Lourenço Isidoro, de 13 anos, solteiro, sem filhos, computador adstrito ao serviço da educação nacional, em Viana do Castelo, baixou esta manhã ao estaleiro, com graves sintomas viscerais agudos.
Tendo sido ontem emitido um boletim entregue ao diretor do estabelecimento onde serve, destacando a sua condição moribunda, foi decidida por este uma melindrosa operação cirúrgica, que as imagens documentam.
O ilustre servidor público apresentava sintomas como tremuras regulares no écran, vibração excessiva da ventoinha, encravanços crónicos e repetitivos. Tinha ainda dificuldades em fazer-se ouvir e estava incapaz de instalar aplicações.
Os relatos da sua condição agravaram-se nos últimos dias desde que um tipo qualquer, em vez de ficar em casa a pagar para trabalhar, decidiu utilizá-lo na escola, obrigando-o a consumir sobredoses de dados.
O técnico da instalação, especializado em canibalização de peças, decidiu fazer uma limpeza urgente às tripas, verificar a ventoinha e instalar um disco reciclado mais recente, para acolher software menos desatualizado (2010).
O doente está a convalescer bem, já num quarto isolado, onde em breve retomará as suas heróicas funções, em condições de, sem eco, se fazer ouvir à distância. Já anunciou que pretende apenas um dia de baixa e, mesmo combalido, já só pensa no trabalho, que retoma amanhã.
Não passou despercebido aos familiares e amigos o desinteresse de Sua Excelência O Ministro da Educação Doutor Tiago Brandão que, apesar de ter passado os últimos dias em grandes festarolas exibicionistas com uns poucos computadores recém chegados, não enviou sequer um adjunto para saber da saúde de tão abnegado e antigo servidor do bem público, acometido de tão graves maleitas.
A família Isidoro considera que essa ingratidão só tem paralelo com a que tal alegado governante manifesta aos docentes.
Sendo um caso complexo, dada a provecta idade do paciente, mantenho-me a seu lado a acompanhar o seu estado, de que informarei regularmente amigos e admiradores.
Recorde-se que a canibalização de peças é uma técnica de cirurgia eletrónica e mecânica em que os portugueses têm vários centros de excelência de que se destacam a Força Aérea, que há décadas mantém capacidade operacional graças a ela, e as escolas básicas e secundárias que, desde o PTE, se especializaram na avançada metodologia.




3 comentários
Ao Isidoro, votos de rápidas melhoras e de uma convalescença tranquila…
Não é qualquer um que sobrevive a uma intervenção cirúrgica tão delicada e de tão grande envergadura… 🙂
“…desde que um tipo qualquer, em vez de ficar em casa a pagar para trabalhar…”
A sério? Mas ainda continua com isto? Haja paciência.
O que vale é a ADSE… Deixe-se disso e compre um computador com o dinheiro que poupa ao não ter de se deslocar para a escola durante o confinamento. Apesar de tudo, nós, os professores, até nem somos os que temos passado pior neste colapso total que o país vive.