Dezembro 2021 archive

A Ler – 6.ª Feira

6ª Feira | O Meu Quintal

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Retratos do ano de 2021

No arquivo do “National Geographic” encontram-se milhares de fotografias que retratam, a resiliência humana, num 2021 marcado pela pandemia e pela crise climática, e são também uma homenagem ao trabalho destes fotógrafos. 

Deixamos-vos aqui três delas…

In South Jakarta’s Manggarai village, teacher Erdah Desiana at Elementary School No. 1 leads a small group of students. This school was one of hundreds around Jakarta that restarted in-person classes with stringent health protocols. Schools were open three days a week with half the students present one day and the other half there the next. Students at home attended via video-conference. Outbreaks of COVID-19 were still plaguing Indonesia, but the government pushed ahead with in-person school, arguing that the educational benefits outweighed the risks. PHOTOGRAPH BY MUHAMMAD FADLI

Spaced out across the Tel Aviv opera house, a masked audience takes in a revue by the Israeli Opera’s sopranos. By the middle of March, Israel had vaccinated more than half its citizens—a world first that sharply drove down its case counts. The country also rolled out a “green pass” system for fully vaccinated or recovered Israelis. From late April to late June, Israel had an average of fewer than 100 new COVID-19 cases a day—until the arrival of the more contagious Delta variant, which fueled a third wave of cases. PHOTOGRAPH BY DAN BALILTY

Even in bleak years, conservationists are bright spots. They work to preserve wild places, protect cultural heritage sites, defend threatened species. In the Democratic Republic of the Congo, Virunga National Park rangers pioneered the care of orphaned mountain gorillas. Photographer Brent Stirton was there in 2007 when ranger Andre Bauma found an infant gorilla clinging to her dead mother. He named the orphan Ndakasi—and would be her lifelong caregiver. The rangers built, and still run, an orphanage in Virunga for the gorillas. Stirton visited regularly. He was there in September when Ndakasi, dying of an undiagnosed illness, crawled into Bauma’s arms. Via Getty Images PHOTOGRAPH BY BRENT STIRTON

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Adeus ao ano velho – Jorge Bento.

 

“Os anos, meses e dias têm perna apressada; são muito eficazes a passar e ir-se embora. A altura é de balanço, de arrumar a vida e deitar fora o que está gasto. Convém varrer tudo, do fundo da alma até à porta da casa. Livrar-nos de toda a poalha, das mágoas e rancores, das caras e nomes incomodativos. Entremos lavados, asseados e escarolados em 2022!
Depositemos no lixo tudo o que se quebrou e não dá para consertar. Guardar o que não presta, além de estultice, é perder espaço e tempo.
Tinjamo-nos de cores alegres, por dentro e por fora. Ajudam na criação de um ambiente favorável. Renovemos a roupa interior; não ponhamos em contacto com a pele tecidos coçados, desbotados e encardidos, porque se entranham no ser. No vestuário exterior, mesmo sendo inverno, usemos tons da primavera. Por exemplo, o amarelo fica bem numa malha; atrai fortuna e prosperidade, pelo menos no ciclismo.
Quanto a comidas e bebidas, prefiramos as que avivam memórias de lugares e pessoas, e despertam o paladar da afeição e saudade. Entreguemo-nos e lambuzemo-nos nesses manjares e sabores, sem restrições!
Boas refeições pedem o complemento de exercícios recomendáveis. Não contemos o tempo de andar e caminhar na natureza e nas páginas dos livros. Se nos perdermos, deixemo-nos guiar pelo pensamento, que mora nos passos dados e nas frases lidas.
O deus Jano já está à nossa espera, pronto para abrir a janela do novo ano. Este não promete milagres ou exige sucessos; pede apenas que façamos o melhor possível, com o cinzel da coragem e o esmeril das atitudes.”

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“Vamos ver”, diz Graça Freitas Sobre o regresso às aulas em janeiro

 

Regresso às aulas em janeiro? “Vamos ver”, diz Graça Freitas

A diretora-geral de Saúde não se compromete com o regresso às aulas em janeiro: “Vamos ver”, diz.

“Se for preciso regressar com confiança, serão retomadas as aulas. Se não serão tomadas as medidas que serão consideradas necessárias”, afirma Graça Freitas, sublinhando que estamos a assistir a uma subida exponencial no número de casos e que é preciso analisar como é que esta quinta vaga vai evoluir.

 

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E360 a plataforma pesadelo

 

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Comparação das Aposentações com as Vinculações nos Últimos 10 Anos

Desde 2012 aposentaram-se até hoje, pela CGA, 16.835 docentes (quadro 1).

Desde 2012 até agora vincularam 14.291 docentes (quadro 2).

O saldo de novas entradas no quadro ficaram abaixo do número de docentes aposentados nos últimos 10 anos. Este saldo é negativo em 2.544 docentes.

Por não ser possível identificar o grupo de docência (com exceção do grupo 100 – Educação Pré-escolar) dos docentes aposentados não consigo fazer a comparação das novas entradas no quadro com o grupo de recrutamento dos docentes aposentados.

No caso da Educação Pré-escolar aposentaram-se 588 educadores de infância desde 2012, tendo entrado no quadro neste grupo de recrutamento 825 educadores.

No quadro 1 estão identificados os docentes aposentados por ano civil e no quadro 2 o número de vinculações de cada um dos 12 concursos que existiram desde 2012 para entrada no quadro, distribuídos por grupo de recrutamento.

 

Quadro 1

Quadro 2

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173 Docentes Aposentados em Janeiro de 2022

No mês de janeiro ficam aposentados mais 173 docentes da rede pública do Ministério da Educação do continente.

Desde 2012 que retiro o número de aposentados e entre 2012 e 2021 foram aposentados pela CGA 16.835 docentes. Neste período o ano com mais aposentados foi em 2013 que quase chegou às 5 mil aposentações.

Desde 2018 tem subido o número de aposentados e esta subida irá acontecer nos próximos anos, sendo que para 2022 estão previstas quase 3 mil aposentações e em 2023 mais de 3500.

 

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Isolamento Profilático reduzido para 7 dias

 

A DGS acaba de anunciara redução do Isolamento Profilático, de assintomáticos, para 7 dias em vez dos 10 dias que até agora era norma.

A Direção-Geral da Saúde informou hoje o Ministério da Saúde que o período de isolamento passa de 10 para 7 dias para as pessoas infetadas assintomáticas e para os contactos de alto risco.

Esta decisão está alinhada com orientações de outros países e resulta de uma reflexão técnica e ponderada, face ao período de incubação da variante agora predominante, a Ómicron.

A operacionalização desta decisão técnica, pela necessidade de atualização de normas e de reparametrização do sistema de informação, estará concluída o mais brevemente possível, no decurso da próxima semana.

 

 

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O meu copo ficou vazio – Paulo Guinote


O debate sobre a Educação em Portugal atravessou diversas fases nas últimas duas décadas, tendo chegado em alguns momentos a ser brutalmente conflitual e tóxico. Mas, nos últimos anos, foi-se esvaziando, ficando cada vez mais domesticado, desaparecendo quase por completo qualquer debate de ideias ou discussão de alternativas ao que vamos tendo como modelo único de políticas educativas.

Talvez por ter desaparecido quase por completo das prioridades do debate político, mesmo quando se tonou necessário falar acerca do ensino presencial e não presencial, a Educação tornou-se uma área da governação em que só de forma epidérmica e isolada surge algum contraditório a um estado de coisas que parece ter vindo para ficar, apesar da enunciação de muitas discordâncias e resistência ainda há não tantos ano assim.
Este estado de adormecimento e apatia não foi atingido por acaso, não aconteceu por estar natural mente inscrito na evolução natural das coisas, muito pelo contrário. É o resultado de uma estratégia que teve sucesso na eliminação, silenciamento ou confinamento das posições críticas, através da sedução ou cooptação de sectores da opinião que antes contestavam muitas das políticas implementadas desde os primeiros anos do século XXI.
Da gestão escolar à gestão do currículo, do modelo de avaliação das aprendizagens dos alunos ao modelo de carreira docente e de avaliação do desempenho, não esquecendo a forma de conceber a docência como uma variante de trabalho administrativo ou burocrático, qualquer oposição crítica foi apresentada como “ruído”, adjetivada como resultante de uma visão arcaica da Educação, enquanto se foi cobrindo tudo com uma retórica que usa termos que parecem de uma bondade inquestionável, mesmo se não correspondem às práticas efetivas.
Autonomia, colaboração, flexibilidade, inclusão, inovação foram apenas alguns dos termos que serviram para encher o copo de todos aqueles que surgiram associados ao novo poder na Educação desde 2015, apresentando como se fossem imensas novidades, conceitos e práticas que remontam a momentos diversos da evolução do pensamento educacional e pedagógico dos séculos XIX e XX. E assim se procurou dividir as águas de forma simplista, demagógica e maniqueísta entre “bons” e “maus”, “velhos” e “novos”, “inovadores” e “conservadores”, não hesitando em arregimentar considerações de natureza “moral” contra quem ousou criticar a deriva das políticas educativas para uma espécie de pensamento único que apresenta a “Educação do século XXI” como se tivesse apenas um caminho de sentido único e não como algo necessariamente plural.
E assim se encheu por completo o copo de uns, enquanto se esvaziava por completo o de outros. De um lado ficaram todos aqueles (a que costumo chamar cortesãos, porque tudo isto me faz lembrar o “paradigma” da lógica feudo-vassálica medieval) que aceitaram entrar, do lado das “soluções”, no jogo do funcionamento hierarquizado das escolas, da atomização curricular ao serviço de interesses micro-ideológicos que menorizam os saberes “tradicionais” em favor de sabores do momento, na teia da identificação de áreas prementes de formação que alimenta as clientelas académicas que fizeram essa mesma identificação, no culto do “sucesso” que é nuclear para a aferição das aprendizagens dos alunos, mas que é sujeita a quotas quando se trata de avaliar o desempenho docente.
Pessoalmente, não hesito em colocar-me do lado daqueles que ficaram com o copo vazio, porque vi desertar da “luta” concreta, no tempo certo, muitos do que se opunham à lógica da fragmentação municipal da gestão da Educação ou do modelo unipessoal baseado na obediência hierárquica da gestão escolar. Porque assisti à cristalização de um modelo de avaliação do desempenho docente que se diz norteado pelo reconhecimento do “mérito”, mas que na generalidade das situações premeia a representação do desempenho e a adesão às práticas que as “lideranças” pretendem aplicar para que elas próprias possam ser favoravelmente vistas pelo poder tutelar, central ou local. Porque discordo de um currículo fatiado de acordo com os gostos pessoais deste ou aquele governante ou eminência parda que considera que a Filosofia ou a História são conhecimentos antiquados a substituir por salpicos da espuma dos dias, em forma de filosofias ubuntus ou meditações de fim de semana. Porque acho um erro enorme definir-se como padrão apenas o “essencial” em matéria de aprendizagens, como se a “inclusão” só fosse possível reduzindo o Conhecimento a um esqueleto descarnado de conteúdos desarticulados.
Para o ano de 2022 que começa com campanha eleitoral não guardei quaisquer especiais esperanças que o meu copo receba, sequer, umas pequenas gotas que evitem que fique definitivamente seco, pois sei que, quer os poderes que estão, quer aqueles que poderiam estar, estão de acordo em considerar que o copo está cheio, ou quase, apenas discordando acerca de quem decide com o quê e quem pode beber.

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“Não é dado o devido reconhecimento aos professores”

Em criança dizia sempre que não queria ser professora. O meu pai era professor primário e também professor de tele-escola. Sempre foi um professor muito dedicado e eu via que ele, diariamente, passava horas a planificar as aulas e eu achava que aquilo não era o meu perfil. Licenciei-me em Matemática Aplicada e Computação, pelo Instituto Superior Técnico, mas a minha intenção não era dar aulas. No entanto, a vida trouxe-me para a Escola Superior de Educação, do Instituto Politécnico de Santarém, e estou cá há 25 anos.

“Não é dado o devido reconhecimento aos professores”

Quando dei a minha primeira aula fiquei deslumbrada. Depois desse dia tive a certeza do que queria fazer da minha vida profissional. Apaixonei-me pelo ensino e o facto de poder transformar a vida dos alunos com quem estou a trabalhar. Um professor ensina mas também aprende com o aluno. Há uma relação recíproca e essa é a magia do ensino.

Não é dado o devido reconhecimento aos professores. O professor está a lidar com o que é mais importante numa sociedade: os alunos, que são o futuro dessa sociedade. O papel do professor tem vindo a ser desvalorizado. A importância de um professor é enorme porque se o trabalho com os alunos não for bem feito é o futuro da sociedade que está em jogo e que perde.

A burocracia atrapalha bastante. Os professores estão sobrecarregados de tarefas burocráticas que não estão directamente ligadas com a sala de aulas e isso prejudica o aluno. Os professores precisam de tempo para investir na preparação das aulas.

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Diretores admitem regresso ao E@D

Regresso ao ensino presencial é a solução favorita, mas preocupações com o aumento de casos podem implicar um regresso ao ensino à distância.

Directores pedem atenção ao “alarme social” na decisão sobre regresso às aulas

 

Ainda que espere que o 2.º período arranque a 10 de Janeiro, como previsto, e “de forma presencial”, o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira, entende que a decisão que o Governo vai tomar na próxima semana deve ter em conta o contexto de “alarme social” à volta da nova vaga de covid-19. Por isso, admite que as primeiras semanas do segundo período impliquem um regresso ao ensino à distância.

 

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Regresso às Aulas

Esta fase que estamos a viver irá ficar gravada nas memórias das criancinhas ‘que coitadinhas ficam com traumas’.

Regresso às Aulas

Querida avó,

Ainda não falámos do regresso às aulas. Pelo segundo ano letivo a lutar contra uma Pandemia, que há muito desejamos que acabe. Veremos até quando será obrigatório o uso de máscaras para a maioria dos professores e alunos.

Tudo em grupos, de álcool gel na mão, máscara na cara… Muitos alunos, e professores, só irão ver a cara uns dos outros lá mais para a frente. Não sabemos é quando… Pelo menos agora já podem estar sem máscara nos intervalos.

Já te disse que no 5º e 6º anos fui aluno de telescola? Na altura chamava-se 1º e 2º ano.

Esta fase que estamos a viver irá ficar gravada nas memórias das criancinhas ‘que coitadinhas ficam com traumas’.

Isso faz-me recuar a 1977, ano em que entrei para a primária. A democracia dava os primeiros passos. Lembro-me de ainda existir o crucifixo por cima da secretária da professora, de levarmos reguadas, das nossas mesas serem uma peça única com a cadeira. O tampo da mesa levantava e dava para guardar livros, borrachas, lápis, cadernos, réguas e tudo o mais. Há uma situação que não esqueci jamais.

Em 74 existiram muitos portugueses, que viviam nas colónias, que tiveram de regressar a Portugal, os chamados Retornados. Recordo-me de ouvir vários pais dizer para outros: «Vão para as vossas terras». Ali aprendi que existem pessoas que se acham mais portuguesas do que outras.

Mas tu, que viveste numa época onde meninos e meninas andavam em escolas diferentes, onde as meninas eram obrigadas a usar meias, onde existia a mocidade portuguesa… Deves ter muito para contar. Aliás, as professoras não podiam casar. Ou melhor, de preferência, deviam manter-se solteiras e encarar o ensino como uma missão. O casamento de uma professora tinha que ser autorizado pelo Governo.

Não é de admirar que existissem tantas professoras ressabiadas, que espancavam os alunos por não saberem a lição. Será que hoje ainda alguém sabe o que era uma ardósia ou uma sebenta?

Bjs

 

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A falta de professores não se resolve com horas extraordinárias

 

A falta de professores não se resolve com horas extraordinárias, que apenas vão pesar mais num corpo docente já sobrecarregado e envelhecido e, aniquilar de vez o professor e, com ele, a qualidade da escola pública.

A propósito de atentados e arrependimentos em educação

 

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Ministério da Educação vai avaliar impacto da pandemia nos alunos a partir de janeiro

O Ministério da Educação vai avaliar os efeitos da pandemia na saúde mental dos alunos até ao ensino secundário. Margarida Gaspar de Matos, psicóloga clínica e professora na Faculdade de Motricidade Humana, é quem vai coordenar o grupo de trabalho que ficará com essa tarefa e revela que as equipas vão estar no terreno já a partir do próximo mês.

Ministério da Educação vai avaliar impacto da pandemia nos alunos a partir de janeiro

“O Ministério da Educação tem planeado – e eu sei porque vou coordenar esse grupo – uma avaliação do bem-estar psicológico das crianças todas do país, dos cinco anos até ao 12.º ano. Vamos fazer isso porque estamos preocupados com o impacto, em termos do bem-estar psicológico, que toda esta situação possa ter nos alunos. Estamos todos a trabalhar em contra-relógio para que as coisas sejam feitas ainda durante o mês de janeiro”, explicou à TSF Margarida Gaspar de Matos.

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Vago, irrelevante… nulo

 

Não há ninguém mais vago, mais irrelevante, mais contínuo do que o ex-ministro. (Nelson Rodrigues)

Pois… por cá, conseguimos ter alguns assim ainda como ministros…

 

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Ainda há 399 surtos ativos em estabelecimentos de educação e ensino (10 dias depois do final do 1.º período)

 

No dia 27 de dezembro, Portugal continental registava 399 surtos ativos em estabelecimentos de educação e ensino dos setores público e privado – escolas, ensino superior, creches e demais equipamentos sociais. À data do reporte, existiam 3186 casos de COVID-19 acumulados nesses surtos ativos, que dizem respeito a alunos, profissionais e coabitantes dos mesmos, parte dos quais já estarão recuperados.

 

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Andam a preparar-nos o estomago… para janeiro

 

Hoje, nas entrelinhas, só não leu ou não ouviu quem não quis.

Preparem as plataformas durante a primeira semana de janeiro e entreguem os computadores que chegaram às escolas, vão ser necessários.

 

 

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Comunidade escolar preocupada com possível novo adiamento do 2º período

 

Entrega de 600 mil computadores, há muito prometida, ainda não foi feita, mas diretores dizem que as escolas estão preparadas para ensino à distância. Voltar a prolongar 3.º período não, defendem.

Comunidade escolar preocupada com possível novo adiamento do 2º período

Ogoverno já tinha anunciado o adiamento do início do 2.º período do ano letivo, para que as escolas estivessem encerradas na primeira semana do ano, mas o primeiro-ministro, António Costa, já deixou entreaberta a possibilidade de estender essa “semana de contenção” nas escolas. Só no próximo dia 5 de janeiro, data na qual será feita uma reavaliação da situação epidemiológica do país, se saberá se os alunos regressam mesmo às aulas presenciais a 10 de janeiro ou se a evolução da pandemia, agora acelerada pela variante Ómicron, força a alteração dos planos. Uma dúvida que levanta muitas preocupações por parte da comunidade escolar.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), teme um novo adiamento do arranque das aulas. “Espero que no dia 5 de janeiro digam que as escolas vão recomeçar no dia 10. Já chega de adiamentos e de mudanças no calendário escolar por culpa da sociedade. Quando a sociedade não tem juízo a escola é que paga e era muito mau se essa fosse a solução”, afirma.

O responsável pela ANDAEP espera que “as escolas não sejam mais uma vez penalizadas por causa dos desvarios que os adultos cometem nas épocas festivas”. Contudo, Filinto Lima sublinha que “as escolas estão preparadas para o ensino remoto de emergência”, caso venha a confirmar-se uma nova alteração de planos. “Estamos mais bem preparados do que no passado. Estamos melhor, quer em meios, quer em conhecimentos. As escolas estão preparadas para essa possibilidade até porque, no 1.º período, quase todas tiveram turmas em confinamento. Houve turmas que chegaram a confinar quatro vezes. A verdade é que temos mais capacitação digital, mas o ensino remoto de emergência é um grande constrangimento e há que o evitar”, explica.

“Sem espaço para não haver e@d”

“Se houver um novo adiamento do 2.º período [presencial], diria que já não há nenhum espaço para não haver aulas à distância.” A afirmação é de Rodrigo Queiroz e Melo, diretor executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP), que explica a dificuldade em gerir o calendário escolar, “se o pior se confirmar”. “No nosso caso, muitas escolas não terão de ajustar o calendário porque começaram as aulas, em setembro, uma semana mais cedo, mas se tivermos o prolongamento da semana de contenção, já não será possível não alterar o calendário escolar e temos de partir para e@d.”

Continua em DN

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Manifestação de Interesse – Coordenador de Ensino Português no Estrangeiro – Alemanha

 

Informa-se que decorre entre as 00h00 do dia 28 de dezembro de 2021 e as 24h00 do dia 10 de janeiro de 2022 o prazo de receção de candidaturas para a Manifestação de Interesse para o posto de Coordenador do Ensino Português no Estrangeiro na Alemanha.

As candidaturas deverão ser endereçadas, via mensagem de correio eletrónico, para coordALEMANHA2022@camoes.mne.pt :

 

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Avaliar ou não avaliar: Eis a questão

 

Avaliar ou não avaliar: Eis a questão

A febre da avaliação e da accountability (em particular do benchmarking e das avaliações comparativas) tiveram seu momento inicial nas décadas de 80/90 e começou nas escolas. Como se estabeleceu, antes disso, que os alunos deveriam ser avaliados por testes padrão a área da educação passou a ser profícua em medidas de desempenho dos alunos. Mais do que isso essas medidas eram compráveis porque os alunos faziam todos o mesmo teste (ou exame). Daí até se agregarem os desempenhos dos alunos para medir e comparar desempenho entre escolas foi um passo muito pequeno. No fim da década de 90 vivi um ano em Inglaterra e fiz a minha tese de mestrado precisamente sobre avaliação de escolas Inglesas. Na altura havia grandes discussões académicas e públicas, sobre as League Tables (o equivalente aos nossos rankings que apareceram pela primeira vez em Portugal em 2001, e em 2002 foi criada legislação para a avaliação interna e externa das escolas) falando-se de comparar o comparável, e portanto da necessidade de contextualizar os resultados dos alunos à luz das condições das escolas e dos próprios alunos.

O discurso favorável à avaliação das escolas é o discurso da “accountability“, isto é, de tornar públicos os resultados para que decisões/escolhas informadas possam ser tomadas e do “benchmarking“, isto é, a comparação de desempenhos tem o potencial de gerar melhorias nas organizações que apresentam pior desempenho através da reprodução de boas práticas. Com o bom acolhimento, em geral, destes princípios rapidamente a avaliação passou para outras esferas do setor público (forças policiais, hospitais e clínicas gerais, tribunais, etc.) e do setor privado.

Rapidamente se passou também da avaliação das escolas para a avaliação de universidades. Nos anos 2000 começamos a ver rankings de universidades (que atualmente são muito comuns) e agências de acreditação de universidades. Os selos de qualidade são um resultado da proliferação da atividade avaliativa. Com esta proliferação os alunos ganharam em termos de accountability (é possível escolher uma universidade de forma bastante mais informada hoje do que há 10 ou 20 anos atrás) mas com tantos selos possíveis começa a ser difícil distinguir de facto as universidades e questionamo-nos se as que têm os mesmos selos serão idênticas (ou, onde está a criatividade e o livre arbítrio para criar coisas “fora da caixa” e fora dos selos de qualidade?).

Hoje a avaliação está em toda parte – pessoal, alunos, rankings e classificações de tudo e para todos os gostos. A avaliação criou empregos, criou empresas especializados em avaliação, e criou especialistas e académicos na área da avaliação. Contudo, parece-me claro que há muitos perigos nesta rota que temos vindo a seguir de avaliar tudo e todos a todo o momento. E o perigo é o da avaliação se tornar um fim ao invés de um meio – isto é, os comportamentos são ditados pela avaliação (faço x, ou y, porque assim tenho a avaliação z) e não pelo processo de aprendizagem e melhoria que deve ser inerente a qualquer avaliação e/ou exercício de benchmarking. Isto é, a doença dos diplomas de que falava Ronald Dore em 1976 (referindo-se a avaliação de alunos nas escolas), espalhou-se a outras esferas da sociedade e temos a doença dos selos de qualidade, a doença das acreditações, e a doença dos rankings de tudo e mais alguma coisa. Que fique claro. Eu não sou, nem poderia ser (sob pena de ficar sem emprego) contra a avaliação. Mas debato-me muitas vezes com a questão avaliar para quê? É que se não for para melhorar o processo de aprendizagem (dos alunos, por exemplo), para permitir a um funcionário crescer e progredir, ou para melhorar um determinado negócio, mais vale deixar tudo como está (que é aliás como ficará depois da avaliação).

Maria da Conceição Andrade e Silva (In DN)

 

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As “inovações” que aí vêm na Educação

 

A Educação em Portugal continua a inovar. Desta vez, anuncia-se no Secundário a possibilidade de os alunos escolherem as disciplinas que querem estudar. Por enquanto, em turmas-piloto, quiçá no futuro, uma generalização à esfera nacional.

Infelizmente, nos últimos anos, temos constatado uma clara deterioração da qualidade do ensino público, medida por rankings discutíveis, mas que constituem a única fonte de informação comparativa face ao ensino privado (absolutamente credível, dado o exame ser igual para ambos). Por muito que se afirme que as realidades são incomparáveis porque as respetivas sociologias são diferentes, a verdade é que sempre assim foi e a qualidade medida do ensino público já esteve bem melhor.

Com mais esta inovação receio bem que, a prazo, a qualidade média do ensino público ainda se agrave mais. Ou seja, por muito bem-intencionados que sejam os autores destas alterações de percurso estudantil, existe a forte probabilidade da existência de uma fuga generalizada dos alunos às dificuldades de determinadas disciplinas, como a matemática ou físico-química, perante a complacência das direções de escolas (até me arrepio a pensar na escassez futura de certos quadros como por exemplo engenheiros, dada a importância primordial damatemática…).

Mal comparado, faz lembrar os doentes que fazem auto-prescrições à revelia médica! Veremos as consequências futuras de mais estas liberdades originais, mas receio fortemente que se traduzam em facilitismos perniciosos para a Sociedade, porque, infelizmente, as alternativas existentes (os estudos no setor privado) não são acessíveis para a maioria da população e, no longo prazo, agravar-se-ão as diferenças sociais.

Manuel Boto (In SOL)

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Alteração do Despacho Normativo n.º 10-A/2018 em Consulta Pública

 

Publicitação do início do procedimento tendente à segunda alteração do Despacho Normativo n.º 10-A/2018, de 19 de junho, que estabelece o regime de constituição de grupos e turmas e o período de funcionamento dos estabelecimentos de educação e ensino no âmbito da escolaridade obrigatória.
1 – Nos termos e para os efeitos previstos no n.º 1 do artigo 98.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 4/2015, de 7 de janeiro, alterado pela Lei n.º 72/2020, de 16 de novembro, torna-se público que, por decisão conjunta do Secretário de Estado Adjunto e da Educação e da Secretária de Estado da Educação, é dado início ao procedimento conducente à elaboração do despacho normativo que procede à segunda alteração ao Despacho Normativo n.º 10-A/2018, de 19 de junho, que estabelece o regime de constituição de grupos e turmas e o período de funcionamento dos estabelecimentos de educação e ensino no âmbito da escolaridade obrigatória.
2 – A alteração supra referida justifica-se pela necessidade de proceder ao alargamento do âmbito de aplicação do estipulado nos n.os 7 e 8 do artigo 6.º do Despacho Normativo n.º 10-A/2018, de 19 de junho, passando o limite mínimo de 14 alunos por turma também a aplicar-se ao Curso Profissional de Luz, Som e Efeitos Cénicos, e ao alargamento do âmbito de aplicação do estipulado no n.º 9 do artigo 6.º do Despacho Normativo n.º 10-A/2018, de 19 de junho, passando o limite mínimo de 14 alunos por turma também a aplicar-se aos Cursos Profissionais de Cenografia, Figurinos e Adereços e de Luz, Som e Efeitos Cénicos.
3 – Para este efeito, designa-se como responsável pela direção do procedimento, nos termos do artigo 55.º do CPA, o Diretor-Geral dos Estabelecimentos Escolares, Dr. João Miguel Gonçalves.
5 – No prazo de 10 dias úteis contados da publicitação do presente anúncio, poderão constituir-se como interessados e apresentar contributos ou sugestões, no âmbito do referido procedimento, os particulares e as entidades que comprovem a respetiva legitimidade, nos termos previstos no n.º 1 do artigo 68.º do CPA.
6 – A constituição como interessado no presente procedimento é feita exclusivamente através do portal ConsultaLEX (https://www.consultalex.gov.pt).

 

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Voo livre sobre a escola – Carlos Grosso

 

Diz o Parol.edu.conça: se os alunos não querem saber, a responsabilidade é do professor, que não soube motivar o aluno, que não fez o pino na aula, que não trouxe para a aula fogo de artificio.

Voo livre sobre a escola

Pedi licença aos excecionais Padre Bartolomeu de Gusmão e poeta António Gedeão para me montar na «Passarola voadora» e andar às voltas sobre a escola.

Relato-vos algumas partes interessantes e inesperadas do que vi nestes últimos anos.

Vi montanhas de despachos burocratas a submergir os professores em papeladas inúteis.

Vi professores desesperados a trabalhar dez horas por dia para preencherem todos os requisitos de papeladas inúteis.

Vi alunos que todos os dias chegam à escola quinze minutos depois da hora, o que a tolerância extremamente flexível continua a permitir.

Vi alunos no recreio, sentados de livre vontade, agarrados a um aparelhómetro vagamente paralelepipédico, sem interagirem, sem brincarem. Não era castigo imposto por outrem, mas sim moléstia infligida por gigantes tecnológicos.

Vi professores com idades obscenas, de rastos, de cabelos brancos, de muletas, a sofrerem com uma paciência esgotada e uma incapacidade agonizante em compreender o adiamento da reforma e a indisciplina.

Vi professores aflitos por não conseguirem dar uma ajuda no acompanhamento dos filhos dos filhos, sofrendo pelos filhos e pelos netos que raramente têm a possibilidade de passar uns dias com a sabedoria longa dos avós.

Vi alunos que, em todas as aulas, conversam uns com os outros, mais até do que fazem no recreio, onde não há restrições ao uso do aparelhómetro vagamente paralelepipédico, que falam nas aulas sem autorização e ao mesmo tempo que o professor.

Vi alunos extremamente interessados nos estudos e na aprendizagem dos conhecimentos escolares a serem constantemente incomodados pelo ruído de colegas e a exigirem ordem na sala de aula.

E diz o Parol.edu.conça: esses alunos são retrógrados, são alunos da escola do antigamente, da escola dos avós e dos bisavós. Os professores têm de prepará-los para a escola do século XXI.

O Parol.edu.conça é uma personagem que vive fora da escola, mas que tem uma enorme influência nela. O Parol.edu.conça gosta de ler livros sobre Teoria da Educação, gosta de escrever sobre teoria do ensino, mas não gosta de ter sete turmas, não gosta de aturar diariamente duzentos alunos, não gosta de ter centenas de fichas de trabalho para corrigir, centenas de testes para avaliar e catadupas de sínteses descritivas para encher dossiers que não passam de uma praga ecológica.

Vi professores sem tempo para refletir, sem tempo para passar um fim de semana descansado sem trabalho escolar, sem tempo para ler um livro, assistir a uma exposição, brincar com os filhos, como se Ser Professor fosse embalar pacotes de farinha ou construir tijolos ou vender gelados. Quem se dedica a esta tarefa sabe que tem hora de abrir e hora de fechar a loja bem definidas, sem preocupação com os gelados sobrantes que hão de ser vendidos no dia seguinte, sem necessidade de levar gelados para vender em casa, depois do jantar.

O professor não é uma marioneta industrializada. O professor é um condutor de crianças e jovens, é um pedagogo. Precisa de tempo e de espaço para refletir sobre os melhores percursos educativos, sobre a arte de ensinar. O professor não está formado quando termina o respetivo curso. Grandiosa parte da formação docente é conseguida no desempenho da profissão. O professor precisa de continuar a formar-se durante muitos anos. Para isso, o professor tem de ter tempo, tempo para além das muitas aulas, para além das muitas atividades não letivas, para além dos muitos trabalhos de casa. O professor precisa de tempo para a sua vida e para se orgulhar de ser professor. Os professores precisam de tempo para partilharem algumas boas práticas pedagógicas. As reuniões para que são convocados versam esmagadoramente sobre “eduquices” e não sobre partilha de conhecimentos científicos.

Vi professores empenhados em longas reuniões a discutir os parâmetros mais adequados para avaliar as atitudes e qual o “peso”, qual o coeficiente que devem ter na média ponderada da avaliação escolar. Contendo afincadamente o mal-estar que me provoca estar a relatar-vos alguns pormenores destas discussões, aqui vai: É a assiduidade? (2%) É a pontualidade? (2%) É o respeito pelas orientações do professor? (3%) É o respeito pelas intervenções dos colegas? (2%) É a autonomia na realização das tarefas? (2%) É a participação de forma crítica, reflexiva e com profundidade? (4%) É demonstrar vontade em melhorar as suas competências (emocionais, cognitivas, motoras e sociais)? (4%) É o respeito pelas regras da sala de aula? (2%) É a capacidade para trabalhar em grupo? (1%) É trazer os materiais escolares limpos e organizados? (1%) É aspirar ao trabalho bem feito, ao rigor e à superação? (4%) É respeitar a diversidade e agir de acordo com os princípios dos direitos humanos? (4%) É revelar autonomia pessoal centrada nos direitos humanos, democracia, cidadania, equidade, respeito mútuo, livre escolha e bem comum? (6%) É realizar as tarefas no tempo estipulado? (1%) É cumprir com as regras de interação social e de civismo? (2%) É respeitar as regras institucionais que permitem atuar em segurança, adotando comportamentos que promovem a saúde e o bem-estar, nas suas relações na sala/escola (cumprimento do regulamento interno e uso de máscaras, higienização das mãos e distanciamento social)? (4%) É tudo isto e mais alguma coisa? (100%)

E diz o Parol.edu.conça: É primordial discutir e definir o peso de cada indicador. Só após essa definição será possível inserir nas folhas de cálculo Excel a fórmula de cálculo das médias, para a avaliação final.

Como já se disse, por regra o Parol.edu.conça não trabalha na escola. Quando, raramente, isso acontece, o Parol.edu.conça não percebe bem o que é isso de inserir fórmulas em folhas de cálculo, mas di-lo com tanta eloquência que é capaz de convencer alguns dos mais novos ou alguns dos mais distraídos, mas poucos. Porém, todos estão sujeitos às ordens de Parol.edu.conça.

– Caros colegas, a reunião já dura há três horas, estamos todos muito cansados e o meu filho está na escola à minha espera, pelo que proponho que a reunião continue na próxima quarta-feira – diz o professor Miguel.

A ninguém convinha mais uma reunião na próxima quarta-feira, mas também percebem que já não há disposição nem capacidade para continuar a discussão. Aceitam.

A professora Carolina já tem uma consulta marcada para a próxima quarta-feira, mas vai tentar desmarcar para poder estar presente.

O professor Francisco abomina estas discussões (discretamente chama-lhes “palhaçadas”) e está mais interessado em gastar tempo na organização das suas aulas, mas não gosta de faltar a reuniões para as quais foi superiormente convocado.

Vi alunos que, nos testes de avaliação de conhecimentos, obtiveram média de 15 valores a Economia, mas cuja avaliação final foi de 14 valores, por baixa avaliação nas atitudes. Ou seja, o aluno que revelou conhecer certas partes dos conteúdos, deixou imediatamente de os saber por atitudes que não foram apreciadas pelo professor.

Vi alunos que, nos testes de avaliação e aplicação de conhecimentos, obtiveram média de 13 valores a História, mas cuja avaliação final foi de 15 valores, por altíssima avaliação nas atitudes. Ou seja, terão existido alguns conhecimentos que não estavam adquiridos, mas que foram magicamente incorporados pela excelente atitude.

A escola ajuda a formar atitudes? Obviamente. A escola ajuda a melhorar algumas atitudes? Certamente. A alteração das atitudes tem, frequentemente, reflexo nas aprendizagens? Seguramente. Mas, para além do reflexo nas aprendizagens que foi sendo demonstrado nos diversos instrumentos de avaliação escolar, o conhecimento do aluno sobre determinadas matérias não aumenta nem diminui porque o professor avalia as suas atitudes. As atitudes formam-se, valorizam-se, adequam-se, mas não se medem numericamente!

Vi alunos que querem aprender o máximo possível.

Vi professores que não querem saber das aprendizagens essenciais e que querem ensinar o máximo aos seus alunos.

Vi alunos que não têm qualquer interesse nas aprendizagens escolares.

Diz o Parol.edu.conça: se não querem saber, a responsabilidade é do professor, que não soube motivar o aluno, que não fez o pino na aula, que não trouxe para a aula fogo de artificio.

Vi professores que não se preocupam em ensinar, nem se os alunos aprendem ou não, e que os deixam fazer o que lhes apetecer.

Vi alunos a chamarem “filho da p**a” ao professor ou a acariciá-lo com um “vai pró ca**lho” e cuja reação dos pais, ao receberem a notificação, foi: «Se ele fez isso, é porque o professor lhe fez alguma!»

Vi professores a fingirem que não viram o aluno levantar-lhe o dedo do meio, para não se sujeitarem ao infindo processo de averiguações sobre a veracidade dos factos relatados na eventual participação de ocorrência.

Vi professores a ficarem doentes e arrastarem-se até à baixa médica por exaustão.

Vi salas de professores quase sempre vazias e sem convívio.

Vi o Ministério da Educação a desvalorizar as avaliações externas.

Vi demasiados alunos a serem sujeitos a RTP. Não, não se trata da estação televisiva, mas dos espetaculares Relatórios Técnico-Pedagógicos.

Vi professores a terem de pedir silêncio na sala de aula, diariamente.

– Isso são professores que não acompanham os tempos. São professores que não compreendem os jovens, que não estimulam uma geração tecnológica que está altamente preparada para multitasking, diz o Parol.edu.conça.

Como se a disponibilidade de equipamentos tecnológicos fosse capaz de alterar o cérebro humano e as sinapses produzidas. As características do cérebro humano são as mesmas dos avós e dos bisavós.

Vi professores a serem apanhados pela pandemia e a revelarem altíssima capacidade de adaptação no ensino a distância.

Vi alunos durante meses em casa, sem computador e sem comunicação com a escola.

Vi alunos de pijama, deitados no sofá, esticados à beira da piscina, a assistirem às aulas no respetivo aparelhómetro vagamente paralelepipédico.

Vi professores que passaram um ano letivo completo sem conhecerem a cara dos respetivos alunos e alunos que passaram um ano letivo completo sem conhecerem a cara dos respetivos professores.

Vi professores que lecionavam a distância sem ligar a câmara de vídeo, escudando-se na proteção de dados.

Vi alunos sem alguns professores durante meses.

Vi concursos de recrutamento de professores sem nenhum concorrente.

Vi professores a chamar «burros» aos alunos.

Vi professores obrigados a uma deslocação de centenas de quilómetros da sua habitação, a alugarem uma casa mais próxima da escola onde foram colocados e a sujeitarem-se a um rendimento líquido inferior ao salário mínimo, apenas para ganhar tempo de serviço e mais algumas décimas na graduação.

Vi professores com onze turmas.

Vi professores que deixaram a profissão e muitos outros que andam ansiosos por encontrar alternativa para o fazerem.

Vi alunos a apreciarem extremamente as aulas, a aprenderem imenso com os seus professores e a atingirem quadros de mérito e de excelência.

Vi encarregados de educação a atribuírem enorme valor à capacidade dos professores dos seus educandos em ensinar conhecimentos escolares e em adequar comportamentos.

Vi professores ainda entusiasmados com a profissão.

Custa-me revelar-vos que é com pouca esperança e com um doce-amargo de fel que vos relato o que vi.

 

 

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Recomendação ao Governo de medidas no âmbito da educação de infância

Resolução da Assembleia da República n.º 364/2021

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O ano do Tiago em revista…

 

Foi à bola e sentou-se na tribuna…

Foi ver os Olímpicos e sentou-se nas melhores filas…

Visitou umas escolas, mas não se sentou porque as cadeiras são de madeira ou plástico duro…

Foi-se confinando e desconfinava sempre que o chefe ordenava…

Levou umas vacinas e, certamente, experimentou um ou dois cotonetes…

Deve ter ido à praia apanhar uns raios, mas isso já é especulação.

 

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QUERIAM SER PROFESSORES. E AINDA QUEREM, MAS… SÃO “IT’s”

 

QUERIAM SER PROFESSORES. E AINDA QUEREM

Voltemos às escolas. Ninguém. Não se vê vivalma (som de grilo). Cada escola tem um sistema informático carregado às costas da beatice tech de dois ou três professores que nunca escolheram ser técnicos de informática e que hoje nada mais são do que isso. Que remédio. Escolheram ser professores de Artes visuais, Educação Física, Fisico-Química, Português, Matemática mas, quando se descobriu que “gostavam de computadores e assim” logo ficaram incumbidos de planificar, construir e gerir extensas redes informáticas que incluem várias centenas de computadores, que todos os anos têm de ser limpos de lixo e de vírus, reparados e renovados; produzir e manter websites institucionais, gerir backups, num trabalho solitário de milhões de horas que ninguém paga.

Nenhuma destas pessoas pensou um dia “Quando for grande, quero reparar computadores e redes”. Queriam ser professores. E ainda querem. Um professor de Alcobaça, confessou-me que o pai, pescador da Nazaré, um dia disse-lhe que gostaria muito de o ver no alto mar a trabalhar nas redes. “Ele é que tinha razão, só que não são de pesca”. Pois não só vive enredado em redes, como também é director de turma e dá aulas a cem alunos. Evidentemente, enquanto estiver com eles, o sistema está proibido de “ir abaixo”. Oremos, Senhor.

Compreenda-se: as solicitações para resolver problemas digitais numa escola são às centenas por mês. Dezenas por dia. E vão desde aquele professor que não percebe por que razão estúpida o seu monitor não liga, apesar de não estar ligado à tomada eléctrica, até à ocorrência de um bug numa programação. Pergunta óbvia de quem não sabe nada: “Por que é que não atribuem essas tarefas aos professores com habilitação em informática?” Por duas razões. Por um lado, porque não há professores de informática em número suficiente para ensinar informática, quanto mais para o resto. Por outro, porque quem escolhe ser professor de informática é porque gosta de fazer com que os miúdos aprendam informática. Ou seja: querem ser professores. Se quisessem ser técnicos de manutenção e reparação de computadores, tinham-no sido. Mas não são.

Este estado de permanente improviso é intolerável. As escolas colocam cada dia terabytes de informação crítica, íntima, sobre pais e alunos em hosts comerciais como a Google ou a Microsoft, esperando que ninguém esteja verdadeiramente interessado em saber que o Meireles tem asma, diabetes ou espinha bífida. Não existe nenhuma política consistente em matéria de protecção de dados educacionais.

Rui Correia (SIC)

 

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