Escolas incapazes de cumprir distâncias

 

Escolas incapazes de cumprir distâncias

Muitas escolas não estão a conseguir adotar uma parte das diretrizes recomendadas pelas DGS, em conjunto com o Ministério da Educação, principalmente quando toca a salvaguardar pelo menos um metro de distância entre alunos na sala de aula. É essa a maior preocupação das direções dos agrupamentos, que estão neste momento a adaptar as orientações às realidades das suas escolas, implementando regras de desfasamento de horários de entrada, de saída e de almoço, por forma a evitar aglomerações e cruzamentos de alunos de turmas diferentes.

Em Matosinhos, no Agrupamento de Escolas Gonçalves Zarco, este ano letivo não há mais professores nem menos estudantes, pelo que as turmas continuam com 28 alunos, e “é impossível manter o distanciamento de um metro”, garante o diretor, José Ramos. A acrescentar às dificuldades, a escola tem pouco arejamento, porque, “apesar de ter sido requalificada pela Parque Escolar, as janelas são basculantes e, portanto, só abrem cerca de 10 centímetros, dificultando uma ventilação conveniente”, assegura. Na escola há mesmo salas que “só funcionam com ar ventilado e, de acordo com as orientações da DGS, isso está proibido”.

Por forma a diminuir o número de alunos em simultâneo na escola, que atualmente são 1400, a direção pediu autorização para adotar um regime de aulas misto, mas foi recusado pelo Ministério da Educação. A alternativa é, então, “fazer ginástica interna”. A direção determinou que haja desfasamento de horários de entrada, dos intervalos, incluindo o de almoço, e de saída dos alunos, bem como duas entradas distintas para a escola. Na cantina, a servir 500 refeições por dia, será adotada uma metodologia de pré-marcação da hora a que os alunos vão almoçar, “de forma que não se criem filas intermináveis à espera para almoçar”, e recomendam levar a comida em “regime de take-away”.

Esta é uma medida adotada também no Agrupamento de Escolas Cego do Maio, na Póvoa de Varzim, onde as diferentes turmas terão turnos no refeitório e desfasamento de horários nas entradas, saídas e intervalos. Nesta escola, onde as salas de aulas são grandes e as turmas não excedem os 22 alunos, vai conseguir-se cumprir o distanciamento recomendado, com uma mesa dupla para cada aluno. No entanto, segundo Arlindo Ferreira, o diretor, o problema põe-se na falta de pessoal não docente, já que “houve um alargamento do período de funcionamento da escola”. Pediram em julho (e reforçaram agora o pedido) a contratação de mais funcionários, mas não obtiveram ainda resposta.

A direção do Agrupamento de Escolas de Benfica, em Lisboa, partilha o mesmo problema: tem cerca de 42 funcionários, mas precisava de mais 10. “A falta de pessoal vai tornar o trabalho ainda mais difícil”, admite a diretora, Rosária Alves. “A minha maior preocupação é o número de alunos por sala de aula. Não pudemos desdobrar as turmas, portanto tivemos de as manter como são e é muito difícil manter o distanciamento.” Salientando também as orientações “muito limitadas” para a Educação Física, Rosária Alves considera que “vai ser difícil” cumprir os programas. “Preocupam-me também os professores de risco. Era importante saber se vão ter alguma situação especial.”

JÁ HÁ AULAS A DECORRER

Os funcionários do Agrupamento de Escolas da Portela e Moscavide, em Loures, estiveram esta semana a pintar no chão as setas que vão indicar os percursos obrigatórios. “Vamos também pôr setas autocolantes nos pavilhões, mas estão esgotadas em todo o lado”, conta o diretor, Nuno Reis. “O grande problema é o distanciamento dentro da sala e muitos professores sentem algum stress em relação a isso. Nas turmas de 28 ou 30 alunos no secundário as salas estão no limite da capacidade. Já encomendei 200 mesas individuais, mas nós temos 2700 alunos. Seria útil ter acrílico nas mesas duplas, mas o custo é extremamente elevado. Fizemos uma aquisição para a secretaria e locais como papelaria e reprografia a mais de 80 euros por cada acrílico. São preços proibitivos.”

Há escolas privadas onde as aulas já começaram na semana passada, como é o caso do colégio internacional CLIP, no Porto. “Tem corrido muito bem”, garante Francisco Marques, o diretor. A opção também foi desfasar horários e garantir entradas por portas diferentes. “As duas cantinas têm funcio­nado das 11h30 às 14h30 em contínuo”, com marcações nas mesas onde os alunos se podem sentar. O mesmo acontece nas salas, agora fixas para cada turma. Algumas aulas passaram a ser duplas, para diminuir o tempo fora da sala, e o espaço exterior aumentou, com transformação de zonas em recreios.

Expresso

 

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15 comentários

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    • kia on 5 de Setembro de 2020 at 11:23
    • Responder

    E o covid da gente
    E o covid da gente
    A gente distância
    Por causa do
    Covid da gente
    A gente distância
    Por causa do
    Covid dos outros também
    Mas o ….
    O cuvid a gente não dá pra ninguém

    • Ana on 5 de Setembro de 2020 at 14:12
    • Responder

    Onde estão os cOmentarios dos posts?

    Arlindo…andas a dormir.

    • Ruca on 5 de Setembro de 2020 at 14:16
    • Responder

    Do que conheço, em grande parte das salas não cabe nem mais uma mesa. Os alunos sentam-se aos pares e há turmas com 29 alunos. E para evitar contágios, os professores ficam parte dos intervalos a aturar os alunos dentro da sala de aula.

    • Maria on 5 de Setembro de 2020 at 15:52
    • Responder

    E no pré escolar?
    Distância = zero
    Salas com janelas de báscula que mal abrem, sem porta com acesso direto ao exterior.
    Mesas redondas…
    Troca de sapatos para crianças e educadores para quê se os alunos
    e docentes dos outros ciclos da mesma escola não o fazem?
    Vamos passar a “guardar” crianças que têm de estar sentadas em cadeiras e evitar que troquem jogos, livros…
    Isto não é nem nunca será educação pré escolar!

    • Luis on 5 de Setembro de 2020 at 16:09
    • Responder

    Está distância de 1m se possível já se sabe desde maio.
    Pq essa notícia e admiração só agora pelo Expresso?

    Pq CS não confronta responsáveis governamentais com clareza e viemensia relativamente a estes assuntos?

    • Matilde on 5 de Setembro de 2020 at 17:56
    • Responder

    Finalmente, começa-se a assumir que a maioria das escolas não tem condições físicas para proceder ao necessário e imprescindível distanciamento entre alunos dentro das salas de aula…

    E nesse cenário vai ser impossível evitar uma catástrofe, seja-se pessimista ou optimista…

    O ME não autorizou o desdobramento de turmas, que seria, com grande probabilidade, a medida mais sensata a adoptar…

    O mais revoltante neste país é que é sempre preciso existirem catástrofes ou que as coisas corram efectivamente mal para, posteriormente, se alterarem regras ou procedimentos. Não se antecipam consequências nem se evitam catástrofes. Tenta-se apenas mitigar catástrofes, quando já nada ou muito pouco há a fazer…

    À inevitável catástrofe económica, com efeitos mais visíveis sobretudo a partir dos meses de Outubro/Novembro, seguir-se-á outra muito mais danosa: a catástrofe humana, com perdas irreparáveis…

    E isto não é ser catastrofista nem dramático, isto é ser realista e conseguir antecipar consequências de actos verdadeiramente criminosos, irresponsáveis e desumanos, patrocinados pelo Governo de um país…

    Neste momento, e dado esse cenário, ocorrem-me estas palavras: “Houston, we have a problem!”

    • Alecrom on 5 de Setembro de 2020 at 18:24
    • Responder

    Define problem!

    • Matilde on 5 de Setembro de 2020 at 18:42
    • Responder

    Definição de “Problem”, em termos “tuga”:

    Não temos sequer “Houston” a quem nos dirigirmos e aquela coisa que temos não nos resolve problemas, muito pelo contrário… Portanto, estamos “sós, tristes e abandonados” à nossa sorte, não nos adianta clamar por uma coisa que não temos nem pelo que temos…

    Alecrom, quer problema maior do que esse? 🙂

    • Zaratrusta on 5 de Setembro de 2020 at 20:41
    • Responder

    Então malta, não viram a Marta e o Tiaguinho numa escola com salas equipadas com mesas individuais e com distância de 1 m e tal? Assim é que são as escolas portuguesas e não estas que vocês estão a descrever. Pensam que enganam o povo com os vossos comentários? Os portugueses viram claramente visto e com comentários do Tiaguinho.

    • Matilde on 5 de Setembro de 2020 at 20:49
    • Responder

    🙂

    • Paulo on 5 de Setembro de 2020 at 22:22
    • Responder

    Só sabem exigir, mas para cumprir…
    Acabe-se de uma vez com a política.

    • Pedro on 5 de Setembro de 2020 at 22:28
    • Responder

    Porque razão não se aplica o ensino misto, metade da turma presencial e a outra metade à distância, e depois trocam.
    Gostam de despertar a autoridade…

    • Pirilau on 5 de Setembro de 2020 at 23:06
    • Responder

    Sois uns incréus… O sr Brandão já foi a Fátima pedir a proteção da virgem e ela anuiu. Problema resolvido.

    • Paulo on 5 de Setembro de 2020 at 23:40
    • Responder

    Com turmas a 28 e 30 em mesas duplas como vai ser.? Intervalos de 5 minutos para se trocar de sala. Sem funcionárias para higienizar a mesa do professor e o teclado.
    Não vai ser fácil. Ja se viu nos primeiros dias de reuniões os ajuntamentos e a partilha de teclados… vai correr mal…

    • Pirilau on 6 de Setembro de 2020 at 1:05
    • Responder

    Reuniões presenciais? Quem as marca neste contexto deveria ser banhado em alcatrão e coberto de penas…

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