Era uma vez um jovem professor – João André Costa

 

Cujo sonho era, simplesmente, e acreditem, ensinar e no caso dele ensinar sobre plantas, bichos e rochas e entre plantas, bichos e rochas trazer as plantas, bichos e rochas para dentro da sala de aula.
Ou então, e melhor ainda, virar o mundo ao contrário no sentido inverso à sala de aula, assim devolvendo à Natureza todos os alunos do mundo para com a Natureza e pela Natureza poderem maravilhar-se todos os dias.
A fórmula não é complicada: basta usar o pátio da escola e, na ausência dos bichos mais o seu péssimo hábito de fugir, pôr mãos à obra e catalogar todas as espécies arbustivas e arbóreas nele existentes sem esquecer as suas características.
Comecemos pela Duranta, arbusto ornamental ao longo do perímetro da escola e antes da vedação, com as suas pequenas flores lilases e frutos dourados, usado como sebe devido à sua rapidez de crescimento.
Continuemos pelo recreio e no recreio as árvores na sua eterna e paciente vigilância a testemunhar gerações atrás de gerações de alunos e professores enquanto lentamente espreguiçam os ramos e as folhas em direção ao céu.
Excepção feita para o Chorão na sua melancolia a devolver toda a verdura à terra ao longo de longos ramos pendentes, uma das poucas árvores de folha caduca presentes.
E por falar em folha caduca, aqui está o Choupo-branco, facilmente identificável pela sua casca acizentada ou branca cujas fissuras se acentuam com a idade tanto no tronco como no chão ao redor mais o contínuo a lamuriar a má sorte de quem tem aqui um problema dos grandes.
Mas na árvore ninguém toca!
Não esqueçamos o Pinheiro-manso a fazer as delícias dos mais novos e quem nunca comeu pinhões faça o favor de se acusar.
E se o jovem professor pudesse ter uma árvore, se tivesse um terreno e solo sem fim para enterrar as raízes de uma vida, essa árvore seria a Oliveira e na Oliveira o país de Saramago ao chegar a casa e todos os dias poder voltar a casa neste abraço sem fim a uma árvore.
Em vez de continuar à espera e tantas vezes à espera de nada se nada há no regresso.
Mais vale não voltar.
Era uma vez um jovem professor cheio de sonhos, inocência e vontade de ensinar, trabalhar, viver e tudo estaria bem não fosse o caso de o país não deixar e não querer nem este nem tantos outros milhares, e quando digo milhares digo muitos milhares, de jovens sem outra solução senão partir para parte incerta.
E na sua diáspora deixar para trás um país ignaro e incapaz de identificar uma árvore só.
Cruzei-me com ele há uns anos aqui nesta escola a falar numa outra língua e a viver outra vida sorridente diante de um grupo de catraios e todos juntos de pé e de cócoras enquanto, uma a uma, nomeavam todas as árvores do jardim.
Sem esquecer aqui um esquilo e ali uma raposa mais as suas crias e, afinal, os bichos não fogem.
Alguém tem um amendoim?

 

João André Costa

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/10/era-uma-vez-um-jovem-professor-joao-andre-costa/

12 comentários

Passar directamente para o formulário dos comentários,

    • Chorão on 25 de Outubro de 2025 at 7:39
    • Responder

    Já não há paciência para textinhos lamechas

      • Luísa on 25 de Outubro de 2025 at 11:04
      • Responder

      Mas vê lá se não leste? Lol 😂

        • Chorão on 25 de Outubro de 2025 at 17:48
        • Responder

        A primeira linha chegou

      • Luluzinha! on 25 de Outubro de 2025 at 19:24
      • Responder

      De facto, já enjoa! Não consegui passar da segunda frase.

    • VT on 25 de Outubro de 2025 at 10:34
    • Responder

    Já não há é paciência para tanta professorinha ufana para na respetiva terceira idade sustentar filhos, netos, zaras e primores!

      • Hoder! on 26 de Outubro de 2025 at 7:33
      • Responder

      Reformem mais cedo e com justiça reponham o que roubaram aos que foram cobaias nas mãos de políticos e diretores pimba!
      Afastem de vez os pirómanos da politiquice, isto é coisa séria e precisa é de gente boa e sem cheganices! Cansados, estamos cansados! Parem a corrupção e o gozo a quem trabalha.

    • Profeta da (des) graça on 25 de Outubro de 2025 at 17:35
    • Responder

    Eu sou professor e espero textos de qualidade para um espaço que é dedicado a nós!
    Mas que cara***!! Mais uma historieta da carochinha?

    Comparo estes textos a música de arraial pimba, só para quem papa tudo que lhe põem à frente….

      • Atrás de tacho on 26 de Outubro de 2025 at 0:09
      • Responder

      Este blog já foi util, agora é ferramenta da politiquice tb

    • Um carvvvvvvalho on 26 de Outubro de 2025 at 1:21
    • Responder

    Até estou surpreendido que ninguém fez a analogia do estado do país com as árvorezinhas.

    Vamos lá então:

    Era uma vez um jardim à beira mar plantado, com árvores autóctones como o sobreiro, a azinheira, o carvalho-português, o pinheiro-manso, o pinheiro-bravo, o medronheiro e o loureiro. Elas viviam num ecossistema estável mas foram crescendo e bloqueando o sol direto das mais pequenas.

    Então os ratos convenceram-nas de que a solução seria convidar outras espécies que crescem muito mais rápido e tornam-se bastante mais altas, de forma a punirem as árvores maiores. Os eucaliptos foram então convidados, num grande festival de diversidade e inclusão. As árvorezinhas acreditaram mesmo que através disto, poderiam crescer a um maior ritmo do que as grandes, já que pouco sol recebiam logo à partida.

    Tudo pareceu bom no início, mas o final foi trágico: o eucalipto multiplicou-se parasiticamente e secou os recursos todos, desde a água e luz solar, aos nutrientes na terra. As árvorezinhas foram as primeiras a sofrer as consequências e muitas iam desfalecendo. As grandes iam agentando-se com maior firmeza e continuavam a não perceber as queixas das árvorezinhas. Afinal de contas, tinham sido elas que tinham convidado aquelas que agora apelidavam de “parasitas”.

    Mas depois chegou o factor x: uma beata acesa atirada da janela de um carro. Algo um acidente externo com consequências desastrosas. O ecossistema outroramente estável e resistente, agora mudado pegou fogo com uma facilidade enorme e todas arderam até às cinzas.

    E os únicos que safaram-se foram os ratos.

      • Hoder! on 26 de Outubro de 2025 at 7:23
      • Responder

      Os eucaliptos são os primários e os do ensino especial.
      Acho muita piada! O desprestígio social dos professores e o baixo nível salarial de uma classe inteira deve-se a esses. Fizeram um magistério ou EsE, não sabem falar, nem estar e ganham o mesmo que aqueles que fizeram cursos exigentes. Agora querem ainda mais. Já sabiam ao que iam quando escolheram ou só tiveram notas para entrar no magistério.
      Culpa da FNE: criou carreira única! Essa ex-freira e ex-professora primária de nome Manuela Teixeira, sindicalista de sete costados quis também brincar a professora do superior e quando saiu com choruda reforma ainda semeou coleginhos criou um instituto para onde armada em grande académica e com pandilha de amigos sindicais semeou burocracias e grilhões para todos os professores em nome das autodenominadas ciências da educação: era cursinhos de grelhas e supervisões pedagógicas, de excel e gestão escolar, de tudo menos de ciência e de saber. Professores, não! Grelhadores de verdadeiros professores com beneplácidos e regalias para se aproveitarem de verdadeiros professores e em xico esperteza fazer da vida dos do secundário um inferno de grelhas e autojustificacoes avaliarivas (como se esses precisassem ou tivessem tempo para brincadeiras).

      1. Já para não falar dos que chegaram ao topo antes dos 60 e até a cargos de direção em agrupamentos com secundário.

          • VF on 27 de Outubro de 2025 at 13:47

          Sim, são esses e os quadrados de EF que parecem sargentos lateiros da tropa!

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Discover more from Blog DeAr Lindo

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading