Cujo sonho era, simplesmente, e acreditem, ensinar e no caso dele ensinar sobre plantas, bichos e rochas e entre plantas, bichos e rochas trazer as plantas, bichos e rochas para dentro da sala de aula.
Ou então, e melhor ainda, virar o mundo ao contrário no sentido inverso à sala de aula, assim devolvendo à Natureza todos os alunos do mundo para com a Natureza e pela Natureza poderem maravilhar-se todos os dias.
A fórmula não é complicada: basta usar o pátio da escola e, na ausência dos bichos mais o seu péssimo hábito de fugir, pôr mãos à obra e catalogar todas as espécies arbustivas e arbóreas nele existentes sem esquecer as suas características.
Comecemos pela Duranta, arbusto ornamental ao longo do perímetro da escola e antes da vedação, com as suas pequenas flores lilases e frutos dourados, usado como sebe devido à sua rapidez de crescimento.
Continuemos pelo recreio e no recreio as árvores na sua eterna e paciente vigilância a testemunhar gerações atrás de gerações de alunos e professores enquanto lentamente espreguiçam os ramos e as folhas em direção ao céu.
Excepção feita para o Chorão na sua melancolia a devolver toda a verdura à terra ao longo de longos ramos pendentes, uma das poucas árvores de folha caduca presentes.
E por falar em folha caduca, aqui está o Choupo-branco, facilmente identificável pela sua casca acizentada ou branca cujas fissuras se acentuam com a idade tanto no tronco como no chão ao redor mais o contínuo a lamuriar a má sorte de quem tem aqui um problema dos grandes.
Mas na árvore ninguém toca!
Não esqueçamos o Pinheiro-manso a fazer as delícias dos mais novos e quem nunca comeu pinhões faça o favor de se acusar.
E se o jovem professor pudesse ter uma árvore, se tivesse um terreno e solo sem fim para enterrar as raízes de uma vida, essa árvore seria a Oliveira e na Oliveira o país de Saramago ao chegar a casa e todos os dias poder voltar a casa neste abraço sem fim a uma árvore.
Em vez de continuar à espera e tantas vezes à espera de nada se nada há no regresso.
Mais vale não voltar.
Era uma vez um jovem professor cheio de sonhos, inocência e vontade de ensinar, trabalhar, viver e tudo estaria bem não fosse o caso de o país não deixar e não querer nem este nem tantos outros milhares, e quando digo milhares digo muitos milhares, de jovens sem outra solução senão partir para parte incerta.
E na sua diáspora deixar para trás um país ignaro e incapaz de identificar uma árvore só.
Cruzei-me com ele há uns anos aqui nesta escola a falar numa outra língua e a viver outra vida sorridente diante de um grupo de catraios e todos juntos de pé e de cócoras enquanto, uma a uma, nomeavam todas as árvores do jardim.
Sem esquecer aqui um esquilo e ali uma raposa mais as suas crias e, afinal, os bichos não fogem.
Alguém tem um amendoim?
João André Costa




12 comentários
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Já não há paciência para textinhos lamechas
Mas vê lá se não leste? Lol 😂
A primeira linha chegou
De facto, já enjoa! Não consegui passar da segunda frase.
Já não há é paciência para tanta professorinha ufana para na respetiva terceira idade sustentar filhos, netos, zaras e primores!
Reformem mais cedo e com justiça reponham o que roubaram aos que foram cobaias nas mãos de políticos e diretores pimba!
Afastem de vez os pirómanos da politiquice, isto é coisa séria e precisa é de gente boa e sem cheganices! Cansados, estamos cansados! Parem a corrupção e o gozo a quem trabalha.
Eu sou professor e espero textos de qualidade para um espaço que é dedicado a nós!
Mas que cara***!! Mais uma historieta da carochinha?
Comparo estes textos a música de arraial pimba, só para quem papa tudo que lhe põem à frente….
Este blog já foi util, agora é ferramenta da politiquice tb
Até estou surpreendido que ninguém fez a analogia do estado do país com as árvorezinhas.
Vamos lá então:
Era uma vez um jardim à beira mar plantado, com árvores autóctones como o sobreiro, a azinheira, o carvalho-português, o pinheiro-manso, o pinheiro-bravo, o medronheiro e o loureiro. Elas viviam num ecossistema estável mas foram crescendo e bloqueando o sol direto das mais pequenas.
Então os ratos convenceram-nas de que a solução seria convidar outras espécies que crescem muito mais rápido e tornam-se bastante mais altas, de forma a punirem as árvores maiores. Os eucaliptos foram então convidados, num grande festival de diversidade e inclusão. As árvorezinhas acreditaram mesmo que através disto, poderiam crescer a um maior ritmo do que as grandes, já que pouco sol recebiam logo à partida.
Tudo pareceu bom no início, mas o final foi trágico: o eucalipto multiplicou-se parasiticamente e secou os recursos todos, desde a água e luz solar, aos nutrientes na terra. As árvorezinhas foram as primeiras a sofrer as consequências e muitas iam desfalecendo. As grandes iam agentando-se com maior firmeza e continuavam a não perceber as queixas das árvorezinhas. Afinal de contas, tinham sido elas que tinham convidado aquelas que agora apelidavam de “parasitas”.
Mas depois chegou o factor x: uma beata acesa atirada da janela de um carro. Algo um acidente externo com consequências desastrosas. O ecossistema outroramente estável e resistente, agora mudado pegou fogo com uma facilidade enorme e todas arderam até às cinzas.
E os únicos que safaram-se foram os ratos.
Os eucaliptos são os primários e os do ensino especial.
Acho muita piada! O desprestígio social dos professores e o baixo nível salarial de uma classe inteira deve-se a esses. Fizeram um magistério ou EsE, não sabem falar, nem estar e ganham o mesmo que aqueles que fizeram cursos exigentes. Agora querem ainda mais. Já sabiam ao que iam quando escolheram ou só tiveram notas para entrar no magistério.
Culpa da FNE: criou carreira única! Essa ex-freira e ex-professora primária de nome Manuela Teixeira, sindicalista de sete costados quis também brincar a professora do superior e quando saiu com choruda reforma ainda semeou coleginhos criou um instituto para onde armada em grande académica e com pandilha de amigos sindicais semeou burocracias e grilhões para todos os professores em nome das autodenominadas ciências da educação: era cursinhos de grelhas e supervisões pedagógicas, de excel e gestão escolar, de tudo menos de ciência e de saber. Professores, não! Grelhadores de verdadeiros professores com beneplácidos e regalias para se aproveitarem de verdadeiros professores e em xico esperteza fazer da vida dos do secundário um inferno de grelhas e autojustificacoes avaliarivas (como se esses precisassem ou tivessem tempo para brincadeiras).
Já para não falar dos que chegaram ao topo antes dos 60 e até a cargos de direção em agrupamentos com secundário.
Sim, são esses e os quadrados de EF que parecem sargentos lateiros da tropa!