22 de Junho de 2021 archive

Listas Definitivas do Concurso Externo do concurso do pessoal docente da RAM 2021/2022.

 

Listas Definitivas do Concurso Externo do concurso do pessoal docente da RAM 2021/2022.

 

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Nasce uma nova Revista Digital de Educação – EDUCATIVA

É com muita honra que anunciamos o “nascimento” de uma nova Revista Digital de Educação – Educativa. Fazem falta este tipo de edições ao mundo educativo. Uma revista que reflete e pensa de forma plural a educação. Parabéns pelo projeto! Carregue na imagem para aceder diretamente à revista e boas leituras!


Somos 3 professoras a lecionar no 1º Ciclo e é com imensa satisfação que lançamos o primeiro número da revista EduC@tiva cuja missão visa a partilha e publicação de artigos escritos por profissionais da Educação sobre as suas práticas, ideias, reflexões e/ou desabafos.
Mais do que nunca a escola deve proporcionar aos alunos a tomada de consciência das suas aptidões e encontrar forma de potenciar as mesmas. Desde cedo não só devem ser trabalhados os conhecimentos mas competências sociais, relacionais e emocionais urgem ser desenvolvidas nas nossas escolas pois o ensino não pode ser uma mera formatação e treino para exames e rankings.

É também com este intuito que gostaríamos que todos se consigam rever na Educ@tiva e possam contribuir para que este projeto possa inspirar os que estão a começar.
Esta publicação é bimestral e todos os artigos são da inteira responsabilidade dos seus autores.
Deixamos um agradecimento a todos os que tornaram este projeto possível aceitando o convite para a escrita dos artigos desta primeira edição.
Temos a certeza que a Educ@tiva, mais do que um projeto de 3 professoras, será um projeto DE E PARA TODOS.

A equipa da Educ@tiva
Ana Monteiro Pais, Daniela Vieira, Raquel Janeiro e Sílvia Valério

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Era manual versus Era digital – Carlos Santos

Até há anos atrás, nos concursos de professores, (épocas idas em que os boletins eram em papel) a análise/seleção era feita manualmente por pessoas e os resultados saem tardiamente.

Atualmente, nos concursos de professores, (na época digital) a análise/seleção é feita em pouco tempo por computadores e os resultados saem tardiamente.

Porque será?

Parece-me perverso que numa era informatizada em que computadores levam apenas algumas horas a processar os boletins de concursos dos professores, seja preciso esperar meses pelos resultados. Da pessoazinha que ministra a pasta da Educação, nada se sabe… deverá ser encontrada algures por aí em algum estádio da bola.

Mas este modus operandi, nada mais é do que uma mera prática de desgaste emocional, intencionalmente aplicada à classe docente, procurando causar-lhe excesso de ansiedade e de expectativa (quase sempre frustrada) para consumir os professores acabando com o pouco poder de resiliência que ainda têm.
Uma técnica de tortura psicológica que, a juntar ao cardápio que se tem acumulado ao longo dos últimos anos, contribui para o estado de elevado desgaste e bournout de uma classe que tem vindo a ser muito maltratada.

Se a esta etapa dos concursos juntarmos a publicação das listas de colocação da fase de mobilidade interna, que durante décadas tem saído apenas no final de agosto, obrigando professores e filhos a partirem de malas e bagagens para longe – onde ainda terão de procurar casa ou quarto, escola para os filhos e reorganizar as suas vidas – conseguimos perceber a falta de humanidade, de decência e de respeito com que nos têm tratado. Noutros países, os resultados saem nos primeiros dias de agosto, para que os professores possam ter umas férias descansadas. Por aqui, como fica claro, prevalece a desconsideração.
Gente que tem tratado deste modo os seus professores, não merece respeito.

Lamento ter de dizer isto, mas a nossa classe política, ao longo de décadas, tem demonstrado ser do mais medíocre que existe, tratando os professores e as respetivas famílias de forma desumana e humilhante.
Distribuíram manuais gratuitos e computadores para comprar pais e alunos (e, infelizmente, também alguns professores), e a classe profissional mais respeitada nos países evoluídos, neste canto, continua a ter trato abaixo de cão (com o imenso respeito que os canídeos me merecem).

Mas nada disto me espanta numa sociedade que, nos nossos dias, revela mais admiração por um pedante inútil, um mentiroso engalanado ou um corrupto aperaltado, do que por um detentor do conhecimento que vai resistindo como uma vela na escuridão.
Mas, enfim, o povo (e alguns professores) também se põe a jeito e deixa-se manipular facilmente em qualquer barata celebração da ignorância.
Lamento desapontar quem esperava que algo mudasse, mas com estadistas que se ocupam em promover a felicidade desta população ingénua com doses industriais de bola para a manter absorta – a qual não se importa em ser eternamente remediada e enganada – não é possível almejar nenhuma mudança para melhor para a classe docente.

Carlos Santos

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A RECUPERAÇÃO DAS APRENDIZAGENS NÃO NASCEU ONTEM – João Costa

“Um exercício de boas contas sobre o investimento português na recuperação das aprendizagens não começa no dia em que os especialistas em contas descobrem que as desigualdades existem.
O Governo e as escolas não precisaram de um vírus para descobrir as desigualdades.”

A RECUPERAÇÃO DAS APRENDIZAGENS NÃO NASCEU ONTEM

O Governo apresentou, no passado dia 1 de junho, o Plano 21|23 Escola+, enquanto estratégia de atuação para um investimento na mitigação dos efeitos da pandemia nas aprendizagens dos alunos, no seu bem estar emocional e no combate às desigualdades que se agravaram não apenas durante os períodos de confinamento e encerramento das escolas, mas durante toda a duração desta etapa em que a escola funcionou num contexto de incerteza, por trás de máscaras, com restrições e dificuldades.

Os alunos em risco de insucesso viram a sua vulnerabilidade aumentada.

Se em 2020 fomos apanhados de surpresa, 2020/2021 foi um ano letivo preparado com tempo, com orientações precisas divulgadas antes do verão, com afetação de recursos adicionais para a recuperação das aprendizagens e para o apoio aos alunos. Crucialmente, previu-se a manutenção do regime presencial para todos os alunos que, por qualquer circunstância, a escola sinalizasse como em risco de exclusão na modalidade à distância.

Também agora, com o tempo da preparação, da recolha de dados e de evidências, com ponderação e com perspetiva de sustentabilidade imediata e futura das medidas, o Plano 21|23 Escola+ permite um planeamento atempado e acompanhado dos próximos anos letivos, sem arrivismos ou soluções dos franchisings educativos que, sem nunca terem visto um aluno ou uma escola, tudo prometem resolver em poucas semanas. Com a humildade necessária a quem propõe ação em tempo de incerteza, o plano apresentado inclui medidas pedagógicas, de eficácia atestada, assentes na confiança nas escolas e nos seus profissionais, num exercício de autonomia sem precedentes na história da escola pública. Contempla ainda medidas de capacitação dos profissionais, de aquisição de recursos para a deteção de dificuldades e intervenção em domínios específicos (leitura e escrita, matemática e ciências experimentais, artes e humanidades), expande os apoios para novas realidades territoriais, com uma atenção especial às populações migrantes, infraestrutura as escolas públicas com equipamentos, rede, livros, recursos digitais e tecnológicos que se colocam ao serviço das aprendizagens.

É no mínimo estranho que haja comentadores que, enviesados pelas suas próprias análises e pela visão, necessária mas restrita, da economia da educação, façam leituras apressadas deste Plano e tentem desmerecê-lo, porque não encaixa nas suas próprias propostas. Percebe-se que uma oposição bastante vazia de contributos, como evidenciado pela bancada do PSD no debate na Assembleia da República no dia 8 de junho, proclame a alegada vagueza das medidas. Felizmente, o próprio PSD se esclareceu a si próprio, fazendo as contas às dezenas de propostas apresentadas. O PSD confunde liberdade de atuação das escolas com vagueza, ocultando que essa mesma liberdade nunca foi rotulada depreciativamente quando esse mesmo partido a reservava para o setor privado. Afinal, porque tem o PSD medo da autonomia das escolas? Mais precisamente, porque só tem medo da autonomia das escolas públicas?

Já é menos compreensível que, sob o manto da análise académica, se repitam chavões que, se não proviessem de especialistas com provas dadas, se pensaria que eram também afirmações de manifesto partidário.

Em artigos de opinião ou nos tweets de alguns académicos, repete-se há meses que o Governo português, ao contrário de outros, começou tarde, não fez nada, não preparou. Ignora as medidas de acompanhamento às escolas e os recursos produzidos para apoio aos alunos que se começaram a disponibilizar desde 15 de março de 2020, bem como o investimento em recursos que foi feito desde setembro. Mais grave, desconsidera que, fazendo apenas as contas ao período entre 2015 e 2019, as escolas portuguesas têm um aumento de cerca de 6100 professores, de mais de 500 psicólogos e outros técnicos.

Porque foi esse o período em que se implementaram medidas estruturais para o combate à pobreza em contexto educativo (com a criação de mais um escalão ASE, com distribuição de refeições nas férias ou com a gratuitidade dos manuais escolares) e para a melhoria das aprendizagens, como o Apoio Tutorial Específico, para acompanhamento a pequenos grupos de alunos, o reforço de crédito horário para escolas TEIP, aliados a um trabalho de profundidade sobre o currículo português e sobre a inovação pedagógica ao serviço das aprendizagens e da inclusão. Tudo isto antes de haver pandemia.

Um exercício de boas contas sobre o investimento português na recuperação das aprendizagens não começa no dia em que os especialistas em contas descobrem que as desigualdades existem. O Governo e as escolas não precisaram de um vírus para descobrir as desigualdades. O combate à pobreza em educação é um caminho de vários passos que têm gerado melhores resultados. Assim, o exercício económico poderia ter em conta as seguintes variáveis: qual o investimento público no reforço de professores em tutorias, desde 2016/2017, qual o investimento público no Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, qual o investimento público no alargamento do crédito horário para agrupamentos TEIP, qual a tradução em resultados no facto de todas as escolas disporem de uma bolsa de 7 a 11 horas semanais por turma para o trabalho de acompanhamento aos alunos, qual o investimento público no programa Escolhas, qual o investimento público no reforço de técnicos.

O argumento martelado de que o Reino Unido investiu muito mais em tutorias do que Portugal esconde duas dimensões fundamentais: o facto de termos iniciado o trabalho de tutorias e mentorias há bastante tempo; o facto de a solução do Reino Unido se ter traduzido num enorme outsorcing a empresas externas às escolas dos alunos, grande parte delas sem qualquer experiência em matéria educativa e com custos suportados apenas parcelarmente pelo estado. Por cá, sabemos que os professores, nas suas escolas, em parceria com os técnicos e as comunidades, têm formação e competência para acompanhar os alunos. E esse é o investimento continuado e agora reforçado em que apostamos. Sem copy-paste de outros, sem gráficos em que se intersecionam valores absolutos com percentagens, sem pensar que só comprando serviços externos é que a escola pública é capaz.

João Costa

Secretário de Estado Adjunto e da Educação

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