E@D. Todos diferentes, todos iguais. – CNIPE

E@D. Todos diferentes, todos iguais.

Alguns de nós, comuns mortais, ainda não nos demos conta que o ‘bicho’ veio para ficar. As estirpes do Reino Unido, do Brasil, da África do Sul, e outras que irão aparecer, não são mais do que mutações que o vírus vai tendo em função do meio onde está inserido. Há alguns membros do governo, assim como alguns quadros da administração pública, que ainda não interiorizaram esta permanência do vírus e, portanto, também ainda não interiorizaram a necessidade da mudança. Provavelmente porque não perceberam que existe uma diferença entre mandar e chefiar, ordenar e coordenar, ou talvez vivam com medo de perder o poder. Deve ser por essa razão que a autonomia das escolas não passa do papel, porque na prática não existe.

Por outro lado, porque é mais simples gerir e dá menos trabalho, se o ‘rebanho’ for todo para o mesmo lado, do que atender às particularidades de cada um. A CNIPE percebe que para uma máquina burocrática como o Ministério da Educação, esta forma de gerir todos por igual seja mais simples, mas não eficaz, porque depois vêm as ‘ovelhas ranhosas’. Não havendo uma verdadeira autonomia concedida às escolas, o mais natural é que os Diretores dos Agrupamentos e das Escolas não agrupadas, quando são confrontados com problemas que não têm autonomia para decidir, coloquem a questão ao Ministério da Educação, e aí fica o caos instalado. Se por outro lado, se determinarmos as regras de funcionamento sem atendermos aos problemas
das minorias, então não há problemas, pois estes esgotam-se nas regras que foram definidas iguais para todos.

Pois bem, e os alunos, cujos pais recebem o Rendimento de Inserção, que não têm possibilidade de ter Internet em casa. Já não falamos do computador, pois esse o governo já assumiu que vão ter. Resposta do governo, vão à escola, pois aí já têm acesso à Internet. Então, se vão à escola almoçar, também
podem ter aulas através de E@D. A questão do computador é secundária, pois o governo diz que vão ter computador. Mas na 2a feira já todas as escolas terão computadores em número suficiente para suprir estas necessidades e as dos alunos que não estão ‘obrigados’ a ir à escola? Para quando estará previsto, de acordo com as contas do governo, que todos os alunos tenham um computador para aceder ao E@D?

E os alunos de risco? Com o decretar do último estado de emergência em vigor, está uma alínea que prevê a obrigatoriedade de estes alunos continuarem a ir à escola. Por cada concelho, foram seleccionadas as escolas que se mantinham abertas para receber estes alunos e os alunos filhos de funcionários dos serviços considerados essenciais no combate à pandemia. Portanto, também aqui, não há nenhuma novidade, é dar continuidade aquilo que já vem sendo feito, pois anteriormente também, alguns deles já vinham.

A novidade está na obrigatoriedade de os alunos abrangidos pelo Rendimento de Inserção e todos os alunos abrangidos pelo escalão I do SASE, irem à escola. Pois bem, poderá existir nesta situação uma dualidade de critérios. Mais uma vez, pegando no exemplo do último estado de emergência em vigor, o teletrabalho não é negociável, é obrigatório e deve ser aplicado por vontade expressa do trabalhador. Só assim não será para todos aqueles cujas funções não tenham possibilidade de ser exercidas em teletrabalho. Voltando então aos
alunos, acreditamos que deveria ser aplicado o mesmo princípio, ou seja, desde que o aluno tenha  possibilidade de ser abrangido pelo E@D, então não deve ir à escola, mas se não tiver essa possibilidade, o que fazer então? Provavelmente a resposta estará na escola.

Então se a resposta está na escola, julgamos que o Ministério da Educação deveria deixar essas decisões à escola, pois são estas que melhor conhecem os seus alunos, o seu tecido social, e que melhores respostas podem e devem dar aos seus alunos. O papel do ME deveria ser capacitar as escolas de meios que possam dar resposta eficaz aos problemas que enfrentam no dia a dia, e não andar a legislar por decreto. Voltamos à questão da verdadeira autonomia das escolas, que só existe no papel.

Esta questão não se esgota na legalidade ou ilegalidade dos alunos terem que ir à escola para terem acesso ao E@D. Existem muitos outros problemas antes disso aos quais urge mudar mentalidades e dar resposta.

A Direcção da CNIPE, 6 de Fev 2021

 

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3 comentários

    • Filipe on 6 de Fevereiro de 2021 at 18:35
    • Responder

    Devido à irresponsabilidade dos adultos que adoram ser canalhas e sacanas , tal como os cães e cadelas , cheiram de hora a hora os cus dos semelhantes , as crianças e principalmente as mais jovens andam a pagar um preço caro na sua educação e saúde . Os Direitos das crianças estão consagrados Universalmente e um deles importante é a educação . As casas da sua intimidade , não são locais e propriedade do Estado para daí os obrigar na Educação proposta com uso de imagem e som . Para além disso , não existe um estudo científico que abone tal educação à distância , pelo contrário , existem milhares de estudos que indicam que estar em frente a telas , contribui para a degradação da saúde das crianças e efeitos crónicos para o resto da vida . Ora , se estão em casa para protegerem-se de um determinado vírus , agora o Estado os tomou como objetos seus e os obrigado a educarem-se em casa quando outros sacanas e canalhas , continuam a procurar exceções para que o vírus se reproduza sem fim à vista . Ainda não vi os Sindicatos e as alegadas Confederações de pais a reivindicarem , por exemplo ; Dedução no IRS dos equipamentos informáticos comprados ou ajuda a todos os alunos com uma compensação monetária devido ao custo das ligações de internet e gastos com tinteiros e afins , pois o Estado está também a poupar sem ter os estabelecimentos de educação a 100% . Esta pandemia serve não só para os sacanas e canalhas , mas também para o gatuno do Estado Português tornar agora os alunos numa espécie de PROSTITUTAS , enquanto ele o CHULO que vai metendo receitas por suas ordens no bolso , quer de IVA e verbas cativadas em detrimento dos alunos .

    O ensino à distância é uma autêntica exploração de carne humana por parte do Estado , só na parte dos alunos … mais jovens e distantes de tudo .

    Certo , é que os alegados alunos “ricos” filhos ou filhas de sacanas , canalhas e gatunos , da qual pensam de imediato sabedores do uso de telas a tempo inteiro , irão ter sequelas para o resto da vida , está estudado e não é hoje que existe volta a dar ao assunto .

    O Estado Português degradou a Educação em Portugal e no futuro vai – se refletir em maior desigualdade e violência dentro das escolas quando tudo acabar .

    https://novaescola.org.br/conteudo/19623/como-moderar-o-uso-de-telas-nas-atividades-a-distancia-e-orientar-as-familias

    https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2020/02/sociedade-brasileira-de-pediatria-cria-manual-de-praticas-sobre-o-uso-de-telas-por-criancas-e-adolescentes-ck6ja17be0ifu01qdbxoyvtyz.html

    https://www.comregras.com/quanto-tempo-devem-estar-os-alunos-em-aulas-a-distancia/

    • Filipe on 6 de Fevereiro de 2021 at 18:41
    • Responder

    “A novidade está na obrigatoriedade de os alunos abrangidos pelo Rendimento de Inserção e todos os alunos abrangidos pelo escalão I do SASE, irem à escola”

    Vão para Escola mas não vão encontrar o seu professor !

    Vão e serão remetidos ao entulho de meios informáticos à distância , pois os professores estão em casa a dar aular aos filhos e filhas de sacanas , canalhas e gatunos do Estado .

    Tem de se desenrascar na Escola tal como tivessem em casa …

    • pretor on 6 de Fevereiro de 2021 at 21:34
    • Responder

    As escolas fazem o inverso.
    Privilegiam as aulas síncronas e ligam a webcam…

    Leiam… É pouquinho
    https://i.ibb.co/k5WZZL1/E-d.png

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