Rui Cardoso

Author's posts

Escolas, onde o “Pintar por Cima” é a Sétima Arte

 

Dizem os otimistas, essa raça resiliente que floresce em conferências e inaugurações oficiais, que vivemos num país comprometido com a educação. Eu diria que vivemos antes num país especializado em maquilhagem educativa. No que toca ao estado das nossas escolas, passámos da pedagogia para a arqueologia de sobrevivência, com uma pitada de negligência institucional à mistura.

Comecemos pela saga da requalificação escolar. Ah, os grandes programas de obras públicas! Essas iniciativas que tratam os edifícios como celebridades em fim de carreira, investe-se uma fortuna numa intervenção de fachada e depois deixa-se o resto ao abandono porque já não há orçamento para a manutenção. Muitas das escolas requalificadas parecem, vistas de longe, monumentos à modernidade, de perto revelam a velha filosofia nacional do pintar por cima. Os problemas estruturais continuam lá, discretamente escondidos sob demãos de tinta e relatórios otimistas, enquanto a manutenção se torna um conceito abstrato, quase filosófico. Quando uma parede racha, a solução raramente é estrutural, é cosmética.

Depois, há as escolas que ficaram à margem das grandes requalificações, autênticos museus involuntários de arquitetura educativa do século passado. Edifícios onde o tempo parece ter parado, mas a degradação não. Salas com isolamento precário, infiltrações persistentes e sistemas de aquecimento que funcionam mais como peças decorativas do que como equipamento útil. No inverno, aprende-se a matéria entre correntes de ar, no verão, entre ondas de calor que transformam as salas em estufas pedagógicas. A resiliência dos alunos torna-se, involuntariamente, parte do currículo.

A transferência de responsabilidades entre administração central e autarquias acrescentou mais um capítulo a esta história. O processo, muitas vezes apresentado como descentralização eficiente, tem por vezes o sabor de uma herança problemática, edifícios envelhecidos, necessidades acumuladas e recursos limitados. É o equivalente institucional a receber um imóvel histórico com charme, e uma lista interminável de obras urgentes.

E depois surgem os grandes anúncios, planos de investimento com números redondos e sonoros, promessas que ecoam em conferências de imprensa e documentos estratégicos. O problema é que o acesso a esses fundos depende de projetos técnicos complexos, prazos apertados e capacidades administrativas desiguais. Entre a intenção política e a obra concluída existe um labirinto de candidaturas, pareceres e calendários que nem sempre joga a favor das comunidades educativas.

O resultado é um sistema onde demasiadas escolas continuam a funcionar em condições que exigem criatividade diária de professores, funcionários e alunos. Baldes a aparar a chuva não deviam fazer parte do equipamento escolar, nem candidaturas de última hora deviam substituir planeamento estratégico.

Se queremos afirmar a educação como prioridade nacional, talvez devêssemos começar por tratar os edifícios escolares como infraestruturas essenciais e não como projetos ocasionais de cosmética política. É preciso planeamento consistente, manutenção contínua e investimento sustentado, não apenas intervenções espetaculares seguidas de longos períodos de esquecimento.

Caso contrário, o futuro da educação arrisca-se a não ser brilhante. Será apenas remendado. E, em demasiados casos, húmido.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/02/escolas-onde-o-pintar-por-cima-e-a-setima-arte/

REPOSICIONAMENTO CORRETO e FIM DAS ULTRAPASSAGENS: o tempo de legislar é agora.

 

A Iniciativa Legislativa– DL 285/XVII/1 deu entrada na Assembleia da República a 3 de fevereiro. Apenas dias depois, a 6 de fevereiro, é publicada a Proposta de Resolução da Assembleia da República n.º 22/2026. Esta proximidade temporal não é neutra nem irrelevante: é um sinal político claro, que importa ler.

Nada disto começa agora. Na legislatura anterior, os Professores pela Equidade e Valorização (PEV) apresentaram uma petição com mais de 10.500 assinaturas, que foi votada favoravelmente pela Assembleia da República. O Parlamento reconheceu como legítima a reivindicação. O processo só não teve seguimento porque o Governo caiu e, com ele, caducaram os trabalhos legislativos. Não foi o mérito e a pretensão que falhou, foi o calendário político.

Perante esse desfecho, o PEV recusou resignar-se. Em vez de aceitar o bloqueio político como destino inevitável, deu um passo em frente e transformou a reivindicação numa Iniciativa Legislativa de Cidadãos, mais robusta, mais exigente e mais consequente. O resultado foi inequívoco: muito mais do que as 20.000 assinaturas legalmente exigidas, reunidas com esforço e convicção. O PEV não só manteve o tema vivo como o elevou ao patamar máximo da Iniciativa Cidadã prevista na Constituição.

A publicação agora de uma proposta de resolução dias depois da admissibilidade da ILC confirma e valida aquilo que já é evidente, o tema é reconhecido e politicamente incontornável. Sabemos que uma resolução não cria lei, mas cria enquadramento, fixa posições e prepara decisões. Quando o debate já está feito “em abstrato”, uma proposta de lei deixa de ser disruptiva e passa a ser obrigatória do ponto de vista da coerência política.

Por isso, a pergunta já não é “se”, mas “quando”.

O que falta para resolver, de forma definitiva, o reposicionamento correto na carreira docente e a correção das ultrapassagens?

O Parlamento já reconheceu o problema, os cidadãos já fizeram o seu trabalho (duas vezes). Prolongar a indecisão não deverá ser uma opção política

O tempo do diagnóstico terminou. É tempo de legislar.

https://data.dre.pt/eli/resolassrep/22/2026/02/06/p/dre/pt/html

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/02/reposicionamento-correto-e-fim-das-ultrapassagens-o-tempo-de-legislar-e-agora/

Reserva de Recrutamento 35 – 2025/2026

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação e Retirados – 35.ª Reserva de Recrutamento 2025/2026.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira, dia 9 de fevereiro, até às 23:59 horas de terça-feira, dia 10 de fevereiro de 2026 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Listas – Reserva de Recrutamento n.º 35

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/02/reserva-de-recrutamento-35-2025-2026/

Alteração ao calendário das Provas-Ensaio 2025/2026

“Nesse sentido, adia-se a realização de Provas-Ensaio, inicialmente previstas para o
mês de fevereiro, e agora reagendadas para o mês de abril. As datas para a realização
das provas ModA e das Provas Finais do Ensino Básico mantêm-se inalteradas.”

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/02/alteracao-ao-calendario-das-provas-ensaio-2025-2026/

Processamento de remunerações 2026

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/02/processamento-de-remuneracoes-2026/

Resolução – Recomenda ao Governo a valorização dos assistentes operacionais e dos assistentes técnicos

Resolução da Assembleia da República n.º 23/2026

Recomenda ao Governo a valorização dos assistentes operacionais e dos assistentes técnicos

A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que:

1 – Aperfeiçoe o modelo de transferência de competências para as autarquias no domínio da educação, assegurando uma articulação eficaz e estratégica com os agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas, e atribuindo às Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional responsabilidades reforçadas no planeamento da rede escolar, da oferta formativa do ensino profissional e na coordenação dos investimentos em infraestruturas educativas, promovendo a coesão territorial e a equidade.

2 – Defina os conteúdos funcionais adequados dos assistentes técnicos e dos assistentes operacionais, assegurando a diferenciação e valorização dos assistentes que desempenhem tarefas com especificidades educativas.

3 – Realize um estudo para avaliar as necessidades das escolas no respeitante ao número de assistentes operacionais e de assistentes técnicos.

4 – Reveja e ajuste, com base no estudo referido no número anterior, os rácios de assistentes técnicos e assistentes operacionais nas escolas, em articulação com a Associação Nacional de Municípios Portugueses, de forma a garantir:

a) A presença de assistentes operacionais e assistentes técnicos em número suficiente em todas as escolas, agrupadas e não agrupadas, durante o respetivo horário de funcionamento;

b) Um número suficiente de auxiliares de ação educativa com a formação adequada ao acompanhamento de alunos com necessidades educativas específicas, nomeadamente as de caráter prolongado;

c) A adequação do número de assistentes operacionais à tipologia dos edifícios escolares, à área dos recintos escolares e ao contexto social em que a escola se insere;

d) O normal funcionamento da escola em termos de oferta educativa, respondendo a necessidades específicas, designadamente das escolas artísticas e das escolas agrícolas;

e) O adequado funcionamento das instalações e equipamentos desportivos;

f) O funcionamento regular de serviços como as reprografias, bibliotecas, papelarias, bares e refeitórios, entre outros;

g) A identificação das necessidades permanentes das escolas, atendendo também às necessidades transitórias.

5 – Proceda à criação e disponibilização de formações destinadas a capacitar os assistentes operacionais para a intervenção junto de crianças e jovens com necessidades educativas especificas.

Aprovada em 9 de janeiro de 2026.

O Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/02/resolucao-recomenda-ao-governo-a-valorizacao-dos-assistentes-operacionais-e-dos-assistentes-tecnicos/

Resolução – Recomenda ao Governo a correção das ultrapassagens

Resolução da Assembleia da República n.º 22/2026

Recomenda ao Governo a correção das ultrapassagens na progressão da carreira docente e o reconhecimento do tempo de serviço efetivo prestado no ensino não superior e no ensino superior

A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que:

1 – Reveja, com efeitos imediatos, os critérios de reposicionamento na carreira docente, reconhecendo todo o tempo de serviço dos professores que já pertenciam aos quadros antes de 1 de janeiro de 2011, conforme efetuado com os docentes que entraram para os quadros após essa data.

2 – Implemente, a partir do início no ano letivo de 2025/2026, políticas públicas que valorizem a carreira docente, incentivando a permanência e motivação dos professores, cruciais na formação das futuras gerações.

3 – Promova o diálogo com os representantes dos professores e as organizações sindicais, de modo a serem encontradas soluções que sirvam os interesses dos docentes, dos alunos e do ensino.

4 – Corrija as ultrapassagens na progressão da carreira, implementando um sistema equitativo que respeite a experiência e o mérito dos docentes, garantindo que todos os professores sejam tratados de forma igual, independentemente da data de ingresso.

5 – Dispense o período probatório para todos os docentes com docência prévia no ensino superior e garanta o reconhecimento do tempo de serviço efetivo prestado e a progressão adequada na carreira, nas mesmas circunstâncias dos docentes contratados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 51/2024, de 28 de agosto.

6 – Considere como tempo de serviço as atividades de investigação realizadas como doutorado ao abrigo de contratos celebrados nos termos do Estatuto da Carreira de Investigação Científica ou do Decreto-Lei n.º 57/2016, de 29 de agosto, em instituição integrante do sistema nacional de ciência e tecnologia, não sendo cumulável, para o mesmo período temporal, com o tempo de serviço previsto no artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 51/2024, de 28 de agosto.

Aprovada em 9 de janeiro de 2026.

O Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/02/resolucao-recomenda-ao-governo-a-correcao-das-ultrapassagens/

Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE) assume competências da extinta Direção-Geral da Administração Escolar

A extinção da DGAE enquadra-se no processo de reorganização da Administração Pública e da reforma do setor da Educação, conforme estabelecido no Despacho n.º 919-A/2026, publicado em Diário da República a 27 de janeiro.

Competências asseguradas pela AGSE

Com a integração destas atribuições, a AGSE passa a ser a entidade responsável pela gestão de processos administrativos associados ao funcionamento do sistema educativo, incluindo matérias relacionadas com recursos humanos, procedimentos administrativos e outros domínios anteriormente da competência da Direção-Geral da Administração Escolar (DGAE), tal como definido no Decreto-Lei n.º 99/2025, que criou a Agência.

A assunção destas funções pela AGSE assegura a continuidade dos serviços e dos procedimentos em curso, pretendendo garantir um modelo de gestão mais integrado e centralizado.

Contactos e acompanhamento

No âmbito desta transição, todos os contactos e comunicações relacionados com as áreas anteriormente asseguradas pela DGAE deverão passar a ser realizados junto da AGSE, preferencialmente através dos canais oficiais disponibilizados para o efeito, nomeadamente, E72.

Uma gestão mais integrada do sistema educativo

A criação da AGSE tem como objetivo simplificar e centralizar a gestão do sistema educativo, promovendo uma maior eficiência administrativa, a redução da fragmentação institucional e a melhoria do serviço prestado às comunidades educativas, assegurando uma resposta mais eficaz e articulada às necessidades do sistema.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/02/agencia-para-a-gestao-do-sistema-educativo-agse-assume-competencias-da-extinta-direcao-geral-da-administracao-escolar/

Concurso Externo Extraordinário 2025/2026 – Candidatura a Mobilidade Interna

 

Encontra-se disponível a aplicação que permite aos docentes efetuarem a candidatura à mobilidade interna do Concurso Externo Extraordinário, entre o dia 5 e as 23:59 horas do dia 11 de fevereiro de 2026 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Candidatura a mobilidade interna 
Códigos AE/EnA

Declaração de Retificação n.º 1032-A/2025/2
Decreto-Lei n.º 108/2025
Decreto-Lei n.º 57-A/2024
Aviso de Abertura n.º 26971-A/2025/2
Decreto-Lei n.º 80-A/2023
Portaria n.º 379-A/2025/1
Portaria n.º 365-A/2025/1
Despacho n.º 11200-A/2025 (QZP Carenciados)
Decreto-Lei n.º 51/2024
Decreto-Lei n.º 15/2025
Decreto-Lei n.º 32-A/2023

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/02/concurso-externo-extraordinario-2025-2026-candidatura-a-mobilidade-interna/

Recenseamento – 2026

Na segunda-feira apareceu sem aviso prévio.

Na quarta-feira desapareceu sem deixar rasto.
E assim vão as plataformas do MECI.

Vão e veem sem explicação plausível ou informada.

Podem dizer o que quiserem, mas o caus está instalado e à vista dos mais atentos.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/02/recenseamento-2026/

A Reestruturação do MECI e o vazio nas escolas

A coisa prometia, modernização, agilidade e o fim da “obesidade” ministerial que tanto atormenta o Terreiro do Paço. Mas o que temos, com a bênção dos Despachos n.º 919-A e 919-B/2026, é um autêntico número de ilusionismo administrativo. O MECI anunciou o fim da DGAE, do IGeFE e da Secretaria-Geral com a fanfarra de quem descobre a pólvora, atirando as competências para cima das CCDR e um chorrilho de Unidades. O pequeno detalhe, aquele pormenor insignificante que a malta dos gabinetes costuma esquecer, é que nas CCDR as cadeiras destinadas aos Vice-Presidentes responsáveis pela Educação continuam vazias, a ganhar pó e à espera de nomeação, nas tais Unidades ninguém sabe o que se passa. É a descentralização do “faz de conta”: mandam-se os processos para uma estrutura que ainda não tem cabeça para pensar, nem mãos para executar, deixando os Diretores a olhar para o mapa à espera que alguém lhes diga onde fica a nova capital da burocracia.

Enquanto a AGSE e a EduQA não saem da incubadora das intenções, as DGEstE regionais vivem num cenário digno de um filme de terror. Oficialmente estão condenadas, mas, como ainda não foram formalmente extintas nem integradas, vão sobrevivendo num “limbo” existencial. É o Estado no seu melhor, os funcionários das direções regionais tentam manter as escolas a boiar, mas sem saberem se no dia seguinte ainda têm carimbo ou se a porta já tem uma fechadura nova. Trabalha-se por inércia, gere-se por milagre e sobrevive-se por teimosia, enquanto o Ministério se entretém a desenhar organogramas coloridos. No meio deste caos, onde estaria o famoso Gestor Dedicado”? Aquela figura celestial prometida pelo Ministro Fernando Alexandre, que seria o interlocutor único de cada Agrupamento, parece ter o mesmo estatuto do Monstro de Loch Ness, muita gente fala dele, mas ninguém o viu. Supostamente, este “anjo da guarda” deveria encaminhar as nossas dúvidas para as novas unidades, mas na prática, o Diretor que tenha um problema com um horário ou um contrato tem duas opções, ou liga para o número do costume e ninguém atende, ou acende uma vela ao Santo Expedito.

O vazio de poder é de tal ordem que os Diretores se sentem como capitães de um navio a quem roubaram as bússolas em plena tempestade. Não há a quem recorrer e o auxílio na gestão transformou-se num exercício de adivinhação. Dizem-nos que a EduQA vai avaliar a qualidade, talvez possam começar por avaliar a qualidade deste processo de transição que deixou as escolas num deserto de respostas. Entre o despacho que extingue e a agência que não nasce, o “chão da escola” continua a ser o único sítio onde a realidade teima em não caber nos PowerPoint do Ministério.
Se alguém vir um Gestor Dedicado a passar pela EN2, por favor, peça-lhe para ligar para o Viso. Temos umas Assistentes técnicas à espera de saber quem lhes tira duvidas.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/a-reestruturacao-do-meci-e-o-vazio-nas-escolas/

PSD quer impedir uso livre de redes sociais a menores de 16 anos. Concorda?

 

Na próxima segunda-feira, dá entrada no Parlamento um diploma que impõe um mecanismo de verificação de idade na criação de contas e que visa efectivar a proibição do acesso a menores de 13 anos.

PSD quer impedir uso livre de redes sociais a menores de 16 anos

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/psd-quer-impedir-uso-livre-de-redes-sociais-a-menores-de-16-anos-concorda/

Despedidos sem justa causa

 

A Directora chegou num Setembro ainda a cheirar a Verão por acabar, o pó do recreio colado aos sapatos, e consigo trouxe uma mala rígida e impassível, tal como a Directora, como se dentro guardasse segredos por revelar.

Não esperem pela demora.

Disse bom dia sem olhar para ninguém, não por arrogância, mas por já vir decidida antes de entrar, decidida ainda no carro, talvez decidida desde sempre, e quando uma pessoa chega decidida o mundo é um obstáculo.

Aborrecido, pois claro.

Na primeira reunião não perguntou nomes, não quis saber há quantos anos ensinavam ali, não lhe interessaram os rostos cansados nem as mãos a cheirar a martírio e paciência.

Falou de eficiência, palavra limpa e afiada, falou de mudança, e a mudança serve para tudo, e depois, com a serenidade de quem acredita estar a fazer o bem, anunciou a rescisão de todos os contratos. Todos. Por ser urgente abrir as janelas para arejar, disse ela, sem por isso apreender a tempestade lá fora.

Os professores ouviram em silêncio, esse silêncio antigo de quem já viu muitas direções, muitos decretos, muitas promessas. Pensaram ser esta uma decisão provisória e talvez houvesse uma razão.

Não há. Não houve.

A Directora explicou apenas precisar de pessoas da sua confiança política, gente capaz de partilhar a sua visão, amigos, conhecidos, pessoas certas. E eles, os professores de sempre, são um erro administrativo, um acaso bizarro fruto de concursos e listas do tempo da outra senhora.

Mas a Directora é a outra senhora. E quem diz é quem é.

Achava, dizia sem dizer, serem todos péssimos profissionais. Todos. Não porque os tivesse observado, não porque tivesse assistido a uma aula, mas por estarem ali antes dela, e isso bastava. Acreditava também, com uma fé quase religiosa, como qualquer pessoa de fora seria melhor. Qualquer uma. Um desconhecido teria sempre mais mérito em comparação com quem consigo se cruzava no corredor.

Nos dias seguintes a escola ficou suspensa, a respiração sustida. Os professores preencheram papéis e formulários imensos para concorrer aos próprios empregos, esse gesto humilhante de escrever o nome como se fossem estranhos, como se não tivessem passado ali anos a atar sapatos imberbes, a limpar lágrimas, a explicar pela décima vez a mesma conta.

Alguns não concorreram. Foram-se embora. Não por orgulho, mas por cansaço. O cansaço também nos diz quando desistir.

Entretanto, a Directora aguardava os amigos. Telefonava, insistia, prometia projectos, liberdade, futuro. Do outro lado diziam talvez, depois logo vemos, agora não dá. Os conhecidos tinham a vida feita, empregos seguros, outras escolas, outros compromissos. Nenhum quis trocar o certo pelo entusiasmo do lado de lá do telemóvel.

Esperava também candidatos externos. Imaginava currículos a chover, gente brilhante, professores exemplares a saltar do chão como personagens de um livro. Mas não choveu nada. E ninguém saltou. Nem um. O silêncio voltou, pesado, definitivo.

Quando o prazo terminou, descobriu serem apenas os professores da casa a concorrer. Os mesmos professores incapazes e ineficientes, pelo menos aos seus olhos, e ainda assim presentes.

Por alguma razão é, valha-me Deus.

Os mesmos professores no olho da rua para melhorar a escola. E mesmo assim nem todos. Agora havia horários vazios, turmas sem professor, salas onde só o eco respondia à chamada.

Quando os adultos brincam e fazem de conta ser hoje um líder e amanhã um chefe, são de facto líderes e chefes, mas só a brincar.

E quando os adultos brincam, as crianças são os mexilhões.

As crianças sem aulas, sem disciplinas, sem professor, a trocar de docente como quem troca de roupa, e a incerteza também se ensina, a incerteza também se aprende.

Perguntavam onde estava a professora, quando vinha o professor novo, e ninguém sabia responder. A Directora falava em ajustamentos, em fases de transição, palavras grandes para explicar ausências a crescer todos os dias.

E enquanto organizava pastas, revia regulamentos e aguardava por pessoas por vir, as crianças esperavam. Esperam sempre e as crianças não têm escolha.

A escola, antes um porto seguro de rotinas e confiança, começou a desfazer-se devagar. Não por falta de vontade, não por incompetência de quem lá estava, mas porque alguém acreditou ser vital vergar uma instituição à sua chegada, à sua passagem, como se fosse ela o centro e não as crianças.

Porque uma escola não se conquista. Habita-se. E despedir, esse exercício vil de poder, é fácil, difícil é reter.

No fim, quando olhou à volta e viu salas vazias, horários por preencher, professores exaustos a fazer para além do impossível, surpreendeu-se. Não por ter errado, mas porque o mundo não lhe obedeceu.

E ao não obedecer, falhou. Sem nunca suspeitar ter sido a própria Directora quem nunca chegou verdadeiramente à escola.

Até hoje.

 

João André Costa

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/despedidos-sem-justa-causa/

E vagas para a profissionalização?

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/e-vagas-para-a-profissionalizacao/

Aumentos? Só em fevereiro…

O Acordo Plurianual 2026-2029 de Valorização dos Trabalhadores da Administração Pública prevê para este ano aumentos salariais de 2,15%, com um mínimo de 56,58 euros.

Governo aprova aumentos salariais para a função pública

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/aumentos-so-em-fevereiro/

Extinção da Secretaria-Geral da Educação e Ciência, do Instituto de Gestão Financeira da Educação e Direção-Geral da Administração Escolar

Com efeitos a 1 de março de 2026

Despacho n.º 919-A/2026, de 27 de janeiro

Despacho n.º 919-B/2026, de 27 de janeiro

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/extincao-da-secretaria-geral-da-educacao-e-ciencia-do-instituto-de-gestao-financeira-da-educacao-e-direcao-geral-da-administracao-escolar/

Fusão do 1.º e 2.º ciclo obriga a mudar Lei de Bases

Governo anunciou mudança para 2027, juntamente com revisão curricular, mas precisa de apoio no Parlamento. Professores ansiosos com alterações temem fim da monodocência.

Fusão do 1.º e 2.º ciclo obriga a mudar Lei de Bases

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/fusao-do-1-o-e-2-o-ciclo-obriga-a-mudar-lei-de-bases/

Agente da PSP ferido com gás pimenta em distúrbios entre alunos na Escola Secundária de Águas Santas

Polícia que dava formação no programa Escola Segura foi atingido por gás pimenta durante confrontos que começaram entre dois alunos e se alargaram ao exterior. Duas pessoas hospitalizadas.

Agente da PSP ferido com gás pimenta em distúrbios entre alunos na Escola Secundária de Águas Santas

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/agente-da-psp-ferido-com-gas-pimenta-em-disturbios-entre-alunos-na-escola-secundaria-de-aguas-santas/

O CASO DA ADD E OS CONFLITOS DE INTERESSE…

[texto longo porque as coisas complexas são como são]

“De acordo com o artigo 13º do Regime Geral da Prevenção da Corrupção, Anexo ao Decreto-Lei n.º 109-E/2021, de 9 de dezembro, considera-se conflito de interesses
uma qualquer situação em que se possa duvidar seriamente da imparcialidade da conduta ou tomada de decisão do trabalhador (…)” – citação do Código de Conduta do RGPC de um agrupamento de escolas do Norte (em tempos dirigido por um dos mais altos responsáveis centrais atuais do Ministério da Educação)

Mas nas escolas ninguém lê o que escreve e proclama sobre corrupção e conflitos de interesse?

Será que não alcançam o sentido fundo das palavras?

Alguém nas escolas leu “o MENAC”, como dizem, ou seja os documentos de aplicação do Regime Geral de Prevenção da Corrupção, que a escola escreveu?

Fico com sérias dúvidas….e explico.

Recomendado por conhecidos, ou por outros sindicalizados do meu sindicato, ou contactado por aqui, tenho sido indicado várias vezes, nos últimos anos, para árbitro de professores avaliados que recorrem da sua avaliação.

Um trabalho que faço com cuidado, como voluntariado “para melhoria da sociedade”.

Há quem dê horas ao banco alimentar, eu dou horas aos professores reclamantes de justiça.

E se mais tempo tivesse, mais voluntariado desse fazia.

E tenho feito isso para totais desconhecidos.

Esse trabalho tem sido uma desilusão.

Uma das razões é a quantidade de vezes em que acabo a ver histórias de colegas perseguidos, maltratados e injustiçados e por coisas em que a lei é clarinha, mas é incumprida com igual clareza.

E acabo, como árbitro, por afirmar lei e regras, por ser também eu maltratado.

E sem grande margem para corrigir o rolo compressor do aparelho “político” alinhado das escolas.

O que muitas das pessoas, que estão alçadas a mandar, escrevem em documentos de avaliação e depois, ressabiados com os reclamantes que o ousaram ser, bolsam em respostas a reclamações e recursos é uma vergonha.

Comigo nasciam muitos processos por difamação.

A BUSCA INGLÓRIA DA JUSTIÇA

Muitos dos recorrentes, percebe-se dos textos, querem só sentir que o sistema burocratizado não os cilindra sem gemerem e, por uma vez, os grupos de poder e favor, pelo “celente” e bom horário, que grassam em certas as escolas, cedem ao rumo digno e os tratam com um mínimo de justiça.

Muitos recorrem sem qualquer esperança de sucesso (em bom rigor, as reclamações são lamentações, dada a falta de foco técnico em questões formais que são essenciais), mas querem só mostrar que a sua ideia de justiça de processo ainda não está totalmente morta no sítio onde se ensina cidadania.

O que mais vejo é colaboracionismo de professores de SADD e avaliadores e até árbitros com tiranetes locais, às vezes de décadas (e pensem que a amostra em que acabo por estar é do pior que há, aquilo são os casos tão maus que alguém sai da apatia para reagir, porque a maioria é injustiça silenciosa e a que nem reagem).

O que mais vejo é a gestão escolar doente que Maria de Lurdes fabricou, tão longe da teoria generosa, mas falsa, da autonomia e da democracia.

Já levei com terceiros árbitros (árbitros presidentes), designados pela escola onde corre o caso, porque recusei na 1ª reunião propostas objetivamente ilegais, a tentar coagir-me e a fazer comigo o que devem fazer (mal) com alunos rebeldes.

O meu limite esteve quase a surgir e um dia tive mesmo de ameaçar chamar a PSP, de tanto fui incomodado numa reunião, onde me sentaram numa mesa a meio da sala como um réu (esquecendo que os 3 árbitros são pares).

Já estive quase para me deixar desta atividade voluntária, tão maltratado fui, por não aceitar que recursos sejam meros arremedos rituais para dar a ideia de que há contraditório (tem de haver mesmo…mas os poderes fáticos estrebucham).

Há momentos em que acho que as escolas, na sua face administrativa, que a ADD me permite ver, já não são parte do Estado de Direito.

Tantas vezes me dizem que a lei que invoco “não interessa nada”.

Não entendo como se vota para eleger certos presidentes de conselho geral tão alinhados com os diretores, que deviam controlar, e tão afastados das competências que lhes cabem, que desconhecem.

E o que vejo mais é a impreparação e desconhecimento crasso de certos diretores, avaliadores, membros da SADD e presidentes de Conselho Geral sobre o básico da lei administrativa e das regras que protegem direitos individuais de trabalhadores do Estado (e, em geral dos cidadãos).

O sítio onde se devia ensinar cidadania está, nos seus processos, cheio de entorses ao respeito por ela.

OS DOCUMENTOS DE PREVENÇÃO DA CORRUPÇÃO (RGPC E MENAC) e a ADD

Mas quem for ler os seus documentos de cumprimento do RGPC, que todas as escolas têm nos sites, vê longos discursos sobre prevenção de conflitos de interesse.

Que realmente não leem e ignoram na prática.

Um exemplo: a designação de árbitros da SADD e 3º árbitros.

É comum tentarem designar professores da escola que, no ano seguinte, ou naquele em que vão arbitrar, vão ser avaliados pela mesma SADD cuja decisão vão poder revogar ou modificar.

Isto é decidem um recurso sobre decisões de gente que nesse ano os avalia. Caminho aberto ao do ut des, “dou-te e hás-de me dar”…..”toma lá dá cá”….

Acham que há imparcialidade? Eles acham que sim.

E quando falo em óbvio conflito de interesse, pelo CPA e pelo RGPC, chamam-me extraterrestre (o nome mais divertido foi um caso em que disseram que “tenho a mania de ser legalista”… boa mania, achava eu, mas, pelos vistos, é defeito).

Não explicam o absurdo, mas encaram-no com toda a naturalidade.

Não sei se é falta de capacidade de entender ou sinal de entenderem bem demais.

A lei é clara, mas negam a sua letra com a maior desfaçatez e a rir-se de mim, como tipo ridículo que acredita na lei.

Já tive de reagir a tentativas de nomear como árbitro da SADD um adjunto do Diretor.

O Diretor é presidente da SADD que avalia e alguém acha que o seu direto colaborador, escolhido por confiança pessoal, que ganha um suplemento pela colaboração (que perde se deixar de colaborar) tem condições de imparcialidade para decidir recurso de decisão tomada pelo seu “chefe”?

Obviamente que isso não é legal, mas parece que até tinham consciência porque me tentaram esconder….

Já tive uma situação em que nomearam 3º árbitro um professor ex-diretor, amigo de infância e colega de curso e de listas de candidatura politiqueiras de um dos membros da SADD (preponderante nela).

E acharam normal. Que não é.

Aliás, a situação até é punível disciplinarmente.

Um destes dias atingiu-se o cúmulo: um diretor, presidente da SADD, nomeou para árbitro da SADD, um membro da SADD.

Qualquer criminoso condenado nas cadeias portuguesas tem, no julgamento dos seus crimes, por mais pesados e graves que sejam, mais garantias de isenção do julgador do que aquele professor.

Sabe, de certeza que, se for condenado com prejuízo, o juiz do recurso é diferente do da decisão inicial de que recorre.

Um professor, pelos vistos, na sua avaliação, nem essa garantia tem na prática.

E dizem que querem tratar os professores com justiça… já ficava feliz se fosse com decência na legalidade…

E o ministro nada faz a este Estado de coisas instalado… mas podia e devia, ou nunca vamos acreditar que quer realmente gerar mais justiça no sistema.

E até vai dar “carreira” aos diretores, cuja eternização e descontrole nos trouxe aqui…

Sem avaliar o que andam a fazer.

[A Lurditas ainda mandou avaliar o regime anterior.

O Relatório foi feito pelo Professor João Barroso da Universidade de Lisboa.

Foi engavetado. Se tivesse sido lido, hoje não havia diretores….]

Luís Sottomaior Braga

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/o-caso-da-add-e-os-conflitos-de-interesse/

Concurso Externo Extraordinário 2025/2026 – Listas Definitivas

Estão disponíveis para consulta as listas definitivas de admissão/ordenação, de exclusão, de colocação, de não colocação, de desistências e de retirados do Concurso Externo Extraordinário 2025/2026.

A aplicação que permite ao candidato efetuar a aceitação da colocação estará disponível do dia 27 de janeiro até às 23:59h, de Portugal continental, do dia 2 de fevereiro de 2026.

Caso pretenda interpor recurso hierárquico, a aplicação estará disponível do dia 27 de janeiro até às 23:59h, de Portugal continental, do dia 2 de fevereiro de 2026.

Listas Definitivas

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/concurso-externo-extraordinario-2025-2026-listas-definitivas/

Reserva de Recrutamento 32 2025/2026

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 32.ª Reserva de Recrutamento 2025/2026.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de terça-feira, dia 27 de janeiro, até às 23:59 horas de quarta-feira, dia 28 de janeiro de 2026 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Listas – Reserva de Recrutamento nº32 – 2025/2026

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/reserva-de-recrutamento-32-2025-2026/

Notificação da decisão da reclamação ao Concurso Externo Extraordinário 2025/2026

 

Encontra-se disponível para consulta a notificação da decisão da reclamação ao Concurso Externo Extraordinário 2025/2026

SIGRHE – Decisão da Reclamação

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/notificacao-da-decisao-da-reclamacao-ao-concurso-externo-extraordinario-2025-2026/

Esclarecimento aos professores sobre o ReCAP, a avaliação e o ECD

Nas últimas horas têm circulado, nas redes sociais, algumas afirmações alarmistas e profundamente distorcidas sobre o processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD), o ReCAP e o acordo celebrado na Administração Pública. Essas afirmações, para além de não corresponderem à verdade, têm como único efeito criar medo, gerar desconfiança e criar instabilidade entre os professores.

Esclarecimento aos professores sobre o ReCAP, a avaliação e o ECD

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/esclarecimento-aos-professores-sobre-o-recap-a-avaliacao-e-o-ecd/

Estatutos do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, I. P. (EduQA)

Publicada a Portaria que aprova os Estatutos do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, I. P., abreviadamente designado por EduQA, I. P.


Portaria n.º 31-A/2026/1

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/estatutos-do-instituto-de-educacao-qualidade-e-avaliacao-i-p-eduqa/

Feliz Dia Internacional da Educação!

 

Hoje não celebramos apenas uma data no calendário, mas sim o  que move o mundo do conhecimento. Desde 2018, por iniciativa da ONU, o dia 24 de janeiro serve como um lembrete global de que a educação não é um privilégio, mas um direito humano fundamental.

No DeAr lindo, acreditamos que educar vai muito além das quatro paredes de uma sala de aula. É um compromisso contínuo com a curiosidade e com a evolução.

Feliz Dia Internacional da Educação!

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/feliz-dia-internacional-da-educacao/

Educação Física no 1.º Ciclo. Sim, mas como?

“Começar a casa pelo telhado.” Lembrei-me deste provérbio ao ouvir e ler sobre as decisões que o Governo quer levar a cabo na Educação – especificamente uma delas: colocar a Educação Física como disciplina no 1.º Ciclo (engloba os alunos do 1.º ao 4.º ano) a partir do próximo ano letivo, que se inicia em setembro.

Este objetivo do Executivo está previsto na Lei do Orçamento de Estado que entrou em vigor no primeiro dia do ano. Não é, portanto, nenhuma surpresa de última hora – quem segue as questões da Educação sabe deste propósito e da garantia de que irão ser contratados professores para lecionar esta disciplina. O que também está por confirmar. Convém recordar que, atualmente, é o docente titular da turma que faz alguma atividade física com os alunos.

A ideia é ótima e de elogiar, pelo objetivo de incutir práticas desportivas nas crianças, mesmo que não se conheçam pormenores como, por exemplo, se a carga horária vai ser maior – atualmente é de 25 horas por semana – pois as indicações conhecidas é de que o ministério prevê três aulas por semana. E caso não aumente, como se acomodam essas aulas extra.

Educação Física no 1.º Ciclo. Sim, mas como?

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/educacao-fisica-no-1-o-ciclo-sim-mas-como/

Acabei de ouvir o inexplicável

“Um homem entrou numa escola da Trafaria e disparou para o ar sobre crianças.”

Na dita escola da Trafaria, as crianças andam lá dentro a voar pelos recreios…

Não usem um episódio dantesco e gravíssimo como este para tentar convencer o eleitorado. Tragam para a praça pública soluções.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/acabei-de-ouvir-o-inexplicavel/

Homens entram armados e disparam em escola da Trafaria

Alunos em pânico a chorar e a vomitar nas salas. GNR foi chamada mas já não encontrou ninguém. Rixa entre alunas na origem da situação.

Homens entram armados e disparam em escola da Trafaria

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/homens-entram-armados-e-disparam-em-escola-da-trafaria/

Alteração ao Regulamento de Concurso do Pessoal Docente da Educação Pré-Escolar e Ensinos Básico e Secundário – AÇORES

 

Decreto Legislativo Regional n.º 3/2026/A

Quarta alteração ao Regulamento de Concurso do Pessoal Docente
da Educação Pré-Escolar e Ensinos Básico e Secundário

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/alteracao-ao-regulamento-de-concurso-do-pessoal-docente-da-educacao-pre-escolar-e-ensinos-basico-e-secundario-acores-2/

A monodocência vai-se manter?

A eventual manutenção da monodocência no ensino básico permanece em aberto e continua sem uma resposta definitiva por parte do Ministério da Educação, Ciência e Inovação. Apesar de estar confirmada a intenção do Governo de avançar com a unificação do 1.º e do 2.º ciclos do ensino básico, ainda não foi esclarecido se o modelo tradicional em que um professor titular acompanha os alunos do 1.º ao 4.º ano será mantido, alterado ou alargado no novo ciclo unificado.

De acordo com o programa do atual Governo, em linha com orientações já presentes no programa do anterior executivo, a reorganização dos ciclos do ensino básico visa reforçar a continuidade pedagógica, reduzir ruturas nas transições escolares e promover aprendizagens mais consistentes ao longo do percurso dos alunos. É neste contexto que surge a proposta de unificação do 1.º e do 2.º ciclos, cuja implementação está prevista, segundo declarações públicas do ministro da Educação, Fernando Alexandre, para os próximos anos letivos, após um período de preparação e revisão curricular.

No entanto, o modelo de docência a adotar nesse novo ciclo ainda não foi definido. O Ministério tem assumido que a reforma está em fase de estudo e construção, remetendo para um processo gradual, sustentado em evidência científica e em boas práticas internacionais. O próprio ministro tem referido que a reorganização será acompanhada por entidades externas, como a OCDE, o que aponta para uma reflexão mais ampla sobre a organização do trabalho docente, incluindo a articulação entre professores generalistas e especialistas.

Neste quadro, a monodocência, tal como hoje existe no 1.º ciclo, não foi formalmente confirmada nem descartada. O que é claro é que a unificação dos ciclos poderá abrir espaço a alterações no atual modelo, nomeadamente através do trabalho em equipa pedagógica, da maior especialização em determinadas áreas disciplinares ou da redefinição do papel do professor titular. Ainda assim, qualquer decisão concreta dependerá de opções políticas futuras, de negociação com os parceiros educativos e da regulamentação que vier a ser aprovada.

Até ao momento, o Governo não apresentou uma proposta fechada sobre esta matéria, mantendo a questão da monodocência em aberto. Professores, escolas e comunidades educativas aguardam, por isso, esclarecimentos adicionais, numa altura em que a reorganização dos ciclos é vista como uma das mudanças estruturais mais relevantes no sistema educativo português das últimas décadas.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/a-monodocencia-vai-se-manter/

Mudanças no acesso ao ensino superior deverão entrar em vigor no próximo ano letivo

Ministro da Educação confirma reversão das regras de 2023, que impunham duas provas obrigatórias e afastaram cerca de 2.000 alunos do superior. Decreto-lei já tem pareceres positivos.

Mudanças no acesso ao ensino superior deverão entrar em vigor no próximo ano letivo

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/mudancas-no-acesso-ao-ensino-superior-deverao-entrar-em-vigor-no-proximo-ano-letivo/

1550 milhões de euros para requalificar escolas

 

Requalificar e modernizar o parque escolar até 2030:

• 1 000 M€ do BEI para 259 escolas
• 450 M€ do PRR para 110 escolas
• 100 M€ dos PO Regionais para 18 escolas

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/1550-milhoes-de-euros-para-requalificar-escolas/

Vão avançar com mudanças nos currículos, incluindo carga horária e integração do 1º e 2º ciclos

O ministro da Educação, Fernando Alexandre, anunciou esta terça-feira no Parlamento que não são só as aprendizagens essenciais de cada disciplina que vão mudar, algo que já aconteceu inclusivamente com as orientações para a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, mas também a própria matriz curricular dos vários níveis de ensino, ou seja, a distribuição das cargas horárias atribuídas a cada disciplina. Estas alterações, que estão agora a ser preparadas, devem entrar em vigor no ano letivo de 2027/28.

Ministério da Educação vai avançar com mudanças nos currículos, incluindo carga horária e integração do 1º e 2º ciclos

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/vao-avancar-com-mudancas-nos-curriculos-incluindo-carga-horaria-e-integracao-do-1o-e-2o-ciclos/

Acordo Plurianual 2026-2029 de Valorização dos Trabalhadores da Administração Pública

No âmbito deste processo negocial, o Governo mostrou-se disponível para avançar com uma extensão do acordo plurianual de valorização dos trabalhadores da Administração Pública atualmente em vigor, de modo a cobrir a atual legislatura, isto é, até 2029, propondo aumentos de 2,30%, com um mínimo de 60,52 euros.

O atual acordo, assinado em novembro de 2024 com duas das estruturas sindicais da Função Pública (a Fesap e Frente Sindical), prevê aumentos de 2,15%, com um mínimo de 56,58 euros para este ano.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/acordo-plurianual-2026-2029-de-valorizacao-dos-trabalhadores-da-administracao-publica/

Ministro da Educação defende adaptação das escolas ao uso da Inteligência Artificial

A OCDE considera que a IA tem potencial para transformar positivamente a educação e defende a criação de mais ferramentas com fins educativos, reconhecendo, ainda assim, a existência de riscos.

Ministro da Educação defende adaptação das escolas ao uso da Inteligência Artificial

O ministro da Educação afirmou esta segunda-feira que a Inteligência Artificial (IA) é uma realidade que não pode ser ignorada. Fernando Alexandre defendeu a necessidade de adaptação do sistema educativo para maximizar os benefícios e minimizar os riscos associados a esta tecnologia.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/ministro-da-educacao-defende-adaptacao-das-escolas-ao-uso-da-inteligencia-artificial/

“A idade de entrada no 1.º ciclo devia ser aos sete anos”

“Temos em Portugal estudos científicos de grande qualidade que apontam benefícios em adiar a entrada. Isso deveria ser considerado pelos decisores.”

“A idade de entrada no 1.º ciclo devia ser aos sete anos”

Inês Ferraz, psicóloga e investigadora na área do desenvolvimento infantil e educação, aponta os riscos de uma entrada precoce no 1.º ciclo

O número de crianças com seis anos a frequentar o pré-escolar triplicou numa década. Todos os anos, encarregados de educação de milhares de crianças, nascidas entre 16 de Setembro e 31 de Dezembro, têm de tomar uma decisão: passar para o primeiro ciclo ou ficar mais um ano no pré-escolar. São as chamadas “crianças condicionais”, cuja entrada está também dependente da existência de vagas. Mas se antigamente a norma era estas crianças entrarem com cinco anos no primeiro ano, a tendência está-se a inverter.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/a-idade-de-entrada-no-1-o-ciclo-devia-ser-aos-sete-anos/

Estatuto da Carreira Docente: quando é que a “procissão sairá do adro”?

À luz das informações disponíveis, parece evidente que, no total, serão necessários cerca de dois anos para se estabelecer, entre o MECI e os Sindicatos que representam os Professores, um novo Estatuto da Carreira Docente

Durante o ano de 2025 e até ao momento actual, já se realizaram várias rondas negociais entre o MECI e os Sindicatos, mas pelo “andar da carruagem”, a “procissão nunca mais sai do adro”…

Até agora, pelo que se vai conhecendo após cada reunião havida entre as partes envolvidas, não parece que exista qualquer previsão fidedigna que aponte para uma data concreta de conclusão deste processo…

Em suma, estaremos previsivelmente perante um calendário negocial do ECD que se arrastará, previsivelmente, ainda peloano de 2026, sem que pareça existir grande vontade de o apressar, pelo menos da parte da Tutela…

Por outras palavras, e sendo sarcástica, só “Deus saberá” em que ano, em que mês e em que dia se poderá, finalmente, conhecer um novo ECD… A actual revisão do ECD mais parece um processo ad aeternum, sem fim à vista…

Assim sendo, parece legítimo colocar-se esta questão:

– Este processo de revisão do ECD irá mesmo avançar ou servirá apenas para empatar e ir entretendo, ao mesmo tempo que se vão alimentando promessas longínquas?

Desde que se iniciou o referido processo negocial sobre a revisão do ECD, ter-se-ão realizado, pelo menos, seis reuniões entre o MECI e os Sindicatos de Professores… Mas, e até agora, não se conhecem quaisquer decisões particularmente relevantes daí decorrentes

Em 2023, quando o Ministro da Educação era João Costa e a FENPROF assumia o principal protagonismo na negociação com a Tutela, com vista à recuperação do tempo de serviço dos Professores, assistiu-se a um episódio próximo do caricato:

Depois de um processo negocial com a Tutela que se arrastou, penosamente, por vários meses, a FENPROF precisou de oito rondas negociais para assumir aquilo que praticamente todos já tinham depreendido há muito tempo: afinal, o Ministério da Educação não pretendia a recuperação de qualquer tempo de serviço… (Site da FENPROF, em 13 de Abril de 2023)…

Nessa altura, assistiram-se a vários simulacros de negociação, desde logo porque o Ministério da Educação nunca teve, de facto, qualquer intenção de ceder às principais reivindicações dos Professores, em particular a recuperação do respectivo tempo de serviço…

O actual titular da Pasta da Educação acabou por permitir a recuperação desse tempo de serviço, mas muitas outras reivindicações continuam sem respostas concretas, desde logo muitas questões relacionadas com a Avaliação do Desempenho Docente, com a burocracia existente nas escolas, com os mecanismos de progressão na Carreira Docente ou com o modelo de Administração e Gestão Escolar…

A par do anterior, o actual titular da Pasta da Educação, com o pretenso objectivo de “simplificar e desburocratizar” os serviços educativos, procedeu a uma reforma administrativado MECI, que muito dificilmente poderá ser interpretadacomo um incremento da desburocratização, da modernização e da simplificação desses serviços…

Na realidade, por via dessa pretendida reforma, fundaram-se tantos órgãos e criaram-se tantos cargos que se torna praticamente impossível acreditar na concretização dos desígnios alegados nos respectivos fundamentos

Por outro lado, ainda, o actual Ministro da Educação já esteve envolvido em, pelo menos, duas grandes polémicas, assazdecepcionantes, que lhe valeram forte censura:

Os Professores que andam em Manifestações perdem toda a sua aura de respeito e de autoridade, perante a sociedade;

– O pagamento do salário dos Professores ficará dependente da realização de Sumários…

Em relação à primeira, o mínimo que se poderá afirmar é que a participação em Manifestações públicas faz parte integrante da Liberdade de Expressão e que esse é um direito inalienável dos cidadãos de qualquer país democrático… Na verdade, o respeito e a autoridade também se conquistam por essa via, a não ser que se pretenda abolir o direito à Liberdade de Expressão…

Já em relação à segunda, transparece um manifesto desconhecimento acerca do funcionamento das escolas, ao mesmo tempo que se lançaram algumas suspeitas (levianas einfundadas) sobre o registo da assiduidade dos Professores

Pela acção que já se conhece da actual Tutela da Educação, fica-se com a sensação de que, até agora, o Ministro apenas foi bem sucedido naquilo que correspondia à decisão mais fácil de se tomar: permitir a recuperação do tempo de serviço dos Professores…

Os “pontos quentes” e as decisões plausivelmente mais difíceis e expectavelmente geradoras de opiniões divergentes, como a Avaliação do Desempenho Docente, a burocracia existente nas escolas, os mecanismos de progressão na Carreira Docente ou o modelo de Administração e Gestão Escolar, continuam envoltos numa nebulosa incógnita…

Para a maioria dos profissionais de Educação, a acção do anterior Ministro da Educação, João Costa, não terá deixadograndes saudades, nem boas memórias…

Veremos se Fernando Alexandre conseguirá evitar umaavaliação negativa da sua acção enquanto governante, ainda que já existam algumas evidências que não lhe são favoráveis

Veremos, também, se a FNE exercerá ou não um protagonismo semelhante ao da FENPROF em 2023, levando, mais uma vez, à decepção, à descredibilização das estruturas sindicais e à constatação de que Sindicatos obedientes e previsíveis costumam defraudar as legítimas expectativas e os interesses dos seus representados…

Paula Dias 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/estatuto-da-carreira-docente-quando-e-que-a-procissao-saira-do-adro/

Escola profissional de Leiria vai a hasta pública por falta de verbas

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/escola-profissional-de-leiria-vai-a-hasta-publica-por-falta-de-verbas/

Persona non grata, ou a importância da mediocridade – João André Costa

 

No corredor estreito da escola, onde o cheiro a giz se mistura com o do café queimado da sala de professores, caminha este professor de olhos postos no chão como quem pede desculpa por existir.

Junto ao corpo, qual bóia de salvação, segura a pasta cheia de cadernos corrigidos com uma letra paciente, quase carinhosa, e a bóia é uma metáfora para as vidas dos alunos com quem o professor pára aqui e ali para ouvir um e depois outro mais os seus receios e anseios tantas vezes à deriva.

Não era amado, não era odiado, era temido, e temer é uma forma mais prática de solidão. Diziam dele trabalhar demais, como se a dedicação fosse um vício secreto, desses praticados às escondidas, e, no entanto, fazia-o à vista de todos através do simples mester de ensinar.

Minto, pois, havia mais, e mais era ser o primeiro a chegar à escola e o porteiro ainda com o cigarro da manhã a meio, para preparar uma aula sobre Camões.

E não, não bastam os livros e como não bastam os livros toca de trazer mapas e outros tantos versos copiados à mão no entusiasmo de quem gosta verdadeiramente, quase inocentemente, um autêntico arauto de estandarte em punho cheio de perguntas e os alunos à procura das respostas.

Os alunos, surpreendidos por alguém capaz de ver em cada um deles um igual, um colega, igualmente adulto, pensante, dialogante e dialogar é falar de literatura e outras tantas obras ainda no intervalo, e porquê ir para a sala se a vida está cá fora e os livros não foram escritos dentro do colete de forças destas quatro paredes.

Os outros professores, ao ouvirem aquilo, franziam o sobrolho, porque de repente os seus alunos perguntavam por que razão as aulas deles não eram assim, e ninguém gosta de se ver reflectido ao espelho, ainda para mais se esse espelho está agora na rua.

Para toda a gente ver.

E ver o professor ficar para trás depois das aulas com um rapaz mal capaz de ler, sentado ao seu lado como um pai improvisado, soletrando palavras simples, exercitando-as ao melhor estilo dos ginastas até as mesmas ganharem peso e sentido.

O rapaz passou da retenção, tão impossível nos dias de hoje, mas ainda assim certa, para a transição esperada mas suada, e a notícia correu a escola toda, não como milagre, mas como uma acusação muda.

Se ele conseguiu, os outros professores também conseguem, e se não conseguem é porque não querem, ou então não são capazes.

E ao lado do professor, todos os colegas mal vistos.

O professor não é um colega, caso contrário não nos faria isto…

Mal vistos diante dos testes do professor, corrigidos com rigor, para não dizer primor, um rigor atento de quem não procura contar os erros, e atire a primeira pedra quem nunca errou, ao invés escrevendo longos comentários nas margens, explicando, sugerindo caminhos, oferecendo hipóteses.

E, maior milagre, os alunos não só melhoraram no seu desempenho como também queriam saber e, de repente, o mundo virado do avesso.

E os colegas, a distribuir notas como quem distribui rebuçados, são agora os murmúrios nos corredores, são este veneno discreto e infiltrado.

O mesmo veneno quando o professor se recusa a participar na “pequena” fraude coletiva de facilitar notas em nome das estatísticas e dos rankings e a escola não é uma fábrica de números.

O silêncio consequente não foi apenas pesado, foi terminal. Alguém tossiu, alguém mexeu em papéis, e ficou decidido, sem ata nem assinatura, ser aquele professor incapaz de trabalhar em equipa, um Dom Quixote a teimar com moinhos e demandas, ainda para mais se a demanda é ensinar e, pior, ensinar crianças.

Em primeiro lugar a escola, a reputação da escola, a reputação dos professores.

Em primeiro lugar os adultos, e só depois as crianças.

Em suma: o professor criava mau ambiente e o ambiente, consequentemente, fedia. O professor aborrecia os colegas e aborrecer significa elevar a fasquia, como se o problema estivesse na altura da fasquia e não na languidez de quem não quer dar o salto.

Tornou-se persona non grata sem nunca levantar a voz, sem nunca acusar ninguém, apenas insistindo em fazer bem quanto fora contratado.

Quando o professor, por escolha dos alunos, discursou na cerimónia de final de ano, fê-lo pela última vez. Falou de esforço, de tentativas e erros, de resiliência, paciência, método e o método não é apenas para os alunos, mas para os colegas ali sentados a ouvir aquelas palavras de pedra e de pau a bater-lhes no corpo.
Quando o despediram, falaram em reestruturação, em falta de encaixe no projeto pedagógico, falaram em palavras ocas e as palavras ocas são salas vazias.

Saiu com a mesma pasta, agora mais leve, deixando para trás uma escola a respirar de alívio, onde tudo voltou ao normal, essa normalidade confortável e medíocre onde ninguém se destaca e ninguém é obrigado a olhar para si próprio.

Porque só através do método consegue o Homem atingir a imortalidade, rematou, mas não aqui, não nesta escola, não com estes professores.

E, no entanto, vá-se lá saber porquê, para os alunos este professor ficou para sempre.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/persona-non-grata-ou-a-importancia-da-mediocridade-joao-andre-costa/

Reserva de Recrutamento 30 2025/2026

Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 30.ª Reserva de Recrutamento 2025/2026.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira, dia 19 de janeiro, até às 23:59 horas de terça-feira, dia 20 de janeiro de 2026 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Listas – Reserva de Recrutamento nº30 – 2025/2026

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2026/01/reserva-de-recrutamento-30-2025-2026/

Load more