Junho 2021 archive

Concurso externo e de contratação inicial – RAM

R. A. MADEIRA

CANDIDATURAS:
– Concurso externo e de contratação inicial: 7 a 9 de junho de 2021.

A candidatura ao concurso externo e de contratação inicial foi precedida de uma inscrição obrigatória, que decorreu entre os dias 18 e 21 de maio de 2021.

A candidatura realiza-se através da aplicação AGIR disponível em https://agir.madeira.gov.pt

Saiba mais:

https://www.madeira.gov.pt/draescolar/Estrutura/Docente/ctl/Read/mid/4680/InformacaoId/101456/UnidadeOrganicaId/26/CatalogoId/0?fbclid=IwAR1ujLtb5Cd1P8bG78VVURfT4vBM916VZP8MYB4SI4tnZUSqAJJsjA-3W8U

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Serviço comunitário para país e filhos agressores – Rui Martins

 

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Cansaço

É outros dos temas que fazem parte das conversas quotidianas nas salas de professores ou na casa de cada um@, ao final do dia, mas que se tornam tabu se forem transportados para o espaço público.
Os professores não devem declarar-se cansados sob risco de serem logo lembrados que se estão assim tão mal é porque estão velhos e devem dar lugar aos mais novos (quais? os que se afastaram da docência na última década?), que se calhar são uns preguiçosos sem vocação que só dão aulas porque não sabem fazer outra coisa (acusação sempre ali debaixo da pele para diversos cronistas com poiso certo na comunicação social) e que deveriam era pensar em tanta gente que tem muito menos e não se queixa (argumento nuclear da tese do nivelamento pela mediocridade das aspirações da maioria).
Este tipo de culpabilização tem sido a base de um bombardeamento quase constante, sempre que há algum tipo de contestação dos professores (da estrutura da carreira à tentativa de recuperação do tempo de serviço não contabilizado, passando pelas críticas ao processo de avaliação de desempenho ou ao modelo único de gestão escolar).
Para uma certa narrativa, o bom professor é como um missionário que está sempre bem disposto e disponível para todas as missões que lhe sejam dadas ou tropelias que lhe sejam feitas, sob pena de não acreditar na Fé que deve espalhar.
Mas até o mais sincero e esfuziante missionário é capaz de se sentir ligeiramente incomodado, se estiver a ser cozinhado em fogo não muito lento num caldeirão que parece cada vez mais fundo. E é como muitos professores se sentem, com excepção natural de quem tem funções de “responsabilidade” ou daquele grupo de pessoas que parece ter uma inesgotável fonte de dopamina e serotonina a brotar dentro de si. Ou que tomam doses cavalares de triptofano.
Apesar destas explicações, não me embaraço muito em confessar que me sinto cansado e que, como eu, muita gente ao domingo à tarde sofre de um redobrado sentimento de lassidão ou mesmo desânimo. Porque sabemos que por muitos milhões que andem para aí a anunciar para a Educação e a recuperação das aprendizagens, a nós só irão pedir mais com o mesmo, na melhor das hipóteses.

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O Plano de Negócios para a Educação – Paulo Guinote

O Governo apresentou com alguma pompa o muito anunciado Plano de Recuperação das Aprendizagens, que ficará justamente conhecido apenas como “Plano 21

23 Escola+”, porque a questão da “recuperação das aprendizagens” não passa de um pretexto para justificar um empurrão financeiro às medidas em implementação desde o final de 2015.

Tudo se apresenta com a legitimação das consequências da pandemia, mas nada de novo está em causa. O discurso é praticamente o mesmo ao longo desta meia dúzia de anos e só alguém muito distraído poderá acreditar que é por aqui que passa alguma reforma da Educação que vá além da tentativa de dar novo ímpeto a medidas que se viu serem incapazes de funcionar em tempos de emergência.

Claro que o que foi atirado para os títulos da comunicação foram os números: 900 milhões de euros e mais 3300 professores nas escolas, sem contextualizar nada para parecer que é muita coisa. E houve quem fosse a correr dizer e escrever que é muito dinheiro para a Educação e que o “Estado” vai engordar com tanta contratação de novos professores. Até porque atrás daqueles números vieram outros de auto-elogio: 9000 professores vinculados nos últimos cinco anos, mais de 4000 assistentes operacionais e outro pessoal técnico e/ou especializado contratado. E mais 8000 a caminho.

O que fica por explicar e poucos parecem interessados em desmontar?

Em segundo lugar há que ter em conta que desde 2015 se aposentaram mais de 6000 professores e que se prevê um número a rondar os 8500 para os anos de 2021 a 2023. O que significa que as escolas, em menos de uma década, perderão quase 15.000 docentes. Se foram vinculados 9000 e se pensam vincular mais 2400 e contratar 3300 é fazer as contas, como dizia outro primeiro-ministro. Quem tiver uma calculadora por perto, perceberá que o saldo não é positivo.

Para além disso, os tais 3300 professores de que se fala, se forem mesmo contratados, terão um encargo de cerca de 65 milhões de euros por ano (salários brutos, pré-colecta fiscal). O que significa uma enorme poupança real, mesmo se nada nos garante que estes “novos” professores não irão ocupar vagas que já existem e têm sido ocupadas em substituições precárias.

Por fim, há que esclarecer que a retórica usada é a de sempre. Parágrafos como “o conjunto de medidas do Plano 21

23 Escola+ tem por base as políticas educativas com eficácia demonstrada ao nível do reforço da autonomia das escolas e das estratégias educativas diferenciadas dirigidas à promoção do sucesso escolar e, sobretudo, ao combate às desigualdades”, nada trazem de novo e apenas repetem fórmulas gastas.

Poderia transcrever a parte nuclear dos “três eixos de atuação, que agregam diferentes domínios de atuação, desenvolvendo-se em ações específicas” e dizer que era um documento de Junho de 2016 e ninguém se espantaria. Medidas como o “Incremento da gestão flexível de turmas; Produção de instrumentos práticos com sugestões de funcionamento das turmas, garantindo a sua heterogeneidade inerente” são um acumular de chavões do neo-eduquês em que vivemos.

É pena que a detecção de vacuidades não pareça ser estimulante para alguma comunicação social presa à exibição de números e reagindo de forma pavloviana e pouco crítica sempre que se apresentam promessas de milhões. Mais valia que explicassem à opinião pública o que significam passagens como “Recuperar com Artes e Humanidades – Desenvolvimento de um repertório de iniciativas, sob coordenação do Plano Nacional das Artes, integrando recursos específicos para recuperação e integração curricular” ou “Recuperar Incluindo – Plano integrado de formação para as escolas, com vista a apoiar a ação e construção de instrumentos de atuação na escola inclusiva”.

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Quando a fantasia custa 900 milhões de euros…

 

Em 2 de Abril de 2021, num texto aqui publicado, relativo ao drama das “aprendizagens perdidas” e a propósito do Governo ter criado por essa altura uma Equipa de Trabalho para esse efeito, escrevi isto:

 Como previsivelmente acontecerá, atulhar as escolas, os alunos e os profissionais que nelas trabalham com mais projectos e programas irrealistas e artificiais, concebidos à custa de enquadramentos teóricos impossíveis de concretizar em termos práticos e feitos à medida de quem não faz a mínima ideia do que é o dia-a-dia numa escola, não parece ser nem sensato nem consequente… A auto-flagelação, os episódios folclóricos e a demagogia na Educação parecem estar a agigantar-se…

 Com a publicação do Plano de Recuperação das Aprendizagens 21/23, confirmaram-se essas expectativas mais pessimistas:

 A implementação das medidas mais simples e mais pragmáticas, sem floreados e sem dramas desnecessários, como reduzir o número de alunos por turma ficou, ao que tudo indica, “na gaveta”, preferindo-se a opção pela (pretensa) digitalização das escolas e pelo frenesim de Projectos, que não resolverão qualquer problema de fundo, mas que servirão, por certo, como instrumentos de propaganda e de manipulação da opinião pública, iludindo-a com um (suposto) investimento de 900 milhões de euros na Escola Pública…

 Os 900 milhões de euros até podem ser efectivamente gastos, mas, com as medidas preconizadas no referido Plano, não parece plausível que sirvam para recuperar eventuais aprendizagens perdidas durante a pandemia…

 Não intervir ao nível do mais elementar e mais básico, em prol de adornos e de aparatos, parece uma atitude semelhante à daquelas famílias que não têm dinheiro para comida porque se endividaram com a compra de um carro topo de gama e não souberam estabelecer prioridades no seu orçamento familiar, dominadas pela tentação do “show off”, meramente exibicionista…

 Reduzir drasticamente o número de alunos por turma seria a medida mais pertinente e eficaz no sentido de criar as condições necessárias para se efectivar a Diferenciação Pedagógica em contexto de sala de aula, absolutamente imprescindível para a recuperação de qualquer aprendizagem, se for esse o verdadeiro objectivo…

 Não assumir o anterior é querer continuar a “fazer de conta” que um professor, confrontado, entre outros, com a obrigatoriedade do cumprimento de Programas Curriculares, consegue estabelecer uma plena relação pedagógica com 30 alunos em cada turma e disponibilizar a cada um deles tarefas, finalidades, conteúdos, apoios, recursos e estratégias, devidamente adaptados às particularidades e características de cada um…

 Esperar isso de um professor ou exigir-lho, nessas circunstâncias, é absolutamente irrealista, inexequível e até desumano, pelos implícitos “requintes de malvadez”…

 inclusão, tão repetida ao longo do documento que substancia o Plano de Recuperação das Aprendizagens 21/23, não passará de uma miragem, farsa ou ignomínia, sem a possibilidade de existir uma verdadeira e efectiva Diferenciação Pedagógica em contexto de sala de aula…

 Com ou sem Covid, adivinha-se um próximo Ano Lectivo sem serenidade e sem sensatez, mas com muita entropia, sobretudo imputável ao próprio Ministério da Educação, incapaz de se mostrar como um elemento contentor, apaziguador e equilibrador…

 A “corrida desenfreada” a Projectos improfícuos e a Formações inúteis parece inevitável e o fundamental ficará, mais uma vez, por fazer…

 E o fundamental, neste caso, é tudo o que pode afectar o que passa dentro de uma sala de aula, ao nível do estabelecimento de uma relação pedagógica, e que não é substituível por apetrechos tecnológicos, nem por formações teóricas distantes da realidade e sem aplicação prática…

 Infelizmente, aqui não parece aplicar-se um dos principais axiomas de Kurt Lewin: “Não há nada mais prático do que uma boa teoria”

 

(Matilde)

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Menos 18 280 alunos num ano

Portugal perdeu 18 280 alunos do ensino básico e secundário no ano letivo 2019/2020, uma quebra de 1,1% face ao ano letivo anterior. O País continua assim uma tendência de descida iniciada há mais de uma década e determinada, em grande parte, pela quebra da natalidade. Entre 2010 e 2020, Portugal sofreu uma redução de 328 682 estudantes, o que representa um corte de 17%, quase um quinto do total.

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Lista Colorida – RR32

Lista Colorida atualizada com colocados e retirados da RR32.

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CARTA ABERTA AO DR. ANTÓNIO COSTA

Senhor Dr. António Costa,
Como sei que tem relações de proximidade com o atual primeiro-ministro de Portugal, gostaria que tivesse a gentileza de ler-lhe esta missiva que dispensa as palavras de “sete e quinhentos” que, por norma, ornamentam as cartas dirigidas às mais altas instâncias do país. Eu sei que o respeitinho é muito bonito, mas optei pela genuinidade e essa, a genuinidade, nunca representou falta de respeito.
Rogo-lhe, Dr. António Costa, que peça ao senhor primeiro-ministro de Portugal uns breves minutos do seu tempo para perscrutar o que a comunidade docente pensa do seu sistema de avaliação de desempenho.
Lembre ao nosso primeiro-ministro que foram os professores que o ensinaram a juntar as letrinhas que o levaram a aprender a ler, que o ensinaram que a matemática não são só números, que o ensinaram a interpretar os fundamentos da Lei, que o ensinaram no difícil mister de ser político. Lembre-lhe que esses professores que contribuiram, decididamente, para fazer dele primeiro-ministro de Portugal, são os mesmos, embora com nomes diferentes, que hoje pugnam por um sistema de avaliação justo e transparente.
Dr. António Costa, peça, encarecidamente, ao senhor primeiro-ministro de Portugal, que reserve um “poucochinho” do seu tempo para perceber o absurdo das quotas; para perceber a opacidade do sistema que permite todo o tipo de arbitrariedades na atribuição das menções de mérito; para perceber o despropósito da não divulgação das listas nominativas da atribuição dessas menções de mérito, ferramenta imprescindível à transparência do sistema; para perceber o despautério de um professor com 30 anos, ou mais, de ensino e com avaliações quantitativas de nível excelente estar retido no 4º escalão; para perceber a ostracização, mais ou menos declarada, de quem reclama e recorre; para perceber que o ambiente, em algumas Escolas, nos remete para o Portugal que não queremos de volta; para perceber que, quase 50 anos depois de Abril de 74, haja quem sinta o logro de um sistema que se apelida de democrático e que, por via disso, deveria ser muito mais justo.
Há evidências tão gritantes que dispensam o burro da Calçada de Carriche.
Dr. António Costa, lembre ao nosso primeiro-ministro que não vale a pena endossar estas preocupações para o ministro da tutela. A presença do senhor ministro da educação é mais notada em eventos desportivos com mediatismo planetário, mesmo que terminem com uma discussão acalorada, num qualquer parque de estacionamento, do que em assuntos de interesse geral para a classe. Deve ser por falta de tempo.
Os professores estão tristes, revoltados, desmotivados e caminham para uma atuação de letargia absoluta, em relação à profissão que escolheram, na grande maioria dos casos, como primeira opção. Os professores, Dr. António Costa, estão fartos de serem desprezados, desautorizados, esquecidos e, quando não, relegados para um plano que nem os mais pessimistas cogitariam.
Dr. António Costa, lembre ao senhor primeiro-minstro que o que está em causa é o futuro de Portugal. Nem sempre o que dá lucro imediato é o melhor para o país, como se viu com a recente realização de um evento desportivo, na cidade do Porto, e a consequente saída de Portugal do corredor verde de Reino Unido. Ademais, o que se gasta na educação não é uma despesa, é um investimento.
Agradeça, por mim, ao nosso primeiro-ministro, a atenção dispensada. O meu neto e, muito provavelmente, todos os netos deste país, ficarão agradecidos pelos 5 minutos que o senhor primeiro-ministro dispensar ao futuro deles.
Muito obrigado, Dr. António Costa.
Com os melhores cumprimentos e elevada estima,
Francisco José Pereira Gonçalves, Entroncamento

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94 contratados colocados na RR32

Foram colocados 94 contratados na Reserva de Recrutamento 32, distribuídos da seguinte forma:

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Reserva de recrutamento n.º 32

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 32.ª Reserva de Recrutamento 2020/2021.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira, dia 07 de junho, até às 23:59 horas de terça-feira, dia 08 de junho de 2021 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 32 

Listas – Reserva de recrutamento n.º 32    

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Assim andam os alunos no último mês de aulas

Ansiosos”, “impacientes”, “cansados”. Assim andam os alunos no último mês de aulas

Os alunos estão a iniciar o último mês de aulas mais “ansiosos”, “impacientes”, “cansados” e “intranquilos”. Os adjetivos são usados pelos diretores das escolas que sentem que nunca viram nada assim, num fenómeno provocado pelo desgaste da pandemia e por um segundo ano de confinamentos.

Manuel Pereira é presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares e dá aulas há décadas. Explica que também os colegas de outras escolas com quem fala notam demasiados alunos “talvez exaustos, distraídos, ansiosos, cansados, com a sensação de que perderam alguma coisa que não deviam ter perdido, numa certa ansiedade e talvez saudosismo – não sei se será a expressão correta -“, algo diferente do que se sentia “nos anos anteriores ditos normais”.

Os alunos andam diferentes e isso nota-se em todo o lado: “Em comportamentos diversos tanto nas salas, como nos espaços comuns das escolas, nos recreios, nos relacionamentos, nos contactos, sentimos algum nervosismo, ansiedade, e genericamente todos os professores sentem isso, apesar de dever dizer, em abono da verdade, que isto também acontece em alguns profissionais de educação”, refere Manuel Pereira.

Do lado da Associação Nacional de Diretores e de Agrupamentos das Escolas Públicas, o presidente, Filinto Lima, tem sensações semelhantes.

Os nossos alunos estão mais ansiosos e menos pacientes”, diz o representante dos diretores, para quem além dos confinamentos e do tempo que passaram em casa ou com regras sanitárias apertadas nas escolas, muitos alunos não passam imunes aos problemas sociais e às perdas de rendimento dos pais”, refere Filinto Lima.

Num ano letivo que teve de ser alargado por causa do segundo confinamento, “muitos alunos pensam que já estão perto das férias e para outros parece que as aulas já terminaram”, descreve o diretor escolar.

Um cenário de “impaciência” que leva a que com frequência o diálogo seja ultrapassado recorrendo à força física, algo que o presidente da Associação Nacional de Diretores acredita que no passado seria resolvido de outra forma.

Os dois representantes de quem dirige os estabelecimentos de ensino defendem, aliás, que são necessários mais recursos na área da psicologia para ajudar as escolas nestes tempos agitados a que ninguém estava habituado.

“As escolas têm um grande trabalho pela frente e, mais do que recuperar as aprendizagens e conhecimentos, o mais importante é recuperar psicologicamente e motivacionalmente os alunos e as famílias, de forma articulada”, conclui Manuel Pereira.

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Crenças e limites da ciência e do conhecimento – Jorge Bento

 

A indagação de Thomas Elliot (1888-1965) é hoje mais pertinente do que nunca: Onde está a sabedoria que perdemos com a acumulação de tanto conhecimento? Onde está o conhecimento que submergiu nas ondas de tanta informação?
Herdamos do Humanismo e do Iluminismo uma crença exagerada na ciência, esperando dela respostas para questões que não são da sua conta. O resultado do equívoco está bem à vista na atualidade. O conhecimento não desbancou o senso-comum, não guia a Humanidade em todos os domínios, nem acaba com os ídolos da tribo e as credulidades mais inanes. Estamos submersos em formas várias de irracionalidade, de superstição e aversão à razão, de fanatismo, intolerância e obscurantismo.
A incerteza não se deixa dominar e problemas importantes da existência humana – os de matriz ética e estética, injustiças, desigualdade de oportunidades, exclusão, pobreza, fome, doenças, insegurança, perseguições, guerra e barbárie – estão longe da resolução. Continua por alcançar a relação de reciprocidade entre ciência e bondade, sabedoria, democracia e cidadania, na qual Newton (1643-1727) acreditava piamente. Ou entre conhecimento e conduta ética, altruísmo, moralidade e felicidade, como imaginaram Espinosa (1632-1677) e Voltaire (1694-1778) .
A ciência é instrumentalizada como meio de poder. Não se opõe, por vezes é conivente e auxiliar, a sistemas de opressão e exploração. Ademais, o ‘cientismo paperista’, em voga nas instituições académicas, encoraja certezas fáceis, mata o pensamento e a visão sapiencial. Quem dá o sentido para a existência nesta época de sombras e conotações medievais? A ciência não-pensante tem pouco a dizer sobre a condição ontológica e metafísica do Ser, e até sobre o significado das realidades que investiga e manipula. É, pois, urgente a necessidade de avivar a curiosidade científica e de a casar com o espírito filosófico. Os protagonistas das entidades universitárias e afins tardam em acordar da dormência e em reconhecer o clamoroso falhanço da ordem vigente.

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A VIDINHA DE UM PROFESSOR RESIGNADO

A VIDINHA DE UM PROFESSOR RESIGNADO

 

Tudo corria, normalmente, no reino do professorado.
As carreiras estavam congeladas e, por conseguinte, não havia grandes constrangimentos na progressão da dita carreira, dado que, por razões do tal congelamento, ela simplesmente não existia.
Toda a classe se indignou com a proposta da ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, quando, em 2007, tentou criar o, então designado, professor titular. Basicamente, um professor evoluiria, normalmente, até ao oitavo escalão. Uma vez atingido o oitavo escalão, o professor para progredir, deveria reunir um conjunto de requisitos. Que não!, gemeu a classe. Deu-se a tal manifestação, em Lisboa, e até pareceu que existia união na classe.
O que se seguiu foi bem pior: em vez do funil, no oitavo escalão, foram criadas duas barreiras, a montante, no quarto e no sexto escalão. O que os sindicatos disseram, em relação a esta aberração, não sei. Mas sei que o tal obstáculo à progressão na carreira não foi banido, mas, antes, colocado a montante, nos quarto e sexto escalões.
Desde o descongelamento da carreira, os professores têm experimentado uma diversidade de estados de alma que, no limite, leva ao desespero dos próprios e de quem, com eles, vive o drama de não lhes ver reconhecido o mérito que o investimento de tempo, a dedicação e o altruísmo pela profissão recomendariam.
Naturalmente que a opacidade verificada no sistema de avaliação do desempenho dos docentes serve, magistralmente, o clientelismo, o protecionismo e corrompe quem tem a possibilidade de decidir. O mais grave, no entanto, é que divide a classe.
Não existem dúvidas de que há professores que mereceram, em abundância, as menções de mérito que lhes foram atribuídas. Contudo, também não existem dúvidas de que há professores que, quando comparados com outros professores a exercer no mesmo Agrupamento, foram beneficiados, na obtenção das tais menções de mérito, de uma forma injusta e, muitas vezes, absurda. Tal só é possível pela não publicação nominativa da lista das menções atribuídas.
Se um professor reclama e, posteriormente, recorre daquilo que julga ser uma tremenda injustiça, emerge, entre os pares, o pior que a sociedade, dita de pensamento livre e mentalmente autónoma, pode apresentar: o medo de serem conotados com quem teve a valentia de pugnar pelos seus direitos.
Aos injustiçados assiste o direito de, dentro dos limites que a Lei contempla, percorrer todos os caminhos que lhe permitam manifestar o seu descontentamento.
Aos seus pares exige-se que, no mínimo, respeitem o destemor de quem foi mais além do que eles próprios iriam.
Mas não. Os seus pares têm a sua vidinha. Aquela vidinha que recomenda que não agitem as águas. E porque razão não agitam as águas? Será que é porque foram alvo do tal favorecimento? Ou será porque a resignação toma conta do ânimo de quem não sente temeridade para tentar tomar posse do que é seu? Dizia Confúcio que “Saber o que é correto e não o fazer é falta de coragem”. Por força de uma herança que, desgraçadamente, teima em permanecer no caráter de uma grande franja dos portugueses, parece que o respeitinho prevalece, em detrimento do caráter, da exigência, da revolta de quem se julga com direito ao que não lhe é reconhecido.
Não é muito agradável, mas não há outra forma de concluir: existem professores que gostam de manter a sua vidinha. Gostam de não agitar as águas. Gostam de agradar ao chefe, mesmo que isso ponha em causa o conceito de Justiça. Preferem o anonimato de qualquer ovelha de um rebanho do que o hombridade de reconhecer, nos corajosos, a firmeza que nunca os caracterizou. Só falta que gostem de colocar, a montante da sua assinatura, “a Bem da Nação”.
Mesmo que, à época, Portugal vivesse em plena ditadura, os meus professores foram uma prova de caráter e de coragem e, na sua esmagdora maioria, não se inibiram de transmiti-la aos seus alunos.
Um bem-haja a esses.

Francisco José Pereira Gonçalves
Entroncamento

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Associação Nacional de Diretores quer explicações da DGS sobre critérios para isolar alunos e professores

Associação Nacional de Diretores quer explicações da DGS sobre critérios para isolar alunos e professores

Critérios mudaram e há casos em que um único caso de Covid-19 envia todos os alunos da escola para casa. Noutros, os alunos ficam sem aulas apesar de continuarem a ter de ir para a escola.

Antes do segundo período de confinamento a solução era identificar e isolar em casa apenas os contactos próximos, mas desde o regresso às aulas que as ordens de isolamento são dadas a toda a turma de um aluno infetado e a todos os seus professores.

O presidente da associação, Filinto Lima, diz que parece um exagero, mas não tem a certeza e coloca a pergunta à diretora-geral da saúde, Graça Freitas, para que explique aquilo que motivou uma mudança “radical” de critérios que afetam o funcionamento das escolas.

“Se calhar tem de ser assim, mas isto nunca nos foi explicado e merecemos uma explicação. Era bom que a dra. Graça Freitas esclarecesse para percebermos porque é que corremos o risco de um aluno ou um professor ou um funcionário estar infetado e a escola ter de fechar parcialmente ou mesmo totalmente”, afirma Filinto Lima, para quem estes critérios complicam muito a vida das escolas.

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Pais em protesto fecharam escola a cadeado em Paredes

Pais em protesto fecharam escola a cadeado em Paredes

Pedem ar condicionado para acabar com o calor nas salas de aula. Autarquia diz que intervenção está prevista.

O calor que se faz sentir dentro das salas de aula da Escola Básica n.º 2 de Lordelo, em Paredes, é “insuportável” para alunos e professores, denuncia um grupo de pais que, esta quarta-feira, fechou o estabelecimento de ensino a cadeado. Exigem a colocação de ar condicionado na escola. A Câmara de Paredes diz que tal já está previsto.

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Consulta Pública – Aprendizagens Essenciais de Matemática do Ensino Básico

 

O Grupo de Trabalho de Matemática (GTM), criado no âmbito do despacho n.º 12530/2018, alterado pelo despacho n.º 7269/2019, teve como missão a elaboração de um conjunto de recomendações sobre o ensino, a aprendizagem e a avaliação na disciplina de Matemática, que resultaram num relatório final: 22 Recomendações para a melhoria das aprendizagens dos alunos em Matemática. Na sequência destas recomendações, foi preparada uma nova proposta de Aprendizagens Essenciais do 1.º ao 9.º ano de Escolaridade, que agora se disponibiliza, por forma a dar início ao processo de revisão dos documentos curriculares em vigor.

Com o objetivo de envolver a comunidade educativa, em particular as escolas (através dos órgãos de coordenação e supervisão pedagógica e orientação educativa) e os seus docentes no processo de definição das AE, promove-se, entre 2 e 25 de junho, a consulta pública dos documentos relativos à disciplina de Matemática.

Todos os contributos constituirão uma mais-valia neste processo, pelo que a participação de docentes, de instituições e de entidades envolvidos na educação matemática será bem-vinda neste procedimento consultivo.

Assim, devem os interessados apresentar os contributos através do preenchimento do presente formulário.

Aceder às Aprendizagens Essenciais de Matemática – 1.º ano – aqui.
Aceder às Aprendizagens Essenciais de Matemática – 2.º ano – aqui.
Aceder às Aprendizagens Essenciais de Matemática – 3.º ano – aqui.
Aceder às Aprendizagens Essenciais de Matemática – 4.º ano – aqui.
Aceder às Aprendizagens Essenciais de Matemática – 5.º ano – aqui.
Aceder às Aprendizagens Essenciais de Matemática – 6.º ano – aqui.
Aceder às Aprendizagens Essenciais de Matemática – 7.º ano – aqui.
Aceder às Aprendizagens Essenciais de Matemática – 8.º ano – aqui.
Aceder às Aprendizagens Essenciais de Matemática – 9.º ano – aqui.

 

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Adenda às Informações-prova – junho 2021

 

Foi publicada uma adenda às informações-prova de 2021, com a indicação das instruções de realização e critérios gerais de classificação. Nesta adenda são também apresentados o número de itens obrigatórios e opcionais para cada prova.

 

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Fazer mais com menos, menos, menos…

Mais dinheiro, mais infraestruturas, mais apoios, mais tecnologias, ou seja, mais, mais e mais. Sobre os agentes que terão o papel de recuperar as aprendizagens, exceptuando a contratação de 3.000 (uma média de aproximadamente 1/2 professor por cada estabelecimento escolar), para já, não ouvimos nada. Ou seja, continuamos no menos, menos, menos. Aliás, com jeitinho virá por aí um novo congelamento e uma nova restruturação da carreira, porque há quem ache que é a cortar nas “despesas” com os salários dos professores que conseguem motivá-los a trabalhar mais e melhor.

Qual foi mesmo a equipa que elaborou este “pacote”? Certamente será composta por indivíduos cheios de grandes ideias e boas intenções. Gostava era de saber quantos professores (no campo, nas escolas, no activo) a compõem. Enfim.

Mauricio Brito

A ler.

“Como em todos os grandes desafios da escola, não serão, no entanto, os cheques ou o reforço dos quadros a determinar o sucesso da ambição do Governo. Mais importante é a motivação, a mobilização e o desenho de planos exigentes e compreensíveis que tenham os alunos e os professores na primeira linha da prioridade. O dinheiro ajuda, mas, mais do que dinheiro, o desafio com que a escola pública e o país se confrontam tem o seu sucesso dependente da capacidade de os seus agentes acreditarem que, nestes tempos difíceis, eles têm nas mãos boa parte do futuro de milhares de crianças e jovens deste país.”

“Regar” o ensino com milhões

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Os cassos de Bullying sucedem-se e não desaparecem por obra e graça do….

 

Desta vez, aconteceu numa escola de Amares. Um aluno de 11 anos foi vitima de agressões reiteradas por parte de um grupo de colegas.

Com uma corda agrediram a criança física e psicologicamente de forma premeditada. No acto estarão envolvidos 4 ou 5 alunos, conforme as versões apresentadas.

O agrupamento de escolas confirmou que a situação está a ser averiguada internamente. O aluno tem estado ausente da escola.

Estes actos têm que ter uma mão firme para que deixem de existir de forma tão frequente nas escolas. Os encarregados de educação têm que ser responsabilizados, a par com os seus educandos, para que a educação e os valores de vida em comunidade possam ser melhor adquiridos por todos.

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Os profs andam com azar às Raqueis….. Luís S. Braga

Depois da Varela, agora a Abecassis
Estava a ler um texto em que uma mãe (Raquel Abecassis) diz uma coisas perversas sobre a escola e professores do filho.
O texto está a ter grande difusão. Fica nele a ideia, que parece intencional no tom da autora, de que quer verberar a “escola pública” e não a escola concreta onde filho estuda. Como tem acesso privilegiado à comunicação social, a mensagem passa sem realmente se deslindar que o problema é naquela concreta e não um problema geral. Porque o que diz não é um problema geral. Mesmo.
As coisas nas escolas “não públicas”, como diz, em vez de privadas, num tique característico, não são o retrato que faz.
E, como li o texto todo, cito uma parte curiosa:
“A triste realidade é que o Estado português é uma entidade pouco recomendável e os seus representantes políticos são o rosto da irresponsabilidade e da incompetência. A culpa é nossa, de todos nós, que não nos indignamos e deixamos andar.
E assim este país continua e continuará a ser o país em que as oportunidades só surgem para quem tem conhecimentos e dinheiro. Quem não tem fica eternamente dependente dos favores de um Estado que cultiva a mediocridade para sobreviver.”
Escusado será dizer que Raquel Abecassis têm, pelo menos, conhecimentos suficientes para conseguir publicar generalizações abusivas num dos jornais mais conhecidos do país.
O que diz sobre o Estado confunde Estado com Governo.
Realmente a culpa dos problemas da Res publica e do Estado é nossa. Mas o país continuará com os defeitos que tem se, quem tem formação para escrever aquele texto burilado, for cínica o bastante para preferir antes mandar bitaites no Observador, a usar os mecanismos democráticos e de participação de que dispõe numa escola pública.
Isto é deixar andar e só se mexer para mandar bocas.
Por exemplo, já falou com o representante dos pais da turma do seu filho para entender e mostrar descontentamento e reunir com a direção?
Que ações tomou a associação de pais?
E os representantes dos pais no Conselho Geral (órgão decisor máximo do agrupamento, em que os pais valem uns 30% e que até pode demitir o diretor), que fizeram para representar o seu descontentamento?
Essa parte falta na sua arenga.
O Estado português até pode ser uma porcaria como diz, Raquel, mas é democrático e tem formas de as pessoas serem ouvidas e terem ganho de causa, sem precisar degradar todos os professores do país (inocentes no caso concreto) num texto de difusão alargada.
E, longe de mim querer ser advogado de defesa, do Mário Nogueira (se pesquisar um bocadinho percebe que o seu discurso sobre ele até parece moderado, face a alguns dos meus) mas, tento ser justo com ele e, só com muito facciosismo irrealista, se podem imputar-lhe problemas concretos de gestão concreta e quotidiana de uma escola qualquer.
A não ser que tenha deixado de ser o papão do sindicalismo, para uso de liberalões do Observador e tenha sido nomeado diretor dessa escola. Creio, com pena, que ainda está na FENPROF e não anda a gerir escolas na Grande Lisboa.
E diga lá: há alguma escola não pública onde o diretor possa ser sujeito a uma moção de demissão, proposta por pais, se for incompetente? Gostava de a ver avançar com isso. E até ajudava. Se a coisa está assim tão mal governada.
O Estado pode ser pouco recomendável, mas a sociedade civil também não se recomenda. Também, e em prejuízo da Res Publica, não aproveita o espaço que ele tem para ser melhorado, com real participação cívica…. Que não é só mandar bocas ao ar.
Respeito o que diz, mas respeitaria mais se me mostrasse participação cívica e não só acidez e preconceito anti-profs……

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Hoje Sinto-Me uma Criança …Deram-me 339 Dias de Serviço!!!

…. deitados ao lixo.

Com mais 316 dias de 2021 que não váo contar para nada, sáo ao todo 655 dias enfiados no caixote do lixo.

Ainda ontem me pediram para criar uma bolsa solidária.

Estão mesmo a imaginar como anda o meu espírito solidário, não estão?

 

 

 

 

 

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Plano de Recuperação das Aprendizagens 21|23 Escola+

A rede pública de educação e ensino está hoje muito mais bem preparada para enfrentar os desafios que a pandemia da COVID-19 nos colocou. Nos últimos anos, assistiu-se a um volume de contratações de pessoal docente e não docente sem precedente nas escolas públicas. Desde 2016, vincularam nos quadros do Ministério da Educação cerca de 9 000 docentes, aos quais se somarão mais 2 400 no presente ano.
No mesmo período, foram dadas autorizações para a contratação de 12 000 assistentes operacionais, assistentes técnicos e técnicos especializados (a grande maioria dos quais já se encontra nas escolas).
No seu conjunto, estas medidas permitiram reforçar os meios humanos a trabalhar nas nossas escolas, para que cada uma delas tivesse mais condições para desenvolver, com qualidade crescente, os seus projetos educativos.
Por isso, nos últimos 5 anos, Portugal apresenta um evolução nos recursos humanos disponibilizados para o trabalho nas escolas, de que se destacam o n.o médio de alunos por turma: 21,2 alunos/turma, bem como o número de psicólogos e outros técnicos que hoje trabalham nas escolas.
➢ Os sistemas educativos foram dos mais afetados pela pandemia. A resposta do sistema educativo português, perante os dois períodos de suspensão das atividades letivas e não letivas, em regime presencial, foi célere, tendo o Governo assumido a responsabilidade de garantir instrumentos de mitigação das desigualdades, bem como de apoio às escolas para a operacionalização destes instrumentos, dos quais se destacam os seguintes:
a) A criação de uma rede de escolas de acolhimento para filhos ou outros dependentes a cargo de trabalhadores de serviços essenciais (que chegou a contar com 1.500 escolas, no 2.o confinamento);
b) A disponibilização gratuita de refeições para os alunos beneficiários de ação social escolar dos escalões A e B (que superou as 45 mil refeições diárias, também no 2.o confinamento);
c) A produção de instrumentos de apoio às escolas no âmbito do planeamento do ensino remoto, dos procedimentos de cibersegurança, das parcerias para garantir o apoio terapêutico, psicológico e social dos alunos mais vulneráveis;
d) A disponibilização de recursos educativos digitais;
e) A formação na área das tecnologias e do ensino a distância;
f) A criação e disponibilização do #EstudoEmCasa;
g) A disponibilização de equipamentos e conectividade a alunos e professores, atingindo-se já um incremento de cerca de 450 mil computadores;
h) A criação de procedimentos de segurança para o funcionamento das escolas em regime presencial, em articulação com as autoridades de saúde.
Estes apoios foram reforçados no presente ano letivo, destacando-se, entre muitos outros:
a) A continuidade da disponibilização de máscaras e outros equipamentos de proteção individual;
b) As orientações conjuntas das áreas governativas da educação e da saúde para a preparação da reabertura das escolas;
c) As orientações para a organização de regimes de funcionamento misto e não presencial a serem adotados em caso de necessidade;
d) A identificação de grupos de alunos para quem o regime presencial seria a regra, mesmo quando o regime transitasse para o não presencial;
e) As orientações para a recuperação e consolidação das aprendizagens;
f) A continuidade da disponibilização de recursos educativos digitais e da produção
do #EstudoEmCasa, alargado ao Ensino Secundário;
g) A aceleração das iniciativas previstas no âmbito da Escola Digital;
h) O reforço do crédito horário das escolas, o alargamento do Apoio Tutorial Específico a mais alunos, e a atribuição de crédito horário adicional destinado exclusivamente à EMAEI, para o exercício das suas funções;
i) A contratação de técnicos especializados para a execução, com caráter excecional e temporário, de Planos de Desenvolvimento Pessoal, Social e Comunitário;
j) A reorganização do calendário escolar;
k) O desenvolvimento de um estudo diagnóstico amostral, incidindo sobre literacias
de informação, matemática e científica;
l) O reforço do número de assistentes operacionais;
m) A possibilidade de aplicação de medidas de apoio educativas aos alunos que, por serem considerados doentes de risco, não podem assistir às aulas presenciais em contexto de turma.
n) A disponibilização de cerca de 450 mil computadores e kits de conectividade.
➢ O segundo período de confinamento, que decorreu entre janeiro e abril de 2021, beneficiou dos efeitos das medidas elencadas. As escolas estavam muito mais preparadas e organizadas, numa resposta que resultou da experiência, formação e recursos acumulados desde março de 2020.
➢ Não obstante o esforço extraordinário empreendido por todos os docentes, e as inúmeras parcerias e apoios disponibilizados ao longo deste ano (em particular pelos municípios, pelas ONG e por várias instituições da sociedade civil), é inquestionável a necessidade de investir na recuperação de aprendizagens e no desenvolvimento psicopedagógico e motor das crianças e jovens.
➢ Os resultados do Estudo Diagnóstico Amostral, desenvolvido pelo Instituto de Avaliação Educativa, I.P. (IAVE), apontam nesse sentido, corroborando a perceção de escolas e professores e permitindo identificar áreas que, a uma escala nacional, são merecedoras de uma intervenção mais dedicada.
➢ Com vista à recuperação das aprendizagens, e procurando garantir que ninguém fica para trás, o Governo concebeu um Plano de Recuperação de Aprendizagens. Para construir este Plano, o Governo promoveu um conjunto alargado de auscultações a alunos, professores, diretores, peritos, ONG, e representantes dos vários setores da educação. Foi também criado um Grupo de Trabalho, com especialistas com perfis diferenciados, com a missão de apresentar sugestões e recomendações ao Governo.
➢ A importância de confiar nas escolas e nos seus profissionais foi consensual, apostando-se na autonomia como ingrediente principal, com um olhar dedicado aos anos iniciais e às transições entre ciclos, ao terceiro ano de escolaridade, a abordagens integradoras do contexto em que a escola está e no qual os alunos crescem e ao papel fundamental do bem-estar para que a aprendizagem se desenvolva. Foi também clara a noção partilhada de que um mero aumento de horas de aulas ou de semanas de trabalho não seria uma medida a desenvolver, devendo sim apostar-se na qualidade e diversificação das medidas.
➢ O conjunto de medidas do Plano 21|23 Escola+ tem por base as políticas educativas com eficácia demonstrada ao nível do reforço da autonomia das escolas e das estratégias educativas diferenciadas dirigidas à promoção do sucesso escolar e, sobretudo, ao combate às desigualdades.
➢ Trata-se, assim, de um Plano abrangente que permitirá, a curto, médio e longo prazo, a implementação de um conjunto de medidas que possibilitem uma intervenção junto dos alunos ao nível da recuperação das aprendizagens, da socialização e do seu bem-estar físico e mental, incidindo sobre aspetos curriculares, organização escolar, recursos de apoio e dimensões comunitárias, assente numa escola que integra e articula princípios educativos, curriculares, pedagógicos, que convergem para a aprendizagem e para o bem estar socioemocional.
Plano 21|23 Escola+
➢ Os objetivos estratégicos do Plano 21|23 Escola+ são:
i) A recuperação das competências mais afetadas; ii) A diversificação das estratégias de ensino;
iii) O investimento no bem-estar social e emocional; iv) A confiança no sistema educativo;
v) O envolvimento de toda a comunidade educativa;
vi) A capacitação, através do reforço de recursos e meios;
vii) A monitorização, através da avaliação do impacto e eficiência das medidas.
➢ O Plano 21|23 Escola+ estrutura-se em três eixos de atuação, que agregam diferentes domínios de atuação, desenvolvendo-se em ações específicas:
Eixo 1: ensinar e aprender – medidas para que as escolas disponham de meios pedagógicos para um desenvolvimento curricular mais flexível, centrando-se no apoio aos alunos, sobretudo nos anos de escolaridade mais afetados pela pandemia.
▪ + Leitura e Escrita (As competências da leitura foram particularmente afetadas pela pandemia, conforme revelou o Estudo do IAVE. A leitura permite acesso a todas as aprendizagens. A escrita assume também um papel fundamental, conforme destacaram os vários auscultados.)
o Fomento da leitura orientada em sala de aula, com produção e disponibilização de materiais de apoio;
o Acesso livre a ferramentas digitais para aferição da competência leitora e materiais didáticos;
o Produção e disponibilização de recursos para a organização de oficinas de escrita;
o Reforço do orçamento das bibliotecas escolares.
▪ + Autonomia Curricular (Generalização das práticas previstas no âmbito da autonomia, centrando a decisão na escola e nos professores.)
o Possibilidade de organização do desenvolvimento das Aprendizagens Essenciais por ciclo de estudos, potenciando formas de articulação entre domínios e temas;
o Produção de roteiros de apoio a uma ação orientada para os anos de início de ciclo, e também para o 3.o ano de escolaridade, com particular atenção para o 1.o ano;
o Incremento da gestão flexível de turmas,; Produção de instrumentos práticos com sugestões de funcionamento das turmas, garantindo a sua heterogeneidade inerente;
o Produção de documentos específicos com vista ao alargamento da constituição de Equipas Educativas, que se materializa na constituição de conjuntos fixos de docentes para um conjunto partilhado de turmas, maximizando a possibilidade de um mesmo professor assegurar, na mesma turma, mais do que uma disciplina, com conselhos de turma mais pequenos;
o Instrumentos de apoio à implementação da medida que permite que um aluno que reprove numa ou mais disciplinas, mas transite de ano, possa frequentar aulas dessa(s) disciplina(s), do ano anterior;
oTodas as escolas poderão optar por promover um trabalho interdisciplinar, de aprendizagem a partir de problemas transversais, agregando componentes diversas do currículo, possibilidade até agora restrita aos Planos de Inovação;
o O Despacho do Calendário Escolar incluirá a possibilidade de organização semestral, dentro do mesmo município.
▪ + Recursos Educativos (Porque não basta confiar nas escolas e reforçar a sua autonomia, para garantir o êxito deste Plano, é fundamental dar + recursos educativos às escolas para alicerçar respostas.)
o Assumida a centralidade da ação precoce e dos anos de transição, recomenda-se às equipas de gestão das escolas a afetação dos recursos adicionais ao apoio ao 1.o ciclo (com especial atenção para o 3.o ano) e aos anos de transição de ciclo;
o #EstudoEmCasa Apoia – Depois do sucesso do #EstudoEmCasa, será desenvolvida uma plataforma de acesso livre com ferramentas de apoio para que os alunos possam ver as suas dúvidas respondidas, bem como instrumentos de apoio aos métodos de estudo autónomo, explicações sobre temas, fóruns e webinars. Os cerca de três mil blocos temáticos, produzidos ao longo destes dois anos, manter-se-ão disponíveis como repositório;
o Constituição de uma Biblioteca Digital de Recursos Educativos (onde se colijam os recursos disponibilizados ao longo deste período no site do Apoio às Escolas, e ainda novos recursos);
o Recuperar com Matemática – produção de materiais didáticos, no domínio da formação de professores de Matemática;
o Recuperar Experimentando – Alargamento da Rede de Clubes de Ciência Viva na Escola a todos os agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas;
o Recuperar com Artes e Humanidades – Desenvolvimento de um repertório de iniciativas, sob coordenação do Plano Nacional das Artes, integrando recursos específicos para recuperação e integração curricular;
o Recuperar Incluindo – Plano integrado de formação para as escolas, com vista a apoiar a ação e construção de instrumentos de atuação na escola inclusiva;
o Recuperar com o Digital – Instalação de Laboratórios de Educação Digital nos estabelecimentos de ensino básico e secundário;
o Criar valor com o Profissional – Criação de Centros de Especialização Tecnológica associados a uma nova geração de cursos profissionais;
o Voz dos Alunos – Produção de materiais de apoio ao desenvolvimento de processos de participação efetiva dos estudantes na vida da turma e da escola;
o O Orçamento Participativo das Escolas será temático nos próximos 2 anos – direcionado para a inclusão, desafiando os estudantes a apresentar propostas dirigidas sobretudo aos mais afeados pela pandemia.
▪ + Família (Criar instrumentos para a construção de um envolvimento parental mais eficaz, fomentando cooperação e capacitando as famílias.)
o Famílias mais perto – Desenvolvimento de recursos formativos e de apoio para professores e diretores de turma para divulgação junto das famílias, de forma a fomentar o trabalho cooperativo em prol dos alunos.
o Voltar a estudar – Com vista a elevar as qualificações dos encarregados de educação, será desenvolvido o QUALIFICA-MAPEE (Movimento Associativo dos Pais e Encarregados de Educação), elaborando-se protocolos de cooperação entre Centros Qualifica e Associações de Pais e Encarregados de Educação.
▪ + Avaliação e Diagnóstico (Porque os alunos se encontram em estádios diferenciados de desenvolvimento, é competência das escolas diagnosticar e aferir regularmente esses desempenhos, com vista à adequação das estratégias. Para tal é importante que disponham de instrumentos calibrados para o diagnóstico e avaliação.)
o Banco de instrumentos com vista a apoiar as escolas a diagnosticar dificuldades mais cedo, disponibilizados pelo Instituto de Avaliação Educativa, I.P. (IAVE);
o Continuidade e reforço do Projeto MAIA.
▪ + Inclusão e Bem-Estar
o Prorrogação do alargamento do apoio tutorial específico ao Ensino
Secundário, tendo como beneficiários os alunos do Básico e do
Secundário que não transitaram no ano letivo anterior;
o Formação às escolas para promoção de competências sociais e
emocionais, assente em metodologias e ações concretas;
o Alargamento dos Planos de Desenvolvimento Pessoal, Social e
Comunitário, a toda a rede escolar pública;
o Reforço adicional do crédito horário para as Equipas Multidisciplinares de
Apoio à Educação Inclusiva (EMAEI);
o Produção de materiais de apoio à diversificação de estratégias
pedagógicas para os alunos migrantes, privilegiando o reforço da imersão
para aprendizagem do português;
o Conjunto de iniciativas e recursos para a promoção da criação artística e
fruição estética e cultural (“O quarto período”);
o Desporto Escolar – Comunidades – iniciar programas para o envolvimento
de alunos, encarregados de educação e professores em atividades
desportivas, conjuntas;
o Desporto Escolar Sobre Rodas – Aquisição de bicicletas e capacetes para
projetos no âmbito do Desporto Escolar.
▪ + Território (Medidas para apoiar os municípios e outros agentes locais no desenvolvimento de ferramentas de inclusão e de promoção de melhores aprendizagens com e através da comunidade)
o Evolução para a fase 4 do Programa TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária), para responder às especificidades das escolas com elevado número de alunos migrantes;
o Bonificação do apoio ao movimento associativo e desportivo, em sede de candidatura, em função da apresentação projetos específicos de motivação e acompanhamento do percurso escolar de alunos com maiores dificuldades na escola ou em risco de exclusão.
Eixo 2: Apoiar as Comunidades Educativas – capacitar as escolas com recursos e meios para o desenvolvimento de medidas que permitam reforçar a capacidade de resposta, numa ação dirigida para a melhoria das aprendizagens, para a inclusão e para o envolvimento comunitário.
▪ + Equipas Qualificadas
o Reforço de docentes,
• Reforço do crédito horário;
• Alargamento das tutorias;
o Alargamento dos Planos de Desenvolvimento Pessoal, Social e
Comunitário, a toda a rede escolar pública;
o Reforço adicional do crédito horário para as Equipas Multidisciplinares de
Apoio à Educação Inclusiva (EMAEI);
o Abertura de 50 novas salas da educação pré-escolar, nos territórios onde
não haja oferta suficiente para garantir o acesso mais generalizado a partir dos 3 anos.
▪ + Formação
o Incremento da formação para pessoal docente e não docente nas áreas
críticas para o acompanhamento dos alunos no contexto da recuperação pós-pandemia.
▪ + Ensino Profissional (O ensino profissional tem-se revelado um dos principais instrumentos para a inclusão de todos os alunos. É provavelmente um dos mais profícuos meios para que a educação e desenvolvimento económico cooperem. Importa continuar a aprofundar esta rede.)
o InstalaçãodeCentrosdeEspecializaçãoTecnológicaparaamodernização do Ensino Profissional, em áreas de elevada intensidade tecnológica e com potencial para induzir uma economia de alto valor acrescentado;
o Disponibilização de recursos para melhorar os processos de orientação vocacional dos alunos.
▪ + Digital (A capacitação em literacia digital, de informação e dos media 9
constitui-se como objetivo deste Plano. Para tal serão mobilizados meios, ampliando-se o processo já iniciado em 2020.)
o Criação de uma Biblioteca Digital, que permitirá o acesso generalizado a livros, complementando o acervo das bibliotecas escolares;
o Continuidade da disponibilização de equipamentos digitais e kits de conectividade;
o Reforço da qualidade da internet nas escolas;
o Reforço dos equipamentos tecnológicos de apoio ao processo de ensino-
aprendizagem;
o Formação e capacitação digital dos professores e pessoal não docente.
Eixo 3: conhecer e avaliar – desenvolvimento de indicadores e instrumentos destinados à monitorização do Plano, promovendo a divulgação de estudos de eficiência, a partilha de práticas e a reavaliação das medidas adotadas. Só assim é possível aliar ao desenvolvimento de medidas, uma gestão racional de meios.
▪ + Dados (Produção de metas e divulgação regular de dados de execução)
▪ + Informação (Serão produzidas evidências e formas de divulgação de boas práticas)

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Governo apresenta Plano 21|23 Escola+: Investimento de mais de 900 milhões de euros para recuperação de aprendizagens

Governo apresenta Plano 21|23 Escola+: Investimento de mais de 900 milhões de euros para recuperação de aprendizagens

Reforço dos recursos humanos nas escolas, aposta na formação e capacitação do pessoal docente e não docente, incremento dos recursos digitais e apetrechamento das escolas em equipamentos e infraestruturas são os ingredientes desta receita cozinhada a várias mãos para a recuperação das aprendizagens e das competências mais afetadas pela pandemia.
O Plano 21|23 Escola+, que representa um investimento superior a 900 milhões de euros na escola pública, foi apresentado no Dia Mundial da Criança, pelo Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, numa sessão presidida pelo Primeiro-Ministro, António Costa.
«Ensinar e Aprender», «Apoiar as Comunidades Educativas» e «Conhecer e Avaliar» são os três grandes eixos do Plano 21|23 Escola+, que se norteia pelos pilares fundamentais do sucesso, da inclusão e da cidadania, alicerçado em políticas educativas com eficácia demonstrada ao nível do reforço da autonomia das escolas e das estratégias educativas diferenciadas dirigidas à promoção do sucesso escolar e, sobretudo, ao combate às desigualdades através da educação.
Para construir este Plano plurianual o Governo promoveu um conjunto alargado de auscultações e recolha de sugestões e criou um grupo de trabalho com a missão de apresentar sugestões e recomendações, com o objetivo de recuperar aprendizagens, procurando garantir que ninguém fica para trás.
Este Plano assenta na confiança no sistema educativo e promove, ainda, a diversificação das estratégias de ensino e o investimento no bem-estar social e emocional dos alunos, incentivando o envolvimento de toda a comunidade educativa.
O Plano 21|23 Escola+, com um horizonte de dois anos letivos, permitirá assumir opções futuras com sustentabilidade, e visa dar resposta aos impactos da pandemia da Covid-19 junto das crianças e jovens, ao nível da aprendizagem e do desenvolvimento psicopedagógico e motor.
Impactos que só não foram maiores graças ao esforço empreendido por todos os diretores, docentes e não docentes, bem como pelas inúmeras parcerias e apoios disponibilizados ao longo deste ano (em particular pelos municípios, pelas organizações não-governamentais e por várias instituições da sociedade civil).
Os recursos adicionais afetos ao Plano 21|23 Escola+ vêm somar-se às medidas estruturais de reforço, sistemático e sustentado, de recursos humanos e materiais de que as escolas têm beneficiado desde 2016.
Nos últimos cinco anos vincularam nos quadros do Ministério da Educação cerca de 9000 docentes, aos quais se juntarão 2400 no presente ano. Também o número de não docentes tem vindo a aumentar nas escolas públicas.
Na anterior legislatura foram contratados mais de 4000 assistentes operacionais, assistentes técnicos e técnicos especializados, e na presente legislatura ascende já a 8000 número de contratações e autorizações para contratação de pessoal não docente.

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Apresentação do Plano de Recuperação de Aprendizagens 21 | 23 Escola+ (direto)

 

 

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A qualidade do ensino público e o mundo digital

Por este caminho, só teremos professores em escolas com propinas elevadas onde os conteúdos digitais serão concebidos internamente para evitar os massificados.

A qualidade do ensino público e o mundo digital

Antes de mais, é notória a preocupação com a descida paulatina da qualidade do ensino público. E esta inquietação não tem uma resposta política efectiva. A conclusão baseia-se na manutenção dos seguintes domínios críticos da última década e meia: condições de realização do ensino, carreira e avaliação dos profissionais, gestão das escolas e forte tendência para sofisticar exaustivamente a administração de inutilidades. Mas a conclusão também se fundamenta no ideário governativo que, nesta fase, só racionaliza duas visões abordadas mais à frente: exames online — com um Plano de Transição Digital (PTD) que se receia transformável num plano quinquenal que conduzirá o ciberproletariado —; e o regresso às escolas e aos municípios da contratação dos professores.

Ainda como ponto prévio, recorde-se que os rankings provocam uma repetida discussão sobre a qualidade do ensino. E a propósito da qualidade, saudava-se, para lá dos preconceitos e dos dogmas, um debate mais actual, abrangente e virado para o futuro. Partia-se da eliminação (em 2018) de rankings em Singapura, um farol para Nuno Crato enquanto ministro. “Aprender não é uma competição” foi o lema. A mudança radical neste país cimeiro no PISA, e nos alunos top performers, incluiu todas as publicações com a posição de um aluno em relação a um grupo, como pautas de classificações e quadros de mérito académico. E se até a pequena e controversa Singapura se antecipou e reagiu ao bullying, à ansiedade excessiva, à descida do gosto pela escola, à subtracção do espaço gregário lúdico e corporal e à adição tecnológica, a nossa realidade exigiria um debate semelhante que interessaria à saúde e à qualidade dos ensinos público e privado.

E voltando às prioridades do Governo, os exames online e o PTD (que têm sustentação organizacional, embora o parque tecnológico esteja obsoleto) reforçam a ideia de que o mundo digital substituirá professores e disfarçará a inacção para contrariar a sua falta estrutural. Contratar-se-á guardadores precários e reforçar-se-á outra preocupação: a escola que contraria a sua diferenciação histórica e insubstituível, em relação à família e se transforma num espaço de mais ciberconflitualidade. E se se saúda a redução do abandono escolar, sabe-se que só há elevador social com ensino de qualidade.

Por este caminho, só teremos professores em escolas com propinas elevadas onde os conteúdos digitais serão concebidos internamente para evitar os massificados e prevenir a imprevisibilidade do final da história com a Inteligência Artificial (IA) que “será sobre máquinas, mas também sobre humanos”. E repita-se: aí, a dimensão das turmas será pedagógica e o currículo completo, as ciências e as letras estarão a par, a avaliação será contínua, exigente e sustentada na confiança nos professores e as regras disciplinares serão simples e “ancestrais”.

E é imperativa a reflexão sobre o percurso com a IA. Quem passou pelas livrarias, percebeu o súbito interesse por 1984 que George Orwell imaginou em 1949. No livro, e numa sociedade controlada por um partido totalitário, a personagem Winston Smith não seguia devidamente, porque tossia, a sessão matinal obrigatória de exercício físico proveniente do telecrã. Até que:
— Smith! — berrou a voz áspera do telecrã.
— 6079 W. Smith! Sim, você! Curve-se mais, se faz favor! Consegue fazer melhor do que isso. Não se está a esforçar. Mais, por favor! Assim está melhor, camarada! Agora, todos à vontade e olhem para mim.

Pois bem: os professores fornecem graciosamente a Google com documentação didáctica pronta a usar. E a Google, ou outra gigante tecnológica, aglutinará o mundo digital escolar e até as editoras de manuais com ligações que inscreverão a pegada digital dos professores e calendarizarão as suas tarefas. Em breve, a IA avaliará os professores ocupando vagas e cotas com Classroom InfluencersYoutubers Ciber Entertainers. Até que chegará o dia em que “berrará a voz áspera do telecrã”.

O outro objectivo é o regresso da contratação local de professores. A memória mais recente desse processo desastroso data do tempo da troika. Foi eliminado de imediato no primeiro Governo de António Costa. Recorde-se: há muito que existem meios digitais para que os concursos por lista graduada sejam um não-assunto de exemplares transparência e eficiência. Só falta vontade política. O poder central quer livrar-se dos concursos de professores, mas ao fazê-lo em simultaneidade com a municipalização agrava o temor de um regime de clientelismo e facilita a precarização. É uma pena. É que os meios serão ainda mais simplificados e velozes no universo 5G e dispensarão os procedimentos de gestão de grande parte das autarquias.

Para além disso, será despesista ter 308 centros de concursos quando um seria moderno e adequado à dimensão do país. E o argumento da selecção do perfil dos professores tem tanto de atávico como de revelador. Por regra, o ensino público não deve excluir alunos, professores e restantes profissionais. Deve elevar as organizações. É a sua natureza. A inclusão é uma pedagogia, e um exemplo, que se destina a todos. É obrigatório organizar as instituições com professores e outros profissionais contratados por concursos públicos confiáveis.

Caminhamos para escolas digitais de massas que certificarão a população, enquanto as de propinas elevadas ensinarão e formarão os que dirigirão a sociedade. Dá ideia que nos conformámos com a descida de qualidade do ensino público e da própria democracia.

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Diretores contra escolas de verão e regras nacionais do plano de recuperação

Diretores contra escolas de verão e regras nacionais do plano de recuperação

Governo apresenta, esta terça-feira, o plano de recuperação das aprendizagens para os próximos dois anos.

O Governo apresenta, esta terça-feira, o prometido plano de recuperação das aprendizagens, que deve ser aplicado até 2023. Os diretores, garantem os presidentes das duas associações (ANDAEP e ANDE), estão contra regras nacionais e uniformizadas para todas as escolas. E pedem autonomia e recursos para cada agrupamento aplicar o seu plano.

Nem escolas de verão nem um calendário prolongado como o de este ano. “Professores e alunos estão exaustos”, frisa Filinto Lima. Na audição com o ministro e secretário de Estado Adjunto, o presidente da Associação de Diretores (ANDAEP) garante ao JN que defendeu o reforço dos recursos humanos – mais professores e mais técnicos especializados, como psicólogos ou terapeutas, fundamentais para a recuperação dos alunos. O 1.º Ciclo deve ser um alvo prioritário.

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