Já sei que este post não vai ser popular.
A racionalidade é impopular face à emoção massificada.
A notícia é do CM. Se a professora bateu ou não, só quem lá esteve sabe. O que a notícia diz é o que tem legalmente de acontecer: a professora foi afastada da aluna, tem um processo disciplinar e será punida, ou não, de acordo com o processo.
Há outras instituições envolvidas (CPCJ), mas pouco terão a fazer no âmbito da vida da professora, dado que ela já é visada num processo disciplinar e a CPCJ não tem competência de punição de professores.
Se a mãe quiser pode apresentar queixa crime. O processo disciplinar esperará pelo resultado do processo crime.
A mãe queixa-se de não saber nada do que se passa. Não tem de se saber até à fase de acusação (agora deve estar na instrução): os processos disciplinares são secretos até ser deduzida acusação. Os de professores e todos os outros.
Os queixosos só têm direito de saber no fim do processo. É a lei e é assim por muito boas razões.
Quanto à acusação de que há professores colegas da visada a tentar influenciar as testemunhas, crianças, além da gravidade ética do ato, têm relevância disciplinar.
Já fui instrutor de processos disciplinares no Estado e em IPSS.O fim último dum PD é descobrir a verdade plena e condenar, ou não, com base nessa verdade.
Num dos que fiz, tive de explicar à diretora do agrupamento que, como instrutor, só tinha de me guiar pela lei e pela minha consciência e não pelas suas ordens. Não fiquei mais popular por isso.
Não terei sido dos piores instrutores do mundo: não tive recursos administrativos ou judiciais das decisões, com base nas minhas propostas.
Tive um caso, que terá sido parecido com este, em que propus a condenação da professora (apesar de, além dos factos, terem de se ver as atenuantes: imaginem, por hipótese, que, no dia dos factos, ela, único apoio da sua mãe, soube que tinha um cancro e que podia morrer em 6 meses e se passou, o vosso julgamento de culpa seria o mesmo?)
Se este fosse meu, faria alguns atos :
1. Ouvia rapidamente a queixosa e prevenia-a do quadro de sigilo.
2. Pedia instauração de processo disciplinar às professoras que alegadamente foram falar com as testemunhas crianças.
3. Comunicava ao Ministério Público, COMO É OBRIGATÓRIO, dado que os factos alegados constituem crime.
4. Ouvia as testemunhas depressa para não se enrodilhar a verdade.
5. Por divertimento, notificava o jornalista do CM para ser testemunha.




5 comentários
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Tiram – nos do sério! Dizem – nos coisas bárbaras, ameaçam -nos, fazem de nós palhaços e quando não aguentamos mais explodimos. Sou contra a violência! Quem não ouve a bem, não ouve a mal. Nem quero imaginar a que ponto a colega chegou para alegadamente ter usado de violência contra a criança. Se é que isso aconteceu. Ao contrário do que do que se pensa as criancinhas não são assim tão puras. O mito do bom selvagem atualmente já não se enquadra na nossa sociedade. Não há bulling apenas entre os alunos. Há bulling em relação aos professores, vindo da parte dos alunos e teimam em fechar os olhos a esse facto, porque infelizmente o respeito pelo professor, que em tempos idos era só de fachada, pois o povo era analfabeto e inculto e, na terra de cegos quem tem um olho é rei e por isso respeitava- se o professor e o pároco ,a partir do momento em que se deu a massificação do ensino todos pensam que sabem mais que o professor e portanto o professor é desnecessário, é um qualquer e ninguém tem de o respeitar, seja um professor ou um diretor de escola. É triste, mas é o cenário que temos.
Sabem porque é que o diabo não quer as criancinhas no inferno?
Porque são pior do que ele. Já diziam os antingos.
Em tempos também fui agredida por um aluno, com testemunhas, felizmente; a minha primeira reação foi levantar o punho … fui atempadamente detida por um colega, e bem … seguidamente a mãezinha, uma senhora com muitos galões, muita pompa e muita crista, por quem os colegas manifestavam algum receio, chamada de urgência à escola, chegou e começou, sem ouvir nem saber nada, imediatamente com o propósito de me intimidar e diabolizar … saltou-me a víscera e o que não fiz ao filho, levou ela com toda a irracionalidade que a situação humilhante nos concede … ouviu do pior que se pode dizer a uma alminha cristã, o polícia, presente virou-se de costas (e bem!!) … seguidamente fiz queixa ao ministério público e à CPCJ … o menino já tinha antecedentes de faltas de respeito e má educação … tudo isso foi relatado por mim, com todo o vernáculo que a figurinha usava com os professores, quer no “diálogo” que não passou de monólogo da minha parte, com a mãezinha, na frente de todos que estavam a assistir, quer na queixa que fiz! O bandalho do diretor, como eu não fazia parte do clube bufaria que ele criou e alimentava, obviamente escusou-se a estar presente e nunca moveu um dedo para acionar o que quer que fosse … estampou-se, porque fui para a comunicação social e a escola foi notícia de abertura de telejornais e jornais, pela pior das situações, onde não me escusei de o acusar de se recusar a estar presente na escola, coisa que era habitual, como de proceder em conformidade com a situação, o que o molestou solenemente … foi achincalhado em programas da manhã em todas as TVs, segundo me contaram!
O “tuga” não precisa de professores! Nasce ensinado! A quê, é que não sei!
Qual é o medo que os diretores têm dos pais? Dá a impressão que a maioria estão mais interessados em arranjar tachos e por isso “baixam as calças” aos papás. Qualquer coisa tem de mudar na educação deste país! Os tempos mudaram! Ninguém vê isso! Será por causa de umas estúpidas metas que um primeiro ministro se propôs a alcançar até 2026 que o ensino em Portugal anda na rua da amargura? Não é a passar todos os anos alunos que nem sabem ler e escrever que se vão alcançar essas metas estúpidas. Isso vai – se pagar muito caro.
Totalmente de acordo com os comentários dos colegas.
Já agora, aproveito para prestar homenagem aos meus professores do 1º ciclo, já partidos. Muito obrigado por tudo que me ensinaram, às vezes não da melhor forma, mas é o Homem em circunstância. Contudo o saldo foi muito positivo.
Obrigado ainda, por algumas reguadas – bolos-, que levei e alguns puxões de orelhas, não foram muitos, alguns até injustos, outros merecidos que não me fizeram mal nenhum.
Não fiquei por isso traumatizado, nem deixei deixei de fazer xixi nem cocó. E o meu pai tendo sido professor também, nunca foi tirar satisfações com os colegas. Respeitava-os ( não lhes tinha medo ), confiava neles e sabia que eles eram homens e não animais.
Uma vez mais, onde querem que estejam, muito obrigado professores.
Tal qual os meus Colegas , abençoada seja a minha professora Primária , levei uns estalos, mas aprendi a tabuada, as continhas todas, a Historia e geografia deste país e a interpretar o que lia.
Hoje passados 50 anos nada disto as nossas criancas sabem .ZERO.
Cresci a respeitar professores e autoridades,.
Hoje num 12 ano de matemática nso sabem fazer uma conta de dividir sem as maquinas de calcular.
Mas agora um tabefe é violência.
Nao é que seja de acordo mas que merecem os tabefes merecem. Nem é por nao aprender é pela FALTA DE EDUCAÇÃO DE RESPEITO QUE estes jovens demonstram.
Os tais procesdos disciplinares ais alunos dao em nada ….
Talvez se matarem um professor a coisa um dia vá dar.
É deprimente AO fim de 32 anos de ensino perceber que os nossos POLÍTICOS TODOS SÃO ANALFABETOS.
A LICENCIATURA DELES É EM RETÓRICA E PALEIO falso e mentiroso.
Quo vadis EDUCAÇÃO?