23 de Agosto de 2026 archive

Temos o que merecemos?

 

Ao longo dos últimos vinte e um anos temos tido titulares da Pasta da Educação com acções governativas medíocres, incapazes de credibilizar a Escola Pública…

 

Já não há esperança em dias melhores, o que temos hoje não difere em nada da incompetência, da mentira, da hipocrisia e da incapacidade de assumir responsabilidades, igualmente vistas em tantos anos anteriores…

 

Aproxima-se mais um Ano Lectivo, sem que exista o desejável optimismo ou a crença de que algo mudará para melhor…  

 

próximo Ano Lectivo promete muitas operações de cosmética, muita ficção científica e adereços cinematográficos, com destaque previsível para abundantes e variados efeitos especiais… Alguns episódios de auto-flagelação, assim como acentuadas doses de demagogia, também parecem muito prováveis… Obviamente, acompanhados pelo dispêndio de muitas horas de trabalho insano e infrutífero no contexto das escolas públicas

 

A camarilha de bajuladores do regime, incapaz de contrariar qualquer ordem ou decisão emanada pelos doutos superiores, por mais absurda ou insensata que a mesma seja, parece acreditar piamente nas políticas educativas dos seus idolatrados…

 

Ou, então, genuinamente não acredita e o seu seguidismo limita-se a adular qualquer um que lhe possa ser útil, com o objectivo de poder obter vantagens, benefícios ou reconhecimentos…

 

Impõe-se, assim, uma pergunta:

 

– Temos o que merecemos?

 

A minha resposta é esta:

 

– Sim, em termos gerais, temos o que merecemos. Na verdade, temos feito muito pouco para merecer melhor. De certa forma, temos sido cúmplices do mal que nos tem caído em cima.

 

Durante demasiados anos, fomos, e continuamos a ser,mansos, conformados, domesticados e silenciosos… Hoje colhemos o que temos semeado

 

Perante cidadãos submissos, silenciosos e muito tolerantes face ao Poder Político, o conceito de Ética tende a tornar-se em algo muito flexível, difuso e relativo, dependente daquilo que possa dar mais jeito num determinado momento… Por outras palavras, a Ética torna-se tão flexível que pura e simplesmente desaparece…

 

Lamenta-se, mas agora “é pagar e não bufar”… Afinal, quem não lutou por melhor tem que aceitar o pior

 

Estaremos condenados a esta sina, que já dura há mais de vinte anos?

 

Quem quiser e puder que demonstre que a frustração patente neste texto não tem razão de existir…

 

Felizmente, ainda há quem consiga resistir e não se deixe domar… Mas, infelizmente, são honrosas excepções…

 

Paula Dias

 

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