1. Sabemos mais hoje do que em março. Quando as escolas fecharam em março e mesmo quando reabriram parcialmente em maio e junho, não sabíamos tudo o que sabemos hoje. Quanto tempo teríamos de conviver com o vírus, se conseguíamos todos ter acesso fácil ao equipamento de proteção individual, o grau de desigualdade que o ensino a distância geraria. Abrimos o ano letivo com mais dados sobre formas de contaminação, com mais comportamentos de higiene, proteção e distanciamento rotinados, com as escolas preparadas para a transição de regimes sempre que necessário, com orientações sobre recuperação de aprendizagens e alinhamento com a avaliação, com todos os recursos educativos produzidos e disponibilizados no site “Apoio às Escolas” durante o terceiro período. Os professores beneficiaram de formação que continuará este ano sobre ensino a distância. O currículo fica centrado nas Aprendizagens Essenciais, para uma melhor gestão.
2. As escolas estão preparadas e têm mais recursos. As escolas têm hoje planos de contingência, formas de organização previstas para outros regimes de ensino, mais cerca de 3300 professores para o apoio aos alunos que mais ficaram para trás, mais 900 técnicos para apoio ao desenvolvimento pessoal, social e comunitário, os espaços estão organizados, os percursos marcados, os procedimentos para atuar em caso de suspeita ou contágio. Dispõem ainda de uma bolsa de recrutamento para agilizar a substituição de assistentes operacionais.
3. As escolas não estão sozinhas. O trabalho de preparação das escolas tem sido acompanhado por orientações emanadas desde o final do ano letivo, disponibilizadas a 3 de julho e durante o mês de agosto. Como é hábito desta equipa ministerial, o contacto com os diretores é direto e frequente, para ajudar a resolver problemas com a agilidade necessária e possível. As autoridades de saúde, as equipas locais de saúde, acompanham as escolas na tomada de decisão. Todo o dispositivo de apoio às escolas desenvolvido no terceiro período continua e reforçar-se-á.
4. O risco existe. Não vale a pena ter ilusões. A abertura das escolas coloca mais pessoas na rua e existe mais risco de contágio. Estar preparado não significa que o risco desaparece, significa saber atuar perante o que pode acontecer.
5. Gerir o risco é gerir equilíbrios. Percebemos nos últimos meses o que era óbvio. Escolas fechadas prejudica uma geração que fica com aprendizagens por fazer. Significa também o enorme aumento de desigualdades. Estamos a viver com uma pandemia. “Viver com” significa construir os equilíbrios possíveis entre a mitigação do contágio, a garantia de que as crianças e os jovens não têm o seu desenvolvimento pessoal e académico seriamente comprometido, a manutenção de uma economia que, mantendo tudo parado, se afunda gerando ainda mais desigualdades, com tudo o que isso acarreta – mais pobreza, menos saúde, menos rendimentos, mais injustiça. Não há, pois, soluções boas. Há um equilíbrio constante, com as palavras de ordem: antecipar, monitorizar, rever, agir. Um recuo numa decisão não é derrota para ninguém. É a ação necessária em função do conhecimento que temos.
6. A confiança é um elemento fundamental. O Serviço Nacional de Saúde funcionou. Os profissionais de saúde sabem o que estão a fazer. As decisões e orientações para as escolas são todas produzidas pela saúde. Eu sou linguista, outros terão outras profissões. A minha opinião sobre a pandemia vale zero. Sei que o conhecimento sobre a pandemia evolui muito rapidamente. Confio nos médicos e nos investigadores e respeito as suas orientações. Se cada cidadão se tornar epidemiologista de café, todos contribuímos para o caos.
7. A abertura das escolas é um compromisso partilhado. Para que o risco seja mitigado, precisamos de todos. Do Governo que decide, apoia e providencia. Das famílias, que devem confiar que o risco na escola não é superior ao de outros espaços que os filhos frequentaram durante o verão. De todos os profissionais da educação e da comunidade envolvente, inexcedíveis desde o primeiro momento. Se cada um fizer a sua parte, no respeito por regras e pelos outros, o risco não desaparece, mas diminui. O maior risco não está nas escolas. Está nos espaços envolventes, nos comportamentos fora da escola. Aqui as famílias são agentes críticos de saúde pública. Não podem relaxar.
8. O medo e a razão não andam de mãos dadas. É normal que tenhamos receios. Não é normal que o receio tolde o discernimento. Há procedimentos instituídos. Uma suspeita ou um contágio são geridos localmente, não significam que a escola tenha de fechar ou que as soluções sejam iguais para todas as turmas. O medo gera incerteza e incapacidade de agir. Por isso, há protocolos e procedimentos a seguir.
9. As crianças precisam da escola como espaço de alegria. Nós, adultos, somos os responsáveis por manter a serenidade dos alunos. Torná-los conscientes de regras, mas recordar-nos que eles precisam de uma escola que seja promotora de alegria e bem-estar. Estiveram já demasiado tempo fechados.
Hoje, atingimos um consenso em torno da necessidade de retomar a atividade presencial. A capacidade física das escolas não aumentou durante o verão, os recursos aumentaram, mas são finitos. As medidas de proteção são cumulativas: máscara, higiene das mãos, distanciamento, etiqueta respiratória, organização em bolhas. Retomamos com responsabilidade, mas conscientes de que, quanto mais tranquilos estivermos, mais longe chegaremos. Estar tranquilo não é esperar passivamente que tudo corra bem. Ser responsável não é viver em alarmismo. Daí precisarmos de partilhar desta tranquilidade serena que se impõe.