Entre o prevenir e o remediar – Alberto Veronesi

 

Entre o prevenir e o remediar

Para evitar o descalabro, há que assumir o erro que foi a decisão de iniciar todos os ciclos ao mesmo tempo, sem que as escolas tenham condições humanas e económicas necessárias para se tornarem locais seguros

Os números de infeções por covid-19 aumentam de dia para dia e percebemos todos que não abrandarão nos próximos tempos. Bem sei que o número de infeções não significa número de doentes, porque há muitos assintomáticos, nem de internados, pois têm diminuído. Mas significa pessoas em isolamento obrigatório de pelo menos, até decisão em contrário, 14 dias. Sabemos todos, também, que as recuperações têm períodos diferentes e podem durar mais de um mês! É previsível que, começando a ter de isolar infetados, muitos serviços, mas sobretudo as escolas, venham a ter repercussões imprevisíveis. É sobre estas que gostaria de tecer alguns comentários.

Quando fecharam e sobretudo quando decidiram que não abririam para todos antes de setembro, pensei que teriam tempo suficiente para preparar o regresso em condições de as manterem abertas o mais tempo possível. Estávamos em final de abril! Pensei mal. Porque, dizem, nessa altura estavam, não sabemos bem quem, a preparar o regresso da creche, pré-escolar e disciplinas de exame. Não havia tempo para preparar no incerto e a tanto tempo de distância.

Quando terminaram os exames e deu-se o fecho do ano letivo, continuava a incerteza do futuro a coibir os nossos governantes de planear. Porque planear terá um significado diferente para uns e para outros.

É hoje certo e sabido, e dito por todos os especialistas, que não é possível recuperar a economia com escolas fechadas e enquanto os pais tiverem de manter os filhos em casa.

É certo e sabido que o ensino à distância, apesar de todo o reconhecido esforço da maioria dos intervenientes e sobretudo dos professores, não é eficaz nem consegue ser substituto do ensino presencial, sobretudo nos mais novos, do 1.º e 2.º ciclos.

É hoje certo e sabido, concorde-se ou não, que as escolas têm cada vez mais um papel de assistencialismo social, pelo que os especialistas fazem justamente destas um fator decisivo, alertando para a necessidade de medidas eficazes para conter eventuais contágios.

Estas três premissas são a base. Um dos principais pilares de sustentação na recuperação económica seria manter as escolas abertas e em segurança. No entanto, o que o Governo fez foi mostrar uma impreparação atroz, orientando como possível, se possível e com recursos a roçar o ridículo.

Mas creio que, agindo em vez de reagir, podemos tentar emendar esta inépcia demonstrada pelo Ministério, bastando que haja vontade política e possibilidade de investir alguma coisa na educação, com retorno garantido na economia.

As escolas dos mais novos não devem fechar. Sugiro que se mantenham a creche, o pré-escolar, os primeiro e segundo ciclos em ensino presencial, e que os restantes ciclos sejam colocados em ensino misto, ou à distância, consoante a disponibilidade de meios, em colaboração com as freguesias, autarquias e associações locais para a disponibilização de espaços e material.

Para os professores de risco apresento a mesma solução de que já tenho vindo a falar há meses: os professores de risco de cada agrupamentos ficariam responsáveis pelos alunos de risco desse mesmo agrupamento.  Para além disso, estes professores poderiam ficar responsáveis pelas turmas de professores que tivessem de ficar em isolamento. Será que o Sr. Ministro acha que um professor que se encontre infetado com covid-19 deva continuar a trabalhar à distância?

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6 comentários

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    • Joao on 23 de Setembro de 2020 at 12:17

    escola secundaria afonso de albuquerque na Guarda com casos covid

    https://terrasdabeira.gmpress.pt/delegado-de-saude-da-guarda-defende-continuidade-das-actividades-normais-da-secundaria-afonso-de-albuquerque/

    • Alecrom on 23 de Setembro de 2020 at 14:02

    Pois,
    mas para isso seriam necessários políticos que fossem capazes de fazer algo para além de empurrar com a barriga.

    Claro que o ensino misto (3.º ciclo e secundário) deveria ter sido o modelo de ensino no presente ano letivo.

    Com as necessárias reduções das cargas curriculares e letivas.
    Em tempos excecionais, medidas de exceção.

    Mas isso implicaria competência e muito trabalho.

    Imbuídos do espírito beatopatriótico,
    optámos pelo
    tudo ao molhe e
    fé no milagre.

    É o que temos…

    • Sonia Pat on 23 de Setembro de 2020 at 15:44

    acabei ontem de tecer este tipo de comentário! nada se vez de diferente nas escolas para prevenir o exponencial aumento. …. estamos a atravessar tempos diferentes e continuamos a dormir à sombra da bananeira….. Namaste: Olá queridos colegas. Este governo está à espera de milagres? Nada fizeram para prevenir a contaminação do virus. Dimininuição do número de alunos por turmas. desfasamento de horários. Estamos todos a dormir à sombra da bananeira. Não estamos a agir, estamos a atravessar uma mudança e temos de agir compreender que temos de mudar.

    • António Alves on 23 de Setembro de 2020 at 17:38

    Os internamentos e os doentes em UCI têm diminuído? Vejam os números de hoje… Nunca podemos fazer essas contas no imediato… esperemos que, de facto, a infecção aumente sem e o SNS consiga responder… Essa é a verdadeira questão! Assim como não aumentem o número de mortes nem o Covid faça esquecer as outras patologias e aumentar ainda mais a mortalidade…

    • Alecrom on 23 de Setembro de 2020 at 18:28

    Muitos dos que estão a morrer de outras patologias, na verdade estão a morrer devido ao efeito Covid no SNS. É uma forma alternativa de morrer pela Covid. É assim por todo o lado, e muito assim em Portugal.
    Mas, enfim, pode ser que corra tudo bem e que a escola presencial a 100% consiga travar o bicho.

    • Redknight on 24 de Setembro de 2020 at 0:12

    “O número de internados tem diminuído????!
    O Veronesi anda distraído!
    Aumentou brutalmente em apenas 3 semanas.
    Ora vejamos…
    Número de internados:
    1 de setembro – 350
    23 de setembro – 571
    Variação – +63%

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