Explicação mais ou menos pormenorizada sobre a vida de um professor do 1° ciclo, para pais e outros profissionais a quem possa interessar:
Um professor do 1° ciclo é um docente generalista, ou seja, lecciona várias disciplinas. Essas disciplinas estão discriminadas na Lei e são o Português, a Matemática, o Estudo do Meio, as Expressões artísticas, a Expressão físico motora, o Apoio ao Estudo e a Oferta Complementar ( educação para a cidadania, por exemplo…). A Lei prevê ainda expressamente a duração semanal de cada uma destas disciplinas, a saber, 7 horas para as duas primeiras, 3 para cada uma das duas seguintes e mais uma hora e meia para a penúltima e uma para a última, como tempos mínimos que eu, professora do 1° ciclo, sou obrigada a leccionar.
Tudo isto consta discriminadamente do horário que os professores “primários” recebem no início do ano lectivo.
Entretanto, com o ano iniciado, vem a colega de Religião e Moral e diz-nos que vai levar os meninos cujos pais declararam querer a frequência daquela disciplina, no horário que decidiu e que por acaso coincide com a hora a que dou português. E no dia seguinte vem uma jovem esguia dizer que às terças, à hora em que dou Estudo do Meio, os meus alunos terão aula de ginástica com ela, portanto tenho que avisar que venham equipados e entrega-me uma grelha para avaliar, mais um horário e mais uns papéis que entretanto vejo vermelhos, porque quero saber quem decidiu tal coisa. Que é assim, que é um projecto da câmara em que a direcção inscreveu as escolas, porque os meninos precisam muito e a ginástica faz parte do horário, pelo que ela dá uma hora e eu darei a outra, ao que percebi sob orientação dela… E lá vai, deixando-me os papéis na mão.
Entretanto há-de vir a natação curricular, no horário que a câmara decidir, e já sei que duas vezes por semana ficarei sem o intervalo da manhã ou sem um pedaço do intervalo do almoço. Porque a direcção inscreveu as escolas no projecto. Porque os meninos precisam muito e nadar faz muito bem.
Virá mais tarde o ciclismo, no horário da aula de matemática. Foi a junta que decidiu. Porque é um projecto extraordinário e estas crianças precisam muito.
Se eu for professora do 3° ou 4° ano, tenho ainda o inglês curricular que é dado por uma colega de inglês, duas horas por semana. Enquanto ela dá a aula dela eu espero cá fora. Fico de guarda, pois a colega pode precisar de apoio, uma vez que os meninos são pequenos e no 1° ciclo não vigora a ordem de saída da sala quando se portam mal. De qualquer modo tenho mesmo que esperar para de seguida retomar a minha aula, portanto é mais sentinela menos sentinela.
Habitualmente, logo pela manhã, vem a assistente operacional, que é o nome moderno para contínua, com o relato ( às vezes escrito) das ocorrências com os meus alunos na aula de enriquecimento curricular do dia anterior. Transmite ainda que o professor da aec quer reunir comigo, porque os meus alunos não se conseguem aturar nas aulas dele.
Antes de ir embora, ainda avisa que tenho de advertir os meus alunos para o comportamento inadequado que têm tido no refeitório pois as senhoras que lá trabalham não os conseguem aguentar.
Há-de vir de seguida a colega da Educação Especial por causa daquele aluno que vai precisar de adequações curriculares no programa que terei de fazer com ela, mas é preciso encontrar um dia conveniente pois ela tem um horário de 1100 minutos e há tardes ou dias em que não está na escola.
Entretanto à noitinha, as notícias online advertem que o bloco de esquerda quer língua gestual nas escolas primárias.
É altamente provável que na próxima semana apareçam mais pessoas ou entidades com mais projectos de actividades para decorrerem durante o meu horário porque os meninos precisam muito. Hoje acho que não vai aparecer mais nada porque é tarde e todos os que se preocupam com os meninos já devem estar a dormir.
É melhor eu ir também. Preciso muito, embora ninguém me tenha perguntado nada.
Começam a chegar respostas que confirmam que o limite de 7 horas para o aditamento de um contrato se aplica ao total de horas aditadas, independentemente de se tratar de um ou mais aditamentos.
No meu ponto de vista um aditamento de contrato devia ser apenas permitido até ao limite do intervalo do horário de colocação, e mesmo assim em último recurso. Também não entendo como as escolas pedem um determinado número de horas no concurso e depois da colocação feita já conseguem completar um horário por pequeno que seja. Isso demonstra duas coisas: ou má planificação da necessidade ou interesse em completar horários conforme o candidato colocado.
Um aditamento acaba por ser sempre visto como forma de completamento de horário que não se deveria justificar se a necessidade fosse a concurso conforme ela existe. Uma colocação num intervalo tipo 3 em muitos casos transforma-se num horário tipo 1 ou 2 e isso acaba por ser uma ultrapassagem nas colocações que me custa muito a aceitar.
Se exijo justiça nos concursos também não posso concordar com aditamentos sem limites.
Mas isso sou eu a falar, porque quem fica colocado com 8 ou 9 horas tem sempre esperança de após a colocação ficar com horário completo. Mas não é justo que isso aconteça.
Embora esta petição só diga respeito a dois grupos de docência, o tema é do interesse de todos… mais iniciativas como esta são necessárias.
Apreciação em Reunião Plenária da Petição n.º 66/XIII/1ª – “Pela Igualdade” – Pelo restabelecimento de um regime especial de aposentação para os docentes da Educação Pré-escolar e do 1.º Ciclo do Ensino Básico – para o dia 26 de outubro, a partir das 15 horas. Seria muito importante a presença de um número significativo de docentes nas galerias da Assembleia da República, pelo que faço um apelo a todos os que tiverem possibilidade de comparecer que o façam e que, se possível, mobilizem outros/as colegas. Esta é uma causa de todos, o importante é que todos os que puderem comparecer mostrem, com a sua presença, a importância do assunto e o nosso descontentamento com a situação atual.
O parlamento aprovou hoje um conjunto de projetos de lei e de resolução de vários partidos pedindo um número máximo de alunos por turma e por docente na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário
“Os Verdes”, Partido Comunista Português (PCP), Bloco de Esquerda (BE), CDS-PP e PS apresentaram todos projetos nesse sentido, tendo todos os projetos sido aprovados, embora com votações diferentes entre alguns.
Os textos de ecologistas, PCP e BE foram aprovados com votos contra de PSD e CDS-PP e “luz verde” das demais bancadas, ao passo que no do PS sociais-democratas e centristas abstiveram-se.
Já a resolução do CDS-PP pedindo a “promoção do sucesso escolar através de um estratégico e adequado dimensionamento de turmas” foi votado por alíneas mas no final foi também aprovado
Informam-se os candidatos em reserva de recrutamento para o cargo de leitor que têm 5 dias úteis, contados a partir 10 de outubro de 2016 até ao dia 14 de outubro de 2016, para apresentar, via endereço eletrónico [email protected] a sua manifestação de preferências, por ordem decrescente, para o Posto vago na rede de cursos do Ensino Superior e Organismos Internacionais – 2016/2017 e 2017, aprovada por Despacho n.º 9397/2016, de 22 de julho de 2016. A comissão de serviço referente a este Posto terá início a 1 de janeiro de 2017.
Foram colocados hoje 737 docentes contratados na reserva de recrutamento 5 de acordo com a seguinte distribuição por grupo de recrutamento, duração do contrato e número de horas.
Como já tinha dito ontem, mantém-se a tendência no aumento de contratações em relação aos anos anteriores em idênticos períodos.
Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Lista de Colocação Administrativa dos Docentes de Carreira – 5ª Reserva de Recrutamento 2016/2017
Determina o artigo 18º do diploma dos concursos que quem não aceita uma colocação é penalizado apenas no próprio ano lectivo, não podendo celebrar novo contrato com o Ministério da Educação nesse ano.
O não cumprimento dos deveres de aceitação e apresentação é considerado, para todos os efeitos legais, como não aceitação da colocação e determina a:
a) Anulação da colocação obtida;
b) Instauração de processo disciplinar aos docentes de carreira com vista à demissão ou despedimento;
c) Impossibilidade de os docentes não integrados na carreira serem colocados em exercício de funções docentes nesse ano, através dos procedimentos concursais regulados no presente diploma.
O que pergunto é se acham que a penalização apenas no próprio ano é suficiente, ou se acham que ela deve ser mais penalizadora para quem recusa uma colocação?
O que acontece actualmente é que muitos docentes que não sabendo a sua situação profissional em 1 de Setembro de cada ano arriscam concorrer à espera de saber se conseguem ser colocados, mas sabendo que se forem colocados e tiverem uma situação profissional estável para o ano seguinte (quer seja no ensino particular e cooperativo ou noutra área que não o ensino) pouca diferença lhes faz que essa penalização seja apenas pelo ano em curso.
O que acontece nestes casos é que a penalização pouca diferença faz.
Será que não deveria ser mudada esta mentalidade e penalizar por mais do que um ano uma não aceitação de uma colocação?
Se a penalização regressasse ao que existia antigamente (no próprio ano e no seguinte) não havia mais cuidado no concurso?
Nos últimos anos tem vindo sempre a subir o número de colocações de contratados na Reserva de Recrutamento 5.
Para verem as colocações por grupo de recrutamento, duração do contrato e número de horas clicar em cada um dos links de baixo.
No total foram colocados 446 docentes contratados na reserva de recrutamento 5.
136 docentes em horários anuais e 310 em horários temporários. Dos 136 docentes que conseguiram horário anual apenas 61 conseguiram-no para um horário completo.
Não foi com surpresa, nem dos proponentes, que a proposta de alteração da Lei de Bases do Sistema Educativo foi chumbada, hoje, na Assembleia da República.
Com os votos contra do PS, BE, PCP e PEV e com a abstenção do PSD a proposta ficou-se por isso mesmo, uma proposta.
O PSD, embora concorde com uma revisão à LBSE, prefere aguardar pelas conclusões de um grupo de trabalho do CNE que, estará a realizar um amplo debate com vários agentes do setor da educação. (não foi revelado quem é que está a debater, os professores não foram chamados a esse debate, mais uma vez). O PS, o BE, o PCP e o PEV, além de discordarem profundamente com alguns dos pontos propostos para alteração, tais como, o papel do Estado no acesso à educação, na escola pública e no ensino privado e a organização dos ciclos escolares, também preferem aguardar pelas conclusões do tal debate a cargo do CNE.
Ainda não é tempo (houve quem dissesse) de discutir este assunto, com resultados de estudos ou não ainda não oportuno falar de uma alteração de fundo à LBSE. Talvez não seja. Mas é necessário começar.
Resta-nos aguardar pelo CNE para sabermos se surgirão mais propostas…
NOTA: O nosso Tiago não esteve presente, mas também não tinha que estar. Houve referência a carros sem condutor, trafico de órgãos e outros… foi um fartote…
Em 2015/16, os salários dos professores aumentaram em 24 países ou regiões, enquanto permaneceram mais ou menos no mesmo nível em 16. Ao longo dos últimos sete anos, em termos reais, os salários mínimos obrigatórios aumentaram ou mantiveram-se estáveis na maioria dos países europeus, embora ainda abaixo dos níveis de 2009 em alguns deles.
A remuneração é um elemento-chave que transforma o ato de ensinar uma profissão atractiva. Este relatório fornece uma visão comparativa sobre os vencimentos legais mínimos e máximos para os professores e directores de escola em escolas públicas pré-primário, primário e secundário em 40 países ou regiões europeias. Também examina as mudanças em vencimentos base ao longo do último ano e a evolução do poder de compra desde 2009.
O relatório também olha para salários reais, progressão salarial e subsídios disponíveis em cada país, incluindo folhas de dados nacionais com informações detalhadas sobre todas estas questões.
Um texto mais correto sobre os vencimentos dos professores, em Portugal e na Europa…
Relatório sobre a situação salarial dos professores na Europa mostra que em 2015/2016 houve um aumento dos vencimentos na maior parte dos países, Portugal incluído.
Fruto do congelamento de carreiras, que se prolonga há 11 anos, os salários actuais dos professores portugueses do ensino não superior estão mais perto do vencimento mínimo do que do máximo praticado nesta profissão, o que faz com que Portugal esteja em minoria nos 29 países europeus que forneceram esta informação à rede Eurydice, revela um relatório sobre a situação salarial dos docentes na Europa divulgado nesta quarta-feira.
Em Portugal, a progressão na carreira é ditada pelos anos de serviço e, portanto, ligada à idade dos docentes. Apesar de a maioria dos docentes portugueses ter mais de 40 anos e de muitos deles terem já ultrapassado os 50, o que o retrato sintetizado pela rede Eurydice vem confirmar é que a maioria continua aquém do meio da carreira para efeitos de vencimento.
Os dados compilados por esta rede europeia de informação sobre a educação dão conta de que o salário médio actual dos professores portugueses do ensino básico e secundário oscila entre 28.697 e 31.805 euros, enquanto o vencimento mínimo é de 21.980 e o máximo de 42.337 euros. Para além de Portugal, os países onde se regista esta proximidade entre o vencimento actual e o salário mínimo para a docência são a França, Croácia, Chipre, Hungria, Malta e Suécia.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2016/10/salario-medio-actual-dos-professores-esta-mais-perto-do-minimo-previsto-para-a-profissao/
Com pedido de divulgação de uma leitora do blogue.
Apesar de considerar que o dia dos professores é, como o Natal, todos os dias, a verdade é que no calendário comemora-se hoje. Assim sendo, gostaria de partilhar uma diversidade de recursos educativos que podem ser utilizados para trabalhar as diferentes histórias do livro “Crescer com histórias”, apresentado no sábado passado em Cantanhede.
Para poder adquirir este livro, cujo valor reverte a favor de crianças e famílias carenciadas, e aceder aos recursos basta clicar na imagem.
no dia que hoje celebramos, um dia que festeja, simultaneamente, o dealbar de uma nova realidade política e os professores, pilares da nossa sociedade, desejamos homenagear o seu papel fundamental e imprescindível no nosso país.
Sabemos que um país só pode ser tão bom quanto os cidadãos que possui. E que estes, só podem ser tão excelentes quanto os professores que os ensinam.
A formação das mentes e das atitudes das jovens gerações depende grandemente deles. E é, também, graças a estes que desafios e oportunidades mundiais estão ao alcance dos mais jovens.
É graças aos professores que é possível um ensino inovador, inclusivo e focado no essencial, que são as crianças e os jovens portugueses.
Por isso, não exagero ao dizer que Portugal tem um compromisso solene com os professores que, com a sua profunda resiliência e espírito de abnegação, têm contribuído para o prestígio crescente do ensino português, dentro e fora do país.
Graças ao vosso esforço e empenho é possível sonhar o futuro, todos os dias.
Obrigado, professores, campeões da sala de aula, pelos conhecimentos que transmitem.
Obrigado, professores, campeões deste país, pelos quilómetros que percorrem para assegurar que esse conhecimento chega ao destino.
Obrigado, professores de Portugal, homens e mulheres de fé, que não desistem para cumprir o destino alheio.
Obrigado, professores de Portugal, pela vossa persistência, pela vossa fé, pela vossa serenidade ante a turbulência.
Um abraço aos professores de Portugal, por continuarem a acreditar, que é possível, a partir de um projeto, fazer-se cumprir um país.»
Texto ficcional inspirado no Discurso de agradecimento de Marcelo Rebelo de Sousa à Seleção Nacional (11.07.2016).
No próximo dia 8 de outubro, a FNE promove em Lisboa, no Hotel Altis Park, uma iniciativa que pretende assinalar o Dia Mundial do Professor e a abertura do ano letivo de 2016/2017, sob o título “Forum FNE 2016: Inovar em Educação para uma escola de qualidade”, com o seguinte PROGRAMA:
Mudou muito. A escola mudou com a sociedade, adaptou-se e está diferente. Mudou para melhor, isso é uma certeza. Mas como tudo, está em mudança. Para onde irá? Como será daqui a 20 anos?
Talvez daqui a 20 anos tenhamos essa conversa…
“Olhando para trás, prefiro os tempos atuais. Claro que a missão do professor há 20 anos, poder-se-ia considerar mais facilitada. Os alunos estavam quietos nos seus lugares, o professor expunha a matéria e quando queriam colocar questões, punham o braço no ar e esperavam calmamente que chegasse a sua vez. Barulho? Nem pensar! Mas as aulas não eram vivas, como o são de há uns tempos para cá”,
(clicar na imagem) in Sapo Lifestyle by Susana Krauss
O Estado da Educação 2015, do CNE, radiografa a educação nacional, compilando dados de fontes diversas. Eis a síntese que me parece útil, em números, comprimida para o espaço de que disponho: nos próximos 5 anos, a diminuição das inscrições no 1º ano do ensino básico vai duplicar por referência à verificada nos últimos 10; a taxa de abandono precoce da educação (13,7%) está, felizmente, em queda; as taxas de conclusão do ensino básico e dos cursos do ensino secundário aumentaram; verificou-se nos últimos dez anos um forte crescimento dos níveis de escolaridade da população activa; no mesmo período, o ensino público não superior perdeu 73.572 alunos, enquanto o privado ganhou 18.912; nos últimos quatro anos, diminuiu significativamente o número de técnicos de educação especial, embora tenha aumentado o número de alunos dessa área; a relação psicólogos/alunos, no ensino público, é 1/1.270; na última década, o sistema de ensino perdeu 40.159 docentes e a despesa pública em percentagem do PIB reduziu 15% para o 1º ciclo do ensino básico e 8,3% para os outros dois ciclos e para o secundário.
Fora outro o autor desta curta síntese e os números retirados de tantos quadros e gráficos seriam diferentes. Sejam quais forem, mais importante que mostrar é interpretar, relacionar e explicar.
Quando falamos de recursos públicos, a prestação de contas é um conceito que colhe ampla aceitação no seio de qualquer sociedade democrática. Mas a tendência actual para tudo medir e tudo reduzir a números, seja qual for a natureza e a complexidade dos fenómenos em causa, vem-nos mergulhando numa cultura comunicacional de pendor estatístico e econométrico que, amiúde, não serve a verdade de que a democracia carece, porque cada arauto manipula os dados até adaptar a realidade aos seus interesses.
Sobre um fenómeno, estatisticamente tratado, não existe, normalmente, uma só leitura. Existem leituras (e sublinho o plural), com pontos fortes e fracos, segundo a perspectiva de análise, as fontes usadas e os processos de construção dos indicadores. Disto mesmo encontramos abundantes exemplos na Introdução ao Estado da Educação 2015. Sobre o bullying, diz-se que “é cada vez maior a percentagem de alunos que afirma nunca terem sido vítimas de bullying” e diz-se, também, que Portugal pertence aos “países da OCDE onde essa prática concita maior número de queixas”. Sobre o grau de satisfação dos alunos com a escola, afirma-se que os alunos portugueses são dos que se sentem mais felizes. Mas, noutro quadro, só 12% dizem gostar muito da escola. E o perfil de felicidade referido contradiz, claramente, a opinião dos directores sobre o mesmo tema.
Se mudarmos de campo e passarmos para a discussão política dos últimos dias, sobre a evolução da economia e das finanças públicas, vemos o Governo a entoar hosanas à execução orçamental apurada no fim de Agosto (o défice fixou-se em menos 81 milhões quando comparado com Agosto de 2015). Mas se olharmos para o processo que nos trouxe a este défice melhorado, que vemos? Que até ao fim de Agosto o Estado cobrou em receitas (impostos, basicamente) 49,2 mil milhões de euros (mais 622 milhões relativamente a Agosto de 2015) e gastou 53,8 mil milhões (mais 541 milhões relativamente a Agosto de 2015). Assim, o défice das contas públicas, que em Agosto de 2016 se fixou em 4,6 mil milhões, melhorou em termos homólogos porque a carga fiscal aumentou, independentemente de qualquer juízo de valor sobre a natureza dos impostos que subiram e sobre a mudança de critérios para distribuir a riqueza.
O problema da nossa política é a incapacidade persistente em tomar como dialogantes as perspectivas diferentes, de modo a gerar entendimentos mínimos sobre o que é essencial. E assim vivemos, seja na Educação, seja na Economia, em ciclos de mudanças políticas que primam pela lógica primária de substituir o que se encontra pelo seu oposto, com a promessa recorrente de amanhãs que cantarão e a estratégia gasta de transformar a realidade no interesse partidário.
Dos sucessivos governos que olharam para a classe docente com desrespeito, apesar de todos eles dizerem o contrário dos actos que foram praticando ao longo dos últimos 11 anos.
E não tem nada a ver com o perfil da classe, como Fernanda Câncio tenta demonstrar. Mas também não duvido que ela própria saiba as razões que levaram a este sentimento geral na classe docente.
…pede um consenso alargado e estabilidade nas Leis e Decreto-Leis por um prazo não inferior a 6 anos.
Mas pelas reacções que já se fizeram sentir este projecto de Lei deve ficar apenas por um projecto.
A proposta que o CDS apresenta para a organização dos ciclos é interessante propondo um ensino Básico de seis anos divididos em dois ciclos e um ensino secundário também com dois ciclos de três anos.
O debate sobre a duração dos ciclos foi feito neste artigo com a apresentação dos resultados de um inquérito feito aos leitores do blogue.
Nesse inquérito a maioria preferiu manter a duração dos ciclos como eles estão agora.
No seguimento deste artigo com o número de candidaturas de contratados ainda não colocadas após a Reserva de Recrutamento 4 elaborei quadro comparativo com a mesma situação em 2015.
Verifica-se assim uma grande redução de candidatos à Contratação Inicial (mesmo tendo entrado perto de 4.000 docentes nos quadros desde essa altura) o que demonstra que o ensino deixou de ser um emprego motivador e que muitos já encontraram outras alternativas a esta profissão. E por este andar (envelhecimento do corpo docente) chegará um dia a altura em que não existirão candidatos em número suficiente para substituir o grupo de professores que nos próximos 10 anos se irão aposentar.
Apesar de existirem mais 7 mil docentes em concurso este ano do que em 2015, em 2015 havia 13.441 candidatos por colocar na Reserva de Recrutamento 4 e em 2016 existem 14.619.
Quadro com a diferença entre as candidaturas não colocadas de 2015 com as de 2016 após a publicação da reserva de recrutamento 4 retiradas das listas de contratados não colocados. Relembro que um docente pode concorrer a mais do que um grupo de recrutamento e para os dados sobre o número de docentes foram eliminadas todas as candidaturas duplicadas.
…em que a redução da componente lectiva lectiva não era compensada com mais nada. Actualmente, por vezes, existe mais desgaste com a componente não lectiva do que com a componente lectiva completa.
Conheço muitos casos que preferiam ter o horário sem redução, em substituição das tarefas que são atribuídas nas horas de redução da componente lectiva.
Envelhecimento é o principal factor para que docentes tenham menos tempo de aulas, mas também há cada vez mais professores antes dos 50 anos com horários incompletos por falta de alunos.
A maioria dos professores do 3.º ciclo e ensino secundário estão menos de 20 horas por semana nas salas de aulas, segundo revela uma análise sectorial do perfil do docente em 2014/2015, divulgada na sexta-feira pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC). Ou seja, mais de metade dos cerca de 73 mil docentes destes níveis de ensino tem horário reduzido.
Até aos 50 anos, os professores dão 22 horas de aulas por semana. A partir dessa idade, tal como estipulado no Estatuto da Carreira Docente, têm direito a uma redução do seu horário. É o que se passa com 53,2% dos professores do 3.º ciclo e secundário — que são o maior grupo do contingente de professores do ensino não superior.
O Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, disse esta segunda-feira esperar que sejam frutiferas as negociações entre o Ministério e a Fenprof sobre a revisão da colocação de professores.
Serve a presente publicitação de início de procedimento para informar que poderão constituir-se como interessados, bem como apresentar contributos ou sugestões, todos os particulares e as entidades que comprovem a respetiva legitimidade no âmbito do procedimento tendente à elaboração do despacho que altera o calendário de adoção dos manuais escolares aprovado pelo Despacho n.º 11421/2014, de 11 de setembro, alterado pelos Despachos n.ºs 15717/2014, de 30 de dezembro e 4734-A/2015, de 06 de maio.
Publicado a 3 de outubro de 2016. A constituição como interessado pode fazer-se nos 10 dias úteis subsequentes.
A constituição como interessado no presente procedimento depende de declaração escrita nesse sentido, dirigida ao Diretor-Geral da Educação e enviada para o endereço eletrónico [email protected].
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2016/10/inicio-do-procedimento-tendente-a-elaboracao-do-despacho-que-altera-o-calendario-de-adocao-dos-manuais-escolares/
O Provedor de Justiça deu razão aos argumentos jurídicos apresentados pelos docentes e escreveu à Secretária de Estado Adjunta e da Educação no sentido de os serviços do Ministério da Educação alterarem os procedimentos administrativos, pagando o subsídio de transporte e o abono de ajudas de custo.
Informa-se os interessados que se encontra aberto procedimento concursal simplificado para o 1.º Ciclo – Língua Francesa – Coordenação de Ensino Português na Suíça.