20 de Novembro de 2021 archive

“Vai haver falta de professores num futuro próximo”

 

“Durante a pandemia, a sociedade percebeu o quanto é importante a função docente, porém, logo a seguir esqueceu. Foi preciso o Ministro da Educação, a destempo, vir dizer que dentro em breve vão faltar professores nas escolas. O alarme tocou!

“Vai haver falta de professores num futuro próximo”

Andaram durante anos e anos a maltratar esta classe que sempre foi mal vista, sendo um fardo para qualquer Orçamento do Estado, pois são muitos: já foram 150.000 e atualmente andam à volta de 120.000 professores. São muito mais do que médicos e nem se fala comparado com juízes.

O ministro Tiago Brandão Rodrigues foi o ministro que mais tempo esteve à frente da pasta da Educação, mas o que menos fez pelos professores, contudo, deveria ter sido o contrário.

Todos os obstáculos que se puseram aos professores: desde concursos em que tinham de ir para longe de casa, poderem efetivar-se, não saberem se no ano seguinte teriam emprego, não terem acesso a um horário completo, exercerem no meio de papéis e normas, em vez, de ensinarem, bloqueio da carreira para ganharem um pouco melhor, a não contagem do tempo de serviço, entre outros. Tudo isto levou a que ninguém quisesse ser professor.

Vai haver falta de professores num futuro próximo e não se tratou deste assunto com tempo nem se delineou uma estratégia.

Afinal, os professores são importantes numa democracia adulta e na edificação de uma educação para todos!

A imagem dos professores também passa por quem os representa. Mário Nogueira da FENPROF, toda a gente sabe que é comunista, mas defendeu sempre em primeiro lugar os professores e é das pessoas em Portugal que mais sabe da problemática docente. João Dias da Silva da FNE é social-democrata, sereno e comedido, mas sempre defendeu os professores.

Porém, existe a ANDAEP (Associação Nacional de Diretores de Agrupamento e Escolas Públicas). O seu diretor é diretor de uma escola e acumula com presidente de junta eleito nas listas do PS.

José Manuel Ascenção, presidente da CONFAP (Confederação Nacional das Associações de Pais), foi candidato do PSD à Câmara de Gondomar.

Um dos graves problemas dos professores, e o que a eles diz respeito, é a falta de independência de quem os representa, outra é haver entidades a mais a começar por haver sindicatos a mais.

Uma forma, no futuro, de dignificar e fazer respeitar os professores seria criar uma Ordem de Professores. Um professor primário é licenciado como qualquer professor da universidade, que pode ter um mestrado ou um doutoramento. A terminologia há só uma e o seu grau de importância não depende onde exerce. Um pediatra por tratar crianças não deixa de ser médico.

Espero, um dia, ver reconhecida a profissão docente, como algo importante para termos uma sociedade melhor, mais educada e com saber.”

 

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“Sem professores, os alunos não aprendem e o currículo pode não ser cumprido”

 

“Sem professores, os alunos não aprendem e o currículo pode não ser cumprido”

A greve às horas extraordinárias convocada pela Federação Nacional de Professores (Fenprof) a partir de segunda-feira pode, de facto, agravar o problema de falta de professores nas escolas?
Essa [as horas extraordinárias] é uma das formas que os directores de escolas têm para resolver o problema de escassez de docentes. Propomos aos professores efectivos, que já têm horário completo, fazerem horas extraordinárias. A lei permite que se obrigue a isso, mas nós não obrigamos ninguém. O que fazemos é propor aos professores que façam mais algumas horas, para acudir a este problema.

Uma greve a estas horas extraordinárias pode, com certeza, piorar o cenário, mas tudo vai depender do grau de adesão. É bom que se diga que os professores, que não são os sindicatos, querem fazer parte da solução. Por este motivo, estou convencido que a adesão à greve acabará por ser baixa.

A estimativa da Fenprof aponta para 20 a 30 mil alunos que ainda não têm pelo menos um professor. É um número semelhante ao que foi divulgado há um ano e há dois, mais ou menos na mesma altura do ano lectivo. Por que persiste este problema?
O único indício de vontade de resolver o problema que vi até agora foi o estudo das necessidades [de recrutamento] apresentado esta semana pelo Ministério da Educação (ME). Mas as soluções apontadas são para o médio e longo prazo e nós precisamos de soluções a curto prazo também. Os directores têm tentado resolver através da atribuição de horas extraordinárias.

Outra solução seria completar os horários de professores que têm horários incompletos.

Além disso, gostávamos que, a partir do próximo ano, este deixasse de ser um problema das escolas e, para isso, devia ser aberto um concurso extraordinário para vincular professores contratados, que são docentes habilitados e muito experientes, que são precisos no sistema educativo. Penso que é uma solução que depende mais do Ministério das Finanças do que do ME.

O Governo também anunciou a criação de uma task-force que vai trabalhar directamente com as escolas para resolver situações de carência de professores. Ainda não sabemos como é que isto vai funcionar. Este é um problema estrutural e temos que apelar a soluções estruturais, que não passam pela acção de uma task-force, que terá uma acção muito específica, numa dada escola.

Que impacto é que esta ausência, já estrutural, de professores tem junto dos alunos, ainda mais num ano que se anunciava de recuperação das aprendizagens afectadas pela pandemia?
Sem professores, os alunos não aprendem e o currículo pode não ser cumprido. O impacto de tudo isto depende muito do momento em que os professores vão começar a leccionar as aulas.

Alguns docentes ainda estão a chegar às escolas nesta altura e há outros que não sabemos quando virão. Esse prazo vai fazer diferença. As escolas têm estratégias de apoio a estes alunos, atribuindo-lhes mais horas de aprendizagem quando o professor for encontrado, mas está longe de ser a situação ideal. O que devia acontecer era que os alunos tivessem o seu professor no início do ano lectivo a dar a matéria que os currículos prevêem.

Público

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ESTA FOI EM UMA SEMANA EM CHEIO

 

Esta foi mesmo uma semana em cheio.
Na terça-feira, dia 16, tiveram início as celebrações do centenário de José Saramago, que só acontecerá em 2022, com um programa cultural internacional em torno do Nobel da Literatura.
Estas celebrações consolidarão a presença do escritor na história cultural e literária, em Portugal e no estrangeiro, assim como prestarão homenagem à sua figura como cidadão. Amado por uns, odiado por outros, o certo é que Saramago nunca morrerá.
Na mesma terça-feira, reuniu a Comissão de Educação, Ciência, Juventude e Desporto, para discutir aquela medida imoral e puramente economicista, vulgarmente conhecida como “quotas e vagas para acesso aos 5 e 7 escalões”. Sim, aquela que que leva a critérios pouco ou nada claros relativamente à atribuição das notas de muito bom e excelente.
O PAN, o BE e o PCP apresentaram as suas recomendações no sentido de se acabarem com estas injustiças.
Recomendações estas que, sem surpresa, foram rejeitas, com o voto contra do PS e a abstenção do PSD nas iniciativas do PAN e do BE. A iniciativa do PCP foi rejeitada com os votos contra do PS e do PSD.
O costume.
Podem consultar toda a documentação em https://snpl.pt/Discussao-vagas-acesso-5-7escaloes.pdf
Voltando a José Saramago, “O grande problema do nosso sistema democrático é que permite fazer coisas nada democráticas democraticamente.”
Na quarta-feira, acordámos com a notícia que o Governo irá criar uma task-force para ajudar escolas com falta de professores.

A criação desta “task-force” será constituída por elementos da DGEE e da DGAE, para ajudar aquelas escolas que ainda têm falta de professores, ou seja, todas ou quase todas de Portugal Continental.
Vamos lá ver se o Ministério da Educação se vai dignar em criar uma “task-force” para negociar com os sindicatos, algo que já devia de ter acontecido há meses.
Na quinta-feira, somos presenteados na SIC Notícias com a entrevista ao ex-Senhor Ministro Nuno Crato, na qual este afirma que a “falta de professores é um “drama anunciado há muito tempo”. Certamente que já se esqueceu de uma entrevista dada ao Semanário Sol, onde defendia que havia profissionais a mais e que a “redução de professores seria inevitável nos próximos anos.
Mudam-se os tempos…
E agora, resta-me desejar-vos um Bom fim-de-semana, pois a semana não foi em cheio por causa do que foi mencionado até agora, mas sim pelas infindáveis reuniões intercalares que tivemos esta semana.

Com os melhores cumprimentos,
Lisboa, 20 de novembro de 2021
A Presidente da Direção Nacional,
Grasiela Rodrigue

 

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O aumento salarial médio por ano adicional de escolaridade tem vindo a descer significativamente

 

A geração da década de 40 tinha menos de 6 anos de escolaridade, em média, quando atingiram os 30 anos de idade. A geração nascida meio século depois (1990-99) duplicou o número de anos de escolaridade. No entanto, a recompensa salarial por cada ano adicional de escolaridade nesta geração mais nova é metade do que se verificava na geração de 1940-49.
Apesar da tendência verificada, a educação continua a ser um catalisador do crescimento económico de cada cidadão e, consequentemente, um forte estímulo à mobilidade social, ainda que esse contributo seja menor para as gerações mais jovens.

 

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Ministro Brandão Rodrigues corre atrás do prejuízo

Ministro Brandão Rodrigues corre atrás do prejuízo

Agora que está de abalada, à última hora e após seis anos de inércia e adormecimento, ministro dá-se conta daquilo que o SPZC tem chamado a atenção há anos. A falta de professores é um problema gigantesco que só pode ser ultrapassado com um investimento sério na Educação. Para já, é fundamental a revalorização da carreira e o rejuvenescimento da classe 

A questão da falta de professores é candente e, como o SPZC e a FNE vêm alertando há anos, não é de agora. Para espanto de todos, até dos mais incautos, Brandão Rodrigues só agora em final de mandato é que se dá conta que o país atravessa este enormíssimo problema. Sendo o político que mais anos passou à frente da pasta da Educação é uma atitude, no mínimo, deplorável e irresponsável. Foram seis anos de inércia e falta de competência para resolver este e outros assuntos que exigiam ações concretas e medidas de fundo. Foi um longo período de hibernação.

Os educadores e professores portugueses são profissionais altamente certificados e qualificados. Desde que o Processo Bolonha foi implementado no Ensino Superior português que só entram nos quadros das escolas quem possuir o grau de mestre (2.º ciclo) e for profissionalizado. Brandão Rodrigues não soube estar à altura da excelência dos docentes que (não) liderou.

Um problema desta magnitude, estrutural, exige medidas de fundo. Esta grave situação não é ultrapassável com medidas de cosmética ou com o aumento do número de horas aos professores, já de si sobrecarregados, nem facilitando o recrutamento de candidatos a docentes sem as necessárias habilitações profissionais.

Desde logo, há que investir fortemente no sector da Educação. E não é isso que tem acontecido. Repare-se, por exemplo, nos valores de referência em relação ao PIB ao longo das últimas décadas: até 2002 houve um aumento, atingindo os 5,1%; a partir daí, regista-se uma descida para os 3,9%.

O SPZC estará atento às propostas que, nesta como noutras matérias, serão apresentadas pelo Executivo que resultar das eleições legislativas de 30 de janeiro próximo.

Uma nota digna de registo respeita à reunião que ocorreu recentemente no âmbito do Ensino Superior que deixou alguns sinais positivos para o sector em termos de progressão nas carreiras. O MCTES mostrou abertura para incluir as propostas do SPZC e da FNE no documento final sobre a progressão nas carreiras dos Politécnicos e das Universidades. O SPZC e a FNE demostraram, uma vez mais, a total disponibilidade para a negociação com o Governo, nesta e noutras matérias, e a defesa intransigente dos docentes.

Entretanto, enquanto não for definido o novo quadro governativo, o SPZC e a FNE estão empenhados na elaboração do caderno reivindicativo, a ser apresentado a todos os partidos com assento parlamentar, e de forma particular o roteiro do ensino e educação para a nova legislatura.

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Quero ouvir o Costa e o Tiago dizer que as escolas são lugares…

 

Na região Norte, relativamente aos surtos detetados nesta região, 69% deles ocorrem em contexto escolar ou universitário.

Na região Centro, no que toca aos surtos identificados, 40% ocorreram em escolas e universidades.

Em Lisboa e Vale do Tejo,  dos surtos registados 39% foram detetados em ambiente escolar e universitário.

região do Alentejo, em relação aos surtos registados, 59% ocorre em escolas e universidades.

região do Algarve, o maior palco de surtos continuam a ser as escolas e universidades, que reúnem 38% deles.

 

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