As difíceis decisões a tomar neste concurso

Iniciou-se-se o Concurso Externo (CE) e milhares de professores contratados terão nas mãos escolhas difíceis, mas obrigatórias.

Estão neste grupo professores que trabalham há 10, 15 ou 20 anos: calcorrearam o país, dedicaram-se à profissão, pagaram casas, portagens e combustível. Amealharam tempo de serviço pensando que poderiam com ele conciliar a vida profissional com uma vida familiar… conheço dezenas de pessoas nestas circunstâncias e muitos deles são meus amigos.

⛔ Aos que agora se encontram no dilema de concorrer (ou não) à vinculação dinâmica, eis algumas reflexões:

  • é um concurso e por isso podem não ficar colocados (em 23/24) no QZP em que se encontram atualmente;
  • na Mobilidade Interna (de 23/24) estarão em 4ª prioridade o que significa que mesmo estando colocados no QZP da vossa preferência, não terão a garantia de ficarem perto de casa, porque estarão no final da lista da MI;
  • no próximo Concurso Interno (2024), terão de concorrer a todos os QZP’s do país e há fortíssimas possibilidades de vincularem (em QA ou QZP) entre Lisboa e Algarve.

Como dá para perceber a vinculação dinâmica (e a norma travão) são campos minados e a probabilidade de cair numa das armadilhas é grande.

No entanto, atendendo ao disposto no diploma atual, atravessar o campo minado é também a única forma de ingressar na carreira.

▶️Para quem tem esta legítima expectativa, deve ponderar concorrer porque:

  • são as únicas formas de entrar na carreira. Tanto a NT como a VD implicam concorrer para locais distantes da família, apesar de na NT esse risco poder ser menor devido à graduação dos candidatos;
  • com a quantidade de vagas abertas pela Portaria n.º 118-A/2023 (VD), muitos dos horários dos professores que poderiam renovar ou conseguir um horário completo e anual a norte no próximo ano estarão ocupados;
  • no Concurso Interno de 2024, segundo o ME, haverá 20000 horários para QA, o que significa menos 20000 horários para contratados;
  • a partir de 2024 poderão concorrer todos os anos (no CI e na MI) para aproximação de acordo com a graduação profissional.

A decisão é difícil, deve ser bem ponderada para se conseguir, em consciência, aceitar o que vier!

Esta geração de professores merecia muito melhor!

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/05/%e2%9b%94%e2%96%b6%ef%b8%8fas-dificeis-decisoes-a-tomar-neste-concurso/

14 comentários

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    • Maria Conceição Castro Ribeiro Costa Lopes on 11 de Maio de 2023 at 7:40
    • Responder

    Bom dia, gostaria de saber se eu, como contratada e há pouco tempo a concorrer, como vou ficar ,nesta situação.
    Obrigada

    • Abandonar a carreira on 11 de Maio de 2023 at 8:58
    • Responder

    Há a opção de concorrer à armadilha montada pelo governo, com o beneplácito do Judas de Belém e a fraqueza sindical que permitiu isto – quem dispunha duma união de 120 000 docentes, tinha de fazer muito melhor que Fenprofs, FNES e a desilusão-mor que é o STOP – mas também há a opção de abandonar a carreira. Professor, não é o único emprego disponível, principalmente quando há N setores que se debatem com falta de mão-de-obra.

  1. Já na NT não há a opção de não concorrer (e ao país todo):
    “Considerando o limite à celebração de contratos sucessivos estabelecido no n.o 2 do artigo 42.o, os candidatos opositores à 1.a prioridade, que por força das preferências que manifestarem por QZP, não venham a obter vaga no concurso externo, ficam impedidos de, no ano 2023/2024, celebrar novos contratos ao abrigo do Decreto-Lei n.o 132/2012, conforme estabelece o n.o 1 do artigo 59.o da Lei n.o 35/2014 (LTFP).”

      • José Pinto on 11 de Maio de 2023 at 15:46
      • Responder

      Pode optar por não aderir a essa fantochada da NT.

    • Liliana on 11 de Maio de 2023 at 9:46
    • Responder

    Bom dia Arlindo, sabe qual a penalização para os docentes que se queiram desvincular, após aceitação da colocação e passar novamente a concorrer como contratado?

    1. É exatamente essa a minha questão também. Será que a penalização será apenas a desvinculação e a impossibilidade de concorrer nesse ano à contratação (seja pela modalidade que for)? Se assim for, só teremos de a aceitar.

        • Miguel on 11 de Maio de 2023 at 19:16
        • Responder

        + indemnizar o ME em 1 ou 2 salários brutos, ou seja, pode pagar até 4 mil euros pela rescisão sem aviso prévio;
        + fica sem subsídio de desemprego;
        + processo disciplinar.

        Se o dinheiro não lhe faz falta, só tem de correr esses riscos!

    2. Como passa a ser professor do quadro é exoneração e exoneração implica não trabalhar durante 2 anos em qualquer trabalho do estado. Para além disso, caso não se cumpra o período prévio paga-se a respetiva indemnização.

  2. Arlindo, Davide, um de vós… Perante todo este grande (e excelente) trabalho de elucidação dos colegas que estão a ponderar concorrer à VD, urge escrever um artigo explicitando muito bem quais as consequências de, em 2024, não aceitar a colocação obtida no concurso, no qual estes colegas serão obrigados a concorrer a nível nacional. Façam isso, por favor. Há colegas que ainda estão muito indecisos e essa pode ser a chave para tomarem finalmente uma decisão. Obrigada pelo excelente trabalho.

    • Filipe A on 11 de Maio de 2023 at 10:14
    • Responder

    Davide, ando há uns anos nisto, mas há coisas que são novas para mim. Vou entrar pela NT e estou no limite para entrar no qzp pretendido. Se não entrar, irei entrar no 7. Na mobilidade interna, ao concorrer na primeira prioridade, estou na primeira prioridade após os vinculados de cada qzp, ou é tudo colocado no mesmo “saco” e entra-se pela graduação profissional, independentemente do qzp de vinculação de cada um? Já li o DL que saiu no dia 8 e não consigo encontrar a resposta a esta dúvida. Como era feito nos anos anteriores? Obrigado!

  3. Agora é que era necessário os professores atuarem como um todo e NENHUM concorrer a esta armadilha.
    Muito mais que os sindicados era a resposta ao Incompetente e Desonesto Ministro que andou a dizer tudo e o seu contrário, a apresentar surpresas a cada reunião numa negociação desonesta e opaca.
    Mas em cada um dos lesados existirá uma decisão.
    Por muito que custe vão perder esta oportunidade de “negociar”

      • Fada dos Dentes on 11 de Maio de 2023 at 14:48
      • Responder

      Uma excelente sugestão, mas destinada a ser ignorada. Há muitos que querem vincular a todo o custo, pensando que com isso estão “garantidos” em termos de estabilidade, e até pensam que o Judas de Belém vai exercer a magistratura de influência – seja lá o que isso for – ou que o governo vai cai,r e o novo ministro vai revogar este crime. Coitados: ainda há quem acredite na Fada dos Dentes ou no Coelhinho da Páscoa.

      • José Pinto on 11 de Maio de 2023 at 15:47
      • Responder

      Isso é que era. Mas o egoísmo vai falar mais alto. E esse mesmo egoísmo irá condenar muita gente nos próximos anos.

    • Lua de Saturno on 11 de Maio de 2023 at 19:56
    • Responder

    A culpa é de quem votou neles e os pôs no governo… Depois queixam-se…

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