84,1% dos professores não aconselham os jovens a seguir a docência, revela estudo da FNE
Maioria dos professores inquiridos (82,9%) acredita que o reconhecimento, na sociedade portuguesa, da sua profissão é negativo. A maior parte também está descontente com o ordenado que recebe.

Sentem-se mal pagos, acreditam que a sociedade não reconhece o seu trabalho e estão descontente com o que recebem face às qualificações que têm. Esta é a opinião dos professores portugueses, segundo uma sondagem nacional realizada pela FNE, a segunda maior confederação portuguesa de sindicatos de docentes. De resto, os professores não aconselham os jovens a seguir esta carreira, mesmo num momento em que o país enfrenta uma enorme falta de profissionais na Educação.
A sondagem da FNE, liderada por Pedro Barreiros, questionou os professores sobre as perspetivas que têm sobre a carreira, o reconhecimento profissional e sobre as condições de abertura do novo ano letivo. A amostra foi de 2.138 docentes colocados nos vários níveis de ensino.
Segundo a sondagem, 97,1% dos inquiridos (no ano anterior eram 96,7%) defendem que o seu salário não está ao nível das qualificações que lhe são exigidas para o exercício profissional. Por outro lado, 84,1% não aconselhariam um jovem a ser professor. Número idêntico de professores (82,9%) consideram que o reconhecimento social da profissão docente é negativo.
A sondagem revela ainda que 91,9% dos docentes afirmam que as políticas educativas do governo são insuficientes ou muito insuficientes.
No que respeita àquilo que os professores consideram ser os problemas mais importantes a resolver, quando se fala de reivindicações sindicais, as prioridades apontadas foram: recuperação total do tempo de serviço não contabilizado (congelado e transições carreira); abolição de vagas no acesso aos 5.º e 7.º Escalões; alteração/eliminação do atual modelo de Avaliação de Desempenho Docente (ADD); valorização salarial; e estabilidade profissional, entre outras.
Leo o estudo da FNE aqui

9 comentários
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Eu sou dos professores que diz aos alunos, há anos, que a carreira de professor não interessa a ninguém!
Desculpem!!!!
Que estudo é esse!?
84,5% de quais professores!
Eu não me intrometeria nesse tipo decisões! Um professor não direciona, um professor tentat mostrar horizontes, no entanto, não pode, ou, pelo menos, deve fazer um esforço para que os seus estados de alma condicionem escokhas futuras de outras! Tenham dó da minha inteligência! Os alunos merecem saber as condições para a docência, em que condições elas acontecem hoje, não mais do que isso! Eu não faço parte dos 100% que condicionam escolhas!!!
Concordo consigo, Pedro!
Eu próprio faço aos meus alunos esta pergunta: o que gostariam de fazer quando puderem entrar no mundo laboral o que gostariam de fazer… Só um ou dois no máximo (e quando nem um diz que quer ser profe) diz que gostaria de ser professor. Quando lhes pergunto porque não querem ser professores, eles me dizem que é muito complicado, muita indisciplina, que não teriam paciência para ensinar, ou então ficam apenas a torcer o nariz e a abanar a cabeça. Os jovens não são parvos… vêem o quanto esta profissão é MUITO INGRATA, muito complicada.
Somente quem for mentecapto irá para professor, isto tem-se notado muito ultimamente.
Ou por amor/vocação… como no meu país Perú) que se ganha pouco mais que o ordenado mínimo nacional. Quase todo o professor tem dois ou até 3 empregos para poder viver
Muito gostaria de saber quais são as carreiras que 84,1% dos professores aconselham os jovens a seguir!
Para eu melhor aconselhar o meu jovem filho cá em casa apoiando-me na opinião de tão ilustres filósofos da contemporaneidade!
Aguardo sugestões de quem nos lê, nomeadamente do colega Dâmaso!
IR PARA UM PARTIDO SER POLÍTICO!!!
Apoiado! Jovens não vale a pena “queimar as pestanas ” para ser professor neste país e depois viver em constante insegurança!! Muitos candidatos até com mestrado VIA ENSINO ainda são contratados depois de alguns anos a dar aulas, e pior continuam no 1º Escalão com vencimentos líquidos que nem chegam a 1100 euros e depois de retirarem as despesas de deslocação sobra menos que um ordenado mínimo! E isso, quando têm a sorte de terem horário completo, caso seja incompleto, por vezes, têm de pagar para trabalhar!! Quando colocados ( nunca sabem se vão ser…uma incerteza constante), na Escola chegam a ter 10 turmas e ainda acumulam com cargo de DT!! E como têm contratos a termo resoluto, não têm direito aceder a créditos para comprar casa ou carros!! Andam em caixas velhas sujeitos a terem acidentes quando têm de percorrer vários kms por dia para irem dar aulas! UMA VERGONHA de país que permite que haja docentes profissionalizados e com Mestrados a viverem em tal precariedade! No privado muitas empresas efetivam os seus empregados ao fim de 3 anos pois é mais que tempo suficiente para averiguar se estão aptos caso contrário são despedidos! Enquanto neste SE convêm-lhes manter os candidatos na precariedade assim têm o trabalho feito e pagam menos! Não aconselho a enveredar por uma profissão que ofereçe tais condições! Acreditem! Não vale a pena!