Muita gente me tem feito telefonemas e mandado mensagens por causa do concurso e mormente da Vinculação dinâmica.
Tenho gosto em atender as pessoas que acham que possa ter algo a dizer para as ajudar.
Dá-me satisfação sentir o apreço delas dessa forma.
Mas tenho a sensação que muitos ficam desiludidos. A minha forma de pensar tende a desiludir.
Um dos maiores defeitos que tenho é uma certa dureza racional que me faz ser um bocado seco nas respostas.
Não me considero má pessoa mas, numa crise, olho numa lógica de risco.
Assim em pontos:
A. Nível geral
1. Não estaríamos assim se tivéssemos arriscado mais nas greves (3 dias seguidos de greve total). O governo não teria feito estas habilidades. Isto é a minha “introdução ralhete”.
2. Marcelo promulgou porque teria de enfrentar o circo mediático do Governo a dizer falsamente que não promulgar seria prejudicar 8 mil professores que não vinculavam. Não era verdade, mas ele sabe e sinalizou aos profs….lutem para prevenir o próximo ano.
3. Ao promulgar, Marcelo lançou o presente e futuro caminho de luta: disse que, para o ano, não podem ser obrigados a concorrer a nível nacional. Logo, isso significa mais luta e reivindicações de mudança da lei.
4. As vagas abertas este ano para Vinculação são um engodo falso. Ponto. Não querem dizer nada sobre o futuro. O tal concurso a nível nacional, que ē preciso lutar para evitar (ou mitigar nos seus efeitos) é que vai selar destinos.
5. Como os quantitativos foram inchados, não vai haver depois vagas para contratados e mobilidades entre QZP. E a redistribuição dos QZP velhos para os novos vai ter efeitos imprevistos, até para quem está neles (e não em mobilidade) por causa dos mapas feitos às 3 pancadas (estive a ver alguns casos e fizeram-me lembrar a “ignóbil porcaria” – ver DR. Google)
5. As boas noticias é que o futuro é nosso. A falta de professores vai ser avassaladora (mais vagas) e o concurso ē anual (há esperança anual de correcção de enganos).
B. Nível individual
1. Cada um deve analisar as suas hipóteses olhando para a sua graduação e a verificando a origem e colocação dos que estão à sua frente (são horas de pesquisa, mas pode dar frutos)
2. Devem pensar que as vagas virtuais e de engodo deste ano estão inchadas e este ano dá Norte com os 30% a mais que lá meteram face ao que seria lógico. Mas para os últimos 30%, com a batota previsível no ano que vem dá quase certamente sul e algarve no ano seguinte e sem remissão.
3. Concorrer pode dar desterro, mas não concorrer pode dar desemprego (vai haver menos horários para contratação, diluidos que estão nas vagas inchadas). Vai haver substituições e incompletos (e quem quer trabalhar tem de estar atento a como concorre aí). E não se esqueçam da novidade do conselho de diretores.
4. A decisão implica falar com a família e combinar um prazo para o risco. Eu sou um otimista e acho que em 2 ou 3 anos isto tudo vai melhorar (o futuro é nosso com a falta de professores), mas os próximos anos vão ser de ajuste que será anual. Quem quiser estar no sistema tem de olhar a esta dinâmica.
E não digo mais nada como conselho. E sei que não foram grande coisa.
A decisão é muito das circunstâncias de cada um.
E isso é chato de dizer a quem pede conselhos.
Há mesmo uma forte componente de risco individual, que só o conhecimento pleno das circunstâncias particulares de cada um permite medir.
Mas ponderem bem, avaliem com racionalidade.
Tenho aprendido nos últimos tempos que o arrependimento de não fazer é a pior emoção possível.
Poder fazer e não ter feito, por não ter ponderado bem e julgar que podia emendar depois.
O que fizerem neste caso tem mesmo peso e não devem ter a atitude “seja o que Deus quiser”.
Decidam o que decidam, ponderem bem o risco de não fazer. Têm muitos dias e não há nada pior do que conviver com decisões para a vida toda e arrepender-se de não ter refletido bem.
E seja como for, quando forem chamados à luta pensem nisto: se tivéssemos feito uma greve total de 3 dias talvez o governo não tivesse lata de vos causar estas escolhas diabólicas.
E, agora, quando estivermos a lutar para, entre outras coisas, acabar com o concurso obrigatório a todo o pais, temos pela frente um governo bem mais fraco que o que existia em dezembro.
E com um presidente que disse ao que vinha e apoiará o barulho que fizermos.
Luís Sottomaior Braga




9 comentários
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PQ diz que 3 dias de greve teriam mudado algo?
Não creio.
Temos de atuar de outra forma. Uma forma mais séc. XXI. SeOnde o marketing, o clickbyte, as estruturas inorgânicas tem mais poder. Sindicalismo do séc xx é perpetuar o status quo
Caro Luís,
Esta decisão da VD… está a esmagar-me o peito!
Literalmente!
Não me parece que vá haver falta de professores. As faltas serão supridas por estrangeiros, que não fazem greves nem manifestações nem dão dores de cabeça ao governo. Aliás, já há muitos a lecionar nas escolas portuguesas.
O futuro da escola portuguesa vai passar, em parte, pelos professores brasileiros.
https://oglobo.globo.com/blogs/portugal-giro/post/2023/03/aumenta-numero-de-professores-brasileiros-em-universidades-de-portugal.ghtml
Luís Braga, por favor… Já o pedi anteriormente, mas não fui atendida por nenhum de vós… Façam um artigo onde elucidem os potenciais candidatos à vinculação dinâmica sobre as consequências de uma não aceitação da colocação obtida (este ano e no próximo). Ainda não vi nada sobre isto e o Dec-lei não é (intencionalmente) claro sobre esta matéria… Outra coisa… Sempre ouvi dizer que este ano os vinculados ficariam colocados no QZP onde lecionam atualmente, mas não vejo isso escrito no Dec-lei… Afinal, já em 2023, corremos o risco de ficar num QZP diferente daquele em que estamos colocados este ano? Se nos conseguir elucidar nestas questões, agradeço muito. Mais do que conselhos, peço informações concretas, para decidir em plena consciência.
“Sempre ouvi dizer que este ano os vinculados ficariam colocados no QZP onde lecionam atualmente, mas não vejo isso escrito no Dec-lei…”
Isso já está está mais que visto que foi outra grande mentira… É só analisar as vagas…
Perdi-me logo no primeiro ponto…porque concordo com ele a 200%!Fiz (algumas) greves mas sempre fui apologista de que a greve era o nosso maior trunfo desde que feita em força e se receios!!! Agora vou concorrer à VD…e logo se verá se serei, nos próximos anos, uma das que “encheu!!!”
Obrigada por tudo, LSM
Concordo com muita coisa que é dita, mas não com outra mudança de regras a meio do ano letivo.
Já chega de decisões em cima do joelho. Os professores têm que tomar as decisões em consciência e a partir de regras claras e definidas atempadamente.
A VD é um embuste e nunca diria ter existido, na devida altura as preocupações estavam dirigidas a outras lutas e infelizmente a VD vingou.
O Total de vagas no Norte está de facto inchado, mas é preciso posteriormente analisar cada GR, porque isso não acontece em todos. Antes pelo contrário, existem GR em que as vagas estão por baixo das necessidades até à RR3 (horários Anuais) do ano passado. O que significa que continuarão a existir horários para contratação. Isto partindo do pressuposto que todos os candidatos concorrem à VD, o que não me parece de todo plausível. Não creio que ultrapasse sequer os 45%.