade em adormecer e/ou em manter o sono, pesadelos e sono agitado ao longo da noite e muita sonolência e bocejos durante o dia;

– Alterações ao nível do apetite alimentar, podendo verificar-se o aumento da vontade de ingerir alimentos ou, pelo contrário, a respectiva diminuição, dependendo da forma como cada um lida com a ansiedade originada pelas Grelhas e do respectivo metabolismo. Apesar dessa dicotomia, será maior a probabilidade de se verificar o aumento do apetite alimentar. Acredita-se mesmo que o ganho de peso observado nos últimos tempos em alguns profissionais de Educação se deverá, em primeira instância, ao preenchimento de Grelhas;

– Dores de cabeça, enxaquecas e náuseas. Alguma confusão mental e, nos casos mais graves, poderão mesmo ocorrer delírios (crenças incompatíveis com a realidade) e alucinações (percepção alterada da realidade). Os eventuais surtos delirantes e alucinatórios poderão tornar-se particularmente visíveis quando a IGEC visite uma escola, dada a parafernália de Grelhas que costuma ser apresentada nessa ocasião, destinada a mostrar o que não se é ou uma realidade que efectivamente não existe;

– Falar sozinho (solilóquio), depois de uma exposição prolongada a Grelhas, também poderá apresentar-se como um transtorno plausível;

– Possibilidade de desenvolver coprolalia (proferir palavras obscenas e palavrões de forma involuntária). Apesar desta perturbação poder desencadear um certo incómodo em termos sociais, convirá não esquecer que dizer palavrões é considerado por alguns como um indicador de inteligência e de honestidade (Timothy Jay, 2015), portanto “screw it”;

– Compulsão para o consumo de bebidas alcoólicas, tabaco, café ou outras substâncias potencialmente aditivas, na tentativa de compensar os níveis elevados de frustração originados pelas Grelhas;

– Preencher Grelhas implica passar muito tempo sentado. Nessas circunstâncias, poderão ocorrer dores musculares, algias lombares e cervicais e retenção de líquidos, esta última quase sempre expressa pelo inchaço da barriga, pernas e pés. A obstipação também será plausível, uma vez que a inacção prolongada dificulta os movimentos peristálticos. Será aconselhável a ingestão de muita água, o uso de vestuário e calçado confortáveis e adequados à situação, bem como a paragem de hora a hora, para dar uma volta inteira ao recinto escolar;

– Arritmia cardíaca, com predomínio da ocorrência de taquicardia (ritmo cardíaco acelerado), sobretudo se um colega, sentado ao lado de alguém ocupado com o preenchimento de Grelhas, for perito em “conversa de treta”, constituindo-se como um potencial elemento distractor e desestabilizador. Porque o conceito de “multitasking” não passará afinal de um mito, como defendeu Tim Harford: “fazer duas coisas ao mesmo tempo, é não fazer nenhuma delas“;

– Sobretudo pela ansiedade, stress e fadiga mental e física, causados pelo preenchimento de Grelhas, será expectável que também possa verificar-se a diminuição da libido (inibição dos impulsos sexuais). Inevitavelmente, não haverá oxitocina, estrogénio ou testosterona que resista ao aumento de cortisol, gerado pelo stress. As hormonas são tramadas e não costumam “perdoar” nem procrastinar;

– Ocorrência muito provável de “Formatação do Pensamento”: a capacidade de Pensar poderá ficar reduzida à configuração de uma Folha de Excel e ao “copy and paste” maquinal e automático. A ausência de reflexão e de crítica poderá constituir-se como a consequência mais grave desse modelo de pensamento;

– Muito raramente, o preenchimento excessivo de Grelhas também poderá originar odaxelagnia, traduzida pela vontade de morder ou de ser mordido por alguém…

Em conclusão, o hiperbólico trabalho burocrático, nomeadamente o uso desmedido de Grelhas, poderá fazer muito mal ao corpo e à mente…

Recomenda-se, por isso, o consumo moderado e consciente de Grelhas e, sempre que possível, a respectiva abstinência…

O quotidiano das escolas está infestado por algumas “pragas” difíceis de extinguir, restando parodiar, na medida do possível, com tais afecções…

Alerta-se para a possibilidade de não existirem quaisquer estudos devidamente validados, nem fundamentos científicos, que comprovem a tese dos “especialistas”, que preferem manter-se no anonimato, aqui veiculada…

(Matilde)

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Decide lá se queres mesmo ser professor

 

Imagina que tens quase 64 anos, 42 de vida activa e quase 39 como professor (daqueles que sempre estiveram no activo e a trabalhar muito e com muita qualidade).
Imagina que tens um horário lectivo de 14 horas, um direito que adquiriste pelos teus anos de serviço e pela tua idade.
Imagina que te atribuem um horário com 6 turmas e três níveis, entre 3º ciclo e secundário, 7 tempos num Gabinete com mais ou menos 9 metros quadrados, em conjunto com até 5 pessoas, em tempo de pandemia, sabendo-se que tens problemas de saúde que requerem alguns cuidados.
Imagina que te atribuem tempos para uma turma que afinal te permitem apenas leccionar 2/3 das aulas que é suposto leccionares porque alguém, supostamente, se enganou.
Imagina que depois te propõem leccionares, em serviço extraordinário, embora não pago, as aulas que faltam e que o fazes, em parte, em tempo livre teu, porque tu próprio vês que não sobram alternativas.
Imagina que te dizem que mais nada será marcado para além desse teu esforço mas, mesmo assim, permitem que outros marquem actividades em cima das horas já antes insuficientes e que cada vez tens mais serviço extraordinário, à tua conta, para realizar.
Imagina que te solicitam trabalho, tu envias e requeres feedback, para depois o poderes concluir, mas de que jamais recebes qualquer resposta – e que é esse o padrão habitual.
Imagina, ainda, seres oficialmente informado, ao longo de 4 anos, não teres de realizar acções formação contínua e, de repente, a menos de seis meses da entrega do teu relatório de avaliação de desempenho, te imporem a realização dessa formação.
Imagina que requeres a dispensa para a frequência de uma acção de formação e, parte das horas a que tens direito, serem atribuídas quando a formação já acabou.
E, imagina ainda, apresentares mais 2 requerimentos para efeito da correcção das horas e não teres resposta cabal ou, até, resposta ao que requeres.
E imagina que passas parte da formação em serviço acrescido porque te dizem que vais ficar com tempos livres logo que uma das tuas turmas entre em estágio, fazendo desaparecer o esforço que tu fizeste antecipadamente, para que acontecesse o tal serviço extraordinário à tua conta.

Imagina isto e pensa naquilo que pode ser a forma como és tratado ao fim de 4 décadas desta profissão, apenas porque pensas, és digno, competente e, como tens carácter, não estás disposto a assinar por baixo de todas as facilidades, simplificações e “caridades” que queiram propor-te.

Imagina isto e muito mais. Numa dimensão que nem te passa pela cabeça poderem fazer contigo, onde até usares manga curta no inverno pode ser alvo de matéria disciplinar.

Imagina que és alvo de processos de averiguações e disciplinares, acusado de coisas que não fizeste, sistematicamente arquivados por falta de fundamento, apenas porque não te calas e não aceitas dar cobertura a esquemas e ilegalidades ou, até, por teres tido a ousadia de requerer o cumprimento das leis antitabágicas em espaço escolar e de trabalho.

Imagina isto, mas acredita que a realidade é muito pior do que aquilo que a tua imaginação pode conceber.
Porque até podes ter um acidente no regresso do teu trabalho, comunicares isso ao teu superior máximo do serviço e ele não ter a competência necessária para conhecer os seus deveres e não particiar isso como acidente profissional, apesar de toda a legislação vigente.

Depois, decide lá se queres mesmo ser professor.

 

Retirado do Facebook

 

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Hoje foi o 1.º Dia Sem Máscara nas Escolas, desde Março de 2020

Reparei que no dia de hoje, 1.º dia sem máscara obrigatória nas escolas, muitos alunos e professores ainda não tiveram coragem de a largar.

Talvez porque as primeiras páginas dos jornais de hoje, que foram feitas antes da publicação da legislação, levassem alunos e professores a pensar que só seria possível abolir as máscaras na próxima terça-feira.

Mesmo ficando claro que a máscara hoje já não seria obrigatória muitos mantiveram o seu uso ao longo de todo o dia.

E os leitores do blogue como se sentiram neste primeiro dia na escola, sentido-se livres para não a usarem?

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Lista Colorida – RR31

Lista Colorida com colocados e retirados da RR31.

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218 Contratados na RR31

Foram colocados 218 contratados na reserva de Recrutamento 31, distribuídos do seguinte modo:

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Procedimentos concursais – Subdiretor EPE

 

 

 

 

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Procedimentos concursais – Diretor EPE

Abertura de concursos para os cargos de diretores da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) e da Escola Portuguesa Ruy Cinatti – Centro de Ensino e Língua Portuguesa em Timor-Leste (EPRC-CELP).

Aviso n.º. 8434/2022 – Diário da República n.º. 79, 2.ª série, de 22 de abril

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Reserva de recrutamento n.º 31

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 31.ª Reserva de Recrutamento 2021/2022.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de terça-feira dia 26 de abril, até às 23:59 horas de quarta-feira dia 27 de abril de 2022 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 31

Listas – Reserva de recrutamento n.º 31

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Tirem as Vossas Conclusões

Palavras para quê?

Basta uma: antro.

Ministros, professores e ex-alunos. Afinal, quantas e quais as ligações do PS ao ISCTE? – CNN Portugal

 

Nesta República das Bananas existe sempre um buraco na lei, uma prescrição a preceito, uma falta de memória que dá na moleirinha no momento certo ou uma amnésia das fortes, é uma alegria…

 

Expresso | Vazio na lei das incompatibilidades protege João Leão no ISCTE

 

Expresso | Organização da Transparência pede investigação a caso João Leão. Se promoção no ISCTE “não foi uma recompensa pelos benefícios, parece”

 

Zeca Afonso – Os Vampiros “Eles Comem Tudo”

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Concurso de docentes do ensino artístico especializado da música e da dança – Vagas

Aplicação disponível para as escolas de 22 de abril a 3 de maio de 2022 (18:00 horas de Portugal continental).

SIGRHE
Manual de Instruções – Concurso do ensino artístico especializado – Vagas 2022/2023

 

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Alívio das máscaras é já esta sexta-feira. Diploma publicado em DR

 

PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS

Estabelece medidas excecionais e temporárias no âmbito da pandemia da doença COVID-19

 

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Se um mosquito incomoda muita gente…

 

A Fenprof reclama dos professores que estiveram no debate da RTP, na terça-feira, porquê?

Sou professor, conjunturalmente estou subdiretor. Quando falo em público ou privado falo com a minha voz livre de profissional com 50 anos de idade, 27 de trabalho, que correu 17 escolas, esteve 7 anos anos num TEIP, está no 4º escalão. Guiado pela minha cabeça.

Não alego nem quero representar 50 mil pessoas e não preciso de o provar (o que será difícil, porque alguém acredita que a Fenprof representa quase metade dos professores?).

Da longa arenga, de leitura difícil, da Fenprof sobre o debate de 3ª feira na RTP, em que Mário Nogueira se lamuria por não ter lá estado (o que mostra que até à Fenprof achou importante o que lá se disse), registo a frase que se destacou na minha leitura: “os demais eram representantes de si próprios, condição que não se altera por serem dinamizadores de blogues.”

É verdade. Fui representar-me a mim próprio. Convidaram-me. Falei.

A questão é: os professores que lá estiveram, que dão aulas e estão na escola todos os dias, disseram coisas erradas ou inoportuna para a Fenprof se ir queixar?

E se em vez de se queixarem da voz que é dada a outros professores se dedicassem ao que realmente interessa.

Luís Sottomaior Braga

 

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Esclarecimento sobre o fim do uso obrigatório de máscara nas escolas

 

A partir da semana que vem, e não amanhã, será na terça-feira, deixa de ser obrigatório o uso obrigatório de máscaras nas escolas. O que não quer dizer que quem o quiser fazer não possa ou não deva por alguma razão que julgue válida.
Este é um momento há muito desejado, mas que não dispensa a vigilância de sintomas e uma atenção responsável e redobrada.

 

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A desresponsabilização política dos crimes de uma guerra gelada…

 

 

 

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Presidente da República promulga redução da obrigação de máscaras

 

O Presidente da República promulgou o diploma do Governo, recebido esta tarde, que procede à alteração ao Decreto-Lei n.º 10-A/2020, de 13 de março, na sua redação atual, que estabelece medidas excecionais e temporárias no âmbito da pandemia da doença COVID-19, reduzindo designadamente a obrigatoriedade do uso de máscaras.

 

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Onde permanece a obrigatoriedade de uso de máscara?

Limita-se a obrigatoriedade do uso de máscara apenas aos locais caracterizados pela especial vulnerabilidade das pessoas que os frequentam (estabelecimentos e serviços de saúde, estruturas residenciais, de acolhimento ou serviços de apoio domiciliário para populações vulneráveis ou pessoas idosas, bem como unidades de cuidados continuados) e aos locais caraterizados pela utilização intensiva (transportes coletivos de passageiros, incluindo o transporte aéreo, transporte de passageiros em táxi ou TVDE).

Ou seja, voltamos à normalidade escolar. Logo veremos a reação da comunidade escolar…

 

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Uso de máscara deixa de ser obrigatório nas escolas

Conselho de Ministros reuniu-se esta quinta-feira para aprovar medidas, apesar de o país “não estar no patamar ideal”. Entrada em vigor depende de Belém.

Uso de máscara deixa de ser obrigatório e também nas escolas

O Conselho de Ministros reuniu-se esta quinta-feira para tomar medidas relativas à Covid-19. A situação de alerta vai manter-se até 5 de maio. A ministra da Saúde diz que a “evolução da situação é positiva” em Portugal e que apesar de “não estarmos no patamar ideal, o caminho permite neste momento alterar o enquadramento que existia” e um deles é o fim do uso de máscaras. As medidas entram em vigor só depois de publicada a resolução do Conselho de Ministros aprovada esta quinta-feira — deve ser publicada esta sexta-feira, mas tratando-se de um decreto ainda terá de ir a promulgação do Presidente da República.

“Estão reunidas as condições para a não obrigatoriedade do uso de máscaras”, diz a ministra anotando que se mantêm apenas para “locais frequentados por pessoas especialmente vulneráveis” (lares e hospitais) e locais com “elevada intensidade de utilização e de difícil de arejamento” — transportes públicos coletivos, mas salas de aulas não. Questionada concretamente sobre a situação das escolas, a ministra repete que apenas são recomendadas nestas duas situações concretas.

Deixa de haver regras para testes de diagnósticos, que passam apenas a acontecer em casos determinados pela DGS e deixa de ser exigido certificado Covid em qualquer das modalidade para as estruturas sociais e de cuidados de saúde. “Regressamos ao contexto de maior normalidade”, resume a ministra.

Em relação à quarta dose de reforço, a ministra fala nas orientações da Agência Europeia do Medicamento e da comissão técnica de vacinação para dizer que o Governo está a avaliar “dentro do quadro de recomendação” mas diz que essa dose “acontecerá antes do próximo outono inverno podendo ainda haver uma antecipação” da toma.

“À data, o país regista 583 casos por cem mil habitantes, o número de internados em UCI está estável e decrescente”, diz Marta Temido que anota, no entanto, que a positividade continua elevada.

A ministra diz que em fevereiro, os peritos que recomendaram o levantamento de medidas restritivas se mantivesse feito com base no número de camas em UCI ocupadas e o número de mortos a 14 dias deveria estar abaixo de 20, neste momento está em 27,9. O número de internados é “largamente abaixo” do definido, mas o país ainda não está abaixo do limite.

Ainda assim, regista Temido, a mortalidade por todas as causas está entre o esperado para a época do ano. “E com a circunstância adicional de estar estável deste fevereiro”, diz.

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Por falar em ser ouvido por quem nos devia ouvir

 

É ou não foi?

Já foi assim, mas há mais de 48 anos: aos sindicatos não era dada a palavra, mesmo sobre aqueles que representavam. Excluídos do debate público, em particular o que era difundido pelos órgãos de comunicação social controlados pelo governo, a desvalorização dos trabalhadores e das suas organizações representativas não passava apenas pelo controlo e repressão, passava também pelo silenciamento. Foi assim, mas será que já não é? Foi, mas, infelizmente, na “nossa RTP”, são muitas as vezes em que continua a ser. Senão vejamos:

Ontem, 19 de abril de 2022, a RTP, serviço público de rádio e televisão em Portugal, emitiu o programa “É ou não é” sobre o futuro da Educação. Em debate estiveram, entre outros aspetos, os relativos à falta de professores, à sua carreira e às condições de exercício da profissão. Uma vez mais (!), as organizações sindicais de docentes foram excluídas, o que significa que a RTP voltou a prestar um mau serviço, amputando o debate público de participações e pontos de vista importantes para ele.

A FENPROF é a organização sindical mais representativa de docentes em Portugal, em todas as regiões do país, incluindo nas regiões autónomas, através dos sindicatos de professores que a integram. A FENPROF é a organização que mais tem alertado para os problemas que afetam a Educação em Portugal, tendo apresentado propostas visando a sua resolução em diversas instâncias do poder político, tanto governo, como Assembleia da República, participando ativamente no Conselho Nacional de Educação, reunindo e dando contributos nos mais diversos fóruns e espaços de reflexão sobre temas da Educação, integrando órgãos de organizações nacionais e internacionais de Educação e/ou de natureza laboral. A FENPROF tem trazido ao debate público temas de inquestionável relevo, como aconteceu com a falta de professores e perda de atratividade da profissão docente, assunto durante muito tempo ignorado até pelo poder político mas que, finalmente, começa a merecer atenção na nossa sociedade.

É, pois, vasta a atividade que a FENPROF desenvolve na área da Educação, debatendo, refletindo, propondo e lutando pelos direitos dos docentes, que representa, mas, igualmente, por uma Escola Pública e uma Educação de qualidade, para todos, inclusivas e gratuitas, ou seja, por uma Escola Democrática.

Entendeu a produção do referido programa da RTP que, apesar do trabalho desenvolvido por esta organização que representa cerca de 50 000 docentes, não havia interesse em conhecer os seus pontos de vista, o diagnóstico que faz das atuais situações da Educação e dos professores em Portugal. Poderia pensar-se que a opção da RTP teria sido a de não ter representantes de entidades ou organizações, mas não foi o que aconteceu, uma vez que estiveram no debate, por exemplo, a presidente do Conselho Nacional de Educação e o presidente de uma associação de diretores. Estiveram professores, sim, mas exceção feita aos que desenvolvem determinados projetos, os demais eram representantes de si próprios, condição que não se altera por serem dinamizadores de blogues. Não se vislumbra a justificação para privilegiar representações individuais em detrimento de coletivas e, mais do que isso, para excluir estas no que toca aos professores, grupo profissional determinante para os assuntos em análise.

Não pondo em causa os convites que foram feitos, não se pode deixar de assinalar o facto de ter estado presente a ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, no mandato da qual os professores foram tremendamente atacados nos seus direitos, incluindo a grave desvirtuação do seu estatuto profissional, nas suas condições de trabalho e na sua dignidade, tendo sido posto em causa o seu profissionalismo e a sua dedicação à atividade que desenvolvem. Já nesse tempo, foi a FENPROF quem se destacou na organização e mobilização dos professores. Mesmo assim, entendeu a produção do programa da RTP deixar de fora a FENPROF.

Escusaria a FENPROF de dar conta da importância da atividade que desenvolve, da representatividade que tem e da capacidade que para construir e apresentar propostas, pois tudo isso é do domínio público, certamente também de quem decide os convites para os programas em que a Educação e o seu futuro estão no centro do debate. Ao excluir esta importante organização que representa um grupo profissional essencial, a RTP voltou a prestar, insiste-se, um mau serviço, pois impediu os telespetadores de conhecerem pontos de vista significativos para o debate em curso. Infelizmente, não é a primeira vez que a RTP – que, como outros órgãos de comunicação social, não raras vezes recorre à FENPROF para obter informações e explicações importantes para notícias sobre Educação, para obter dados ou para conseguir testemunhos que possam ilustrar as suas reportagens – decide excluir esta organização de docentes dos debates que organiza, numa clara discriminação em relação a organizações que representam outros membros da comunidade educativa.

Será que o canal público de televisão, 48 anos depois do 25 de Abril, ainda não reconhece aos sindicatos – e em particular à FENPROF – o papel representativo que têm?

Por tais posturas verificadas no canal público, a FENPROF apresentou, ao longo dos tempos, repetidos protestos. Mais uma vez se vê na necessidade de protestar e reclamar veementemente pela exclusão de que foi alvo. De forma inequívoca, afirmamos que isto não é serviço público.

 

Lisboa, 20 de abril de 2022

O Secretariado Nacional da FENPROF

 

 

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Que Soluções Podemos Encontrar Para A Falta de Professores?

Esta parece ser a pergunta que muitos fazem por esta altura, quando existem pelo menos 20 mil alunos sem aulas a pelo menos uma disciplina.

Ao contrário de alguns que acham que a entrega da gestão dos recursos humanos às escolas para colmatar as necessidades das escolas é a melhor solução eu discordo profundamente desta autonomia para a contratação pelas escolas, porque: é um processo moroso que em vez de acelerar o processo de contratação torna-o mais lento e mais sujeito a erros na  ordenação dos candidatos. A BCE provou isso quando um professor ficava colocado em 30 ou 40 escolas, atrasando a colocação de um docente para um determinado horário porque os melhor graduados ficavam colocados em inúmeras escolas.

Já há bastante tempo falei sobre a necessidade de alteração do diploma de concursos para tornar mais responsável as opções de cada candidato. Não faz sentido a penalização pela não aceitação de um horário, ou a denúncia de um contrato em período experimental, ou não, ser apenas pelo próprio ano letivo. Nesta altura do ano são colocados imensos professores em horário completo e até “anual” que não aceitam a colocação porque em setembro já podem aceitar novas colocações. Nas últimas duas reservas tive dois horário completos e anuais e um completo e temporário com professor colocado, mas que não aceitou a colocação.

Para aumentar a responsabilização pelas opções dos professores o Ministério da Educação devia permitir que os concursos fossem dinâmicos e que em qualquer momento do ano o professor pudesse alterar as suas opções de escolas e intervalos de horários em função do seu interesse na própria altura. Neste caso a penalização por uma não aceitação de colocação devia ser no próprio ano e pelo seguinte.

A solução a curto prazo para resolver o problema que surge sempre no final do ano podia ser a bonificação do tempo de serviço para efeitos de concurso para quem aceitasse uma colocação e um suplemento remuneratório.

Algo como: uma colocação no terceiro período podia valer 3 vezes o tempo de serviço (apenas para concurso) e uma bonificação de 20% no vencimento. Uma colocação no 2.º período podia valer a bonificação do dobro do tempo de serviço e uma bonificação de 10% no vencimento.

A solução a médio prazo (após a revisão do diploma de concursos) poderia passar pelo que indiquei em cima, duplicar a penalização por uma não aceitação, mas permitindo uma candidatura dinâmica ao longo de todo o ano letivo. A colocação em horário completo para qualquer horário igual ou superior a 18 horas também seria uma boa opção acrescida à primeira.

A solução a longo prazo seria valorizar as remunerações de todos os docentes, tornar mais atrativa a carreira docente de forma a atrair mais jovens para a via ensino. Não me venham dizer que o problema é que os alunos no fim da sua licenciatura não conhecem as opções que existem para seguirem a via ensino,  porque isto só nas cabeças das Marias Emílias e dos seus conselheiros é que fazem sentido.

Discordo um pouco de serem dadas regalias financeiras para colocações em zonas mais desfavorecidas porque isso iria criar desigualdades entre professores colocados na mesma escola e à boa maneira portuguesa iria promover alguns aproveitamentos para um professor ser beneficiário desta medida. Facilmente imagino que um docente de lisboa mude a sua residência fiscal para Paris Bragança apenas para beneficiar de ajuda deste género.

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As Notas de Rodapé São Tramadas

A falta de vergonha já não existe e quando 7 dos 16 ministros têm o ISCTE no currículo aguarda-se mais casos do género no futuro.

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Lata em forma de assim

 

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Os 4 euros que separam um AO de um AT

E cada vez se exige mais de uns e de outros? Tenham lá vergonha na cara e deixem de proletarizar uma sociedade que se quer desenvolver. A história já nos provou que sem motivação (vencimento) não se fazem bons profissionais. Se o público não capta os bons com uma carreira competitiva o particular aproveita. No final o refugo caberá ao público com todas as suas consequências.

 

Se o Governo não corrigir a tabela remuneratória única até ao início do próximo ano, o Estado passará a oferecer o mesmo salário de entrada para a carreira que pede o 9.º ano (assistente operacional) e para a que exige o 12.º ano (assistente técnico). E se o ministro das Finanças, Fernando Medina, sinalizou o adiamento de correções salariais – como a que estava prometida para os licenciados…

Quatro euros que separam duas carreiras do Estado em risco de desaparecer

É já mínima a diferença entre os salários de entrada na carreira geral do Estado que exige educação básica e os da que exige o 12.º ano. Aumento do salário mínimo em 2023 anula-a. Medina adiou correção às tabelas salariais. Mariana Vieira da Silva diz que a quer fazer.

 

 

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O Futuro da Escola em Debate

A escola vive uma encruzilhada e uma crise de vocações. Se nada mudar no próximo ano letivo, 110 mil alunos podem não ter professores a pelo menos uma disciplina.
Mas as condições salariais e as dificuldades de estabilidade da profissão têm tornado a carreira docente cada vez menos atrativa.
Num momento em que o futuro não espera e em que novas necessidades de aprendizagem se impõem num mundo cada vez mais tecnológico e exigente.
Este é ou não é o momento certo para repensar o futuro da Escola?

 

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“ Não sei como chegámos aqui assim. Não sei e não quero saber”.

“Não sei como chegámos aqui assim. Não sei e não quero saber”.

– Maria de Lurdes Rodrigues, 19/04/2022

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A falta de professores não pode ser desculpa para a falta de justiça e de Lei

 

Há pouco, num debate da RTP, Maria de Lurdes Rodrigues, ex-ministra da educação de má memória, veio defender a contratação “pelas escolas”. Filinto Lima acolitou, lembrando a BCE de desgraçada memória mas sem lembrar a memória desgraçada.

Milu, com aquela falta de humor faraónica que caracteriza, insistiu na sua falta de vontade de fazer atos de contrição e repetiu a cassette da contratação pelas escolas.
Também não sou religioso, mas Deus nos livre de ser cada escola a escolher os seus professores. Além do custo dessa operação, das dificuldades burocráticas de a concretizar, ninguém se lembra das trapalhadas, injustiças e compadrios do tempo em que isso quase foi assim?

Luis S. Braga

 

 

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O Paulo Guinote Que Me Perdoe

… mas a legenda de rodapé só a consegui fotografar desta forma.

Um excelente debate sobre as razões que nos trouxeram à falta de professores nas escolas, bem retratado pelo Paulo Guinote, pelo Filinto Lima e pelo Luís Braga.

A frase de rodapé diz tudo sobre a pessoa que nos trouxe até aqui.  Mesmo que não queira saber, todos podemos dizer que chegamos aqui por sua exclusiva responsabilidade.

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Agenda para Hoje à Noite

Agenda Nocturna

 

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“É preferível termos alguém na escola com uma boa formação científica do que ter alunos sem aulas”

“Há professores que estão a lecionar em substituição sem habilitação própria”, revelou Ana Araújo, professora de português na Escola Preparatória Nuno Gonçalves, em Lisboa, à TSF.

É preferível do que alunos sem aulas.” Ministro admite que há professores a lecionar sem habilitação específica

Nos últimos anos, a situação tem-se agravado, lembra a professora, mas isto, segundo a docente, “não é uma surpresa para a maior parte das pessoas”.

À TSF, o Ministro da Educação, João Costa, confirmou que existem docentes apenas com “formação científica adequada”, mas que terão de a “complementar com a sua formação profissional adequada.”

“É preferível termos alguém na escola com uma boa formação científica do que ter alunos sem aulas”, explica o ministro, dizendo que “pior seria termos pessoas absolutamente subqualificadas, e só seria mau se estivéssemos a perspetivar que estas pessoas têm acompanhamento pelos seus coordenadores de departamento (pessoas mais experientes), e se não estivéssemos a desenhar estes modelos de formação ao longo dos desempenhos de funções destes professores”, conclui.

 

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Calendário do Concurso (Atualizado)

… com as datas da validação do aperfeiçoamento (que aumentou de 2 para 3 dias).

E após o dia 21 de abril as candidaturas ficam prontas para que se proceda à publicação das listas provisórias de ordenação, pelo que aponto para que sejam publicadas ainda durante a 1.ª quinzena de maio.

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ᴘʀᴏᴄᴇᴅɪᴍᴇɴᴛᴏꜱ ᴄᴏɴᴄᴜʀꜱᴀɪꜱ ᴇᴍ 2022 ʀᴇʟᴀᴛɪᴠᴏꜱ ᴀ Áꜰʀɪᴄᴀ ᴅᴏ ꜱᴜʟ

 

Informam-se todos os interessados que se encontra aberto um procedimento concursal simplificado destinado ao recrutamento de um docente de português ao nível do 𝗲𝗻𝘀𝗶𝗻𝗼 𝘀𝘂𝗽𝗲𝗿𝗶𝗼𝗿, em regime de substituição, para a 𝗨𝗻𝗶𝘃𝗲𝗿𝘀𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗱𝗲 𝗪𝗶𝘁𝘄𝗮𝘁𝗲𝗿𝘀𝗿𝗮𝗻𝗱 , Joanesburgo, África do Sul.
Aviso de abertura

 

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Concursos de pessoal docente para o ano escolar 2022/2023 – Madeira

 

Informação relativamente aos concursos interno, de afetação aos quadros de zona pedagógica, mobilidade interna, externo/contratação inicial e de reserva de recrutamento19-04-2022 Direção Regional de Administração Escolar

Os candidatos sem vínculo aos estabelecimentos de educação, de ensino ou instituições de educação especial da Região Autónoma da Madeira (redes pública e privada),

devem remeter a inscrição acompanhada dos documentos constantes no ponto 11, exclusivamente por correio eletrónico, para o endereço [email protected], solicitando o respetivo recibo de entrega da mensagem enviada;

INFORMAÇÃO

Candidaturas por via eletrónica através da Aplicação de Gestão Integrada de Recursos (AGIR), em https://agir.madeira.gov.pt/.

Concurso interno: 19 a 22 de abril/2022

Concurso  externo e de contratação inicial: 29 de abril a 2 de maio/2022

Mobilidade interna: 30 de maio a 01 de junho/2022

 

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Validação do Aperfeiçoamento 19 a 21 de Abril

Validação do Aperfeiçoamento – Concurso Externo/Contratação Inicial/Reserva de Recrutamento.

 

Aplicação eletrónica disponível entre o dia 19 de abril e as 18:00 horas de 21 de abril de 2022 (hora de Portugal continental) para efetuar a Validação do Aperfeiçoamento da candidatura ao Concurso Externo/Contratação Inicial e Reserva de Recrutamento, destinados a Educadores de Infância e a Professores dos Ensinos Básico e Secundário.

Nota Informativa – Validação do Aperfeiçoamento da Candidatura ao Concurso Externo/Contratação Inicial e Reserva de Recrutamento 2022/2023

SIGRHE – Validação do Aperfeiçoamento da Candidatura ao Concurso Externo/Contratação Inicial e Reserva de Recrutamento 2022/2023

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Pais protestam contra a falta de professores

 

Alunos continuam sem professores de inglês e matemática, no 3º período, na Quinta do Conde

A Escola Básica 2,3/s Michel Giacometti, na Quinta do Conde, é palco de uma manifestação amanhã, dia 19, pelas 7h30, “contra a falta de professores no dia em que se inicia o terceiro período.”

Assim, “cerca de duas centenas de alunos de várias escolas do concelho continuam sem professores, sobretudo às disciplinas de matemática e inglês”, explica em nota.

Os pais estão “preocupados com o impacto que esta falta de aulas terá no percurso escolar dos seus filhos” e, por isso, vão-se manifestar “em frente à Escola Básica 2,3/S. Michel Giacometti, na Quinta do Conde, que está a ser particularmente afetada com a situação.”

“O protesto contará com a presença da vereadora do Pelouro da Educação, Felícia Costa. A Câmara Municipal demonstra assim a sua solidariedade com pais e alunos, e relembra os esforços e alertas feitos pela autarquia para resolver a situação.”

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Sobre as alegadas agressões a uma aluna – Luís S. Braga

Já sei que este post não vai ser popular.
A racionalidade é impopular face à emoção massificada.

A notícia é do CM. Se a professora bateu ou não, só quem lá esteve sabe. O que a notícia diz é o que tem legalmente de acontecer: a professora foi afastada da aluna, tem um processo disciplinar e será punida, ou não, de acordo com o processo.

Há outras instituições envolvidas (CPCJ), mas pouco terão a fazer no âmbito da vida da professora, dado que ela já é visada num processo disciplinar e a CPCJ não tem competência de punição de professores.

Se a mãe quiser pode apresentar queixa crime. O processo disciplinar esperará pelo resultado do processo crime.

A mãe queixa-se de não saber nada do que se passa. Não tem de se saber até à fase de acusação (agora deve estar na instrução): os processos disciplinares são secretos até ser deduzida acusação. Os de professores e todos os outros.

Os queixosos só têm direito de saber no fim do processo. É a lei e é assim por muito boas razões.

Quanto à acusação de que há professores colegas da visada a tentar influenciar as testemunhas, crianças, além da gravidade ética do ato, têm relevância disciplinar.

Já fui instrutor de processos disciplinares no Estado e em IPSS.O fim último dum PD é descobrir a verdade plena e condenar, ou não, com base nessa verdade.

Num dos que fiz, tive de explicar à diretora do agrupamento que, como instrutor, só tinha de me guiar pela lei e pela minha consciência e não pelas suas ordens. Não fiquei mais popular por isso.

Não terei sido dos piores instrutores do mundo: não tive recursos administrativos ou judiciais das decisões, com base nas minhas propostas.

Tive um caso, que terá sido parecido com este, em que propus a condenação da professora (apesar de, além dos factos, terem de se ver as atenuantes: imaginem, por hipótese, que, no dia dos factos, ela, único apoio da sua mãe, soube que tinha um cancro e que podia morrer em 6 meses e se passou, o vosso julgamento de culpa seria o mesmo?)

Se este fosse meu, faria alguns atos :
1. Ouvia rapidamente a queixosa e prevenia-a do quadro de sigilo.
2. Pedia instauração de processo disciplinar às professoras que alegadamente foram falar com as testemunhas crianças.
3. Comunicava ao Ministério Público, COMO É OBRIGATÓRIO, dado que os factos alegados constituem crime.
4. Ouvia as testemunhas depressa para não se enrodilhar a verdade.
5. Por divertimento, notificava o jornalista do CM para ser testemunha.

 

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Não amordacem a Escola! – Carlos Grosso

Com a manutenção das máscaras em contexto escolar, estamos perante uma palermice que está prenhe de estupidez e vem montada às cavalitas da malvadez. Para que servem as paletes de estudos que demonstram os efeitos nefastos da utilização de máscaras nas aprendizagens das crianças? O atraso dos petizes não incomoda esta gente?

Já viram os apresentadores e apresentadoras dos telejornais a chegarem a vossa casa mascarados? Já viram as senhoras e os senhores deputados da nação a discursarem de máscara? Não, nunca viram, nem vão ver. E porque não? Porque é necessário que se entenda o que dizem, e que se entenda de forma clara, sem “ruídos” que perturbem a mensagem, sem panos que tapem a boca e escondam o movimento dos lábios, sem máscaras que ocultem a expressão facial. Claro, clarinho, como a água fresca da bela fonte.

Porém, são os mesmos senhores da governança, que obrigam, por decreto lavrado, assinado e devidamente publicado, que os profissionais que maior necessidade têm da comunicação oral, os professores, têm de manter a máscara em todos os momentos da ação educativa. A contradição, o absurdo não lhes chega? Acredito que grande parte deles tenha aprendido na escola, em tempos sem máscara, o que é uma demonstração por absurdo (reductio ad absurdum). Mas uma coisa é ensinar, e outra é aprender. Seria absolutamente desejável e fortemente expectável que estes dois processos se desenrolassem de mãos dadas e com grande simultaneidade, contudo, infelizmente, nem sempre assim é. Os professores dos nossos governantes certamente que se esforçaram, sem máscara, para lhes ensinar o que é uma reductio ad absurdum, todavia, a aprendizagem não se terá efetivado.

É certo e sabido que muita da aprendizagem que se desenvolve ao longo da vida resulta de observações casuísticas, de processos informais não propriamente organizados para produzir aprendizagens. Equilibrando a equação, também é verdade que uma parte do que é ensinado não é aprendido (já se constatou a falha de aprendizagem dos nossos governantes relativamente à identificação de absurdos). Pois se, sem máscara, a taxa de eficácia do ensino fica sempre aquém das expectativas, o que dizer da eficácia do ensino com o presente exagero de anos letivos mascarados?

Não amordacem o ensino! Não prejudiquem as aprendizagens! Empenhem-se em aumentar o mais possível a taxa de eficácia do processo educativo, aproximando, por todos os meios, o que se aprende àquilo que é ensinado. Retirem a obrigatoriedade da utilização das máscaras por professores. Sigam o exemplo de Boris Johnson (The Guardian), que há já três meses apelava a todos os professores para deixarem as máscaras. «As crianças têm sido das mais duramente atingidas pelas mudanças durante a pandemia (…) é vital que as crianças recebam educação presencial e possam desfrutar de uma experiência normal na sala de aula».

Será que os alunos não se incomodam com esta farsa? Incomodam-se. Estão fartinhos. Logo que saem das aulas, retiram as máscaras. No recreio, onde se amontoam sem quaisquer regras de distanciamento, absolutamente impróprias para crianças e jovens, não usam máscara. Se pudesse existir transmissão do vírus em ambiente escolar, estava tudo contaminado. Como é que não lhes chega o absurdo? Será que algum dos nossos governantes seria capaz de frequentar um restaurante onde se lavassem os copos, mas não os pratos (que nojo!), onde se desinfetassem colheres, mas não garfos e facas? Aposto que não seriam capazes, e seria uma aposta ganha. E o argumento dos espaços fechados é ridículo e falso, porque bem sabemos que os restaurantes e as discotecas são espaços fechados e com amontoados de gente que não têm qualquer comparação com uma sala de aula.

Ouve-se dizer que os senhores governantes nutrem uma grande paixão pela educação, e todos eles certamente sabem que o desempenho da função docente, em relação ao qual depositam as maiores esperanças na capacidade para ensinar as crianças e jovens, assenta em variadas dimensões e tem a comunicação oral como o veículo principal da relação pedagógica.

O senhor ministro da Educação tinha agora uma boa oportunidade para vir a terreiro proclamar a defesa das aprendizagens, defendendo a queda das máscaras nas escolas e mostrando-se um pouco mais do que o seu antecessor. Espero-o? Não. Apenas sou capaz de formular o desejo de que acontecesse, a coberto do desgastado ditado popular “a esperança é a última a morrer”. Garanto-vos que a esperança é pouca, quase nula. Lembro que foi o atual ministro da Educação, na altura secretário de estado Adjunto e da Educação, o responsável pela abolição de todos os programas escolares (Despacho n.º 6605-A/2021), substituindo-os pelas aprendizagens essenciais. O que se poderá esperar de quem defende o mínimo para as aprendizagens? Pouco, pouco, muito pouco. Por vezes ponho-me a divagar se o senhor ministro também fará essa defesa do essencial consigo próprio e na sua própria casa. Será que a gravata lhe é essencial? E uma mesa com cadeiras para jantar é essencial? E água canalizada? E camisa lavada? É essencial para quê? Tivemos antepassados, não muito longínquos, para os quais era essencial ter um monte de lenha em casa para poderem cozinhar o jantar, mas não é isso que acontece na casa do senhor ministro. Defender o mínimo é empobrecer, e esse não é, por certo, o desejo da maioria, mesmo que a maioria tenha votado na manutenção de uma equipa governativa que demonstrou ter a qualidade de ser capaz de empobrecer o país.

Bem sei que já fomos obrigados a ir votar com a cara coberta com máscaras cirúrgicas (nome intimamente ligado à respetiva utilização durante as cirurgias, que só por excecional metáfora se pode aplicar ao processo eleitoral ou ao processo educativo), mas votar não exige discurso oral. Porém, ensinar exige-o. Não se ensina com a qualidade devida sem discurso oral, e este não deve ser infetado por obstáculos ridículos. E se os senhores governantes dispensam a utilização de máscara para favorecer a qualidade das comunicações que fazem, sejam então capazes de perceber o enorme disparate de manter e prolongar a obrigação do uso de máscaras pelos professores.

Alguém imagina a revolta que seria se, no ano letivo de 2018/2019, os professores de uma determinada escola decidissem ministrar as suas aulas de máscara? O que é que não diriam os alunos, os pais e as autoridades governativas? Que não se ouvia bem o que dizia? Que a comunicação oral, pilar fundamental da docência, estava coartada? Que a eficácia do ensino estava comprometida? Que os senhores professores eram charolas? Logo manifestações de alunos e de pais, notícias na comunicação social a denunciar o absurdo, seriam acompanhadas de um despacho ministerial a proibir tal prática, pois claro.

Mas o mundo mudou, a prepotência dos governos aumentou, a subordinação do povo às ordens estapafúrdias igualmente, e, portanto, caladinhos e mascarados, que é preciso medo e respeitinho. Se a senhora diretora-geral da Saúde (que declarou que a utilização de máscara era prejudicial porque dava uma falsa sensação de segurança) se combina com a senhora ministra da Saúde e com o senhor primeiro-ministro (todos aconchegados no colo sagrado do senhor Presidente da República, tal e qual o Menino no colinho do Santo António) para nos dizer, sem máscara, que nos obrigam a usar máscaras nas escolas até ao final do ano letivo (que depois logo se verá, porque a pandemia ainda por aí andará…), o que devemos fazer? O que devemos fazer? Vem-me à memória uma canção do Abrunhosa.

Observador

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Fenprof Entrega Amanhã Petição na Assembleia da República

No primeiro dia do 3.º período letivo, FENPROF entrega Petição na Assembleia da República

 

São cerca de vinte mil as assinaturas na Petição que no próximo dia 19 de abril (primeiro dia do 3.º período letivo), a FENPROF entregará, pelas 11:00 horas, na Assembleia da República.

Esta Petição designa-se “Reclamamos justiça, efetivação dos nossos direitos e respeito por horário de trabalho” e, para além de se dirigir à Assembleia da República, também se dirige ao governo, devendo ser entregue oportunamente ao ministro da Educação.

No texto, os seus subscritores, professores e educadores, reafirmam o seu zelo no cumprimento dos deveres profissionais, recordam o esforço que têm feito para não deixarem qualquer aluno para trás e confirmam o empenho colocado na sua atividade profissional, seja ela presencial ou a distância.

Face ao que afirmam e corresponde à verdade, os signatários consideram ser justo exigirem respeito pela sua profissão, reclamando medidas em que este se reflita, tais como a recomposição da sua carreira, uma avaliação justa, um regime específico de aposentação, a eliminação da precariedade e o fim dos abusos e ilegalidades nos horários de trabalho. No texto, também é manifestada discordância com o processo de municipalização em curso e é requerida a democratização da gestão das escolas e agrupamentos.

Com esta petição, pretende-se colocar na agenda parlamentar, já neste início de legislatura, a preocupação perante problemas que afetam os professores e educadores em Portugal e são a razão primeira da fuga dos jovens a esta profissão. Para os docentes que assinam a Petição estes são aspetos fulcrais para a afirmação da Escola Pública.

 

O Secretariado Nacional da FENPROF

 

São os seguintes os pontos que a Fenprof inclui na sua petição:

  • recuperação de todo o tempo de serviço que cumprimos e o fim das vagas aos 5.º e 7.º escalões porque temos direito à carreira que o ECD consagra;
  • fim das quotas na avaliação porque temos o direito a ser avaliados com justiça;
  • Um regime específico de aposentação porque temos o direito a terminar a atividade profissional num tempo justo;
  • eliminação da precariedade porque temos o direito a trabalhar e viver com estabilidade;
  • fim dos abusos e ilegalidades nos horários de trabalho que os prolongam muito para além dos limites legais.

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Final de prazo para Aperfeiçoamento da Candidatura

 

 

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Simplificando a falta de professores- Luís S. Braga

 

9,43 €. Este é o salário líquido hora de um professor com 27 anos de serviço e formação larga (4º escalão).
Um professor em início de carreira ganha muito menos e nem tem o benefício de um lugar de quadro ou alguma previsibilidade para ter emprego. Além da distância à familia e residência, em tantos casos.
Este professor concreto demorou 10 anos a ter o lugar de quadro e 23 a ficar na terra onde mora.
E nunca vai passar do 8º escalão (onde já devia estar, se o que estava previsto à entrada na profissão fosse cumprido pelo “patrão pessoa de bem”).
Escrevam os tratados nos jornais e blogues que quiserem, dêem as voltas que derem, os comentadores, opinadores, etc não podem fugir a isto.
Paguem melhor, que não vai haver falta de professores e qualificados (as pessoas procurarão a qualificação se ela compensar).

Vamos simplificar a discussão? E ir ao ponto…..

 

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Da Falta de Professores

A ler com muita atenção e digam lá aos inoxidáveis políticos e comentadores, da esquerda à direita, que ainda sobram cabeças pensantes em Portugal.

Já agora: salvo raras, raríssimas, exceções, quando é que o jornalismo em Portugal começa a fazer o TPC, nomeadamente ao nível da Educação, não sei, dúvidas que me assistem…

Quanto aos inoxidáveis do regime: não estão fartos de ver as mesmas caras, anos a fio, a debitar asneirada?

Agora já  são os filhos e os netos que andam por ai na política, colocados pelos padrinhos, como uma casta, a sugarem tudo o que podem…e falavam eles – os da Ética Republicana da Monarquia…só mudam as moscas…

Então cada vez que me lembro dos dados que foram entregues pela CML ao Putin…

E a onde é que está o responsável mor que pôs a culpa no mordomo?

É incrível as figurinhas que pululam na política nacional, é da esquerda à direita…

Triste sina ter cabeça e pensar, este país deprime qualquer um, até os generais dizem asneirada em prime time como adeptos da teoria da “Conspiração Mediática Nazi-Capitalista-Imperialista Ocidental”…

É dose!

Domingo – O Meu Quintal

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