12 de Junho de 2021 archive

O Diretor Plágio

O Diretor Plágio

 

Recebemos mais um exemplo para reforçar a convicção da necessidade de repensar o modelo de eleição do Diretor.

O atual diretor copiou a maior parte do Projeto de Intervenção, confessou e, mesmo assim, foi eleito.

O caso é ainda mais insólito se tivermos em consideração que o Aviso com o regulamento deste procedimento concursal em concreto, tem inscrito num dos seus pontos, sob pena de exclusão, que os projetos de intervenção a apresentar são obrigados a ter “conteúdo original”.

Como podemos ver neste caso e temos visto noutros, há muitos Conselhos Gerais que para elegerem o candidato que querem são capazes das maiores atrocidades, ultrapassando leis e regulamentos, numa verdadeira roda livre em que a justiça e a legalidade têm muito pouco valor.

O caso deste Agrupamento de Escolas é paradigmático.

Ao que parece o Conselho Geral desse Agrupamento, que conduziu o processo de eleição do Diretor, concluído na passada sexta-feira, de forma bastante original, em que a falta de originalidade do projeto de intervenção do atual Diretor é só a questão mais grave.

O próprio Diretor terá admitido em reunião do Conselho Geral que copiou a maior parte do seu Projeto de Intervenção, tendo-se justificado com “falta de tempo” para não ter feito um projeto original. Sabe-se, no entanto, que o Projeto de Intervenção desse Diretor tem trinta e tal páginas e também se sabe que o Aviso que regulamenta o concurso não estipula número mínimo de páginas para os projetos. Com estes dois dados em cima da mesa, quem é que acredita que demora menos tempo a copiar da internet, a colar e a encaixar trinta e tal páginas do que a escrever três ou quatro páginas originais? Se a sua vida familiar o impede de fazer um projeto original, não impedirá de dirigir um Agrupamento de Escolas? A justificação não pode ser a falta de tempo. Tem de ser outra… mas a verdade deve ser inconfessável, caso contrário já teria sido usada.

No Agrupamento o que se diz é que o Diretor “só copiou uma ou outra ideia”, mas, pelos vistos, o outro candidato, derrotado na sexta-feira, terá entregue documentação ao Conselho Geral que prova a falta de originalidade do projeto de intervenção do Diretor, que, ao que parece, começa no próprio título do projeto, percorre todas as páginas e só termina na conclusão.

Neste como noutros casos, para além das questões legais, há as questões éticas e morais. Então o Diretor de um Agrupamento, onde crianças de 10, 12 ou 14 anos têm testes e trabalhos anulados por copiarem ou, às vezes, só pela tentativa de copiarem, pode, com a bênção do Conselho Geral copiar à vontade, contra o regulamento, e ainda recebe o prémio de ser eleito? Será que todos os alunos deste  Agrupamento de Escolas vão poder copiar à vontade nos trabalhos e nos testes, a partir de agora, uma vez que o seu Diretor foi apanhado a copiar, confessou e no final teve direito a prémio? Será que os senhores professores que estão no Conselho Geral e que premiaram o Diretor com a reeleição vão também premiar com as melhores notas os alunos que apanharem a copiar? O que estão este Conselho Geral e este Diretor de Agrupamento a ensinar aos seus alunos: que as normas não são para cumprir, que os regulamentos são só para aplicar aos outros ou quando nos são favoráveis, que se pode infringir a lei se tivermos uma desculpa, boa ou má?

Aqui fica, assim, o registo de mais um caso que nos impõe a todos uma reflexão muito séria sobre o atual modelo de gestão, que vai asfixiando a democracia nas nossas escolas, e sobre o atual modelo de eleição dos Diretores que, como mais uma vez se prova, é facilmente manipulável por uma ou duas mãos cheias de conselheiros.

João Carlos Fonseca

Nota: o título deste artigo é uma liberdade artística do autor.

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Ninguém lhe Oferece um Par de Patins?

Pura e simplesmente vergonhoso…

SIC Notícias | Câmara de Lisboa pode vir a pagar multa milionária pelo envio de dados à embaixada russa

Site da CML compromete Medina

E se fossem enganar o cagado?

PS culpa leis desactualizadas pelo caso dos activistas russos e diz que vai mudar a lei | PS | PÚBLICO

PS:

A boa leitura de sempre do melhor Cronista do Reino:

Agoram Imaginem… | O Meu Quintal

 

A mentira tem perna curta:

Câmara de Lisboa enviou dados de manifestantes pró-Palestina à Embaixada de Israel em 2019? – Polígrafo

Expresso | Medina disse que envio de dados só quando protestos se realizam junto às embaixadas. Mas foram enviados dados em manifs longe das embaixadas

 

Se dúvidas existissem…:

(…)

O que aconteceu no caso dos ativistas russos que se manifestaram em Lisboa é uma quebra grave da lei da proteção de dados?
Três ativistas russos decidiram organizar uma manifestação em prol da libertação do ativista russo Alexey Navalny em clara oposição ao regime de Vladimir Putin. O decreto-lei 406/74, de 29 de agosto que define e regulamenta o direito de reunião exige um aviso por escrito com a antecedência mínima de dois dias úteis ao governador civil do distrito ou o presidente da câmara municipal (atualmente e desde 2011, apenas ao Presidente da Câmara), conforme o local da aglomeração se situe ou não na capital do distrito. Este aviso deve ser assinado por três dos promotores devidamente identificados pelo nome, profissão e morada ou, tratando-se de associações, pelas respectivas direções. A Câmara de Lisboa, no seguimento desta comunicação, ao enviar uma comunicação eletrónica ao Ministério da Administração Interna e à Polícia de Segurança Pública deu conhecimento à Embaixada Russa que é território Russo. A Câmara Municipal, por ocasião desta lei, além de comunicar a existência de uma manifestação às portas da Embaixada ou outros organismos, partilhou os respetivos dados pessoais identificativos dos organizadores, quando da lei não resulta expressamente o envio desses mesmos dados em concreto.

Não há então justificação possível.
Nada justifica a quebra do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, uma vez que este exige, para que se possa efetuar um tratamento de dados pessoais, uma base legal e o respeito pelo princípio da finalidade. No caso, poderíamos estar perante o cumprimento de uma obrigação legal, ou interesse público, mas a mesma se verifica dado que o decreto-lei de 1974 não prevê a transferência de dados em concreto dos organizadores da manifestação, nem tão pouco a divulgação comporta qualquer proporcionalidade face aos objetivos em causa nos termos do interesse público, previstos como excepção nos termos do artº 9º nº2 alínea g).
O regulamento de aplicação direta e imediata no ordenamento jurídico nacional e o seu incumprimento leva à aplicação de coimas pesadas, cada uma até € 20.000.000 (vinte milhões de euros) bem como, a aplicação de penas de prisão até 2 anos sobre pessoas singulares. (…)

Fonte: ″Nada justifica a quebra da Proteção de Dados″ e pode haver ″responsabilidade criminal″

 

Claro que já enviaram – enganam quem?

Embaixada da Rússia diz que não enviou dados de manifestantes a Moscovo | Diplomacia | PÚBLICO

Mas Portugal protege alguém?

“Não vai ser fácil Portugal proteger-nos”, diz ativista russo

Pensamento dos marmanjos – “E que tal ficarmos caladinhos e quietinhos? Ninguém dá por nada…”:

Expresso | Governo já sabe desde março que a Câmara de Lisboa partilhou dados pessoais de ativistas com a Rússia

Governo sabia das queixas dos ativistas anti-Putin há três meses – Observador

 

E já faltava cá este a fazer dos outros parvos:

Marcelo e a partilha de dados com a Rússia: “Se é preciso alterar uma lei do passado, altere-se” – ECO

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Deixemo-nos de “palmadas” ….. Luís S. Braga

 

Anda por aí um discurso, que gerou polémica, e que tenta dizer que Salazar foi eficaz a gerir a educação.

A discussão está centrada no ensino básico. Tem as suas nuances, mas não há “palmada” que me convença que escolaridade de 3 anos e turmas em salas “só” com 70 alunos é escolarizar bem. E sem sequer ir comparar com outros países…..

O Senhor Professor Doutor Palma devia aproveitar, que ainda há gente viva, e falar com uns professores primários dos anos 40 e 50, para moderar a sua visão limitada do “Salazar grande educador”. Eu tive a sorte de ser criado por alguns e ter falado com dezenas.
E, mesmo só no ângulo da escolaridade básica, numa visão de ler e escrever e contar, no fim, ficar com uns 25% de analfabetos, numa Europa quase sem eles, não é resultado que se apresente como valoroso ou venturoso ao fim de 40 anos.

Por exemplo, tinha graça, até numa comparação, com interesse para analisar o presente, o Doutor Palma comparar o analfabetismo da Polónia ou República Checa com o português dos anos 70…..
Quem gaba o resultado educativo do Salazarismo devia ter vergonha da lata.

Por exemplo, comparemos a frequência do secundário e nem precisa de ser com o estrangeiro: Portugal, em 1961 e depois….

E não falemos dos alunos que só faziam exame para admissão ao Liceu ou da 4a classe, porque os professores pediam aos pais ou ao cacique local ou ofereciam os sapatos. Ou do conteúdo dos programas. Ou do recuo da escolaridade obrigatória legal de 4 para 3 anos.

Salazar fez muitas escolas primárias. Sim, e? Já sabíamos e ele fez muita propaganda disso.

Saberá o Doutor Palma como os professores trabalhavam? E como era a escolarização? Saberá o Doutor Palma o que foi uma regente escolar ou o que foi a entronização do crucifixo nas escolas?
A História sem pessoas dentro, não é História, é manipulação.

E sim, sou mero licenciado em História, mas os estudos, antes e depois, não me queimaram os neurónios da sensatez. E, pelo meio, fiz uns estudos sobre educação e muito trabalho nela que me fazem perceber que uma escola não são só as paredes.

Compreende-se que as aparentes opções políticas do Doutor Palma o façam gostar de argumentos de autoridade, mas a realidade não se conforma aos títulos académicos. É ou foi…. E pouco se rala com doutorices.

Por isso: em síntese, Salazar prejudicou o progresso de Portugal, porque geriu mal e atrasou o progresso educativo seja qual for o padrão, comparando com o estrangeiro ou com Portugal depois.
Só em Democracia se recuperou o atraso e foi complexo por causa de outros problemas que o Salazarismo deixou.

Na educação, no tempo de Salazar não foi nada bom. Lamento, Doutor Palma, não tem razão.

 

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