“Sem professores, os alunos não aprendem e o currículo pode não ser cumprido”
A greve às horas extraordinárias convocada pela Federação Nacional de Professores (Fenprof) a partir de segunda-feira pode, de facto, agravar o problema de falta de professores nas escolas?
Essa [as horas extraordinárias] é uma das formas que os directores de escolas têm para resolver o problema de escassez de docentes. Propomos aos professores efectivos, que já têm horário completo, fazerem horas extraordinárias. A lei permite que se obrigue a isso, mas nós não obrigamos ninguém. O que fazemos é propor aos professores que façam mais algumas horas, para acudir a este problema.
Uma greve a estas horas extraordinárias pode, com certeza, piorar o cenário, mas tudo vai depender do grau de adesão. É bom que se diga que os professores, que não são os sindicatos, querem fazer parte da solução. Por este motivo, estou convencido que a adesão à greve acabará por ser baixa.
A estimativa da Fenprof aponta para 20 a 30 mil alunos que ainda não têm pelo menos um professor. É um número semelhante ao que foi divulgado há um ano e há dois, mais ou menos na mesma altura do ano lectivo. Por que persiste este problema?
O único indício de vontade de resolver o problema que vi até agora foi o estudo das necessidades [de recrutamento] apresentado esta semana pelo Ministério da Educação (ME). Mas as soluções apontadas são para o médio e longo prazo e nós precisamos de soluções a curto prazo também. Os directores têm tentado resolver através da atribuição de horas extraordinárias.
Outra solução seria completar os horários de professores que têm horários incompletos.
Além disso, gostávamos que, a partir do próximo ano, este deixasse de ser um problema das escolas e, para isso, devia ser aberto um concurso extraordinário para vincular professores contratados, que são docentes habilitados e muito experientes, que são precisos no sistema educativo. Penso que é uma solução que depende mais do Ministério das Finanças do que do ME.
O Governo também anunciou a criação de uma task-force que vai trabalhar directamente com as escolas para resolver situações de carência de professores. Ainda não sabemos como é que isto vai funcionar. Este é um problema estrutural e temos que apelar a soluções estruturais, que não passam pela acção de uma task-force, que terá uma acção muito específica, numa dada escola.
Que impacto é que esta ausência, já estrutural, de professores tem junto dos alunos, ainda mais num ano que se anunciava de recuperação das aprendizagens afectadas pela pandemia?
Sem professores, os alunos não aprendem e o currículo pode não ser cumprido. O impacto de tudo isto depende muito do momento em que os professores vão começar a leccionar as aulas.
Alguns docentes ainda estão a chegar às escolas nesta altura e há outros que não sabemos quando virão. Esse prazo vai fazer diferença. As escolas têm estratégias de apoio a estes alunos, atribuindo-lhes mais horas de aprendizagem quando o professor for encontrado, mas está longe de ser a situação ideal. O que devia acontecer era que os alunos tivessem o seu professor no início do ano lectivo a dar a matéria que os currículos prevêem.
Público




11 comentários
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As horas extraordinárias só são dadas se vcs quiserem. Quando se falta a uma hora extraordinária nem precisa justificar, a unica coisa que acontece é não receber remuneração dessa hora.
Nem precisava existir greve.
Colega beck, qual a lei que permite não se ter que justificar, quando se falta a uma hora extraordinária, já que fui obrigado a aceitar as horas, sem as querer? Obrigado.
É ao contrário. Não há lei que o imponha, nem pode haver. Tanta tacanhez! És daqueles que fizeram o secundário no externato e o curseco na ese.
Desculpe, mas é de aceitação obrigatória, quando o Diretor não aceita o motivo que apresentamos: https://www.spgl.pt/servico-docente-extraordinario Por isso gostaria de perceber se existe alguma lei que permita faltar, sem ser por greve.
Em vez de citar spgl é melhor encontrar a lei que diz que tem de justificar uma falta a hora extraordinária!
Não existe essa lei.
Se é uma hora extraordinária é porque não é ordinária. É extra! É uma questão de conceito.
Não tem que se justificar qualquer falta a hora extraordinária.
Não sei para que raio existem sindicatos, neste caso aparecem a dar palmadinhas nas costas à ilegalidade! Sindicalistas, em vez do conforto de fugir com rabinho à seringa, abram os olhos a estes analfafuncionais que provavelmente fizeram o secundário no externato/colégio!
É assim, ninguém tem que justificar faltas a horas extraordinárias (são extra)! Também ninguém tem que justificar faltas por greve! Fazê-lo revela ígnorância, é ridículo e ilegal, um atentando contra direitos universais.
Não, os professores que estão sobrecarregados não tem nada que fazer parte da solução. Têm é que demonstrar que estão fartos de ser usados por diretores. De ser vítimas de bullying e de assédio laboral.
Enquanto os professores continuarem a baixar-se mais se perpetuará a exaustão e o abuso sem que se procurem as soluções estruturais.
É verdade! Os Sitôres que vão para as direções baixam as calças ao Tiago. Querem mostrar que são excelentes gestores fazendo muito com os poucos recursos humanas de que dispõem!
Ponham-se finos, mandem-nos ir a eles para a sala de aula! ah, isso eles já não querem!
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Ainda há bastantes professores por colocar! Basta ver as reservas! E agora, podem explicar, de verdade, o que se passa? E expliquem-nos (aos q aguardam a sua vez), a razão pela qual continuamos a aguardar!! Eu sei porquê! Porque não nos dão as devidas condições para irmos onde fazemos falta!!
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Estou farta de esperar por uma colocação… como assim falta de professores!?!?!
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Quem diz que sem professores, os alunos não aprendem?
https://www.noticiasaominuto.com/mundo/1876932/casal-educou-os-10-filhos-em-casa-aos-13-anos-ja-estavam-na-universidade