As Greves são uma chatice…

As Greves são uma chatice, pois são, todos o sabemos…

E, todos, já fomos afectados por inúmeras Greves, nos mais variados sectores…

As Greves são uma chatice para os utentes de determinados serviços que estejam em paralisação voluntária, pelas perturbações de funcionamento eventualmente causadas, umas vezes com efeitos mais específicos, outras com consequências visíveis para a população em geral, e nesse sentido:

– As Greves dos Médicos são uma chatice;

– As Greves dos Enfermeiros são uma chatice;

– As Greves dos Trabalhadores do Metro são uma chatice;

– As Greves dos Trabalhadores da CP são uma chatice;

– As Greves dos Trabalhadores do SEF são uma chatice;

– As Greves dos Camionistas são uma chatice;

– As Greves dos Estivadores dos portos marítimos são uma chatice;

– As Greves dos Trabalhadores da TAP são uma chatice;

– As Greves dos Trabalhadores dos CTT são uma chatice;

– As Greves dos Funcionários Judiciais são uma chatice…

Contrariando a lógica anterior:

– As Greves dos profissionais de Educação não podem ser uma chatice…

Face às Greves que vão decorrendo na Área da Educação, vão eclodindo algumas correntes de opinião, veiculadas por diversas personagens, desde algumas Associações de Pais até cert@s “Influenciador@s” (o que quer que isso seja), que parecem defender, de uma forma mais ou menos encapotada, isto:

– Os profissionais de Educação, em particular os Professores, têm o direito inalienável de fazer Greve, desde que seja aos Sábados, Domingos e Feriados…

Por outras palavras, parece considerar-se que os profissionais de Educação têm direito à Greve, afirmando-se que, coitados, até são maltratados, mas, e ao mesmo tempo, defendendo-se que essa paralisação não deveria causar perturbações, nem transtornos, na vida dos Alunos e dos respectivos Pais…

Há até determinad@s “Influenciador@s” (o que quer que isso seja) que conseguem ir um pouco mais longe na duplicidade demonstrada: ao mesmo tempo que afirmam a sua (aparente) solidariedade com os Professores e a (suposta) compreensão pela sua luta, não deixam de querer frisar que, com estas Greves, os Alunos vão ficando com mais matérias escolares em atraso, perdem o ritmo de trabalho e veem a escola como um lugar onde só se vai de vez em quando… E também dizem que, sobretudo por causa das Greves, há Pais que acabam por fugir da Escola Pública, que é vista como má e pouco exigente…

Com toda a franqueza, parece dispensável essa pretensa “solidariedade”, que acaba por revelar-se como postiça e hipócrita, mas que fica sempre muito bem apregoar, sobretudo em momentos como o que se vive actualmente…

Afirmar, em simultâneo, que se reconhece o direito à Greve, mas não aceitar os seus possíveis efeitos nas vidas dos Alunos e das famílias, é como afirmar, por exemplo, que os Médicos têm direito à Greve, mas que, e ainda assim, se espera que assegurem a realização de todas as Consultas, ou outros actos médicos, agendados para o(s) dia(s) em que adiram a determinada paralisação…

Ou seja, trata-se de um enorme absurdo, pleno de contradições e incoerências…

Uma Greve é uma forma de protesto que geralmente só é accionada quando se esgotam outras acções reivindicativas, que não obtiveram o sucesso esperado, porventura mais “benignas”… Ninguém, certamente, fará Greve por prazer…

Nem aqui, nem noutro qualquer lugar do mundo, é possível assumir lutas ou protestos concretos e consequentes sem que existam potenciais “prejudicados” ou “lesados”… E é assim em todas as lutas, independentemente da sua natureza: existirão, inevitavelmente, alguns danos colaterais…

Será, talvez, tão simples quanto isto:

– Se uma Greve, independentemente da Área em que ocorra, não provocar efeitos visíveis e concretos não valerá a pena fazê-la porque ninguém dará por ela, perdendo o seu significado…

A presente Greve dos profissionais de Educação não tem como objectivo “prejudicar os alunos”, nem as suas famílias, mas antes chamar a atenção para a necessidade premente de se melhorarem as condições de trabalho do Pessoal Docente e Não Docente, respeitando e valorizando o seu trabalho…

Se esse objectivo for atingido, e se se assistir à melhoria dessas condições, estar-se-á, naturalmente, a contribuir para a salvaguarda de uma Escola Pública mais honesta, mais realista e com mais qualidade…

E, em primeira análise, isso também terá, obviamente, consequências positivas para os Alunos e para as suas famílias…

Mas é possível que neste momento exista, de facto, uma certa “estranheza” e surpresa em relação ao presente movimento reivindicativo dos profissionais de Educação, muito provavelmente porque os cidadãos desconhecedores do que se passa na Escola Pública estejam mal acostumados…

Nesse caso, e acreditando que um Génio como Fernando Pessoa há-de ter razão: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”…

Portanto, será só aguardar mais um pouco até deixar de se estranhar… Não?

 

(Paula Dias)

 

 

 

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1 comentário

    • Manuel on 10 de Janeiro de 2023 at 13:59
    • Responder

    Caso para dizer: “Habituem-se!”

    Temos pena.

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