Pela promulgação, em 8 de Maio passado, do Diploma dos Concursos de Professores, o Presidente da República tornou-se cúmplice de mais um ardil engendrado pelo Governo, em particular pelo Ministério da Educação…
Confesso que estive até ao último instante esperançosa de que o Presidente da República pudesse vetar o referido Diploma, sobretudo após os acontecimentos despoletados pelo caso Galamba, nomeadamente a consequente oposição explícita entre Marcelo Rebelo de Sousa e o 1º Ministro…
Enganei-me. E sinto-me enganada.
Lendo as justificações apresentadas por Marcelo Rebelo de Sousa para essa promulgação, talvez se possa inferir que:
– O Presidente da República não se informou suficientemente acerca das consequências perversas e ardilosas deste Diploma, agora promulgado por si;
– O Presidente da República não teve a coragem necessária para enfrentar o Governo, vetando o referido Diploma…
A acreditar nas justificações apresentadas por Marcelo Rebelo de Sousa, teremos, assim, um Presidente da República que parece desconhecer os efeitos reais do Diploma que acabou de promulgar; que não encontrou a coragem necessária para contrariar a injustiça das propostas do Governo; e que parece acreditar que tem existido diálogo entre a Tutela e os Professores…
Estaremos perante uma acção presidencial potencialmente dominada pela ignorância, pela cobardia, pela ingenuidade e/ou pelo calculismo político?
Ainda que não existam certezas, o calculismo político parece apresentar-se como a hipótese mais plausível e bem poderia traduzir-se, metaforicamente, por esta afirmação:
– “Sacrifiquem-se os Professores, como oferenda aos Deuses!”
Os “Deuses” serão, obviamente, uma alusão ao Governo, sobretudo nas figuras do 1º Ministro e do Ministro da Educação, que não poderão deixar de ser apaziguados através de determinadas oferendas…
E, claro está, bastou tal promulgação para que o 1º Ministro e o Ministro da Educação “embandeirassem em arco”, tentando intoxicar a opinião pública com ilusões e falsidades, como a que foi propalada pelo anúncio do fim da precariedade…
A quem serve um Presidente da República que, nos momentos cruciais, se mostra incapaz de, efectivamente, defender a justiça e a equidade?
Com franqueza, ninguém parece precisar de um Presidente da República que, de forma patética, num dia se mostra a comer gelados e noutro promulga um Diploma ignóbil, permitindo, dessa forma, a existência de Concursos de Professores completamente armadilhados…
Na prática, o Presidente da República acabou por legitimar o Governo na instauração de Concursos de Professores pervertidos por vários estratagemas, destinados a enganar a opinião pública e, eventualmente, também, os Professores mais incautos…
A cumplicidade entre o Presidente da República e o Governo tornou-se incontornável e indesmentível, ainda que, no momento actual, possam existir aparentes “birras” e “amuos”…
Por alusão a uma afirmação de Victor Hugo sobre a “prudência dos cobardes”, dir-se-ia que a acção do Presidente da República se assemelha à luz das velas: ilumina mal porque treme…
Os Professores não se podem deixar iludir. Há que retirar as devidas ilações do referido Diploma e tomar as correspondentes e indispensáveis decisões…
Sob pena de se deixarem enredar numa teia dolosa, criada pelo Ministério da Educação e assentida pelo Presidente da República…
(Paula Dias)




4 comentários
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“– O Presidente da República não se informou suficientemente acerca das consequências perversas e ardilosas deste Diploma, agora promulgado por si;”
Nalguns casos este diploma é bem melhor que o atual:
1) Concurso Interno anual;
2) Recuperação das vagas do Concurso Interno para o Externo (como sempre deveria ser) -> Fim das ultrapassagens com vagas a serem colocadas no Concurso Externo que nunca abriram no Interno!;
3) Docentes QA e QZP na mesma prioridade no Concurso Interno
Para além dos horários compostos não há nada no novo diploma de muito grave…
Caso o VD não fosse para concorrer para o país todo haveria vagas aos milhares novamente no externo que nunca chegavam ao interno! A única forma de resolver isso era adiar a VD para o próximo ano com as vagas sobrantes do interno (como aliás vai passar a ser com o novo diploma). Mas isso era mais penalizador para os atuais contratados, que no fundo concorreriam numa prioridade abaixo!
Se ninguém deitar abaixo este diploma-assassino, espera pela pancada, Peter…
Ou não percebeste o que está nas entrelinhas, ou és um avençado do governo a vir aqui defender o “chefe”…
obviamente.. será que os censores deixam passar esta simples expressão. ou preferem a choradela
Esse “experiente talento político” dito presidente de “todos” os portugueses, acaba de se portar como Judas, e traiu pela segunda vez a classe docente, ao promulgar aquele crime que é a nova legislação de concursos, aprovada criminosamente pelo governo contra a opinião unânime das estruturas sindicais, e apesar das dezenas de milhares de pedidos recebidos em Belém vindos de professores que se apercebem que longe de ficarem mais perto de casa, as coisas vão piorar para todos. Apesar disso tudo, o inquilino de Belém adiante designado por Judas de Belém, promulgou, e chorando lágrimas de crocodilo, tenta hipocritamente justificar-se com as “expetativas” de 8000 docentes… Ora bolas, foram esses docentes que lhe pediram para não promulgar porque sabem bem o que se vai passar em seguida. Não, o Judas de Belém promulgou, não a pensar nos docentes: promulgou porque está do lado do governo, contra a classe docente. Pena que não possa ir a eleições: a classe docente, tal como vai fazer ao PS, iria “agradecer-lhe” o magnifico e hipócrita apoio. Abaixo Marcelo!