Plano de transição digital nas escolas. Como vai ser?
Ausência de estratégias de distribuição, apoio e manutenção dos equipamentos informáticos e falta de recursos humanos nos estabelecimentos de ensino. Estas são duas das preocupações da Associação Nacional de Professores de Informática.

A transição digital é um plano bem-vindo para as escolas. A construção de uma sociedade digital, como uma oportunidade de desenvolvimento a vários níveis, é essencial para a inovação e conhecimento. No entanto, há dúvidas e várias questões. A Associação Nacional de Professores de Informática (ANPRI) está preocupada com a ausência de estratégias de distribuição, apoio e manutenção dos equipamentos informáticos e falta de recursos humanos nos estabelecimentos de ensino. A Comissão Europeia, por seu turno, garante que vai apoiar a comunidade escolar da União Europeia a aumentar as competências digitais.
A ANPRI congratula-se com o Plano de Transição Digital. Os professores de Informática concordam com a implementação do Programa Escola Digital Kit de Computador e de Conectividade, que disponibilizará um computador com acesso à internet a cada aluno e professor. Mas há outras questões. A começar pelo facto da maioria dos agrupamentos escolares não ter um técnico de informática para desempenhar as atividades previstas e escritas num guião distribuído em novembro. “Estas tarefas, a serem realizadas por professores de Informática ou outros docentes, constituem um claro abuso das suas competências definidas no Estatuto da Carreira Docente”, avisa a ANPRI, em comunicado.
A não assunção do perfil, das atividades, e do tempo a atribuir à Equipa de Desenvolvimento Digital de cada escola, é outro problema. Segundo a associação, deixar a definição desta situação ao critério dos órgãos de gestão das escolas “não é correto e não é coerente com a linha de atuação dos outros projetos em vigor”.
A segurança dos alunos, que passam a transportar mais equipamentos, “e quem está nas escolas tem a noção dos roubos, quer no interior das escolas, quer nas imediações”, e a ausência de um envelope financeiro, seja do Ministério da Educação, seja por parte dos municípios, “para o reforço das estruturas, cablagens e tomadas elétricas e o provável aumento da potência da eletricidade”, são outros pontos levantados pela ANPRI.
“Apoiamos a intenção de que os computadores, apenas, sejam cedidos aos alunos e não doados. A situação garante o acesso a todos os alunos à tecnologia como meio de aprendizagem e garante que os equipamentos continuem ao serviço da comunidade educativa da respetiva escola, evitando o erro da estratégia do passado Plano Tecnológico da Educação”, sublinha.
Definir perfil e âmbito de ação
A ANPRI ouviu os professores de Informática e sugere algumas soluções, nomeadamente criar uma equipa de transição digital nas escolas, bem como definir o perfil e âmbito de ação “assente em princípios pedagógicos e didáticos, atribuindo um tempo mínimo semanal definido pela tutela, à imagem dos embaixadores e coordenadores dos outros projetos”. A contratação de, pelo menos, um assistente operacional ou administrativo com competências de técnico de informática é outra proposta.
A ANPRI refere ainda que não é claro como devem as escolas proceder, na prática, se um computador for danificado, “sem ser uma avaria justificada ou pelo desgaste do equipamento ou vendido, se relembramos o passado dos computadores Magalhães”. E, além disso, em seu entender, “não está definida a reposição e manutenção gradual, para que daqui a uns anos não seja necessário outro grande plano tecnológico”.
“Parece-nos evidente que deveríamos ser capazes de tirar ilações da fase complexa que vivenciamos nos últimos meses. A vida encarregou-se de nos mostrar, e a toda a comunidade educativa, que as escolas não podem continuar com estruturas e equipamentos tecnológicos frágeis e obsoletos. Face à necessidade de reagir a uma situação imprevisível e complexa, teria sido mais fácil, se as escolas tivessem equipamentos para poder disponibilizar aos alunos que os não possuíam”, sustenta.
A pandemia acelerou a utilização das tecnologias digitais, porém, há muitas famílias sem acesso a computadores e à internet. A Comissão Europeia quer ajudar nessa transição digital da comunidade educativa. “A Comissão Europeia vai apoiar professores e alunos a aumentar competências a nível digital”, referiu Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, numa mensagem que abriu a III Cimeira Europeia da Educação, em formato de videoconferência. “É admirável como professores, alunos e escolas cooperaram nestes tempos de coronavírus, é a resiliência no seu melhor e um exemplo a seguir”, acrescentou.




11 comentários
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E digo mais…
Estes pcs deveriam ter integrados no hardware um localizador.
Simular um roubo é uma coisa muito fácil, principalmente em certos meios.
Não percebi esta afirmação meia “pidesca”, pode explicar melhor?…
Informa-se filho.
Um processo de “empréstimo” e manutenção de qualquer dispositivo eletrónico exige logística continuada que não existe nas escolas.
O governo através dos seus ministros e secretários de estado não sabem nada relativo ao funcionamento de uma escola. Pensam que sabem mas não sabem… lamento.
Que Plano Digital?
Aquele que, logo à partida, poderá ficar inviabilizado pelo simples facto de uma escola não ter um acesso à internet capaz de lhe permitir, por exemplo, a realização de reuniões pelas plataformas Teams ou Zoom? Com “sinais” tão “fraquinhos” que não permitem reuniões a distância?
E não estou a falar de escolas situadas no mais recôndito Interior do país, estou a falar de escolas situadas na Grande Lisboa…
Quando se constroem casas pelo telhado, o mais expectável é que o edifício colapse, por falta de alicerces ou de bases de sustentação…
Constroem-se planos digitais e tecnológicos, por certo, fantásticos e muito competentes, mas esquece-se, quase sempre, o essencial e o mais básico ou então parte-se do princípio (errado) de que todas as escolas do país estão devidamente capacitadas para aceder sem limitações à rede de internet…
Ou se trata de desconhecimento da real situação das escolas ou, conhecendo-se, faz-se de conta que tudo funciona muito bem… Quantas escolas já reportaram as dificuldades de aceder à rede de internet ao ME? E se reportaram, que soluções foram alvitradas pelo ME?
Sinais fraquinhos? Quantos telemóveis de alunos estão ligados à rede da escola e porque não os bloqueiam?
Os meus conhecimentos técnicos em termos informáticos, nomeadamente sobre redes informáticas, são praticamente nulos, ainda assim arrisco perguntar, mesmo que as perguntas sejam muito parvas:
A ligação de telemóveis à rede da escola, influencia a intensidade do sinal disponível e pode impedir o acesso a plataformas digitais como o Teams ou o Zoom? Ou são coisas diferentes, sem influência recíproca?
A quantidade de acessos simultâneos influencia proporcionalmente a qualidade do sinal. A intensidade da influência depende de capacidade e qualidade do sinal.
A escola pode definir uma rede para os alunos e outra para trabalho… Assim, o excesso de acesso por parte dos alunos não influenciava… E quando se usa o Teams/Zoom, à partida (suponho eu), os alunos não estarão na escola a essa hora… Mas sim, em quase todas as escolas onde estive, há salas, pavilhões, etc, onde a internet chega lenta ou nem sequer chega. Não é assim tão raro… Mas pagar uns routers/repetidores de sinal, etc, ninguém paga…
Eu alvitro , tu alvitras ele alvitra………
Obrigada, Sorceress e Nuno Sá pelos vossos esclarecimentos.