Carta ao Senhor Primeiro Ministro

Estimado Senhor Primeiro Ministro,
Permita-me dar-lhe os parabéns por estar a ponderar agir, é preciso coragem!
O Senhor teve um ato de coragem em março, depois ficou cansado e andou a fazer-se de morto só a  distribuir esperança e banalidades (que o povo gosta de ouvir, por isso eu entendo), mas 10 meses depois parece que está de volta! Ufa, folgo em saber, já sentia a sua falta!
Entendo que esta lhe tenha faltado aquando da Festa do Avante e do Congresso do PCP (quem quer ter os comunistas contra si em plena aprovação do orçamento?), da Fórmula 1 (então e as elites que tanto gostam de assistir ao vivo iam perder o espetáculo e ficar tristes consigo? Não, isso também não dava jeito), entre outros disparates mais pequenos eis que chegarmos ao Natal… Se deixámos o PCP e as Elites festejar, também temos de deixar o povo!
Resultado, como há mais povo (todos nós) do que comunistas e malta da elite, tramamos isto tudo e os números notam-se mesmo, são exorbitantes e sem hipótese de “disfarçar”, seja de que forma for, de modo a fazer para parecer que não existiram consequências.
Desta vez, a sua decisão de permitir que o povo conviva no Natal teve consequências demasiado graves. Por muito que goste do Senhor, há que dizê-lo com frontalidade: Esteve mal.
Esteve mal porque não dá para esconder nem disfarçar os 10.000 casos dias, mais as 90 mortes diárias, os hospitais a abarrotar e já a partilharem que estão a adiar várias cirurgias inclusive cirurgias oncológicas!
Sr. Primeiro Ministro, as consequências da sua decisão não são só as Mortes por COVID (que só por si já são imensas) mas todas as outras que estão a ocorrer por outras doenças que não estão a ser tratadas.
Queria alertá-lo Senhor Primeiro Ministro que agora tem mesmo de ser. Urge que o Senhor respire fundo e é essencial que o Senhor proteja esse coração pois eu sei que não é fácil as pessoas não gostarem de nós e não acatarem com um sorriso as medidas que tomamos. É tão mais fácil dar, não é Senhor Primeiro Ministro?
Eu sei que não foi para lidar com situações destas que o Senhor se candidatou, é preciso ter galo…
Mas sabe Senhor Primeiro Ministro, dar aumentos, descer impostos, ativar as progressões na carreira, contratar pessoal, esse género de medidas, qualquer um faz, isso é para os fracos. Difícil mesmo é tomar as medidas que desagradam ao povo, mas os protege a eles, às suas famílias e a quem os rodeia, e eu sei que o Senhor é dos fortes… só ainda não nos conseguiu demonstrar isso.
Estamos certamente de acordo que é preciso agir e, ainda agora, o telejornal abriu a dizer que o Senhor vai agir, parabéns!
Agora, escrevo-lhe porque fiquei assustada com o disparate que ouvi e estou cada vez mais preocupada com o quão sozinho o Senhor se deve sentir rodeado de cérebros brilhantes, mas totalmente desprovidos de coragem. Estou aqui Senhor Primeiro Ministro para o ajudar, pode contar comigo!
Vamos lá então: É uma estupidez fechar o comércio, a restauração, os serviços, mandar os adultos para casa, voltar a um confinamento e obrigar as criancinhas a ir à escola!
Viu, é simples!
Passo a explicar para que não restem dúvidas sobre o raciocínio que é simples: Parte das criancinhas não usam máscara porque vossas excelências consideram que nessas idades não precisam. Outras usam, mas como são crianças, levantam as máscaras para respirar “um bocadinho”, roer as unhas, coçar o nariz, espirrar (que não querem máscaras molhadas) tossir (que não querem receber de volta os seus perdigotos), sem falar em fazer as aulas de educação física que resolveram decidir que deveriam ser feitas sem máscara (o que é de génio pois pegam em bolas com as mãos e passam uns aos outros, ou têm contacto físico direto nos mais variados desportos), etc… depois, vão dar aquele abraço ao amiguinho, ou pegar num brinquedo, num livro, em material escolar com aquelas mãozinhas que estiveram na boca e no nariz.
Está a acompanhar?
Por um lado, pede sacrifício à malta trabalhadora, aos empresários, a todos os adultos que trabalham porque têm de se sustentar a si e às suas famílias. Pede para que todos coloquemos em risco os nossos trabalhos. Mas por outro lado, esse esforço não serve para nada porque continuamos a levar os filhos à escola para que estes se assegurem que trazem o vírus para casa. Está a ver a lógica?
Mata-nos financeiramente e mata-nos mesmo literalmente!
Senhor Primeiro Ministro, estou farta disto, como o Senhor deve estar e todos os que tenho falado e lido estão portanto, que tal ser um pouco mais efetivo em vez de nos matar aos pouquinhos?
Quer fechar? Feche! Feche de uma vez (decisão que na minha opinião só peca por tardia) mas não mande as crianças para as escolas.
Se é para sofrer e travar o vírus, vamos sofrer, MAS TRAVAR!
Não nos peça para perder dinheiro, falir, colocar os empregos em risco e não travar o vírus porque as mentes que o rodeiam o aconselham a manter escolas abertas.
Chega de palhaçada por favor.
Precisamos de um verdadeiro Líder neste momento, não de um Mister Simpatia.
Se precisar da minha ajuda é só dizer! Que eu estou em teletrabalho e tenho muito mais disponibilidade para o atender e ajudar, por isso, disponha.
Autora: Susana Areal (sempre ao seu dispor)
Foto: encontrada no google do site noticiasaominuto.com

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10 comentários

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    • Falar verdade on 9 de Janeiro de 2021 at 15:08
    • Responder

    Finalmente, alguém sem medo de falar verdade.
    Parabéns à autora, subscrevo tudo o que aí está escrito.
    Acrescento: o país está a declinar, mas de forma maquilhada. As escolas que já estavam em declínio antes da pandemia, agora é um caos. Fecho colegas a fechar os olhos a tanta coisa e os diretores completamente cegos. Nem ligam para SOS de alunos, que com frio e com temperaturas nos mínimos, têm que ir para as aulas, e fazer o esforço de estar com atenção, mesmo entre tremores de frio que retiram a capacidade de concentração. Já para não falar dos professores, não são professores, são máquinas, são os robots do sistema.

    Lamentável.

    • Ana on 9 de Janeiro de 2021 at 16:59
    • Responder

    Esta carta, com outras a solicitar vacinação urgente para docentes e outros agentes educativos devem chegar ao Sr primeiro ministro e Exmo Sr Presidente da República urgentemente.

    • Maria Esgotada on 9 de Janeiro de 2021 at 17:09
    • Responder

    Não sou de acordo que se fechem as escolas!

    Quem vai fornecer equipamento às crianças?

    Quem vai fornecer equipamento aos professores?

    Lá voltamos nós às desiguladades!

    Criem condições nas escolas.
    Onde estão os computadores que diziam que davam a todos os alunos?

    Os professores terão que trabalhar com os seus equipamentos? E quem não tem? Terão que andar à procura de sítios onde há internet?

    Pensem colegas!

    Que raio de ensino vão ter os nossos alunos? Que ensino terão estes estudantes que saem da escolaridade obrigatória a saberem muito pouco, não por culpa deles, mas por falta de igualdades de oportunidades.

    Não concordo que as escolas fechem!

      • Falcão on 9 de Janeiro de 2021 at 20:02
      • Responder

      Ohhh colega,
      ” Não sou de acordo” ?! A sério?
      Mais cuidado, mais cuidado…

    • Pedro on 9 de Janeiro de 2021 at 18:48
    • Responder

    Eu tb não concordo que as escolas fechem mas …
    As turmas tem de reduzir para metade, máscaras todos os dias FPP2 para todos, acrílicos entre alunos, salas aquecidas, sistemas de ventilação antivírus, cantinas com oocupacao simultânea a um terço da sua capacidade, ensino misto por semana sim semana não.
    Só assim concordo com escolas abertas.

    Aaaa e professores alunos e funcionários já VACINADOS…
    ESCOLAS ABERTAS pessoal vacinado JÁ

      • Falcão on 9 de Janeiro de 2021 at 20:04
      • Responder

      Ahahahahahahahahhahahahahahahahahaha
      Muito bom!
      Do melhor que já li!
      E isso é para acontecer em que país? Portugal?
      Ahahahahahahahahahahahahahahaahah

    • António on 9 de Janeiro de 2021 at 19:02
    • Responder

    Peço-lhe que crie uma uma petição pública.
    Eu sei que o ensino é muito importante, mas a saúde e a vida ainda são mais importantes. As aprendizagens podem ser recuperadas, o mesmo já não acontece com a vida quando esta é perdida. Mesmo que as crianças não fiquem doentes podem levar o vírus para casa e semear a destruição. O pior cego é aquele que não quer ver. Foi encerrando tudo, escolas incluídas, que se travou a primeira vaga. A segunda vaga começou a acelerar poucas semanas depois do regresso à aulas. As escolas deviam manter-se abertas apenas para os filhos daqueles que não podem ficar em casa e para quem não tem acesso à internet. O sucesso do controlo da covid nas escolas não passa de uma ilusão, pois quando há casos estes são imediatamente abafados.

    • Falcão on 9 de Janeiro de 2021 at 20:10
    • Responder

    Cara colega Susana Areal,
    Compreendo perfeitamente o seu texto, mas discordo em absoluto da 1ª palavra que escreve! Nem consigo sequer compreender como é que um professor pode considerar que o primeiro ministro é digno de tal sentimento, nem mesmo por regra de etiqueta epistolar.

    • farto de emplastros do governo on 9 de Janeiro de 2021 at 21:52
    • Responder

    Escola presencial apenas para os alunos de risco, para os que não têm meios para assistir a partir de casa. Professores a partir da escola se tiverem alunos nas suas turmas presenciais e, de casa ou da escola, consoante preferirem, no caso de não terem nenhum aluno em regime presencial e estiverem todos em regime não presencial. Isto enquanto a curva de contágios e de mortes não achatar.

    • fernando pro-bono on 10 de Janeiro de 2021 at 19:08
    • Responder

    O homem é apenas um bandido político, nada mais!

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