Um início de ano letivo esquisitamente tranquilo

 

A D. Graça anunciou ontem que o início do ano letivo decorreu com tranquilidade. Deixe-me discordar, D. Graça.

As escolas já encerram, as turmas também e há alunos, professores e AO’s em quarentena. E assim vai ser ao longo de todo o ano letivo. Isto não é tranquilidade.

O início do ano letivo pode ter sido tudo, mas não foi tranquilo porque não há tranquilidade nas escolas, todos estão receosos, até os alunos na sua inocência.

Quem contabiliza os números nas escolas? Alguém o está a fazer? Algum dia teremos acesso a eles?

Nas notícias só aparece a ponta do icebergue, os casos que não se conseguem abafar ou que é impossível esconder. Os relatos que nos chegam apontam para mais casos do que aqueles que são mostrados nas comunicação social. Casos isolados de um ou dois infetados, aqui e ali. Estamos no início de ano letivo tranquilo…

Os professores, os AO’s, os AT’s e os diretores esforçaram-se para garantir um ano letivo o mais tranquilo possível, mesmo sabendo que não o vai ser. Fizeram os possíveis e os impossíveis com o que tinham disponível. Cumpriram à risca as regras, sempre que possível, mas o esforço, só por si, não é suficiente. Os meios são muito mais importantes, mas esses não foram disponibilizados, insistiu-se em apostar na sorte e deixar a roleta girar.

Uma coisa é certa, na boca daqueles que não frequentam escolas diariamente, tudo estará tranquilo e na forma do ideal.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2020/09/um-inicio-de-ano-letivo-esquisitamente-tranquilo/

11 comentários

11 pings

Passar directamente para o formulário dos comentários,

    • Rosa Cavaco on 22 de Setembro de 2020 at 13:30

    O horror, a tragédia! A culpa é da D. Graça. E do Tiago. O senhor Arlindo, por mais que se esforce, não consegue melhor. Nem melhorar o português para parecer(e) um texto sério e a sério. O verdadeiro entertainer!

    • Apache on 22 de Setembro de 2020 at 13:52

    Até estou para ver o vosso entusiasmo daqui a um mês.
    O vosso e do vosso querido primeiro.

    • Matilde on 22 de Setembro de 2020 at 17:20

    Na realidade, a DGS não sabe, nem quer saber, o que efectivamente se passa nas escolas…

    Na realidade, o ME não sabe, nem quer saber, o que efectivamente se passa nas escolas…

    Na realidade, as Associações de Directores e de Pais/Encarregados de Educação não sabem, nem querem saber, o que efectivamente se passa nas escolas…

    A “tranquilidade” referida só pode ser devida ao conforto proporcionado pela IGNORÂNCIA e não decorre, por certo, do conhecimento factual…

    Este estado de negação, como mecanismo de defesa para evitar o confronto com a realidade, vai durar até quando? Que consequências vai ter?

    Mas isso também não interessa para nada, são assuntos não gratos e incómodos que convém serem afastados das mentes… Discutam-se outros temas, bem mais agradáveis e facilmente digeríveis… Dê-se a comer ao Povo aquilo de que o Povo gosta…

    • Sílvia on 22 de Setembro de 2020 at 18:50

    O sr. Cardoso e a D. Matilde, afinal, sugerem o quê? Medo? Intranquilidade?

    • Rico on 22 de Setembro de 2020 at 18:57

    Na minha EB e no meu Agrupamento tudo tranquilo. E é assim que que se deve as coisas…problemas irão aparecer mas há sempre formas de contornar e não optar pelo mais fácil que é fechar! O fácil sai caro depois…

    • Susi on 22 de Setembro de 2020 at 18:59

    Por aqui também….sem medo, sem complexos, vida normal dentro desta anormalidade.

    • Matilde on 22 de Setembro de 2020 at 19:29

    D. Sílvia:

    Pela parte que me toca, exige-se, sobretudo, transparência e honestidade, algo que, lamentavelmente, é inatingível para muitos…

    Por favor, não confundir isso com “faz de conta”, “vai tudo correr bem” ou com outras balelas semelhantes, sempre muito “fofinhas” e supostamente securizantes, mas absolutamente vazias de significado perante a verdade dos factos… E os factos só não são vistos por quem não quer vê-los…

    Bem sabemos que seria muito mais confortável continuar a “enfiar a cabeça na areia” ou a “assobiar para o lado”… E também sabemos que o evitamento do “alarme social” costuma dar muito jeito para justificar a necessidade de manter o Povo na ignorância, provavelmente, ainda, resquícios do tempo da ditadura…

    Mas alguém vai acabar por pagar essa cobardia… Espera-se, sinceramente, que não sejam os “inocentes”, ou seja, aqueles que em nada contribuíram para a farsa e que serão apenas vítimas dela…

    • Zaratrusta on 22 de Setembro de 2020 at 20:45

    O Sr. Cardoso e a D. Matilde sugerem, ao que me parece, que os portugueses tenham conhecimento da realidade. Para si será pedir muito? ou é adepta de um Estado em que o povo vive no obscurantismo?
    Já não há pachorra para estes aspirantes a boys.

    • Alecrom on 22 de Setembro de 2020 at 22:27

    Sílvia, Rico e Susi,
    não acham que devíamos obrigar essa cambada de medricas e complexados a frequentarem um workshop de beatismo patriótico?

    • Prof Possível (aka Maria Indignada) on 23 de Setembro de 2020 at 1:00

    Claro que a culpa é deles!

    Onde está a Graça a aconselhar o que a OMS aconselha relativamente à utilização de máscaras a partir dos 6 anos?

    Onde está a Graça a avaliar as salas nas escolas com elevada concentração de alunos e só ventiladas naturalmente quando possível? Pois nalgumas nem as janelas abrem.

    Onde está a Graça a equacionar como a ventilação natural vai decorrer com chuva, frio e elevada humidade no ar, condições muito favoráveis para a preservação da infeciosidade?

    Onde está a Graça a rastrear os professores antes do arranque do ano letivo para detectar precocemente docentes infetados?

    Onde está a Graça a usar os testes rápidos, com eficácia um pouco menor que os outros, que poderão dar falsos negativos mas nunca falsos positivos?

    Onde esteve o Tiago quando era necessário repensar os transportes escolares, à semelhança do que aconteceu em Itália com 2 meses de antecedência?

    Onde esteve o Tiago a repensar um novo esquema organizacional do ensino presencial, permitindo menor concentração de alunos e profs nas escolas simultaneamente?

    Onde esteve o Tiago quando era necessário dotar as escolas de autonomia para a implementação do ensino presencial em função das características das instalações e do número de alunos?

    Onde esteve o Tiago quando era necessário um diálogo concertado entre pais, profs e especialistas de saúde, para definir as diretrizes orientadores do arranque do ano letivo, à semelhança do que ocorreu em Itália?

    Sim, a esmagadora maioria da culpa recai neles e só neles.

    • Matilde on 23 de Setembro de 2020 at 18:17

    Zaratustra:

    É exactamente isso … 🙂

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Seguir

Recebe os novos artigos no teu email

Junta-te a outros seguidores: