Todos os dias, pelo menos duas vezes, assistimos à romaria de pais que tentam a todo o custo entrar com os carros pelos portões das escolas dos seus filhos. Não chega levar as crianças à escola de carro, é necessário deixá-las a não mais do que meio metro do portão. Estes carros amontoam-se nas imediações das escolas, estacionam em segunda e terceira fila, param à vez na frente da escola, esperam que a criança saia, se despeça, feche a porta, aperte o casaco e entre no edifício. Só depois arrancam, para outro carro, logo atrás, repetir a proeza.
Por que não levar o carro para dentro da escola?
Falamos hoje da dificuldade que muitos pais sentem em potenciar a autonomia dos seus filhos, persistindo em práticas educativas que os infantilizam e impedem de crescer de uma forma saudável. Pais que protegem de uma forma excessiva e que acabam por reforçar a imaturidade e os comportamentos de dependência nas crianças.
Será que estes padrões parentais facilitam um processo de crescimento saudável? A resposta é “não”
Para crescerem de uma forma ajustada, as crianças precisam sentir segurança nos laços afetivos que estabeleceram com as suas figuras cuidadoras. E é esta mesma segurança que lhes permite depois, de forma gradual, explorar o mundo à sua volta. Significa isto que a criança deve ser incentivada a descobrir o meio que a rodeia, confrontando-se com novas situações que a desafiem. Porque é este desafio que as ajuda a pensar de uma forma divergente e a encontrar novas formas de resolver problemas, aprendendo também com os erros e as dificuldades.
Olhamos à nossa volta e vemos crianças que crescem numa redoma de vidro.
Não podem subir a uma árvore porque podem cair e magoar-se.
Não podem atravessar a estrada porque podem ser atropeladas.
Não podem ir a pé para a escola porque está frio e chuva.
Não podem fazer tarefas domésticas porque podem cansar-se.
Não podem fazer compras simples porque podem ser roubadas.
Não podem brincar na rua porque podem ser raptadas.
Mas podem passar dias e noites fechadas no quarto agarradas a um écran, que mais não é do que uma sensação de (falsa) segurança para os pais.
As crianças que crescem desta forma experienciam frequentemente medo e ansiedade perante situações novas e desafiantes, sentem maior medo de errar (e por isso nem tentam) e podem interiorizar a ideia de que não têm recursos internos para lidar com um mundo que acreditam ser perigoso.
Desconstruir estas crenças não é fácil e é, por isso, tão importante que, desde cedo, os pais e outros cuidadores promovam a autonomia e a independência das crianças, incentivando comportamentos de descoberta, aventura e ousadia. Queremos crianças protegidas mas não em demasia, arrojadas e que ousem arriscar e tentar ir mais longe.




9 comentários
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Bom dia. Se as crianças são como são, é devido a os pais serem assim. Os professores que se restrinja a ensinar. Penaqe não os possam avaliar com verdade. A fraude Reina. Assim se deforma a geração mais deformada deste Paísinho. O que interessa são números para estatística. Vejam se os filhos da classe política e afins estão desempregados. Ou se assistência médica, ou ainda a nascer em ambulâncias.
Mas o povo é isto que quer. Estudar a sério não. A escola foi transformada em depósito e os pais aplaudem. Não se queixem. De que se queixariam?
Nem mais…
Ja estive numa escola com a básica lá dentro. As mães entravam na sala e davam a bananinha ao filho na boca enquanto as aulas não começavam.
Os ocidentais nas últimas 2 décadas colocaram as crianças no centro das suas vidas. Porque só podem ter poucas. Então fazem delas o centro das suas atenções.
E as escolas foram permeáveis a isso.
Os pais controlam os filhos e controlam a escola no pior sentido.
Os culpados somos nós, os professores. Pusemo nos de cócoras. Abdicamos da nossa ciência e saber técnico . Despojámo nos de tudo em nome da transparência.
Agora não nos respeitam. Fazem queixa de nós e até nos batem.
Ponham a mão na consciência, diretores e professores acólitos das direções. Tornaram se servis. E tornaram nos servos dos pais.
Pusemo-nos de cócoras, não!
Quem nos pôs foram os governos abrileiros que deram aos pais o poder de fazer tudo o que querem na escola.
Até deram o poder às mães do putexx português de poderem dar umas castadas no lombo d@s professor@s, nos dias em que andam mais excitadas!
É lamentável que se defenda aqui a brincadeira na rua por parte das crianças. Isso era no tempo do fascismo. Queremos regressar si fascismo? A um tempo em que não havia sequer Internet? As crianças devem está em casa, a ver televisão ou na Internet. E na escola há que aprender e interiorizar os valores de Abril. Chega bem, para serem homens e mulheres e não binários de amanhã!
Ao fascismo/estar em casa.
Quando levares umas castadas no lombo por parte da saga do putexx português, pode ser que mudes algumas ideias.
Eh companheiro, aqui estou
Aqui estou pra te falar
Prá escola todos os dias eu vou
Pra no lombo apanhar
Eh companheiro, eu falo
Eu falo do coração
Já me acostumei à cor
Da nódoa negra solidão
Já o preto que vai bem, já o branco ainda não
E o cigano pontapeia-me no chão
Este texto devia ter a sua origem. Foi publicado no diário de notícias, hoje, por Rute Agulhas.
O seu a seu dono.