Nas condições atuais concordo com a decisão de uma interrupção letiva, embora não acredite que terá, apenas, a duração de 15 dias.
Mas tem que se ir além do discurso do primeiro ministro.
A decisão de encerrar as escolas interrompendo as atividades letivas em vez de se cumprir os planos de ensino misto ou não presencial deve-se ao incumprimento, ou “inconseguimento” (como dizia uma tal senhora) de um compromisso assumido, pelo PM, em abril, a universalidade do acesso em plataforma digital, rede e equipamento, para todos os alunos do básico e do secundário no início do ano letivo 2020/21.
Se o compromisso tivesse sido cumprido estaríamos perante um cenário de ensino online. Os alunos e professores estariam na posse de equipamento informático para transitarem do ensino presencial ao ensino não presencial sem grandes demoras.
Em vez disso tapa-se o sol com a peneira e desresponsabiliza-se o governo. O PM não quer ser acusado de, mais uma vez, criar disparidades no ensino e não promover a igualdade de oportunidades, pondo em risco as aprendizagens dos mais desfavorecidos. Mas pôs e continuará a pôr.
Do equipamento informático adquirido já foram entregues 100.000 computadores, adquiridos mais 335.000, que ainda não foram distribuídos, e 75.000 em fase de compra. Um total de 515.000 computadores. o suficiente para equipar os alunos e parte dos professores do 3.º ciclo e secundário.
Se estes equipamentos estivessem nas mãos dos alunos e professores, acredito que a decisão do governo seria transitar os alunos destes ciclos de ensino ao ensino não presencial, ficando nas escolas os alunos até ao 2.º ciclo.
A decisão de uma interrupção letiva nesta altura do ano, desrespeitando as próprias instruções de início de ano letivo, tiveram, unicamente, uma razão politica e não a que foi defendida no discurso de quinta-feira.
O governo tem 15 dias para fazer com que os 335.000 computadores, já adquiridos, cheguem às mãos dos alunos para que estes possam continuar confinados quando a interrupção letiva acabar ou terá que ir a prolongamento…
Tudo o resto é folclore politico. (até o confinado desconfinou para dizer umas balelas)




6 comentários
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Com a semestralização do calendário escolar as atividades letivas apenas são suspensas por 3 a 5 dias (depende da dimensão dos agrupamentos que podem necessitar de 3, 4 ou 5 dias para reunir todos os conselhos de turma de avaliação). Numa medida que apoio totalmente as escolas estão abertas para as crianças menores de 12 anos cujos pais trabalham em serviços essenciais, para os alunos de necessidades educativas especiais e continuará a ser assegurado o apoio alimentar a todas as crianças que beneficiam da ação social escolar. As notícias que circulam com o título «escolas fechadas durante 15 dias», saõ manifestamente exageradas. Não percebo como esta medida equilibrada e que vai salvar vidas de alunos, auxiliares e professores e respetivos familiares, permitindo que 2,5 milhões de pessoas possam estar confinados e ajudar a salvar o SNS possa levantar dúvidas ou críticas. O foco deve estar na preparação do regresso das atividades letivas.
1. Especialmente solucionar o grande problema do distanciamento social dentro das salas de aula – estabelecer o princípio de um aluno por carteira, se for necessário com turmas em regime misto (16 alunos na sala de aula e 16 a assistirem à aula remotamente em casa ou, caso não tenham os meios, noutra sala da escola através do projetor multimédia – o importante é que nos espaços fechados não estejam professores e alunos a menos de 50 cm de distância durante 7 horas por dia);
2. Efetuar rastrieios de forma periódica à comunidade escolar;
3. Perante casos positivos agir rapidamente e de forma uniforme no todo nacional, com a turma e os professores da turma que estiveram em contacto com os alunos que testaram prositivo em isolamento profilático (porque não é isso que se está a fazer – os alunos testam positivo e apenas os alunos da turma ficam em isolamento profilático e os professores potencialmente infetados continuam na escola sem serem testados e em contacto com os alunos de outras turmas em salas repletas);
4. investir de forma séria no recurso ao ensino remoto, criando condições para que nenhum aluno seja excluído;
5. garantir que os professores e auxiliares estejam incluídos na segunda fase de vacinação que, de acordo com o que tenho lido na imprensa, deve ser efetuada durante o mês de abril.
As escolas cumprem desde o início do ano as restantes regras para o controlo da panedemia: o uso de máscara; a existência de produtos de desinfeção por todos os espaços; imensa informação sobre as regras de segurança, percursos para serem seguidos para assegurar distanciamento social fora da sala de aula; planos de contigência … Mas para que serve todo este meritório esforço se dentro das salas de aula, impossíveis de ventilar durante o inverno, os alunos continuarem ombro com ombro?
Concentrem todas as energias nestas medidas e o ano letivo poderá ser salvo sem colocar em risco as vidas de alunos, auxiliares, professores e respetivas famílias. É preciso acreditar e agir e não propagar discursos negacionistas e hipócritas.
Quantas escolas funcionam por semestre?! Era bom saber!
Eu concordo com a medida. Mas, efetivamente, os meus filhos ficam sem 15 de aulas (11, mais corretamente) e os meus alunos também. Claro que isso não me preocupa, os danos na educação são, no meu ponto de vista, recuperáveis, mas a vida não é recuperável. .. Em tempo de catástrofe, tudo o resto é nada e a vida é tudo!
No enanto, temos de ser rigorosos. Pode dizer-me quantas escolas funcionam por semestre ? Desta vez concordo com este artigo… totalmente, basta visitar as escolas em zonas mais pobres/classes mais desfavorecidas e constatar que não havia condições para o ensino online, por falta de meios.
Quase nenhumas funcionam por semestre. Até o calendário escolar é por períodos.
Cambada de atrasados são os mal informados. Apenas como exemplo: todos os Agrupamentos de Escolas e Escolas Não agrupadas do concelho de Odivelas funciona por semestres!
Antes de falarem, informem-se, ignorantes. São a vergonha dos professores.
Subscrevo inteiramente este texto de opinião.
E, infelizmente, com este Governo, tem que se ir quase sempre além do discurso do primeiro ministro e procurar o que efectivamente está por trás do mesmo…
Nada é claro, nada é transparente e os desígnios políticos sobrepõem-se sempre a todos os outros… E o país é governado ao sabor de “jogos políticos”, sem ter em consideração o bem comum…
Para eles não há bem comum. Desde que eles não fiquem mal perante a opinião pública geral, isso é o que lhes interessa, infelizmente.