A evolução da Escola devido à pandemia – Adelino Calado

 

A evolução da Escola devido à pandemia

A Escola vive, atualmente, momentos difíceis, conturbados e algo penosos!

Sabemos que a centralidade da Educação em Portugal, consubstanciada em inúmeros documentos legislativos e assente em plataformas digitais que controlam todos os processos administrativos, inviabilizam todas as tentativas de autonomia.

No entanto, do ponto de vista pedagógico, a amplitude de liberdade dos normativos legais, desde sempre abriu espaço para encontrar as melhores estratégias e metodologias para o desenvolvimento e aquisição de aprendizagens de qualidade.

A formação inicial dos docentes vive ainda um período muito apegado à tradicional forma de encarar a Escola. “Ensinar a muitos como se de um só se tratasse” é ainda uma visão muito comum. Tal forma de vivenciar o ensino traduz-se numa centralidade do professor, como alguém que possui o conhecimento e que tenta passa-lo aos jovens, normalmente de uma forma expositiva. E esta é mesmo a perceção, generalizada, que se tem da educação.

Mas a evolução da sociedade, as constantes alterações de um mundo em mudança, os requisitos que o mercado de trabalho vem exigindo são, ou deveriam ser, indicadores suficientemente fortes para alterar a forma como se encara a Educação e o Ensino, obrigando a repensar a Escola.

Assim, liderar processos de mudança pode e deve ser a tarefa primordial de gestores e/ou diretores, sabendo de antemão que a natural oposição a alterações do quotidiano é o elemento desmotivador de todo o processo.

“Inovar” tem sido a palavra-chave no planear, mas também é fundamentalmente nas práticas pedagógicas. Estratégias e metodologias inovadoras são naturalmente apelativas e mesmo ansiadas por docentes.

Em teoria, é universalmente consensualizada a pertinência de quase todas as iniciativas e novos desenvolvimentos na prática escolar, mas tal dificilmente é experienciado. As ações não correspondem às manifestações de intenção!

Contrariamente à generalidade de académicos, e à maioria dos docentes, entendemos que as mudanças têm que ocorrer de uma forma disruptiva.

Aliás, se analisarmos o que recentemente se passou com o confinamento, situação imprevisível mas real e abrupta, a necessidade de estabelecer contacto com alunos levou praticamente a que a generalidade dos docentes tivesse recorrido às tecnologias, mesmo os que manifestavam a sua total oposição, quando há já bastante tempo se tentava introduzir mais o digital no sistema.

Foi uma constatação de que, mais do que uma obrigatoriedade imposta pelo sistema ou pelos superiores hierárquicos, confrontados com um problema a solução foi assumida, ainda que os “princípios” fossem outros e de um momento para o outro!

E agora? O momento atual radicalizou e absorveu todo o tempo das lideranças escolares. Os normativos e as orientações superiores, essencialmente as que se referem às regras sanitárias, limitaram quase por completo a preparação deste novo ano letivo.

Na realidade, o excelente documento: “Orientações para a recuperação e consolidação das aprendizagens”, publicado pelo Ministério da Educação, revela-se como o mais inovador conjunto de propostas alguma vez elaborado e assumido pela administração, no entanto, pouco ou nada influiu na preparação e na prática deste extraordinário e diferente novo ano escolar.

As questões sanitárias, e suas regras, sobrepuseram-se a toda e qualquer necessidade de diferenciação. Os docentes, tal como as famílias, assumiram o “medo” como a principal, senão única, preocupação, deixando-se enlear pelas perceções de que podem ser causadores de disseminação de contaminações, relegando para segundo, senão último, pensamento as estratégias de ensino e aprendizagem dos jovens.

Não será muito difícil perceber o que está a acontecer na maioria das nossas escolas, sendo suficiente inquirir alguns jovens e verificar que as “bolhas” e o “afastamento social” conduziram à quase exclusiva, expositiva/magistral, forma de lecionar, com a crescente desmotivação que se sente a cada momento.

Sabemos como a vivência profissional na realidade atual, sob a perspetiva da coordenação pedagógica de um estabelecimento educativo, face aos problemas criados pela pandemia que vivemos, se revela como a preocupação fundamental, mas é também uma oportunidade para que se alterem processos, tanto mais que as desigualdades pré-existentes aumentaram e carecem de um novo plano para as colmatar.

Diagnosticar défices de aprendizagem, definir planos individuais de recuperação, deveria levar todos a organizar o trabalho escolar com base no desenvolvimento de projetos, envolvendo e promovendo aprendizagens transversais e interdisciplinares e a construção de portfólios que ajudem à concretização e desenvolvimento das competências de cada jovem.

As aprendizagens que todos fizemos em período de confinamento, nomeadamente, quanto à utilização das tecnologias, não devem ser ignoradas, antes aproveitadas para colmatar os problemas e a maior amplitude de desigualdades criadas. O recurso a “trabalho a pares”, presencialmente ou a distância, e o apoio docente individualizado através dos “Zoom”, “Teams”, “WhatsApp” ou outra aplicação digital deverá ser bem explorado.

Por fim, a avaliação que certifica as aprendizagens tem que ser repensada, perdendo a sua normatividade tradicional para se reafirmar como criterial, e assentar nas competências do Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, tendo como referência o estrutural das Aprendizagens Essenciais de cada conteúdo programático.

Parece ser evidente que as coordenações pedagógicas terão também que se reformular mas, sobretudo, têm que assumir a liderança na inovação de estratégias, metodologias e processos, ainda que tal tenha que ser efetuado com disrupções, e decisões “top down”!

Adelino Calado

 

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10 comentários

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    • mc on 21 de Outubro de 2020 at 22:27
    • Responder

    Era melhor estar CALADO. Opinões destas e cheias de rodriguinhos só servem para espalhar a Falsidades sobre o ensino que se faz hoje em dia. É falso que se faça ensino meramente expositivo, é falso e só falta afirmar, como uma ariana a soldo, que se ensina hoje como se ensinava no século XIX.
    A quem serve este tipo de discurso mentiroso ?
    Os professores são inovadores e não ensinam para a manada. Apenas precisam que lhes dêem mais meios, mais respeito, turmas menores e colaboração séria dos diretores e dos pais!
    É urgente acabar com o bullyng sobre os professores!
    Deixem-nos trabalhar em PAZ, sabemos o que fazemos.
    Há muito boa formação de base, muitos anos de experiência, há gosto pelo que se faz, orgulho nos progressos diários de cada estudante, há leitura e atualização permanentes.

    • Santos on 21 de Outubro de 2020 at 22:33
    • Responder

    Blá, blá, blá, whiskas saquetas!

    • cag on 21 de Outubro de 2020 at 22:56
    • Responder

    Mais um discurso eduquesado, à boa maneira da pedagogia balofa.

    • Ana on 21 de Outubro de 2020 at 23:34
    • Responder

    É só artistas do fingimento.

    • Prof Possível (aka Maria Indignada) on 22 de Outubro de 2020 at 1:24
    • Responder

    Top down! E mais nada.

    Mas esta gente vive no mesmo planeta que nós? É hilariante.

    Alguém que o tire da cápsula do tempo em que ficou aprisionado.

    • Nem li! on 22 de Outubro de 2020 at 7:24
    • Responder

    Nem li… quero é vê-los no terreno!

    • Apache on 22 de Outubro de 2020 at 8:21
    • Responder

    Faz-me recordar o professor de didáticas da Física e história e filosofia das ciências. Assim que saiu do poleiro da faculdade e foi dar aulas, pediu logo a reforma, hehehe

    • N. Ribeiro. on 22 de Outubro de 2020 at 10:57
    • Responder

    Ó Adelino devias ficar calado.

    • Dash on 22 de Outubro de 2020 at 22:42
    • Responder

    “Contrariamente à generalidade de académicos, e à maioria dos docentes, entendemos que as mudanças têm que ocorrer de uma forma disruptiva.”

    Todos errados menos eu, diz o ditador de Carcavelos, fiscalizador de trabalhos de casa, anti-reprovações, afastado pela tutela, seguramente pelas suas práticas de excelência na gestão da coisa pública.

    • Pedro on 23 de Outubro de 2020 at 17:04
    • Responder

    Um triste!
    “Tradicional”, “criterial”, “estrutural”… ele que vá mas é tomar no orifício **al.

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