Ministro da Educação apela a diálogo sem “discursos catastrofistas”

Ministro da Educação apela a diálogo sem “discursos catastrofistas”

 

 

O ministro da Educação garantiu esta quarta-feira, no Parlamento, que o Governo “escuta” as reivindicações dos professores e que dá razão a “muitas delas”. Comprometendo-se a “ir mais longe” e a “encontrar soluções” para os docentes “em parceria” com estes – embora sempre “com responsabilidade” -, João Costa apelou a que o debate ocorra “sem discursos catastrofistas”. Ministro e Direita responsabilizaram-se mutuamente sobre o estado do ensino público.

“Vivemos tempos de luta dos professores e de outros profissionais da educação. Uma luta que o Governo escuta, reconhecendo circunstâncias atuais e antigas, que dão razão a muitas das reivindicações”, afirmou o ministro, num debate sobre a escola pública. “Compete ao Governo encontrar soluções, em parceria e com responsabilidade, como temos feito ao longo dos últimos anos”, referiu.

Segundo o governante, existem hoje várias “agendas ideol​​​​​​ógicas, políticas” e até mesmo “comerciais” apostadas em “anunciar o caos nos serviços públicos” e em levar a escola pública “neste arrastão de preconceitos”. Os “discursos catastrofistas” apenas servem o propósito “dos que, há décadas, se irritam com os sucessos do Estado Social”, argumentou.

João Costa mostrou-se disponível para “ir mais longe” nas negociações com os professores, construindo soluções “negociadas e participadas”. O ministro recordou que, na semana passada, já foi apresentada uma proposta que cria “mecanismos regulares de vinculação” de docentes, que prevê vincular mais 10 500 destes profissionais.

No entanto, Alfredo Maia, do PCP – partido que requereu o debate – considerou que essa proposta está “armadilhada”, uma vez que só envolve professores que tenham tido horário completo este ano. Ou seja: embora permitisse vincular docentes com, por exemplo, quatro anos de serviço, deixaria de fora outros que estão na carreira há uma década ou mais, pelo simples facto de, este ano, não terem tido horário completo. Para os comunistas, tal solução é “inaceitável”.

Da Esquerda à Direita, os partidos denunciaram problemas como a precariedade, o envelhecimento da classe docente ou a necessidade da reposição integral do tempo de serviço. O PCP falou ainda da atratividade “reduzidíssima” da profissão e dos obstáculos à progressão na carreira.

Direita fala em “abandalhamento” e lembra agressões

António Cunha, do PSD, lembrou que nos Açores e na Madeira, onde o seu partido é Governo, os professores já recuperaram o tempo de serviço. “Este país discrimina de forma intolerável os professores em função da região onde estão”, exclamou, ouvindo aplausos da sua bancada.

Acusando o Executivo de promover “uma cultura de facilitismo e abandalhamento da escola pública”, o social-democrata denunciou, também, o “aumento indiscriminado das agressões” a professores e funcionários. Falou do “garrote” que impede a progressão nas carreiras e culpou o PS e “a Esquerda da geringonça” pelo facto de, “nestas condições, poucos jovens quererem ser professores.

O Chega também denunciou as “escolas destruídas” e os “professores agredidos” para demonstrar o seu descontentamento com a situação da escola pública. O líder do partido, André Ventura, recordou o responsável pelo congelamento da carreira dos professores: “Esse primeiro-ministro tem um nome: chama-se José Sócrates e foi primeiro-ministro do PS”.

O líder da extrema-direita acusou João Costa de “fingir” que está a negociar com os professores e de contribuir para tornar a profissão num “pesadelo”, no qual a classe tem empobrecido. “Esta crise tem um nome e um responsável, que se chama António Costa. Mas o sr. ministro é o cúmplice maior desta desgraça”, considerou.

Carla Castro, da IL, considerou que a educação tem sido tratada de forma “indecente”. Acusou o ministro de se limitar a estabelecer “pseudo-negociações” com os professores e acusou o PS e a Esquerda de não “valorizarem” a escola pública. “Cada vez mais há procura de escolas privadas por falta de qualidade da escola pública”, atirou, numa frase que seria contestada por João Costa.

Joana Mortágua, do BE, acusou o Governo de só ter criado mais dois escalões para os professores contratados (precários) por ter sido “obrigado” pela Comissão Europeia. Na opinião da bloquista, trata-se de uma solução “pelo mínimo” que o ministro apresenta “como se fosse um grande avanço”.

A deputada considerou que os professores dos Açores e da Madeira já recuperaram integralmente o tempo de serviço pelo facto de os governos regionais terem compreendido que ou fixavam docentes nos respetivos arquipélagos ou não teriam quem desse aulas. Ora, o país encontra-se hoje “no mesmo momento de pré-rutura”, pelo que deveria seguir o exemplo das regiões autónomas, argumentou.

Ministro ataca PSD

Na sua segunda intervenção, o ministro procurou responsabilizar a Direita pela degradação da escola pública. Acusou o PSD de utilizar as imposições feitas pela troika como forma de “mascarar” as “aleivosias” que cometeu na educação da última vez que esteve no poder.

“O país não se esquece que o memorando de entendimento da troika mandava cortar 380 milhões [na educação], o Governo PSD/CDS cortou 500 milhões e o ministro [Nuno Crato] dizia e orgulhava-se que queria cortar 600 milhões”, atirou João Costa.

O governante acusou também o PSD de, no tempo de Rui Rio, ter recuado no compromisso de repor o tempo de serviço dos professores. “Se no dia de amanhã os senhores voltarem a ser Governo, não vão fazer nada do que defendem nos dias de hoje”, afirmou, lembrando que, no caso dos Açores, essa reposição foi decidida ainda no tempo em que o Governo regional “era do PS”.

João Costa classificou as afirmações da IL sobre a alegada falta de qualidade do ensino público uma “acusação infame”, uma vez que “é lá que estuda 85% da população juvenil” do país. Também sustentou que o motivo para o partido não ter falado do cheque-ensino – uma das propostas liberais para a educação – durante o debate é o facto de ter consciência de que ele significa o “desmerecimento” da escola pública.

 

 

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7 comentários

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    • Greve! on 25 de Janeiro de 2023 at 20:10
    • Responder

    Visitas ao passado, passa-culpas em bárdea, mentiras do ministro – então aquela de dizer “ir mais longe” e a “encontrar soluções” para os docentes “em parceria” com estes, embora sempre “com responsabilidade” significa o óbvio: não contem com reposição de tempo de serviço, nem fim das quotas de acesso aos 5º e 7º escalões, nem revalorização da carreira, nem nada que aumente a despesa pública – assim não há para TAP’s. Contem só com uma vinculação que Bruxelas exige e professores do quadro, agora também com a casa às costas. Vamos permitir isto?

    • Que farsolas on 25 de Janeiro de 2023 at 20:13
    • Responder

    O ministro está a negociar? Pensei que só estava a mostrar uma sinistra farsa, à espera que a Opinião Pública lhe dê razão, para poder apresentar ou uma Requisição Civil, ou uns Serviços mínimos que sejam máximos e acabem com o direito à Greve. Agora ele estar a “negociar” para mim é novidade. Não sabia que se chamava isso aquela farsa que ele montou e em que ainda por cima teve o desplante de pedir o fim da greve, uma vez que estava a “negociar”.

  1. Foi com as ideias impróprios , sem rumo e desorganização deste ME !!
    – Que provocou esta Luta de União dos Professores .
    Mas é necessário os Partidos de Oposição estarem unidos na Assembleia da República na Luta dos Professores.
    E deixarem das picardias partidárias nos seus discursos , uns contra outros e perderem tempo e minutos que tem antena .
    E sim falarem exclusivamente no que interessa. Contra este Governo e ME que estão a prejudicar os Professores, numa perseguição anti- democrática e tirar a Liberdade na luta por direitos.

    E além a nova Lei de MPD, do ME sem pés nem cabeça, que prejudica Professores com doenças incapacitantes.
    Que deveria lutar, para voltar à lei dos anos anteriores. E sem componente lectivo.
    E até os Professores com idades avançada, deveriam ter trabalho moderados

    Vários professores por MPD, até estiveram a trabalhar no ano anterior. E foi a lei MPD do ( João Costa ) , que os obrigou a saírem onde estariam colocados em Escolas perto das suas áreas de suas casas e também centro de saúde para tratamentos médicos.
    A nova Lei é destrutiva do ( João Costa ) …
    .

    • Grevista on 25 de Janeiro de 2023 at 21:47
    • Responder

    O ministro, assim como o governo-PS, estavam à espera da contestação fofinha do costume. Por isso, após 4 meses de interregno, apareceram na reunião com propostas, nuns casos de coisas que já existem, noutros de coisas que são imposição de Bruxelas, e noutros ainda, para agravar o que de mau já existe. E quanto a recuperação de tempo de serviço, fim de quotas de acesso aos 5º e 7º escalões – como já existe nos Açores e Madeira – nem quer ouvir falar nisso quanto mais negociar. A luta tem de continuar e temos de estar preparados para as intimidações, desinformação, e até ilegalidades, como esta de querer serviços mínimos que de aplicados, pura e simplesmente eram o fim da greve.

  2. A nova lei da MPD é uma tremenda injustiça.
    Eu usufrui da MPD durante os últimos 5 anos, mas tive sempre turma durante esse período.
    Este ano tive de regressar à minhas escola que dista a 160 km da minha área de residência. Deixei a turma que estave comigo nos últimos 3 anos.
    Nao fui. Estou de atestado médico desde setembro . A minha saúde não me permite que faça 320 km por dia. E sim já fui à junta médica e esta mandou-me continuar de atestado.
    Lei mais destrutiva do que esta não há.

  3. Não à milhões para sustentabilidade para Educação.
    Mas também não à para sustentabilidade para?Famílias Portuguesas com grandes sinais abaixo do nível pobreza ?
    – Mas se continuar a não haver sustentabilidade para Famílias Portuguesas e jovens !
    – O Futuro não é promissor para a taxa Natatilidade .
    Mas quando continuam a gastar mais de 4 milhões para um simples altar etc ?
    – Aqui já tem sustentabilidade para um dia mais um Bombarracho abandonado .

    Quando está acontecendo isto em Portugal…

    Mais de 2 milhões e 200 mil pessoas vivem em risco de pobreza, ou seja, com menos de 551€ por mês, após transferências sociais. Sem os apoios sociais como as pensões, o rendimento social de inserção, ou o subsídio de desemprego, este valor seria de quase 4 milhões e meio de pessoas.
    👉https://www.pordata.pt/portugal/taxa+de+risco+de+pobreza+antes+e+apos+transferencias+sociais-2399

    E tem Pensionistas e com Deficiência Permanente absoluta. Que vieram para reforma antecipado por causalidade de acidentes em serviço. E trabalharam mais de 30 anos de descontos contributivos. E tem de reforma abaixo do ordenado mínimo.
    E tiveram perdas de mobilidade física , sequelas irreparáveis, dores crónicas permanente etc .
    Tem gastos e despesas com medicamentos mensais, tratamentos para tratar das sequelas dos acidentes.
    Certos tratamentos adequados para seus problemas em piscina relaxamento muscular e movimentos, não tão doloroso dentro água para ter mais mobilidade , e não tem ajudas do Estado Português.
    Além tem gastos também com :
    – Crédito habitação Permanente
    – Gaz e electricidade
    – Medicamentos
    – Bens Alimentares.
    – Água
    Etc .
    Deveriam mudar as leis para os Pensionistas com Deficiência Permanente. Que ao virem para reforma antecipado por acidentes em serviço e perda de mobilidade e sequelas físicas irreparáveis e permanente . Pelo menos não deveriam ter cortes. E deveriam receber pela idade legal da reforma 66 anos atualmente.
    E quem está nessa situação atualmente reforma antecipado por deficiência permanente absoluta para qualquer tipo de trabalho .
    https://l.facebook.com/l.php?u=https%3A%2F%2Fwww.pordata.pt%2Fportugal%2Ftaxa%2Bde%2Brisco%2Bde%2Bpobreza%2Bantes%2Be%2Bapos%2Btransferencias%2Bsociais-2399&h=AT1F1b1ye2X_Vg-xbU8CKiMLt4F-lDiYuPUI76UODrwhhrd3f2HuIfhZbnC2qdE-P2Fx9ZmxfJp-84mQt6FSPY2cKUQbDq03csum6aLrr08WyJX-qQ1O_wvqO9iOAsmCO8mxfH69gHZOmB-UpWUV&s=1

    • Marta on 26 de Janeiro de 2023 at 16:25
    • Responder

    PSD= PS: só conversa da treta, para enganar os professores. Eu levei a minha família mais próxima a não votar nem num nem noutro desde a Mª Lurdes Rodrigues…faço o meu trabalho…naqueles, nunca mais. Destruíram a minha felicidade na escola…ambos defendem interesses próprios e de amigos e familiares; não trabalham para o bem público…querem entregar tudo aos privados. Vejam de quem são os colégios privados…PS (maioritariamente) e PSD, como vários trabalhos jornalísticos já demonstraram….

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