Como se consegue, sob a bonita capa da inclusão (do famoso 54/2018), não beneficiar ninguém: este modelo não beneficia quem precisa de acompanhamento especializado e é despejado numa sala de aula como se a inclusão se limitasse ao espaço físico; não beneficia os outros alunos que acabam por ter o professor menos disponível na aula; as singelas medidas universais, estão a “dar um sinal errado de que as dificuldades superam-se com adaptações do mundo a cada um de nós e não com maior empenho e esforço”.
Eu acrescentaria ainda: a forma como a lei (e as equipas EMAEI das escolas) se têm tornado numa fonte interminável de burocracia para os professores.
A ler:
Inclusão escolar em Portugal: o grito silencioso das crianças esquecidas




27 comentários
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Tão verdade.
Eu gosto é dos papéis que temos de preencher a mando do 54 e da equipa de ensino especial…
É só treta…só trabalhar para o papel
Atenção que apesar da inutilidade e da grande farsa que isto é, há colegas que levam esta monumental aldrabice muito a sério!
Estamos sujeitos a cada m*** realmente! Preencher m*** que não servem para nada a não ser para operacionalizar uma gigantesca MENTIRA e o tacho dos preguiçosos do 910, que só sabem empurrar os “atrasadinhos” para as salas de aula de modo a estarem sem fazer um c*** nos gabinetes!
Plenamente de acordo
Em Portugal, a educação, especial ou não, não passa de uma perigosa farsa política. Os resultados escolares e as estatísticas mentirosas pouco refletem o real empenho e conhecimento dos alunos. Quem desmentir tal, ou não sabe do que está a falar, ou está a tentar tapar o Sol com uma peneira que já nem rede tem …
E ainda há pais de alunos de necessidades educativas que pensam que os seus filhos não chegam a médicos porque os professorses é que não ensinam esses meninos.
Sim, há muitas da área do putexx português que atiram a culpa aos professores.
xx=do
Não percebo o que quer dizer com isso. Pode explicar?
Obrigada
Um professor do ensino especial é normalmente um tipo do ensino básico com 6 meses de tretas inclusivas como especialização fornecida pela Fernando Pessoa ou Lusófona.
Os psicólogos do mercado livre vendem relatórios e os paizinhos compram-nos para que o filho chegue a doutor sem nunca ter largado a preguiça.
E depois há alunos com problemas auditivos, visuais e mentais sérios que são enfiados em salas normais sem professores de ensino especial que realmente tenham preparação para eles. Não sabem braille, nem língua gestual, nem percebem patavina de neurologia. Limitam-se a impor papéis e adaptações aos professores para se fazer de conta que esses alunos evoluem.
Os professores exaurem-se, os outros alunos atrasam-se e o professor de ensino especial continua especializado em pressão sobre os professores e mais nada.
É isto o 54. É esta a farsa da inclusão neste país de decidores farsantes.
INTERVENÇÃO BRILHAMTE!
.comentário excelente, altamente realista
Tenho pena que muitas situações sejam como os colegas as descrevem.
Quem criou o 54 foram pessoas bem intencionadas que queriam colocar a educação especial no centro das atençoes das escolas. Esses meninos precisam de cuidados especiais de pertencer a uma turma. Não podem estar sempre a parte. A intenção é boa. Mas acho que os colegas da educação especial deviam acompanha los nas salas de aulas para os ajudarem. Eu já tive uma situação dessas com 3 jovens acompanhados por um professor e funcionou muito bem.
Também queria chamar a atenção dos colegas para o grande problema que é ter crianças e jovens destes na família. Precisamos muito da ajuda das escolas e dos professores. Por favor não sejam cruéis. Tenham paciência e boa vontade. Amanhã podem ser os vossos filhos, sobrinhos ou netos.
Haja esperança. Finalmente uma intervenção positiva. Desculpem, mas acho lamentável o tipo de linguagem utilizada em alguns dos comentários. Sou professora de Biologia e Geologia, tenho alunos com medidas seletivas e adicionais nas minhas aulas; alguns acompanhados pela professora de educação especial e outros não. É difícil? É, mas vale a pena ver a alegria desses jovens e, também, a forma como os colegas aprendem a lidar com a diferença.
Quanto aos colegas do 910 (eu não sou deste grupo), só tenho a dizer que na minha escola fazem um trabalho de excelência.
Se estes problemas baterem na porta da nossa família, como vamos querer que a escola responda? Vamos pensar um bocadinho antes de atirar pedras em todos os sentidos.
O problema real, em muitas escolas, é que os alunos da Educação Especial (e outros) não têm os apoios necessários (os professores do grupo 910 não são suficientes para as necessidades de um agrupamento) .
Para mim, a “Inclusão escolar” foi uma forma de reduzir o número de docentes do 910 nas escolas.
Dou-lhe os meus parabéns pela sua intervenção.
É muito fácil falar quando não se passa internamente pelo problema. Mas ainda há professores com inteligência emocional que usam a empatia para trabalhar o que é necessário trabalhar.
Parabéns e obrigada
De boas intenções está o inferno cheio.
O que os alunos com problemas sérios precisam é de bons especialistas e de escolas altamente apetrechadas. Isso sai caro, por isso escudam-se na boa intenção e necessidade de integração para mandar tudo ao molho e fé em Deus.
As pessoas especiais precisam de verdade como de pão para a boca.
Primeiro cuidar e curar, se possível. Integrar não é proporcionar convívio, é ajudar a colmatar as falhas, aceitá-las e conseguir estratégias para minorar a falha criando lugar para a atuação conjunta no respeito pelos limites de cada um sem falácias enganadoras. Cada um com o seu lugar em respeito mútuo. A maior parte do tempo destes alunos deve ser utilizada e tratar o que é especial com gente e materiais altamente especializados.
Não vamos fazer de conta que está tudo bem e que qualquer habilidoso serve.
Verdade!! Sou mãe de um menino com défice de atenção, estou sempre a par do que se passa na escola, ajudo o máximo que consigo o meu filho com os trabalhos de casa e a estudar para as fichas de avaliação! Mas também sei que há falta de preparação dos nossos professores para estas e outras situações, não existem recursos humanos suficientes para que o dia a dia nas escolas sejam felizes para todos atingirem os objetivos! Resultado: o miúdo sofre durante o dia de escola quando não consegue atingir os objetivos propostos, e em casa tento garantir que não fica para trás…..por vezes é uma tortura!!🥲🥲
Alunos menos capazes sempre houve. Não quer dizer que tenham de ser alunos de ensino especial. Ao longo do percurso escolar os alunos vão fazendo escolhas que potenciem as apetências que demonstram contornando as inaptências.
Foi um erro acabar com o ensino técnico e é um erro não fomentar escolas profissionais de qualidade.
A realidade leva a concluir que ganha mais um técnico que um académico. Basta de fingir que somos todos iguais. Não somos e ainda bem.
Deviam existir escolas profissionais em barda, e não liceus na sua maioria.
Em Lisboa há cada vez menos ensino profissional, obrigando os alunos que não têm grande interesse nos cursos gerais a frequentá-los, e a acabarem o 12.º ano para irem para caixas de supermercado.
Tanta conversa sobre Informática e novas tecnologias e quem quer vai para fora da capital porque lá dentro há cada vez menos.
Mas há cada vez mais alunos a acabar o 12.º ano que nada sabem, nem querem saber.
Daqui a pouco tempo quero ver o que estes miúdos vão fazer!
“Ganha mais um técnico que um académico “. Grande verdade. Chame um eletricista a casa ou um canalizador, carpinteiro…. e logo vê o orçamento que fazem e quanto levam à hora.
Um balúrdio que ganham mais do que quem andou a “queimar pestanas ” . Não se admite pedirem 25€ à hora e no mínimo o trabalho teria de ser 2h pois senão não compensaria. Isto da parte de alguém que é enfermeiro, mas sabe fazer umas “carocas”, mas muito poucas.
Então experimente pedir para arranjarem uns estores. 40 euros à hora.+ Deslocação. E não há profissionais no mercado.
Mas nada disto tem a ver com a educação especial.
É verdade que algumas dessas crianças e jovens só poderão fazer algumas tarefas com pouco saber técnico. Mas se aprendidas fazem nas bem. E a sua auto estima cresce.
Nada disto tem a ver com escolas profissionais e antigas técnicas que formam e formavam técnicos altamente especializados e com ordenados superiores aos seus professores.
Amigos, estamos a falar de educação especial. Não se desumanizem. A humanidade diferencia nos dos leões.
Estamos a ficar
Para quem não sabe , o decreto lei 54 ,surgiu com o objetivo de facilitar a inclusão de alunos de outros países e não tinha nada a ver com a inclusão de alunos com necessidades educativas especiais . Na altura interessava diminuir despesas com os docentes do ensino especial e com os recursos para os alunos do ensino especial.
É por estas e por outras que eu fico calada e não critico sem ter a certeza daquilo que se passa.
Bom domingo.
Helena Félix
Tal e qual 🤐
Conheço muito bem a situação. Para o meu neto frequentar o ATL no passado mês de Julho das 15h às 16,30,a minha filha teve que ameaçar a Câmara Municipal de lhes fazer um Processo Crime por discriminação. Que coisa triste, está na Lei mas para ela ser cumprida so5de ameaça.
É verdadeiramente uma falasia, e há escolas, e colégios ( universal Cebeds no Porto)que se recusam admitir alunos com essas NEE, as que aceitam não contratam professores da educação especial, não fazem caso das recomendações das terapeuta da fala, ocupacional e afins, e continuam no seu regime como se tivessem umas palas. Os alunos do 1° ciclo do Perpétuo Socorro no Porto, têm aulas interactivas, com recursos multimédia, têm que ter tablet, phones, e aprendendo muito mais depressa.
Isto da inclusão tem muito que se lhe diga. A própria palavra ” inclusão” é estranha.
A tutela não quer abrir escolas altamente especializadas e equipadas porque sai caro.
A tutela não quer gastar dinheiro criando um vasto leque de ofertas educativas através de escolas profissionais, ou técnicas.
A tutela não quer gastar dinheiro com a formação de professores especialistas limitando-se a dar jeitinhos na legislação para se fazer de conta que há um grupo de professores especialistas. Não há porque o ministério acha que os problemas se resolvem por decreto. O que há é professores muito voluntariosos (mas para isto não basta voluntarismo) que pagam do seu próprio bolso (o ministério não gasta um tostão com a formação destes professores) um cursito. Quem enche o bolso à custa disto são geralmente universidades privadas que vendem esses”cursos”.
Alguns pais penduram os filhos no ensino especial para conseguirem médias para o ensino superior. Muitas vezes esses alunos são apenas indolentes e buscam ainda mais facilitismo além daquele que já domina. À boleia da inclusão terão testes adaptados e outras facilidades. Quem amarga é o professor que, em tantas turmas e multiplos níveis, tem que fazer das tripas coração para criar tantos e tão diversos materiais. Esses pais arranjam relatórios nos psicólogos do mercado. Dessa forma não pagam explicações por fora e a passagem com boas notas está garantida. Farsa!
O lamentável é existirem alunos que necessitam mesmo de um ensino especial e são colocados no meio dos outros alunos como se tivessem os mesmas capacidades. É injusto!
Há outro tipo de problemas como dislexias e défices de atenção que são tratados como dramas por parte de pais superprotetores a querem atirar para as escolas todas as responsabilidades. Não são dramas e sempre houve alunos assim. Podem perfeitamente atingir a excelência em áreas de ensino de carácter prático e até abstrato (dependendo das caraterísticas). Há que falar verdade a estes alunos de modo a encontrarem-se nas ofertas educativas que mais se lhes adequam. Era importante que a tutela também fosse honesta com eles oferecendo-lhes alternativas educativas diversificadas mas consistentes.
É uma pena que os pais se atirem aos professores culpando-os pelas dificuldades dos filhos.
Os pais e os avôs deveriam era, junto aos organismos que os representam, nomeadamente as confederações de pais (que até recebem subsídios governamentais para existirem), exigir que reclamassem junto ao ministério da educação o seguinte:
-criação de escolas altamente especializadas para os problemas mais complexos;
-oferta formativa diversificada e
-melhores condições de trabalho para os professores poderem prestar mais atenção a todos os alunos (menos turmas, menos projetos, menos burocracia, menos modas e formação de professores credível paga pelo ministério e não pelo bolso dos próprios professores).
Deveriam exigir ainda que o Ministério e as Confederações de Pais não passassem o tempo a atirar pedras aos professores numa combinação suspeita, sádica e injusta porque, neste país, actualmente, só os professores zelam pela qualidade do ensino. Aos pais cabe esse papel também! Não perceberam que estas farsas são mantidas pelo ministério precisamente para reduzir custos, desresponsabilizar-se, colocar pais contra professores e destruir a escola pública que, desta forma, ficará remetida para pobrezinhos? A maioria dos colégios nem aceita alunos especiais. Não esquecer que o ministério ao transformar as escolas numa amálgama sobrelotada de problemas está a beneficiar grupos empresariais que, neste momento, se preparam para entrar no mercado topo de gama do ensino privado.
A inclusão é também uma farsa para a miríade de nacionalidades que agora chegou às escolas. Onde estão os professores de português? Não os há. As confederações de pais já questionaram o ministro sobre este assunto?
Desde 2007 que os Docentes sempre se queixaram da falta de Professores especializados em Educação Especial nos AE, logo este assunto já é debate antigo. A partir de 2008 começou a haver uma afluência de Docentes a procurar a especialização.
Estávamos em 2014 e ainda nem existia o kafkiano decreto-lei nº 54/2018, mas já se tinham criado em algumas EB1 as Unidades e claro, sempre com falta de recursos humanos e condições para acolher estes alunos com NÉE. Nesse ano, num sábado de manhã estivemos num Encontro com o ilustre colega Santana , onde se debateu ra criação das Unidades em algumas EB1 e/ ou manter estes alunos em instituições como as extintas CERCI onde existiam os recursos humanos, materiais e espaços adequados.