Outubro 2022 archive

Agressores de Professora proibidos de se aproximarem da escola e da vítima

Casal não pode contactar a vítima por qualquer meio e fica obrigado a manter uma distância “não inferior a 300 metros”.

Suspeitos de agredirem professora proibidos de se aproximarem da escola

O Tribunal de Instrução Criminal determinou que o pai e a mãe de um aluno de 09 anos suspeitos de agredirem uma docente na Figueira da Foz ficam proibidos de se aproximarem da escola onde ocorreram os factos.

Os dois arguidos foram sujeitos a primeiro interrogatório judicial, na sexta-feira, tendo a juíza de Instrução Criminal determinado as medidas de coação a aplicar aos dois arguidos, pelos crimes alegadamente praticados em 11 de outubro, referiu o Ministério Público de Coimbra, numa nota publicada esta segunda-feira no seu ‘site’.

Além de estarem proibidos de se aproximarem da escola, com exceção da entrega e da recolha do filho mais novo no edifício da pré-primária, o casal não pode contactar a vítima por qualquer meio e fica obrigado a manter uma distância “não inferior a 300 metros”.

Os suspeitos não podem também aproximar-se ou contactar por qualquer meio as testemunhas associadas ao processo.

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Petição para que haja medidas contra a violência na Escola e reforço da Paz e Segurança

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“O salário de professor não chega para tudo”

Beatriz Ribeiro, Nuno Moreira e Paulo Cubal são três professores, entre muitos outros, que depois do toque de saída da escola, têm outra ocupação. Precisam de um segundo emprego para garantir o dinheiro suficiente para pagar as contas. São testemunhos de quem gosta de dar aulas, mas que lamenta a pouca valorização que é dada à profissão e que marcam esta semana em que o Ministro da Educação vai estar no parlamento no âmbito da apreciação na especialidade do Orçamento do Estado para o próximo ano.

Professores. Uma segunda vida para poder pagar as contas

Beatriz Ribeiro, de 27 anos, já está habituada a dias preenchidos para dar resposta a todas as atividades a que se dedica. Esta professora do primeiro ciclo nunca sabe se consegue um lugar na escola para ensinar, porque tem optado sempre por dar aulas perto de casa, na região do Montijo, para poder acompanhar o filho ainda pequeno.

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Petição para que haja medidas contra a violência na Escola e reforço da Paz e Segurança

Petição para que haja medidas contra a violência na Escola e reforço da Paz e Segurança

 

Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia da República

Os cidadãos abaixo assinados apelam ao Parlamento para que promova o questionamento do Governo e debata o tema, para que se chegue à tomada de medidas executivas, regulamentares e legislativas, para abordar de forma mais eficaz o problema da violência e falta de segurança em meio escolar.

Na nossa opinião, a Assembleia da República deve promover um debate urgente, com uma perspetiva abrangente e suprapartidária, numa linha de entendimento entre os partidos e sem demagogias ou desvios politiqueiros, para abordar este assunto.

O debate deve ser sem preconceitos e sem dar espaço a tentativas de aproveitamento da situação por forças que queiram afastar o debate daquilo que ele é: criar condições adequadas e seguras de exercício, em cada uma das escolas portuguesas, do direito de aprender e ensinar.

Para isso, devem ser ouvidos os que trabalham nas escolas e ficar menos central a ideologia específica de cada um dos Senhores/as Deputados/as numa abordagem mais pragmática e realista face a tentativas anteriores de reagir ao problema.

Nos últimos tempos, tem havido uma profusão de notícias a narrar episódios de agressão e injúrias a professores/as e educadores/as por parte de alunos/as ou pais, mães e encarregados/as de educação.

É difícil saber se estas notícias correspondem a um efetivo agravar da situação ou a uma maior consciência social e comunicacional da sua gravidade.

Pode ficar a ideia de que a situação está generalizada em todas as escolas, mas, na nossa opinião, isso resulta também de tentativas de criar má imagem à escola pública, onde a verdade é que a maioria dos alunos e docentes têm uma vida pacífica e sem violência.

Mas tem de se reconhecer que existem muitos casos, que o número noticiado é crescente e que não queremos que se alarguem. Além os casos que existem criam alarme social e efeitos de contágio de certas práticas.

Verifica-se, em muitos estabelecimentos de ensino, a criação de ambientes de coação e agressividade, que incluem atos de violência, agressão, insultos e ofensas a docentes e trabalhadores não docentes das escolas que são, assim, vítimas de crime, no seu local de trabalho.

O tema tem um forte enquadramento social e deve incluir, nos caminhos de solução, essa abordagem social que integre, além do que propomos, medidas que combatam algumas causas externas à escola e que se situam no domínio da exclusão social e dos problemas de integração.

Mas, além da criação dessas medidas mais vastas e abrangentes, para soluções mais estruturais, cremos que há medidas mais imediatas que necessitam de atenção dos detentores do poder político.

Enumeramos 10:

1. Criação no Ministério da Educação (ME) e Municípios de estruturas de apoio aos trabalhadores das escolas vítimas de agressão, ofensa ou outros crimes, quer no âmbito do apoio judiciário, quer no âmbito do apoio psicológico.

2. Criação de meios de estudar e compreender o problema, restaurando estruturas como o Gabinete de Segurança Escolar do ME ou o Observatório da Violência Escolar, dotando-os de meios para analisarem a situação e proporem medidas de política pública eficazes.

3. Criar e dotar de meios (docentes, psicólogos, assistentes sociais e outros técnicos) equipas multidisciplinares escolares de combate ao problema na sua origem, que devem ser estruturas permanentes e não eventuais e precárias (criadas e extintas conforme a disponibilidade pontual de meios de fundos comunitários). Essas estruturas estão previstas no Estatuto do Aluno, mas só têm sido postas em prática em contexto limitado e com recursos insuficientes.

4. Reforçar os meios do Programa Escola Segura, com agentes, militares e recursos materiais, aumentando o número de horas de patrulha de proximidade. Esse deve ser um programa prioritário, no âmbito dos programas de policiamento de proximidade da PSP e GNR, e não se assistir à situação de os agentes dispersarem o seu tempo por outros programas de proximidade, em que acumulam funções em sobrecarga, desfocando da questão da violência escolar.

5. Mudar as normas penais, não para aumentar as penas que são adequadas (e têm agravações que reforçam este aspeto), mas para garantir que a agressão a professores, educadores e outros trabalhadores escolares, em exercício de funções (ou em razão das funções), passe a ser crime, cujo processo seja acionado pelo Ministério Público, mesmo sem queixa do ofendido (crime público);

6. Mudar as normas do Estatuto do aluno, no que diz respeito a absentismo, agressões, ofensas e injúrias, tornando-as mais rigorosas na linguagem técnica e jurídica e dando às escolas capacidade de agir mais depressa e com maior capacidade preventiva. O legislador deve dar atenção especial à densidade e qualidade das normas sobre uso de telemóveis e outros equipamentos tecnológicos, recolha de imagens e som e deveres dos pais (no sentido de reforçar os direitos de todos os elementos da comunidade escolar e punir os agentes de atos de violação de direitos, por exemplo, pondo em prática os processos contraordenacionais que já existem na lei);

7. Reforçar a democracia escolar, para dar maior participação aos pais e alunos de forma regulada e impedindo a captura de representação nas Associações de Pais ou a falta de meios de contacto e representação da opinião dos alunos;

8. Criar estruturas de mediação sociocultural, nas escolas em que elas sejam necessárias, com recursos e sob gestão das estruturas da escola.

9. Mudar a legislação das CPCJ, reforçando a capacidade atempada de intervenção, no sentido de dar mais peso às escolas nessas instituições, impedindo a sensação generalizada de afastamento e impotência face às situações geridas por essas estruturas. Reforçar os poderes do Ministério Público nessas instituições e dar-lhes mais meios e diminuir a informalidade na constituição e funcionamento.

10. Criar modelos curriculares de formação adequados, para os alunos com absentismo e desinteresse pela escola, que os integrem e impeçam a marcha de percursos de vida de exclusão e adversidade face à escola, talvez recuperando e melhorando soluções, hoje abandonadas, como CEF ou outros modelos que, no passado, foram funcionando. Do mesmo modo, generalizar e melhorar programas curriculares de combate ao bullying e violência e de educação para os Direitos Humanos, Participação e Paz.

Quando, nos anos 90, se iniciou a reforma educativa que, na época, causou larga mudança nas escolas e no país, alguém escreveu que uma visão da política educativa para o progresso do país tem de distinguir muito bem o que é mero Sucesso Escolar do que é real Sucesso Educativo.

Podemos ter grandes números a falar de transições sem retenções e até lindos projetos curriculares e de avaliação, que aparentem Sucesso Escolar, mas numa escola sem Paz e sem um clima de concórdia, não haverá Sucesso Educativo.

E, para ele existir e se manter, algo tem de ser feito.

Pode ser o que propomos ou outras coisas, mas o problema visível não pode ser ignorado pelos políticos, sob pena de se agravar e, 50 anos depois do 25 de Abril, estarmos a construir uma derrota futura para a escola pública.

É isso que pedimos: medidas focadas para a Segurança e Paz nas escolas em nome do Sucesso Educativo dos alunos deste país.

Petição – A aguardar assinaturas online

Subscritor(es): Luís Miguel Sottomaior Braga Baptista

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As razões do descontentamento dos Professores. – Rui Ferreira

A propósito da greve prevista para dia 2, passo a explanar as razões para os professores estarem descontentes.

1. A entrada na carreira é feita com muitos sacrifícios, pois em geral o professor contratado passa vários anos fora do seu local de residência. Só que no meu tempo as colocações eram no interior do país, onde não havia problemas em arranjar habitação. Agora há falta de professores em zonas urbanas e no litoral algarvio, pelo que hoje em dia o pagamento de um local para ficar durante a semana ronda uma percentagem muito superior à taxa de esforço recomendada num crédito à habitação (a política de habitação não respondeu à procura e parte do investimento em habitação foi canalizado para habitações de luxo e alojamento local), além de se manter a residência de família. Por outro lado, não há garantia de se conseguir um horário completo, pelo que, há prejuízo em termos de ordenado, tempo de serviço e carreira contributiva, além do prejuízo familiar. Não é normal este problema não ter sido equacionado por vários governos, e quando há diretivas da UE que vão contra as práticas seguidas, são ignoradas.

2. Depois ao entrarem na carreira, há dois obstáculos que dependem de pelo menos uma avaliação qualitativa de Muito Bom, a passagem ao 5º escalão e ao 7º escalão, com limitações de 25% das notas qualitativas de MB e Excelente. Portanto, mesmo sendo-se bom professor, entram em consideração as quotas e a política de acesso a estes 25%, que fazem com que os professores não tenham a possibilidade de mostrar divergências com as direções, mesmo em questões consignadas na lei. Ou seja, depois de entrarem na carreira só resta ao professor tornar-se num executante, deixando de ser também pensante, mas mesmo aqui defronta-se com critérios aberrantes como promover atividades internacionais! O outro problema da profissão e progressão na carreira reside no modelo de gestão centrado numa única pessoa sem contrapoderes, o que potencia as injustiças e o outro lado da moeda destas, as prepotências – veja-se o caso recente na margem sul com a esposa de um diretor. Uma carreira a desenvolver num ambiente autoritário não é atrativa para um cidadão que sabe que vai ser condicionado nas suas escolhas.

3. Na remuneração, fomos penalizados em 6 anos de tempo não contabilizado nas progressões, que nos vai também prejudicar na carreira contributiva, além de que temos vindo a ver degradado o salário real devido à perda de poder de compra, consequência da inflação não ser acompanhada por uma subida nominal equivalente. Mais recentemente, neste mês, o governo promove uma valorização da carreira dos técnicos superiores, que não é acompanhada pelas carreiras especiais, como a dos professores!

4. Com a moda do aluno (e respetivos pais) ser o cliente a satisfazer, tem havido uma degradação da disciplina na sala de aula, como sub-produto das políticas de aproveitamento a 100%, para se ficar bem nas estatísticas, pois alguns alunos estão na aula contra a sua vontade e não são penalizados se nada fizerem, logo estes alunos aproveitam o tempo para criar incidentes disciplinares, sendo ou não pressionados a fazerem as atividades previstas. Portanto, o professor é cada vez mais desrespeitado na sala de aula. Consequência deste quadro, há cada vez mais pessoas a desistir da profissão, situações de  burnout e problemas psiquiátricos. Não faz sentido ser desrespeitado profissionalmente, logo há cada vez menos candidatos à profissão!

Concluindo, aqui estão as razões de perda de interesse na carreira de professor e o problema crescente em conseguir preencher as necessidades de profissionais. São também situações, todas, sem exceção, que devem ser alteradas para haver dignidade na profissão e carreira.

Rui Ferreira

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Medida 8 – Aumentar os Limites e Reduzir os Prazos

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A (Excelente) Crónica Diária do Costume

Torna a leitura um bálsamo.

Sábado – O Meu Quintal

 

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É Preciso Sair da Ilha Para Ver a Ilha

“É preciso sair da ilha para ver a ilha”…

O jugo do conformismo, da apatia, do alheamento e da obediência acrítica, implacavelmente, transformou a maior parte das escolas em lugares onde se funciona muito, mas onde se vive muito pouco…

Muitas vezes, sem acções conscientes e intencionais e sem pensamento crítico, os automatismos comportamentais sucedem-se e repetem-se, num círculo vicioso de trabalho insano que aprisiona, praticamente impossível de quebrar…

Trabalho ininterrupto, repetitivo, sem fim à vista e, muitas vezes, sem quaisquer efeitos positivos ou finalidades claras ou definidas…

E o pior é que há muitas escolas onde já poucos parecem importar-se realmente com isso…

O conforto e a segurança proporcionados pelo hábito, pelo ritual e pela acomodação parecem fazer com que poucos se queiram comprometer com qualquer ruptura, mudança ou progresso, adaptados que estão à previsibilidade das suas (agonizantes) rotinas…

O primado da sobrevivência sobrepõe-se, muitas vezes, ao da dignidade e é dessa forma que nas escolas se vai aceitando tudo…

Com toda a lucidez, José Saramago escreveu que: “É preciso sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós” (Conto da Ilha Desconhecida)…

Desistentes de si próprios e dos outros, parece haver muitos profissionais de Educação que não conseguem “sair da ilha”…

Serão felizes assim?

Talvez sejam. E, se assim for, este texto não passará de uma perplexidade ou de uma inquietação alheia, sem qualquer fundamento…

Mas também podemos fingir que está tudo bem e ceder à toxicidade da “ditadura” dos afectos positivos e à falácia das aparências optimistas…

Resumindo, a pergunta a colocar será esta: adoptamos o optimismo panglossiano ou o pessimismo do Velho do Restelo?

Nem um, nem outro… Talvez Ariano Suassuna tivesse razão: “O optimista é um tolo. O pessimista é um chato. Bom mesmo é ser realista esperançoso”…

É imperioso “sair da ilha”… Não se pode ser esperançoso sem conseguir “sair da ilha”…

Sem “sair da ilha” não se pode auspiciar, nem lutar, por melhores salários, carreiras mais atractivas, menos trabalho insano, mais democracia…

Não “sair da ilha” é o que mais convém a quem tutela a Educação…

Plausivelmente, se muitos ousassem “sair da ilha”:

O Decreto-Lei nº 75/2008 de 22 de Abril e o actual modelo de ADD já teriam sido revogados há muito tempo e todas as suas iniquidades extintas; a Classe Docente não teria sido alvo de uma humilhante usurpação relativa ao tempo de serviço, ímpar na Função Pública desde o 25 de Abril de 1974; a Tutela respeitaria os profissionais de Educação e talvez algumas das suas legítimas pretensões fossem atendidas; o trabalho dos profissionais de Educação seria efectivamente valorizado e reconhecido…

Quem não “sai da ilha” arrisca-se a ser ignorado, a ser deliberadamente desconsiderado por terceiros ou, pior que tudo, a tornar-se “desertor” de si próprio…

Os profissionais de Educação não podem sujeitar-se a serem transformados numa espécie de alquimistas, postos ao serviço da fantasia, da ilusão e do devaneio…

Aceitar o anterior, é deixar-se anular e silenciar…

(Matilde, pseudónimo de Paula da Conceição Marques Cardoso Martins Dias).
Nota do Editor: A Paula Dias é candidata pela lista D ao Conselho Geral e de Supervisão da ADSE, por este motivo decidiu divulgar o seu verdadeiro nome por trás do pseudónimo Matilde.

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Reunião de pais termina à batatada em frente a escola básica de Setúbal

Os pais de vários alunos de uma escola básica do bairro do Peixe Frito, em Setúbal, envolveram-se em cenas de pancadaria, na manhã desta sexta-feira, na sequência de uma reunião de pais.

Na manhã desta sexta-feira, alguns pais de alunos reuniram-se junto à porta da escola para se manifestarem em relação a um aluno que alegadamente tem andado a agredir colegas. O pai do alegado agressor tomou conhecimento do protesto e deslocou-se ao local.

Os pais das vítimas e o pai do alegado agressor envolveram-se numa discussão e seguiu-se uma troca de murros. A certa altura, o pai do suposto agressor sacou de uma navalha, mas a rixa foi separada pela PSP, que já se encontrava perto do local, antes que o homem pudesse agredir alguém com a arma branca.

A PSP identificou todos os intervenientes e apreendeu a arma branca. Nenhum dos intervenientes na rixa sentiu necessidade de assistência dos bombeiros.

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“É preciso sair da ilha para ver a ilha”…

 O jugo do conformismo, da apatia, do alheamento e da obediência acrítica, implacavelmente, transformou a maior parte das escolas em lugares onde se funciona muito, mas onde se vive muito pouco…

Muitas vezes, sem acções conscientes e intencionais e sem pensamento crítico, os automatismos comportamentais sucedem-se e repetem-se, num círculo vicioso de trabalho insano que aprisiona, praticamente impossível de quebrar…

Trabalho ininterrupto, repetitivo, sem fim à vista e, muitas vezes, sem quaisquer efeitos positivos ou finalidades claras ou definidas…

E o pior é que há muitas escolas onde já poucos parecem importar-se realmente com isso…

O conforto e a segurança proporcionados pelo hábito, pelo ritual e pela acomodação parecem fazer com que poucos se queiram comprometer com qualquer ruptura, mudança ou progresso, adaptados que estão à previsibilidade das suas (agonizantes) rotinas…

O primado da sobrevivência sobrepõe-se, muitas vezes, ao da dignidade e é dessa forma que nas escolas se vai aceitando tudo…

Com toda a lucidez, José Saramago escreveu que: “É preciso sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós” (Conto da Ilha Desconhecida)…

Desistentes de si próprios e dos outros, parece haver muitos profissionais de Educação que não conseguem “sair da ilha”…

Serão felizes assim?

Talvez sejam. E, se assim for, este texto não passará de uma perplexidade ou de uma inquietação alheia, sem qualquer fundamento…

Mas também podemos fingir que está tudo bem e ceder à toxicidade da “ditadura” dos afectos positivos e à falácia das aparências optimistas…

Resumindo, a pergunta a colocar será esta: adoptamos o optimismo panglossiano ou o pessimismo do Velho do Restelo?

Nem um, nem outro… Talvez Ariano Suassuna tivesse razão: “O optimista é um tolo. O pessimista é um chato. Bom mesmo é ser realista esperançoso”É imperioso “sair da ilha”… Não se pode ser esperançoso sem conseguir “sair da ilha”…

Sem “sair da ilha” não se pode auspiciar, nem lutar, por melhores salários, carreiras mais atractivas, menos trabalho insano, mais democracia…

Não “sair da ilha” é o que mais convém a quem tutela a Educação…

Plausivelmente, se muitos ousassem “sair da ilha”:

O DecretoLei  75/2008 de 22 de Abril e o actual modelo de ADD já teriam sido revogados há muito tempo e todas as suas iniquidades extintas; a Classe Docente não teria sido alvo de uma humilhante usurpação relativa ao tempo de serviço, ímpar na Função Pública desde o 25 de Abril de 1974; a Tutela respeitaria os profissionais de Educação e talvez algumas das suas legítimas pretensões fossem atendidas; o trabalho dos profissionais de Educação seria efectivamente valorizado e reconhecido…

Quem não “sai da ilha” arrisca-se a ser ignorado, a ser deliberadamente desconsiderado por terceiros ou, pior que tudo, a tornar-se “desertor” de si próprio…

Os profissionais de Educação não podem sujeitar-se a serem transformados numa espécie de alquimistas, postos ao serviço da fantasia, da ilusão e do devaneio…

Aceitar o anterior, é deixar-se anular e silenciar…

(Matilde, pseudónimo de Paula da Conceição Marques Cardoso Martins Dias).

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Aviso de abertura de procedimento concursal simplificado (local) – Espanha

 

Aviso de abertura de procedimento concursal simplificado (local) – Espanha – MAD31

 

Informam-se todos os interessados que se encontra aberto um procedimento concursal simplificado (local) destinado ao recrutamento local de professor do ensino português no estrangeiro para o 1.º e 2.º CEB – língua espanhola – horário a prover, em substituição, MAD31.

Aviso de Abertura 1.º e 2.º CEB https://www.instituto-camoes.pt/images/Concursos_EPE_local/Concursos_2022-2023/Aviso_abertura_PCS_2022_2023_MAD31_novo_2022.pdf

 

Declaração de consentimento expresso para efeitos de submissão dos documentos de identificação https://www.instituto-camoes.pt/images/Concursos_EPE_local/Concursos_2022-2023/Consentimento_expresso_para_efeitos_submissão_documentos.pdf

 

Declaração de consentimento informado para processo de seleção e recrutamento https://www.instituto-camoes.pt/images/Concursos_EPE_local/Concursos_2022-2023/Consentimento_informado_para_recolha_tratamentos_dados.pdf

 

Horário MAD31 https://www.instituto-camoes.pt/images/Concursos_EPE_local/Concursos_2022-2023/Horário_MAD31_22_23_atualizado_2022.pdf

 

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Aluna de 13 anos agride colega e tenta barricar-se na Escola Secundária de Odivelas

Adolescente provocou ferimentos em si própria com um x-ato, mas foi travada por uma professora.

Aluna de 13 anos agride colega e tenta barricar-se na Escola Secundária de Odivelas

Uma menina de 13 anos terá agredido uma colega na Escola Secundária de Odivelas, onde tentou depois barricar-se numa das salas de aula, esta sexta-feira à tarde.

A aluna acabou por ser travada por uma professora, mas não sem antes provocar ferimentos em si própria com x-ato, segundo o Correio da Manhã.

A PSP foi chamada ao local e as duas alunas foram levadas para o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, ambas com ferimentos ligeiros.

 

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Mobilidade dos professores. Provedora ausculta Governo sobre necessidade de articulação com um regime adequado de proteção na doença

 

Iniciado o ano letivo e decorrido o procedimento de colocação que aplicou o novo regime de mobilidade por doença dos professores, a Provedora de Justiça endereçou ao Ministro da Educação uma primeira apreciação deste regime, solicitando-lhe que se pronuncie, designadamente, sobre a conveniência de este ser integrado num quadro geral adequado de proteção dos docentes em situação de doença.

Esta sugestão decorre da verificação da inexistência de um regime geral de proteção na doença adaptado às especiais exigências da função, que tem levado a que docentes recorram à mobilidade por doença porque apenas por esta via podem eventualmente vir a obter uma adequação da carga letiva ao seu estado de saúde.

Quanto ao regime de mobilidade, e no pressuposto da sua aplicação futura, a Provedora de Justiça aponta, no mesmo pedido de pronúncia, alguns aspetos que suscitam especial preocupação. Em particular, a exigência de apresentação de atestado médico de incapacidade multiuso (AMIM) para efeitos de ordenação no concurso com base no grau de incapacidade e a desatualização da lista de doenças a que se aplica o regime de mobilidade.

Relativamente a estes dois pontos, a Provedora salienta que são bem conhecidos os persistentes atrasos da Administração na concessão dos AMIM e que a lista de doenças elegíveis data de 1989, tendo sido então elaborada para fins completamente diversos.

O novo regime de mobilidade por doença entrou em vigor em junho, tendo motivado o recebimento de um número superior a uma centena de queixas de docentes e de associações representativas deste grupo profissional.

Para ler o pedido de pronúncia enviado ao Ministro da Educação clique aqui.

 

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Lista Colorida – RR9

Lista Colorida atualizada com colocados e retirados da RR9:

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441 contratados colocados na RR9

Foram colocados 441 contratados na Reserva de Recrutamento 9, distribuídos de acordo com a seguinte tabela:

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Reserva de recrutamento n.º 09

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 9.ª Reserva de Recrutamento 2022/2023.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 31 de outubro, até às 23:59 horas de quarta-feira dia 2 de novembro de 2022 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 09

Listas – Reserva de recrutamento n.º 09

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Quem quer ser professor quando pode trabalhar no Mercadona?

A carreira é mais curta ao nível da progressão, não implica mudança de local de residência, nem de deslocações de centenas de Km diários. Pode-se ficar junto da família, ter tempo para ela e não se traz preocupações nem trabalho para casa. Não exige curso superior e o gasto de pestanas em cinco anos de estudos, para não falar os custos que isso implica. Não tem travões na vinculação nem na progressão. Não se gasta dinheiro em formação para que o empregador se aproveite dela descaradamente… é só vantagens…

Valham’ adeus que eu tinha razão quando dizia que este país anda a gastar dinheiro com o ensino superior para depois não aproveitar os recursos que têm, isto o que outros países não aproveitam sem os custos inerentes…

A Mercadona anunciou que vai aumentar em 11% o salário de entrada dos seus trabalhadores em Portugal, adiantando que, a partir de janeiro de 2023, o vencimento mínimo será de 1.034 euros brutos mensais, “o que representa uma diferença de 147 euros em relação ao salário mínimo nacional (com duodécimos incluídos)”, realça a empresa.

De acordo com a Mercadona, além deste incremento salarial, os seus trabalhadores “beneficiam da política de progressão salarial da empresa”, que se traduz num “aumento de 11% anual que permite atingir um salário no valor de 1.414 euros brutos mensais (com duodécimos) num máximo de quatro anos de antiguidade”.

Adicionalmente, recebem também um prémio anual por objetivos que corresponde a um salário extra, nos primeiros quatro anos, e dois salários extra nos anos seguintes.

“A Mercadona pretende continuar a crescer em Portugal e o nosso objetivo é promover condições laborais competitivas, tanto a nível económico como na conciliação ou no desenvolvimento profissional.

 

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7 – Inscrição Automática de Todos os Novos Trabalhadores do Estado

… salvo se manifestem recusa expressa.

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Professores em monodocência sentem abandono político e injustiça no estatuto

Os professores do primeiro ciclo e os educadores de infância reclamam igualdade de estatutos, em relação a colegas de outros ciclos de ensino. Querem a redução da carga horária semanal, à medida que a idade de serviço avança.

Professores em monodocência sentem abandono político e injustiça no estatuto

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6 – Possibilidade de Reinscrição na ADSE

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Violência nas escolas contra professores – Dinis Salgado

Agora, a palavra de ordem é: que as entidades governativas tomem urgentes medidas que ponham cobro a estes desmandos vergonhosos; e o que passa primeiramente pela criação de legislação que proíba e puna tais manifestações de violência e de maus tratos sobre os professores, vindos de pais, encarregados de educação e de alunos; depois, porque o bullying entre alunos tem aumentado assustadoramente, crie-se igualmente legislação que desincentive e proíba estes comportamentos, psicológica e fisicamente reprováveis, para que reine nas escolas a desejada colaboração e paz entre todos.

Violência nas escolas contra professores

Cresce nas nossas escolas a violência contra professores; e, quer exercida por alunos, quer por pais e encarregados de educação, toma geralmente a forma de agressão física ou verbal.

Frequentemente os meios de comunicação social dão conta desta anómala situação a que os sucessivos governos têm dado pouca ou nenhuma importância; e se nem ao comum dos cidadãos esta triste e vergonhosa realidade escapa, pasma-se como aos governantes sobram alheamento e orelhas moucas necessários para deitar o assunto para trás das costas.

Ainda, há tempos, li num órgão de comunicação social que uma mãe, através das redes sociais, mobilizou os pais com filhos na mesma turma do seu para, em grupo, se dirigirem à escola a fim de pedirem contas à professora sobre a reprimenda que exerceu sobre o seu filho; claro que, embora não ocorressem todos os convocados à chamada, o ajuste de contas aconteceu e não correu minimamente pacífico, pois os avisos, as admoestações e as ameaças à professora foram mais do que muitas e de elevada insolência.

Ora, a escola é um local onde o mais importante e prioritário é a educação e aprendizagem; e para que o ato educativo resulte em absoluto é fundamentalmente necessária a colaboração estreita e confiante entre professores e pais e nunca o virar de costas ou, mais grave ainda, a agressão e obstrução de qualquer forma e jeito.

O professor sempre foi considerado e reconhecido como um agente, um promotor de ações educativas e pedagógicas para cujo êxito converge a colaboração, franca e leal, de todos: professores, pais, encarregados e educação e comunidade local; e, se assim não for, comprometido está o futuro das novas gerações e, consequentemente, do país.

Sei, por experiência própria, que ser professor, hoje, não é tarefa fácil e isenta de controvérsia, uma vez que a execução e valorização do ato educativo nem sempre é reconhecido nem aceite por muitos pais e encarregados de educação; e, até, porque, demitindo-se da função de serem os primeiros educadores, não querem passar essa prerrogativa para as escolas e seus diretos agentes – os professores; e esta negativa demissão no acompanhamento e compromisso da formação académica, psicológica e social dos filhos pode estar na base da comprovada rejeição do papel educativo dos professores e, consequentemente, destes atos de agressão e confrontação.

Pois bem, nestes quarenta e oito anos que já levamos de vida democrática o sistema educativo não tem passado de cepa torta e frequentes têm sido avanços e recuos, frustradas experiências laboratoriais, ausência de consensos partidários e de vontade política para lançamento e execução das reformas necessárias que tracem o rumo desejado, certo e seguro para o seu futuro; e, por aqui, passa inevitavelmente a instalação nas escolas da insegurança, da indisciplina, do desinteresse, do abandono e do indesejado conflito de interesses entre os agentes e intervenientes no ato educativo.

Penso que muitos pais ainda vivem obcecados pela figura do professor do antigamente que se consumia a impor a disciplina, a imobilidade e o silêncio dos alunos na sala de aula para que o escutassem na transmissão de um reportório de ideias, de comportamentos e conceitos teóricos; e, assim, alheios continuam à imagem moderna do professor que é mestre-tutor que acompanha silenciosamente e, em muitos momentos, o trabalho ativo dos alunos, individual ou em grupo, com espírito observador, colaborante e autónomo

E, assim deste jeito, o professor passa a ser sujeito criativo, impulsionador e implicativo no progressivo desenvolvimento do conhecimento, da inteligência e das emoções dos seus alunos; e a sala de aula já não é mais um local inerte, sorumbático e ameaçador, onde o aluno detesta estar, mudo e alheio aos estímulos, propostas e ensinamentos do professor que agora ouve mais e fala menos, pouco dirige e mais orienta e estimula.

Por isso, não cabe na escola de hoje a agressão, a violência, a intolerância contra o professor, seja vinda dos pais, seja desencadeada pelos alunos; e, a existir, só se compreende por desconhecimento, alheamento e virar de costas ao envolvimento que realmente nela acontece.

Agora, a palavra de ordem é: que as entidades governativas tomem urgentes medidas que ponham cobro a estes desmandos vergonhosos; e o que passa primeiramente pela criação de legislação que proíba e puna tais manifestações de violência e de maus tratos sobre os professores, vindos de pais, encarregados de educação e de alunos; depois, porque o bullying entre alunos tem aumentado assustadoramente, crie-se igualmente legislação que desincentive e proíba estes comportamentos, psicológica e fisicamente reprováveis, para que reine nas escolas a desejada colaboração e paz entre todos.

 

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Professora agredida à bofetada por mãe de aluno em Vila Nova de Famalicão

Encarregada de educação terá pedido para falar por causa de alguns cromos que tinham sido tirados ao menino.

Professora agredida à bofetada por mãe de aluno em Vila Nova de Famalicão

Uma professora do ensino básico foi agredida, esta tarde de quarta-feira, em Vila Nova de Famalicão, pela mãe de um aluno.

O caso aconteceu na escola primária de Mogege. A encarregada de educação pediu para falar por causa de alguns cromos que tinham sido tirados ao menino durante o horário escolar. Durante a conversa, a mãe da criança deu duas bofetadas à professora.

A GNR de Famalicão foi chamada mas ainda não identificou a agressora. Professora foi encaminhada para o instituto de medicina legal de Braga e deverá apresentar queixa, na GNR, pelo crime de ofensas à integridade física.

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Aluna agredida por colega enquanto outros filmavam

Uma aluna da Escol Básica Poeta Emiliano da Costa, em Estoi, no concelho de Faro, foi agredida por uma colega enquanto um grupo de jovens assistia, filmava e incitava à violência.

Aluna agredida por colega enquanto outros filmavam

 

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OE penaliza quadros técnicos especializados e carreiras docentes

 Atitude que o corpo docente perceciona como profundamente injusta, agrava o mal-estar nas escolas e pode dar lugar a movimentos “sindicais” inorgânicos radicalizados e extremistas, sob o anonimato descontrolável das redes sociais.

 

OE penaliza quadros técnicos especializados e carreiras docentes

 

  

 A inflação tem vindo a subir de forma galopante, cada vez que renovamos o nosso cabaz de compras sentimo-lo na “pele” e principalmente na carteira! Isto para já não falar da compra de combustível automóvel indispensável a grande parte dos professores, por esse país fora, de modo a poderem cumprir quotidianamente os seus horários letivos e outros em escolas mais ou menos distantes, não raro em lugares recônditos.

 

Sempre sem direito a qualquer ajuda de custo ou subsídio de renda, como, neste caso, acontece com os agentes do Ministério Público e com outros magistrados.

 

Lamentavelmente, a proposta de OE – Orçamento de Estado previsto para o próximo ano prevê a penalização de grande parte das classes médias assalariadas, que, devido ao facto de tereminvestido muitos recursos na sua formação inicial e contínua desempenham funções científicas e técnicas especializadas, como é o caso de engenheiros, médicos, inspetores, enfermeiros, investigadores e professores, entre outros. Para estes quadros e técnicos superiores mais especializados, que integram carreiras do regime especial, o Governo propõe atualizações salariais de apenas 2% a 3%, quando, por ex. para os assistentes operacionais propõe aumentos até aos 8%…

 

Com a agravante de que, no caso dos professores,o Governo não quer ouvir falar na recuperação dos 6 anos, 6 meses e 23 dias do tempo de serviço congelado e que ainda falta ser recuperado. Atitude que o corpo docente perceciona como profundamente injusta, agrava o mal-estar nas escolas e pode dar lugar a movimentos “sindicais” inorgânicos radicalizados e extremistas, sob o anonimato descontrolável das redes sociais, idênticos ao “movimento zero” das forças e serviços de segurança.    

 

Em sede de IRS, segundo as melhores expectativas, apenas haverá atualizações de escalões em linha com a inflação ou, porventura, alguma baixa mas apenas nos escalões iniciais. Também aqui excluindo uma boa parte das classes médias assalariadas, as quais, no fundo, são quem mais paga impostos na nossa terra, já que grande parte das micro, pequenas e médias empresas,porque não apresentam muitos lucros no final de cada exercício, pouco ou nada acabam por entregar ao fisco.

 

Os vencimentos brutos das carreiras docentes (do básico, secundário, politécnico e universitário) em Portugal até nem comparam muito mal com os vencimentos dos professores dos países da OCDE, o problema são os vencimentos líquidos, pois o fisco retem na fonte um quinhão demasiado grande. Quinhão esse que fica a fazer falta às famílias!

 

Refiro-me às famílias das classes médias assalariadas que, fruto de políticas públicas como a dos vistos Gold quando desproporcionados (atualmente a carecerem de revisitação por  partedo legislador) e agora das relativas aos dos chamados nómados digitais foram sendo relegadas para territórios urbanos  cada vez mais periféricos, e que, não obstante, se encontram sobrecarregadas com a subida dos juros relativos às prestações da casa e do carro. Nuns casos sem acesso a vaga em creches gratuitas por perto e noutros a terem de custear os estudos universitários dos filhos mais velhos.

 

Ainda se o “Leviatã que absorve os nossos réditos nos proporcionasse um serviço nacional de saúde minimamente satisfatório (por ex. dispondo de médicos dentistas, sem filas de espera desmesurada para consultas de especialidade ou para atos cirúrgicos urgentes e sem maternidades inesperadamente encerradas à tão necessárianatalidade…)  e com padrões de qualidade de um país europeu não teríamos necessidade de descontar para a facultativa ADSE e/ou também para seguros de saúde privados.

 

Não é desvalorizando salarialmente os quadros das carreiras especiais, com maior formaçãotécnica e científica (note-se por ex. que para o ingresso na carreira docente dos ensinos básico e secundário passou a ser exigido como habilitação de ingresso o grau de Mestre, desde 2008) que se aplica o princípio da equidade ou que se evita o aproveitamento por parte de países  estrangeiros da nossa geração mais qualificada de sempre, como o governo gosta de a designar, mas que, como aqui se constata,  pouco ou nada faz para que ela fique ao serviço do desenvolvimento económico e social de um país cada vez mais envelhecido.

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Lista completa e data das eleições ao CG da ADSE

As eleições ao Conselho Geral e de Supervisão da ADSE decorrem nos dias 28, 29 e 30 de novembro por voto eletrónico e no dia 30 de novembro de forma presencial.

No site da ADSE em www.adse.pt encontram todas as informações sobre o processo eleitoral.

Ficam aqui representados os rostos da lista D que tem como grande objetivo tentar os 4 lugares eleitos pelos subscritores da ADSE.

Pois assim temos a certeza que conseguiremos mudar alguma coisa na ADSE.

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Torrar dinheiro, maltratar pessoas – Santana Castilho

 

1. Sim, eu sei que o OE para 2023 assenta num cenário circunstancial complexo, onde as incertezas dominam. Mas a estagnação que representa relativamente à despesa já consolidada de 2022, tomando por boa a justificação que a redução nominal de 569,1 milhões de euros se deve a transferências para os municípios, tem um inequívoco significado político, qual seja o de não haver um só euro para financiar os problemas mais prementes. Com efeito, com este orçamento é indesmentível que: os professores perderão poder de compra; os professores do continente continuarão à espera de serem ressarcidos do tempo de serviço sonegado (enquanto os colegas da Madeira e dos Açores já o recuperaram); os professores dos quadros continuarão à espera da abolição das iníquas quotas para progressão na carreira; os professores contratados continuarão vítimas da precariedade; o país continuará a ver crescer o número de alunos sem todos os professores (40 mil, um mês depois do início deste ano lectivo), porque este OE é vazio de incentivos à colocação de docentes nas zonas críticas e à atracção dos jovens para a profissão. Em contraponto, são abundantes os sinais de que se continuará a torrar dinheiro com programas de desmaterialização e digitalização, que alimentam o polvo das plataformas informáticas, corroendo, inutilmente, tempo e miolos de quantos trabalham nas escolas.
2. A Portaria n.º 723/2022 autoriza que se torrem 408.906,80€ na contratação de 7.496 juntas médicas, para fiscalizar os professores que pediram mobilidade por doença. Trata-se de uma tarefa impossível, segundo o vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos, que tem por único objetivo lançar lama sobre médicos e professores. Mas, para além disso, o controlo previsto na lei só faria sentido se fosse antes dos processos apreciados. É inútil relativamente aos 4.268 docentes que lograram a mobilidade e é inútil relativamente aos 2.876 que ficaram de fora. Sem falar da total falta de seriedade que a manobra deixa antever e do historial de fraude e falsificação, que aqui denunciei, quando estas juntas já existiram no passado, no direito administrativo isto tem um nome: superveniência da inutilidade do acto.
Ainda a propósito deste processo grotesco, relembro que João Costa disse haver, por semana, mil baixas por doença, apresentadas por professores. Manhosamente, não as reduziu a termos percentuais. Se o tivesse feito, teria falado de 0,76% dos professores. Ora, há dias, o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público revelou que quase um quarto dos magistrados, mais precisamente 23,1%, não está ao serviço. De entre as causas destacam-se as baixas médicas, que se cifram em 37,3% daquele número global. Será que o ministro da Educação vai sugerir à colega da Justiça que contrate juntas médicas para fiscalizar os magistrados?
3. Igualmente exemplo duma gestão desumanizada de pessoas é a situação dos técnicos superiores do Ministério da Educação (psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais, entre outros) que, após anos de precariedade, conseguiram um vínculo através do programa PREVPAP. A efectivação em análise foi obtida em 2020, no agrupamento ou na escola onde exerceram funções em 2017, aquando da candidatura ao referido programa. Sucede que muitos destes técnicos ficaram colocados a centenas de quilómetros da sua residência, por isso impedidos de conciliar a vida familiar com a vida laboral e prestar apoio e cuidados a terceiros dependentes (filhos menores e ascendentes doentes), para além de confrontados com a duplicação das despesas de alojamento.
Dir-se-á, e é verdade, que o vínculo assentou num acto volitivo e livre do interessado. Mas não menos verdade é que existem pedidos de mobilidade, consignada na lei, por parte de agrupamentos ou escolas não agrupadas, com necessidades prementes e inquestionáveis, que conciliariam os interesses das instituições e dos técnicos, com os inerentes ganhos de ambas as partes, que estão a ser indeferidos pela Direção-Geral da Administração Escolar, sem critério outro que não seja a gestão irracional dos recursos humanos em apreço.

In “Público” de 26.10.22

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5 – Alargamento da ADSE ao Ascendente Sobre Determinadas Condições

Esta medida incentiva o beneficiário a cuidar do ascendente, aumentando assim o alargamento familiar da ADSE, que faz parte do lema desta candidatura.

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Este diretor já foi demitido pelo Conselho Geral? – Luís Sottomaior Braga

Fui diretor de uma TEIP 6 anos e sou subdiretor com competências delegadas.
A primeira vez que topei um concurso assim foi ao sair da faculdade.
O trabalho era num arquivo e implicava 3 requisitos: 1.ser licenciado em História, 2.ter feito a cadeira de Paleografia e 3. ter “latim universitário”.
1 e 2 cumpridos e com boas notas.
O 3 tinha uma formulação estranha: nessa altura ninguém ía para História sem a opção de Latim no secundário (eu fiz latim no secundário 2 anos e tive 20). Quem fazia latim na universidade, era só a iniciação e aprendia o rosa, rosae e mais umas coisinhas. Tinha menos horas num ano que um semestre do secundário.
Era assim possível determinar muito bem os que só tinham feito o ano de iniciação de latim na faculdade e excluir com o adjetivo universitário os que “só” tinham os anos de secundário.
Com menos nota, menos prática de Paleografia e um latim residual, ficou no lugar o filho de uma dirigente do arquivo. E eu fui trabalhar para a produtora do Amiga Olga…..
E fui livreiro, produtor de espetáculos e locutor. E fiquei com tanto nojo de concursos públicos que só depois de anos concorri à docência.
A única frustração funda que tenho na vida foi não ter sido medievalista. E foi esse odioso episódio que, pela injustiça, me fez afastar.
Acho mal ver colegas dirigentes de escolas a defender o que este senhor fez. Tive um debate acalorado com o senhor diretor da José Saramago há uns tempos em que me destratou.
Mas sou destratado por tanta gente…. (ainda hoje um pai entrou na escola para me ameaçar e chamar “bode terminado em ão” porque não deixamos o filho faltar às aulas com justificações marteladas).
Por isso o meu protesto não é preconceito é hábito.
Há muito que reclamo de concursos com fotografia. Nunca selecionei ninguém em ofertas de escolas docente sem ser pela graduação. Recusei entrevistar docentes nos concursos de oferta de escola e quadro TEIP.
Há uns anos obriguei a repetir umas dezenas de concursos na Câmara de Barcelos ao queixar-me nos jornais e, entre outros, um outro em Loulé, aí com o argumento de que a licenciatura exigida era ciências religiosas (😁) e isso violava a minha liberdade de ser ateu e poder concorrer (e não sou ateu, mas agnóstico).
Anulei no supremo tribunal administrativo uma eleição para Conselho Executivo de um agrupamento por falta de requisitos da candidata que a DREN do tempo empurrava contra mim (favorita por ser ex-funcionária de um CAE da mesma DREN).
E isto que se passou na José Saramago é só uma vergonha para todos os que gerem escolas em Portugal.
Da mesma forma que as vigarices na MPD envergonham a classe docente toda e devem ser repudiadas pelos pares, esta vigarice envergonha todos as equipas diretivas de escolas.
Os professores e pais da escola já convocaram o conselho geral para analisar a demissão do diretor em causa?

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Vamos lá imaginar os novos QZP que aí vêm…

 

Mais pequenos, mais aconchegantes, mais…

Mas mais o quê?

Mais QZP significa menos professores por região. Ou pensam que vão ficar à porta de casa?

Vamos lá ver.

Um professor do atual QZP1 vê o respetivo ser dividido em dois, em qual deles ficará afeto? Tem que concorrer. Sim, concorre, mas poderá só concorrer a esses dois? Duvido.

Haverá um número mínimo de QZP a que terá de concorrer? Ou terá que voltar a concorrer a nível nacional para poder obter vaga? Quem sabe…

A questão de diminuição das áreas geográficas dos QZP não será tão simples como foi o seu aumento. Na altura fundiram-se QZP’s e que estava neles apenas viu a sua área aumentar. Na diminuição das áreas não voltarão ao seu QZP inicial, que pode nem voltar a existir, terão de voltar a concorrer para “entrar” num novo QZP.

A entrada em novo QZP vai depender de vagas a abrir dependendo da necessidade de professores em cada área. Como sabemos as áreas com maior necessidade de professores são no em Lisboa, Setúbal e Algarve. Tenho a impressão de que vai haver professores a ser “atirados” para as zonas onde há mais falta de professores por falta de vaga nos novos QZP da área geográfica onde hoje estão afetos. Podemos ter um residente na Guarda, hoje pertencente ao QZP que abrange os distritos da Guarda e Castelo Branco, a ir parar ao futuro QZP que abrangerá o distrito de Portalegre. E os que hoje estão em Portalegre a ir desaguar em Cascais…

Isto vai trazer muitos problemas e injustiças, já para não falar do desrespeito pela vida pessoal de cada professor que ainda não conseguiu ser QA perto da sua área de residência e da sua família.

Não me venham com a conversa de acabar com a casa às costas e de novos QZP sem primeiro definir novas regras para abrir vagas de QA.

 

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Novos QZP conhecidos a 7 de novembro?

Foi convocada para uma reunião entre ME e os Sindicatos, a realizar-se no dia 7 novembro, com a seguinte ordem de trabalhos:
– 𝗔𝗹𝘁𝗲𝗿𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗼𝘀 𝗮𝘁𝘂𝗮𝗶𝘀 𝗤𝘂𝗮𝗱𝗿𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝗭𝗼𝗻𝗮 𝗣𝗲𝗱𝗮𝗴𝗼́𝗴𝗶𝗰𝗮
– 𝗣𝗿𝗼𝗰𝗲𝗱𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝗮𝗽𝘂𝗿𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝗻𝗲𝗰𝗲𝘀𝘀𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲𝘀 𝗰𝗼𝗺 𝘃𝗶𝘀𝘁𝗮 𝗮̀ 𝗮𝗽𝗿𝗲𝘀𝗲𝗻𝘁𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝗽𝗿𝗼𝗽𝗼𝘀𝘁𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝗴𝗲𝘀𝘁𝗮̃𝗼 𝗲 𝗿𝗲𝗴𝗿𝗮𝘀 𝗱𝗼 𝗻𝗼𝘃𝗼 𝗽𝗿𝗼𝗰𝗲𝘀𝘀𝗼 𝗱𝗲 𝗿𝗲𝗰𝗿𝘂𝘁𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗼𝗰𝗲𝗻𝘁𝗲.

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PRUs: ninguém quer lá entrar, ninguém quer sair – João André Costa

 

Ninguém quer ir para a Pupil Referral Unit, mais comummente designada por PRU ou “centre”, como se estivéssemos a falar de um centro de correcção juvenil à antiga.
Porque o estigma ficou. Porque o medo persiste nas mentes, e tantas vezes nos corpos, dos pais e avós, dos tios, primos e vizinhos, obrigados a crescer sob o signo da violência do mais forte sempre que a desobediência o justificasse e nenhum adolescente é obediente.
É uma questão de tempo.
O medo sente-se no cheiro de quem tantas vezes nos entra pela porta. No olhar inquieto, suado, vigilante, à espera de algo, de um castigo como se já não fosse castigo suficiente a expulsão da escola secundária.
Mas não, não há castigo nenhum nem podia haver. Os castigos, as consequências, inúmeras e repetidas ao infinito como numa cacofonia, não fazem senão aumentar o descrédito de uma criança, e com a criança a sua família, pela escola, pelo ensino, pela educação.
Por isso o sorriso à chegada, os braços abertos, a oferta de um aconchego como um chá ou um café, um sumo ou apenas um copo de água.
A mensagem é simples: cuidar do outro, o nosso igual.
A escola é pequena e as turmas também, com 6 alunos no máximo, um professor e um assistente e todo o tempo para o aluno, todo o tempo necessário, todo o tempo preciso.
O resultado é imediato: a seguir aos pais, somos nós quem melhor conhece o aluno, se não for o inverso dada o tamanho da atenção e afectos na escola, tantas vezes em falta, sempre em falta quando se está a crescer.
Rejeitado, ferido e excluído, o aluno, a criança, procura rejeitar quem agora se aproxima entre empurrões, insultos e ameaças.
Sem conhecimento de outra realidade, a criança procura o familiar e o familiar é o abandono, é a partida de quem à sua volta está, a orfandade de pais e amigos numa luta desigual e há muito perdida.
Mas como não nos vamos embora e na ausência de resposta aos mesmos empurrões, insultos e ameaças, cedo a criança cede, cedo se aborrece, mesmo quando o cedo são dias ou semanas e a paciência de quem todos os dias procura fazer a diferença não é apenas uma virtude mas um requerimento essencial.
E na ausência de resposta a criança lá vai a desbravar outros horizontes que não a dor, o sofrimento, a perda, o luto, a dependência, a insegurança.
A dor é efémera e a memória curta quando o mundo está por descobrir e a curiosidade, a alegria, a confiança para seguir em frente, mão na mão, não mais sozinhos, é sempre mais forte.
Com a ajuda de mentores, os alunos têm acesso a apoio individualizado numa abordagem cognitivo comportamental no guiar da criança às origens do medo, do comportamento, tantos receios, como pedir ajuda, o porquê desta ansiedade, o controlo da respiração, um lugar seguro sempre que preciso.
A presença constante de professores e assistentes ao longo de todo o dia nos corredores e recreio significa uma voz amiga quando os problemas e anseios não cabem nas quatro paredes de uma sala.
Nem podem caber, fruto das redes e do universo na ponta dos dedos e a mediação entre alunos é recorrente.
O contacto com os pais é diário para não dizer horário e já faltou mais para fazer da escola uma imensa camarata para não dizer comuna onde todos se conhecem e entreajudam. Ou nem por isso. Ainda não estamos lá e se lá estivéssemos esta escola não teria lugar, não seria precisa e esta missão cumprida.
À procura dos interesses da nossa população escolar temos desde boxe a dança, desde culinária a desporto e expressão artística sem esquecer cursos profissionais nas áreas de mecânica, construção civil ou estética e abrir janelas onde antes havia portas fechadas.
O dia tem dois momentos com o Director de Turma, de manhã antes do primeiro tempo e a seguir ao almoço, com a partilha do horário e das actividades previstas, revisão de objectivos e discussão de quaisquer assuntos prementes de modo a preparar o aluno para as horas seguintes mas também garantir o sorriso nesta criança quando o dia chega ao fim.
As aulas são de 45 minutos cada durante a manhã, 4 tempos ao todo, e uma aula de 55 minutos a seguir ao almoço. Os tempos lectivos são efectivamente mais curtos e ao encontro das necessidades de crianças há muito distantes do ensino regular e à procura do mesmo.
A hora de almoço não é uma hora mas 30 minutos durante os quais professores e alunos partilham a refeição ainda por partilhar quando se chega a casa, o desporto está sempre presente e o despender de energias vital quando se traz uma cicatriz para a escola.
Os tempos lectivos são os mesmos de dia para dia, a certeza e a segurança, a estabilidade, a rotina, a constância para quem só conheceu a inconstância.
A certeza de como pelo menos um dia corre bem seguido da “positive phone call” do professor para casa, a mesma “positive phone call” que o aluno nunca recebeu mas recebe agora são, por norma, o primeiro passo em direção à esperança.
A esperança num futuro, a esperança de dias melhores, a esperança na vida, nos professores e na escola, deste modo explicando o porquê de lá não quererem sair de volta ao ensino regular.
Nem alunos, nem pais. Aqui chegados e vítimas do nosso sucesso, a verdade é a de ainda não termos resposta à vista, cada vez com mais alunos e agora uma lista de espera.
“Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam”, dizia Saramago, mesmo quando não queremos chegar, e quando chegados não queremos sair. Nós esperamos por todas os alunos, só tenho pena da falta de braços para a todos acudir.

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4 – ADSE para maiores de 24 Anos

Está é uma medida excepcional para situações em que apesar do jovem já ter concluído o ensino superior ainda não trabalha e mantém-se a viver com os pais, ou optou por prolongar os estudos.

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Os salários dos professores das AEC? Uma miséria…

 

Ontem ouvi um Professor de AEC, sim, Professor, porque os profissionais que dinamizam AEC devem possuir formação profissional ou especializada adequada ao desenvolvimento das atividades programadas e ao escalão etário do público -alvo ou curriculum vitae relevante para o efeito, como refere o perfil profissional que regula as AEC, queixar-se que ganhava MUITO MAL.

Não admira que o Professor tenha dito tal coisa, os valores praticados, hoje, através de contratos programa com as autarquias não são alterados desde 2015. A Portaria n.º 644-A/2015, fixou valores que, passados 7 anos ainda estão a ser praticados. A vida destes Professores não encareceu, são imunes a qualquer inflação.

Artigo 20º

3 — O valor máximo da comparticipação financeira anual será de 150 euros por aluno dos 1.º e 2.º anos de escolaridade, e de 90 euros por aluno dos 3.º e 4.º anos de escolaridade.

No Orçamento de Estado, não se lê nem uma vez a expressão Atividades de Enriquecimento Curricular, ou AEC como é comummente apelidada. Não se vislumbra uma alteração dos valores praticados e da valorização financeira destes profissionais. E há quem estranhe a falta deles…

Os Professores das AEC são uma peça chave para a escola a tempo inteiro, mas mais vale exercer a profissão de caixa de um qualquer hipermercado para se auferir mais e ter estabilidade profissional.

Também há falta de professores nas AEC, mas disso ninguém fala…

 

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Os Professores pertencem a uma “carreira especial”, até no momento de receberem aumentos…

 

Que fique bem claro. Se é para este tipo de diferenciação, não queremos ser “especiais”., queremos o aumento equivalente a técnicos superiores a prestar funções na função pública.

Os Professores, “carreira especial” da função pública, vão ser aumentados em 52€, enquanto os Técnicos Superiores receberão um aumento de 104€, ou seja, o dobro dos professores. (nada contra os Técnicos Superiores, nem contra o seu aumento, mais do que merecido)

Equidade, justiça,… não existe. O que existe é uma “terraplanagem” salarial dentro da função pública.

 

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Pela Grécia

O horário de funcionamento das escolas é o seguinte:

Não existem cantinas nas escolas e no fim das aulas os alunos vão para casa tal como os seus pais que já trabalharam 7 horas.

O vencimento dos professores é um pouco semelhante ao nosso, mas ao menos são mais felizes pois têm uma vida pessoal para além de uma vida profissional.

Por aqui não existe qualquer conceito de escola a tempo inteiro porque não faz sentido. Mas não é só na Grécia que isto acontece.

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Falta de professores no Algarve

Esta história é verdadeira, é minha, contudo podia ser, de qualquer pessoa que queira ir trabalhar para Faro. Sou professor e fiquei colocado numa escola de Faro, para lecionar apenas 14 horas.

Falta de professores no Algarve

Desde do momento da colocação, iniciei diversos contactos, para alugar um apartamento T0 ou T1, só que não existe para arrendar, decidi arriscar e realizar mais de 600 quilómetros, para contactar agências imobiliárias presencialmente, contactei as pessoas na rua, para saber se conheciam alguém, disseram que em Faro, porém, existe mais procura do que oferta, por isso, os valores das rendas, atingem preços estratosféricos, impossível de pagar, para quem recebe o ordenado mínimo ou pouco mais que isso, os valores em alguns apartamentos T0 ou T1, ultrapassam os 700€.

Depois de perceber que era impossível alugar casas/apartamentos em Faro ou nos arredores, tentei alugar quartos, pensei que fosse mais fácil, uma vez que possui a Universidade do Algarve, os estudantes precisam de alojamento. Passado poucas horas de muitos contactos, percebi que existe mais procura do que oferta, por isso, alguns quartos atingem valores de prestação de renda de uma casa, em outras cidades do Algarve.

Infelizmente, o turismo representa uma atividade muito benéfica para o nosso país, acaba por estrangular o mercado imobiliário, os apartamentos para alojamento locais, as pessoas que desejam trabalhar ou estudar em Faro, não conseguem, contudo, lembrem-se sempre, os turistas vão e vêm, neste momento, o turismo é um chão que dá muitas uvas, porém, não será eterno. Depois Faro, ficará sem estudantes, sem pessoas para trabalhar, sem médicos, enfermeiros, todos conhecemos as dificuldades das pessoas em vir para o Algarve, quem está disposto a vir para o Algarve, não consegue ficar, é obrigado a regressar ao ponto de partida.

Quem pode alterar esta situação? As câmaras municipais, têm o dever de criar habitação, com arrendamento acessível, existem inúmeros programas, para reabilitar casas antigas, e arrendar a preço controlado.

Com estas dificuldades todas, a falta de professores do Algarve, começa-se a compreender e a perceber o porquê, mas nunca se esqueçam, que os maiores prejudicados, são sempre os alunos. Espero um dia, poder voltar à escola, onde fiquei colocado, para agradecer toda a simpatia e amabilidade.

Até um dia Faro,

* Professor

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3 – Alargamento da ADSE ao cônjuge que não seja beneficiário da ADSE

Mediante um acréscimo de comparticipação do beneficiário.

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2 – Redução da Comparticipação para 2,5%

Inicialmente a ADSE tinha uma comparticipação de 1,5%.
Hoje essa comparticipação é de 3,5%.
Para maior justiça e equidade propomos a redução da comparticipação para uma base de 2,5%.
Um beneficiário solteiro, sem filhos pagaria 2,5%. No caso de ser casado e pretender acrescentar o cônjuge (que não seja beneficiário da ADSE) acresceria mais 0,5% e 0,25% por cada filho, havendo sempre um limite máximo de comparticipação em 3,5%, podendo no entanto todo o agregado que exceda o valor dos 3,5% ser incluído como familiar.

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A Magnífica Crónica Diária: A de Sábado

Sábado – O Meu Quintal

 

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1 – Redução da Comparticipação da ADSE Para 12 Meses

E começamos hoje pela medida mais evidente, na qual o próprio tribunal de contas numa auditoria de 2019 já recomendou que o pagamento das contribuições para a ADSE fosse apenas de 12 meses.

E até hoje quem se mantém no Conselho Geral da ADSE fez ouvidos moucos.

Página 27 do referido relatório.

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