O André Pestana não é radical … é meigo no pedir! Jorge Braga

 

A 4 de outubro de 2015 António Costa perdeu as eleições que lhe deram acesso a ser primeiro-ministro de Portugal. Desde então tem sido o primeiro-ministro, tendo agora maioria absoluta.

Convém agora definir, de uma forma clara e inequívoca e absolutamente incontestável, o impacto desta governação nos professores. Com factos de fontes seguras. Com uma análise cuidada. Com valores reais.

Uma forma clara e precisa de perceber o valor atribuído a uma dada classe profissional é observar o impacto da inflação na respetiva remuneração.

Um impacto positivo vem traduzido por um impacto nulo ou quase nulo da inflação ou até uma valorização salarial, caracterizando uma valorização da profissão em causa.

Uma profissão pouco valorizada verá o seu rendimento reduzido significativamente, com o impacto da inflação.

O Instituto Nacional de Estatística disponibiliza uma ferramenta para atualização de valores com base no Índice de Preços ao Consumidor – esta ferramenta é de utilização muito discutível, mas apresenta uma forma clara de perceber o impacto da inflação nos vencimentos ao longo do tempo.

A tabela abaixo demonstra os resultados para duas carreiras importantes em Portugal: Professores e Deputados em Regime de Exclusividade, comparando os valores de 2015 e 2023 (exceto para os Deputados cujo valor se refere a 2022 – estou a simplificar a análise e admitir que o valor de 2023 vai ser o mesmo – não é de todo expectável que o valor em 2023 baixe … )

A atualização dos valores desde outubro de 2015 a dezembro de 2022 origina um fator de multiplicação de 1,15665701025858, segundo o INE.

Analisando a tabela algumas conclusões saltam à vista:

O valor mais baixo de aumento necessário (face ao salário atual) para que os professores recuperem o perdido pela inflação acontece para o índice 167 com 167,52 € (apenas uma coincidência este valor!). Tal traduz um aumento mínimo de salário de 10,54%. Ou seja: se aumentarmos o salário de um professor no 1.º escalão de 167,52 € por mês ele fica a ganhar o mesmo que em 2015 quando António Costa entrou para o poder, considerados os efeitos da inflação.

Para os deputados houve uma perda de rendimento face à inflação de apenas 206,34 € (e note-se que nem sequer estão a ser considerados outros suplementos que não a exclusividade).

Ou seja. Um professor do primeiro escalão com 1589,01 € de salário em 2023 perdeu de salário bruto 167,52 €. Um deputado perdeu 206,34 € … mas ganha em 2022 – 4 054,11€ (portanto cerca de 2,5 vezes mais do que o professor).

Um professor do 10.º escalão perdeu, comparativamente, 418,53€ . Em 2015 este professor estaria a 318,79 €de distância de um deputado. Hoje essa distância aumentou para próximo do dobro estando o professor a 580,92 € de distância.

Qualquer professor acima do 2.º escalão perdeu mais dinheiro no seu salário do que um deputado apesar de o seu valor base ser menos de metade. Um deputado ganha hoje mais do dobro do professor do 3.º escalão … e mesmo assim o professor perdeu mais dinheiro desde 2015. 217,51 € contra 206,34 do deputado.

E nem sequer estão a ser discutidos todos os outros suplementos que os deputados têm e os professores não.

Foi assim que os governos de António Costa trataram Deputados e Professores desde 2015.

Portanto quando André Pestana pede 120 € para todos os profissionais de educação está a pedir muito pouco. Nem sequer dá para cobrir a perda por inflação do Índice 167 (ficam a faltar quase 50 euros mensais!).

Pelo menos a inflação desde que António Costa é primeiro-ministro é o mínimo a exigir a António Costa.

O André Pestana não é radical … é meigo no pedir!

Fontes

Atualização IPC

https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ipc

Vencimento de Deputados https://www.parlamento.pt/DeputadoGP/Paginas/EstatutoRemuneratorioDeputados.aspx

Vencimentos de Professores – 2015

https://www.arlindovsky.net/2015/01/17/

Vencimentos de Professores – 2023

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8 comentários

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    • Luis Filipe on 19 de Janeiro de 2023 at 11:59
    • Responder

    Colegas.
    É isso façamos greve, todas as greves, as da Frenprof as do STOP, todas até às férias de Carnaval, onde descansaremos para tomar fôlego para as novas greves que o Nogueira e o Pestana irão marcar até às férias da Páscoa, onde voltaremos a descansar das fafigas da luta. Os alunos que se lixem e os pais que se desenrasquem. Entretanto no dia 11/2, vamos descer a Avenida da Libetdade no Corso Carnavalesco já marcado para esse dia, levamos o nosso apito e vamos apitar, apitar sempre.
    Viva a Escola Pública

      • Um Professor on 19 de Janeiro de 2023 at 12:41
      • Responder

      Na sua opinião, os professores têm de aceitar tudo passivamente: serem agredidos, serem mal pagos, serem contratados em regime de cartão partidário a partir de agora, serem permanentemente desconsiderados e difamados por pessoas cheias de ódio ou por boys do PS, tudo! Se estivesse no nosso barco, não faria dessas graçolas.

        • Luis Filipe on 19 de Janeiro de 2023 at 14:11
        • Responder

        Mal pagos? Compare com os outros técnicos superiores da função pública.
        Alem de ganharem muito mais, ainda têm regalias que ninguém mais tem. Desde trabalhar apenas 4 dias por semana se tiverem mais de 60 anos, dispensa de serviço durante um ano e outras benesses que o artigo 77 do Estatuto da Carreira Docente estipula. Acha pouco? Porque razão todos os professores têm de atingir o topo da carreira? Em que outras carreiras da função pública isso acontece? Se são desconsiderados e difamados é porque se põe a jeito.

    • Rosa on 19 de Janeiro de 2023 at 12:19
    • Responder

    No que respeita aos vencimento , com o aumento de 50,00 € que teremos este mês vamos receber menos vencimento liquido (pessoa sem filhos, não casada e no 4º escalão). Pagamos mais de 40,00€ para IRS, mais para a CGA, mais para a ADSE e mais nas cotas sindicais. No recibo de vencimento vem muito menos do que se não existisse o aumento dos 50,00 €.
    Continuamos a perder poder de compra.
    Estes aumentos foram dados com má fé!….
    O governantes para quem trabalha não se enganam nas contas que fazem!…
    Isto é ilegal, espero que seja retificado!….

      • Jesus Humberto on 19 de Janeiro de 2023 at 12:43
      • Responder

      Venha massa, dinheiro, pilim, bago, caroço
      Viva a Escola Pública

    • João Almeida Pinto on 19 de Janeiro de 2023 at 12:33
    • Responder

    O André Pestana, provavelmente, não fez as contas como devido e limitou-se a atirar uns números para cima da mesa…
    Mas é bom que tenha em mente todos estes considerandos.

    • Man72 on 19 de Janeiro de 2023 at 14:23
    • Responder

    Os casos de corrupção conhecidos, até agora, repito, até agora, bastariam para satisfazer as reivindicações dos docentes. Será que o Primeiro-ministro e o seu homónimo [Costa & Costa, SA] e subordinado ainda não perceberam o momento de viragem? Helo!…

    • Marta on 19 de Janeiro de 2023 at 16:00
    • Responder

    Compare com os outros técnicos superiores?
    Eu comparei a minha tabela salarial com a do meu marido, também TS e, no topo da carreira nós já estamos abaixo!
    Ora, mais uma vez, tal vem desvalorizar o estatuto de professor e só ouvi ontem isto ser mencionado por um sindicato: a não equiparação de Professor no topo da carreira a Técnico Superior, a nível de vencimento! Ora, sendo os professores das classes com mais investimento na sua formação, quer em início de carreira, quer ao longo da vida, é inconcebível mais esta “despromoção”, desvalorização, que é efetiva e faz diferença em termos de vencimento, mas é também uma despromoção/desvalorização da classe! Por favor, não deixem passar mais esta desvalorização e exijam a equiparação, pois se há gente qualificada, são os professores! Muitos de nós temos, além da licenciatura, mestrado e até doutoramentos! Será que é por termos tanta formação que nos atacam tanto?

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