Opinião – João Tomé

Professor de História escreve carta ao primeiro-ministro.

 

Não deixem calar a voz dos professores!

 

Termina assim esta longa carta:

 

Esta carta é um grito, é uma expressão de um cidadão que possivelmente representará um vasto conjunto de cidadãos que também são professores e que estão ligados ao ensino público português. Termino esta carta mencionando que subscrevo tudo o que foi referido, com a consciência de que usei a arma mais poderosa em tempos de liberdade: a palavra.

Assino e subscrevo o conteúdo desta carta,

João Tomé

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3 comentários

    • Miguel Castro on 12 de Novembro de 2013 at 20:04
    • Responder

    Suzana Cabeleira
    NÃO À PROVA!!

    Ora bem, Crato, vejamos se eu percebi…

    Depois de quatro anos letivos numa universidade e um estágio pedagógico feito, a lei assegurou-me que poderia ser professora. Já lá vão catorze anos. Catorze anos a ser professora. Pelo caminho, tirei um mestrado, duas pós-graduações, fiz inúmeras formações e um curso de especialização.
    Para continuar a ser professora (ou “candidata a professora” nas palavras de Sócrates; cada um que chega vai-nos nomeando como quer…), tenho de realizar uma prova. Não tenho medo nenhum de prova alguma que me ponham à frente. Já fiz muitas na altura em que as deveria ter feito. Mas tenho muito medo dos princípios que estão por trás da realização desta prova. Tenho medo das pessoas que se movem à volta dela. E este medo que sinto faz-me lembrar um período que eu nunca vivi, porque nasci em 1977. Faz-me lembrar o medo que eu própria ensinei aos alunos do 12º ano em “Felizmente há luar”.
    Quando se diz que também os advogados realizam uma prova para poderem exercer a sua profissão, fazem-no antes de serem advogados. Não a fazem cinco, quinze, vinte anos depois de exercerem advocacia. Era o mesmo que pedir a médicos, gestores, bombeiros ou enfermeiros experientes para realizarem uma prova deste tipo. Os advogados quando fazem a sua prova, passam a precisar tão somente de um escritório e de um cliente. É-lhes suficiente. Já são advogados. Um professor precisa de uma escola inteira e de muitos alunos…

    Assim sendo, Crato, esta (super) prova vai refletir o meu trabalho durante catorze anos: vai avaliar o meu conhecimento científico; o meu conhecimento sobre legislação; a pedagogia diferenciada que utilizei na sala de aula; os sorrisos e as gargalhadas que provoquei; as visitas de estudo e as exposições que organizei; os rebuçados que distribuí; os sermões que dei; as reuniões que fiz com a comissão de proteção de menores, encarregados de educação, psicólogos e assistentes sociais; as visitas que fiz ao hospital por ter alunos internados; as atitudes de que me arrependo e aquelas de que me orgulho; os resultados dos meus alunos nos exames nacionais; os alunos autistas, surdos e mudos que aprendi a ensinar; os livros que ofereci; os jogos de futebol que joguei no final dos períodos; as saudades que senti; as preocupações; as cartas e os abraços que recebi; os filmes e as músicas que mostrei; a relação que construí com os meus colegas e funcionários; etc.; etc.; etc. Catorze anos não cabem numa frase. Nem numa prova.

    A prova é um ato desumano, um ato de maldade, um total devaneio. A prova permite-me apenas aceder ao concurso nacional de professores. No entanto, e porque é tudo tão carente de lógica, se eu tirar vinte valores na prova, vou continuar tal e qual como estou hoje – desempregada.

    https://www.facebook.com/groups/224984047620788/permalink/447179852067872/

    • Miguel Castro on 12 de Novembro de 2013 at 20:11
    • Responder

    O texsto do João Tomé está bom, mas há uma coisa que não aceito. Está preocupado com o conteúdo, com a taxa de pagamento e com o guião. Ou seja, não quer fazer a pova, mas aceita fazê-la. Está a pedir um guião para poder começar a estudar…. isto não é aceitável! Se tiver valores e princípios, não aceita e não vai fazer a prova. Era isto que todos deviam fazer.
    Mas isto é a selva e reina a desunião. Falo com colegas que, estão contra, mas…. vão fazê-la!
    COBARDES!

    • Maria on 12 de Novembro de 2013 at 21:32
    • Responder

    subscrevo tudo o que foi referido. Estou na mesma situação: licenciatura de 5 anos, estágio profissional, 2 pós-graduação, mestrado, várias acções de formação e 16 anos de aulas. Após estes anos de ensino não podem/devem mudar substancialmente as regras. Isto é uma atrocidade.
    Em relação ao que o Miguel diz todos sabemos que as pessoas afirmam que não vão à prova mas depois fazem… Na minha opinião temos que lutar juntos contra a alteração do princípio da prova, do espírito da prova…

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