Nos últimos seis anos, a governação do país pelo PS de António Costa foi pautada pela obstinação, pela arrogância e pela prepotência política, aliadas a uma pretensa superioridade intelectual… Mas, e na realidade, tratou-se apenas de uma espécie de fenómeno “déjà vu”, a lembrar o que já se tinha experienciado nos Governos chefiados por José Sócrates… As “cerimónias fúnebres do enterro da Educação”, nomeadamente da função Docente, foram, aliás, iniciadas durante a acção governativa deste último…
Socialismo? Não houve… Consta que terá sido metido numa “gaveta” por Mário Soares e parece que nunca mais ninguém o tirou de lá…
Social Democracia? Não houve, apesar de António Costa se ter auto-proclamado como um “moderado social democrata” no XXI Congresso do PS em Junho de 2016…
De Socialismo só o nome e de Social Democracia só a aspiração…
Outra ideologia? Também não houve…
O que houve, afinal, foi um Poder exercido de forma sobranceira, típica de quem se considera “intocável” e acima de qualquer crítica ou julgamento… “Não ter que prestar contas, nem justificar nada a ninguém” parece ter sido o lema subjacente ao modus operandi do PS, observado nos últimos anos…
Comissões Parlamentares de Inquérito no Governo de António Costa? Foram dispensadas e inviabilizadas sempre que os assuntos em análise pudessem “beliscar” algum dos “bem iluminados” Ministros, como foi o caso de Eduardo Cabrita, relativo à morte de um cidadão num acidente rodoviário…
Petições Públicas na área da Educação endereçadas à Assembleia da República? Não foram tidas em efectiva consideração, simplesmente ignoradas, ainda que algumas possam ter sido alvo de análise em sede da Comissão de Educação, Ciência, Juventude e Desporto…
Por outro lado, a inépcia de alguns Ministros, de que são exemplos flagrantes Eduardo Cabrita e Tiago Rodrigues, foi sendo sucessivamente branqueada e mascarada pela soberba política e por uma atitude desculpabilizante e condescendente, apenas tolerável em países subdesenvolvidos e imaturos, com uma mentalidade terceiro-mundista…
Quando algum Ministro dá azo a recorrentes anedotas e/ou é alvo de sistemática chacota, impõe-se a respectiva demissão, voluntária ou coerciva… Algum deles se demitiu ou foi demitido, a bem da própria dignidade e da honorabilidade do cargo que ocupa?
Ao consumar-se o “divórcio” entre os parceiros de “coligação” da dita “Geringonça”, pela não aprovação do OE 2022, o PS, como aliás se esperava, sacou do discurso da humildade simulada e da vitimização, qual parceiro traído e enganado, ou como o típico comportamento de um arrogante perante uma derrota…
Agora é vê-los e ouvi-los apregoando a humildade, como se sempre a tivessem praticado, ou como se fossem Governantes com sentido de justiça e de equidade, além de bons ouvintes… É caso para dizer: “Palavras, leva-as o vento”, sobretudo quando as acções anteriores contradizem categoricamente os discursos actuais…
Mas, neste “divórcio”, tal como em todos os outros, a “culpa” nunca pode ser atribuída exclusivamente a um dos parceiros…
Em seis anos de “Geringonça”, PCP, Verdes e Bloco de Esquerda andaram, a maior parte do tempo, a fazer de conta que eram oposição e nos momentos decisivos e definidores, como em votações importantes para os profissionais de Educação, estiveram sempre “alinhados” com os intuitos do Governo, cujo principal defensor e apoiante foi o PS…
Como podem agora apresentar inúmeras “queixas” contra o Governo/PS, agindo como se não tivessem sido seus aliados durante os últimos seis anos? Foram precisos seis anos para descobrir os defeitos do parceiro agora apontados? O que tem de tão diferente o OE 2022, face ao anterior, que justifique inviabilizar a respectiva aprovação? Torna-se difícil encontrar seriedade nessa decisão do PCP, dos Verdes e do Bloco de Esquerda…
Se alguém aqui foi traído ou enganado, talvez tenham sido os cidadãos que votaram no PCP, nos Verdes ou no Bloco de Esquerda…
E apesar de não existir qualquer drama na antecipação de eleições legislativas, parte integrante e vital de um regime democrático, também não pode deixar de se assinalar a encenação política criada pelos Partidos que sustentaram a “Geringonça” e que neste momento assume a categoria de “rábula”…
Os interesses partidários sobrepuseram-se aos do País, provocando intencionalmente uma “crise política” incompreensível e desnecessária: o PS, no papel de vítima, pretende capitalizar esse “infortúnio” e transformá-lo em maioria absoluta; o PCP, os Verdes e o Bloco de Esquerda pretendem recuperar os tradicionais “gritos de rua” da pseudo contestação e amealhar algum descontentamento social…
Por parte de todos os parceiros da “Geringonça”, a tentação do taticismo e do calculismo partidário prevaleceu, pela via de determinadas manobras e estratégias, previsivelmente despoletadas pelo “alarme” dos resultados obtidos nas últimas Eleições Autárquicas…
No que à Educação respeita, durante a acção governativa da “Geringonça”, pergunta-se:
Nos últimos seis anos, dos problemas endémicos que afectam a Escola Pública, quantos foram resolvidos? E, paradoxalmente, quantos foram criados pela própria Tutela?
Nos últimos seis anos, em que momentos foram efectivamente ouvidos os profissionais de Educação? O que foi feito no sentido de dignificar a Escola Pública e o trabalho dos respectivos profissionais?
Nos últimos seis anos, que medidas foram efectivamente tomadas no sentido de melhorar as condições de trabalho desses profissionais, quer ao nível dos factores sociopolíticos, quer ao nível dos psicopedagógicos?
Que motivos têm os profissionais de Educação para confiarem na política educativa dos parceiros de “Geringonça”, em particular na concepção educativa do PS, à luz do que lhes foi dado a experienciar nos últimos seis anos?
O que perdeu a Educação com o desastre da “Geringonça”? Com rigor e objectividade, a Educação não parece ter perdido nada de proveitoso com o desastre da “Geringonça”, o que também não significa que os restantes Partidos Políticos estejam isentos de críticas ou ilibados de erros…
Independentemente do que possa vir a seguir, e que até poderá ser “mais do mesmo”, uma coisa parece certa: a Educação está moribunda desde há vários anos, a Escola Pública definha, entregue a si própria, e não parece haver qualquer vontade política no sentido da resolução dos problemas que a afectam…
Como afirmava, há muitos anos atrás, o honorável, Paulo Freire: “Educar é um acto político”…
Talvez seja oportuno relembrar que Educação e Política não são separáveis nem indissociáveis e que Educar nunca será um acto isento ou neutro… Escusamos de fazer de conta…
(Matilde)

11 comentários
Passar directamente para o formulário dos comentários,
👌👌👌👌👍
O que eu sei é que PCP BE e PSD nas VÁRIAS votações na assembleia da república que iriam beneficiar os professores e a Educação em Portugal ou votaram contra ou abstiveram-se.
O PS esse até ameaçou demitir-se se essas fossem aprovadas.
O que resta?
E o que ganhos professores e a escola pública com o governo de Passos e Portas?
Por fim, o que ganharão os professores e a escola pública com o regresso ao poder deste PSD e deste CDS, suportados pelo Chega?
Ganharão:
– nova eliminação dos feriados;
– congelamento das carreiras;
– suspensão indefinida do pagamento dos subsídios de férias e de Natal;
– novos cortes salariais;
– aumento do número de alunos por turma;
– reforço das tarefas burocráticas para os docentes, à semelhança do que fez Nuno Crato;
– incremento do apoio ao ensino privado.
O que ganharam com estes?
Ditadores na gestão, quotas nas progressões, aumentos zero, progressões fantasma (tudo congelado há 6 meses), horários de trabalho ilegais, discriminação e perseguições, a fraude do MAIA e afins, um ambiente tóxico nas escolas, IGEC como polícia ao serviço dos comissários políticos …
O espaço que se segue é da exclusiva responsabilidade dos intervenientes.
Todos, alunos, pais, professores, perderam muito. E os professores perderam um direito fundamental que muito trabalho tiveram para o conquistar: o direito a uma aposentação na idade devida. Deixaram de poder aposentar-se aos 56 anos para passarem a aposentar-se aos 67. Se isto não é uma patifaria, o que será então? Sim, uma vingança na classe docente. E o PCP tem o rabinho entalado… talvez lhes saiba bem mamarem o dinheiro das quotas aos mais velhos. Tenham vergonha, eu tenho vergonha alhaeia quando vejo um professor andar a lamber o PS.
Enfim se devolver o tempo de serviço vou votar neles.
Dizem que a escola pública é uma despesa, para depois financiar no privado.
Eu abdico do tempo de serviço que o governo não quer devolver em troca da minha libertação do projeto MAIA.
O problema dos professores é mais vasto do que Portugal. Em França 45% das escolas têm falta de professores, na Alemanha faltam 29 000 professores, nos Estados Unidos os professores mudam de emprego passado mais ou menos 5 anos, exceto se forem professores dos colégios de renome, na Austrália aumentou significativamente o professor ocasional. Causas (leitura de um site francês de apoio aos professores):
1 – Imagem do professor perante a opinião pública: para a opinião pública os professores trabalham pouco e têm muitas férias.
2 – Condições de trabalho: incremento do ensino construtivista em detrimento do ensino tradicional, que dá prioridade à diferenciação pedagógica com turmas numerosas, ensino por projetos com poucos resultados….onde já ouvimos isto!
3- O baixo salário relativamente às outras profissões que exigem elavadas qualificaçoes
4 – O excesso de trabalho: preparação das aulas, aulas, elaboração de testes e de trabalhos de avaliação, correção de testes e trabalhos, reuniões pedagógicas, visitas de estudo, etc.
5 – Os pais que constantemente; pressionam as direções com as classificações , contestam uma sanção dos filhos, e faltam ao respeito aos professores.
6 – Os pais demissionários que entregam a educação dos filhos às escolas.
Isto é infelizmente o que encontramos nos países ditos da civilização ocidental: o culto da juventude em detrimento dos mais velhos. Curiosamente, começou a aparecer algum descontentamento nos professores finlandeses.
Os professores são mais felizes no Japão, na China, na Coreia do Sul, em Taiwan …onde por acaso os sistemas de ensino têm mais sucesso no PISA. Não é por acaso. que nestes países os mais velhos são muito respeitados. O mesmo acontece em África e nos países árabes.
A maior esperança para os professores reside no facto de alguns países ocidentais começarem a mudar de paradigma, a começar pela Austrália, devido aos estudos revolucionários de John Sweller que provou que o ensino tradicional é mais eficaz do que ensino construtivsta (Bruner, Piaget, Freire…), baseada em projetos.
E o que fazem os sindicatos “fofinhos”???
Desconvocam uma greve porque que parece que os problemas da nossa classe desapareceram. Será que já estão a pensar nalgum tacho que poderão ter num novo governo?