Fascismo é proibir atos banais sem lei. Entra devagar, mas instala-se. – Luís Sottomaior Braga

Hitler e Mussolini não se fizeram de leis mas de “rigulamentos”….
(Os nazis proibiram, logo no começo, os judeus de ter gatos….)
Vai uma grande confusão na cabeça duns dirigentes escolares, pouco lidos, sobre a questão do telemóvel usado pelos professores.
As notícias do Correio da Manhã e da TVI vieram dar mais visibilidade ao debate, bem como o texto do Luís Osório.
1. USAR NA SALA DE AULA.
Se se usar para trabalhar, com que lógica ou legitimidade se proibe?
Se proibirem esse uso pelo simbolismo de o acesso à internet e aplicações ser feito através do telemóvel, objeto totem proibido, vão proibir o uso do próprio computador ou dos chaços que o ministério nos atribui?
Qual é a diferença prática e de efeito?
Alguém desses “exemplares” proibicionistas sabe o que é BYOD?
Até para os alunos, o uso em sala de aula é permitido se for para trabalhar….
2. USAR FORA DA SALA DE AULA na circulação pelas instalações em corredores ou cantina, em tempo livre de intervalo.
Mais uma vez um problema de fundamento.
Qual o fundamento de proibir ou limitar (às salas de professores e WC) o uso de um objeto pessoal, em tempo livre e cujo uso não tem efeitos negativos sobre ninguém (o utilizador é adulto, maior e vacinado)?
O argumento de que nos cinemas não se pode usar não colhe porque não são todos os usos que estão proibidos (são só os que incomodam o resto da plateia).
Ando a reler um livro pesado chamado “Os carrascos voluntários de Hitler” (um livro que não é para menores de 16 anos, claramente).
Se levar o grosso calhamaço para ler na cantina, enquanto almoço, podem proibir porque verem-me a ler pode influenciar os alunos a quererem ler?
Até o faço….não ando a reler em papel….mas no telemóvel.
(Era bom que o exemplo docente fosse assim tão eficaz. Não é. A intenção de proibir não tem nada a ver com “exemplos” mas pura e simples repressão e falhanço da escola, que não impõe regras aos alunos só porque são regras….e precisa desculpas)
Proibições de atos livres sem fundamento são ilegais.
Com lei, é lei. Não precisa de “exemplos”.
3. Acresce que não há lei proibitiva. Como vão proibir, apenas com um regulamento feito em casa (e com os pés), que dependeria de lei prévia (lei habilitante)?
O argumento do exemplo é um absurdo.
Quantos pais e mães bebem o seu copinho de vinho tinto, saudável e normal, ao jantar e as crianças veem?
Vão para a abstinência forçada, para exemplo?
Antigamente, há séculos, havia uma teoria de abordagem da infância chamada do homúnculo (as crianças eram humanos crescidos em ponto pequeno).
Vamos ter agora a teoria do puerúnculo?
Demos a volta e os adultos são crianças, limitadas nos atos, em nome do suposto exemplo?
E se alguns senhores diretores ganhassem juízo e dessem exemplos na cidadania e não na construção de escolas repressivas e violadoras da lei?
E os membros docentes de conselhos gerais serem exemplos de garantes da lei e não dos devaneios proto-totalitários de diretores?
(Agora que o diretor dos diretores perdeu a junta de freguesia tem mais tempo para pensar nestas coisas e conversar e esclarecer os seus colegas, aproveitando a sua formação jurìdica de base. E os sindicatos já deviam ter tomado posição clara)
Luís Sottomaior Braga

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11 comentários

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    • OraBolas on 22 de Outubro de 2025 at 13:01
    • Responder

    É evidente que não se pode proibir, mesmo porque é de todo ilegal, um adulto, (professor, funcionário, AT), de usar telemóvel no espaço escolar.
    Mas parece-me ser de bom senso os adultos darem o exemplo.
    Se eu consigo durante o meu tempo de trabalho não usar tlm, os alunos também conseguem.
    Se eu não saio da sala de aula para ir ao WC, (porque vou antes), sair para ir buscar uma garrafa de água, ou qualquer outra desculpa esfarrapada que os alunos estão sempre a inventar para sair da sala de aula, os alunos também não saem.
    Do mesmo modo também nada trago para comer durante as aulas, nem saio porque me esqueci de ir comprar uma borracha.
    Ou até mesmo meninas, pré-adolescentes e adolescentes a maquiarem-se nas aulas, também não vou para a saa fazer a barba.
    Tudo exemplos de coisas que já me ocorreram.
    Quem dá aulas todos os dias, em locais difíceis do país e com turmas difíceis, sabem que os alunos são assim.
    É completamente estapafúrdio proibir os adultos de usarem o tlm na escola, mas parece-me de bom tom não o fazerem.
    Do mesmo modo parece-me de bom tom não fumarem á porta da escola, mas há quem o faça.
    Cada um sabe de si.

    • Raf on 22 de Outubro de 2025 at 13:03
    • Responder

    A palavra fascismo tem um peso histórico e político muito específico. Não significa simplesmente “autoritarismo” ou “proibição sem sentido” como o que está descrito no texto. O fascismo foi um regime político totalitário, surgido na Itália de Mussolini e levado ao extremo na Alemanha de Hitler, caracterizado pela: supressão das liberdades individuais; censura e propaganda estatal; culto do líder e do Estado; repressão violenta de opositores; fusão entre poder político, militar e económico; racionalismo extremo e racismo institucionalizado. Enfim, excetuando o último ponto também não foge muito ao decorreu nas décadas de existência da União Soviética e do países do Pacto de Varsóvia porque estes aspectos enquadram-se mais nos conceitos de autoritarismo e de totalitarismo, seja de esquerda ou de direita (ideais à parte).

    Aplicar o termo “fascismo” a regras ou regulamentos escolares — mesmo que mal concebidos — é um erro conceptual. A existência de normas internas, ainda que discutíveis, não constitui um regime totalitário, especialmente quando: não há coerção ideológica ou perseguição política; as decisões são tomadas dentro de uma estrutura democrática e podem ser contestadas sem perigo de vida; não há eliminação de direitos fundamentais nem imposição de culto a um líder ou ideologia.

    O caso descrito — a proibição do uso de telemóveis — pode ser burocrático, excessivo ou mal fundamentado, mas não é fascismo. É mais um exemplo de autoritarismo administrativo ou falta de bom senso pedagógico, não de tirania política.

    Se quisermos falar em “fascismo” metafórico, corremos o risco de esvaziar o termo de significado, banalizando um fenómeno que custou milhões de vidas e destruiu liberdades reais.

    O debate sobre o uso de telemóveis nas escolas é legítimo, mas deve ser feito em termos de pedagogia, privacidade e autonomia profissional, não com rótulos históricos desajustados porque dá a entender que o autor tem uma agenda política a cumprir.

    Vou mais longe ainda ao advertir que é precisamente este uso irresponsável deste termo para tudo o que pessoas de determinadas orientações política não concordam que está a levar a uma gradual aceitação do fascismo nas novas gerações e possivelmente poderá resultar no seu regresso no futuro. Temos de ter um pouco de consciência antes de escrever estes artigos e de andarmos a gritar “fascismo” contra tudo o que não concordamos.

      • Vigário do Conto on 22 de Outubro de 2025 at 14:29
      • Responder

      Oh, Raf, não vá ao chat para escrever! Lembre-se que ele só aprende aquilo que o Raf lhe ensina e quer vossa Excelência ensinar História a um historiador?! É evidente que o Luís tem tida a razão, quer jurídica, quer histórica!

        • Raf on 22 de Outubro de 2025 at 21:02
        • Responder

        Tendo agora lido um pouco acerca dele, constantemente às turras com direções e a fazer greve de fome… Pronto, o seu idealismo é louvável. Contudo, sendo ele professor de história, a ligação que ele faz entre o modus operandi de uma escola e o fascismo ainda deixa-me mais perplexo.

          • C on 23 de Outubro de 2025 at 14:47

          Ainda deixa-lhe? É diretor de certeza, caro Raf!

    • Jeniffer lopes on 22 de Outubro de 2025 at 15:59
    • Responder

    Uma piada do Luis…..
    Quem não se lembra de quando foste presidente em darque….
    Quem em viana naose recorda das tuas atoardas como presidente, essas sim déspotas.
    Quem Não percebeu que nunca fizeste uma licenciatura em Direito ….e usas linguagem tasqueira na tua sapiencia juridica…
    Nunca ganhaste uma eleição e isso ressabia…
    Oh Luis tens uma vida?????

    • on 22 de Outubro de 2025 at 16:12
    • Responder

    A palavra fascismo incomoda?
    Devia incomodar mais a sua VIVÊNCIA NAS ESCOLAS DESDE 2008.

    • Zé das Couves on 22 de Outubro de 2025 at 18:26
    • Responder

    esquerdalh0 woke nas escolas é que devia estar a incomodar os pais e as famílias!

      • PilhaMalas on 22 de Outubro de 2025 at 20:29
      • Responder

      Cheganice é que preocupa e muito. Já tivemos mais de 50 anos cheganos em Portugal. A diferença é que os antigos chegas sabiam que o Estado era para ser forte na saúde e na educação respeitando os respetivos trabalhadores. Em contrapartida os cheganos actuais são mais ignorantes, grunhos e acham que o Estado, que somos todos, é para delapidar para fomentar negociatas privadas sem respeito por aqueles que trabalham e que tudo sustentam!

    • Zedasdokas on 22 de Outubro de 2025 at 19:11
    • Responder

    FASCISMO…
    UMA PALAVRA FORTE…
    TROTSKISMO UMA PALAVRA DOCE..
    FLOTILHA …FOGE QUE VAI ACABAR…
    AHHHHHH

    • João on 23 de Outubro de 2025 at 17:42
    • Responder

    O dr. Braga podia falar em Lenine (anterior a Hitler ou a Mussolini), Estaline, Mao, Pol Pot ou outros heróis da esquerda, mas fica sempre melhor vir com a conversa do fascismo.

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