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8 de Novembro de 2021 archive

Mais um Projeto de Resolução com Vista à eliminação das Vagas de Acesso ao 5.º e 7.º Escalão (PAN)

O PAN apresenta amanha um Projeto de Resolução ( Projeto de Resolução n.º 1492/XIV/3.ª (PAN) ) na Comissão de Educação, Ciência, Juventude e Desporto com uma recomendação para que o governo assegure que as vagas de acesso ao 5.º e ao 7.º escalão em 2021 sejam idênticas ao número de docentes que integram as listas de acesso nestes dois escalões e que assegure uma solução que garanta a recuperação de todo o tempo de serviço dos docentes que estiveram em suspenso nas listas de vagas.

Já o PCP e o BE apresentaram propostas semelhantes.

Se até final de Novembro for possível agendar o debate na Assembleia da República dos dois projetos de resolução e do projeto lei do PCP ainda existirá alguma esperança para a abolição das vagas de acesso ao 5.º e 7.º escalões.

E caso existe ainda esse timming e alguém se opuser a estes documentos farei daqui uma batalha contra todos aqueles que votarão contra, seja quem for.

Lembro que ambos os projetos vieram no seguimento desta petição que em pouco mais de 24 horas atingiu mais de 10 mil subscrições.

E farei daqui um cavalo de batalha para o futuro.

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Abordagem comparativa dos vencimentos docentes 2010/2021 com o SMMG – SINAPE

O SINAPE, sindicato fundado em 1939, na defesa dos trabalhadores da educação, Educadores, Professores, Assistentes Operacionais e Técnicos e Técnicos Superiores da Educação analisou e comparou as tabelas salariais de 2010 e 2021, fonte DGAEP.
Em 2021 a remuneração mínima garantida é de 665,00 euros
Um Professor é um técnico licenciado com mestrado e profissionalização. Progride através de um sistema de avaliação que exige 50 h anuais de formação – paga pelo próprio, na maioria dos caos – que tem quotas classificativas, e “garrotes” no acesso aos 5º e 7º escalões.
Temos docentes com 15 ou mais anos de contratos sucessivos, sem entrar no quadro.
Em 2010
1 – Um Professor, em inicio de carreira, tinha uma remuneração ilíquida equivalente a 3 RMMG.
2 – Esse Professor “levava para casa” 1.131,38 euros – * 2.3 RMMG
3 – Um Professor com 20 anos de serviço, tinha uma remuneração ilíquida equivalente a * 4,5 RMMG e “levava líquido para casa” 1.474.53 euros – * 3.28 RMMG.
4 – Um Professor com 38 anos de serviço, tinha uma remuneração ilíquida equivalente a * 7,50 RMMG e “levava líquido para casa” 2.153.36 euros – *4.79 RMMG.
Em 2021
1 – Um Professor, em inicio de carreira, tem uma remuneração ilíquida equivalente a 2.2 RMMG.
2 – Esse Professor “leva para casa” 1.033,82 euros – * 1.55 RMMG
3 – Um Professor com 20 anos de serviço, tem uma remuneração ilíquida equivalente a * 3,22 RMMG e “leva líquido para casa” 1.330,32 euros – * 2 RMMG.
4 – Um Professor com 38 anos de serviço, tem uma remuneração ilíquida equivalente a * 5,0 RMMG e “leva líquido para casa” 1.894,49 euros – *2.85 RMMG
Como se pode observar comparando 2010 e 2021, a perda de compra dos professores é galopante. E quando relacionamos as remunerações á RMMG verificamos um empobrecimento, uma desvalorização e perda da atratividade da profissão.
Relembramos que estes profissionais sofreram congelamento e perda de tempo de serviço, tornando-se o 10º e último escalão uma miragem.
Concomitantemente, as futuras pensões de reforma destes profissionais serão diminutas.
Exige-se bom senso e boa gestão das carreiras dos Professores e Educadores.
Exige-se uma correção a “tamanho disparate”.
Em conclusão não se valoriza quem tem valor.
Não desistimos, denunciamos, e voltaremos a exigir mudanças, JÁ

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Que resposta para a falta de professores deu o governo francês?

 

“1.869 euros líquidos mensais em 2022, contra 1.700 em 2020. Este aumento da remuneração dos jovens professores no início da carreira, divulgado pelo Ministro da Educação, será o suficiente para atenuar a crise de recrutamento da “mais bela profissão? do mundo”?

Resposta aos resultados dos concursos para 2022 – inscrições encerradas em 17 de novembro – ainda que as dificuldades de recrutamento já durem dez anos. Se o ministério não divulgou, por ora, o número de inscritos, os números dos concursos anteriores falam por si: 41.300 candidatos para 10.600 vagas abertas em 2021, contra 42.040 candidatos para 10.180 vagas em 2019. Em 2003, há quase vinte anos atrás, eram 81.661 candidatos a 17.140 vagas oferecidas. A passagem do concurso, do nível de bacharel para o mestrado, decidido em 2011 no quinquênio Sarkozy, amenizou o entusiasmo dos alunos, ao alongar os estudos.”

A resposta do governo francês foi a que vimos em cima, o governo português está amorfo e à espera de um milagre…

 

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Uma aula de ecologia: a Amazónia de Sebastião Salgado – João André Costa

 

Um cogumelo atómico em plena selva amazónica mesmo à nossa frente e todo ele vida e os átomos não de urânio mas hidrogénio, dois, e oxigénio, um, aos milhares de milhões e o cogumelo não explode mas chove por inteiro numa questão de minutos até finalmente desaparecer como se nunca tivesse existido. Até vir o próximo. É uma questão de segundos. A selva amazónica produz o seu próprio clima de tão densa, assim como densa é a humidade, sente-se, empurra-se com as mãos e com a pele, bebe-se com a boca, basta abrir a boca e a chuva, repentina, errática, tão inevitável como o dia e a noite, a vida e a morte, o sol e a lua, tu e eu. Está à nossa volta, omnipresente, omnisciente. Na Amazónia os rios correm nos céus e trazem consigo todos os dias mais água do que o Amazonas inteiro, cerca de 20 mil milhões de metros cúbicos em comparação com os 17 mil milhões de metros cúbicos a desaguar no Oceano Atlântico. Tal só é possível porque cada árvore capta água até 60 metros de profundidade, libertando 1 metro cúbico de água por dia para a atmosfera. Agora multipliquem isto por 600 mil milhões de árvores e o resultado é um cenário de nuvens em constante formação, quais gigantescos dirigíveis a pairar para sempre num conto infantil. O rio Cauaburi serpenteia entre meandros e braços de rio em pleno território Yanomami, não, um rio não, uma artéria a caminho do Pico da Neblina lá ao fundo e tudo o resto é a Amazónia verde perdida muito para lá do horizonte, muito, muito para lá destes olhos e de tudo quanto a vista alcança. Uma vista tão imensa como todos estes braços abertos à procura de abraçar aquele que seria o 3° ou 4° maior país do mundo, isto se a Amazónia fosse um país, mais ou menos toda a União Europeia e portanto não um país mas um continente espraiado por 9 países entre Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. A Amazónia de Sebastião Salgado, em exposição no Science Museum de Londres não é só imperdível, é vasta, é infinita, é um Deus vivo e o Amazonas o seu embaixador cujos mais de 1100 afluentes trazem consigo 20% da água doce da Terra. Nestes termos, nem sequer é preciso ter a floresta diante de nós, bastam os números para apreender a sua importância, inversamente proporcional à nossa insignificância. A insignificância do homem branco perante as mais de 400 tribos de pares em comunhão com a floresta há milhões de anos nesta Pandora, uma Pandora ainda hoje por descobrir e dentro da qual tribos há tão ignorantes da nossa presença como feliz é a sua existência. Long may it last. Xingu, Awá-Guajá, Zo’é, Suruwahá, Ashaninka, Korubo, Yanomami, Macuxi, Yawanawá, Marubo. Sim, são tribos da Amazónia. Dir-se-ia estarmos a falar de espécies alienígenas ou então da flora e fauna locais quando os nomes são tão estranhos como estranha é a floresta amazónica. Mas não estamos. A título de exemplo, os Ashaninka não são os Ashaninka ou não tivessem na sua origem a mesma origem dos Incas e portanto são Incas e estão aqui à nossa frente. Ainda. 10 tribos, apenas 10 tribos retratadas a negativo mas todas as tribos e a mensagem uníssona: a destruição das suas terras, não, da sua floresta, não, do seu mundo, o único mundo que alguma vez conheceram, é fruto do bicho-homem à procura de ouro e ferro mas também terras de pasto e madeira, cortando árvores e abrindo caminho a estradas, camiões, milhares de bichos-homens mais as suas doenças e vícios, em tudo ignorantes da natureza que os susteve e sustém. E, no entanto, incapazes de parar com este haraquiri formidável, como se para nos salvarmos de uma doença estranha decidíssemos extirpar todas as veias do corpo. Para as tribos indígenas, cortar uma árvore ou matar um animal sem outro propósito que não a ganância faz tanto sentido como jogar à roleta russa: é uma questão de tempo. Assim como é uma questão de tempo até que um milhão de índios se vejam expropriados, exilados, expulsos das suas terras ao qual acrescentamos o assassinato de representantes tribais e o genocídio de populações inteiras à queima-roupa, os incêndios sem princípio nem fim nem porquê, as epidemias, as temperaturas extremas no Verão, a falta cada vez maior de água na estação das chuvas. Tudo depende da vontade do governo brasileiro e Bolsonaro à sua cabeça. Por isso a sua luta, mensagem e voz, a mesma de cada um dos líderes tribais, mensagem essa reproduzida em cada árvore da floresta amazónica: A Terra é, até hoje, o único mundo capaz de conter, e criar, vida, e olhando em redor não há qualquer outro lar, qualquer outra terra, para onde a nossa espécie possa olhar, estender os braços e migrar à procura de outra vida que não esta. A sua destruição não é senão o condenar da nossa espécie à extinção certa. Se assim for o nosso desejo, a estrada já está aberta por entre as árvores: basta percorrê-la. Mas se porventura nos perdermos e se porventura nos ocorrer este medo súbito e este desejo súbito de querer voltar para trás, tal não será possível sem a ajuda de quem conhece a floresta, e com a floresta a Mãe Gaia, como a palma da mão: Xingu, Awá-Guajá, Zo’é, Suruwahá, Ashaninka, Korubo, Yanomami, Macuxi, Yawanawá, Marubo. Amazónia, exposição fotográfica de Sebastião Salgado, está patente no Science Museum de Londres até Março de 2022. Perdê-la é perder a Amazónia.

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Redesenhar a Educação, um desafio hercúleo que requer enorme pragmatismo e visão

A transformação do mundo é tal, aconteceu de um modo tão acelerado, que quase sem notarmos todos os sistemas educativos vigentes se tornaram obsolescentes

Redesenhar a Educação, um desafio hercúleo que requer enorme pragmatismo e visão

Se há algo que todos temos como certo é que a educação tem de ser redesenhada. Temos a consciência profunda dessa necessidade e, também, do enorme esforço que essa mudança vai requerer. A transformação do mundo é tal, aconteceu de um modo tão acelerado, que quase sem notarmos todos os sistemas educativos vigentes se tornaram obsolescentes. E não é só uma transformação dos currículos que é precisa, é também a forma como a informação é transmitida, os métodos e ferramentas utilizados. É um desafio hercúleo, que requer enorme pragmatismo e visão. Requer uma capacidade de redesign por parte dos vários actores e uma acção rápida e consistente. Se não o fizermos estaremos a penalizar de forma brutal aqueles que educamos agora, e isso é ir contra o principal motivo da educação: formar seres humanos melhores, mais capazes e mais competentes.

Mas há formas de irmos ajudando. Portugal faz parte de um projecto-piloto educativo, uma candidatura ganha no programa europeu Erasmus +, o que prova que a Europa está já à procura de novas formas de educar que complementem os currículos actuais, o que é uma forma inteligente de responder no imediato aos défices que já se detectaram. O MUSA, assim se chama o projecto, está focado na formação de jovens músicos que integram quartetos de cordas, foi desenvolvido por três países: Itália, Portugal e França. O objectivo global do programa consiste em expandir a base de conhecimento proporcionada pelos currículos gerais de formação musical na área clássica — reconhecendo pois que estes são demasiadamente específicos e incompletos — adicionando-lhes novas ferramentas que são fundamentais para a construção de carreiras profissionais de sucesso num mercado altamente competitivo.

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