Setembro 2022 archive

178 horários que ninguém quer…

As escolas têm 178 horários por preencher, 37 dos quais completos, por falta de professores interessados em ocupar essas vagas, revelou ao JN fonte do Ministério da Educação (ME). Esta sexta-feira saiu a primeira reserva de recrutamento. As próximas listas de colocação de docentes do Básico e Secundário serão divulgadas nos dias 9 e 16 de setembro, a data limite para o início do ano letivo.

“Aquilo que fizemos, logo em agosto, e que faremos sempre que houver dificuldade no recrutamento através do concurso nacional, é passar para a fase de contratação de escola, que é mais célere, sem esperar haver várias reservas”, explicou aos jornalistas o ministro da Educação João Costa, à margem de um colóquio em Vouzela.

Escolas com 178 horários por ocupar por falta de professores interessados

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Mais Uma Acha Para a Fogueira do ME Sobre os Sindicatos (MPD)

Pelo que parece, o atraso na análise das reclamações sobre a Mobilidade por Doença existe porque a FENPROF colocou dúvidas sobre a legalidade dessa análise.

Ficam as declarações do Ministro da Educação  nesta notícia.

Sobre a reavaliação dos processos de mudança de escola de cerca de 3.000 docentes com doença, o ministro adiantou que estão a ser efetuadas, mas que foram colocadas dúvidas sobre a legalidade dessa análise por parte da Federação Nacional dos Professores (Fenprof).

 

“Para que não haja equívocos, pedimos um parecer jurídico sobre a legalidade deste processo de reavaliações e estamos a aguardar o resultado desse parecer para podermos saber se, de facto, é legal ou não fazer esta reavaliação”.

Enquanto não vem essa análise, os DO(C)ENTES esperam….

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2239 vagas para Norma Travão no ano 2023 (após a RR1)

Após a RR1 verificamos que até à data 2239 candidatos reúnem condições para a Norma-Travão. O número não está fechado porque ainda faltam mais duas reservas de recrutamento e haverá necessariamente algumas vagas que não conseguimos apurar porque eram horários temporários equiparados a anuais.

Fica a distribuição por grupo e QZP.

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Lista Colorida – RR1

Lista Colorida atualizada com colocados e retirados da RR1.

 

A legenda é a seguinte:

VERDE – Candidatos colocados nesse grupo de recrutamento
AMARELO – Candidatos colocados noutro grupo de recrutamento
VERMELHO – Candidatos que renovaram horários completos
VIOLETA – Candidatos que renovaram horários incompletos
LARANJA – Candidatos retirados (oferta de escola, desistiram, …)

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Nota Informativa da RR1

Datas a reter na Nota Informativa da RR1:

 

Pedido de Horários

  • Pedido de horários (AE/ENA) – Disponível das 10.00 horas de dia 05 de setembro até às 17 horas de dia 06 de setembro de 2022;
  • Validação (DGEstE) – Disponível das 10.00 horas de dia 05 de setembro até às 18 horas de dia 06 de setembro de 2022;
  • RR 02 – 9 de setembro de 2022.

 

Aceitação

Os docentes colocados na Reserva de Recrutamento (QA/QE, QZP e Externos) devem aceder à aplicação e proceder à aceitação da colocação na aplicação eletrónica no prazo de 48 horas úteis, correspondentes aos dois primeiros dias úteis após a publicitação da colocação. (ou seja, Segunda e Terça-feira)

Apresentação

A apresentação dos docentes (QA/QE, QZP e Externos) no AE/ENA é efetuada no prazo de 48 horas, correspondentes aos dois primeiros dias úteis após a respetiva colocação. (ou seja, Segunda e Terça-feira)

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3667 Contratados colocados na RR1

Foram colocados 3667 contratados em horários anuais na Reserva de Recrutamento 1, distribuídos de acordo com a tabela abaixo. Mais de 1/3 são horários completos.

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Reserva de recrutamento n.º 01

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 1.ª Reserva de Recrutamento 2022/2023.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 05 de setembro, até às 23:59 horas de terça-feira dia 06 de setembro de 2022 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 01

Listas – Reserva de recrutamento n.º 01  

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Já fui jovem para sempre até começar a morrer.

Já fui jovem para sempre até começar a morrer.
Não encontro um eufemismo para o dizer de outra forma.
Eu não queria falar disto, mas preciso de o dizer…
O primeiro dia de setembro leva-me de regresso à estrada que se estende infinita diante dos meus olhos. Apresentar-me na escola subtraiu duas horas ao meu dia numa rodovia regional que serpenteava entre montes e vales levando-me o tempo e consumindo-me um pouco mais de vida. Preso na negrura do alcatrão que não me larga neste ciclo que acaba sempre na estrada, encaro no espelho retrovisor as rugas e os cabelos brancos que foram aparecendo sem que me tivesse realmente apercebido, lembrando-me que só eu estou a ficar velho, pois a estrada permanece na mesma, de pele suave, implacável e perpétua.
Tomo consciência que poderia morrer hoje, aqui e agora afundado neste negrume, que ninguém para quem trabalhei ou dediquei todo o meu ser, iria reparar, se iria importar, se iria lembrar… evidência de que nada mais sou do que apenas um número facilmente descartável e substituível.
Preso aqui, no meio de uma multidão de carros e gente, nunca me senti tão só e derrotado pela vida. Suster as lágrimas e acreditar que nada está errado tem sido a minha glória, porque me ensinaram que um homem nunca chora. Lágrimas que já não tenho, desperdicei-as ao longo de todo o imenso tempo em que chorei para dentro sentindo desperdiçar tantos dos meus anos, dos meus sonhos, da minha mocidade sem que a minha vida profissional tivesse melhorado alguma coisa.
Ainda que não quisesse, tenho de encarar que novamente a vida mudou e, aparentemente, também desta vez não foi para melhor.

Uma vida inteira na estrada, mas sem remuneração nem reconhecimento. Como fazer compreender às pessoas que não sou chauffeur de praça, nem condutor de viatura de emergência, nem camionista?! Sou professor, pertenço a essa classe que vê grande parte do seu dia, durante toda a sua vida laboral, consumido em deslocações pagas do próprio bolso.
Que não haja, pois, equívocos quanto à minha profissão – é justamente lecionar, ensinar e não andar a fazer de motorista ou conduzir viaturas gratuitamente.
Já estou tão habituado a percorrer esta prisão de asfalto para poder chegar ao meu local de trabalho, que já nem me dou conta da violência física e financeira que me leva tudo o que tenho. Mas como fazer compreender isto a essa horda de ministros que se desloca para o trabalho de rabo sentado no banco traseiro de viaturas do estado conduzidas por motoristas, pagos por todos nós? Pessoas como nós que não só não recebemos apoios financeiros, como ainda temos de pagar essas mordomias a altos dirigentes de cargos públicos que beneficiam mesmo fora de horário laboral. Tivessem de pagar as suas deslocações, conduzir a sua própria viatura e trabalhar longe do domicílio e, talvez, conseguissem entender a minha revolta… uma incompreensão partilhada por tantos professores na mesma situação.
O requinte maquiavélico de todo este sistema que diminui o ser humano à condição servil de escravo do dever é algo que me ultrapassa. Remeto-me à crua realidade de não ser mais do que um homenzinho esmagado pela realidade que, por mais que tente, não conseguirá nunca mudar o mundo. Pertencendo a um grupo profissional tão grande, «sozinho» é como me sinto… aliás, quase todos nós nesta profissão nos sentimos assim, sozinhos perante a sociedade, isolados uns em relação aos outros.

Como o meu trabalho não é o de camionista, não sou pago ao quilómetro. Se fosse, teria muito dinheiro a haver das muitas centenas de milhar de quilómetros que já dei do meu tempo nas estradas para poder realizar o mester de ensinar.
De manhã quando chego à escola já estou cansado e em prejuízo por ter dado horas do meu tempo e suportado a despesa de deslocação… e ainda não comecei verdadeiramente a trabalhar e a ser remunerado.
Além de não me ser contado o tempo de trabalho despendido em deslocações, ninguém me paga a despesa de combustível e de oficina. Bem vistas as coisas, um camionista, por exemplo, se tiver uma avaria na viatura, não tem de pagar do seu próprio bolso, assim como o combustível, é o patrão quem paga, enquanto os professores, ao miserável salário que auferem, ainda têm de descontar estas despesas diárias (já para não falar daqueles que têm de pagar uma segunda renda de casa). Tudo privilégios.
Assim, numa profissão com gente cada vez mais envelhecida, cinquenta e sexagenários a quem lhes é exigido renovar a carta de condução por dúvidas sobre aptidões físicas para conduzir, se considerem plenamente aptos para fazerem diariamente dezenas ou, até mesmo, centenas de quilómetros na estrada para poderem trabalhar, sujeitos à sinistralidade que já visitou muitos de nós em serviço.
Perante esta simples e menosprezada situação de quase eterna itinerância que, infelizmente, cada vez mais faz parte da minha vida, não admira que nos dias de hoje ninguém se queira sentar atrás deste volante para me substituir.

E eu, professor, lá vou continuando de carro carregado de papelada, deveres e responsabilidade, cumprir o meu dever o melhor que sei e que posso, camuflando a dor que mora cá dentro. Eu e tantos vamos aceitando tudo o que nos é exigido. Até quando…?
Lamento dizê-lo, mas já não basta o sorriso dos meus alunos, nem a gratidão de muitos pais. Por muito que me encha o coração com pinceladas de cor, a gratidão não põe pão na mesa, não repõe a saúde perdida na estrada, não devolve tudo o que me foi roubado ao longo de tantos anos.
Reconheço que todos os dias nesta estrada, usado como carne para canhão pelos sucessivos governos, aos poucos, estou a começar a morrer até ao dia em que fossilize e também eu me torne alcatrão. Bem sei que ditas estas palavras em voz alta soam a loucura, mas haverá maior loucura do que continuarmos a acreditar em dias melhores depois de tudo aquilo que nos têm feito?

Sei que à minha volta me olham como uma pessoa com vigor, mobilizador, determinado e inabalável sem debilidades.
Mais uma vez experimento o sentimento de fraqueza, porque sou apenas humano, como todos vós, e vou aguentando, não sei até quando… principalmente porque me vejo obrigado a ir suportando tudo para que o ensino ainda vá funcionando.
Não era suposto falar disto…
À minha esposa, também ela há 3 décadas aprisionada ao volante a caminho de uma escola distante, não lhe vou falar nem deixar que veja o cinzento que hoje descoloriu um pouco mais a minha alma. Não frequentando redes sociais jamais saberá destas palavras que nunca lhe direi…
Perdoem o desabafo sobre todo o desencanto com o ensino logo no início do ano escolar.

Carlos Santos

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Promessa de Ministério da Educação. Amanhã Saem as Listas

Reserva recrutamento. Professores ainda aguardam pelas listas

 

As listas com a colocação de professores da reserva de recrutamento ainda não saíram. O ministro da Educação tinha anunciado a sua divulgação antes do início do ano letivo.

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1201 Horários em Concurso na Contratação de Escola Até ao Dia de Hoje

Desde que abriu a plataforma para a contratação de escola já surgiram 1.201 horários em concurso.

966 destes horários foram para Técnicos Especializados e os restantes para os 4 grupos de recrutamento com horários em concurso na Contratação de Escola.

Foram 235 horários anuais e completos que surgiram em contratação de escolas para esses grupos de recrutamento.

O quadro aparece com os horários por data final de candidatura, assim todos os horários que terminaram a candidatura até ao dia 31 de agosto já não aparecem na plataforma para candidatura.

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As vagas de acesso ao 5º e 7º escalões… BLA…BLA…BLA…

As vagas de acesso ao 5º e 7º escalões não me interessam, que se lixem quem delas precisa.
Estou colocado perto de casa, as colocações dos concursos não me dizem respeito.
A MPD também não é para mim, o problema é dos outros.
A aposentação ainda está longe, que lutem os velhos.
E seguindo este repertório inesgotável de pensamento umbiguista, desprovido de ética profissional, na sua incúria, o professor atual sem classe e semeando a sua própria desgraça só tem aquilo que merece.

Andam há meses nas redes sociais a lamentar que nunca mais saem as vagas de acesso ao 5º e ao 7º escalão? Que as vagas são poucas? Calam-se e aceitam as migalhas que vos dão?
Depois da maneira ofensiva com que o ministro tratou os professores à espera de vagas de acesso a esses escalões, o desmedido desrespeito pelos colegas em situação de MPD, o incumprimento da promessa de apresentar a RR ainda este mês e de tanta falta de consideração ao publicamente os retratar como preguiçosos e incompetentes, estão à espera de mais o quê para se insurgirem?
Que tal acabar com tanto queixume e individualismo e irmos todos (mas todos) à luta pelo interesse comum da dignificação da profissão?
Pelo interesse por uma carreira de professores condigna com melhores condições de trabalho para todos e não só para o meu umbigo?
Ser verdadeiramente professor é interessar-me genuinamente por tudo o que diz respeito a qualquer professor, porque, de algum modo, me diz respeito também a mim e à camisola de pedagogo que visto, tal como:
Salários decentes em vez do roubo do poder de compra que, só neste ano, nos vai tirar o equivalente a um salário anual;
Fim das cotas de acesso a escalões;
Aposentação mais cedo por desgaste profissional;
Devolução dos mais de 6 anos de tempo de serviço que nos foi roubado;
Ajudas de custo para deslocações e alojamento longe do domicílio;
Diminuição da burocracia e de excesso de trabalho não remunerado (a ser feito que seja pago como horas extraordinárias como na maioria das profissões);
Reforço da autoridade dos professores e de proteção no trabalho;
Vinculação mais rápida;
Maior estabilidade profissional;
Redução dos quadros de zona;
E uma lista interminável de perdas que os professores deixaram acontecer que é urgente serem repostas/renegociadas…

Para se alcançarem estes objetivos temos de ser inteligentes. Os médicos são um exemplo a seguir. Embora lidando com situações de risco de vidas humanas, vão à luta unidos por uma causa que acreditam ser justa.
Nós, professores, ficamos logo alarmados pelo facto de os meninos poderem perder umas aulitas. (deixo uma novidade: os meninos ficam tão felizes por terem uns friaditos como nós ficávamos quando tínhamos a idade deles. Não vão morrer por isso)
A este respeito, pensar que se fica bem com o mal dos outros, desde que não nos atinja diretamente, não é solução para ninguém e só alimenta a destruição da classe.
É evidente que nos alhearmos dos problemas e culparmos sindicatos ou o colega do lado porque não vai à luta, acaba por deixar tudo na mesma.
Está bem de ver que, vencidos pelo medo, acobardados e conformados com a situação existente, vamos permitindo que a nossa situação vá ficando cada vez pior. Se o nosso descontentamento se fica pelo simples protesto e lamento nas redes sociais, então não passamos de uns ingénuos que esperam que tudo se resolva por obra e graça do espírito santo sem termos o pequeno incómodo de nos esforçarmos pela melhoria das nossas vidas.

O absurdo de tudo isto é que o “Agarrem-me, senão vou-me a eles!” dos nossos sindicatos e de todo o palavrório dos professores não passa de alocução sem ação.
Pior do que os professores estarem cansados com o que tem acontecido, é a mansidão motivada pela descrença na ineficácia da repetição da mesma solução de luta proposta que, visivelmente, já não resulta.
Greves da treta de 1 dia, à 6ª feira para prolongar o fim de semana, só nos deixa uma má imagem perante a opinião pública.
Manifestações ao sábado que não incomodam ninguém e já nem nos noticiários aparecem, só servem para nos desgastar e os sindicatos mostrarem sinal de vida. Não há dúvida que o absurdo de tudo isto não pode continuar.
Perante a natureza desta situação, há que ter coragem, fazer sacrifícios e criar um fundo de greve (também pelos sindicatos à imagem do que acontece noutros países) e fazer uma greve dura e consequente e uma manifestação em dia de semana que incomode tanto como os sucessivos governos têm importunado as nossas vidas.
É forçoso que se faça parar o país para que nos ouçam, nos respeitem, nos tratem como merecemos, nos devolvam tudo o que nos roubaram e nos continuam a roubar, para que nos deixem trabalhar e viver com o mínimo de dignidade.

Carlos Santos

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