e subrepticiamente outras coisas vão acontecendo…
Set 16 2014
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/09/opiniao-mario-silva-3/
Set 12 2014
Que este regresso ao passado, das colocações serem apenas dadas a conhecer ao candidato que também é para eu não ter acesso às colocações dos professores e ao número de necessidades do sistema.
Quero ver como vai ser a segunda-feira com a apresentação dos candidatos nas escolas. As escolas vão verificar as resposta dos docentes aos subcritérios?
O que vai acontecer se as escolas vierem a descobrir que as respostas não se confirmam? Vão despedir o docente, depois dele aceitar a colocação na aplicação? Vão “mandar a DGAE” chamar o segundo da lista?
É a segunda vez que vejo um concurso público sem que se cumpram as regras do código do procedimento administrativo, em que os prazos para reclamações não existem.
Tudo isto é ilegal e espanta-me que alguém possa dizer isto.
Ou isto.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/09/ninguem-me-tira-da-cabeca/
Ago 20 2014
O Ministro da Educação e Ciência, quando apresentou o Concurso Externo Extraordinário que agora foi publicado, afirmou que “após todo o processo de vinculação extraordinária, estamos convictos de que, no essencial, estarão integrados nos quadros os professores mais experientes, que têm sido colocados em sucessivos contratos anuais e completos, satisfazendo pois necessidades do sistema.”
Sou professora contratada com apenas 9 anos de serviço efetivo no 1º ciclo. Caso o Sr. Ministro não se tenha apercebido, acabou de permitir a vinculação neste grupo de recrutamento, que deveria ser considerado o pilar da educação, de 125 docentes que deram aulas a alunos do primeiro ciclo APENAS nos 2 últimos anos (muitos deles apenas no último ano e alguns NUNCA deram aulas neste ciclo), ou seja, têm 2/1 ou 0 anos de EXPERIÊNCIA, no 1º ciclo. São maioritariamente professores de EVT, Educação Física e Música. Pergunto eu: isto é melhorar a educação??? Caso queira ficar ainda mais elucidado Sr. Ministro, posso dizer-lhe que vincularam neste grupo de recrutamento 169 docentes dos quais, apenas 44 (26%) já deram aulas mais do que dois anos ao 1º ciclo. Parabéns Sr. Ministro! Continue a preocupar-se com a PAAC e a colocar no sistema professores que não têm EXPERIÊNCIA EFETIVA nos grupos para os quais se candidatam que assim conseguiremos com toda a certeza melhorar o ensino em Portugal. Já agora, Sr. Ministro observe também atentamente as condições de recrutamento para o grupo 910 (E Especial). Talvez possa concluir que não está a recrutar os docentes que esses alunos merecem: docentes com MUITAAAAA EXPERIÊNCIA. Se quiser perder algum tempo com estas matérias, talvez consiga perceber que assim não vamos lá!!
Elisabete Mateus
Declaração de interesses: ao fim de 21 anos de serviço tenho de ponderar concorrer ao 1º ciclo para poder manter a componente letiva e não me imagino de um dia para o outro a ensinar um aluno de 5 ou 6 anos a ler ou a escrever. Não nego que me assusta ficar colocado numa turma do 1º ano e ter de reaprender todos os métodos de ensino para trabalhar com alunos desta idade.
Mas quem acha que ter apenas os professores colocados no dia em que começam as aulas não é problema também não deve ver qualquer problema que estas coisas aconteçam.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/08/opiniao-elisabete-mateus/
Jul 16 2014
A municipalização da educação está a ensaiar os primeiros passos em contexto estratégico favorável, prudentemente escolhido, já que os professores não pensam senão nuns dias de férias, depois de afogados em trabalhos de exames, que culminaram um ano particularmente desgastante.
Foi Poiares Maduro, que não o ministro da pasta, que anunciou, na Comissão Parlamentar de Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local da Assembleia da República, em Março passado, a intenção de o Governo entregar a gestão da educação a dez municípios-piloto. Na altura, não clarificou o que entendia por gestão da educação. Tão-só disse que a intenção do Governo era descentralizar. Mas descentralizar, verbo transitivo que significa afastar do centro, não é panaceia que traga automática melhoria ao sistema. O experimentalismo descentralizador dos últimos anos no que toca à colocação de professores e o cortejo inominável de aberrações e favoritismos que gerou é um bom exemplo de que muitas vertentes da gestão do ensino devem permanecer centralizadas. Justifica-o a pequena dimensão do país, a natureza dos compromissos, legais e éticos, assumidos pelo Estado face a um vastíssimo universo de cidadãos e as economias de escala que as rotinas informáticas permitem. Quanto aos aspectos que ganharão, e são muitos, se aproximarmos a capacidade de decidir ao local onde as coisas acontecem, não deve o poder ser entregue às câmaras, mas aos professores e às escolas. Justifica-o a circunstância de estarmos a falar da gestão pedagógica. Porque quem sabe de pedagogia são os professores.
Há um fio condutor para esta proposta, qual seja o de impor à Educação nacional o modelo de mercado, agora de mercado municipal. Trata-se de transformar o acto educativo em produto de complexidade idêntica à rotunda ou à piscina municipal. Quer-se apresentar a Educação como um simples serviço, circunscrito a objectivos utilitários e instrumentais, regulado prioritariamente por normas de eficiência. Querem exemplo mais escabroso que o convite para que as câmaras cortem professores, até ao limite máximo de 5% do número considerado necessário, a troco de 12.500 euros por docente abatido?
Este é mais um passo que concretiza a estratégia empresarial e tecnocrática que o Governo tem para a Educação, bem fixada pela elitização do ensino, que o “dual” postula para as crianças de dez anos que reprovem duas vezes, pela adopção de pedagogias de adestramento, de que a hiperinflação dos exames é exemplo, e pelo contributo generoso para a introdução de linhas de montagem no ensino, que os monstruosos mega-agrupamentos tipificam. A municipalização, com os pressupostos conhecidos de distribuição de competências, implode de vez a propalada autonomia das escolas e abre portas a iniciativas partidárias de que temos sobeja demonstração empírica, via experiência já colhida de intensa introdução de jogos políticos no funcionamento dos conselhos gerais. Cruzada com as intenções (e o financiamento cativo em sede de Orçamento do Estado) que foram anunciadas quanto ao cheque-ensino, poderá repetir no país o que se verificou na Suécia, com a criatividade activa dos grupos económicos a explorarem o “negócio” até que, anos volvidos, se reconheça a sua falência.
Diz-se que a generalização só se efectivará se uma avaliação, cujo modelo é desconhecido, a recomendar. Os exemplos, velhos e recentes, atestam o valor que a intenção tem. Veja-se o que se acabou de fazer com a avaliação dos centros de investigação. Recorde-se como a experiência do ensino dual passou, vertiginosamente, sem qualquer avaliação, de 10 para 300 escolas. E olhe-se, com um sorriso complacente, o “empreendedorismo” voluntarista que já se esboça: o presidente da Câmara de Óbidos já anunciou Filosofia para os alunos do 1.º ciclo do básico, yoga para os do jardim-de-infância e golfe e “eco design” para os do secundário.
Embora a lei não o permita e de momento apenas se fale numa autorização para os municípios recrutarem pessoal docente para projectos específicos locais (lembremo-nos da contratação de professores de Inglês a quatro euros à hora, feita por empresas intermediárias, nos tempos de José Sócrates), a eventual passagem para as autarquias da responsabilidade de gestão e pagamento aos professores traz à colação a falência técnica de muitas câmaras, os atrasos, muitos, verificados para com professores de actividades extracurriculares e o receio de novas discricionariedades ditadas pelo caciquismo e pela promiscuidade entre câmaras e órgãos unipessoais de direcção das escolas.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/07/opiniao-de-santana-castilho-no-publico/
Jun 24 2014
… de 27 de Maio de 2014.
Nessa altura dei uma interpretação que me pareceu ser a mais correta, mas pelo comentário do Nuno Coelho nesse post alterei parte dessa informação.
Agora a analisar com mais cuidado esse post julgo que a produção de efeitos determinada no artigo 8º do novo diploma de concursos é apenas uma obrigação legal para colocar as renovações ao abrigo da nova redação do DL 132/2012, visto que de facto a renovação apenas terá efeitos a partir do dia 1 de Setembro de 2014 e neste caso pelas regras do novo diploma de concursos.
Artigo 8.º
Produção de efeitos
1 — A renovação do contrato a termo resolutivo prevista no n.º 3 do artigo 42.º do Decreto-Lei n.º 132/2012, de 27 de junho, alterado pelo Decreto-Lei n.º 146/2013, de 22 de outubro, e pela Lei n.º 80/2013, de 28 de novembro, com a redação dada pelo presente decreto-lei, é aplicada a partir de 1 de setembro de 2014.”
Assim, o texto do post de 27 de Maio no meu entender continua a ser a leitura mais lógica sobre as renovações para 2014/2015. Mas a certeza, certeza só vamos saber ao certo mais para a frente, quem sabe na altura da manifestação de preferências.
Mas como já disse mais que uma vez, ninguém se fie na renovação de contrato para 2014/2015 tendo em conta as novas regras da Mobilidade Interna no que respeita à manifestação de preferências.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/06/retomo-post-sobre-as-renovacoes/
Jun 24 2014
E nada garante que para 2015/2016 mais escolas venham a encerrar.
Infelizmente não é apenas por se construirem centros escolares que existe necessidade do encerramento destas escolas. A baixa natalidade dos últimos anos é um dos aspectos principais para que cada vez menos alunos entrem no sistema de ensino e que conjuntamente com estas novas construções fazem com que exista essa necessidade de encerrar escolas isoladas, mas não apenas as que estão isoladas.
Este ano que matriculei o meu filho mais novo no 1º ano e verifico essa grande quebra de alunos no sistema de ensino.
A minha pequena freguesia que sempre teve duas escolas do 1º ciclo (5 salas de aula + duas salas improvisadas) foi em muitas alturas insuficiente para albergar todos os alunos inscritos, daí a necessidade de improvisar as duas salas de aula debaixo dos cobertos de cada uma das escolas. O mais velho que termina agora o 9º ano iniciou o 1º ciclo numa das salas improvisadas e nessa altura ainda os horários das turmas eram mistos, há 9 anos entravam duas turmas de 1º ano para cada uma das escolas.
Nos últimos 3 anos passou a abrir alternadamente o 1º ano em cada uma das escolas com turma completa.
Este ano, a turma do 1º ano vai ficar reduzida a metade dos alunos e será necessário formar uma turma mista.
Esta freguesia não fica isolada, nem no interior do país, nem tão pouco teve a sorte do projeto de construção de um centro escolar novo seguir para a frente. E todos por aqui sabemos que uma das duas mais cedo ou mais tarde terá de ser encerrada.
E não se passará isto na maioria das escolas a encerrar, ou que encerraram nos últimos anos?
Secretário de Estado do Ensino revela que em relação 24% dos estabelecimentos de ensino as autarquias não se pronunciaram e que relativamente a 8% houve desacordo. Associação Nacional de Municípios assegura que não houve diálogo, o ministro critica “radicalizações ideológicas”.
O secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, Casanova de Almeida, admitiu esta terça-feira que o Ministério da Educação e Ciência (MEC) e as autarquias apenas chegaram a acordo no encerramento de 67,5 por cento das 311 escolas do 1º ciclo que já não abrem portas em Setembro. Em “cerca de 24%” dos casos as câmaras não se pronunciaram e em “cerca de“8,5 %” “houve desacordo”, disse o secretário de Estado, que frisou que “as decisões têm de ser tomadas”.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/06/apenas-houve-acordo-em-675-dos-encerramentos/
Jun 18 2014
De Paulo Guinote
Ver o lado mau ou menos bom das políticas pode ser uma virtude ou um defeito, tudo dependendo de como utilizamos esse nosso olhar menos optimista.
…
De Santana Castilho
Nuno Crato chamou ocultas às ciências da Educação. Compreende-se, por isso, que trate crianças de 9/10 anos de idade como adultos pequenos a quem, em sede de exames nacionais, pediu uma declaração escrita, por honra delas. Compreende-se que à revelia do que se faz na Europa e do que as neurociências e a psicologia do desenvolvimento descrevem como características fundamentais dessa idade as obrigue a um exame nacional, com os contornos daquele que actualmente existe.
…
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/06/artigos-de-opiniao-no-jornal-publico/
Jun 03 2014
… nada tenho de mal a dizer.
Finalmente a DGAE acertou com uma aplicação funcional e intuitiva.
Confirma-se que o e-Bio (mesmo não tendo sido obrigatório) veio melhorar o sistema de concursos. Continuo a achar que é pena não existir um registo biográfico eletrónico obrigatório do docente em que contabilize, para além dos dados para concurso, os dados da carreira com progressões e avaliações.
Até à data esta aplicação foi sem dúvida a melhor que existiu, no entanto, a verdadeira avaliação quero fazê-la quando da manifestação de preferências.
Ai sim, existe muita margem de melhoria em relação a anos anteriores e por isso, antes de lançar os foguetes prefiro fazer uma avaliação final nessa altura.
E vocês o que acharam?
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/06/sobre-a-aplicacao-do-concurso/
Mai 21 2014
Mais uma voz que se junta aos que defendem uma alteração do número de períodos letivos de três para dois.
Tal como a esperança, a Educação deverá ser a última a perder!
O calendário escolar é dos diplomas legais mais desejados pelas escolas, pois é com base nele que se define a estrutura de um ano letivo. O deste ano não agradou a muitos agentes educativos, sobretudo devido à diferença desproporcional de duração dos períodos letivos.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/05/opiniao-filinto-lima/
Mai 11 2014
… no Jornal Público.
Sobre a importância que a obra do ministro Veiga Simão representou para o desenvolvimento da Educação em Portugal muitos professores e pedagogos poderão falar muito melhor do que eu. No entanto, ao ler a notícia da sua morte, senti que poderia contribuir para a homenagem que nesta ocasião lhe está ser prestada, com um testemunho da acção que desempenhou na área da educação de alunos com deficiência.
Eu iniciei funções no Ministério da Educação, como coordenadora da recém-criada Divisão de Ensino Especial, em Junho de 1973. Tinha estado anteriormente no Ministério da Saúde e Assistência, que era o único departamento oficial que se ocupava da educação de alunos com deficiência e aí tinha tentado criar condições para a integração de crianças e jovens cegos em escolas regulares. Ao assumir as novas responsabilidades, deparei com uma tarefa de uma dimensão muito mais ampla, pois os objectivos propostos para aquela divisão estendiam-se a todo o tipo de alunos que enfrentassem barreiras de ordem física ou mental.
A minha primeira tarefa consistiu em elaborar um relatório da acção que, considerei, deveria ser realizada de modo a permitir que as crianças com deficiência visual, auditiva ou motora (muitas vezes com causas neurológicas) pudessem permanecer no seu ambiente familiar e frequentar as escolas da sua área de residência, não sendo obrigadas a ser internadas em instituições, tanto mais que a maioria das existentes eram de carácter fundamentalmente asilar.
Para que esse plano fosse viável, foi apresentada a necessidade de, previamente, se especializarem os professores que iriam realizar o indispensável apoio aos alunos a integrar e foi apresentada uma estratégia relativa à sua intervenção que garantisse a sua deslocação de escola para escola, numa acção itinerante, e que favorecesse a sua interacção e entreajuda. Essa estratégia consistiu na criação de “Equipas de Educação Especial”, baseadas em determinadas localidades e abrangendo uma área de cerca de 60 km de raio.
Propôs-se que, numa primeira fase, se formassem 60 professores que seriam distribuídos por seis equipas e pelos três tipos de deficiência referidos. Este plano implicava que se iniciasse um projecto, até aí inexistente em Portugal, e que se utilizassem verbas consideráveis para a execução das várias rubricas implicadas – formação dos professores (cursos de 15 meses, a tempo pleno) e sua deslocação, aquisição de material especial e acções de acompanhamento e formação contínua. Para além disso, era necessário que tivesse lugar uma intervenção nas escolas e nas salas de aula, realizada por profissionais externos e que o apoio fosse, quando necessário, extensível às famílias, a título domiciliário.
Há ainda a acentuar que não existia nenhum documento que constituísse um suporte legal a este conjunto de acções e não havia qualquer experiência no campo da integração de crianças surdas ou com problemas motores e neurológicos.
Lembro-me que, na altura, admiti que seria muito provável que esta proposta não fosse aceite ou que fossem exigidos, para uma tomada de decisão, numerosos pareceres prévios elaborados por diferentes grupos de trabalho. Foi assim, com espanto, que recebi o despacho assinado pelo Ministro Veiga Simão a autorizar tudo o que tinha sido proposto e que, nos tempos que se seguiram, fossem abertas as portas à enorme expansão daquelas equipas e à difusão da educação integrada no nosso país. Avançar naquele caminho representava, de facto, uma aposta e um risco que Veiga Simão aceitou tomar.
A adesão do sistema educativo a esta orientação viria certamente um dia a ser preconizada entre nós, quando fosse adoptada por muitos países e recomendada – como hoje é – pelos principais organismos internacionais. Mas sem a decisiva tomada de posição de Veiga Simão, Portugal não teria a posição pioneira que ocupou neste campo e muitas das crianças com deficiência que tiveram acesso às escolas perto das suas casas e tiveram a possibilidade de crescer nas suas comunidades teriam sido privadas desse direito que hoje é unanimemente reconhecido, como um dos fundamentais direitos humanos.
Escrevo este testemunho num momento em que as expectativas então criadas e as acções então iniciadas estão muito gravemente comprometidas e em que tantas crianças e jovens enfrentam inumeráveis obstáculos à sua inclusão educativa, o que é vivido dolorosamente por tantos pais, técnicos e professores.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/05/artigo-de-opiniao/
Mar 27 2014
Foi apresentada, neste plenário, a necessidade imperiosa do MEC se pronunciar sobre a qualificação de contratos de trabalho a termo sucessivos, dado que o Tribunal de Justiça e a jurisprudência europeia produzida a partir de 2001, já reconheceu como tendo carácter «sucessivo» os contratos de trabalho a termo, separados por períodos de menos de três meses.
O reconhecimento do direito à vinculação “semi-automática” obriga a que o docente tenha 5 contratos anuais sucessivos e completos ou 4 renovações, no mesmo grupo de recrutamento (nº 2 do artigo 42º).
Esta situação basicamente termina com a lista graduada no reconhecimento da graduação profissional para aceder a um lugar de quadro, passando o direito à vinculação a ser reconhecido apenas em função das opções que os docentes fizeram em concurso e retroativamente.
Nas análises que já fiz para a vinculação “semiautomática”, tanto pode haver docentes com 32 anos de serviço, como docentes com 3 anos de serviço (em 31/08/2012).
Já tinha apontado como solução que nos 5 anos de serviço pudesse haver um limite mínimo de tempo de serviço de forma a abranger colocações que não ocorressem sempre ao dia 1 de Setembro.
Para eliminar a injustiça que vai ser a vinculação “semi-automática”, só vejo mesmo o caminho de usar-se a jurisprudência apontada pelo tribunal europeu de forma a não prejudicar quem tendo colocações anuais e completas não as tem sucessivas, segundo a interpretação do MEC.
E como em lado nenhum é dito que a colocação sucessiva tem de começar ao dia 1 de Setembro e isto só vai ter efeitos na determinação da abertura de lugares de QZP em 31/08/2015, ainda existe mais de um ano para se resolver este imbróglio.
A bem da Justiça.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/03/a-aposta-nesta-solucao-parece-de-elementar-justica/
Mar 19 2014
A estes!
No fundo são aqueles que reúnem as condições para obter o 5º contrato anual, completo e consecutivo em 2014/2015.
Mas com a obrigação da renovação ser apenas para quem obtém a avaliação de muito bom já imaginam o que as quotas podem fazer a estes 1371 docentes, não já?
Quase a terminarem as negociações de dois diplomas de concursos fica-se com a certeza que o primeiro coloca grande parte dos professores dos quadros contra o concurso externo extraordinário (pela ocupação de 2000 vagas de QZP sem que possam a elas concorrer) e o novo diploma de concursos coloca docentes contratados contra docentes contratados, pela necessidade de obtenção de contratos anuais, completos e consecutivos para essa vinculação deixando docentes com mais tempo de serviço “impossibilitados” de ocupar vagas de quadro, coloca novamente docentes contratados contra docentes contratados porque apenas permite que os que estão próximos das condições para a vinculação de receberem pelo índice 188, enquanto outros com mais tempo de serviço ficam no índice 167.
Até neste diploma de concurso os docentes dos quadros se insurgem contra, pelo seguinte:
Com todas estas injustiças não me admira que o MEC tenha cumprido o seu papel perante o tribunal europeu e que agora um elevado conjunto de professores impugnem estes dois concursos.
E não será isto que o MEC pretende?
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/03/a-quem-se-aplica-a-mudanca-ao-indice-188/
Mar 06 2014
… da vinculação extraordinária e da proposta de alteração ao 132/2012 mais certezas tenho que o MEC vai criar uma embrulhada difícil de desfazer.
Porque a sequência dos concursos externo e interno estão erradas à partida.
E eu até sou apologista de concursos separados pela simples razão de ser possível resolver da melhor forma os problemas dos docentes dos quadros e dos docentes contratados.
Então quando há pouco tempo ouvi o Secretário de Estado dizer que as vagas do concurso interno iam ser apenas 2 mil mais preocupado fiquei com a sequência destes dois concursos.
A solução para não se criar mais problemas do que aqueles que agora existem é adiar o concurso externo deste ano para 2015 e seguir a sequência lógica dos dois concursos.
Se fosse possível haver um concurso único com a certeza que 2000 docentes entravam em lugar de quadro então que se faça e que se pense nele com mais tempo.
Porque desfazer os erros que vão ser cometidos vai demorar muito tempo, se é que alguma vez esses erros se vão conseguir desfazer.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/03/quanto-mais-olho-para-os-documentos/
Mar 01 2014
… existem cada vez mais decisores políticos desde PSD/CDS ao PS que concordam com David Justino.
E como não é possível fazer um fato à medida para cada candidato, e se cada um olha apenas para o seu umbigo, mais se colocam a jeito para que em 2015 seja um dos últimos concursos centralizados pelo MEC.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/03/lembrem-se-que/
Fev 28 2014
A negociação sobre a vinculação termina como se previa, sem acordo das principais organizações sindicais, no entanto não conheço os comunicados de todas as organizações sindicais para dizer afirmativamente que nenhuma organização sindical subscreveu qualquer acordo com o MEC.
Isso deixa caminho aberto para futuras batalhas judiciais contra o MEC no cumprimento da diretiva europeia. A própria ANVPC já previa este desfecho e tem criado algum suspense com uma contagem decrescente no seu site para que “os nossos desígnios serem entendidos”.
Dos comunicados das duas principais federações sindicais verifica-se a satisfação da FNE por este concurso respeitar os direitos dos docentes dos quadros e que assegura que em 1 de Setembro de 2014 quem já é do quadro não possa ser ultrapassado por quem entra neste concurso extraordinário (sobre futuros concursos e prioridades apenas dia 5 de Março será discutido o assunto com o MEC para alteração ao DL 132/2012).
Quem acha que esta regra é descabida pergunto apenas uma coisa. Há algum contratado que não tenha vinculado com mais graduação que algum docente do quadro e tenha feito as mesmas opções de quem vinculou? Se houver dou-vos razão.
A FNE também refere como significativo que possa haver um concurso interno em 2015. Perante a atual legislação só deveria haver esse concurso interno em 2017.
Não deixo de considerar muito positivo a realização de um concurso interno isolado do externo, já referi por várias vezes essa vantagem e estou certo que vai resolver a maioria dos problemas que se prendem com os professores “desterrados”.
Sendo exclusivamente um concurso interno todas as vagas declaradas pelas escolas não correm o risco de ser controladas pelo MEC como aconteceu em 2013.
Do comunicado da FENPROF apenas verifiquei uma concordância da parte do MEC com uma proposta sua. Diz o comunicado que: “o MEC acolheu propostas apresentadas pela FENPROF à sua primeira versão, introduzindo no seu projeto sobre o concurso extraordinário alterações como a consideração do tempo de serviço prestado nos últimos 3 anos, independentemente do grupo em que o docente lecionou, ou a possibilidade de candidatura a mais do que um grupo de recrutamento”
Este terá sido o único ganho da Fenprof que entretanto anunciou a possibilidade de uma negociação suplementar.
Lembro-me bem do que disse aqui:
No entanto, têm de optar se querem um concurso que privilegie quem tem sempre trabalhado para o MEC ou apenas aqueles que trabalharam 365 dias nos últimos 3 anos. Por isso decidam-se, porque querer alargar um concurso a mais professores é diminuir as hipóteses de ingresso de quem largos anos andou sempre no ensino público
O MEC não teve dúvidas: agradeceu o conselho da Fenprof.
Por fim. No meu ponto de vista a existência de um concurso interno em 2015 deita por terra qualquer intenção, em ano eleitoral, de um processo de requalificação docente. Ou alguém consegue imaginar que em vésperas de um concurso interno, que pode alterar a condição de um docente logo a partir do dia 1 de Setembro de 2015 alguém seja enviado para uma requalificação em Fevereiro de 2015?
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/02/conclusoes-breves-sobre-a-negociacao-da-vinculacao/
Fev 27 2014
Passa pelo seguinte:
Não havendo nada disto perde sentido qualquer requalificação docente dentro de um ano, mas isso pode ser a parte boa desta história.
E sobre a segunda versão do documento (que praticamente não muda nada em relação à 1ª versão) digo o mesmo que já disse: esta vinculação não reconhece os docentes que trabalham há inúmeros anos no ensino público, nem tem lugares suficientes para cumprir a diretiva europeia.
E o que se está a mudar é apenas a “cosmética” da versão inicial que continua a não responder aos fundamentos iniciais para esta vinculação.
Mas esta é uma solução remendada àquilo que acho ser a melhor solução para 2014.
Mas como esta petição ainda não chegou às 4 mil assinaturas numa altura fulcral para estas decisões já vejo difícil eu seguir este caminho.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/02/a-minha-solucao-para-esta-vinculacao/
Fev 18 2014
… sobre a vinculação extraordinária dos Açores.
Li agora a proposta de alteração assinada pelos líderes parlamentares do PS e do PCP para o concurso externo extraordinário de pessoal docente e eis como se me afigura que foram paridas as prioridades para o concurso que aí se adivinha: “senhores, vamos lá magicar em pré-requisitos do arco-da-velha, daqueles que apenas meia dúzia de almas consiga reunir, e assim só temos que encaixar essa triste meia dúzia nos quadros”, seguido de “vamos esquecer todas as outras situações que não satisfazem cabalmente as nossas exigências e depois dizemos que nem Nosso Senhor conseguiu agradar a toda a gente.” Espero sinceramente que o pensamento tenha sido este porque, se fizeram a porcaria que fizeram de forma consciente e ainda estão convencidos de que fizeram um lindo serviço, pois que estamos bem mal servidos com vossas excelências, meus senhores.
Eu encontro-me a lecionar há 10 ANOS, na MESMA escola (com apenas um ano de intervalo, mas bem lá para trás, o que não me beliscaria no concurso em apreço), na MESMA ilha, no MESMO arquipélago, MAS, heresia!, uma vez que mudei temporariamente de grupo de docência e fiz uma perninha a dar inglês nos anos letivos de 2010/ 2011 e 2011/2012 – e fi-lo com toda a pertinência porque nunca foi penalizável a mudança de grupo disciplinar e porque a lei mo permite -, perco a prioridade por não satisfazer o critério (?!) dos últimos 3 anos no mesmo grupo disciplinar. Relembremos que a minha entidade patronal é A MESMA há um ror de anos, independentemente da disciplina que eu tenha lecionado. E eu, de facto, lecionei, não fiz praia. Eu trabalhei a lecionar português e a lecionar inglês. 10 ANOS. Se 10 anos não são suficientes para merecem estabilidade, então eu não percebo onde é que se pretende chegar com este concurso. Não obstante, se não quisermos atender a isto, atendamos então aos outros quatro ou cinco anos em que lecionei português de empreitada precisamente na mesma escola. Então e estes? Não me servem para nada? E mais! Considerando os presentes critérios, só daqui a 3 anos volto a reunir os 3 anos de serviço no mesmo grupo. Isto se tiver sorte, porque agora o cerco vai apertar cada vez mais, acredito piamente.
Já tinha ouvido dizer que a vida era injusta. Já dei comigo a usar esta frase, mas agora vejo que eram só letras juntas que formavam palavras e palavras que formavam frases… Ou seja, a frase saía-me da boca, mas não do espírito. Desta vez, estou danada. Porquê? Porque andei 10 ANOS a trabalhar, ao abrigo de SUCESSIVOS CONTRATOS A TERMO, para a MESMÍSSIMA ENTIDADE, numa SITUAÇÃO DE EMPREGO PRECÁRIO, a desempenhar FUNÇÕES COMUMMENTE ATRIBUÍDAS AO PESSOAL EFETIVO e A GANHAR MENOS QUE ELES, e agora há uma mente brilhante que acorda e decreta “ah, se não tivesses ensinado inglês aqueles dois anos…” Mas que raio de argumento é este?! Eu lá adivinhava que iam parir essa exigência dos 3 anos no mesmo grupo disciplinar uns anos depois?! Que iam pegar em algo que era um direito de um professor – e salutar, até, porque refrescar saberes é bom e recomenda-se e mudar de grupo permite precisamente essa riqueza! – e vilmente distorcer esse direito de forma a torná-lo um embaraço na carreira dos docentes?! Se sim, tivessem avisado atempadamente que eu tinha-me deixado estar quietinha onde estava e efetivava agora num ápice! Esta foi, a meu ver, mais uma maneira de eliminar uns quantos da corrida aos quadros, nada mais que isso. Este critério da permanência no grupo disciplinar é tão válido como alvitrar que “vamos efetivar apenas os louros, com altura mínima de 1,80m, olhos azuis e uma tatuagem na omoplata.” Ridículo demais? Específico demais? “Não, é só porque podemos e há que afunilar esse rio de gente que vem por aí abaixo a querer efetivar.” Meus senhores, NÃO É QUERER, É MERECER.
Acho que ninguém duvida de que estamos perante uma injustiça sem tamanho. Ainda se fosse a única… Mas não. Como a “minha”, há outras. Maiores até. Gente que anda com a casa às costas por estas nossas ilhas há mais tempo que eu e que vê agora fecharem-lhe a porta – e escancararem-na a outros – porque não cumprem uma das imposições recém-paridas. Vejamos um caso concreto (o meu e o de muitos): professor tem habilitação para dois grupos – o que antes dava muito jeito e que agora é quase crime – e vai alternando entre os dois. Está fora. “Lamentamos, é considerado promiscuidade profissional.”
Acredito – faço por acreditar – que estas prioridades não foram delineadas por professores, porque evidenciam um desconhecimento atroz da realidade docente. É certo que não se pode agradar a todos, mas há que ser-se minimamente correto com aqueles que, mais que todos, há uma pequena eternidade, reúnem condições para deixar de tratar a precaridade laboral por tu. Estes pré-requisitos, da maneira que se apresentam, farão com que muitos docentes que andam por cá há menos tempo consigam entrar nos quadros e que os outros, os que acabaram por cair nas rachas do sistema, fiquem a olhar de fora, como a menina dos fósforos. Senhores, por favor, verifiquem as vossas rachaduras.
Fedra Machado
P.S.- Este texto, até pelo tom que lhe subjaz, vai trazer-me 0 amigos novos e ainda menos pessoas a telefonarem-me a dizer que a proposta foi alterada por causa dele. No entanto, quem o ler fica a saber que, neste processo, muitos docentes foram abalroados por um conjunto de critérios redigidos à la minute e sem tarelo nenhum por quem denota desconhecer a realidade dos professores.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/02/opiniao-prioridade-as-barbies/
Fev 14 2014
Foi conhecida a primeira versão do MEC para a realização de novo concurso de vinculação de professores contratado.
Desta vez tivemos conhecimento do número global de vagas (2000) antes de ser conhecida uma qualquer proposta de diploma, algo que nunca aconteceu no ano passado.
Já disse por varias vezes que as 2 mil vagas não respondem às queixas apresentadas no tribunal europeu contra o estado português pela não vinculação dos docentes que cumpram sucessivos contratos, de acordo com a lei geral portuguesa.
Por essa razão qualquer concurso que exista, limitado a um número de vagas, não vai responder às queixas apresentadas.
Mas vamos à leitura que faço dos requisitos de admissão, que não responde também à larga experiência dos docentes no ensino público porque:
Havendo um novo concurso deste género para ingresso no quadro de docentes contratados, o novo Decreto-Lei devia ter como um dos requisitos obrigatórios a prestação de um determinado tempo de serviço mínimo em funções públicas de forma a dar resposta às sucessivas contratações públicas. E isso não existe.
Mas se eu disser que seria necessários um mínimo de 1825 dias em funções públicas já me caiam em cima por colocar de lado todos os que não foram dispensados da PACC.
No entanto, têm de optar se querem um concurso que privilegie quem tem sempre trabalhado para o MEC ou apenas aqueles que trabalharam 365 dias nos últimos 3 anos. Por isso decidam-se, porque querer alargar um concurso a mais professores é diminuir as hipóteses de ingresso de quem largos anos andou sempre no ensino público.
São requisitos de admissão ao concurso:
a) Exercício efetivo de funções docentes em estabelecimentos púbicos de educação de infância ou dos ensinos básico e secundário com qualificação profissional em pelo menos 365 dias nos três anos imediatamente anteriores à data de abertura do presente concurso, no mesmo grupo de recrutamento e em regime de contrato de trabalho em funções públicas a termo resolutivo.
b) Preencher os requisitos previstos no artigo 22.º do Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 139-A/90, de 28 de abril, na redação do Decreto-Lei n.º 41/2012, de 21 de fevereiro, adiante designado abreviadamente por ECD;
c) Ter obtido avaliação de desempenho com menção qualitativa não inferior a “Bom”, nos anos a que se refere a alínea a), desde que o tempo de serviço fosse obrigatoriamente avaliado nos termos da legislação aplicável.
E claro que não faz sentido haver um concurso externo extraordinário sem que primeiro os docentes que já são dos quadros não possam aproximar-se das suas residências.
Antevendo já algo do género no ano passado fiz na altura esta petição para a existência de um concurso interno extraordinário em 2014. Penso que chegou a hora de voltar a colocar esta petição em destaque.
Já foram apresentados em alguns comentário de alguns posts uma solução justa para todos.
Independentemente das soluções finais que venham a acontecer, a requalificação docente perde qualquer sentido e em Fevereiro de 2015 será mais difícil o MEC enviar alguém para essa mesma requalificação.
Apesar deste post, sou mais apologista que o MEC deve cumprir com as suas obrigações legais de vincular todos os docentes contratados com contratos sucessivos em vez de ser realizado um concurso deste género.
Mas já não concordo com algumas opiniões que dizem que deve ser feito um concurso nacional interno e externo em simultâneo para resolver a vinculação destes professores. Já não concordava o ano passado e o concurso de 2013 veio dar-me razão, porque não serviu os interesses nem dos docentes dos quadros nem dos contratados.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/02/sobre-o-novo-concurso-da-vinculacao-extraordinaria/
Jan 30 2014
No apogeu do malogrado socratismo, assisti atónito a uma deriva totalitária explicita, num regime que se pensava democrático: desde policias a entrar em sedes de sindicatos a solicitar listas nominais dos participantes em manifestações, passando por policias de trânsito a desviar autocarros carregados de manifestantes e a impedi-los de prossegir viagem, até aos casos desumanos de juntas médicas negarem a trabalhadores com diagnóstico de cancro a incapacidade temporária, obrigando-os a trabalhar (onde pontuaram exemplos de uma professora com cancro na lingua a lecionar…). Essa deriva desvaneceu-se mediaticamente, mas continuou subrepticiamente em ação através da produção legislativa. Assisti agora a vários casos de colegas de trabalho que continuam a exercer funções em condições de saúde precárias, nomeadamente afónicas ou com infeções debilitantes; quando, na minha ingénua humanidade, as repreendi por estarem naquelas condições a trabalhar, elas perspicazmente alertaram que atualmente são descontados no salário e na totalidade os 3 primeiros dias de ausência por doença, o que nas circunstâncias conhecidas é um desconto significativo para muitos com salários ainda mais reduzidos. Esta alienação a que nos sujeitamos para manter uma certa sanidade mental, afasta-nos psicologicamente de uma realidade darwiniana criada por uma elite abjeta, e confronta-nos com a desagradável conclusão de uma classe populacional ter sido liminarmente derrotada na guerra social que ocorreu.
Mario Silva
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/01/opiniao-mario-silva-2/
Dez 29 2013
De Paulo Guinote
De César Israel Paulo
Ambos no Público
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/12/artigos-de-opiniao/
Dez 29 2013
Tenho aproveitado este tempo de interrupção letiva para pensar nos manuais que nós adotamos. Cada vez mais, o professor tem um papel menos ativo no processo de ensino. Aos poucos tiraram-nos a destreza de criar instantaneamente tarefas para os alunos. Não quero com isto dizer, que não devemos planear uma aula, devemos sim, mas também temos de ter a capacidade de reinventar na hora atividades que vão ao encontro das expetativas e necessidades pontuais dos nossos alunos. De há uns anos para cá, temos perdido o nosso “território”. É-nos fornecido todo o tipo de material, para que conduzamos as nossas aulas. E não nos temos apercebido que nos fomos tornando reféns desses mesmos materiais. Tornámo-nos professores stressados, angustiados e competitivos. Criamos reuniões de articulação, sessões de cooperação, de onde saem testes “universais” para uma grande diversidade de alunos. Entupimos a nossa mente com pormenores, “ cumpriste a planificação? ” , ” Como é que a colega ainda não deu…” e, mais não é necessário exemplificar, pois todos vós sabeis exatamente do que falo. É ótimo possuir livros bem estruturados, livros de fichas de avaliação, que nos aliviam um pouco, mas penso que estamos a ser “envenenados” por culpa nossa.
Um manual por disciplina, para já, penso ser suficiente. Alivia os alunos, evitando futuros problemas a nível da coluna e solta-nos a nós professores, permitindo-nos abrir largas à nossa imaginação e tornar uma aula muito mais sincera, pois é criada por todos, alunos e professor.
Manual, livro de fichas de trabalho, livro de escrita, livro de fichas de avaliação… que temos ganho com tudo isto? Alunos mais motivados? Professores mais saudáveis? Não me parece. Os alunos não têm espaço para a reflexão, para a crítica, além disso o tempo escasseia, vêm ai as provas…que angustia!
Não criamos adultos psiquicamente saudáveis, mas cidadãos isolados, depressivos, egoístas, e mais grave ainda sem sentido critico. Professores cada vez mais debilitados, fisicamente e psicologicamente. Como podemos ajudar uma criança se nem a nós próprios socorremos?
Somos a meu ver uma classe de privilegiados. Temos todos os dias à nossa frente seres humanos que necessitam de atenção, de serem ensinados e encaminhados numa sociedade cada vez mais competitiva e egocêntrica. Temos a possibilidade de ajudar e fazer a diferença. Nós somos capazes, nascemos para isso.
Parece algo tão insignificante: “quantidade de livros”, mas não se deixem enganar, quantidade não é igual a qualidade. Os alunos necessitam de nós, da nossa presença, da nossa atenção e da nossa lucidez. Não necessitam de mais manuais, mais provas, mais rótulos.
Peço desculpa se chateei alguém, mas estava mesmo a necessitar de fazer este desabafo.
Um bom ano a todos os professores!
Rosa Ana Morais
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/12/opiniao-rosa-morais/
Dez 18 2013
… e retiradas deste comentário.
Algumas conclusões:
– 31% dos itens pretensamente dedicados à “capacidade” de interpretação, mas desenvolvidos em questionários muito mal elaborados, com a apresentação de hipóteses semanticamente muito próximas e suscitadoras de dúvidas. A escolha dos textos foi globalmente infeliz, sobretudo no caso do primeiro, de fraca qualidade literária, opaco e carregado de um simbolismo que, por si só, poderá ter perturbado, à partida, o estado emocional de quem teve de fazer a prova.
– 69% de perguntas da área da matemática e das ciências exatas, com o regresso dos famosos carrinhos em périplos inclinados (dejà vu… faltaram apenas as alavancas e roldanas da FQ da nossa juventude…). Tudo tarefas que, hoje em dia, se fazem com recurso a meio informáticos. E que qualquer professor minimamente dotado resolve (e bem) dessa forma, gerindo tempo e recursos. Com a agravante de serem apresentados os problemas em enunciados pouco claros e (obviamente) longos e confusos.
– Claro que fazer horários (letivos ou de passeios à praia) e conjugar ementas, assim como reconhecer fachadas, são competências imprescindíveis a quem queira dar boas aulas…
– Nítida obsessão pelos números, pelos gráficos, pelas contas… Muito mais discreta a capacidade de a própria prova provar a capacidade de leitura de um texto do domínio educativo e transacional, com que a generalidade dos docentes trabalha habitualmente. Nada de pontuação nem de ortografia. A partir de agora, o importante é incluir provérbios (medievais, atenção!) e expressões idiomáticas com valor conotativo nas atas.
– Flagrante desproporção entre o tempo dispensado para a resolução da prova e o tempo exigido por cada uma das perguntas para a sua resposta, como se esperava.
– Sintomática escolha de uma citação de António Nóvoa…
Em breve conclusão, a loucura no seu melhor… Ou mais uma manifestação dela.
Dia infeliz o de hoje.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/12/conclusoes-da-pacc-por-carlos-plagio/
Dez 15 2013
Com autorização para publicação.
Caros colegas,
Acabei de receber a convocatória para a reunião destinada a organizar o serviço de vigilância da prova que, supostamente, visa avaliar professores (profissionais, como somos todos) e que se vai realizar também neste agrupamento.
Esta convocatória não me suscita reparo a quem a fez, na medida em que, noutras funções, tive que convocar reuniões para processos atabalhoados, centralmente gerados e do género.
Mas o juízo sobre a reunião depende do que nela acontecer e não do que se possa agora antecipar.
Contudo, o posicionamento a tomar nela leva-me a escrever este texto, embora sem o intuito de convencer, seja quem for, da minha posição, que acho, mesmo assim, que devo anunciar para abreviar tempo no seu decorrer e para sabermos ao que vamos.
E a minha posição e´ muito clara: não vigiarei, corrigirei ou colaborarei, seja de que forma for, com a realização da prova.
Se isso resultar em ter de fazer reuniões de avaliação de alunos na semana do Natal, seja. E se houver outros incómodos, venham eles.
Não prejudicarei colegas mais frágeis na sua situação, por abstenção, comodismo ou pela futilidade de ter vontade de comer rabanadas mais cedo.
No passado, e em circunstancias pessoalmente mais duras, encontrando-me sob ameaça direta por parte de organismos do ministério, fiz o mesmo com a implementação, `a data, de uma dada fase do processo de avaliação de desempenho, que o Governo do tempo queria aplicar, com base num decreto-regulamentar que, na ocasião, ainda nem legitimidade tinha (pois nem fora publicado).
Nesse dia, um ilustre funcionário de um organismo desconcentrado do ministério informou-me da inutilidade da resistência porque “os professores são como a massa esparguete, mergulhada em água, amolece”.
Muita água correu sobre o assunto que não se encerrou nesse dia.
O esparguete causou razoaveis dores de barriga a gente poderosa.
O processo presente continua envolto em névoas jurídicas do mesmo calibre, com os problemas da dispensa, baseada numa atamancada interpretação excessiva (que não ouso chamar-lhe extensiva), de um suposto preceito legal para alguns e que não se aplica a todos.
Como existe um pré-aviso de greve lançado por quem tem legitimidade (os sindicatos) aderirei a essa greve.
O que aprendi e´ que este tipo de atitudes individuais de resistência e desobediência (neste caso, por meios absolutamente legais e que resultam do exercício de um direito constitucional) nesta nossa amada pátria, não passa desse nível e muitas vezes e´ mal considerado e não se reflete muitas vezes num sentimento colectivo de acção e de defesa do que e´ justo.
Oriundo de uma família de 4 gerações de professores, cresci a ouvir histórias de como a classe docente teve de lutar, no longo prazo e num caminho penoso, pelo seu estatuto.
Este ataque acaba por ser mais um e não creio que os seus autores vão ficar na Historia pela qualidade dos seus resultados.
Se colaborasse com ele trairia a memória de pessoas muito próximas e referências pessoais e familiares que, no seu tempo, resistiram e lutaram.
E aqui recordo o meu tio Adelino, professor durante décadas, natural desta terra, que nos inícios da década de 30 do século passado, inícios do Estado Novo, resistiu a uma tentativa politica de tornar uma farsa o conceito de exames e que, com esse gesto solidário e de coragem, voluntariamente se sujeitou a ficar um ano sem trabalhar em nome de uma certa ideia de dignidade pessoal e justiça.
E perante esse exemplo, o que pode ser para mim um mero transtorno na data de inicio da quadra natalícia?
Se cá estivesse, o meu tio não me pouparia, se colaborasse nesta farsa e se ajudasse ao seu resultado: prejudicar outras pessoas, colegas, contra o que se verifica ser justo.
E, neste caso, o que e´ justo e´ defender-se a nossa dignidade profissional coletiva contra falsas ideias de rigor e disparatadas ideias de suposta avaliação que visam, na verdade, diminuir e atacar os docentes, a pretexto de uma ficcionada melhoria do sistema de ensino.
E esta opção pessoal que tomo, nada tem de partidário, sendo contudo profundamente política, e tendo ate´ uma face de perspectivar o futuro.
Quem nos garante que, o que hoje se aceite para profissionais fora do quadro, não vai chegar a ser aplicado para despedir quem nele já se encontra?
E a este propósito recordo uma das frases, muito citada mas exemplar e instrutiva que, como professor da disciplina, ensino a alunos sobre um momento da Historia, que se constata continua a ser central na definição do que deve ser a consciência moral individual face `a arbitrariedade.
Disse-a Martin Niemöller, tratando sobre o significado do Nazismo na Alemanha:
“Quando os nazis levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu também não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse”.
De 1937 e ate´ ao fim da II guerra mundial, durante mais de sete anos, Martin Niemöller esteve preso – inicialmente, no campo de concentração de Sachsenhausen e depois em Dachau.
Perante exemplos individuais desses o que e´ um mero incomodo de um dia de greve ou outros transtornos?
E se hoje, quando miram os contratados, nos calarmos, quando vierem ter connosco, que faremos então que não devamos ter feito já?
Com saudações cordiais a todos,
Luís Sottomaior Braga
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/12/carta-de-um-nao-vigilante/
Dez 09 2013
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/12/opiniao-joao-pereira-coutinho/
Dez 06 2013
… abordado aqui pelo César Israel Paulo podem seguir dois caminhos:
Os que duvidam dessa dispensa definitiva têm dois caminhos:
Os que acreditam na dispensa definitiva da prova para quem tem mais de cinco anos de serviço em 31/08/2013 podem:
E já agora, tempo de serviço é tempo de serviço, independentemente de onde tenha sido prestado (desde que seja reconhecido pelo MEC) ou se foi antes ou depois da profissionalização.
É escusado fazerem do lodo pantanal um modo de vida.
Bom fim-de-semana.
ADENDA: De acordo com esta informação do jornal Público, que não tiver mais de cinvo anos de serviço e ainda não pagou a prova deve também pedir a dispensa da sua realização.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/12/sobre-o-terreno-pantanoso/
Dez 03 2013
.. que não continuarei a dizer que Esta Prova É Um Erro Crato. Apesar de agora o erro estar bastante aproximado ao mesmo erro de Maria de Lurdes Rodrigues em ter implementado a prova no ECD e criado as primeiras dispensas na norma transitória do Decreto-Lei 270/2009 “aos candidatos que contem, pelo menos, 4 anos completos de serviço docente e avaliação de desempenho igual ou superior a Bom, um dos quais nos quatro anos escolares anteriores ao da realização da primeira prova” e depois no Decreto-Lei 75/2010, já por Isabel Alçada, “tenham já obtido na avaliação do desempenho menção qualitativa não inferior a Bom“.
A existência da prova em si é um enorme erro em qualquer uma das circunstâncias.
Podia até aceitar que ela existisse para quem ingressasse num curso via ensino e que o candidato à partida soubesse que no fim do seu curso teria de se sujeitar a uma avaliação externa deste género. Um exame aqui até poderia servir para ao mesmo tempo fazer-se uma avaliação dos cursos de cada uma das instituições do ensino superior. Maria de Lurdes Rodrigues, se em 2007 tivesse seguido esse caminho, já nesta altura todos os professores que saem das instituições do ensino superior estavam a fazer esta prova.
E Nuno Crato podia aproveitar a remodelação apressada que está a fazer aos cursos via ensino e seguir agora essa via. Uma prova de avaliação só faz sentido, se em nenhum caso for feito um atentado aos direitos já salvaguardados em estatutos anteriores e se tiver como finalidade não só avaliar os “candidatos” a professor, mas ao mesmo tempo fazer uma avaliação da formação do ensino superior.
No entanto, não sou apologista de que para uns estarem mal todos devem ficar mal, como que, se todos tivessem de a fazer seria mais fácil elimina-la no dia 18 de Dezembro.
É por estes princípios que me fico.
E manterei no blog todas as iniciativas que apontem nesse sentido.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/12/nao-e-por-ficarem-dispensados-da-prova-quase-28-mil-professores/
Nov 23 2013
O meu nome é Manuel Maria de Magalhães e sou professor profissionalizado do grupo 410 (Filosofia), desde 2002. Desde então fui contratado por 13 escolas, em cinco distritos diferentes (Viana do Castelo, Braga, Porto, Guarda e Viseu). Em todas excedi sempre aquilo que me era pedido, como prova o reconhecimento, em alguns casos público e formal, que alunos, colegas, órgãos das escolas e encarregados de educação prestaram ao meu trabalho.
Em termos de formação contínua de professores desprezei sempre as acções de formação promovidas pelo ministério através das suas direcções regionais, que conjugam o verbo “encher” na perfeição, para procurar na academia a continuação dos meus estudos sob a forma de congressos ou mesmo na execução de duas pós-graduações nas áreas em que o meu grupo disciplinar se move. Em todas as escolas o meu trabalho foi avaliado, de acordo com o estipulado, tendo inclusivamente sido dos primeiros a submeter-se voluntariamente às “aulas assistidas”. Em consequência das suas políticas educativas encontro-me no corrente ano desempregado e sem perspectivas de encontrar colocação nesta área, tal como dezenas de milhares de colegas meus, muitos deles com uma história profissional bem mais dura do que a minha e muitos mais anos de serviço. É neste quadro que Vossa Excelência, através do seu ministro da Educação, nos quer obrigar a fazer um exame para poder continuar a concorrer ao ensino. Era a humilhação que faltava e a maior de todas.
Ao enveredar por este caminho, Vossa Excelência está a descredibilizar todos os docentes com provas dadas nesta causa que é tomada como uma missão em prol do desenvolvimento do país. Está a descredibilizar as universidades que nos formaram e as escolas que nos avaliaram. Está a destruir a credibilidade do próprio ensino, através de uma avaliação retroactiva, sem fundamento, obscura nos seus contornos, pois até esta data pouco se sabe sobre o processo, que é mais próprio de regimes ditatoriais revolucionários do que de democracias maduras, onde todas as partes devem ser ouvidas.
Estou de acordo consigo num ponto: a Educação não está bem,apesar dos esforços de tantos, mas residirá apenas na classe docente a causa desse mal? Já reparou que todos os governos eleitos impuseram uma política de Educação diametralmente diferente dos anteriores? Já se deu conta que a Educação foi verdadeiramente uma área em que se “atirou dinheiro” para cima dos problemas na esperança que passassem? No ensino, como em muitas outras áreas, também existiu o privilégio do betão face à formação. Quantas escolas não têm psicólogos, sobretudo clínicos, que tanta falta fariam aos inúmeros casos dramáticos que assolam milhares de alunos? Que vínculos tem o Estado, através da Segurança Social, para ajudar a estabelecer pontes entre as famílias e a Escola? O que se (não) tem feito em termos de prevenção da indisciplina em ambiente escolar, seja na sala de aula ou fora dela? O que fez o Estado para promover a autoridade (não autoritarismo) do professor e do auxiliar de acção educativa que ainda é tratado, à maneira do Estado Novo, como um mero contínuo, desprezando o seu vital papel nas escolas? Construir ou renovar escolas não chega… Se quer introduzir alterações em atitudes e comportamentos dos docentes, este não é seguramente o melhor caminho. Se analisar a formação que o ministério nos disponibiliza, constatará que não tem, na maioria dos casos, qualquer interesse em termos pedagógicos. Já pensou em fomentar a ligação entre as universidades e as escolas neste sentido? Ao persistir neste caminho, Vossa Excelência encerra em si o pior modelo de docência: o do professor que obriga os alunos a uma avaliação para a qual não os preparou.
Não temo como nunca temi qualquer forma de avaliação, mas não me sujeito ou humilho perante este cenário a que Vossa Excelência nos quer forçar. Não farei qualquer exame retroactivo, imposto de forma ditatorial. Se o preço a pagar for a exclusão definitiva do ensino, assumo-o. Mais importante do que as palavras que proferimos é o exemplo que perdura. A dignidade não está à venda e não posso ser incoerente com tudo o que tenho passado aos alunos que o Estado me entregou. Ainda assim tenho a esperança que Vossa Excelência tenha a humildade (uma das maiores, se não a maior, virtude humana) de reconhecer o erro que esta medida encerra e procurar novas soluções.
Professor de Filosofia
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/11/opiniao-manuel-maria-magalhaes/
Nov 12 2013
Professor de História escreve carta ao primeiro-ministro.
Termina assim esta longa carta:
Esta carta é um grito, é uma expressão de um cidadão que possivelmente representará um vasto conjunto de cidadãos que também são professores e que estão ligados ao ensino público português. Termino esta carta mencionando que subscrevo tudo o que foi referido, com a consciência de que usei a arma mais poderosa em tempos de liberdade: a palavra.
Assino e subscrevo o conteúdo desta carta,
João Tomé
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/11/opiniao-joao-tome/
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/11/blogosfera-cronicas-do-cao/
Out 22 2013
A primeira versão isentava da prova os docentes que até 31 de Dezembro de 2013 celebrassem contratos a termo em resultado de concursos ao abrigo do Decreto-Lei 132/2012.
A versão final isenta da obtenção da aprovação os docentes que até 31 de Dezembro de 2013 celebrem contratos de trabalho em funções públicas a termo resolutivo em resultado dos mecanismos de seleção de pessoal docente da educação pré-escolar e dos ensino básico e secundário.
Assim, todos os docentes contratados serão obrigados a realizar a prova (cerca de 40 mil professores), e os docentes que celebrem contratos até 31 de Dezembro de 2013 estão dispensados da sua aprovação. Mas como muito bem diz esta informação da DGAE.
E como não há nenhum regime de exceção para quem celebrou contrato de trabalho em funções públicas até ao dia de hoje, só os docentes que celebrem contratos a partir de amanhã é que poderão ver salvaguardada a isenção prevista na nova norma transitória.
Mas isso sou eu a pensar e a guiar-me pela interpretação que a DGAE fez em 2009 sobre o período probatório.
Mas no mínimo o que se exige do MEC é que os docentes que estejam salvaguardados até ao dia de hoje da dispensa da realização da prova mantenham essa dispensa e os que não estando isentos da prova de acordo com o artigo 4º do DL 75/2010 estejam obrigados ao cumprimento da nova redação dada pelo artigo 4º do DL publicado hoje.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/10/prova-para-todos-os-contratados/
Out 11 2013
… de um leitor do blog e que concordo em absoluto em especial na parte que destaquei a negrito.
No fundo esta é uma opinião generalizada e que só discordam dela os que gostam dos “chavões” da autonomia.
Este ano o processo de colocações via RR não está a correr da melhor forma dado que por vezes alguns candidatos após aceitarem numa contratação de escola são novamente colocados na reserva de recrutamento e não são retirados conforme o ponto 3 do artigo 36º do Decreto-Lei nº132/2012, de 27 de Junho – Os candidatos à contratação de escola, quando colocados, são retirados da reserva de recrutamento.
Já não é o primeiro caso que detecto e já verifiquei 2 casos de aceitação no dia da saída das listas de manhã e à tarde são novamente colocados na Reserva de Recrutamento.
Ontem novamente não retiraram das listas de não colocados um candidato que aceitou no dia anterior à saída da Reserva de Recrutamento. Por acaso não ficou colocado, se não seria mais um caso de colocação em 2 horários.
Casos destes devem haver imensos, porque só falo do meu grupo e também porque não fui opositor a todas as CE do meu grupo.
A plataforma não está a efectuar da melhor forma a retirada de candidatos por aceitação em CE.
Outro caso bastante pertinente diz respeito ao novo lançamento dos horários denunciados na plataforma para saída nas RR.
Um horário denunciado no dia 21 de Setembro sai na RR 4 de 10 de Outubro.
Um horário denunciado a 27 de Setembro sai na RR 3 a 2 de Outubro.
Entre o dia 21 e 27 vários horários foram denunciados e uns saíram na RR 3 e outros na RR 4.
Deveras estranho. Mais uma vez não se percebe como é que a plataforma lança horários para as RR. Pelo menos mantiveram-se anuais e não se tornaram em temporários.
Terceiro ponto. As contratações de Escola em horários completos e anuais estão quase exclusivamente a servir para os candidatos mais graduados aproximarem ou ficarem com horário maior do que o que já obtiveram na RR. Isto associado às várias tranches de entrevistas como todos já sabemos levam a um processo extremamente moroso de colocações. Se estas vagas saíssem na Contratação Inicial e se reservasse a Contratação de Escola apenas para horários inferiores a oito horas e substituições por apenas 1 mês, o processo de colocações estaria muito mais avançado e com uma maior e melhor estabilidade para candidatos e escolas.
Congratulações pelo excelente trabalho no blog.
Com os melhores cumprimentos,
FB
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/10/opiniao-sobre-o-processo-de-contratacao/
Out 06 2013
O dia 5 de Outubro assinala, para além da implantação da República, o Dia do Professor.
É, por isso, uma data que se presta a discursos em que se mistura a defesa da ética republicana, o apelo ao exercício de uma cidadania plena e, por acréscimo, o elogio do papel da Educação na formação de cidadãos conscientes, críticos e capazes de fazer viver o regime democrático para além das suas limitações circunstanciais. Pululam as referências à defesa da Escola Pública, as declarações de boas intenções e os elogios desmedidos que escasseiam no resto do ano.
Neste 5 de Outubro, o primeiro em mais de um século que não é considerado feriado, o discurso do Presidente da República tocou em todos estes pontos, acrescentando-lhes uma passagem sobre “o papel insubstituível dos professores” e mais alguns elementos sobre a necessidade de promover a “ética republicana” e ter em atenção a História e a Memória Colectiva.
É algo que fica bem, até porque há poucos dias um novo estudo comparativo a nível internacional (Global Teacher Status Index) revelou mais uma vez que a confiança dos portugueses nos seus professores está muito acima da que atribuem a outras profissões ou actores sociais e ao próprio sistema de ensino no seu todo. Ao contrário do que alguma opinião publicada se vai esmerando há anos a tentar provar, a população comum, a que conhece os professores no seu trabalho diário e vai para além de tertúlias muito esclarecidas, tem bastante confiança no seu desempenho e está longe de ter, como em tempos desejou uma ministra do sector, sido convencida pela retórica de governantes ocasionais nas suas sucessivas guerras com a classe docente.
O problema é que a defesa da cidadania e o apelo ao seu exercício pelas gerações futuras não pode fazer-se ao mesmo tempo que se prolonga um constante ataque directo e indirecto às condições materiais e simbólicas do exercício da docência. Quando se apela ao contributo que todos devem dar para suplantar a situação de crise e à necessidade de equidade na participação de todos no processo, é bom que se reconheça que há quem já contribua há muito e de diversas formas, enquanto outros não o fazem e se refugiam em direitos contratuais adquiridos que não admitem como válidos para outros. Mais grave, quando há quem procure encontrar na Educação apenas o lucro, a hipótese de negócio, a mercantilização de uma função nobre, faltando-lhes o sentido ético e o apego à transparência de processos e argumentos.
Atravessamos um período conturbado no qual o relativismo dos conceitos impera e as palavras são usadas de modo instrumental, arremessadas como armas ocasionais e não como algo com um significado próprio. Liberdade, democracia, cidadania, são conceitos que vão sendo manchados a cada vez que são mal usados, truncando ou distorcendo o seu real significado. Os professores têm como parte da sua missão ensinar e exemplificar o que eles significam, nem que seja do ponto de vista da História. Mas, infelizmente, o tempo presente tinge de incredulidade os olhos dos alunos que, pelos exemplos quotidianos que lhes são dados a cada noticiário, desacreditam da eficácia do exercício da cidadania e da vida democrática. O que é dramático.
É função, explícita ou implícita, dos professores não deixar erodir em definitivo a crença das futuras gerações na bondade da democracia, na possibilidade de uma liberdade vivida com justiça e no imperativo de comportamentos éticos, praticados para além de credos ou interesses particulares. O ofício de professor e o papel da escola são nucleares para a preservação da coesão social e para formar uma segunda barreira (a primeira deveria existir em torno das tão evocadas “famílias”) contra a exclusão social, seja por via do acesso ao conhecimento, seja por via da socialização das crianças e dos jovens, e contra a descrença na vida democrática.
Infelizmente, o seu trabalho é dificultado a cada dia, quase a cada noticiário, pelo exemplo degradante de quem tem do exercício de funções públicas uma noção estreita, facciosa e com uma perturbadora relação com a verdade, o rigor e a transparência, como se a manipulação, truncagem ou falsidade dos factos deixasse de ser mentira para se tornar mero detalhe de inadequação factual.
Mas há que continuar a fazer esse trabalho fundamental de promoção da cidadania, apesar de todos os constrangimentos, ameaças e pressões. Só assim a verdadeira liberdade será possível e será encarada como um valor a preservar logo que nos libertemos deste claustrofóbico presente.
O autor é professor do ensino básico e autor do blogue A educação do meu umbigo.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/10/opiniao-paulo-guinote-6/
Set 28 2013
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/09/artigo-ana-paula-rocha/
Set 17 2013
A Circular da DGAE veio trazer alguma moralidade às contratações de escola.
O que sempre se disse aqui no blog é que não se podia passar à segunda tranche de candidatos quando um dos candidatos reúne condições para o lugar e a circular de dia 16 de Setembro “só admite que se prossiga para a tranche seguinte, se dos cinco candidatos a avaliar, não for possível a seleção dos necessários para preenchimento dos horários em concurso, por não reunirem os requisitos de admissão ou por não comprovarem documentalmente os elementos da candidatura, quando solicitados.”
A própria circular admite também que a entrevista é um método moroso de selecção e indica que as escolas devem proceder ao “método da avaliação curricular em detrimento da entrevista“.
Não é novidade o impedimento das escolas usarem determinados subcritérios que são considerados ilegais:
8. Não são admissíveis subcritérios de entrevista (perguntas) ou avaliação curricular (itens) que violem os princípios da legalidade e igualdade entre os candidatos, a que a Administração está vinculada, nomeadamente:
a) continuidade pedagógica ou lecionação no estabelecimento de ensino onde o candidato exerceu funções em anos anteriores;
b) experiência de ensino na escola TEIP onde o candidato exerceu funções;
c) experiência de ensino em determinada oferta educativa ou formativa (ex: cursos CEF, EFA e cursos profissionais, formação modulares e CNO) na escola onde o candidato exerceu funções;
d) critérios de seleção em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território, religião, convicções políticas ou ideológicas, situação económica, condição social ou orientação sexual.
Mas não é impeditivo que as escola possam colocar como critério a experiência em escolas TEIP, desde que não exemplifiquem uma escola TEIP e muito menos que seja na escola TEIP que faz a contratação (esta é uma resposta a inúmeras questões que me chegaram).
Os modelos exemplificativos para a seriação dos candidatos da circular não são maus de todo e como obrigatoriamente as escolas devem escolher um dos 5 primeiros não me parece uma má solução.
Discordando eu deste processo de selecção não posso deixar de dizer que esta circular acaba por moralizar um pouco as contratações de escola.
Resta agora as escolas não quererem inventar novas soluções e agilizar pela DGAE a forma de candidatura a estas escolas.
… porque preencher os mesmos dados para todos os horários é muito chato mesmo.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/09/sobre-a-circular-no-b13017959v-agora-mais-a-frio/
Jun 19 2013
Opinião de Paulo Guinote no Público on-line de hoje.
Começa a ser tempo para ver para além da forte poeira levantada nas últimas semanas em torno do conflito entre o Governo e os professores, ultrapassando as adjectivações e fulanizações tão úteis para o exacerbamento das falsas paixões e posições e à sua redução a caricaturas da situação real.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/06/opiniao-paulo-guinote-5/
Jun 17 2013
Solicito, caso não seja incómodo, publicação do texto que deixo abaixo. Trata-se do texto que serviu de base a uma intervenção no programa Antena Aberta de hoje.Sem mais assunto, os meus agradecimentos e cumprimentosCarlos Miguel Santos
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/06/opiniao-carlos-miguel-santos/
Abr 24 2013
A derrota do esforço
(Concurso Extraordinário de Docentes)
Até hoje, em todos os concursos de acesso à carreira docente, em Portugal Continental ou nas Regiões Autónomas, sempre se combinaram dois fatores na ordenação dos docentes candidatos: a nota final de curso e o tempo de serviço, gerando assim a designada graduação profissional. Estes dois fatores combinados que se traduzem na graduação profissional nunca mereceram contestação por parte dos docentes, combinando o esforço e o mérito académico com a experiência profissional.
Foi anunciado que, após negociações com os sindicatos da região, o concurso extraordinário para o recrutamento de pessoal docente do Ensino Pré-Escolar, dos Ensinos Básico e Secundário e do pessoal docente especializado em Educação e Ensino Especial da RAM, apenas contemplará o número de dias de serviço, não considerando para a ordenação dos candidatos a sua nota de fim de curso.
Porquê esta mudança? Numa época em que chega às escolas todo um complexo processo de avaliação dos docentes numa tentativa de aferir o mérito de cada docente, porque coloca, a Secretaria Regional de Educação e Recursos Humanos (SRERH), totalmente de parte o único fator que contemplava o mérito e o esforço de cada docente no acesso aos seus quadros? Porquê promover uma alteração das listas de ordenação dos candidatos a este concurso? A quem interessa esta alteração? Porquê promover a subida na lista de ordenação dos que têm menor graduação profissional? Gostaria, efetivamente, de obter uma resposta por parte da SRERH, pois, ainda que na minha conduta enquanto homem, me discipline na procura de ser alguém melhor, procurando incansavelmente por afastar da minha mente pensamentos menos próprios, não me tem conseguido sair da cabeça uma imagem triste daquelas coisas que às vezes acontecem neste país.
A justificação da SRERH e dos Sindicatos da região que assinaram este diploma que estabelece um regime excecional para a seleção e recrutamento de pessoal docente é a de que este concurso serve para o estado poder cumprir uma lei que obriga os privados a cumprir: a de vincular todos os contratados em funções há mais de 3 anos. Desta forma, justificam que devem apenas contemplar para critério de seleção o tempo de serviço. Assim sendo, só havia dois caminhos: ou vinculavam todos os contratados em funções há mais de 3 anos, ou, permitiam o concurso a todos os contratados com mais de 3 anos em funções, mas estabelecendo a ordenação destes com base no critério mais justo, que é o da graduação profissional.
Para que todos entendam de uma forma muito clara aquilo que aqui se reivindica, aqui fica um exemplo muito simples. Imaginemos que temos a necessidade de efetivar um médico na nossa região. Neste momento temos dois médicos contratados. O médico A tem a nota de final de curso de 19 valores e 3000 dias de serviço, enquanto que o médico B tem a nota de final de curso de 10 valores e 3001 dias de serviço. Se perguntarmos a 1 milhão de pessoas qual dos dois médicos é que devia ser colocado, tenho a certeza absoluta que, para bem da comunidade e justiça para com os candidatos, a totalidade do milhão de pessoas responderia que deveria ser colocado o médico A. A SRERH e os sindicatos da nossa Região, pelos vistos, não fazem parte desse milhão de pessoas e conseguiam, com os seus critérios, colocar o médico B, lesando a comunidade que ficaria com um médico com menores capacidades, bem como, lesando o candidato A que, com toda a certeza, muito esforço teria tido para alcançar os 19 valores, ao contrário do médico B, que só tinha alcançado os 10 valores. O que a SRERH e os Sindicatos nos propõem é assim uma espécie do lema “melhor homem para o cargo”, mas, ao contrário. O que todos os encarregados de educação da região têm de saber é que este pequeno exemplo que aqui se deu dos dois médicos, acontecerá, na verdade, com os docentes. Assim, gostaria de saber se toda a comunidade Madeirense aceitará este método que não promove que sejam os melhores professores a estarem nas escolas com os nossos filhos.
Com os melhores cumprimentos,
D
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/04/a-derrota-do-esforco/
Abr 02 2013
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/04/hoje-no-diario-de-noticias/
Mar 18 2013
No Público de Hoje, a não perder.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/03/opiniao-paulo-guinote-4/
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2013/01/opiniao-paulo-guinote-2/