2 de Agosto de 2026 archive

Quanto vale a palavra do Ministro da Educação?

 

Ou o Ministro da Educação cometeu um erro grave de juízo/percepção ou então faltou
intencionalmente à verdade, quando no passado dia 20 de Julho, afirmou que “nenhum aluno
será prejudicado” pelas falhas que afectam o sistema de classificação digital dos Exames
Nacionais… (RTP Notícias).
Contra factos, não há argumentos: neste momento, existem milhares de Alunos
prejudicados, de diversas formas, pelo modelo de classificação digital dos Exames
Nacionais imposto pelo MECI…
O Ministro, que se tem mostrado como um pretenso “paladino do Bem”, alegadamente
sempre cheio de boas intenções, tem, contudo, vindo a agir de forma nada congruente com
essa propalada condição, deixando bem claro, em diversas ocasiões, que o seu principal
objectivo consiste em salvar a própria pele, face ao caos instalado…
O 1º Ministro Luís Montenegro tem sido o principal responsável pela manutenção de
Fernando Alexandre no cargo de Ministro da Educação e consequentemente o mais
proeminente cúmplice pelo prejuízo causado a milhares de Alunos, muitos deles sem pais
detentores do conhecimento e da capacidade económica necessários para interpor
processos judiciais contra quem os lesou…
É impossível que a Tutela desconheça as anteriores fragilidades evidenciadas por muitas
famílias, o que torna ainda mais cobarde e eticamente reprovável a atitude de não
reconhecer e assumir o prejuízo causado a tantos Alunos, sobretudo àqueles que não têm
condições para contestar legalmente os atropelos cometidos contra si…
Ainda bem que há quem o consiga fazer, saudando-se, desde já, a existência de uma decisão
do Tribunal Administrativo de Viseu que concedeu ao MECI o prazo de 48 horas para
apresentar o Exame de Português de um Aluno do 12º Ano de Escolaridade, sob pena do
pagamento de uma multa diária de quase 100 euros… (SIC Notícias, em 31 de Julho de
2026).
O caminho não poderá deixar de ser esse…
Salvar o Ministro da Educação tem sido a prioridade de Luís Montenegro, no que se refere
à Área da Educação… Muito mais importante do que responsabilizar politicamente alguém
pelos erros crassos cometidos, ignorando as consequências devastadoras dessas falhas
para milhares de Alunos, a defesa obstinada de Fernando Alexandre tem assumido um
carácter primordial…
Face aos dados que todos os dias vão sendo conhecidos, sempre no sentido de confirmar o
caos em que a classificação dos Exames se transformou, Fernando Alexandre continua a
sua corrida para o precipício, levando consigo muitos inocentes, que nada têm a ver com a
origem do problema, mas que sofrem as respectivas consequências…
As principais vítimas deste descalabro são sobretudo os Alunos, mas também muitos
Professores Classificadores, que foram chamados para resolver vários problemas criados
pelo MECI, cujo comportamento se assemelha, cada vez mais, ao de um inimputável, que não
consegue avaliar se a sua acção é certa ou errada…

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Quanto vale a palavra do Ministro da Educação?
Neste momento, valerá muito pouco ou nada, visto que a realidade tem vindo a desmentir,
factual e cabalmente, todos os dias, a sua palavra…
E um Ministro cuja palavra não é credível nem valorizável, transforma-se num “Ministro
peso-morto”, num estorvo, sem utilidade e sem eficiência…
Lamentavelmente, parece que neste momento o actual Governo está minado por “Ministros
peso-morto”, que desprezam e negam as evidências provindas da realidade, sobretudo as
mais incómodas e embaraçosas, mas que, em simultâneo, não apresentam qualquer
renitência em passar sucessivos atestados de estupidez aos seus concidadãos…
E o principal responsável por isso não poderá deixar de ser Luís Montenegro, enquanto líder
do Governo…
A Social-Democracia, em que ideologicamente acredito, não é isto e nunca foi isto…
Isto é um fiasco, à laia de chico-espertice, traduzido pelo uso indevido e abusivo da
denominação “Social-Democracia”, que já só enganará os mais distraídos ou alguns crentes
fanáticos…
Paula Dias

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Opinião: 170 Exames sem Nota

O futuro suspenso nas casas decimais: 170 exames sem nota

 

Fica a lição para o futuro: fazer por fazer é um erro, sobretudo quando o resultado é o caos. Fazer bem exige competência, planeamento e uma mudança preparada com pés e cabeça.

 

Há números que parecem pequenos apenas porque são divididos por números muito grandes. Cento e setenta exames ainda sem classificação, num universo de 290 351 provas, representam 0,0585%: aproximadamente um exame em cada 1708. O Ministério poderá, portanto, salientar que cerca de 99,941% das provas receberam nota. A percentagem soa magnífica. Quase perfeita. É aritmeticamente correta. Mas é uma forma institucionalmente enganadora de descrever o problema.

Um exame nacional não é uma peça anónima numa linha de produção. É um documento único, realizado por um aluno concreto, e pode decidir o acesso a um curso, a uma universidade ou a uma profissão. Para cada aluno que continuava sem conhecer a sua classificação, a taxa de falha do sistema não era 0,0585%. Era 100%. A prova tinha sido realizada, entregue e confiada ao Estado; mais de um mês depois do início da primeira fase, o sistema público responsável continuava sem apresentar o resultado.

Cento e setenta provas em 290 351 não significam o colapso do sistema, mas também não permitem transformar uma incidência estatisticamente baixa num certificado de excelência. Uma organização não se avalia apenas pela proporção de processos concluídos. Avalia-se igualmente pela forma como deteta, localiza, comunica e repara as exceções. Quanto mais decisivo e urgente é o processo, menos admissível é que a exceção permaneça sem explicação ou solução.

Henrique M Oliveira, in Sol.

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