Setembro 2020 archive

O martírio, dos professores, de andar com a casa às costas

 

“Às vezes, acho que vou andar com a casa às costas até me reformar”

São 18 586 os professores contratados colocados até ao momento. Quantos deles foram colocados, e aceitaram a colocação, longe de casa não se sabe ao certo, mas estima-se que sejam alguns milhares. Que vida levam e como é que a pandemia veio afetá-la?

É de Mirandela e há 12 anos que o seu futuro profissional tem o prazo de validade de um ano letivo, que só conhece em finais de agosto, princípios de setembro, e que é diferente a cada ano.

Ilda Cristina Contins, 40 anos, professora de Matemática e Ciências Naturais, já passou pelo Laranjeiro, em Almada, por Odivelas e Amadora, na Grande Lisboa, por Pias e Amareleja, no Alentejo, por Faro, Silves e agora Loulé, no Algarve. A cada ano, volta à casa de partida, que é a da família, e de lá sai rumo a sul, à procura de casa adotiva. Já perdeu a conta àquelas por onde passou, mas são uma das maiores dificuldades que um professor deslocado enfrenta. Em poucas semanas, há que encontrar alojamento e os preços raramente são de feição.

“Na região de Lisboa e arredores são incompatíveis com o salário de um professor contratado, a maioria divide casa ou aluga quarto. No Algarve, os preços são um bocadinho melhores, mas em junho, julho, os senhorios querem as casas para alugar aos turistas. É complicado”, diz.

Este ano, a pandemia jogou a favor de Cristina, no que à casa diz respeito, porque permitiu-lhe manter a que tinha. “Com a quebra no turismo, os senhorios preferiram jogar pelo seguro e eu fiquei. Com os anos, os contratados vão conseguindo fazer alguns cálculos que lhes permitem antecipar em que zona serão colocados e com que horários. Esta vida requer jogo de cintura”.

Requer. E Cristina parece tê-lo. Assim como dedicação à causa. Em março, quando as escolas fecharam, não pôs sequer a hipótese de voltar para Mirandela e fazer de lá a base para o ensino à distância. A dar aulas ao primeiro ciclo do ensino básico num meio desfavorecido e a uma turma em que a maioria não tinha computador ou acesso às tecnologias, a professora ficou por perto, para garantir que não deixava ninguém para trás. “Todas as semanas ia entregar fichas e trabalhos ao agrupamento, que os encarregados de educação iam buscar e depois traziam. Assim, os meus meninos não perderam o contacto com a escola”.

A 700 quilómetros de casa, que permitem apenas visitas em período de férias letivas, este ano nem na Páscoa pôde matar saudades da família, devido ao confinamento.

Em todos os concursos, “por descargo de consciência”, candidata-se a colocações na sua região, mas sem qualquer esperança de conseguir vaga. “A maioria dos professores são do norte e a maioria das vagas está no sul. Seria preciso que um elevado número de professores lá em cima se reformasse para existir uma hipótese de ficar lá e mesmo assim as vagas que vão surgindo vão para os mais graduados e efetivos que pedem mobilidade. Às vezes acho que vou andar com a casa às costas até me reformar”, diz Cristina, que tem o Algarve e o Alentejo como alternativas de eleição.

Apesar de este ser o seu terceiro ano na região algarvia, o que pode dar ideia de alguma estabilidade, a verdade é que quando o ano acaba, nunca sabe, com certeza, o que o próximo lhe reserva. Este ano, foi colocada na terceira reserva de recrutamento, no agrupamento de escolas Duarte Pacheco, em Loulé, com turmas de 5.º e 6.º anos, a dias de o novo ano letivo arrancar. “Ainda fui a tempo da receção aos alunos e da reunião de pais da minha direção de turma”.

Não é fácil estar longe da família, não é fácil manter um relacionamento amoroso estável nem tantas vezes adiar a vida pessoal (e os filhos) à espera que a carreira assente, não é fácil a solidão e o isolamento dos lugares novos, que pesam (e desmotivam) mais à medida que o tempo passa, mas Cristina não desiste de ser professora. Nem em tempos de pandemia, que levou muitos colegas a não concorrerem (ou aceitarem colocação) a lugares muito longe de casa. “Para quem tem filhos e família constituída é mais complicado sempre, mas acho que este ano ainda mais. Por não quererem estar longe neste contexto, mas também porque não estão para se deslocar, com tudo o que isso implica, por um horário incompleto e temporário, que pode deixar de existir se se passar a teletrabalho, por exemplo”.

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Que dirá, agora, a Graça em relação a esta informação?

Que medidas serão aplicadas? Quando? Continuarão a passar a mensagem que a escola é o lugar mais seguro para se estar? O uso de máscara passará a ser obrigatório para todos os alunos? A resposta a estas e mais perguntas durante os próximos capítulos diários…

“Crianças com sintomas transmitem o vírus como os adultos”

Perito da organização encarregado de vigiar e controlar as ameaças para a saúde dos europeus, o italiano Bruno Ciancio tem uma certeza: nunca vamos estar totalmente preparados para os ataques da Natureza e o que é verdade num momento pode deixar de o ser logo a seguir.

Ao contrário do que aconteceu há seis meses, agora parece assente que o confinamento deve ser a última opção. O responsável do ECDC garante que o foco na covid-19 não fez aumentar as mortes por outras doenças, está preocupado com as sequelas deixadas pelo vírus nos doentes ligeiros e assegura que as crianças com sintomas, sobretudo as mais pequenas, transmitem o vírus até mais do que os adultos.

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Cinema Sem Conflitos: “Mermaids And Rhinos”

Título:  “Mermaids And Rhinos” | Autores: “Viktória Traub

As memórias de Tilda de oito anos de sua família como visões surrealistas ganham vida: a avó ex-sereia membro do circo, a mãe eroticamente superaquecida e o pai desaparecido cujo coração partido, raiva e ciúme se manifestam como um rinoceronte.

Mais videos didáticos sobre Amor e Sexualidade, Bullying, Dilemas Sociais, Drogas, Emoções, Família, Racismo, Relações Interpessoais, Religião e Cultura, Violência em  https://cinemasemconflitos.pt/

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Cinema Sem Conflitos: “Imprópria – Mostra de cinema de igualdade de género”

De 22 a 24 de Outubro no Teatro Micaelense em São Miguel – Açores

Toda a informação em https://www.facebook.com/impropriamostra/ e  https://www.impropria.org/

A 2ª edição da IMPRÓPRIA está de volta entre 22 e 24 de outubro, este ano, no Teatro Micaelense, um parceiro fundamental para a realização da mostra em 2020.

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Alunos limpam secretárias devido à falta de funcionários

Mas devia tornar-se uma prática corrente…

Alunos limpam secretárias devido à falta de funcionários

A falta crónica de assistentes operacionais pode tornar-se uma ameaça às aulas presenciais. As escolas só na próxima semana devem receber a autorização para contratar os 1500 funcionários prometidos pelo primeiro-ministro. Uma semana após o arranque do ano letivo, o balanço é “positivo”. Mas o disparar das baixas pode determinar o fecho das escolas, alerta o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte.

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Escolas poderão ir buscar assistentes em falta sem abrirem novos concursos de contratação

Escolas poderão ir buscar assistentes em falta sem abrirem novos concursos de contratação

Para garantir mais rapidez na colocação, os novos 1500 assistentes operacionais prometidos esta semana pelo Governo poderão ser retirados das bolsas que se destinavam apenas à substituição de funcionários de baixa. Processo deve iniciar-se na próxima semana.

Ministério garante que, no total, há mais 2200 funcionários a caminho das escolas

Ministério garante que, no total, há mais 2200 funcionários a caminho das escolas 

A partir da próxima semana, os directores das escolas poderão ir buscar assistentes operacionais que estão em lista de espera para assegurarem funções permanentes nos seus estabelecimentos. Esta será uma das formas através das quais o Ministério da Educação (ME) tentará assegurar um processo mais rápido de contratação dos assistentes operacionais, cuja escassez tem vindo de novo a ser denunciada por directores e pais neste início do ano lectivo.

 

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Turma fica de quarentena profilática, mas os professores não?!!!

Tudo assenta no “presume-se”. Presume-se que o professor não circula pela sala de aula. Presume-se que as salas de aula têm espaço para que o afastamento de 2 metros seja cumprido entre o professor e os alunos. Presume-se que o professor não tocou em nenhum objeto tocado pelos alunos. Presume-se que nenhum aluo foi ao quadro resolver um exercício e ficou durante algum tempo a ma distância inferior à recomendada do professor. Presume-se que no final da aula nenhum aluno se aproximou do professor para tirar uma dúvida. Presume-se… Julga-se segundo certas probabilidades. Conjetura-se. Supõe-se e tem-se suspeitas…

Se isto dá para o torto lavam-se as mãos, porque os critérios que estão a ser usados pelos delegados de saúde no que diz respeito a casos que surgem nas escolas não são de conhecimento público. Ou seja, do que não sabes, não podes reclamar. Mas podes sempre reclamar por não saber.

Turma do secundário fica de quarentena profilática, os professores não

 

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Cinema Sem Conflitos: “Between Us Two”

Título:  “Between Us Two” | Autores: “Wei Keong Tan

Um filho gay fala com sua mãe morta.

Mais videos didáticos sobre Amor e Sexualidade, Bullying, Dilemas Sociais, Drogas, Emoções, Família, Racismo, Relações Interpessoais, Religião e Cultura, Violência em  https://cinemasemconflitos.pt/

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Cartoon do Dia – Espirrei!!!

 

 

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Dois casos de covid-19 deixam vinte pessoas de escola de Espinho em quarentena

Segundo o coordenador da Proteção Civil, Pedro Louro, apesar de terem sido apenas diagnosticados dois casos é possível que o número venha a “aumentar nos próximos dias“.

Dois casos de covid-19 deixam vinte pessoas de escola de Espinho em quarentena

Vinte pessoas do jardim-de-infância da Escola Básica N.º 3 de Espinho, em Aveiro, estão a cumprir um período de quarentena, depois de terem sido detetados dois casos de covid-19 no estabelecimento, entre os quais uma funcionária que se encontrava assintomática.

A funcionária realizou o teste após ter sido sinalizada como contacto de risco, depois de um dos seus familiares ter sido infetado com covid-19. A turma acabou por ser submetida a testes de despiste ao novo coronavírus e uma das crianças testou positivo ao vírus.

Segundo declarações do coordenador da Proteção Civil, Pedro Louro, à Lusa, apesar de existirem 500 pessoas que frequentam o estabelecimento escolar só uma sala é que foi encerrada. “A escola continua a funcionar porque só fechámos a sala da turma em questão e a cantina, já que todo o edifício estava com circuitos de circulação separados. Ao fim do dia já vamos fazer a desinfeção dos espaços do jardim-de-infância”, declarou.

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Cartoon do Dia – É apenas uma constipação!!

 

 

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ADSE: ATÉ 31 DE DEZEMBRO PODEM INSCREVER-SE COMO BENEFICIÁRIOS DA ADSE OS PREVPAP OU EM CASOS ANÁLOGOS

Até 31 de dezembro podem inscrever-se como beneficiários da ADSE os PREVPAP ou em casos análogos e não tenham renunciado expressamente à sua inscrição como beneficiários da ADSE 

 

Foi aberto um período excecional de inscrições na ADSE para os trabalhadores que tenham constituído novo vínculo de emprego público, no âmbito do programa de regularização extraordinária dos vínculos precários da Administração Pública (PREVPAP) ou em casos análogos e não tenham renunciado expressamente à sua inscrição como beneficiários da ADSE.

A inscrição deve ser requerida necessariamente até 31 de dezembro de 2020.

O modelo de requerimento encontra-se disponível na página da ADSE (aqui) e será igualmente enviado às entidades empregadoras que o devem facultar aos interessados, acompanhado do correspondente boletim de inscrição.

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Protestos por segurança nas escolas face à Covid

 

 

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Porque falham as nações com turmas numerosas, por Paulo Prudêncio

 

Porque falham as nações com turmas numerosas

O ensaio Porque Falham as Nações, de Daron Acemoglu e James Robinson, conclui sobre a história universal dos últimos três milénios: as nações não falham por causa da geografia, da cultura ou da ignorância, mas pela incapacidade em transformar políticas, instituições e empresas extractivas (que acumulam a riqueza em “elites” e oligarquias) em inclusivas (que distribuem a riqueza e diminuem as desigualdades). E sublinha que só a consolidação do modelo inclusivo durante décadas é que se repercute positivamente no crescimento económico, nas empresas, na cultura e na escolarização.

Congo, que tem abundantes riquezas naturais, permanece há séculos nos lugares cimeiros dos países pobres porque vive subjugado à extracção. Mobutu é o exemplo recente. E é curioso: foram os portugueses que deram a conhecer a escrita aos congoleses, no século XVI, mas em pleno século XXI a nação de Camões e Pessoa ainda não erradicou o abandono escolar precoce nem a pobreza do seu território. O facto também se deve a “elites” extractivas. Foi assim com a escravatura, com o ouro, com as especiarias, com o colonialismo e com a recente crise de empresas parasitárias associadas ao sistema bancário, que resultou no desinvestimento nos últimos 15 anos em estruturas como a escola pública, depois de duas ou três décadas promissoras (sublinhe-se que os resultados em educação surgem duas décadas depois).

O excesso de alunos por turma é um indicador extractivo que a pandemia radiografa. E, nem por acaso, o parlamento reprovou, em Junho, a inclusiva redução de alunos por turma (é preferível uma lei que estabeleça turmas de 20 com excepções por inexequibilidade, do que turmas de 30 com as mesmas excepções). Foi Nuno Crato quem decretou o aumento das turmas e a extracção resiste a tudo: fim da troika, geringonça, superavit e pandemia. Explicou a sentença em 15 de Junho de 2013: “Uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade.” O ex-ministro contrariou o sistema inclusivo relatado por William Golding, Nobel da literatura em 1983 e professor no 1º ciclo durante três décadas, numa entrevista à RTP2 nesse ano: “Com 30 alunos não há método de ensino que resulte, mas com 10 alunos todos os métodos podem ser eficazes.”

A epifania de Crato tornou-se imutável e não apenas por pragmatismo. É aconselhada e considerada madura por “gurus” da inclusão escolar, uma área muito prejudicada com as turmas numerosas. A educação tem este azar com políticas extractivas, suportadas por “gurus”, que a representação institucional não consegue transformar em inclusivas. Na educação até existem associações científicas de professores nas mais diversas áreas, só que não são ouvidas; também por culpa própria. E há 16 sindicatos.

Noutro exemplo da mesma família que explica a prevalência extractiva, os governos de Sócrates, e também de Barroso, impuseram um elenco de medidas reprovadas por todos, mas que continua vigente. Destacam-se: avaliação de profissionais assente numa burocracia impessoal que saturou os exercícios, sistemas de avaliação de alunos “amigos” da exclusão da educação especial ou daqueles de quem se espera fracos resultados académicos, e modelo extractivo de gestão das escolas públicas.

Até se criam instituições para alargar a representatividade, só que rapidamente passam a ilusões. Transformam-se em câmaras de eco mediático de quem governa. É assim nas nações que falham. Nesta fase, salientam-se as diligentes organizações de dirigentes escolares (é um exercício temporário que representa 0,8% dos professores e que, pasme-se, já vai em três espécies de associações) e de encarregados de educação. Têm a palavra mediática ajustada sobre tudo o que é didáctico, científico e organizacional. Para se perceber melhor, e pensando na actualidade, é como se na saúde, e quando se mediatizam actos médicos, infecções e epidemias, não se ouvissem especialistas, ordens e sindicatos, mas o dirigente hospitalar e o profissional dos utentes e amigos dos hospitais.

Acima de tudo, se o ensino tivesse representação institucional inclusiva, era difícil avançar com propostas destinadas ao insucesso, havendo soluções estruturais, exequíveis e sustentadas para o problema. A redução de alunos por turma foi reprovada no parlamento, mas os papéis partidários satisfizeram os desígnios populares e anularam um imperativo que é um indicador inclusivo para o sucesso das nações a médio e longo prazo, e uma componente crítica decisiva em tempos de pandemia.

 

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