Governo avança com mapas de risco e aperta medidas em concelhos de risco

Governo avança com mapas de risco e aperta medidas em concelhos de risco

 

Primeiro-ministro anuncia medidas mais restritivas para travar a progressão de contágios e avisa que agravamento dos números pode conduzir a pressão “insustentável” sobre o SNS

António Costa, na conferência de imprensa em que anuncia as medidas para conter a pandemia, acaba de anunciar uma parceria com a Cruz Vermelha Portuguesa, que terá início no dia 9, para que seja criado um programa de “testes rápidos” à Covid-19, que permitirão detetar quase “instantaneamente” o vírus, ainda que o grau de precisão seja menor.

O primeiro-ministro garante que vai proceder à “contratação de enfermeiros reformados para rastreio de contatos”, em “condições idênticas às adotadas no início do ano para médicos reformados”. Haverá, assim, um regime excecional de contratação de enfermeiros para cuidados intensivos, contratados não a termo, mas para serem integrados na carreira, através de um concurso que incentive os enfermeiros a concorrer. Serão abertas até 350 vagas de enfermeiros para as UCI, que decorre em paralelo com os concursos para os novos médicos tendo em vista essas unidades. Segundo o PM, haverá mais 48 médicos intensivistas, e outros 46 em janeiro. Não basta ter os equipamentos, mas “é fundamental um elemento crítico, que são os recursos humanos”, diz Costa.

O primeiro-ministro disse ainda que o aumento de casos pode levar a pressão “insustentável” sobre o SNS e um “agravamento significativo da nossa situação de saúde pública”. O primeiro-ministro começou por fazer um enquadramento da situação neste momento, primeiro em termos económico – referindo a quebra no PIB de -13% no segundo trimestre, seguido de uma subida de 13,2% no terceiro. Costa referiu que não só a economia sofreu, mas também houve um “enorme custo afetivo nas famílias” sobretudo por causa dos idosos.

As decisões surgem após uma reunião, que começou com um ligeiro atraso e que durou cerca de oito horas. Na véspera, o Executivo – que resistiu a seguir o caminho de outros países europeus, como Bélgica, França, Irlanda ou País de Gales, que regressaram ao confinamento total como na primeira vaga da pandemia – ouviu os partidos da oposição, os representantes dos patrões e os sindicatos sobre o endurecimento das medidas agora anunciadas.

Entre as hipóteses que estiveram em cima da mesa estava o recolher obrigatório, o encurtamento dos horários de funcionamento do comércio e da restauração, a limitação de eventos e espetáculos e um mecanismo que imponha o teletrabalho obrigatório (sempre que tal seja possível). Além disso, o Governo admitia acolher a sugestão do PSD de mapear o risco territorialmente, introduzindo os chamados “semáforos” por concelho ou por freguesia, em função do número de infetados por total de habitantes.

Por outro lado, nas audições os partidos e com os parceiros sociais, foi notória a resistência do Governo em regressar a um confinamento total. Como o Expresso escreveu na edição impressa desta semana, a filosofia de Costa assentou sempre no gradualismo: as medidas mais duras só avançariam no caso de as restantes não funcionarem.

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