Setembro 2022 archive

Lista Colorida – RR3

Lista Colorida atualizada com colocados e retirados da RR3.

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Entender história APHatia – Luís Sottomaior Braga

Uma troca de mensagens curiosa com a APH (Associação de professores de História).
Escusado será dizer que nem lhes vou responder ao mail.
Tiveram mais trabalho e foram mais céleres a comunicar comigo por causa da provocação picadinha de os questionar que por causa da missão que abraçaram como dirigentes. Não vale a pena, não têm remédio.

A Direção da APH nem nome tem (assina a “Direção”).
Uma das coisas curiosas do associativismo português tem um nome chama-se institucionalismo, ou como alguém diria, a hipocrisia organizada.
Realmente responderam a tudo. Objetivamente dizem nada.

Por exemplo, eu refiro que pagava as atas para as ler, mas fazem de conta que não leram e mandam um tipo de Viana ir consultá-las a Lisboa. Devem ser daqueles que fazem largos e profundos discursos sobre empatia (e não me estou a queixar só a constatar, que me estou borrifando para a empatia).

A História faz-se com documentos, mas as comunicações que tiveram com o Ministério não as mostram (já fui ao site….e ????).
Lá pelo meio exibem com orgulho o parágrafo que, atrelados à FENPROF, e de camuflado para ninguém os ver, escreveram sobre a disciplina que deviam proteger.
Como dizia o RAP: um “protesto veemente” seguido de “pungente silêncio”.

Picado o ponto, foram à vidinha dos projetos e das formaçõezitas da treta. Coisas substanciais, nada.

E a quota de 2022 acho que devem esperar por ela.

Como eu esperei o Verão todo que fizessem alguma coisa (que agora projetam fazer em finais de setembro, quando tudo estiver consumado).

Eu já não me ralava. Fui só verificar se tinham redenção.
Pena é que sejam mais agressivos com um sócio que pede contas que com o Ministro que lixa a disciplina que se candidataram para defender.
A História ensinou-me esperança mas também realismo com a miséria humana.
É a vidinha. Estar na escola custa.

(E fico à espera do processo que insinuaram ao telefone que podia ter. Não calunia quem fala a verdade).

“Exmo. Senhor,

Na sequência da sua mensagem eletrónica, segue a nossa resposta, seguindo os seus pontos:

1. Ser informado sobre os seguintes dados: ponto de situação do pagamento da minha quota e forma de a regularizar, caso não esteja em dia, meios de obter todas as atas da direção dos anos de 2019 a 2022 (até à última reunião realizada), de obter relatório e contas dos anos e 2019 a 2022, de obter cópia de todas as comunicações enviadas e recebidas do gabinete do Ministro da educação entre 2019 e 2022. Considero que a obtenção de cópia desses documentos (mesmo pagando-as) é um direito inquestionável como sócio no âmbito do direito a conhecer a vida interna e ação dos órgãos de gestão da associação.

Relativamente à situação de pagamento da quota, informamos que este ainda não foi efetuado para o ano de 2022. Pode efetuar o pagamento por transferência bancária para o IBAN PT50 003506750003836793088, cheque ou vale postal ctt.

Relativamente às atas de direção, estas estão disponíveis para consulta pessoal na sede da APH. Deverá V. Exa. solicitar a marcação de data e hora para consulta das mesmas, com pelo menos 72h de antecedência, através deste mesmo endereço de e-mail.

Relativamente aos relatórios de contas, em cumprimento das exigências legais e estatutárias, todos eles foram apresentados nas respetivas assembleias gerais, discutidos e aprovados. Informamos que, o relatório de contas de 2019 foi apresentado em 28 de março de 2020. O relatório de contas de 2020 foi apresentado em 27 de março de 2021. Chamamos a atenção para o facto de o relatório de contas de 2022 não poder ser apresentado porque a sua apresentação e discussão só acontecerá em março de 2023, visto que o ano civil ainda não terminou.

Relativamente à obtenção de cópias dos respetivos Relatórios de Contas, remetemo-lo para o art.º 8º, ponto 5 dos estatutos: Art.º 8º| São direitos dos associados: (…) Examinar os livros de escrita da Associação nos oito dias que precedem a reunião da Assembleia Geral convocada para a apresentação de contas. Não obstante, os mesmos encontram-se também disponíveis para consulta na sede da APH. Os estatutos podem ser consultados em Estatutos | APH

Relativamente às comunicações relevantes efetuadas com o Ministério da Educação estas foram, sempre, sendo publicadas na nossa página online. Por uma questão de gestão de espaço, a sua consulta fica indisponível após algum tempo.

2. Ser informado dos meios para obter os documentos produzidos e divulgados (ou não) pela associação sobre o Despacho, publicado há dias, que regula as habilitações próprias para a lecionação da disciplina de História no ensino básico e secundário.

Relativamente ao documento a que se refere, que julgamos ser o Despacho nº 10914-A/2022, que fixa os requisitos de formação adequada às áreas disciplinados dos grupos de recrutamento para a seleção de docentes em procedimentos de contratação de escola, em execução do artigo 161º do Decreto-Lei nº 53/2022, de 12 de agosto, tomámos posição pública, em conjunto com as demais associações de professores e com a FENPROF, no dia 23/08/2022, posição que se encontra disponível em Habilitação profissional para a docência – licenciatura em Educação Básica | APH . Apesar de não termos sido convocados para esta reunião pela tutela, enviámos a nossa posição para a FENPROF, parte da qual se encontra expressa no seguinte texto: Nesta reunião negocial, que regulamentará o artigo 161.º do DL 53/2022, atualizando as habilitações próprias para a docência, a Associação de Professores de História, repudia vivamente que a licenciatura em Educação Básica possa, sequer, ser considerada para efeitos de habilitação própria para a docência. Esta tomada de posição deve-se ao facto de considerarmos que a mesma não reúne os requisitos mínimos, científicos, pedagógicos ou didáticos, de uma disciplina que implica a lecionação da História de Portugal, da Pré-História à atualidade. Coloca-se assim em causa o rigor científico de uma disciplina, potenciadora de competências críticas, de literacia democrática e, como tal, promotora de uma cidadania participativa. Esta questão é particularmente grave, considerando que é no segundo ciclo do ensino básico que os alunos contactam pela primeira vez com a História enquanto disciplina autónoma. Esta medida pode desvirtuar, irremediavelmente, a perceção que os alunos têm desta área científica.” Disponível em Habilitação profissional para a docência – licenciatura em Educação Básica | APH, expressa pela FENPROF, de forma mais mitigada, na seguinte passagem: Também não é aceitável a possibilidade de exercício de atividade nos grupos de recrutamento 200 e 230 por quem está apenas habilitado com a Licenciatura em Educação Básica (LEB), sem qualquer exigência em relação aos créditos de formação nas respetivas áreas das disciplinas. Por outro lado, nessas mesmas disciplinas, não se compreende como podem exigir-se créditos numa só área, por exemplo Português para lecionar História ou Ciências da Natureza para lecionar Matemática, e vice-versa.

Tendo em conta a nossa preocupação com este Despacho, assim como com a questão da diminuição das horas de lecionação das disciplinas de História, pedimos audiências aos grupos parlamentares. Até ao momento só obtivemos resposta do PSD, estando a reunião marcada para o próximo dia 22 de setembro, às 11 horas. Aguardamos que os restantes grupos parlamentares nos respondam. Entretanto, marcámos uma reunião de Direção para o dia 30 de setembro, onde iremos discutir estas questões mais aprofundadamente e decidirmos quais as ações a tomar.

Neste âmbito, somos novamente a remeter a V. Exa. para o supra citado art.º 8º dos Estatutos, no seu número 4, que refere: São direitos dos associados (…) “Apresentar, por escrito, à Direção propostas relacionadas com os fins da Associação e receber daquela, no prazo máximo de trinta dias, comunicação das resoluções que merecerem as propostas apresentadas.

A direção da APH

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2477 contratados colocados na RR3

Foram colocados 2477 professores na Reserva de Recrutamento 3, distribuídos segundo a tabela seguinte:

Comparando com as colocações do ano passado, percebe-se que houve menos 1000 colocações feitas desta forma. Em compensação, houve mais 630 horários em Contratação de Escola.

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Reserva de recrutamento n.º 03

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 3.ª Reserva de Recrutamento 2022/2023.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 19 de setembro, até às 23:59 horas de terça-feira dia 20 de setembro de 2022 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 03

Listas – Reserva de recrutamento n.º 03

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Já há 75.000 alunos sem professor

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A falta de professores já chegou aos colégios privados.

 

Colégios sentem cada vez mais dificuldades de contratação e estão preocupados com fuga de professores para o ensino público

A falta de professores já chegou aos colégios privados. Contratar docentes é cada vez mais complicado

 

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Falta de professores impede abertura de escola

Professores pediram baixa médica e fecho preocupa pais. Autarquia garante que está a tentar resolver o problema com o Ministério da Educação

Falta de professores impede abertura de escola em Mangualde

A escola básica de Moimenta de Maceira Dão, no concelho de Mangualde, não abre esta sexta-feira (16 de setembro), data-limite para o arranque do novo ano letivo, devido à falta de professores. A autarquia já garantiu que vai tentar resolver o problema com a tutela.

A garantia foi dada pelo presidente da Câmara, Marco Almeida (PS), depois de o PCP ter feito o alerta do fecho do estabelecimento frequentado por 39 alunos.

“A escola não foi aberta porque não tem professores. A parte pedagógica não compete ao Município, mas o vereador da Educação está em contacto com o Ministério para resolver o problema o mais rápido o possível”, confirmou o autarca de Mangualde em declarações ao Jornal do Centro.

Segundo Marco Almeida, os dois professores que estavam de serviço na escola pediram baixa médica. O responsável espera que a situação seja resolvida o quanto antes e que a escola de Moimenta de Maceira Dão “abra com toda a normalidade” nos próximos dias.

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Professores insatisfeitos com o estado da educação fizeram vigília noturna em Aveiro

Docentes do pré-escolar e do primeiro ciclo organizaram o protesto para exigir o fim da discriminação na carga horária na monodocência.

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É possível renovar contrato sem habilitação profissional?

Não. Mesmo quem ficou colocado o ano passado em Contratação de Escola (podendo não ser profissionalizado), não poderia renovar ao abrigo do  Decreto-Lei n.º 48/2022, de 12 de julho, uma vez que a renovação seria possível “…desde que o docente seja titular de habilitação profissional…”

Por isso mesmo, seria expectável que todos os candidatos que renovaram constassem da lista de ordenação deste ano. Curiosamente, em 15 situações isso não se verifica, uma vez que os horários abaixo distribuídos foram objeto de renovação e os candidatos não constam na lista de ordenação.

Poderão estes candidatos ter renovado, sem possuírem habilitação profissional?  Espero que não, mas se alguém conhecer alguma explicação para isto, pode deixá-la nos comentários.

 

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Blogosfera – Correntes

São as políticas, e não o absentismo ou as aposentações, que causam a falta de professores

 

Milhares de alunos meses a fio sem professor a pelo menos uma disciplina, ou com constantes substituições dos precários que os ensinam, são sinais preocupantes para as democracias; por cá, tornaram-se indisfarçáveis desde 2017. Como se regista nos EUA, no RU e em vários países europeus (os nórdicos resistiram porque têm classes médias maioritárias e consistentes), é nos territórios com mais problemas sociais ou isolados, ou atingidos pela especulação imobiliária, que cresce a falta de professores.

Aliás, ser professor já só motiva uma minoria interessada na formação em educação básica. É o resultado das reformas neoliberais, sintonizadas com a OCDE, que visaram a sustentabilidade económica dos estados. A forte redução dos orçamentos da educação exigiu políticas de engenharia social que incluíram a descredibilização da escola pública e dos seus professores. Em regra, os governos seleccionaram uma forma de manipulação para popularizar as decisões: destaques mediáticos especulativos das estatísticas do absentismo dos professores e da sua massa salarial.

A bem dizer, Portugal chegou tarde a este processo. Mas acelerou-o a meio da década de 2000. Aplicou a eito, com pouca consistência teórica e sem estudos empíricos, um conjunto de políticas extremistas na carreira dos professores, e na sua avaliação, sustentadas por um modelo autocrático de gestão das escolas. As históricas contestações dos professores (2008 e 2013) – reconhecidas pelas oposições nas campanhas eleitorais, mas “esquecidas” logo que tomaram o poder -, anteciparam a crise vigente.

Acima de tudo, a inacção dos sucessivos governos desconvocou a esperança, instalou o desalento e eliminou a capacidade de contestação dos professores. Mas criou uma casta que se acomodou e que usa um argumentário que suaviza a consciência dos governos.

Para além disso, o marketing partidário manipulou os dados dos resultados dos alunos para certificar o caminho certo. A melhoria no PISA (OCDE), ou a “natural redução do abandono escolar” numa sociedade que se desenvolveu e escolarizou, serviu para discursos oportunistas nivelados pelas contendas sobre os rankings nacionais.

No essencial, as finanças passaram a supervisionar a educação. Como confessou Alexandra Leitão (teve pastas na AP e na Educação) ao Expresso de 19 de Agosto de 2022, “o sistema de avaliação da AP é injusto. Tentei modificá-lo e não consegui. Não houve abertura do Ministério das Finanças. Não vale a pena dizer outra coisa.”

De resto, estabeleceu-se um silêncio estrutural sobre uma organização que “adoecia os professores” e os mergulhava num tríptico bem documentado: exaustão, amargura e indignação. Até quem experimentou o exercício, identificou de imediato os procedimentos parciais e arbitrários.

Tudo isto foi fatal. Não só promoveu a fuga dos professores, como transformou as escolas em laboratórios de controlo social e favoráveis ao caciquismo local. Aliás, é já só neste universo que encontramos “dinossauros” a dirigir a mesma escola durante cerca de duas décadas, ou até três ou mais, e que ainda são aplaudidos pela corte do sistema que faz assim tábua rasa da mais elementar ética republicana. 

Por isso, a comparação da actualidade com 2010, como fez o actual ministro da Educação, regista a subida do absentismo e da mobilidade por doença sem a necessidade de inundar os leitores com números. Há causas transversais à AP (exaustão, envelhecimento e milhares de aposentações na década de 2020 que os governos ignoraram) e é igualmente consensual o efeito devastador das políticas.

Em suma, as democracias estão numa encruzilhada e aumenta a apreensão com o crescimento das desigualdades educativas e das escolas para ricos.

E antes do mais, sublinhe-se que a aceleração do digital na pandemia demonstrou a imponderabilidade da substituição de professores por máquinas (ou por qualquer modelo de tele-escola) tão desejada pelos ministérios das finanças, pela OCDE e pelas gigantes tecnológicas.

Mas um sinal sonoro da aflição europeia foi dado por Macron: “nenhum professor receberá menos do que 2000 euros líquidos mensais“. Por cá, é matéria indiscutível. O debate não abre, nem com as ameaças frequentes de Bruxelas de levar Portugal a “tribunal se não acabar a “discriminação” dos professores contratados” que auferem sempre o salário mínimo da carreira independentemente do número de anos de serviço” (que pode chegar às duas dezenas). E recorde-se: a carreira em Portugal é a que tem mais travões na AP e os professores são os únicos que não recuperaram a totalidade do tempo de serviço. Aliás, tornou-se agora mais evidente como eram parciais as contas das finanças.

Uma mudança de políticas” permitiria, no mínimo, sonhar. Desde logo, tentar que o problema não se agrave e eternize. Recuperaria professores profissionalizados desistentes, revigoraria os que existem e oxigenaria a atractividade do exercício. Mas não há sinais nesse sentido; pelo contrário.

Nesta fase, a acção do Governo centra-se num recuo da lei das habilitações para algo semelhante ao que acontecia no início do milénio. Essa decisão provocou o tradicional debate sobre a melhor formação. Concorda-se com quem defende que a habilitação própria seja equivalente à que permite aceder ao mestrado profissionalizante essencial para a entrada nos quadros das escolas.

Resumidamente, não se ensina violino, basquetebol, gramática ou álgebra, sem se saber violino, basquetebol, gramática ou álgebra. Ajuda muito se se estudar Piaget, Freud, Hannoun, Erikson, Bruner, Ausubel, Sandel, Markovits e por aí fora. É também fundamental que a profissionalização seja em exercício nas escolas (plurianual de preferência) e não num apressado ensino à distância. Estes domínios são mais determinantes do que os debates que diminuem as pessoas porque se formaram depois de Bolonha, ao mesmo tempo que se omite a descida ocorrida com o absolutismo das Ciências da Educação.

E nunca é excessivo repetir que ensinar é difícil. Necessita de um clima de confiança e de boas condições de leccionação. Requer preparação e energia, e exige a desafiante adaptação da personalidade aos estilos de ensino. Inscreve estudo para a vida e convoca a esperança e o optimismo. 

Acima de tudo, urge o regresso de tudo aquilo que as políticas vigentes anularam: professores satisfeitos com uma escolha profissional digna que não os esgota em burocracia e em procedimentos digitais repetidos e inúteis, livres para ensinar e aprender e com tempo para a cidadania.

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Falta de professores: como evitar a debandada?

 

“Com estas medidas, os professores de carreira não antecipariam a saída do sistema, os contratados veriam a luz ao fundo do túnel e os jovens olhariam para a profissão com outra perspetiva.”

Falta de professores: como evitar a debandada?

 

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A “revolução” de deixar as escolas escolherem professores

“Dar autonomia às escolas para escolherem o seu corpo docente, ou parte dele, será uma revolução ao nível da da ‘flexibilidade curricular’. Mas não será, seguramente, uma ‘revolução silenciosa’.”

A “revolução” de deixar as escolas escolherem professores

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O símbolo para resistir à apatia – Luís Sottomaior Braga

 

RESISTÊNCIAS: o pin improvisado que as dezenas de professores do Alto Minho, reunidos na vigília na Praça da República, em Viana do Castelo, esta noite, propõem como símbolo da insatisfação que todos sentimos com o estado da Educação em Portugal.

Quem quiser sinalizar o descontentamento pode usá-lo na lapela dos casacos, nos chapéus, onde lhe apetecer.

Os que usarem a resistência simbólica dão o passo inicial para dizer: “estou mobilizado para fazer alguma coisa para melhorar a situação da Educação.” E mostram isso aos outros. Porque os insatisfeitos e até zangados com o estado de coisas são a maioria e precisam saber uns dos outros.

O símbolo é barato, tem história como símbolo e é o esforço mínimo, que qualquer um pode fazer, para mostrar que está solidário com o descontentamento e se compromete a fazer alguma coisa.

Peçam aos colegas de eletrónica, se os houver na vossa escola, e usem e tirem fotos. Muitas fotos com resistências visíveis mostrarão de forma muito significativa a dimensão do desagrado.

E se houver outras formas de luta já sabemos todos uns dos outros.

A chuva molhou os presentes na vigília até aos ossos. Amanhã mostramos fotos da reunião e damos mais novidades.

Decidimos suspender a molha às 22 horas e marcar nova vigília com todos os descontentes que se queiram juntar no dia 20, no mesmo local, às 21.

E a insistir e a resistir, sem desistir.

 

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AS Minhas Declarações ao DN Para o Início do Ano Letivo

Ano letivo voltará a ser marcado pela escassez de professores

 

 

 

Arlindo, diretor do Agrupamento de Escolas Cego do Maio, Póvoa de Varzim, e autor do blogue ArLindo (um dos mais lidos no setor da Educação) não traça diferente cenário para o novo ano letivo. “Com o envelhecimento do pessoal docente e o aumento das aposentações que se fazem já sentir, a tendência para haver falta de professores vai continuar a aumentar enquanto não forem tomadas medidas de fundo para a atração de novos alunos para seguirem a profissão de professor“, afirma.

 

“O único caminho que o Ministério da Educação deve seguir para resolver o problema da falta de professores é”, segundo Arlindo Ferreira, “na valorização da carreira docente de forma a manter os docentes que já estão no sistema, ir buscar os professores já formados e que optaram por outras profissões e incentivar os novos alunos para uma carreira docente atraente e valorizada“. “Criar remendos, ou tapar buracos não se afigura a melhor solução para o futuro e tenho sérias dúvidas que mesmo a curto prazo se consiga resolver a falta de professores que já não abrange a zona de Lisboa e do Algarve. A cada ano que passa este problema vai-se alastrando a todo o país”, sublinha.

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Basta Copiar a Tabela Remuneratória dos Açores…

… assim como outras coisas do Estatuto da Carreira Docente dos Açores.

Não é preciso nenhuma portaria.

 

Professores vão acumular horários em escolas diferentes

 

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Vai ser possível os professores acumularem horários em diferentes escolas – uma medida que tem como objectivo diminuir o número de alunos sem professor. De acordo com o ministro da Educação, a aprovação desta norma está para breve.

 

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Quem congela é o desgoverno de dinheiros públicos, não os ministros ou as Troikas

Mas fica bem patente a noção de que não há intenção, deste governo maioritário, de recuperação do tempo de serviço roubado por desgovernos que iremos verificar, no futuro, não ter culpados condenados ou que assumam essa responsabilidade.

Enfim, deixem-se estar sentados e quietos. Vão ver que vos passa a vontade de lutar pelo que é vosso…

O ministro da Educação avisa os professores que é escusado “empatar tempo” com negociações sobre recuperação do tempo de serviço congelado durante a ’troika’, mas compromete-se a não haver mais congelamentos.

 

 

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Agendado início das negociações para revisão dos concursos docentes

 

 

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Professores a perder dinheiro desde 2009

É preciso recuar a 2009, era de José Sócrates primeiro-ministro, para encontrar um ano com ganhos de poder de compra significativos na função pública. A partir daí foi (quase) sempre a perder. Aliás, este ano, a desvalorização somada é semelhante à dos quatro anos da troika somados.

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O mestre clérigo e o aprendiz diligente

 

Recentemente, o país foi confrontado com o discurso de dois artistas, ambos Costa de sua graça. O primeiro, António, empedernido mestre clérigo na arte de enganar a opinião pública. O segundo, João, diligente aprendiz no ofício de vender aos portugueses gato por lebre e atezaná-los contra os professores.
1. Há uma lei que regula o mecanismo de actualização das pensões de reforma. António Costa, qual senhor feudal, suspendeu-a autocraticamente e ludibriou os súbditos, consciente de que a maioria em que se apoia não lhe porá travão ético. Sim, parte do aumento que a lei garantia aos pensionistas chega-lhes por antecipação em Outubro de 2022. Mas o menor aumento de 2023 repercutir-se-á negativamente e para sempre nos aumentos vindouros. O truque foi baixo, mas teve o alto e instantâneo patrocínio de Marcelo Rebelo de Sousa.
2. Em declarações recentes, o ministro da Educação referiu-se a “padrões de baixas médicas irregulares” por parte dos professores e revelou que está em fase de adjudicação a contratação de juntas médicas para as “vigiar” e “identificar”, eventualmente, como irregulares.
A prática agora anunciada não é nova. Já foi usada pela então Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo, que contratou uma “clínica médica”, constituída por um médico reformado da PSP e pelo cônjuge, médica reformada da GNR. Pela módica quantia de 54.375,00€, este vasto corpo clínico ficou ao serviço do ministério da Educação por oito meses e 25 dias. Especializou-se em aviar professores à razão de 50 por hora. Pelo menos num caso, em que fui solicitado a intervir, um “criterioso” relatório estava previamente assinado pelo “presidente” da junta, que nem sequer esteve presente na farsa. Quem quiser detalhes, respire um pouco de pó dos arquivos e vá à edição deste jornal, de 13 de Março de 2013.
Porque nestas colunas denunciei macabras decisões de juntas que decretaram o retorno às aulas de professores vítimas de doenças terminais, que morreram dias volvidos, estarei particularmente atento às anunciadas 7.500 juntas do século XXI.
Sete anos em funções governativas não foram suficientes para João Costa perceber que as baixas são um epifenómeno resultante de dois factores: a classe docente está fortemente envelhecida e temos demasiados professores sem saúde para exercer; as políticas de gestão dos recursos humanos do Ministério da Educação são desumanas e irracionais (a uma semana do início do ano, por altura da primeira reserva de recrutamento, havia 582 docentes dos quadros sem horário lectivo numas escolas, enquanto faltavam em abundância noutras), coagindo demasiados professores à precaridade toda a vida e condenando-os a aceitar colocações incompatíveis com a prestação de cuidados de assistência a familiares com doenças terminais ou incapacitantes.
João Costa disseminou o medo no seio dos professores mais fragilizados do sistema. Mentiu e manipulou a opinião pública, provocando-lhe falsas emoções e sentimentos sobre esse grupo de docentes. Com aquele seu jeito sonso, foi aspergindo energia negativa contra e sobre aqueles que devia proteger.
Depois de lançar lama sobre os professores, com maliciosas insinuações de desonestidade, João Costa apressou-se agora a aligeirar culpas próprias referindo que a falta de docentes não é problema exclusivamente português. Como se isso fosse atenuante e não tão-só problema comum a todos os países que incensaram as doutrinas neoliberais de menorização dos servidores públicos.
João Costa nunca entenderá que a Escola, para os professores, não é só o local onde passam a maior parte de todos os seus dias, mas um projecto de vida, ao qual dedicam o melhor de que são capazes.
João Costa tem feito tudo para transformar os professores em operários da sua escola, uma escola sem integridade pedagógica e científica. Misturar a sua cegueira com a busca de uma falsa modernidade vem dando o resultado desastroso de deixar a Educação nas mãos de demagogos, que constroem as directivas com muita incultura pedagógica e desprezo pelas perspectivas dos outros. Em penúltima instância, a culpa é de quantos percebem o desastre e se resignam, desistindo de lutar. Mas em última, obviamente, a culpa é dele, João Costa.

In “Público” de 14.9.22

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Horários em Contratação de Escola (13 setembro)

No total, hoje estão em concurso 1056 horários, sendo que 219 são para Técnicos Especializados e os restantes 837 são para os diferentes grupos de recrutamento.

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Blogosfera – Pensar a Educação

Quem quer ser professor?

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Ministério quer dar autonomia às escolas para escolher até um terço dos seus professores

O Ministério da Educação quer dar autonomia aos diretores para que possam selecionar um terço dos seus professores, tendo em conta o perfil dos docentes e os projetos educativos da escola.

 

O Ministério da Educação quer dar autonomia aos diretores para que possam selecionar um terço dos seus professores, tendo em conta o perfil dos docentes e os projetos educativos da escola.

“Quero discutir com as organizações sindicais a possibilidade das escolas terem uma percentagem de professores que se vinculam de acordo com um perfil de competências específico”, revelou o ministro da Educação, João Costa, em entrevista à agência Lusa no arranque de mais um ano letivo.

Na próxima semana, a equipa ministerial reúne-se com representantes sindicais sobre um novo regime de recrutamento e colocação de professores e do lado do ministério há várias ideias que quer debater.

Um dos projetos passa por dar autonomia às escolas para que possam escolher com quem trabalham.

Segundo João Costa, sempre que há concursos de professores, os serviços do ministério recebem “inúmeros pedidos, seja das direções da escola, seja dos próprios professores, para tentar encontrar as maneiras mais variadas de se manter na escola onde estavam”.

A estes pedidos somam-se as cartas dos encarregados de educação a questionar porque não pode continuar na escola dos filhos determinado professor.

A mudança anual de equipas cria instabilidade e obriga muitas vezes a recomeçar de novo um projeto que já existia, defendeu o ministro numa critica que também tem sido feita pelos diretores das escolas.

“Nada disto faz sentido, ninguém contrata assim”, afirmou.

João Costa vai, por isso, propor aos sindicatos uma mudança: “Não é descentralizar completamente o concurso de professores, mas sim dar também alguma autonomia às escolas para, pelo menos, uma parte do corpo docente ser selecionado de acordo com critérios locais e critérios próprios”, disse.

E quantos professores poderiam escolher? “Gostaria de começar com um terço” da equipa, avançou.

“Uma escola investe na formação do professor X na área digital, ou formação para ser tutor, ou formação no âmbito do Plano Nacional das Artes. Seja o que for e a seguir a pessoa vai-se embora. Isto é má gestão, isto é um mau uso dos recursos”, criticou o ministro.

Segundo João Costa, nos concursos de professores “nunca ninguém está contente”: “Os professores não ficam colocados onde desejavam, as escolas queriam ter continuidade dos seus professores. Parece sempre que corre mal e, portanto, temos de perceber o que é que se passa com este modelo que aparentemente não satisfaz ninguém”.

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Porque nos faltam professores?

Ministro João Costa no Perguntar Não Ofende: porque nos faltam professores?

 


 

Na semana em que se inicia mais um ano letivo marcado pelo debate sobre a falta de professores, Daniel Oliveira recebe no podcast Perguntar Não Ofende o ministro da Educação, João Costa

É neste período de transformação, entre a pandemia e as marcas que deixou em milhares de jovens, que começa mais um ano letivo marcado pelo debate sobre a falta de professores. Seja pelas mudanças na própria sociedade, onde os cursos tradicionalmente ligados ao conhecimento encontram muito mais saídas profissionais, ou de anos de congelamento de carreira e das imagens do professor com a casa às costas à procura de colocação, a profissão parece ter deixado de ser atraente para os jovens. E nunca precisámos tanto que a escola pública estivesse preparada para corrigir os efeitos sociais da pandemia. É neste momento marcante na vida de milhares de crianças e jovens, e com um profundo impacto na vida e futuro do país, que hoje voltamos a receber João Costa, agora como ministro da Educação.

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Uma escola para dois alunos

A escola do 1.º ciclo de Palaçoulo, em Miranda do Douro, prepara-se para iniciar o ano letivo com dois alunos, atividades extracurriculares e a perspetiva de manter aberto o estabelecimento no próximo ano.

Escola de Palaçoulo em Miranda do Douro inicia ano letivo com dois alunos

 

(Se esta escola fechar, Palaçoulo definhará como tantas outras aldeias do interior que morrem um pouco mais a cada dia)

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À Maneira de Costa, Primeiro Ministro

Anunciar as notícias que quem lê parecem ser boas notícias.

 

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Licenciados a dar aulas vão ganhar menos 350 euros do que professores de carreira

Mais de mil horários já foram enviados para contratação direta pelas escolas desde 1 de setembro.

Licenciados a dar aulas vão ganhar menos 350 euros do que professores de carreira

Os licenciados contratados pelas escolas para darem aulas ganham quase menos 350 euros do que um professor, no primeiro escalão da carreira, com horário completo. Este ano, a porta está escancarada para o recrutamento destes profissionais. A legislação foi atualizada para a contratação de licenciados pós-Bolonha e os avisos relativos aos concursos serão divulgados junto de universidades e centros de emprego, divulgou o ministro da Educação. O ano letivo arranca esta semana para mais de um milhão de alunos. Será uma abertura “tranquila”, garante João Costa. Mas ensombrada pela falta de professores.

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Alunos levam falta por não levarem professores para a escola

Ao constatarem que o seu filho não tem professores, os pais de Simplício foram reclamar junto da escola, altura em que foram informados de que a escola já tinha essa informação e até já tinha marcado falta ao aluno.

“Não tem professor porque não trouxe de casa, estava na lista de material”, informou a directora do estabelecimento. “Naquela turma, nenhum aluno trouxe professor, estou para ver como é que vai ser…”, lamenta.

Governo colocou “professor/a” na lista de material e está a marcar falta aos alunos que não levam

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Vigílias pela Educação confirmadas

Estão  marcadas as seguintes vigílias:

– VILA REAL – dia 13 de setembro, às 21:30 horas, na praça do Município;

– VIANA DO CASTELO – dia 14 de setembro, às 21h na praça da República:

– AVEIRO – dia 14 de setembro, às 21h no Largo Jaime Magalhães Lima;

– COIMBRA – dia 14 de setembro, às 21h30, à frente da antiga DREC (R. Gen. Humberto Delgado, 319).

– LISBOA – dia 14, de setembro, às 21h em frente ao ME na Av. 24 de julho

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Experiências Europeias Sobre a Escola a Tempo Inteiro

Nos últimos anos tenho acompanhado alguns grupos Erasmus+ em vários países europeus e já percebi que o conceito “Escola a Tempo Inteiro” é uma invenção exclusivamente portuguesa. Talvez a sua avó  terá sido  a famosa Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que não terá tempo para cuidar dos seus netos (se os tiver) porque anda demasiada ocupada com formas de chegar aos lugares de topo, sem avaliação e que continua a gostar de dar as suas opiniões quando todos esperavam que estivesse calada e muito bem calada.

Em nenhum país por onde tenho passado existe este conceito de escola a tempo inteiro.

Em praticamente todos eles a escola funciona apenas durante a manhã, na Grécia nem cantinas existem nas escolas para os alunos almoçarem.

Nos países mais desenvolvidos (frança, Espanha, Alemanha, e mais alguns, certamente) ainda existem espaços na escola para os alunos almoçarem, mas a atividade letiva de tarde pura e simplesmente não existe. Nem existem atividades não letivas!

Os alunos entram geralmente cedo e terminam as aulas pelas 14 horas, ficando com o resto do tempo livre para outras atividades fora da escola.

Nos países mais desenvolvidos, a ida dos alunos para a escola ou o seu regresso a casa é feito geralmente em veículo próprio do aluno (bicicleta) e não em carros próprio da família ou autocarros à porta da escola.

Mas como gostamos de ser diferentes e acharmos que ser desenvolvidos é ter uma escola em funcionamento das 8 da manhã às 8 da noite, agora também já se pretende que o arranque do ano letivo seja no dia 1 de setembro e que as férias se reduzam ao mês de agosto.

Isto chama-se subdesenvolvimento e não desenvolvimento de uma sociedade.

Mas devem haver alguns estudos no ISCTE sobre isto, não sei.

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A Escola como “fiel depositário” de crianças e jovens?

A Escola como “fiel depositário” de crianças e jovens?

 

Não satisfeita com a abominável “escola a tempo inteiro”, e como se isso não fosse já suficientemente sufocante e enclausurante para as crianças e jovens abrangidos pela escolaridade obrigatória, a Confederação Nacional de Associações de Pais (CNAP) veio agora, também, afirmar a pretensão de antecipar o reinício das aulas para o dia 1 de Setembro, reduzindo as denominadas Férias de Verão…

Perante o anterior, não pode deixar de se perguntar:

– Se o problema que justifica tal intenção for a falta de recursos humanos e/ou materiais que não permitam às famílias providenciar os cuidados necessários às suas crianças e jovens durante os períodos de Férias Escolares, porque não se exigem à Tutela apoios e medidas de protecção específicos para as interrupções lectivas, assumindo publicamente a existência dessas limitações?

– Desde que os filhos possam ser “depositados” numa escola, estará tudo bem para muitas famílias?

À falta de exigências concretas e conhecidas, dirigidas ao Governo, para colmatar a plausível falta de apoios e de protecção, parece ter-se preferido enveredar por uma proposta de encurtamento do período de Férias, o que poderá induzir a conjectura de que uma parte significativa das famílias possa pretender “ver-se livre” das suas crianças e jovens, com a maior brevidade possível…

Se não for assim e se a hipótese anterior estiver completamente errada, podendo mesmo traduzir-se por um juízo tremendamente injusto em relação a muitas famílias, como conceber que as mesmas não reclamem nem exijam mais apoios e protecção?

Porque se remetem ao silêncio as Associações que supostamente as representam?

A denominada “escola a tempo inteiro” não pode deixar de ser vista como um “crime” perpetrado contra as crianças e jovens e também não pode deixar de ser considerada como uma violência e um atentado à saúde física e mental das crianças e dos jovens…

Obrigar crianças e jovens a ficarem confinados ao espaço de uma sala de aula durante a maior parte do seu dia, será física e mentalmente saudável para quem?

Para as crianças e jovens não o será certamente…

A “escola a tempo inteiro” tem servido, sobretudo, para desresponsabilizar e demitir as famílias de algumas incumbências…

A “escola a tempo inteiro” tem permitido a difusão da ideia perniciosa e perversa de que as famílias poderão ser dispensadas de assumir e de praticar algumas das suas principais competências e atribuições…

A pandemia trouxe à ribalta, em muitas crianças e jovens, quadros depressivos e crises de ansiedade, sintomáticos de estados emocionais negativos, frequentemente pautados pela tristeza, pela sensação de abandono e de solidão e pelo descontrole emocional…

A pandemia terá agravado o problema do isolamento social das crianças e jovens, dando-lhe maior visibilidade e tornando a sua existência mais consciente, mas não o criou… Esse problema já existia anteriormente e também já assumia proporções notórias e inquietantes…

Cada vez mais, o comportamento das crianças e jovens é o reflexo do que se passa no seio de muitas famílias e a forma como as famílias funcionam vê-se, comummente, nessa conduta…

A percentagem significativa de crianças e jovens que passa a maior parte do tempo entregue a si próprio, desprovida de apoio e de acompanhamento familiar ilustra, muitas vezes, esse funcionamento, assim como a ausência de comunicação, de partilha, de negociação e, sobretudo, de vinculação afectiva com as respectivas figuras parentais…

A “escola a tempo inteiro” parece ter “oficializado” e “legitimado” a diminuição do tempo disponível para a existência de possíveis interacções significativas entre as crianças/jovens e as respectivas famílias, o que só por si já seria manifestamente mau…

Mas o que dizer quando os próprios pais defendem que se deve ir além dessa “escola a tempo inteiro”, propondo, adicionalmente, a diminuição do período de Férias dos seus filhos?

A escola até pode ser o melhor que muitas crianças e jovens têm, mas isso não pode servir como justificação ou desculpa para, à partida, se aceitar como “natural” a demissão de muitas famílias, a sua desresponsabilização ou o alheamento face à vida dos seus filhos, em particular a desatenção respeitante à sua conduta e ao seu desempenho em contexto escolar…

As competências e atribuições da Família ao nível da Educação e Formação das crianças e jovens não são substituíveis pelas da Escola, mas antes deverão ser complementares…

Confundir, consciente ou inconscientemente, Família com Escola é, quase sempre, meio caminho andado para a negligência e para o abandono… Ainda que o abandono possa não ser físico…

A Escola não pode cair na tentação de se transformar num “fiel depositário” de crianças e jovens e deixar as famílias muito descansadas e de consciência muito tranquila…

(Matilde)

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Não senhor… não há alunos sem professor.

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Vigília pela Educação

Colegas, mobilizemo-nos!
Organizem nas vossas cidades. Dizer que não adianta é que de certeza não nos leva a lado nenhum.
Estamos juntos!

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“Professores sem habilitações para ensinar são um retrocesso”

Santana Castilho antecipa um ano letivo mau e critica soluções do Governo. A última é o despacho publicado esta semana que baixa a fasquia quando faltam professores. Se fosse ministro, não poria um secretário de Estado a assiná-lo como fez João Costa: ‘É uma cobardia’.
Além do pacote de apoio às famílias, a semana fica marcada pela garantia do ministro da Educação de um regresso às aulas tranquilo, mas sem ilusões. É tranquilizador?
Os Costas são dois artistas. O Costa chefe, manipulador, prestidigitador exímio, e o Costa ministro da Educação, menos do que ele, mas que tem a mesma atitude perante os problemas. Portanto as palavras de João Costa não me surpreendem. Se formos analisar em detalhe, a atuação política do ministro tem sido de ignorância dos problemas da educação e procura de soluções, umas mais escabrosas do que outras, para gerir o dia a dia. Deu uma conferência de imprensa em agosto onde disse que 97% dos horários pedidos já estavam preenchidos.
O número de baixas médicas nas escolas tem a ver com o envelhecimento dos professores ou, como sugeriu o pedido de 7500 juntas médicas por parte do Governo, há um aproveitamento indevido desse mecanismo, até para resolver por exemplo a instabilidade das colocações?
Não há só uma causa certamente. A maior será o envelhecimento dos professores, mas por cima dessa está sempre o quão difícil e causticante se tornou a profissão de professor. No último concurso tivemos casos em que os professores finalmente entraram no quadro para se ir reformar na semana a seguir ou no mês a seguir. Imagina o que é, com a sua família, viver 27 anos, como eu conheço alguns docentes, com a mulher num sítio, o marido noutro, a terem de alugar duas casas, não poderem estar com os filhos? No ano passado tive conhecimento do caso de uma colega que vivia aqui em Lisboa, dormia num sofá numa sala pelo qual pagava 10 euros diários. Não tinha dinheiro sequer para alugar um quarto. Todas estas coisas se acumulam e dão um desgaste enorme aos professores.
O que está a dizer é que sugerir que há uma fraude generalizada passa por cima desse contexto, que por isso só pode contribuir para maior mau estar.
Obviamente que esse é um discurso demagógico. Os professores que metem baixa médica e que fruíam deste estatuto de mobilidade por doença são pessoas com doença grave ou que prestam assistência a familiares com esses problemas. Para fazerem isso passam um processo complexo de apresentar testemunho para a situação em que estão. O que fazem é usar um mecanismo legal e que está vigiado medicamente. Se há fraude, então tenha-se a coragem de dizer quem comete a fraude e a lei previu desde sempre mecanismos para isso. Estas 7500 juntas médicas que o ministro agora apregoa são um ato de má fé: lança um anátema sobre todos os professores. Já escrevi sobre muitos casos verdadeiramente macabros, pessoas com cancros em fase terminal que morreram na escola porque foram obrigadas a regressar por juntas médicas, essas sim fraudulentas.

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Divulgação – Seminário “Uma Escola em (Transf)Formação”

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Educação volta a ser escolha para mais alunos

Educação volta a ser escolha para mais alunos

 

Há 12 universidades e politécnicos onde a taxa de ocupação da licenciatura em Educação Básica foi de 100%, enquanto, por outro lado, o maior número de vagas não ocupadas é no Instituto Politécnico de Bragança, que tem, pelo menos, 43 lugares disponíveis para a segunda fase.

O número de alunos que escolheram cursos superiores de Educação Básica aumentou este ano, revelam os resultados da primeira fase do concurso nacional de acesso, em que foram colocados mais de 700 novos estudantes nas ofertas dessa área.

 

De acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, foram colocados 727 novos alunos nas 21 licenciaturas em Educação Básica.

O número continua aquém de outros tempos – em 2017, por exemplo, foram 853 -, mas representa um aumento de 14% face a 2021, numa altura em que o problema da falta de professores volta a marcar o regresso às aulas.

Os novos alunos agora colocados vão ocupar pouco mais de 700 vagas de um total de 868 disponíveis. Sobram 143 vagas, em menos de metade das instituições, que serão disponibilizadas na segunda fase do concurso do acesso, entre 12 e 23 de setembro.

Há 12 universidades e politécnicos onde a taxa de ocupação da licenciatura em Educação Básica foi de 100%, enquanto, por outro lado, o maior número de vagas não ocupadas é no Instituto Politécnico de Bragança, que tem, pelo menos, 43 lugares disponíveis para a segunda fase.

A média mais alta é a da Universidade do Porto: o último aluno a garantir colocação naquele que é o primeiro passo na formação de um professor entrou com 16,08 valores. Segue-se a Universidade do Minho (15,02 valores) e o Instituto Politécnico de Coimbra (14,47 valores).

A média mais baixa é no Politécnico de Viseu (10,60 valores), seguido da Universidade da Madeira (10,65 valores) e o Politécnico de Santarém (11,12).

Ainda antes de arrancar a primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, a tutela definiu que as instituições poderiam aumentar as vagas para as licenciaturas em Educação Básica.

O objetivo da medida era estimular o aumento de vagas nas licenciaturas em Educação Básica, “atendendo à necessidade premente de formação de professores”, referia o despacho que determina as orientações para a fixação de vagas.

Quando o Governo decidiu aumentar, excecionalmente, as vagas inicialmente fixadas face ao elevado número de candidatos, esta área foi novamente privilegiada, sendo permitido a esses cursos um reforço superior aos restantes.

Recentemente, a necessidade de atrair alunos para os cursos que formam professores tem sido cada vez mais apontada, perante o problema crescente da falta de professores nas escolas e uma classe envelhecida, em que número de aposentações é crescente e superior à chegada de novos docentes.

Há cerca de duas semanas, o próprio ministro da Educação afirmou que o número de alunos candidatos aos mestrados em ensino de diferentes áreas para o próximo ano letivo também aumentou significativa e instou as instituições de ensino superior a disponibilizarem mais vagas.

Quase 50 mil alunos entraram para o ensino superior no final da primeira fase, em que só 19% dos candidatos é que não obtiveram colocação. Havia 54.641 vagas, das quais sobraram 5.284.

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Obrigada, escola pública

 

Obrigada, escola pública

Terminado o Ensino Secundário, o momento de acesso ao Superior é determinante para qualquer jovem e este fim de semana foi de ansiedade para milhares de famílias que aguardavam o desejado e-mail com a indicação de colocação. Senti na pele essa expectativa a crescer com o passar dos dias, as conversas sobre o que um estudante imagina e espera da universidade, o contentamento da minha filha com a confirmação de entrada num dos chamados cursos de topo, objetivo para o qual trabalhou com afinco e entusiasmo.

Mas esta crónica não é sobre a minha filha, por mais que aos olhos de mãe a merecesse. A verdade é que inúmeras vezes me questionam em que colégio estudam os meus filhos e gosto sempre de esclarecer o quanto acredito na escola pública. Este é o momento de agradecer às escolas (em diferentes locais, num percurso que começou bem no Interior do país) que têm proporcionado as condições e os desafios para que a minha filha, como tantos miúdos da mesma idade, ganhe asas para outros voos.

Claro que esta é uma simplificação, porque inúmeros fatores entram em jogo nesta equação de saída e nos resultados, e porque o agradecimento pode parecer esquecer as dificuldades e tremendos desafios que o ensino público atravessa. É exatamente o contrário: é por acreditar tanto na escola pública que continuarei a defender que ela deve ter os recursos, antes de tudo o mais humanos, capazes de garantirem um espaço efetivo de igualdade, de liberdade e de contínua promoção de uma cultura de criatividade e de excelência. Deve haver diversidade de oferta e liberdade de escolha, mas a montante terão de estar sempre garantidas a eficiência e a qualidade nas funções essenciais do Estado.

Uma nota ainda para o facto de haver este ano mais alunos colocados no Interior. Num país em que tudo está inclinado para o Litoral, em que o centralismo é a palavra de ordem, as instituições de ensino superior são essenciais para alavancar inovação e são igualmente polos de atração com efeito nas dinâmicas demográficas de cidades médias. A educação, nas suas múltiplas dimensões, é mesmo o maior motor de desenvolvimento e a chave certa para o futuro. Num país que tanto precisa de acreditar no futuro, essa é uma certeza de que nunca devemos abdicar.

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Pais querem férias a acabar em agosto

Confederação Nacional de Associações de Pais propõe reinício das aulas para um de setembro

Pais querem férias a acabar em agosto

Os representantes dos pais e encarregados de educação apresentaram uma proposta ao Ministério da Educação (ME) para reduzir as férias grandes de verão. A ideia é que o ano letivo passe a começar no início de setembro.

“Expusemos uma proposta ao ME quando fomos consultados para o projeto de despacho do calendário escolar.

  

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Uma Boa Notícia

Alunos candidatos a professores aumentam 14% 

Vagas nas licenciaturas em Educação Básica cresceram e os estudantes responderam positivamente. Cursos financiados pelo PRR ocuparam quase todas as vagas.

 

Era uma das novidades do concurso de acesso ao ensino superior deste ano: o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) deu indicações às instituições de ensino superior para que aumentassem vagas nas licenciaturas em Educação Básica, obrigatórias para quem quer ser professor do 1.º e 2.º ciclos e estas alargando a oferta em 7%. Os estudantes também responderam positivamente: o número de colocados nas formações que abrem as portas para a docência aumenta 14%.

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Ministro da Educação revela dados diferentes sobre listas de colocação de professores

João Costa disse que ficaram 600 horários por preencher na reserva de recrutamento, mas segundo as listas foram 1018.

Ministro da Educação revela dados diferentes sobre listas de colocação de professores

O ministro da Educação, João Costa, anunciou sexta-feira que na segunda Reserva de Recrutamento foram postos a concurso 4416 horários para professores, tendo ficado cerca de 600 por preencher. Os dados anunciados não coincidem, contudo, com os que foram publicados pela Direção-Geral de Administração Escolar (DGAE), que indicam que foram mais de um milhar.

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Em Portugal desinveste-se com roubos de tempo de serviço, vagas e quotas….

 

Este é o vídeo de uma campanha internacional que diz que investir em professores é um excelente investimento.

Em Portugal, há muito que não se investe o que se devia. Se os professores fossem um investimento, os gestores do nosso sistema de ensino eram despedidos. Depois de algum investimento nos anos 80/90, deixaram a demografia e o envelhecimento à solta e não fizeram as “amortizações” desse investimento de há 30 anos. As reformas chegaram e não há quem substitua.
E além dos reformados há mais gente a sair e muitos a não querer entrar.

Agora querem baixar a qualidade do material de substituição e usar “profs de aviário” ou lateiros, como se dizia na tropa (eu sei que João Costa de História gosta pouco, mas o 25 de Abril começou por um caso assim…. Oficiais de aviário).
Se, em vez de professores, fossem carros de combate para o exército, que era preciso substituir, íam fazer uma campanha de marketing a cantar as virtudes do blindado que era preciso comprar com milhões para substituição.

Para atrair os professores substitutos, a campanha política que foi feita foi dizer que somos madraços, privilegiados e caros. E cortar 400 ou 500 euros mês por várias formas aos que entraram depois de 1995 ou nasceram depois de 1975.

Ontem a mania continuou na conferência de imprensa surreal com a conversa das 2000 baixas que é um disparate na boca de quem devia ter uma perspetiva macro das coisas e um pouco mais de literacia estatística (ou não julgar que os outros foram todos maus alunos a matemática como parece que tantos jornalistas foram).
Baixas? E as 2000 reformas e as que estão para vir como um reator em fusão?

Eu, e os que estão estagnados há década e meia e não recuperaram poder de compra com os 2 anos e meio devolvidos do tempo roubado, somos bem baratos (menos de 10 euros à hora).
Disseram tão mal de nós…. Agora não há quem queira…..
Se a minha sobrinha ousar pensar nisso leva nas orelhas.

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