Fevereiro 2024 archive

Aumentam as agressões, ameaças e furtos nas escolas

PSP registou 2617 ocorrências no primeiro semestre do ano passado, mais do que em 2019. Especialistas notam crianças mais violentas e pedem recursos ao Governo.

Aumentam as agressões, ameaças e furtos nas escolas

A violência nas escolas está a aumentar. Desde 2019, a Polícia de Segurança Pública (PSP) registou, através do programa Escola Segura, mais de 10500 ocorrências nos estabelecimentos escolares, só nos primeiros seis meses de cada ano. Quase 66% foram de natureza criminal. Ao mesmo tempo, observou-se um aumento dos crimes de ofensas corporais, injúrias, ameaças e furtos. Os especialistas apontam que, atualmente, os casos de violência entram facilmente na vida dos mais novos, seja através da Internet ou da televisão, designadamente quando assistem à guerra na Ucrânia e no Médio Oriente. A pandemia também penalizou o seu desenvolvimento saudável.

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𝗖𝗼𝗻𝗰𝘂𝗿𝘀𝗼𝘀 𝗜𝗻𝘁𝗲𝗿𝗻𝗼 𝗲 𝗘𝘅𝘁𝗲𝗿𝗻𝗼 | Região Autónoma dos Açores – 2024/2025

Informamos que se inicia no próximo dia 19 de fevereiro o Concursos Interno e Externo de Provimento de Pessoal Docente da Educação Pré-Escolar e dos Ensinos Básico, Secundário e Artístico nos Quadros do Sistema Educativo da Região Autónoma dos Açores – 2024/2025

O prazo para apresentação de candidatura é de dez (10) dias úteis contados do primeiro dia útil seguinte ao da publicação do presente Aviso na Bolsa de Emprego Público – Açores, fixado entre 𝟭𝟵 𝗱𝗲 𝗳𝗲𝘃𝗲𝗿𝗲𝗶𝗿𝗼 𝗲 𝟭 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗿𝗰𝗼 𝗱𝗲 𝟮𝟬𝟮𝟰, estando a respetiva plataforma informática acessível aos candidatos durante esse período, incluindo o fim-de-semana intercalar.

Após o termo do prazo a que se refere o ponto anterior não pode ser efetuada qualquer alteração aos elementos, opções e preferências inseridas na candidatura apresentada, sem prejuízo do disposto no ponto 10.5. do presente Aviso.

O acesso à plataforma do concurso, em cada fase procedimental, inicia-se às 09h00 do primeiro dia e termina às 18h00 do último dia dos respetivos prazos (horas locais da Região Autónoma dos Açores).

A candidatura faz-se através do preenchimento e submissão eletrónica do formulário disponível no endereço https://concurso pessoal docente.azores.gov.pt

Aviso de Abertura em: https://concursopessoaldocente.azores.gov.pt/2024/regulamentos.asp

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Pais e Encarregados de Educação manifestam-se a 24 de fevereiro

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Um país inteiro a arrastar os pés na Educação – José Manuel Alho

Um país inteiro a arrastar os pés na Educação

 

As eleições legislativas de 10 de março já estiveram mais longe.

Com sonsa permissividade – até nestes detalhes se nota a falta de exigência coletiva – a comunicação social consentiu o início dos debates televisivos sem a divulgação prévia de todos os programas eleitorais.

O panorama não é animador. Parece que a maioria das forças partidárias, copiosamente encerradas sobre si mesmas, com poucos independentes, nada têm para oferecer que levante do chão um país a precisar de carinho e ânimo.

Na Educação, como aqui alertei, os partidos estão esvaziados de quadros que tragam ou signifiquem efetivas mais-valias para o futuro do setor. Tudo se resumirá a uma coleção de cromos ou de um punhado de especialistas de pacotilha, que nos últimos anos se dedicaram ao populismo ou à demagogia de quem se presta a patrocinar interesses (muito) pouco confessáveis.

Há quem proponha a devolução faseada, mas sem adiantar os seus exatos termos. Os professores não estão em condições de passar cheques em branco. Assim, a devolução, mais ou menos acelerada, não pode estar sujeita a qualquer condicionalismo. A devolução só deve ter uma consequência: o reposicionamento, sem outras condicionalidades acopladas. Ponto.

Vou arriscar uma “lapalissada” e prever que, para os professores portugueses, neste sufrágio de março de 2024, colocar-se-á uma de três possibilidades:

  1. não votar;
  2. votar branco ou nulo;
  3. votar no menos mau.

 

E, quando o eleitor se vê atirado para este leque de alternativas, somos obrigados a reconhecer que a (nossa) democracia está perigosamente em risco de se vulgarizar, abrindo alas a toda a sorte de extremismos.

Numa análise comparativa das propostas partidárias, percebe-se que a Educação já não é uma prioridade. Não se conhece uma força, com assento parlamentar, que coloque, como linha vermelha, a valorização da Educação. Até dos debates foi afastada. Nem sequer uma tão fogosa quanto passageira paixão. É tudo muito pobre, sem uma visão integrada que aporte a consistência de uma verdadeira estratégia mobilizadora.

Desde o início deste século, amontoaram-se, em Portugal, os ataques que os políticos, os partidos e muitos governantes desferiram contra a dignidade socioprofissional dos professores. A classe docente saiu deste processo fragilizada, depreciada e ferida no seu orgulho. Está (compreensivelmente) zangada e descrente. O mais desconcertante é que a classe política ainda não terá percebido este contexto, em que perdeu o estatuto de acusação para assumir o de réu. Mantém-se no limiar daquela soberba que antecede a insolência menosprezadora. Mesmo em tempo de eleições, não consegue encontrar mediadores que falem a linguagem do terreno, dos professores que, apesar de numerosos desmandos governativos, continua(ra)m a dar a cara e o melhor de si pela Escola Pública. Repito, o poder político precisa de recrutar quem fale a linguagem dos professores porque, deixemo-nos de tretas, não houve, não há nem haverá futuro para a Educação contra os professores.

Como em devido tempo antecipei, aconteceu a sul-americanização da carreira docente. Desvalorizada. Proletarizada. Empobrecida.

Daí que, para início de conversa, importe resolver, sem mais demoras, a questão da devolução do tempo de serviço. Sem isso, não teremos paz nas nossas escolas.

Há quem proponha a devolução faseada, mas sem adiantar os seus exatos termos. Os professores não estão em condições de passar cheques em branco. Assim, a devolução, mais ou menos acelerada, não pode estar sujeita a qualquer condicionalismo. A devolução só deve ter uma consequência: o reposicionamento, sem outras condicionalidades acopladas. Ponto.

Em complemento, cumprirá concatenar a resolução de outros dossiês prementes:

  • revisão do Regime Geral de Avaliação do Desempenho Docente, extirpando os garrotes das quotas e das vagas de acesso aos 5.º e 7.º escalões, que subvertem a progressão na carreira;
  • revisão do o regime de autonomia, administração e gestão dos estabelecimentos públicos da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, conferindo-lhe maior transparência, equilíbrio e, acima de tudo, democraticidade, apurando a lógica de checks and balances;
  • revisão do regime de monodocência,  versando, em concreto, o racional vigente de fragmentação organizacional e de compartimentação institucional do 1.º Ciclo. Urge, por isso, reparar, compensando, o esbulho generalizado de que têm sido vítimas os monodocentes;
  • implementação de um robusto plano de desburocratização da ação docente, perseguindo, pela penalização, quem obstaculizar, ou torpedear, a simplificação que se impõe.

 

Esforço-me por ser um otimista bem informado. Por isso, não creio que a situação venha a conhecer melhorias substantivas. A aposentação (prevista) de milhares de professores, conjugada com o abandono de outros tantos, vai deixar as famílias e as futuras gerações num agonizante beco sem saída. Ao contrário dos médicos e de outras classes profissionais, igualmente vergastadas por políticas que promoveram uma descarada e brutal transferência de rendimentos do trabalho para os rendimentos do capital, no setor privado e no setor público, o poder de chantagem dos professores mede-se em gerações. E, com esta casta de políticos, a Educação estará condenada ao derradeiro sacrifício.

Temo que continuemos a ter um país inteiro a arrastar os pés na Educação.

José Manuel Alho

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O Programa do PAN

O Programa do PAN, apresentado ontem, refere na página 129 o seguinte sobre a recuperação do tempo de serviço dos professores:

 

  • Recuperar progressivamente o tempo integral de serviço congelado dos professores;

 

 

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Só Há um Grupo Onde Há Menos Vagas Que Candidatos

De acordo com as vagas abertas para o concurso de transição de QZP e com a lista provisória de candidatos existe apenas um grupo de recrutamento num QZP onde o número de vagas que abriram não chegam para todos os candidatos desse QZP.

Essa situação ocorre no Grupo de Recrutamento 250 – Educação Musical onde abriram 21 vagas nos diversos mini QZP e existem 22 docentes no QZP 06.

Não acontece esta situação em mais nenhum grupo de recrutamento e QZP.

Assinalei a amarelo onde o número de vagas é equivalente ao número de candidatos, em muitos casos com 0 vagas e 0 candidatos.

O grupo de recrutamento com maior disparidade entre o número de candidatos e o número de vagas abertas é o 360 – Língua Gestual Portuguesa, onde abriram 59 vagas e só estão nas listas 20 candidatos (33,9%), seguindo-se o grupo 340 – Alemão com uma diferença de 11 vagas para 4 candidatos (36,4%). O grupo 120 – Inglês no 1.º Ciclo também tem uma grande disparidade, porque existem 477 vagas para 291 candidatos (61%).

Com exceção do grupo de recrutamento 310 – Latim e Grego onde existem 2 vagas para 2 candidatos (100%) os restantes grupos tem uma margem entre 64 e 95% de diferenças.

Para analisarem as diferenças entre todos os grupos podem clicar na imagem que será aberto um pdf deste documento.

 

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Magnifica Marcha Pela Educação

Sem sindicatos, sem partidos, com milhares de Professores.

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Lista Colorida – RR22

Lista colorida atualizada com colocados e retirados da RR22:

lista colorida

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O que está escrito nos programas eleitorais sobre recuperação de tempo de serviço dos professores?

PS fica-se por um “iniciar negociações”, CDU e BE defendem a recuperação total. O Livre propõe fazê-lo em dois anos, o Chega em quatro, e a AD em cinco.

O que está escrito nos programas eleitorais?
  • PS “Iniciar negociações com os representantes dos professores com vista à recuperação do tempo de serviço de forma faseada.”
  • AD “Reconhecer a importância dos professores: recuperar integralmente o tempo de serviço congelado, de forma faseada nos próximos 5 anos (à razão de 20% ao ano), e atrair novos professores para, até 2028, superar estruturalmente a escassez de professores.”
  • Chega “É evidente a necessidade de recuperação integral do tempo de serviço congelado aos educadores do pré-escolar e aos professores do ensino básico e secundário. Este objetivo será concretizado num prazo máximo de quatro anos correspondentes à próxima legislatura (2024-2028), prazo perfeitamente antecipável em função das negociações entre a nova tutela ministerial e os sindicatos do sector orientadas por um novo contrato social do ensino.”
  • IL Não fala sobre o assunto concreto, apenas diz ser preciso “reformular a carreira docente.”
  • BE “Recuperação de todo o tempo de serviço.”
  • CDU “Consideração de todo o tempo de serviço dos professores e consequente reposicionamento na carreira e na aposentação, em particular no cálculo da pensão.”
  • Livre Considerar “a contagem integral do tempo de serviço do pessoal docente e de todos os trabalhadores das carreiras e corpos especiais da administração pública, com uma regularização total a dois anos ou com outro prazo resultante do diálogo social.”

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Novos incentivos à fixação de professores nos Açores

Entram em vigor no próximo ano lectivo – Novos incentivos à fixação de professores nos Açores

O Governo Regional mantém a bonificação de 0.5 valores, por cada ano de serviço, para os professores que pretendem fixar-se nas escolas da região, noticia a Antena 1 Açores.
A portaria relativa à atribuição de incentivos à fixação de professores já se encontra em Jornal Oficial, sendo determinado os grupos, disciplinas e escolas carenciadas de docentes.
Porém, para os sindicatos são necessários regulamentar outro tipo de incentivos.
Em declaração ao mesmo meio de comunicação, Sofia Ribeiro, Secretário Regional da Educação, explicou que as áreas de maior carência de docentes são o ensino básico, ensino especial e a área de informática: “é uma portaria que define quais são os grupos de recrutamento carenciados e em que ilhas ou escolas, para poder incentivar os decentes na incerne dos seus concursos a fazerem quando possíveis, escolhas que depois podem ter uma bonificação no seu concurso seguinte.”
No entanto, para o António Fidalgo, do Sindicato Democrático dos Professores, estes incentivos não trazem quaisquer vantagens: “no fundo nós estamos a promover absolutamente nada, porque o docente só usufrui desta bonificação, até ao máximo de 3 valores e no momento em que decide concorrer, usam aquele concurso para sair daquela escola para outra”, declarou.
Para o sindicato de professores, deveriam ser implementados outros incentivos como a nível pecuniário e de apoio à habitação: “o que nós precisamos é de incentivos que já estão previstos no estatuto e que não estão ainda regulamentados e os outros que sejam necessários, sejam efectivamente criados, pois só dessa forma é que nós vamos promover a fixação de docentes, a estabilidade do corpo docente e a atração de docentes para as escolas na região.”
Por outro lado, Sofia Ribeira lembra os apoios previstos pelo Orçamento de 2024 não foram ainda implementados, uma vez que, o documento foi chumbado, sendo que o problema agora, recai no facto de estes incentivos só poderem entrar em vigor em 2025: “ao haver a aprovação de um novo orçamento que contem esta norma, como é o nosso desejo, podemos então explorar a condição de abrimos estes incentivos também às mobilidades em afectação e às contratações”, frisou.
Nos Açores constata-se a carência de docentes no ensino pré-escolar, no 1º ciclo do ensino básico e no ensino especial em quase todas as escolas da região.

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Amanhã há manifestação de Professores

Estão todos convidados…

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145 Contratados na RR22

Foram colocados 145 contratados na Reserva de Recrutamento 22, distribuídos de acordo com a tabela seguinte:

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Reserva de recrutamento 2023/2024 n.º 22

 

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 22.ª Reserva de Recrutamento 2023/2024.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 19 de fevereiro, até às 23:59 horas de terça-feira dia 20 de fevereiro de 2024 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 22

Listas – Reserva de recrutamento n.º 22

 

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Que Vagas Vão Ser Disponibilizadas no Concurso Externo?

Face a algumas dúvidas que tenho vindo a receber, resolvi fazer este artigo para esclarecer que vagas serão disponibilizadas no concurso externo. Para isso basta ler o artigo 23.º do Decreto-Lei 32-A/2023, de 8 de maio.

Artigo 23.º

Vagas a concurso externo

Para efeitos do concurso externo são consideradas as vagas previstas na portaria a que se refere o n.º 1 do artigo 19.º que não estejam ocupadas à data da abertura do concurso, as quais incluem as vagas correspondentes à aplicação do n.º 12 do artigo 42.º e do n.º 1 do artigo 43.º

 

Ou seja:

  • As vagas sobrantes do concurso interno:

Artigo 19.º

Dotação dos quadros

1 — Por portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas da Administração Pública, das finanças e da educação é fixada a dotação das vagas dos quadros dos AE/EnA e dos QZP, de acordo com as projeções de evolução do número de alunos e da oferta educativa e formativa.

 

  • As vagas abertas pela norma travão:

Artigo 42.º

2 — A sucessão de contratos de trabalho em funções públicas a termo resolutivo celebrados com o Ministério da Educação na sequência de colocação obtida em horário anual e completo, no mesmo grupo de recrutamento ou em grupos de recrutamento diferentes, não pode exceder o limite de três anos ou duas renovações.

12 — A verificação do limite indicado no n.º 2 determina a abertura de vaga de quadro no grupo de recrutamento em que o docente se encontra a lecionar.

 

  • As vagas abertas pela Vinculação Dinâmica:

Artigo 43.º

Vinculação dinâmica

1 — Sem prejuízo do disposto no n.º 12 do artigo anterior, há lugar à abertura de vaga, no grupo de recrutamento em que o docente possui qualificação profissional e no QZP em que se situa o AE/EnA onde aquele se encontra a lecionar a 31 de dezembro do ano anterior ao da abertura do concurso, desde que preencha cumulativamente as seguintes condições:

a) Possua, pelo menos, 1095 dias de tempo de serviço para efeitos de concurso;

b) Tenha celebrado contratos de trabalho em funções públicas a termo resolutivo com o Ministério da Educação nos dois anos escolares anteriores, com qualificação profissional, dos quais resulte uma das seguintes situações:

i) Tenha prestado, pelo menos, 180 dias de tempo de serviço em cada um desses anos;

ii) Tenha prestado, pelo menos, 365 dias de tempo de serviço no cômputo desses dois anos e em cada um deles tenha prestado, pelo menos, 120 dias de tempo de serviço.

 

E como ser ordenam os candidatos ao concurso externo?

Artigo 10.º

Prioridades na ordenação dos candidatos

3 — Os candidatos ao concurso externo são ordenados, na sequência da última prioridade referente ao concurso interno, de acordo com as seguintes prioridades:

a) 1.ª prioridade — docentes que preencham os requisitos previstos no n.º 2 do artigo 42.º e no n.º 1 do artigo 43.º;

b) 2.ª prioridade — indivíduos qualificados profissionalmente para o grupo de recrutamento a que se candidatam e que tenham prestado funções docentes em pelo menos 365 dias nos últimos seis anos escolares nos estabelecimentos referidos no número seguinte;

c) 3.ª prioridade — indivíduos qualificados profissionalmente para o grupo de recrutamento a que se candidatam.

4 — O disposto na alínea b) do número anterior é aplicado aos docentes que tenham exercido ou exerçam funções em:

a) Estabelecimentos integrados na rede pública do Ministério da Educação;

b) Estabelecimentos integrados na rede pública das Regiões Autónomas;

c) Estabelecimentos do ensino superior público;

d) Estabelecimentos ou instituições de ensino dependentes ou sob a tutela de outros ministérios que tenham protocolo com o Ministério da Educação;

e) Estabelecimentos do ensino português no estrangeiro, incluindo ainda o exercício de funções docentes como agentes da cooperação portuguesa nos termos do correspondente estatuto jurídico.

___________________________________________________________________________________

Os docentes da Norma Travão e da Vinculação Dinâmica concorrem ao concurso externo de 2024/2025 na 1.ª prioridade às vagas do concurso externo, não havendo qualquer obrigação futura de concorrerem a nível nacional como aconteceu este ano com os docentes que vincularam pela vinculação dinâmica.

Pode eventualmente acontecer que um docente em 1.ª prioridade com 1095 dias de serviço consiga um lugar no quadro e um docente com 10 ou mais anos de serviço por não estar colocado em 31/12/2023 não conseguir colocação em lugar de quadro, por concorrer em 2.ª prioridade.

E vai voltar a acontecer que muitos docentes atualmente do quadro vão perder mais uma vez a oportunidade de concorrer a lugares apenas disponíveis no concurso externo.

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Vagas 2024/2025 – Açores

 

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Terminou Hoje o Apuramento de Vagas 2024/2025

Terminou hoje, pelas 18 horas o apuramento de vagas para o concurso Interno e Externo de 2024/2025.

No meu caso consegui apurar tantas vagas positivas como negativas (8). Se esta fosse a media dos 809 agrupamentos, então as vagas positivas seriam na ordem das 6.500, tantas quanto as negativas. Daí até às 20 mil ainda falta perto de três vezes mais vagas.

Das duas uma, ou pelas zonas mais carenciadas a média dispara e essencialmente as vagas serão na zona de Lisboa e Algarve, ou o ME artificialmente terá de abrir um número de vagas superior nas zonas com menos carência de vagas.

No caso da norma travão ainda não foi este ano que me consegui estrear a abrir uma vaga para a norma travão.

Já quanto à vinculação dinâmica, consegui apurar 9 lugares, resta saber se algum deles terá interesse em tornar-se dinâmico, pelo que me fui apercebendo não parece que estejam com muita vontade disso.

Seria interessante ter o feedback de outras escolas de várias zonas do país para conhecer como anda este apuramento.

 

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‘STOR X – PROFESSOR UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO

Deixo aqui o link de uma música criada por um grupo de Hip-hop que nasceu no Agrupamento de Escolas de Samora Correia, para apoiar a luta dos professores. 

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Nova Sondagem do Blog, Depois de Conhecidos os Programas Eleitorais

Agora que são conhecidos os programas eleitorais (com exceção do PAN) deixo mais uma auscultação aos leitores do Blog sobre as suas intenções de voto no dia 10 de março.

Os programas eleitorais são os seguintes:

Aliança Democrática

Bloco de Esquerda

CHEGA

Iniciativa Liberal

LIVRE

PAN (ainda não tem programa)

Partido Socialista

PCP

[TS_Poll id=”8″]

 

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A mediocridade do programa eleitoral do PS para a Educação – Santana Castilho

 

O que me tem sido oferecido, em sede de pré-campanha eleitoral, configura desprezo pelo debate social sério, que permitiria apurar aquilo que serve ou não o sistema educativo. Quanto mais olho para o que propõem os partidos políticos com mais probabilidades de virem a ser Governo, mais me sinto em sentido contrário: eles fixados em reforçar as dominâncias que nos trouxeram à mediocridade presente; eu preocupado com modos diferentes de ver o mundo, para que cada um o entenda e não seja escravo dessas dominâncias.
Porque considero todos os programas eleitorais já conhecidos pobres e incapazes de operar as mudanças de que carecemos, aguardava com expectativa o que o PS tinha para nos dizer. A desilusão afundou em gelo essa expectativa.
Presente a carência de espaço para fazer uma análise sistemática e exaustiva, transcrevo em itálico nacos de prosa que considero mais representativos de toda uma narrativa mole, palavrosa, própria para adormecer boi, e junto-lhes brevíssimas considerações críticas.
1. “… o sistema educativo português …, praticamente erradicou o analfabetismo …” (Pág. 66).
Infelizmente, o analfabetismo não está erradicado. São analfabetos 3.1% dos portugueses (INE e Pordata, 6/4/23).
2. “… As políticas dos governos do Partido Socialista introduziram sempre marcos de referência … O alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos … a qualificação da população adulta …” (Pág. 66).
Eu sei que o prolongamento da escolaridade obrigatória até aos 12 anos ganhou estatuto de vaca sagrada, que a maioria assume como intocável. Mas numa Europa onde são vários os países que conseguem desempenhos superiores aos nossos com apenas nove anos de escolaridade obrigatória e quando o INE nos acaba de dizer que a percentagem de portugueses entre os 18 e os 24 anos que deixou de estudar sem concluir o 12º ano (abandono escolar precoce) aumentou, fixando-se agora nos 8%, seria descabido voltar a discutir se é possível ensinar, seja o que for, a quem não quer aprender?
Fiquei agora a saber que o actual PS se orgulha do maior logro que o PS de Sócrates promoveu: as “Novas Oportunidades”, de hedionda memória. Ainda não foi desta que o PS aceitou, para que possamos voltar a acreditar nele, demarcar-se do PS de outrora.
3. “ … Rever e simplificar as regras do concurso de colocação do pessoal docente … “ (Pág. 67).
Eis um exemplo do habitual modo de apresentar intenções por compromissos. De um programa sério não se espera que as propostas assumam logo a forma de diplomas de execução. Mas exige-se que seja dito o mínimo concreto, com referências circunstanciais precisas (como e quando, pelo menos), para mostrar que quem propõe saberá como executar.
4. “… A Escola é uma comunidade que prepara cidadãos que podem escolher além do seu contexto … “ (Pág. 67).
Que pobreza de construção frásica! O que é que isto quer dizer? Podem traduzir?
5. “ … As políticas públicas na Educação implicam uma permanente capacidade de diagnosticar, avaliar, corrigir e avançar, sem desprezar o património herdado, mas sobretudo sem discursos vazios em torno de conceções passadistas e elitistas, mas sim através de medidas que tenham em conta os desafios nacionais e globais que os sistemas educativos hoje enfrentam … “ (Pág. 67).
Tudo o que o PS, nos últimos oito anos de governação, não fez. Pelos vistos, teremos mais do mesmo.
6. “… Revisitar o modelo de gestão das escolas, no sentido de aprofundar as dinâmicas participativas e colaborativas, incluindo o reforço da participação dos alunos na vida da escola, sem prejuízo do processo de descentralização … “ (Pág. 67).
Revisitar significa visitar novamente. Teremos na “visita” inauguração do busto de Maria de Lurdes Rodrigues, mãe do monstro que vem corroendo a escola pública e que o PS não tem coragem de enterrar?
7. “… Estudar as práticas de formação das turmas, fomentando a necessária heterogeneidade do ponto de vista da integração dos alunos de diferentes estratos socioeconómicos …” (Págs. 67 e 68).
Não se cansem com o estudo. Essa tal heterogeneidade é irrecuperável. Oito anos de governos PS criaram duas escolas, definitivamente homogéneas: a pública, pobre, para os pobres; a privada, rica, para os ricos.
In “Público” de 14.2.24

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A Candidata Virtual, Maria Esperança

 

Candidatura de Maria Esperança Portugal apresentada

 

A Federação Nacional da Educação (FNE) lançou hoje a candidatura virtual de “Maria Esperança Portugal”, uma candidata fictícia às eleições legislativas antecipadas que pretende pôr os partidos a discutir o setor.

“Além do nosso trabalho para a construção de um roteiro para a legislatura, queremos utilizá-la como sendo quase uma porta-voz para a promoção do debate”, explicou à Lusa o secretário-geral da FNE, Pedro Barreiros.

A candidatura fictícia de Maria Esperança Portugal é lançada hoje, com o lançamento de uma página na Internet em que são detalhadas as várias propostas, desde a educação para a infância ao ensino superior e investigação.

“É Maria porque 80% do corpo docente e não docente são mulheres e o apelido que escolhemos foi Esperança porque é preciso ter esperança no quadro das nossas reivindicações relacionadas com o rejuvenescimento da profissão e, também por isso, criamos um rosto jovem”, explicou Pedro Barreiros.

“Maria Esperança Portugal”, uma candidata criada através de inteligência artificial, tinha sido pensada para as eleições europeias, que se realizam em junho, mas a demissão do Governo e marcação de eleições antecipadas para 10 de março levou a FNE a avançar já com a iniciativa.

A cerca de um mês da ida às urnas, o objetivo é colocar no centro do debate os temas da educação, algo que não tem acontecido, lamenta o dirigente sindical.

“É estranho, passados todos estes debates, ainda não se ter ouvido nada sobre Educação. Se não falam, temos de fazer qualquer coisa para que se fale e eu acho que a Maria pode vir a ter esse contributo”, antecipou.

Quanto às suas propostas, coincidem com muitas das reivindicações que a FNE tem vindo a fazer: a revisão do regime de mobilidade por doença, a eliminação da burocracia ou a valorização do setor social.

A FNE está ainda a preparar o roteiro para a legislatura e reúne, no dia 16, com representantes de todos os partidos com representação parlamentar.

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Porque subiu o abandono escolar?

Ordem do Dia – 12 fevereiro 2024

Tema: Porque subiu o abandono escolar?

 

Pedro Carvalho da Silva conduz o debate sobre a situação atual do abandono escolar, em Portugal. Nesta reflexão, foram discutidos os motivos que levam ao abandono escolar. Este debate teve a participação de Filinto Lima, Presidente da Associação Nacional de Agrupamentos de Escolas Públicas e Ana Catarina Mesquita, Professora e Investigadora na área da Educação.

 

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As propostas dos partidos para a educação

 

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Quantas Vezes É Feita a Referência à Palavra Professor nos Programas Eleitorais

Por curiosidade fui contabilizar o número de vezes que aparece nos programas eleitorais a Palavra do Ano de 2023. Para quem não ainda sabe, é a palavra “PROFESSOR“.

O Bloco de Esquerda lidera este ranking com 34 ocorrências, seguindo-se a AD com 25. O PS apenas refere a palavra professor por 7 vezes, mais uma que o PCP. A Iniciativa Liberal é o partido com menos referências à palavra Professor, apenas com 4.

Para acederem aos 7 programas eleitorais devem abrir a imagem porque no PDF tem o link para os referidos programas.

 

 

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Propostas dos partidos para a educação são “jogo de oportunismo político”

Propostas dos partidos para a educação são “jogo de oportunismo político”

 

 

O DN ouviu os professores Santana Castilho e Paulo Guinote sobre o que gostariam de ver implementado para o setor. Os partidos esperam por relatórios da UTAO para traçar um horizonte para a recuperação do tempo de serviço e propõem cheques-creche ou reintrodução de professores reformados no sistema.

No momento em que quase todos os partidos já divulgaram os seus programas eleitorais – à exceção do PS, que divulga durante esta tarde, e o PAN, que deverá dar a conhecer as suas propostas nos próximos dias – é possível traçar um mapa das intenções políticas para cada setor. No que diz respeito à educação, o DN ouviu professores que, para além de interessados nas suas causas, conhecem os sistemas por dentro. “Quer o Rui Tavares, quer a Inês de Sousa Real, na esperança de serem agradáveis ao PS, esperam pela posição do PS, e este não quer romper, abertamente, desde já, com o que foi feito até agora”, afirma o professor de história do segundo ciclo Paulo Guinote, sobre os líderes do Livre e do PAN, respetivamente, e a sua perspetiva quanto ao calendário para a reposição do tempo de serviço dos professores, que, dizem, dependerá do relatório que será produzido pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO).

A origem desta questão remonta ao debate da passada sexta-feira, na RTP, que opôs o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, ao fundador do Livre, Rui Tavares. Ambos concordaram que só poderiam definir um período para a reposição do tempo integral de serviços dos professores depois de conhecerem o relatório da UTAO.

“A UTAO não fez o estudo até agora porque não quis, porque não quis envolver-se no debate político e não quis fornecer dados que o Ministério [da Educação] tem em seu poder, seja no IGEP [Inspeção-Geral do Ensino Particular], seja na DGAE [Direção-Geral da Administração Escolar], porque todos os meses são processados salários e o Ministério tem na sua posse os elementos mais do que suficientes para fazer um estudo num par de semanas”, continua Paulo Guinote, acrescentando que “o estudo da UTAO não foi feito por questões de oportunismo político”.

“Em segundo lugar, quer o PS, quer o PAN, quer o LIVRE, que me parece uma espécie de geringonça, uma neo-geringonça, optaram pela mesma posição, que é esperar pelo estudo da UTAO para definir uma posição”, defende Paulo Guinote, lembrando que “Pedro Nuno Santos, antes disso, já disse tudo e mais alguma coisa acerca desta questão. Ou seja, ele já garantiu que o tempo seria recuperado, depois começou a hesitar, depois voltou a dizer que sim e agora voltou a hesitar. Digamos que a posição do LIVRE e do PAN a mim não me influi muito, eles apenas estão à espera da posição do PS”, remata.

Quando se fala de reposição do tempo de serviço dos professores, fala-se de um questão de “justiça elementar que tem sido responsável por perdas de milhares de milhões de euros, porque as pessoas sabem fazer as contas quando vão à padaria e ao supermercado”, destacou ao DN o professor Manuel Santana Castilho, quando questionado sobre o tema levantado no debate. “E o [primeiro-ministro] António Costa sabe fazer as contas relativamente àquilo que lhe interessa. Mas não sabem fazer as contas aos prejuízos que não são imediatamente traduzíveis em euros”, continua o académico, que não poupa em críticas ao atual Governo no que diz respeito à educação.

Ao encontro das pretensões dos professores, algumas forças políticas já assumiram que pretendem, num prazo de quatro anos, a reposição integral do tempo de serviço, seja ou não realista e sem esperarem pela UTAO. Porém, esta é apenas uma das medidas que está em cima da mesa.

Para além do próprio sistema educativo e das condições em que a profissão de professor é exercida, a atratividade para esta via também tem sido abordada pelos partidos. No entanto, para introduzir o tema, há uma proposta, avançada pela Iniciativa Liberal no seu programa eleitoral que pode dar o mote para o seu próprio contraponto: o cheque-creche, que, de acordo com o partido iria permitir aos pais das crianças escolher o jardim de infância, seja no setor público ou no privado.  “O cheque-creche já falhou numa série de países, não diminuindo as desigualdades e apenas servindo para suprir alguma parte do orçamento familiar de quem quer ter os filhos num ensino privado”, explicou Paulo Guinote,  classificando esta proposta como “um mito, porque as creches e as escolas privadas selecionam e têm essa capacidade e legalmente não podem ser impedidas de fazer uma pré-seleção dos alunos e das crianças que querem admitir nas suas instituições”. “Portanto, o cheque-ensino e o cheque-creche, especialmente para os alunos mais carenciados, nas zonas mais complicadas, com menos meios económicos, é apenas a promessa de uma ilusão de que eles vão ter acesso a algo onde depois não são aceites”, continua o professor de história, que alerta para outro problema: “A falta de professores.”

“Se há falta de professores, como é que o ensino privado, que paga em regra pior, vai conseguir ter professores ou educadores para essas crianças que afluiriam teoricamente às suas instituições, a menos que passassem a recrutar um bocado de forma ad-hoc”, questiona Paulo Guinote, de forma retórica. “A menos que, de repente, eles começassem a pagar melhor e a dar melhores condições de trabalho a essas pessoas. Caso contrário, apenas o que existe é, volto a dizer, uma promessa ilusória que deslocará verbas, eventualmente do Ministério da Educação, para algumas famílias, mas que em muitos casos, e provavelmente nos casos de maior necessidade, terão que voltar ao ensino público”, defende.

Centrando o tema da educação em torno dos professores, um dos problemas identificados é precisamente os baixos salários no setor. “A questão salarial da carreira depende da carga fiscal, ou seja, formalmente os professores até podem ter salários brutos muito atrativos, aparentemente atrativos, mas depois a carga fiscal é brutal”, sublinha Paulo Guinote, propondo, por exemplo, que haja deduções em sede de IRS no que diz respeito a alojamento, no caso dos professores deslocados, e combustível.

Sem acompanhar a proposta de Paulo Guinote, Santana Castilho prefere destacar a importância de aumentar salários. Para professores e não só. “Os professores ganham mal, é óbvio, mas não são só os professores que ganham mal. Ganham mal os médicos. Os portugueses ganham genericamente mal e temos um fenómeno que futuramente vai ser dramático, que é a aproximação do salário médio em Portugal do salário mínimo”, defende Santana Castilho. “Portanto, nós estamos tendencialmente a caminhar para empobrecer em vez de enriquecer e de nos aproximarmos da Europa”, considera. Mas o problema é mais vasto, continua o professor. “A exigência de formação inicial dos professores tem-se degradado ao longo dos anos de uma maneira absolutamente insustentável. Era preciso uma intervenção profunda aí. A independência científica, intelectual e profissional dos professores foi completamente arrasada”, defende, acrescentando que este problema é agravado ainda por uma “decantada carga burocrática”. Porém, a cereja no topo do bolo dos problemas, destaca Santana Castilho, é “um problema gravíssimo de indisciplina, que obriga os professores a passarem a maior parte do seu tempo a tentar que a aula funcione. Nada disto é reconhecido pelo Ministério.”

No que diz respeito ao setor da educação, Santana Castilho propõe também que se eleve “a educação a prioridade política”. “A revisão da lei de bases do sistema educativo é imperiosa. Está ultrapassada, está datada e precisávamos de a rever. É preciso universalizar todo o pré-escolar até a entrada no básico. É inadiável que qualquer governo que se queira distinguir dos anteriores proceda a uma reformulação integral do plano de estudo do ensino obrigatório e naturalmente de todos os conteúdos”, recomenda. Por fim, lembra que “o acompanhamento das crianças enquanto os pais trabalham é um problema social atual. Infelizmente, quando os discursos anteriores eram no sentido de que queríamos ganhar mais e trabalhar menos. Aquilo que vemos é que ganhamos menos e cada vez precisamos de trabalhar mais. Mas as desgraçadas das crianças chegam a passar 10 horas por dia na escola. Isto é um crime, é preciso pôr cobro a isto”, conclui.

[email protected]

 

 

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Assinatura digital do Manifesto em defesa da Escola Pública

Este é o Manifesto pela Escola Pública que foi formalmente apresentado no Largo do Carmo, no dia 10/02/2024, na iniciativa promovida por Missão Escola Pública “Antecipar Abril”. Por forma a permitir que todos tenham a possibilidade de o subscrever, surge este formulário, cujas assinaturas  serão posteriormente anexadas ao  Manifesto.
A recolha de emails é meramente para uso informativo de Missão Escola Pública e os mesmos não serão usados para nenhuma outra finalidade.
Para aceder ao formulário de assinatura, clicar AQUI.

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Concurso de Transição de Docentes dos Quadros de Zona Pedagógica – 2023 – Reclamação da candidatura

Aplicação eletrónica disponível entre o dia 12 e as 18:00 horas do dia 19 de fevereiro de 2024 (hora de Portugal continental), para efetuar a Reclamação da candidatura ao Concurso de Transição de Docentes dos Quadros de Zona Pedagógica – 2023.

Consulte o Manual de utilizador.

SIGRHE – Reclamação da candidatura

Manual de utilizador –  Relamação da candidatura

 

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5281 docentes aposentar-se-ão em 2024

 

Segundo contas realizadas pela CGA, a estimativa de docentes a aposentar-se durante o ano de 2024 será de 5281. O número mais alto do século.

 

 

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Aplicação com Análise de Colocação em QZP

Elaboramos este ficheiro em Excel de apoio à transição de QZP.

Para tal, devem colocar o vosso número de utilizador para terem acesso ao FUTURÓMETRO com os dados da vossa posição na lista e a previsão da vossa colocação.

Se não estiverem colocados no âmbito do QZP a que concorrem o ponteiro do FUTURÓMETRO não funciona.

 

Se escolherem um dos QZP no âmbito do vosso QZP podem ver a vossa graduação em cada um deles.

NOTA: Este documento, como os anteriores, são apenas ferramentas que podem estar muito próximas da realidade, mas não dispensam terem de aguardar pelas listas definitivas para confirmarem a vossa colocação no Mini QZP.

 

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O Programa do PS

O Programa do PS refere o seguinte na página 67 e apenas por 9 vezes se refere aos “professores”. E depois de mais de suas horas de apresentação do Programa ainda não se ouviu falar na Educação.

Está vista a importância da Educação para Pedro Nuno Santos.

 

⟩ Iniciar negociações com os representantes dos professores com vista à recuperação do tempo de serviço de forma faseada;

 

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O Estudo do QZP3

Dos 1158 candidatos do QZP 3 existem 398 docentes que não têm como escola de colocação por concurso uma escola no âmbito do QZP 3.

Os novos QZP (20 ao 25) do QZP 3 são os seguintes:

Fica se seguida o Estudo do QZP 3 que coloca  1115 docentes com vaga na sua escola de colocação em 2023/2024.

Já sabem que o estudo tem como base que o docente escolhe em primeira preferência o QZP da sua escola de colocação em 2023/2024, que pode não ser exatamente esta a preferência de muitos docentes.

 

ESTUDO DO QZP 3 

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O Programa do Chega

O Programa do Chega tem como proposta 139, na página 44 o seguinte:

 

139. Recuperar integralmente o tempo de serviço congelado a educadores e professores do ensino básico e secundário, num prazo máximo de quatro anos, com possibilidade de antecipação do prazo em função das negociações com os sindicatos do sector.

 

 

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Estudo de Transição no Antigo QZP2

O antigo QZP 2 dividiu-se em 8 Mini QZP (12 ao 19).

QZP 02
12
Boticas (1702)
Chaves (1703)
Montalegre (1706)
13
Alijó (1701)
Mirandela (0407)
Murça (1707)
Valpaços (1712)
14
Bragança (0402)
Macedo de Cavaleiros (0405)
Vinhais (0412)
15
Mondim de Basto (1705)
Ribeira de Pena (1709)
Sabrosa (1710)
Vila Pouca de Aguiar (1713)
Vila Real (1714)
16
Alfândega da Fé (0401)
Carrazeda de Ansiães (0403)
Freixo de Espada à Cinta (0404)
Torre de Moncorvo (0409)
Vila Flor (0410)
Vila Nova de Foz Côa (0914)
17
Miranda do Douro (0406)
Mogadouro (0408)
Vimioso (0411)
18
Cinfães (1804)
Lamego (1805)
Mesão Frio (1704)
Peso da Régua (1708)
Resende (1813)
Santa Marta de Penaguião (1711)
Tarouca (1820)
19
Armamar (1801)
Moimenta da Beira (1807)
Penedono (1812)
São João da Pesqueira (1815)
Sernancelhe (1818)
Tabuaço (1819)

Neste QZP existem 1244 docentes vinculados de acordo com a seguinte distribuição.

Dos 1244 docentes vinculados neste QZP, 552 leccionam em 2023/2024 fora do âmbito do QZP2, pelo que torna-se mais difícil tentar elaborar uma lista fidedigna de possível colocados por mini qzp neste QZP.

Dentro dos possíveis apresento o estudo para o QZP 2 sabendo disso. Agradeço que quem lê este estudo também o perceba.

 

ESTUDO DE VINCULAÇÃO NOS MINI QZP do ANTIGO QZP2

 

 

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Contratação de Escola – EPCV-CELP

Torna-se pública a abertura do procedimento concursal para contratação de pessoal docente.

Para aceder ao aviso de abertura, clique no link do Grupo de Recrutamento a que pretende candidatar-se.

AVISO N.º 7/2023 – Grupo de Recrutamento 110 (horários n.° 10 e 11) – ESCOLA SEDE – PRAIA

AVISO N.º 10/2023 – Grupo de Recrutamento 110 (horário n.° 10) – POLO MINDELO

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Access Arrangements: apoio aos alunos durante os exames nacionais

 

Todos os alunos têm direito a realizar os exames nacionais do fim do ensino secundário em pé de igualdade, independentemente das suas necessidades e tendo em conta as suas necessidades.
Para tal, cabe ao coordenador de necessidades educativas de cada escola, por esta altura do ano e em preparação para os exames a efectuar durante o Verão, fornecer às entidades competentes a lista de alunos cujas necessidades carecem de apoio específico durante as provas cujos resultados determinarão o seu futuro.
No Reino Unido, este apoio tem um nome: “Access Arrangements”, vulgo, e em tradução literal, os “arranjos” necessários para “aceder” aos exames.
Comecemos desde logo pelos alunos com deficiência visual e a necessidade de exames escritos em Braille ou então com o tamanho da letra aumentado.
Para alunos com hiperactividade e défice de atenção, a escola pode requerer a autorização para o aluno poder fazer um mais intervalos durante o exame. Sendo os exames limitados em termos de tempo, o relógio é parado e o aluno tem direito a uma pausa, dentro ou fora da sala de aula, sendo o aluno supervisionado caso saia da sala. Não existindo tempo limite para cada intervalo, cabe à escola em coordenação com o aluno determinar antecipadamente quantos intervalos serão necessários e por quanto tempo.
O mesmo aluno com hiperactividade pode necessitar de tempo adicional durante o exame, mais precisamente 25% de tempo extra. No caso de desporto e se a prova avalia a rapidez de execução do aluno, este tempo extra não é considerado e o mesmo acontece durante a realização de exames práticos tal como acontece nas ciências.
No caso de alunos com um diagnóstico de dislexia, a escola pode requerer a presença de um “reader”, ou seja alguém para ler as perguntas ao aluno. Esse “alguém” pode também ser um programa de computador. Cabe à pessoa responsável por ler para o aluno enunciar fórmulas, símbolos e unidades nos casos das provas de matemática, química ou física e igualmente soletrar palavras para o aluno caso seja necessário.
Obviamente, a realização do exame terá de ocorrer numa sala à parte e a logística é da exclusiva responsabilidade da escola.
O mesmo aluno com dislexia pode necessitar de um escriba, ou seja, alguém para escrever pelo aluno, cabendo ao aluno ditar as respostas para cada pergunta. No caso de uma prova de matemática, a execução de diagramas ou gráficos é feita de acordo com as instruções do aluno. E se a prova avaliar a capacidade do aluno para o desenho ou pintura, o escriba só pode auxiliar na componente escrita da prova.
Ao aluno é igualmente permitido, e em função das suas necessidades, o uso de um processador de texto, ergo um computador, para responder às questões do exame, tendo o mesmo computador o corrector automático desligado.
Outros tipos de apoio incluem o uso de bolas de stress ou brinquedos sensoriais para auxiliar a concentração do aluno, o uso de protectores auriculares para alunos com um diagnóstico de autismo ou a realização do exame em separado com música a tocar e tudo em função de cada aluno e das suas necessidades.
No fim, a imaginação é o limite conquanto se permita ao aluno a oportunidade de concluir o ensino secundário, a oportunidade da educação e a oportunidade de um futuro.
Isto por não poder esquecer quem connosco cresceu numa época sem diagnósticos e onde as dificuldades de aprendizagem pouco mais recebiam para além da admoestação e respectivo chumbo, sendo a repetição do ano, para alguns alunos ad aeternum até atingirem a maioridade, a única resposta do sistema educativo.
E por não querermos nem desejarmos a repetição da história, de bom grado damos aos nossos filhos e alunos todo o apoio e toda a ajuda, principalmente agora com mais uma época de exames a bater à porta.

 

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Aluno de 12 anos agride professora com bofetada e pontapé na Pampilhosa da Serra

Estudante terá também atacado a docente de Matemática após ter sido alertado para o seu comportamento na sala de aula.

Aluno de 12 anos agride professora com bofetada e pontapé na Pampilhosa da Serra

Uma professora do Agrupamento de Escolas de Pampilhosa da Serra foi agredida à bofetada e a pontapé por um aluno de 12 anos. A situação ocorreu em plena sala de aula, na presença dos restantes estudantes, e depois de a docente alertar o menor para o seu comportamento.

Segundo fonte próxima da escola, é frequente o aluno em causa fazer “ameaças aos professores, sobretudo do sexo feminino”.

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Manifestação Pela Educação – Hoje

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Onde Ficam Colocados nos 11 QZP os Docentes do QZP1?

Este estudo pretende mostrar onde ficam colocados os docentes do QZP1 nos 11 QZP que foram subdivididos.

Obviamente que este estudo não substitui o que vier a ser a lista definitiva de colocações e pode ter alguns erros de análise.

Para chegar a estes resultados optei por considerar a 1.ª preferência no concurso o QZP da escola de colocação em 2023/2024.  Esta opção pode não ser exatamente aquela que os docentes manifestaram, mas em mais de 90% das situações acredito que tenha sido.

Existem 444 docentes que pertencendo ao QZP1 encontram-se a trabalhar em 2023/2024 em escolas de outros QZP, pelo que não consigo saber que opções poderão ter feito dentro do QZP1. Este número representa cerca de 10% do universo de docentes do QZP1 e pode desvirtuar a lista de colocados, em especial dos últimos de cada grupo. Quem estiver perto do último lugar em cada grupo e próximo do limite de vagas deve ter esta situação em especial atenção.

Neste meu estudo existem 3809 em 4416 docentes que podem ficar colocados no mini QZP em que estão a trabalhar em 2023/2024. Ou seja 86% dos professores do QZP 1 vão ficar colocados no mini QZP onde estão a trabalhar este ano.

Agradeço o vosso feedback na caixa de comentários.

 

ESTUDO DE COLOCAÇÕES NOS 11 QZP DO QZP1

 

 

NOTA: Devido ao enorme trabalho que este estudo  teve não sei se conseguirei fazer o mesmo para os restantes QZP.

 

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Mais Vagas (24.190) do Que Candidatos (21.256)

Na lista provisória de ordenação ao concurso de transição de QZP existem 21.256 candidatos com a candidatura válida. O número de excluídos é residual.

Na Portaria n.º 441/2023 existem 24.189 vagas.

Em breve serão feitas análises mais pormenorizadas por QZP.

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Apuramento de vagas – Prolongamento do prazo

Informamos que foi prolongado o prazo para a submissão da aplicação informática Apuramento de Vagas 2024/2025 , destinada à recolha de dados para apuramento de necessidades permanentes dos Agrupamentos de Escolas e Escolas não Agrupadas.

Assim, o processo deve ser concluído, impreterivelmente, até às 18 horas de dia 15 de fevereiro de 2024.

 

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A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E A PERDA DO FACTOR HUMANO EM AMBIENTE ESCOLAR

 

«Burrice natural ou inteligência artificial, eis a questão? Prefiro mesmo a inteligência natural». (Rubens de Camargo Vianna Filho)

«A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo o mundo vê». (Arthur Schopenhauer)

«Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana». (Carl Jung)

A escola é inata e conatural ao «homo sapiens». «Ipsum verum sit factum».

A IA, pode passar de acto-feito de criação humana, a «finis exitus terminus».

O presente artigo é um ensaio introdutório que procura reflectir de forma crítica, cirúrgica, incisiva e contundente sobre o impacto da emergente tecnologia de ponta da inteligência artificial (IA) na educação. Fazer o contraditório da impactante colonização da escola pela IA-dataíficação na sociedade pós-humanista transumana. A IA, o próximo nível da evolução biológica humana.

A inteligência artificial (IA) em fase de experimentação e implementação nas escolas portuguesas, tem como consequência-resultado, a perda da                     onto-episto-gnoseologia do factor humano em contexto escolar. Filosoficamente falando, o papel do professor é fulcral na organização escola, é o vital e incontornável factor H – factor humano – referencial em contexto escolar para a busca e significado profundo e abrangente para a vida e existência humana, das ideias-conceito do Ser humano de ontologia, epistemologia e gnoseologia.

Com a chegada da IA generativa à escola, chega um elemento perturbador, marginal e mesmo pária, no sentido de estranho e de não pertença; a ocupante e colonizadora IA, com a acção de procrastinação do magistério docente e tornando o professor proscrito, inibidora das práticas-arquétipo de leccionação do professorado. A inteligência artificial personaliza uma aprendizagem customizada (expressão que tem origem na palavra em inglês «custom», um adjectivo que significa «feito sob a encomenda», «elaborado sob a medida»; donde, costumizar é modificar, alterar adaptando e personalizando, no caso em concreto da educação, de modo a adequá-la ao gosto ou às necessidades de cada aulista-educando). O problema é que a escola é aprendizagem, mas também é trabalho e estudo, exigência, profundidade e excelência do saber e do conhecimento. Na escola-laboratório actual-futura da IA algoritmizada da costumização, a personalização individualizada da aprendizagem é feita na padronização e nivelamento de baixar a fasquia, numa perspectiva de ludicidade (do latim ludus); acontece, porém que a escola não se coaduna nem com jogos nem com brincadeiras nem com facilitismos nem com «gostos a jeito» nem com sapidezes de falhanço e impreparação para a vida, adulterando, maculando e pervertendo a missão identitária da escola. 

Entre humanos «a coisa» é humana. Só, somente o professor chega ao âmago dos seus alunos. Respirar, educar e ensinar são actos-realidade de exclusividade humana. Como o são a ontologia que estuda a natureza do ser humano, o significado do Ser, da existência e da própria realidade; a epistemologia remete-nos para o conhecimento científico (episteme) crítico e lógico; já a gnoseologia pode ser entendida como a teoria geral do pensamento e do conhecimento humano, do acto cognitivo e da acção de conhecer.

Os factores humanos na escola referem-se a factores ambientais, organizativos e profissionais; características humanas e individuais que influenciam os comportamentos no local de trabalho, físicas, fisiológicas e sociais que afectam a interacção humana com equipamentos, sistemas, processos e outros. O factor H descreve a interacção entre humanos, com equipamentos (o exemplo da IA), com as instalações e com o sistema de gestão, na tradução de um ambiente de trabalho e cultura, de visão holística, integral e do todo – holismo.

O contexto, conjuntura e enquadramento da inteligência artificial (IA) na escola, é a parte de um todo que ameaça aparecer no ambiente escolar, na contextura, não como ferramenta de trabalho, opção e mais valia, mas como agente substituto, e não como complemento e coadjuvante do trabalho do professor.               E assim não!

Carlos Calixto

O assumir de protagonismo da IA generativa (tecnologia de inteligência artificial, que funciona a partir de duas redes neurais generativas, as GANS – a geradora e a discriminadora, com algoritmos de aprendizagem treinados para produzir conteúdo a partir de uma base de dados, criadora de novos conteúdos personalizados, ideias, textos, imagens e ilustrações, design, áudios, análises, programação, etc., com a popularização de plataformas como o Chat GPT, Dall-E, Github Copilot, Jasper, Midjourney, Bing Chat, Google Bard, etc.;   https://www.remessaonline.com.br, IA Generativa: o que é, origem e como funciona, Rodrigo Valinor, maio 11, 2023), das tecnologias digitais e das tecnologias de info-comunicação, em detrimento do agora secundarizado, edu-vigi-controlado e discriminado professor proletarizado e uberizado pela subversiva IA edu-algorítmica em contexto escolar; é a afirmação de uma revolução tecnológica em curso, em continuum treinamento, aprendizagem, aperfeiçoamento e empoderamento.

O professor caminha para o baixo estatuto intelectual de executante de tarefas, em modo de automação plataformizada-aplicativa. Num continuus de desumanização da escola pela colonizadora IA, verdade e resultado-consequência de um defo-antropo-amorfismo de leitura política enviesada humana, caminhante para a «zombilização» sistémica educativa estereotipada – padronizada e generalizada pelo senso comum da opinião pública manipulada; com a acção homo humanus estranha e do inusitado-unusual bizarro, privada de vontade e autonomia própria do Ser e estar do professor, sem personalidade jurídica e ético-deontológica tutelarmente imposta, numa ciber-escola algoritmizada, ficcionada pelos viés algorítmicos (desafio crítico de discriminação exclusória dos algoritmos matemáticos em relação aos seres humanos e que pode infecto-gangrenar as bias – preconceito do algoritmo) e leituras-juízo da IA com decisões erróneas, em ambiente esquizo-catatónico imperativo, excito-euforia e fundamentalismo político, desfasado da realidade concreta da (des)figuração humanus-humanóide versus a passividade e o silenciamento-mutismo selectivo docente pelos governos e Ministério da Educação (ME) dataíficados, numa escola humana moribunda ligada ao ventilador.                                   A necro malignidade tech de «zumbificação» que subjuga e subservieve o professorado, a ideia e o ideal de escola público-privada (desu)humanizada pelo dominante «deus ex machina»

A algoritmização da governança e gerenciamento da escola pública, com tendência de eliminação do factor-elemento humano por parte da IA dataíficada, numa postura de exclusão do professorado e ao arrepio «co-approach»; de subalternização e opressão docente, em que o professor se sente cada vez menos intelectual e cada vez mais executante-tarefeiro, num ciclo vicioso de esmagamento avesso da identidade magister.

A Unesco, na sua «Recomendação sobre a ética da IA», fala no «(…) potencial de risco de incremento das desigualdades e afronta a direitos humanos, caso não sejam considerados os aspectos éticos, falando em uma abordagem de participação inclusiva (…) a fim de se falar de uma IA democrática (…)». (https://jornal.usp.br, Artigos «Ghost Work» e «Big Data»: uma nova forma de servidão e de colonialismo? in jornal da usp, Paola Cantarini Guerra, IEA, USP, publicado em 11/01/2024).

Paola Cantarini aborda o conceito de «destruição criativa» de Schumpeter,             «(…) representando o carácter disruptivo e revolucionário das revoluções tecnológicas (…)»; demonstra cabalmente o potencial destrutivo da IA no que ao emprego e à desqualificação da empregabilidade concerne. (idem

Vivendo nós no mundo-aldeia global da sociedade da informação, da educação-ensino escolar e cidadania digitais, do paradigma tecno-info-digital, sendo a inteligência artificial (IA) generativa uma tecnologia de rompimento disruptivo e de assustadora opressão totalitária distóptica, do digital tóxico de pensamento único, impõe-se e urge a priorização valorativa destacada da escola humano-axiológica re-humanizada, e do professor que é quem lavra  na alma e semeia no espírito de cada criança-pessoa; que planta, rega, cultiva e colhe o spiritus da letra da vida e para a vida. O professor, condutor-cuidador da flor pessoa humana, moldador de destinos, encantador de emoções e alquimista da Felicidade.

A dataíficação-IA é a ascensão da mentalidade e filosofia da moda emergente de movimento exponencial em crescendo no mundo e sociedade pós-humanista, que usa a veneração-cultuação dos dados e tendências de cultura, consumo, comunicação, estatísticas, modo de pensar e agir, de largo spectrum, validados computacionalmente e usados de forma nefasta, objectiva, intencio-deliberada e inequívoca para toda e qualquer optação e escolha, tomada de decisão e implementação, com o objectivo primordial-primeiro do paradigma da praticidade, exactidão, economia temporal e de recursos; a plenitude suprema dos resultados religio-robotizados e insights automatizados ciber-tech idealizados. A assumpção do(s) algoritmo(s) recursivo(s) em programação matemática, com recursividade recorrente e apropriação da inteligência artificial (IA) generativa aplicada, no caso em concreto, em contexto escolar.

A internet enquanto repositório, graças às ferramentas de big data, histórico, estatística algorítmica, probabilidades e regressões lineares (em estatística ou econometria, a regressão linear é uma equação para se estimar a condicional de uma variável, conjugando os dados e valores de outras variáveis, cujo objectivo principal-geral é criar um modelo entre a variável preditora e a variável resposta, encontrando uma tendência de linha recta, a regressão linear – sendo um dos seus problemas a incauta generalização pelo poder político); descodificando os meta-dados prediz e condiciona a vida humana presente e futura. Sendo que a velha, ancestral e tradicional analógica escola homo naturalis é trocada pela substituta cibernética nova escola digital. A ontologia homo dando lugar à ontologia virtual-algorítmica da IA. Epistemologicamente, as antípodas do cérebro humano e dos neurónios e sinapses versus motores de busca e bancos de dados.

Donde, a dataíficação e a big data enquanto ferramenta tecno-digital de predição e conectividade, torna-a omnipotente, omnipresente e omnisciente com a condição capacitária da ubiquidade e a capacitação da IA do total absoluto abrangente. Com o objectivo-foco de maximizar as potencio-capacidades homo.

Até nos atrevemos a vislumbrar a inteligência artificial (IA) como o anti-Cristo das profecias de Nostradamus. Pelo colossal poder, capacidade de processamento avassaladora e real mais-valia de superação das capacidades humanas pela máquina, em evolução e em que os protocolos de segurança irão falhar no futuro; caso em que a criatura supera o próprio criador Homem na revolução tecnológica em curso. O Homem refém da máquina, com a ontologia e epistemologia capturadas, colonizado e escravo ensombrado e assombrado pelo avesso dos algoritmos matemáticos colonizadores. Quiçá, a iniquidade do «Armagedom», sendo a IA a malignidade do futuro cérebro universal em detrimento da humanidade e prejuízo do Homem. IA, da ficção cinematográfica de «Skynet & Terminator» à realidade presente e em aceleração. Que dá que pensar dá.

Uma humanidade, sociedade e cidadania conectadas pela tecnologia, automação comportamental, cogito-acriticismo e pensamento pessoal-colectivo colonizado clonado, resultante da ciber-info-inclusão massificada da cultura digital do novo homo-ciborgue (no sentido da pessoa humana dotada de corpo orgânico e mente-pensamento cibernético, com a finalidade do «upgrade» das suas capacidades) na era do transumanismo pós-humanista.

A educação, escola e ensino humanistas põem o enfoque na pessoa do ser humano. Trabalha a auto-inserção educacional; é de pensamento marcadamente e humanamente crítico, de interactividade participativa pessoal e  grupal, fomenta a auto-suficiência e proactividade, consubstancia a metodologia humano-direccionada para o bem-estar da pessoa do aluno e do professor, buscando a formação integral, com os valores mais elevados e alta satisfação ética, moral, axiológica, e valorização superior do estudo e ensino das humanidades. Donde, a evidência enfatizada da centralidade dos humanos e do humano no centro do mundo, da vida, e da razão de ser e sentido de sermos aqui e estarmos cá. O superlativo da condição humana acima de tudo. 

Maslow (década de 1950). Foi um dos visionários, fundador e impulsionador da escola de pensamento da psicologia humanista, em vista ao auto-desenvolvimento e auto-realização do indivíduo-pessoa, na unicidade idiossincrática personalística ímpar do humanus único e irrepetível.                             O humano não tem vocação naturalis sub-servil, não é inter pares subserviente contra naturam ao algoritmo, mas sempre primus – o primeiro.

Vivemos tempos da emergente tecnologia IA generativa, ferramenta abolicionista do primado do humanus homo, em que o ícone humano vem sendo substituído pelo ícone da IA, da modal e reverenciada algoritmização da educação, ensino e aprendizagens; tempos de interacção e «interseccionalidade» de antípodas (cooperantes), da «post mortem» escola homo natural e de uma inteligência artificial virtual de preconceito dataíficado por viés de programação humana, com visão de «(…) ontologia reducionista de dados e uma epistemologia artificial de algoritmos, não representando a diversidade ontológica e epistemologia do mundo, e reflectindo as limitações de visões homogéneas de mundo (…) criadores de tecnologia (…) que soma discriminações (…)». (Paola Cantarini, ibidem)

Vai-se perdendo a essência holística de uma escola do todo natural humano, do completamento da abrangência da ontologia do ser humano por inteiro, em oposição à junção de partes e das partes conflituantes. A IA generativa, enquanto «machine learning» (ML) ciber-antropofágica, vai homo destronando e se apossando da escola, cada vez mais em modo de automação dataíficada.

O perigo de polarização da IA algorizante (no sentido da concentração valorativa sobredimensionada da energia e ideia, do ideário ideológico dos algoritmos suseranos por oposição ao declínio-vassalagem do humano servo, arrasta consigo o risco e ameaça da homogeneização da IA generativa e a queda inexorável do factor humanus na organização escola. Sendo que em ambiente escolar do humano humanista humanizado, a uniformização é contrária ao complexo diversus crítico do homo naturalis não padronizado. Na educação enquanto ecossistema, a inteligência artificial assume-se como elemento perturbador do ser humano preponderante e dominante maximus em vias de extinção, numa confrontação de «provocatio provocatore per absurdum» da revolução tecnológica em curso, de «reductio ad absurdum» de uma IA generativa «veni, vidi, vici».

É real o apartheid algorítmico menorizante da escola humanizada, de atitude negacionista em humanar; da subjugante opressão algorítmica de submissão antropológica. Donde, reinscrever a predominância da matriz humana na escola homo re-feudalizada, significa a sobrevivência dos evolu-primatas ou descendentes de Adão e Eva criados-criaturas à imagem e semelhança de Deus.

Resulta da retórica orática e semântica política governativa, a ideia e significado de «compliance», aplicado o conceito de regulação à educação estatizada pública, o que implica um pacote-cartilha, um conjunto que inclui políticas, procedimentos, orientações e legislação «to comply», em vista ao acto de cumprir a tarefa-objectivo dataíficado final, resultante da conexão-interface da inteligência humana (IH) e do algoritmo da inteligência artificial (IA).

A nova ordem e tecnossocicontrato da nova escola é de manifesto-patente híbrida, IA virtual algoritecnohomo; o hibridismo do ciber-homo resignado.                      O nascente amanhecer despontante da IA homo-escravizante. A IA ananica os professores; promove a estupidificação e a brutalização forçada pelo poder político da acefalia intelectual docente. A autoridade é agora um feudo digital em forma de algoritmos, dados e meta-dados. Temos uma escola pública de pensamento político imbecil, imberbe e mentecapto. De redução do pensamento crítico, lógico e criativo, de anulação do estímulo à autonomia, da (in)capacidade de reflexão e consumação da pobreza de uma escrita ultra-deficiente dos alunos – transtorno discente de escrita, ao nível da disgrafia (parte motora, da psico-motricidade e da fono-audiologia) e da disortografia (défice de aprendizagem específica na expressão escrita, que afasta a precisão ortográfica, gramatical, clareza e (des)organização da redacção das ideias). Com a moda do ChatGPT em contexto escolar, ferramenta digital que muitas vezes desinforma e induz em erro (por desactualização e falha informacional); com a escola dos chatboats (um software baseado em IA com capacidade de conversação em tempo real por texto ou voz), assistentes virtuais para comunicação com os usuários-alunos, e  da preguicite de raciocínio pseudo-intelectual agudo acrítico disponibilizada aos educo-estudantes, com o amestramento-viciação estudantil pela IA de mentes em (de)formação, e com o descartar da pessoa real do professor – o que é ver «a coisa» de patas para o ar e a negação da iliteracia cultural, científica, literária, do raciocínio matemático, cultura histórica, mapeamento e localização espácio-temporal, falhas axiológicas graves, défice gritante das humanidades e reduzida  cultura geral-relacional dos educandos.

Querer incutir nas nossas crianças, jovens, estudantes e cidadãos, o facilitismo, o fantasiar a ludicidade na escola e a ideia de felicidade permanente, o abastardamento do contraditório da exigência e trabalho escolar, é negar e estado de negação do mundus real e da natura humana em desumanização; é impreparação da pessoa humana e falha sócio-psico-pedagógica, científica e didáctica muito grave do sistema educativo para a preparação para a vida real em sociedade e exercício em plenitude de uma cidadania responsável e interventiva.

A inteligência artificial (IA), de acordo com o Collins English Dictionary, foi a palavra do ano em 2023. «Independentemente das decisões que serão tomadas, o rumo é claro: a IA generativa não é um mero fenómeno tecnológico, mas sim uma força global que transformará o mundo e a forma como trabalhamos, pensamos e governamos». (https://executivedigest.sapo.pt/opiniao,                               IA generativa: muito mais que um fenómeno tecnológico, Executive Digest, João Godinho, 30 janeiro 2024)

O crescente abandono e morte da liderança humana da escola, por troca com a digital IA, dá aflição, inquietude e preocupação. Estudos significativos e amostras relevantes, mostram à saciedade a hecatombe humana em curso e em colapso eminente. E nem falamos do relatório e resultados desastrosos de quebras acentuadas e de vergonha (escola pública nacional) do Pisa 2023 no caso português.

(Michel Desmurget, 2021). Por culpa dos novos hábitos digitais e da interacção crescente com chats de IA, do astronómico número de horas passadas-perdidas em frente ao telemóvel, do pré-escolar ao ensino secundário (com base em estudo na europa ocidental), o dedar deslizante, os olhos focados nos ecrãs e telas, a irreversibilidade de danos graves causados na visão; e a regressão cognitiva, em modo escolar de hibernação-acefalia cerebral, estão bem documentados no brilhante ensaio de Desmurget – «A fábrica de cretinos digitais».

«Os nativos (inatos) digitais (…) são os primeiros filhos a terem um QI – quociente de inteligência com pontuação obtida por meio de testes a fim de avaliar o nível de inteligência humana de um indivíduo, num determinado momento e em relação ao padrão comum à sua faixa etária – inferior ao dos pais e (…) após milhares de anos de evolução, o ser humano está agora a regredir em termos cognitivos e de capacidades intelectuais (…)». (idem)

Sendo que a cognição cobre os domínios da memória, atenção, percepção, representação de conhecimento, raciocínio, criatividade e resolução de problemas. Por definição, é a capacidade humana para armazenar, transformar e aplicar o conhecimento, consubstanciando um amplo e alargado leque de processos mentais únicos da evolução e inerentes em exclusivo ao                          “homo sapiens sapiens”. Em sinopse, é a capacidade de um ser humano pensar, compreender e raciocinar.

É criticável o deslumbramento e globalização triunfantes da IA digital lúdica em ambiente escolar, exacerbado no caso de Portugal, pelo que fazemos aqui o contraditório, por um imperativo de consciência ética e mais valia de informação pública. 

A afectação da estabilidade emocional e do desempenho escolar discente piora. A Unesco é brutal, ao defender que “nem todas as mudanças são sinónimo de progresso – e deixa o alerta de que – o impacto positivo de aprender no digital pode ter sido exagerado”. (Unesco, relatório citado pelo The Guardian)

Mais, põe em causa a pseudo-evidência do valor acrescentado da tecnologia digital para o ensino e aprendizagem, e vai mais longe ao afirmar que a maioria dos estudos que apontam no sentido da mais valia do digital na sala de aula são financiados por empresas privadas de educação, para venda e marketing de produtos, aplicações e ferramentas digitais; «gera preocupação». (idem)

Mais ainda, a Organização das Nações unidas para a Educação – Unesco – põe a tónica e insiste na premissa que é princípio, de que a tecnologia deve estar  “ao serviço de uma educação centrada no ser humano – e que – não pode substituir as interacções cara a cara entre alunos e professores”. (ibidem)

Ainda mais, Audrey Azoulay, directora-geral da Unesco, apela aos governantes que não negligenciem a dimensão social da educação e fala de regulação do digital “para o bem das crianças”. (ibidem)

E já nem falamos no caso ajuizado de retrocesso sueco e da reversão da ex liderante digital Suécia, de volta ao papel. Outro exemplo-prova do falhanço clamoroso da digitalização e desmaterialização da escola e do maniqueísmo da IA para as aprendizagens chega-nos agora da Califórnia, EUA. «Uma geração de crianças que aprendeu a escrever com os polegares em ecrãs, está agora a regressar à velha escola e a aprender caligrafia cursiva». A letra-escrita cursiva banida da escola pela informática, está agora de volta e na moda, até para a leitura de documentos históricos, caso da Constituição dos Estados Unidos da América; o que se torna difícil para quem apenas conhece a letra de imprensa. Donde, recomenda-se o exercício das redes neurais humanas e o abrandamento significativo do digital q.b. e da inteligência artificial (IA) generativa optativa. (https://sicnoticias.pt/mundo, «Apagada» na era da informática, a letra cursiva está de volta ao ensino na Califórnia, Sic Notícias, Ana Isabel Pinto,04 fevereiro 2024).

Em ambiente escolar, a decisão de escolha entre o humano-natural e o digital-artificial, deve imperar sempre o primordial princípio do primórdio do humano sobre a máquina e a tecnologia. O critério deve ser sempre o do digital-IA ser acessório e complementar do humano, e nunca a alternativa, opção e substituição do professor. É incontornável o papel único de professores e educadores para o processo de socialização, do “humanum” e da emocionalidade, fruto das interacções entre professores e alunos e do processo de socialização. A empatia e a interacção na escola têm o ADN humano codificado no genoma. 

Sendo a geração actual de estudantes, «nativos digitais» que respira, vive e consome desenfreadamente conteúdos e (des)informação, viciada no laxismo facilitista lúdico chegado à escola tech-IA pelas novas tecnologias da inteligência artificial; havendo uma (des)protecção tutelar à docência e excessiva presença parental reivindicativa, opinativa e invasiva do e no espaço-escola e sendo o clima de escola de irrespirabilidade tóxica e terminus temporal de ciclo, vivemos o momento final do transe e passagem para o fim da escola e país educativo do educare (educação e cuidado) a sério e à séria, em doloroso «finis patriae».

Tendo consciência dos perigos inerentes à IA, é surreal a atracção humana pelo abismo existencial. A situação de influo-esvaziamento humano da escola só vai piorar no futuro próximo; quem o afirma é o CEO da OpenAI, Sam Altman, director-executivo da start-up por trás do ChatGPT, no manifesto «Moore’s Law for Everything», teoria que prevê o futuro da informática e da computação: «(…) A inteligência artificial poderá substituir médicos e professores; (…) robôs serão capazes de realizar o trabalho de profissionais da educação e da saúde, além de baratear seus serviços (…)». (in Metrópoles, Ciência & Tecnologia, Robôs substituirão médicos e professores, Bernardo Lima, em 09/03/2023)

Com a invenção gero-criadora da IA e da dataíficação massiva, o Homem ascendeu ao olimpo de pequeno deus criador do primigénio e adâmico cerebrum pensante da IA, e da nova criatura de incorporação cyb-homo-robotizada do humanum sapiens   sapiens com a artificialis IA.

Virginia Dignum, é a única alma lusa que integra uma equipa de especialistas criada pela ONU para (re)pensar o futuro da IA – os riscos, as oportunidades e as potencialidades da inteligência artificial. Parafraseando, à revista Exame, a investigadora portuguesa alerta, preocupada, para o facto da necessidade de uma lei global que supervisione esta tecnologia de ponta, que está marcando o futuro da humanidade e que de momento está apenas a ser controlada pelo nicho dos gigantes empresariais tecnológicos – visando o negócio e o lucro, digo eu. A sobranceria e distanciamento do poder político perante o problema é confrangedor e revela a mais total ausência de sentido de estado, respeito e responsabilidade pelo Outro – todos nós. Citando: «Nunca pensei que a inteligência artificial fosse o futuro. O futuro somos nós». (https://visao.pt/exame, in Visão, Virginia Dignum, Nunca pensei que a IA fosse o futuro. O futuro somos nós, Exame, Gonçalo Almeida, 19/01/2024)

Estamos plenamente de acordo. É, sempre no centro, tendo a centralidade em educação, com as emoções e o sonho que comanda a vida está o Homem e não a máquina. Está a inteligência humana (IH) e não a inteligência artificial (IA). O acto educativo é humano. É de eminência, excelência e intrínseca exclusividade humana. É homo humanus divinus. De exercício, função, ensinamentos, missão e avaliação humana. Que a bússola da razão humana norteie a escola humana. 

Na sua demanda pelo «a fartar de digital» do poder político, fecho com a preocupação de uma escola pública reduzida à visão da literacia digital e sem margem e tempo para a construção do pensamento crítico, das ideias, da problematização, descentrada da identidade da pessoa humana, da não socialização, da não catarsia purgação e purificação do digital desumanizante, divergente e desviante, sem/com imposição de pensamento único. 

Sublimando, potenciando e lembrando Protágoras, continuamos sendo a medida de todas as coisas. Ponto final. Final!

Este texto não é resultante de tecnofobia nem da diabolização do digital e de uma tecnologia interactiva revolucionária como a inteligência artificial (IA) generativa vanguardista. É de desafiante discussão. Traduz a reflexa-leitura profunda e responsável de que estamos a esgotar o nosso tempo na ampulheta, quadrante solar e clepsidra universal da temporalidade e dominância da humanidade. «Errare humanum est»!

Disse.

Nota: professor que escreve de acordo com a antiga ortografia. 

CCX.

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